Categoria: Direitos Humanos

  • 40% das mulheres já renunciaram a empregos por dificuldade de acesso

    40% das mulheres já renunciaram a empregos por dificuldade de acesso

    No Brasil, quatro em cada dez mulheres (39%) já abriram mão de uma vaga de emprego ou oportunidade profissional em virtude de dificuldades de deslocamento. Os fatores desfavoráveis são falta de segurança, custo com os quais teriam de arcar para cobrir o serviço, tempo e território, conforme aponta a pesquisa O Direito de Ir, Vir e Viver, da Indique, consultoria de diversidade e inclusão racial, em parceria com a organização feminista Think Eva e a 99.

    Mais da metade (54%) também deixou de comparecer a um compromisso de trabalho ou recusou um convite desse tipo pelos mesmos motivos. E um quinto (21%) já desistiu de fazer alguma capacitação, incluindo faculdade.

    As mulheres, reforça o estudo, abdicam o tempo todo não somente de experiências e conquistas no âmbito ocupacional ou educacional, mas no social e no de bem-estar. Oito em cada dez (80%) faltaram a encontros, eventos ou atividades, sendo que um terço renunciou a atividades físicas ou de lazer (33%) e a visitas a familiares e amigos (32%) e o dobro (69%) a sair à noite.

    Entrevistas feitas com 564 mulheres de diferentes idades, classes e regiões do país mostraram que a insegurança ou violência é o principal impedimento, indicado por 32% delas. A falta de dinheiro (22%) figura em segundo lugar, seguida pela precariedade do transporte público (15%), que não atende devidamente, e a distância dos lugares onde precisam ir (14%). 

    A sensação de insegurança faz com que a maioria evite certos bairros ou regiões da cidade (87%) e planeje horários (73%). Também para se proteger, 63% já evitaram algum meio de transporte e 60% fizeram outro caminho até o destino. 

    Para uma das mulheres que respondeu a pesquisa, a aprovação em uma graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não pôde ser considerada de fato uma vitória. Ela relatou não ter sido possível cursá-la porque não chegaria a tempo ao campus, já que parou de usar ônibus após ter sido assaltada diversas vezes.

    Outro aspecto relevante é a preocupação com o assédio sexual. O levantamento constatou que 89% relatam ter sido vítimas em pelo menos um tipo de veículo, com predominância de ônibus (68,8%), deslocamentos a pé (60,8%) e de metrô ou trem (50,2%). A bicicleta e a moto por aplicativo aparecem como os que as deixam menos vulneráveis, mas são citadas, ainda assim, por 6,6% e 4,1% das participantes.

    Automóveis

    Os carros por aplicativo são opção recorrente de oito em cada dez mulheres ouvidas na pesquisa (80%). Apesar de custarem mais caro para 67% das entrevistadas de periferias e áreas com desfalques estruturais e de transporte.

    No total, 68% das entrevistadas declararam não ter veículo próprio e 52% gastam mais de uma hora por dia em deslocamento. Quase metade (45%) avalia como piores as condições de mobilidade de seus endereços, na comparação com o centro da cidade, e 33% classifica o transporte público de seu respectivo bairro como ruim ou péssimo.

    Outra conclusão é a de que, de fato, a renda define o quanto de acesso elas têm a determinados modais. Oito em cada dez (80,3%) mulheres de baixa renda usam ônibus regularmente, contra 52,1% entre as de alta renda. O carro próprio, por outro lado, é usado regularmente por 40,6% destas, contra apenas 8,3% das mulheres de baixa renda.

    Mulheres como cuidadoras

    Uma das tarefas atribuídas historicamente às mulheres, o cuidado também estabelece certas rotinas adotadas por elas. Segundo o estudo, 54% das entrevistadas afirmam que exercem esse tipo de trabalho sozinhas, ante 38% que dizem dividi-lo com outras pessoas. 

    Tais dados explicam por que o trajeto de muitas mulheres não se limita à casa-trabalho e vice-versa, incluindo paradas no meio do caminho. As que planejam sozinhas os percursos relacionados ao cuidado, como escola, idas a consultas médicas e farmácias e compras são 43%, sendo que 44% escolhem o veículo que vão utilizar com base nessas responsabilidades.

    Os carros por aplicativo são acionados por 53% quando transportam dependentes, sejam eles filhos, idosos ou pessoas com deficiência.

    Sobre a coleta de dados

    A etapa quantitativa foi feita entre 8 de junho e 9 de julho de 2026, com 564 mulheres entre 18 e 60 anos, com foco nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Manaus e Belém, além de outras 73 cidades brasileiras.

    As organizações também colheram contribuições de especialistas ligadas a temas como planejamento urbano, direito à cidade, mobilidade feminina, desigualdades territoriais, periferias e mobilidade ativa.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Líder índígena pede na ONU retirada de invasores de sua Terra

    Líder índígena pede na ONU retirada de invasores de sua Terra

    As violações enfrentadas pelos povos da Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, em Rondônia, que vêm sofrendo com a invasão de seu território por não indígenas, serão denunciadas nesta quarta-feira (23) pelo líder indígena Bitaté. O discurso, previsto para as 16h,  será feito no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), durante o Diálogo Interativo com o Mecanismo de Especialistas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

    Representando a Associação Jupau, a Conectas Direitos Humanos e a Associação Kanindé, Bitaté mostrará que, apesar dessa terra indígena já ter sido homologada nos anos 90 e de recentemente haver uma decisão judicial determinando a retirada de seus invasores, o processo de desintrusão ainda não foi concluído.

    “A desintrusão total da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau é medida urgente de reparação histórica. Instamos este conselho a cobrar do Estado brasileiro o cumprimento imediato da retirada de todos os invasores e a garantia da nossa proteção territorial. Nossos direitos originários não são negociáveis”, cobrará o líder indígena.

    A desintrusão que será cobrada por Bitaté na ONU é um processo de retirada de pessoas que ocupam de forma ilegal uma área. No caso de terras indígenas, ela seria uma medida para retirar os ocupantes não indígenas – como grileiros, invasores ou garimpeiros ilegais – de territórios já demarcados ou homologados, como ocorre com a Terra Indígena Uru Eu Wau Wau.

    Em entrevista à Agência Brasil antes de discursar na ONU, o líder indígena Bitaté, 26 anos, que vive na Aldeia Jamari, na Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, diz esperar que sua fala pressione o governo brasileiro a realizar a desintrusão total da terra indígena.

    “Os invasores são grandes empresários do estado de Rondônia, que financiam pessoas para que sejam pequenos agricultores e depois compram as áreas que foram financiadas por eles. Eles cobiçam para aumentar a produção, aumentar a venda de gado, de soja e recursos naturais que ali existem como madeiras e ouro”, afirmou.

    Segundo ele, as populações indígenas que vivem nessa terra têm sofrido diversas violências, principalmente com ameaças a lideranças. “E isso vem preocupando os líderes que ali vivem”, disse Bitaté.

    O discurso que fará na ONU, completa o líder indígena, será importante “para manter a Terra Indígena de pé.

    “É importante mostrar a realidade dos povos indígenas para o mundo. É preciso mostrar como nós indígenas estamos trabalhando para defender nossas casas e famílias que ali moram e ainda proteger uma área que abriga isolados que vivem no interior da Terra Indígena e que não sabem o que ocorre fora dela”, afirmou.

    No ano passado, a jovem Txai Suruí já havia alertado o Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre esse tema, pedindo que a ONU pressionasse o governo brasileiro a garantir a desintrusão definitiva do território, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2020.

    Embora o Conselho de Direitos Humanos da ONU não possa cobrar uma atitude prática do governo brasileiro, a intenção desses discursos feitos por Txai e Bitaté é dar visibilidade internacional ao problema.

    “A ONU, especialmente seu conselho de direitos humanos, é a principal arena para se debater direitos humanos no mundo e conscientizar governos sobre as urgências enfrentadas em nível local nos territórios”, disse João Godoy, coordenador da equipe de Defesa dos Direitos Socioambientais da Conectas. 

    A terra indígena

    A Terra Indígena Uru Eu Wau Wau está localizada no estado de Rondônia, dentro da Amazônia brasileira. Segundo João Godoy, essa terra é “o território tradicional dos povos Jupaú (como Bitaté), Amondawa, Oro Win, Cabixi e Juma, além de registrar presença de diferentes povos em isolamento voluntário”.

    “Seus limites foram reconhecidos pela Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas] no início da década de 1970, mas sua demarcação foi homologada apenas em 1991”, lembrou Godoy.

    Em 1975, ainda sob a ditadura militar, foi criado o Projeto de Assentamento Dirigido (PAD) Burareiro, que assentou 1,5 mil famílias em uma área de mais de 300 mil hectares.

    “Cento e quinze dos lotes de terra distribuídos — em torno de 14 mil hectares — ficaram sobrepostos à Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, especificamente sobre uma área sagrada para o povo Jupaú, na qual estão sepultados seus ancestrais”, explicou Godoy.

    Os PADs, que deixaram de ser criados a partir de 1990, eram um dos tipos de projetos de colonização da região amazônica. Nos últimos 35 anos, houve tentativas de retirar os não indígenas assentados no território tradicional, mas nenhuma foi bem-sucedida.

    O perfil dos ocupantes do PAD mudou consideravelmente nos últimos 50 anos e agora a região é um polo de criação ilegal de gado, atividade que recebe, inclusive, crédito rural para seu desenvolvimento”, acrescentou o coordenador da Conectas.

    Por causa dessa situação, em 2023 o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a União prosseguisse com o processo de desintrusão, ou seja, com a retirada dos invasores da terra indígena. O processo começou somente em setembro do ano passado, mas acabou sendo interrompido pela Suprema Corte em fevereiro deste ano a pedido de parlamentares, que contestam como a região foi demarcada e colonizada, com sobreposições de áreas. Para esses parlamentares, os assentados precisariam ser indenizados pelo Estado brasileiro.

    “Apesar de as autoridades presentes terem se mostrado sensíveis à situação em que se encontram os povos de Uru Eu, ainda não houve medida concreta que lhes garanta integridade territorial e segurança. Há uma forte pressão política de parlamentares de Rondônia para que a União não efetive a desintrusão, o que tem interferido diretamente no cumprimento da determinação judicial proferida em 2023”, disse Godoy.

    Para ele, a falta de uma solução para o conflito tem submetido as populações indígenas a um histórico de violências.

    “Os povos dessa terra indígena têm sido privados, há pelo menos cinco décadas, dos direitos constitucionalmente assegurados ao usufruto exclusivo e à posse permanente de seu território. A conflituosidade gerada pela presença de invasores é responsável por um cotidiano de ameaças e violências, o que faz com que as principais lideranças da terra indígena estejam no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalista (PPDDH). O Estado brasileiro não pode mais permitir que uma violação de direitos promovida pela ditadura militar se perpetue e siga causando danos às populações indígenas”, afirmou.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial recebe contribuições

    Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial recebe contribuições

    A consulta pública para colaborar com os objetivos estratégicos do 2º Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) está aberta até o dia 16 de outubro, por meio da plataforma digital Brasil Participativo.

    O objetivo do plano é orientar a atuação do Estado brasileiro no enfrentamento do racismo estrutural, na reparação histórica, na redução das desigualdades e na efetivação de direitos.

    O 2º Planapir conta com 16 eixos, e cada um deles traz uma série de objetivos estratégicos subsidiados pelas discussões da 5ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Conapir), realizada em 2025.

    Por meio dos objetivos, se dará a definição e o aperfeiçoamento de ações, metas, responsabilidades institucionais, indicadores e mecanismos para acompanhar a promoção da igualdade racial no país.

    A sociedade é convidada a colaborar aprimorando a redação desses objetivos, propondo alterações ou até mesmo sugerindo novos objetivos que enfrentem os problemas tratados em cada eixo.

    Após o encerramento da consulta pública, as contribuições recebidas serão sistematizadas e analisadas para subsidiar ajustes de redação, ampliação ou reorganização dos objetivos na versão final do Planapir.

    Conheça os 16 eixos do 2º Planapir:

    • Trabalho e inclusão produtiva
    • Educação
    • Saúde Integral e Enfrentamento ao Racismo no SUS
    • Desenvolvimento Social, Assistência Social e Segurança Alimentar
    • Cultura, Memória e Reparação Simbólica
    • Justiça, Segurança Pública e Defesa de Direitos
    • Comunidades Quilombolas
    • Povos de Terreiro e de Matriz Africana
    • Povos Ciganos
    • Mulheres Negras
    • Crianças, Adolescentes e Juventude Negra
    • População LGBTQIAPN+ negra
    • Justiça Climática e Enfrentamento ao Racismo Ambiental
    • Comunicação Antirracista, Justiça Digital
    • Política Internacional
    • Fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial – SINAPIR e Conselhos de Promoção da Igualdade Racial

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Polícia do Ceará prende João Munhoz, namorado de Isabelle Caracristi

    Polícia do Ceará prende João Munhoz, namorado de Isabelle Caracristi

    A Polícia Civil do Ceará (PCCE) prendeu nesta terça-feira (22) João Munhoz Neto, namorado da estudante Isabelle Caracristi, encontrada morta em 13 de setembro, no condomínio onde morava com o namorado, no bairro Aldeota, em Fortaleza.

    O pedido de prisão preventiva foi expedido pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), que mantém o caso em sigilo e não informou a motivação. Já a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) confirmou a prisão e informou que deve divulgar uma nota sobre o caso ainda nesta terça-feira.

    Ontem (21), a PCCE fez diversas oitivas para tentar esclarecer o caso. Em nota, a defesa disse que está “integralmente dedicada e imbuída no acompanhamento presencial”.

    “Em virtude da intensidade e da dinâmica ininterrupta desses atos ao longo do dia, não teremos como conceder entrevistas ou responder a questionamentos pontuais no momento”, diz nota divulgada pela de João Munhoz Neto.

    “Reiteramos nosso compromisso com a transparência e com a busca pela verdade, e voltaremos a nos pronunciar publicamente assim que os trabalhos previstos para o dia de hoje forem concluídos”, conclui a nota assinada pelas advogadas Adriana Alves e Patrícia Viana.

    Justiça

    A morte de Isabelle ganhou repercussão depois que a mãe de Isabelle, a professora Isorlanda Caracristi, divulgou um vídeo, na sexta-feira (18), expondo a situação e cobrando justiça pela morte da filha.

     

     

    A professora relatou que o último contato com Isabelle foi por meio de duas mensagens no WhatsApp no começo da noite de domingo. Em uma das mensagens Isabelle pedia para que a mãe olhasse uma comida que ela havia deixado na airfryer. Na outra, ela disse: “Mãe, eu te amo”.

    A mãe de Isabelle relatou que não houve mais respostas para as mensagens que ela enviou e que acreditava que o silêncio se devia ao fato de a filha estar dormindo. Ao permanecer sem respostas da filha na manhã da segunda-feira (14), Isorlanda tentou contato com o namorado da filha por ligações e mensagens e descobriu ter sido bloqueada.

    “Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada. Aí eu me desesperei”, relatou.

    Isorlanda disse ainda que só veio a saber da morte da filha quando foi, acompanhada do filho, ao condomínio onde Isabelle morava com o namorado, a sogra e um irmão dele. Lá, os familiares foram comunicados pela síndica de que Isabelle tinha morrido na noite anterior. 

    A respeito das causas da morte, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que ainda não há um laudo da perícia forense que aponte a causa da morte da jovem. O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mãe quer justiça por jovem encontrada morta em condomínio no Ceará

    A família da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, busca respostas e justiça pela morte da jovem. Isabelle foi encontrada morta no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, em Fortaleza, no Ceará, no dia 13 de setembro.

    “Eu não estou chorando apenas a dor da perda, mas porque não tenho RESPOSTAS. Eu não sei o que aconteceu com minha filha”, disse a mãe Isabelle, Isorlanda Caracristi, em vídeo nas redes sociais.

    Em nota, a defesa da família disse que está “integralmente dedicada e imbuída no acompanhamento presencial” de oitivas realizadas pela Polícia Civil nesta segunda-feira (21) para tentar esclarecer o caso. A nota é assinada pelas advogadas Adriana Alves e Patrícia Viana.

    O caso ganhou repercussão depois que a mãe de Isabelle expôs a situação e passou a cobrar justiça pela morte da filha.

    Isabelle morava com o namorado João Munhoz Neto, a mãe dele e um irmão dele. Desde a morte da jovem, a polícia procura por João Munhoz Neto para que ele preste depoimento.

    Segundo relato de Isorlanda, nas redes sociais, Isabelle o conheceu ao trabalhar em um escritório de advocacia. 

    O que se sabe até agora 

    A professora relatou que o último contato com Isabelle foi por meio de duas mensagens no WhatsApp no começo da noite de domingo. Em uma das mensagens, Isabelle pediu para que a mãe olhasse uma comida que ela havia deixado na airfryer. Na outra, ela disse: “Mãe, eu te amo”.

    A mãe de Isabelle relatou que não houve mais respostas para as mensagens enviadas e que acreditava que o silêncio se devia ao fato de a filha estar dormindo. Ao permanecer sem respostas da filha até a manhã da segunda-feira (14), Isorlanda tentou contato com o namorado, por ligações e mensagens e descobriu ter sido bloqueada.

    “Para a minha surpresa, eu estava bloqueada, eu fui tentar pelo Instagram dele, bloqueada. No outro Instagram pessoal, bloqueada. Totalmente bloqueada, bloqueada. Aí, eu me desesperei”, relatou.

    Isorlanda disse ainda que só soube da morte da filha quando foi, acompanhada do filho e irmão de Isabelle, ao condomínio onde morava com o namorado. Lá, eles foram comunicados pela síndica que Isabelle tinha morrido na noite anterior. Segundo Isorlanda, a família do namorado não a informou sobre a morte. 

    A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) disse que ainda não há um laudo da perícia forense que aponte a causa da morte da jovem. O caso está sendo investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • EBC tem três finalistas no prêmio de jornalismo Vladimir Herzog

    EBC tem três finalistas no prêmio de jornalismo Vladimir Herzog

    Os veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) têm três representantes entre os finalistas do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. São duas produções da TV Brasil e uma fotografia da Agência Brasil.

    A relação dos indicados foi divulgada nesta segunda-feira (21) pelo Instituto Prêmio Vladimir Herzog, organizador da premiação.

    A 48ª edição do prêmio teve 346 produções inscritas. Foram selecionados três finalistas para cada uma das sete categorias: arte, fotografia, texto, vídeo, áudio, multimídia e livro-reportagem.

    O fotógrafo Tomaz Silva, da Agência Brasil no Rio de Janeiro, disputa com o trabalho Viúva se despede do marido morto na operação policial mais letal do Rio de Janeiro.

    A fotografia que retrata a dor de Fernanda da Silva Martins foi feita no Complexo do Alemão, em outubro de 2025. O trabalho fotojornalístico foi republicado em jornais e sites do país e do exterior. 

    Para Tomaz Silva, a publicação da imagem foi uma forma de “usar a visibilidade de um veículo de comunicação pública para retratar os sentimentos de uma mulher que, ao mesmo tempo, era a dor de toda uma comunidade”.

    Caminhos da Reportagem

    A TV Brasil concorre na categoria vídeo com dois episódios do programa Caminhos da Reportagem.

    Um deles é o programa Trabalho escravo doméstico: silêncio e servidão, que foi ao ar em 20 de abril de 2026.

    A produção jornalística leva ao telespectador histórias de mulheres que foram escravizadas e discute formas de aprimorar o pós-resgate.

    Participaram da equipe Marieta Cazarré, Paulo Leite, Ana Graziela Aguiar, Ana Passos, Cleiton Freitas, Patrícia Araújo, Gabriel Penchel, JM Barbosa, Rogério Verçoza, Sigmar Gonçalves, Alexandre Souza, Marcelo Vasconcelos, Rafael Carvalho, Rivaldo Martins, Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia.

    O outro episódio, O Eterno Abril de Carajás: 30 anos de um massacre, repercute uma das maiores repressões policiais da história do país no campo, que resultou em 21 mortes e dezenas de feridos em Eldorado do Carajás, no Pará, em 1996.

    O programa foi exibido em 13 de abril de 2026. Participaram da produção Thiago Padovan, Acácio Barros, JM Barboza, Rafael Carvalho, Márcio Garoni, Rodrigo Botosso, Nelson Lin, Fábio de Albuquerque.

    Para a diretora de Jornalismo da EBC, Myrian Pereira, ter a Agência Brasil e a TV Brasil indicadas em categorias tão expressivas como Fotografia e Vídeo no Prêmio Vladimir Herzog é motivo de muito orgulho para toda a EBC.

    “Esse resultado reflete o talento, o rigor ético e a dedicação diária das nossas equipes de reportagem e fotografia. Estar na final de uma premiação que é símbolo da luta pela democracia e pelos direitos fundamentais no Brasil confirma que estamos no caminho certo: fazendo um jornalismo de profundidade, necessário, plural e voltado para dar voz às transformações e dores da nossa sociedade”, disse. 

    Veja a lista completa de finalistas. 

    Premiação

    O resultado final da 48ª edição será conhecido em 30 de setembro, com transmissão ao vivo pelo canal do prêmio no YouTube. 

    A premiação é uma homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura militar em 25 de outubro de 1975, nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), em São Paulo.

    O DOI-Codi foi o principal órgão de repressão política, detenção e tortura do regime militar (1964-1985). À época, o regime autoritário forjou que a morte teria sido suicídio.

    Outros prêmios

    A premiação tem o objetivo valorizar personalidades e profissionais da comunicação que se destacam na promoção dos direitos humanos fundamentais.

    A EBC já obteve conquistas em edições anteriores. Em 2024, por exemplo, a Agência Brasil e a TV Brasil venceram nas categorias fotografia e vídeo. 

    Em 2025, o episódio Mães de Luta, do Caminhos da Reportagem, recebeu menção honrosa. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Exposição em SP homenageia padre Júlio e pessoas em situação de rua

    Exposição em SP homenageia padre Júlio e pessoas em situação de rua

    Muitas vezes, a relação que a sociedade estabelece com a população em situação de rua é de distanciamento. As pessoas fingem que a população de rua não existe, desviam o olhar, correm ou atravessam a rua.

    Foi a partir dessa perspectiva que o artista plástico Geraldo Lacerdine montou a exposição “A alfabetização do Olhar – um ato de amor e responsabilidade”. Além de homenagear o padre Júlio Lancellotti e a atuação da Pastoral do Povo da Rua, a mostra busca aproximar as pessoas em situação de rua do restante da sociedade. 

    São mais de 100 fotografias reunidas na Lacerdine Galeria de Arte, localizada no bairro Higienópolis, em São Paulo. Também estão dispostos textos, instalações e vídeos, além de diversos prêmios e reconhecimentos que Padre Júlio recebeu ao longo da trajetória.


    Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua. Foto: Tr3ze/Divulgação.
    Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua. Foto: Tr3ze/Divulgação.
    Mais de 100 fotografias compõem exposição que homenageia o padre Júlio Lancelotti – Foto Tr3ze/Divulgação.

    Os quadros apresentam registros dos fotógrafos Daniel Camargo Kfouri, Fernando Jenzen, Tr3ze e Victor Angelo Caldini, que mostram o trabalho de Lancellotti desde o período da pandemia de covid-19, em 2020. 

    O padre Lancellotti disse à Agência Brasil que a alfabetização do olhar busca ensinar o espectador a ver essas pessoas não como “anjos ou demônios”, mas como seres humanos reais e complexos.   

    O curador da exposição, Geraldo Lacerdine, conta que o padre Júlio apenas permitiria a realização da mostra se as pessoas em situação de rua tivessem protagonismo.

    “Quando a gente propôs a exposição para o padre Júlio, a primeira coisa que ele falou foi o seguinte: se vocês querem fazer uma homenagem a mim e ao meu trabalho, façam uma exposição em que as pessoas na situação de rua sejam o centro, e não eu”, contou Lacerdine. 

    Algumas fotografias focam a atenção nas ações humanitárias, representando o padre Júlio quase como um santo. Outras preferem mostrar as pessoas em situação de rua, evidenciando suas dores, mas também momentos de alegria e dignidade.

    Além de uma fotografia documental, que coloca o objeto em cena distante do observador, a exposição também explora formatos que aproximam os visitantes da imagem. 

    Um exemplo disso são três imagens de mulheres em situação de rua sorrindo para a câmera. A disposição das fotografias cria uma aproximação entre as mulheres e os observadores, o que dialoga diretamente com a ideia de “alfabetização do olhar”.


    Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua. Foto: Tr3ze/Divulgação.
    Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua. Foto: Tr3ze/Divulgação.
    Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua – Foto Tr3ze/Divulgação.

    As imagens criam esse senso de conexão porque foram tiradas com respeito e confiança mútua entre os fotógrafos da Pastoral e as pessoas representadas.

    “As fotos não são posadas ou artificiais. Elas capturam momentos espontâneos resultantes de um longo período de convivência e conhecimento mútuo entre os fotógrafos e as pessoas retratadas”, disse padre Júlio.

    Segundo o fotógrafo Tr3ze, [Para registrar essas pessoas], você tem que realmente andar entre elas, conviver entre elas e ganhar confiança. “Meus registros começaram fotografando as filas de distribuição de pães e, aos poucos, as pessoas vinham conversar comigo”, afirmou.

    Ele conta que o processo demanda certa atenção, porque muitos acham que vão ser denunciados ou que a foto será enviada à polícia. Mas Tr3ze também diz que muitos gostam do contato. “Por serem totalmente ignoradas socialmente, elas querem conversar, querem ser escutadas”, disse.

    *Estagiário sob supervisão de Odair Braz

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Dia da pessoa com deficiência: arte e movimento desafiam capacitismo

    Dia da pessoa com deficiência: arte e movimento desafiam capacitismo

    “Quando sinto o calor do sol da manhã na pele, me dá vontade de fotografar. Gosto das frestas de luz que se formam aqui em casa”. O calor do dia ilumina o fotógrafo mineiro Luciano Ambrósio, de 57 anos, morador da Ceilândia (DF), para cada detalhe. 

    Luciano resolveu captar a rotina de forma especial em imagens e palavras depois que perdeu a visão, aos 24 anos. 

    A vida que chega com calor descortina a visibilidade que devem ter os direitos de cidadania enfatizados em datas como esta segunda-feira (21), Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. No caso de Luciano, as imagens que ele cria revelam percepções de cenários, às vezes, hostis, com obstáculos, e outras vezes, encaradas por outros ângulos.

    Ele está perto de realizar um sonho: a publicação do primeiro livro, Meu olhar” (de 120 páginas, em edição independente), prevista para novembro. A obra reúne imagens e 100 poesias. 

    Descobriu a fotografia há 10 anos e utiliza a máquina com suporte de um software de voz. 

    Luciano mapeia o ambiente pelo corpo, incluindo a textura do chão, a inclinação do terreno, os sons ao redor. Com o celular, tem o apoio das informações sobre o que está diante da câmera. Com a descrição, a tecnologia traduz a imagem que poderá surgir, e, com essas informações, decide por dar o clique na máquina que comprou com as economias que fez.   


    Dia da pessoa com deficiência. Piso tátil captado por Luciano Ambrósio, fotógrafo cego. 
Foto: Luciano Ambrósio/Arquivo Pessoal
    Dia da pessoa com deficiência. Piso tátil captado por Luciano Ambrósio, fotógrafo cego. 
Foto: Luciano Ambrósio/Arquivo Pessoal
    Dia da pessoa com deficiência. Piso tátil captado por Luciano Ambrósio, fotógrafo cego. Foto: Luciano Ambrósio/Arquivo Pessoal

    Inclusiva

    Nascido em Lajinha (MG), o fotógrafo se mudou para Brasília em 2002 para estudar biblioteconomia e trabalhar. Já quando atuava no Senado como assessor, participou de uma oficina de fotografia inclusiva. Encantou-se mesmo quando ouviu a orientação: “busquem aquela imagem do cotidiano que ninguém presta atenção”. Ele prestava atenção em tudo. 

    Folha seca, pedrinha no chão, a luz e a chuva refletidas. A máquina passou a ser uma extensão de seus braços e dos sentimentos que resolveu alcançar. 

    “Eu coloco a câmera pertinho do chão e fotografo a grama. Eu adoro os degraus”. Não o obstáculo, mas a luz que se forma entre eles. Ou as pessoas andando, dançando. Pede que elas coloquem um guizo no pescoço para que ele possa buscar. 

    “Eu já passei mais tempo da minha vida como um cego (desde os 24 anos) do que enxergando. Mas eu sei muito bem o que é beleza visual. Isso ainda está guardado aqui no meu cérebro”. Ele recorda e imagina as frestas.  

    A esposa dele, a cerimonialista Edna Teodoro, de 54 anos, diz que ele a surpreende a cada dia com a capacidade de criação permanente. “O convívio representa um aprendizado grande pra mim. Ele é animado todos os dias”. 

    Ela lamenta testemunhar episódios de capacitismo (quando alguém subestima uma pessoa com deficiência). “Recentemente, fomos fazer um lanche no shopping e a atendente me perguntou o que ele iria querer, como se ele não pudesse compreender. Eu falei que ela podia perguntar para ele direto”. 

    A esposa explica que ele sente poesia em tudo. Tanto que ele vive acelerado pensando no segundo livro. “Meu sonho é viver da minha arte”.


    Dia da pessoa com deficiência. A estilista goiana Juliana Santos sofreu uma série de ataques na internet. Foto: Juliana Santos/Arquivo Pessoal
    Dia da pessoa com deficiência. A estilista goiana Juliana Santos sofreu uma série de ataques na internet. Foto: Juliana Santos/Arquivo Pessoal
    A estilista goiana Juliana Santos sofreu uma série de ataques na internet. Foto: Juliana Santos/Arquivo Pessoal

    Moda 

    Outra artista apaixonada pelo que faz é a estilista goiana Juliana Santos, de 40 anos. Ela mora em São Paulo e vive um momento de tristeza em função de uma série de ataques na internet. Ela ingressou na Justiça com uma ação que pede reparação.  

    “Eu quero ter paz novamente. E, para mim, essa paz passa necessariamente por uma resposta das autoridades e por uma investigação que finalmente esclareça o que aconteceu”, diz. 

    Prints reunidos pela estilista mostram comentários direcionados diretamente à sua condição de pessoa com deficiência. O impacto da exposição passou a repercutir diretamente em sua atividade profissional, com cancelamentos e perda de contratos. Em 12 anos de trabalho, Juliana já produziu mais de 2.300 vestidos.

    Em 2024, ano em que, segundo a estilista, teve início a perseguição, foram produzidos 678 vestidos. Em 2025, o número caiu para 68 vestidos, quando a previsão inicial era de 127. Para 2026, até o momento, foram fechados 28 contratos.  

    “Minha arte é meu trabalho, meu sustento e o sustento dos meus filhos. Quero que haja responsabilização por aquilo que aconteceu”, completa.

    Juliana relata ainda que há um inquérito em andamento há mais de um ano, relacionado a denúncias de calúnia, perseguição e stalking, sem desfecho até  agora. 

    Protesto

    A estilista deve apresentar nesta segunda-feira (21) um vestido como manifesto contra o capacitismo nas redes sociais. Ela pretende fazer intervenção artística na roupa com 200 comentários ofensivos que ela registrou nos últimos dois anos.

    Esse é mais um dos momentos doloridos de sua vida. Na infância, ela foi vítima de um incêndio acidental em casa quando tinha quatro anos de idade e estava sozinha com uma irmã bebê. Juliana perdeu os dedos das mãos e ficou com cicatrizes em outros membros. Foi abandonada pela mãe e depois adotada por outra família. 

    Desde criança, tinha fascinação por roupas. Diante das limitações, demorou um pouco mais para aprender a escrever e a segurar os objetos. Mas, quando conseguiu se adaptar, passou a fazer aulas de pintura, artesanato e costura.

    “Eu sempre gostei da moda. Eu pintava as minhas roupas, desenhava, cortava. Não era como as outras adolescentes”. 

    Ela defende que o trabalho não se resume à deficiência. “A minha deficiência é só um detalhe. Não são as minhas mãos que fazem os vestidos, é o meu cérebro, é o meu olhar, é a minha criatividade”.

    “Podem perguntar!”


    Dia da pessoa com deficiência. A professora de educação física Carolina Belfort é cadeirante e dá aulas no Riacho Fundo (DF). Foto: Carolina Belfort/Arquivo Pessoal
    Dia da pessoa com deficiência. A professora de educação física Carolina Belfort é cadeirante e dá aulas no Riacho Fundo (DF). Foto: Carolina Belfort/Arquivo Pessoal
    A professora de educação física Carolina Belfort é cadeirante e dá aulas no Riacho Fundo (DF). Foto: Carolina Belfort/Arquivo Pessoal

    Também de criatividade é refinada a paixão da professora de educação física maranhense Carolina Belfort, de 40 anos. O estímulo ao movimento e à saúde encanta alunos de diferentes faixas etárias na escola pública em que atua, no Riacho Fundo, região periférica do Distrito Federal. 

    Cadeirante, no primeiro dia de aula, ela pede que os alunos perguntem à vontade tudo o que quiserem. Abertamente, Carolina explica que perdeu o movimento das pernas ainda criança depois de um tiro acidental dentro de casa. “Com o tempo, eles nem se lembram mais desse assunto”. 

    A professora está acostumada a receber abraços e beijos das crianças apaixonadas pela forma empolgada que ensina esportes e valoriza a atividade, momento tão esperado da semana. Ela explica aos pequenos e grandes que é necessário ficar longe de telas. “Para tirar do celular, tem que tirar de casa”. 

    Na escola, além dos esportes, Carolina estimula a criançada para a dança. Inclusive nos intervalos. “Eles amam”. Ela mesma testemunha que, durante o seu período escolar, não se sentiu incluída nas atividades. “Eles não sabiam como orientar e eles tinham medo de eu me machucar”, lamenta. 

    Obstáculos que ela sentiu tanto por causa da deficiência como por ser mulher, segundo avalia. “A chave foi virada. Foram muitas batalhas porque existe o capacitismo. Eu tenho que me provar duas vezes”. O sonho dela é futuramente trabalhar de forma especializada com outras pessoas com deficiência para estimulá-las a olhar a vida de outra forma.

    Nas águas

    Dentro da água, a vida passa em alta velocidade para a funcionária pública e arquivista brasiliense Daniela Francescutti, de 56 anos. Desde 2007, a paixão pela natação, que representava saúde e diversão, ficou ainda mais séria para ela, que é uma atleta surda. 

    Ela participa de competições masters de natação. “Gosto de nadar borboleta, medley e provas longas (800 metros e 1,5 mil metros livres)”. Ficou em sexto lugar logo no primeiro ano na prova mais longa. “O que já foi meu ouro”


    Dia da pessoa com deficiência. A funcionária pública Daniela Francescutti participa de competições masters de natação. Foto: Daniela Francescutti/Arquivo Pessoal
    Dia da pessoa com deficiência. A funcionária pública Daniela Francescutti participa de competições masters de natação. Foto: Daniela Francescutti/Arquivo Pessoal
    A funcionária pública Daniela Francescutti participa de competições masters de natação. Foto: Daniela Francescutti/Arquivo Pessoal

    Em 2013, arriscou-se também em águas abertas. Oito anos depois, a Federação Brasiliense Desportiva dos Surdos a convidou para competir oficialmente. “Desde 2021, represento o DF nas competições nacionais de surdos”.  Neste ano, em Guaiaquil (Equador), voltou com três medalhas do Open Panamericano. A delegação brasileira trouxe 24 medalhas.

    A prática de participar de competições mudou completamente a vida dela. Mudou a alimentação, o sono e passou a querer colaborar com a equipe.

    “Decidi cortar o açúcar e foi a melhor coisa que fiz. Eu treino em piscina coberta às 7h da manhã. O sol me aquece quando eu saio da academia a caminho do trabalho”.

    Além de ser uma atleta competidora, o esporte tem um significado que vai além das medalhas.  “Para mim, a natação é meu templo de paz. É nela que busco a paz interior”.

    Letramento

    A secretária nacional dos direitos da pessoa com deficiência, Isadora Nascimento, defende que o Brasil precisa de um letramento sobre o que é o capacitismo. 

    “Muitas vezes, as pessoas reproduzem sem se darem conta. A gente tem feito campanhas de conscientização para trazer o conceito na prática de forma simples”.

    Ela exemplifica que termos como “surdo” e “cego” são usados de forma pejorativa em xingamentos. A secretária explica que é necessário levar o assunto para a escola e também promover campanhas sistemáticas. 

    Na emergência por garantia de direitos, Isadora Nascimento entende que marcadores sociais devem ser levados em conta. “Uma mulher negra com deficiência, que é o meu caso, enfrenta mais camadas de opressão do que uma mulher branca. Ou então uma pessoa LGBT com deficiência também vai enfrentar. A gente precisa entender onde estão essas pessoas”, exemplifica. 

    Ela diz que é necessário melhorar esse mapeamento para ampliar políticas públicas necessárias de inclusão. Por mais direitos e oportunidades das pessoas serem o que quiserem.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Apostas online podem levar ao endividamento rápido, diz pesquisa

    Apostas online podem levar ao endividamento rápido, diz pesquisa

    As apostas online têm gastos anuais de R$ 2,2 bilhões e equivalem a mais de três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de Natal. A falsa impressão de ganho rápido de dinheiro pode causar efeitos colaterais aos apostadore, como é o caso do endividamento.

    O hábito pode acarretar perda de controle, conflitos pessoais e impacto sobre a saúde mental. É o que indica pesquisa do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (IFec RJ), feita nos dias 22 a 25 de junho, com 1.024 moradores da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 

    Entre os entrevistados, 22,8% afirmaram já ter participado de apostas online. Desses, 33% disseram que apostam por causa da chance de ganhar dinheiro rápido, enquanto 25,4% veem no jogo uma oportunidade de fazer renda extra.

    Dificuldade de parar

    O levantamento aponta que 22,3% dos apostadores disseram ter dificuldade de parar com as apostas. Outros 29,1% afirmaram já ter sentido culpa por apostar, enquanto 34,8% disseram ter sido criticados por causa do hábito. A pesquisa mostra ainda que 6,9% afirmaram já ter se prejudicado ou afetar outra pessoa em razão das apostas. Entre esses, 68% relataram ter perdido dinheiro.

    O gasto médio mensal declarado pelos apostadores foi de R$ 96,30, e o instituto estima que 1,9 milhão de pessoas na Região Metropolitana do Rio já tenham participado de apostas online. Com base nos valores, a estimativa é de R$ 182 milhões movimentados mensalmente em apostas online.

    Entre os que já apostaram, 5,1% afirmaram ter se endividado por causa das apostas. O percentual pode parecer pequeno, mas ganha outra dimensão quando observado em conjunto com outros indicadores. Ao menos 42,9% disseram possuir alguma dívida, e, entre aqueles com dívidas, 45,9% afirmaram que não estão com os pagamentos em dia. Além disso, 42% admitiram que, depois de perder dinheiro, voltaram a apostar para tentar recuperar o prejuízo.

    Renda

    Dos que já participaram de apostas online, 36% têm renda mensal entre um e dois salários mínimos, enquanto 19,7% recebem de dois a três salários mínimos e 19,4% têm renda de até um salário mínimo.

    Em relação à frequência com que apostam, 21,9% disseram jogar diariamente e 27,9% fazem de uma a duas vezes por semana. De acordo com a sondagem, 60,9% já participaram de apostas em bets. O Tigrinho aparece em seguida, com 49,4%.

    Para o diretor-executivo do IFec-RJ, João Gomes, “existe uma falsa percepção dos apostadores de que o jogo representa uma forma de ganhar dinheiro rápido, complementar a renda ou até mesmo funcionar como investimento”.

    Os dados mostram, porém, que esse comportamento alavanca o endividamento e compromete o orçamento das famílias.

    Do ponto de vista econômico, os recursos destinados às apostas também deixam de circular em outras atividades de consumo e investimento, reduzindo o potencial de movimentação da economia fluminense.

    “É um problema que ultrapassa a esfera individual e produz impactos socioeconômicos mais amplos”, avalia Jóão Gomes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Cargos de liderança são só 1,5% das vagas para pessoas com deficiência

    Cargos de liderança são só 1,5% das vagas para pessoas com deficiência

    Apenas 1,5% das vagas destinadas a pessoas com deficiência (PcDs) ofertam posições técnicas e gerenciais, aponta levantamento inédito da startup Egalite. O levantamento considera dados de 116 mil profissionais cadastrados e mais de 19 mil vagas ativas no portal Inclui PcD, da própria startup, especializada em projetos para empregabilidade de pessoas com deficiência.

    As empresas destinam grande parte das vagas para posições operacionais, que representam 98,5% dos postos de trabalho. Por outro lado, o levantamento aponta que 31% de todas as candidaturas espontâneas desses profissionais são direcionadas para posições gerenciais e técnicas.

    Embora esses dados apontem para um cenário desafiador, a pesquisa destaca um avanço nas organizações empenhadas na inclusão e no crescimento efetivo desses profissionais.

    Metade das organizações analisadas no portal Inclui PcD já disponibiliza todas as suas vagas, desde posições de entrada até cargos de liderança e especialistas, para pessoas com deficiência, superando a exigência legal de cotas.

    Um dos fundadores da Egalite e embaixador e CEO da Rede Empresarial de Inclusão Social, Djalma Scartezini aponta que a maioria das vagas de trabalho é para cargos operacionais, pois o varejo é a base da pirâmide e, por isso, disponibiliza maior quantidade de postos de trabalho.

    “Não existem cargos de liderança na mesma proporção que cargos de entrada”, diz Djalma Scartezini.

    Contudo, o diretor executivo reconhece que existe uma falta de vagas de gerência destinada à população PcD. “Eu sendo um executivo com deficiência também não estou contente de ver poucos pares com deficiência em cargos de direção. O que eu acho que é positivo é que tem avançado esse número.”

    Ele cita a última feira Inclui PcD, uma iniciativa da Egalite, que abriu 19 mil vagas para pessoas com deficiência, das quais quase 4 mil eram cargos para especialistas, coordenadores e primeiros estágios de liderança.

    Outro dado relevante da pesquisa demonstra que a pretensão salarial mediana de candidatos PcD é de R$ 1.450, valor abaixo do salário mínimo em vigor (R$ 1.621). O dado revela que os trabalhadores muitas vezes chegam aos processos seletivos cobrando menos do que o que é de direito.

    Muitas vezes esse cenário se dá por um viés de mercado que utiliza marcadores identitários – como deficiência, gênero, raça e orientação sexual – para desqualificar as pessoas. Como aponta Scartezini, frequentemente, as próprias vagas oferecidas a PcDs já são disponibilizadas com valores de remuneração reduzidos em relação aos parâmetros de mercado.

    Uma outra barreira enfrentada por trabalhadores com deficiência é o recuo de postos de trabalho no modelo home office. De acordo com dados da Inclui PcD, o percentual de vagas remotas e híbridas sofreu queda de 28,4% em 2024 para somente 0,8% em 2026.

    “O modelo de trabalho remoto remove barreiras cruciais de mobilidade urbana e transporte público inacessível para pessoas com deficiência física”, explica o CEO da Egilate, Guilherme Braga.

    Além disso, para profissionais neurodivergentes, o ambiente de casa atua como um regulador sensorial, possibilitando a gestão de estímulos do ambiente, a adaptação do espaço de trabalho e a diminuição da sobrecarga social.

    *Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original