Categoria: Cultura

  • Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha

    Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha

    A Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, na vila histórica de Caraíva, em Porto Seguro (BA), fará a 5ª edição do Festival Caju de Leitores, nos dias 2 a 4 de setembro próximo.

    O evento nasceu em 2022 e seu objetivo é melhorar as habilidades de leitura e de escrita dos estudantes indígenas. O motivo é que, desde o ano 2000, começaram a surgir instituições de ensino na região, nformou nesta quarta-feira (26) a diretora-geral do evento, Joanna Savaglia, à Agência Brasil.

    São instituições privadas e públicas, instaladas na região, como a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), campus de Porto Seguro, e a Escola Técnica Estadual (Etec).

    “Os estudantes precisam de redação e da compreensão de texto para poder vencer a dificuldade do vestibulinho”, afirmou Joanna. “A ideia é trabalhar em parceria com a escola para levar a atividade para o território”, disse.

    Segundo Joanna, a meta é dar aos estudantes ferramentas para que possam fazer o que quiserem. Assim, não precisam mais ficar presos no território. “Teu pai quer que você seja advogado? Então, vai estudar, mas saiba que tem que ter interpretação de texto, tem que saber escrever. Foi com essa intenção que o Caju nasceu”, explicou.


    POrto Seguro (BA), 26/08/2026 - Festival Caju de Leitores. Foto: Festival Caju de Leitores/Divulgação
    POrto Seguro (BA), 26/08/2026 - Festival Caju de Leitores. Foto: Festival Caju de Leitores/Divulgação
    Programação é aberta e gratita. Foto: Divulgação

    A diretora-geral destacou que no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o aluno tem que saber escrever, construir. 

    Fauna

    O tema deste ano do festival é Manifesto de Bichos. Em todas as edições, os temas têm importância para os indígenas.

    No festival de 2026 não poderia ser diferente. Como os temas são ligados ao meio ambiente, que é onde eles vivem, a decisão foi falar dos animais. “A fauna vai estar inteira dentro da programação, falando de bichos, basicamente”, afirmou Joanna. Edições anteriores abordaram território, flora e árvores, entre outras questões.

    O festival propõe atividades voltadas à literatura, oralidade, memória e conhecimentos indígenas, tendo os animais como parte das narrativas e das relações com a ancestralidade, o território, a língua e a natureza. A proposta dialoga diretamente com o lugar e a presença dos bichos nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos do povo Pataxó.

    No local, estarão reunidos escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores, lideranças indígenas e comunidades, em atividades como literatura, oralidade, artes, educação e saberes tradicionais.

    Formação de leitores

    A programação é gratuita e aberta a todas as faixas etárias. O público do festival é, majoritariamente, estudante e indígena.

    “Quando se faz um evento para esse público, vai pai, mãe, avô, avó, filho, gato, cachorro. Então, é sempre para todo mundo. Não tem faixa etária. Não tem isso de mesa para criancinha, mesa para pessoal mais velho. Não. É tudo junto, disse a diretora-geral do evento.

    A ideia é trabalhar em parceria com a escola para levar essa atividade para as escolas do território. O evento Vozes da Escola, organizou uma jornada de formação em literatura indígena para os professores, em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

    “O município de Porto Seguro é cheio de territórios indígenas, tem a aldeia mãe de todos, que é Barra Velha, onde ocorre o Caju, mas existem vários territórios dentro do município.”

    Para os professores, é um evento especial. Eles tiram os alunos das escolas e levam para ter aulas dentro da oca. A organização do festival oferece comida. “Tem lanche, tem almoço. Muita gente fica hospedada na escola. Tem pessoas que acampam ali também, porque a área do Centro Cultural Indígena Pataxó da Aldeia Xandó Oca Tururim é grande.”

    Estudantes e educadores participarão da programação não apenas como público, mas também compartilhando experiências e produções desenvolvidas no ambiente escolar.

    Convidada

    Eeste ano, pela primeira vez, o festival trará uma autora estrangeira, a primeira da América do Sul. Trata-se da indígena argentina Mariela Tulián, do povo Tulián.

    Entre os brasileiros, participam Sairi Pataxó, escritor e liderança Pataxó; Lucia Tucuju, do povo Galibi-Marworno, escritora, roteirista, atriz e narradora; Auritha Tabajara, escritora, cordelista e contadora de histórias; Vanessa Guarani Ratton, do povo Guarani M’bya e vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; Apêtxienã Pataxó, professor e guardião da língua ancestral Pataxó, entre outros.

    A homenageada desta edição é Maria Coruja, de 91 anos, da Aldeia Pará, situada dentro da Barra Velha. Ela transmite pela oralidade as tradições Pataxó de cantigas e brincadeiras de criança.

    Indagada se a organização já estaria planejando o tema da edição de 2027, Joanna Savaglia considerou que será difícil superar o Manifesto de Bichos, “porque este já está sendo um sucesso total”. Não à toa, esta quarta-feira é o Dia Mundial do Cachorro.

    Inovações

    O evento terá pela primeira vez uma livraria, além de loja, espaço de alimentação e exposição. A abertura do festival será às 14h do dia 2 de setembro.

    Desde sua criação, o Festival Caju de Leitores já alcançou mais de 12 mil pessoas em suas diferentes ações.

    Originalmente chamado Caraíva Juvenil, o festival adotou o acrônimo Caju (proveniente dessas duas palavras CAraíva JUvenil). A palavra carrega a ancestralidade da fruta nativa, que no tupi-guarani (acayu) significa “noz que se produz” e representava, historicamente, a contagem do tempo para os povos indígenas.

    O Festival é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Morre, em Salvador, o poeta e ativista Luis Turiba

    Morre, em Salvador, o poeta e ativista Luis Turiba

    Morreu na madrugada desta quarta -feira (26), em Salvador (BA), o poeta, ativista cultural e jornalista Luis Turiba. O escritor morreu em casa, aos 76 anos de idade, devido a complicações graves de saúde. A família ainda não divulgou informações acerca do velório e enterro.

    Turiba deixa cinco filhos, seis netos e uma obra ampla, que inclui poesias, crônicas, textos jornalísticos, video-documentários, revistas culturais e parcerias musicais, como a letra da canção Bico da Torre, musicada por Renato Matos e gravada por Zélia Duncan (então Zélia Cristina) e por Célia Porto.

    Flamenguista, deixou em seu livro, Luminares (1983), uma espécie de manual de despedida, um roteiro de velório, bem a seu estilo: irônico, despojado e afetuoso. “Coloquem Imagine na vitrola / retirem—lhe o coração em frangalhos / e enterrem-no enrolado na bandeira do Flamengo / Quanto ao resto / corpo — subproduto da vida / qualquer cerimônia (simples) cabe / Afinal a morte é sempre um gol de placa / aos 45 minutos / do segundo tempo da existência / No mais: —foi bom ponta-de-lança / Comemorem pois nada disso lhe pertence mais.

    Trajetória

    Luiz Artur Toribio, ou simplesmente Turiba, nasceu no Recife (PE), em 1950, mas mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro, onde tornou-se militante do movimento estudantil. Ex-membro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), foi impedido de terminar seus estudos na Escola Técnica Nacional Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ) durante a ditadura civil-militar (1964/1985).

    Prestes a completar 18 anos, foi preso por determinação da Justiça Militar, que o condenou a seis meses de prisão por alegada participação em “atividades subversivas”. Segundo ele, ao ser detido, agentes do antigo Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), órgão de repressão subordinado ao Exército, o torturaram física e psicologicamente.

    Lançou seu primeiro livro de poesia, Kiprokó, em 1977. Ainda no Rio de Janeiro, conseguiu emprego como repórter, iniciando uma bem-sucedida carreira com passagens pela revista Manchete e pelos jornais O Globo e Gazeta Mercantil. Foi como correspondente da Gazeta que Turiba mudou-se para Brasília, em 1979. Ganhou vários prêmios por suas reportagens, inclusive dois Esso regionais.

    Em agosto de 2024, a Comissão de Anistia concedeu anistia política a Turiba, reconhecendo que a farta documentação que o escritor reuniu e apresentou ao colegiado comprova que, durante a ditadura, ele foi perseguido por razões políticas, tendo sido monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) até meados da década de 1980. Além da condição de anistiado, Turiba recebeu do Estado brasileiro um pedido formal de desculpas.

    Entre 1985 e 2022, Turiba editou, em Brasília, a revista cultural Bric-a-Brac. Lançada em meio aos estertores da ditadura militar e à campanha pela retomada do direito da população a votar para presidente da República, a publicação extrapolou os limites do Distrito Federal, entrevistando intelectuais e artistas como os músicos Caetano Veloso e Paulinho da Viola; a psiquiatra Nise da Silveira; o poeta Manoel de Barros, entre outras personalidades.

    Após anos atuando como assessor do Ministério da Cultura, aposentou-se no início da década de 2010 para dedicar-se exclusivamente à literatura. Voltou a se estabelecer no Rio de Janeiro, mas vivia em trânsito, entre as capitais fluminense, baiana e Brasília, onde amigos estão se mobilizando para homenageá-lo com um encontro no bar e restaurante Beirute, tradicional reduto da boemia brasiliense, para ler os poemas do “amigo poeta”, neste sábado (29) à tarde.

    Repercussão

    Para o poeta Nicolas Behr, um dos maiores legados culturais deixados por Turiba é justamente a revista Bric-a-Brac.

    “Ela foi uma publicação que entrou para a história das revistas literárias por ter sido muito inovadora, tanto do ponto de vista gráfico, quanto de conteúdo, com entrevistas muito importantes”, disse Behr a Agência Brasil, lembrando que Turiba também participou do Concerto Cabeças, movimento artístico que reuniu, no fim da década de 1970, escritores, músicos, produtores culturais, artistas gráficos, estudantes e intelectuais que promoviam, regularmente, eventos culturais nas ruas da capital federal, com a presença de nomes como Oswaldo Montenegro, Cássia Eller, Renato Matos, Liga Tripa e Mel da Terra.

    Behr também destacou o engajamento jornalístico do amigo.

    “Ele participou da resistência [à ditadura] e da redemocratização. Depois, participou do [famoso bloco carnavalesco de Brasília] Pacotão. O Turiba era um agitador cultural, uma pessoa que vai ser lembrada como alguém alegre, criativo, engajado. Um poeta agregador, do coletivo”, acrescentou Behr.

    Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal lamentou o falecimento de Turiba. Para a entidade, o escritor, um “brasiliense por adoção”, tornou-se um “ícone inestimável da nossa imprensa e da cultura local, o que lhe rendeu o merecido título de Cidadão Brasiliense”.

    “Com a certeza de que o exemplo e as palavras de Turiba continuarão inspirando cada profissional que luta por um jornalismo livre e democrático, expressamos nossa solidariedade aos seus filhos, netos, familiares e amigos”, acrescentou o sindicato.

    * Matéria atualizada às 12h48min. para acréscimo de informações.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Filme de Grace Passô ganha Kikito no Festival de Cinema de Gramado

    Filme de Grace Passô ganha Kikito no Festival de Cinema de Gramado

    O filme Nosso Segredo, com direção de Grace Passô foi o vencedor do prêmio Kikito de Melhor Longa-Metragem Brasileiro. O longa, o primeiro da diretora, narra a história de uma família que tenta reconstruir a rotina após uma perda recente. 

    Na história, cada membro da família foge do luto de sua maneira. O enfrentamento vem de um segredo guardado pelo filho mais novo. 

    O filme está sendo exibido na Mostra Competitiva de Longas-Metragens Brasileiros do 54º Festival de Cinema de Gramado. A estreia nos cinemas brasileiros será no dia 27 de agosto. 

    Grace Passô esteve presente na cerimônia de premiação, acompanhada da diretora de fotografia Wilssa Esser; do produtor Ricardo Alves Jr.; e dos integrantes do elenco Ju Colombo, Tássia Reis, Jéssica Gaspar, Glaucia Vandervel, Marisa Revert, Flip, Ana Paula Santos Gomes, Efraim Santos, Robert Frank e Juan Queiroz. 

    “Eu tenho a dimensão do que significa fazer um festival, então obrigada por terem nos recebido tão bem. Esse filme conta a história de uma família. Então, sejam bem-vindas, bem-vindes, bem-vindos a essa casa, a essa família”, afirmou a diretora.  

    O longa é uma produção da EntreFilmes em coprodução com a Globo Filmes, Desvia Filmes, Quarta-Feira Filmes, Foi Bonita a Festa e Grãos da Imagem. “Nosso Segredo”  com distribuição da Vitrine Filmes. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Povos Katxuyana e Kahyana contam retomada de território pela arte

    Povos Katxuyana e Kahyana contam retomada de território pela arte

    A história de retomada dos territórios pelos povos indígenas Katxuyana e Kahyana estará em exposição a partir do dia 25 deste mês no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. A mostra Katxar kum neero | Nossos lugares verdadeiros reúne fotografias, relatos e artefatos produzidos pelos povos desde 1960.

    São memórias e patrimônios dispersados pelo tempo quando parte dos indígenas foram separados e isolados após serem impedidos de permanecer em seu território tradicional.


    Brasília (DF), 21/08/2026 - Txamatxama estará no centro da exposição.
Foto: Woltaire Masaki/Divulgação
    Brasília (DF), 21/08/2026 - Txamatxama estará no centro da exposição.
Foto: Woltaire Masaki/Divulgação
    Txamatxama estará no centro da exposição. Woltaire Masaki/Divulgação

    “É uma oportunidade de compartilhar nossas histórias de resistência e resiliência diante de um processo marcado pela violência e pela tentativa de apagamento de nossa existência”, diz Angela Kaxuyana, liderança indígena da Associação Indígena Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (Aikatuk).

    Os Katxuyana e Kahyana, junto com outros 16 povos, alguns isolados, sempre habitaram a região localizada no oeste do Pará, divisa com o Amazonas. Na década de 1960, foram removidos de seus territórios pelo regime militar em processos de colonização da Amazônia.


    Brasília (DF), 21/08/2026 - Angela Kaxuyana preparando detalhes da exposição 
Foto: Woltaire Masaki/Divulgação
    Brasília (DF), 21/08/2026 - Angela Kaxuyana preparando detalhes da exposição 
Foto: Woltaire Masaki/Divulgação
    Museu Goeldi recebe exposição sobre as retomadas dos povos indígenas Katxuyana e Kahyana, por Woltaire Masaki/Divulgação

    Sem nunca perder a conexão com o lugar de pertencimento, os povos resistiram até em 2008, quando a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inicia o processo de demarcação da Terra Indígena Kaxuyana‑Tunayana, um território de 2 milhões de hectares que abrange os municípios de Faro e Oriximiná (PA) e Nhamundá (AM).

    O processo foi finalizado somente em 2025, quando um decreto reconheceu a homologação, última etapa do processo de devolução do território aos indígenas.

    Curadoria

    A manutenção dos vínculos com a terra, os rios, os antepassados e seus modos de existir até o momento da retomada dos territórios, também estão presentes nas obras escolhidas por uma curadoria compartilhada com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

    “Na exposição, teremos peças dos Katxuyanas e dos Kahyanas, que são contemporâneas, que eles fazem e utilizam atualmente, e vamos ter peças que pertencem à Coleção Etnográfica do Museu Goeldi, coletadas pelo pesquisador Protásio Frikel na década de 1960”, detalha Lúcia van Velthem, museóloga e pesquisadora do Museu Emílio Goeldi.

    Um dos elementos de destaque da exposição é o txamatxama, um artefato plumário usado para diplomacia entre povos e comunicação com outros seres vivos. É considerado de grande importância cosmológica e sociopolítica pelos povos Katxuyana e Kahyana.

    A exposição fica aberta até o dia 30 de abril de 2027, de quarta a domingo, de 9h às 16 h, no Centro de Exposições Eduardo Galvão, localizado dentro do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Novos editais fortalecem Pontões e Pontos de Cultura no Rio

    Novos editais fortalecem Pontões e Pontos de Cultura no Rio

    O governo fluminense está com inscrições abertas para editais destinados à seleção de dois Pontões de Cultura e 44 Pontos de Cultura, que atuarão no desenvolvimento de ações visando fortalecer a Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) no total de R$ 13,6 milhões. As inscrições podem ser feitas pela plataforma Desenvolve Cultura.

    A iniciativa busca fortalecer a mobilização, a troca de experiências, a capacitação e a articulação entre diferentes Pontos de Cultura em todo o território fluminense, segundo informou a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SececRJ).

    As inscrições do edital de Pontões de Cultura podem ser realizadas até 9 de setembro. Ao todo, serão selecionados dois projetos, cada um com repasse R$ 800 mil por ano, em parcela única anual, durante três anos, entre 2026 e 2028. O investimento total será de R$ 4,8 milhões, com execução prevista para 36 meses.

    Para o edital de Pontos de Cultura, as inscrições permanecem abertas até o dia 10 de setembro. Cada projeto selecionado receberá R$ 200 mil, em parcela única. Ao todo, o edital prevê investimento de R$ 8,8 milhões.

    Participação

    Podem participar dos editais pessoas jurídicas sem fins lucrativos, com Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), certificadas pelo Ministério da Cultura como Ponto ou Pontão de Cultura. As instituições deverão comprovar, também, o mínimo de três anos de existência jurídica e de atuação cultural. Pessoas físicas, coletivos informais ou instituições com fins lucrativos não poderão participar das seleções.

    Pontos e Pontões de Cultura

    Pontos de Cultura são grupos, coletivos ou organizações da sociedade civil reconhecidos por desenvolver e articular atividades culturais em suas comunidades. Já os Pontões de Cultura atuam na articulação, formação, mobilização e integração de redes de Pontos de Cultura, promovendo o intercâmbio de experiências e o fortalecimento das ações desenvolvidas nos territórios. Ambos são instrumentos da Política Nacional de Cultura Viva, previstos na Lei nº 13.018/2014, segundo informação do Ministério da Cultura (MinC).

    Para os Pontões de Cultura, o edital está dividido em duas categorias: uma vaga para Pontão de Cultura – Economia Criativa e uma vaga para Pontão de Cultura – Cultura Popular. Os projetos concorrentes deverão desenvolver atividades capazes de ampliar a integração entre os Pontos de Cultura e contribuir para o fortalecimento da política cultural no estado do Rio de Janeiro.

    Já os projetos do edital Pontos de Cultura deverão desenvolver ações estruturadas em três metas obrigatórias. São elas: Formação e Educação Cultural; Mostra Artística/Cultural; e Registro e Divulgação. As obrigações contemplam o desenvolvimento de oficinas, workshops, cursos, festivais, exposições, divulgação das ações realizadas, entre outras atividades.

    Regionalização

    A valorização da descentralização e da regionalização das ações culturais são critérios previstos nos dois editais. Será dada pontuação favorável para propostas que desenvolvam atividades em territórios considerados de maior vulnerabilidade social, incluindo periferias, regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), territórios quilombolas e indígenas.

    De acordo com a SececRJ, a medida objetiva aumentar a presença das ações da Política Nacional de Cultura Viva em diferentes regiões do estado, ao mesmo tempo que estimula a participação de iniciativas culturais que atuam fora dos grandes centros. 

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Focus Cia de Dança representa o Brasil em festival na China

    Focus Cia de Dança representa o Brasil em festival na China

     O Brasil será representado no Living Dance Festival, na China, pela Focus Cia de Dança, que embarca neste sábado (22)  para o país asiático. Cerca de 20 pessoas, entre bailarinos, diretores e técnicos, integram a equipe que pisará em território chinês pela primeira vez, para uma turnê de 13 dias.

    A Focus levará para o festival, que reúne companhias de diversos países, o espetáculo Still Reich, inspirado na obra do músico minimalista contemporâneo norte-americano Steve Reich. O espetáculo reúne quatro peças, sendo que as duas primeiras foram criadas pelo coreógrafo e diretor artístico da Focus, Alex Neoral, em 2008 e, as duas últimas, em 2018.

    “É como se ele ainda me trouxesse inspiração. Daí esse título Still Reich. É um espetáculo com bastante movimento e musicalidade. Mostra o lado mais vigoroso da companhia”, descreveu Neoral à Agência Brasil.

    As apresentações estão programadas para os dias 28 de 29 de agosto, em Hohhot, capital da Região Autônoma da Mongólia, no Hohhot Minzu Theatre; nos dias 31de agosto e 1º de setembro, em Pequim, no LDTX Theatre; e no dia 3 de setembro, em Zhengzhou, no Zhengzhou Grand Theater.

    Fazem parte da agenda workshops que o coreógrafo e os bailarinos brasileiros darão na China, para “dividir a linguagem da companhia com vários grupos diferentes”, disse Neoral.

    O retorno ao Brasil será iniciado no dia 4 de setembro.

    O Living Dance Festival integra o circuito da dança contemporânea chinesa e tem relação com a atuação da BeijingDance/LDTX, fundada em 2005 por Willy Tsao e Li Han-zhong. Sediada em Pequim, é reconhecida como a primeira companhia profissional privada de dança contemporânea a ser oficialmente registrada na China.

    A LDTX é uma das organizações mais relevantes para a difusão da dança contemporânea no país e está associada à curadoria e organização de importantes plataformas e festivais internacionais de dança na China.

    Para participar do Living Dance Festival, a companhia brasileira teve que enviar tradução de textos e músicas, além da agenda do ano anterior, do ano vigente e do próximo ano, para comprovar que estava realmente ativa.

    Trajetória

    Criada em 2000, por Alex Neoral e Tati Garcias, gestora e diretora de produção da companhia, a Focus Cia de Dança está comemorando 25 anos de atuação em 2026, graças ao patrocínio da Petrobras. A viagem à China conta com apoio também da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ).

    Declarada Patrimônio Histórico, Cultural e Artístico de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, a Focus Cia de Dança recebeu também a Comenda do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura.

    A companhia já se apresentou em mais de 100 cidades brasileiras e realizou turnês internacionais por países como Colômbia, Bolívia, México, Costa Rica, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Itália, França, Alemanha, Espanha, Panamá e Argentina.

    Voltando da China ao Brasil, a Focus já tem agendada uma série de apresentações com balés diferentes, como Carlota, com músicas de Astor Piazolla; As Canções que Você fez para Mim, com músicas de Roberto e Erasmo Carlos; Entre a Pele e a Alma, músicas na voz de Ney Matogrosso; O Bicho Dançante (infantil), entre outros.

    O roteiro inclui cidades como Boavista (RR), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), João Pessoa (PB), São Luís (MA) e Uberlândia (MG).

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • “Cabeças Cortadas”, de Glauber Rocha, ganhará versão restaurada em 4k

    “Cabeças Cortadas”, de Glauber Rocha, ganhará versão restaurada em 4k

    “Cabeças Cortadas é um filme que está entre o teatro e a poesia”, explicou Glauber Rocha sobre a obra, uma produção hispano-brasileira rodada em 1970, na Catalunha, no norte da Espanha.

    Com uma metáfora sobre a decadência das ditaduras tanto na América Latina quanto na Península Ibérica, o longa-metragem ganhará versão 4k em 2027, 45 anos depois da morte do artista, graças a uma restauração realizada pela indústria do cinema espanhol.

    A obra retrata a “decadência de um ditador”, nas palavras de Glauber, trazendo para a tela um tirano que ora tinha referências de déspotas latino-americanos ora de Francisco Franco, ditador espanhol. Atormentado por seus atos, o personagem espera a chegada da morte.

    O filme tem cena icônicas, como a do telefone, quando o déspota Diaz II, interpretado pelo espanhol Francisco Rabal, questiona efeitos climáticos e relembra que já chegou a “extinguir vulcões”.

    Na mesma cena, ele manda chamar de volta um filósofo exilado para assumir uma fundação que pretende criar, com o lucro da venda de sua produção agrícola aos Estados Unidos.

     


     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
    Ator Francisco Rabal no filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    Quebra de padrões

    Controverso e enigmático, Cabeças Cortados pode ser de difícil compreensão para quem não conhece o contexto latino e, talvez, por isso, não tenha agradado ao público menos habituado à estética de Glauber, que rompia com padrões comerciais do cinema Hollywoodiano.

    No entanto, despertou a atenção de críticos e realizadores mais jovens que se puseram a defender a obra, feita durante o exílio do cineasta brasileiro por causa da perseguição do regime militar no Brasil.

    Para o diretor e crítico de cinema Cavi Borges, Cabeças Cortadas é uma obra clássica, tanto pelo tema, que reflete sobre a dominação norte-americana, o racismo e o fascismo, quanto pelo rompimento estético com os padrões do cinema comercial.

    “O filme de Glauber e o que ele representa vão na contramão do momento em que vivemos, em que o cinema norte-americano e seu streaming (exibição online) crescem e dominam toda a indústria, ou seja, produzem, distribuem e exibem os conteúdos, ignorando o valor do autor e monopolizando o mercado”, avaliou Borges, à Agência Brasil.

    Para o diretor brasileiro, é importante que uma nova geração tenha acesso à obra de Glauber, que ele classificou ainda como única e especial.

    “Esse é um dos últimos filmes do Glauber que ainda não tinham sido restaurados, uma obra internacional que celebra o cinema anti-imperialista”, completou.

     


     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
    Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    “Joia rara”

    Em versão restaurada, Cabeças Cortadas retornará digitalizado em 4k, com correção de cor, imagem e som. O projeto reúne a Escola de Cinema de Madrid (Ecam), a Vídeo Mercury Films e a FlixOlé, distribuidora e plataforma de streaming especializada no cinema espanhol. A Ecam e as empresas têm se dedicado à digitalização e restauração de obras-primas do cinema mundial.

    As organizações, em nota conjunta, afirmaram que a iniciativa devolve Cabeças Cortadas, uma obra “única da filmografia de Glauber”, ao seu devido lugar na história do cinema:

    “O de uma joia rara do cinema espanhol que, ligada à América Latina e à vanguarda europeia, se conecta a um cinema teatral, histórica e politicamente revolucionário”.

    Representante da FlixOlé e da Video Mercury Films, Miguel López disse que se trata de “um filme completamente esquecido e inacessível”, o que o projeto pretende mudar.

    “É uma oportunidade para que seja novamente apresentado ao público graças à nova cópia digital”, disse.

    O projeto de revitalização também incluiu um website para que o público possa acompanhar o processo e conhecer mais a obra. Lá, estão depoimentos de artistas que participaram da filmagem, como Paco Rabal; bastidores das gravações, que enfrentaram o os fortes ventos da Tramontana; além de relatos sobre o jeito peculiar de Glauber de filmar. A improvisação de cenas era parte da liberdade criativa do autor, figura chave do Cinema Novo Brasileiro.

    Para Glauber, que explicou sua ideia com o filme no encarte de divulgação, Cabeças Cortadas é um filme do “Terceiro Mundo sobre o Terceiro Mundo”.

    “É um filme que procura uma comunicação com a sensibilidade do espectador, usando uma linguagem diferente da do cinema tradicional”, disse.  

    “Nesse caso, o espectador deve aceitar o filme como quem lê um poema, ouve uma música ou vê uma exposição de pintura”, avisou o cineasta, conhecido por obras como Deus e o diabo na terra do sol (1964) e Terra em transe (1967). Glauber Rocha morreu em 1981, aos 42 anos.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Cantora portuguesa Carminho reforça amor pelo Brasil em turnê

    Cantora portuguesa Carminho reforça amor pelo Brasil em turnê

    A cantora e compositora portuguesa Carminho começou a vir ao Brasil para apresentações há 17 anos. De lá para cá, só se fortaleceram os laços com o país de que aprendeu a gostar.

    Em nova temporada brasileira, a turnê mundial Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir chega nesta sexta-feira (21) ao Vivo Rio, zona sul da capital fluminense.

    Com repertório centrado em seu álbum mais autoral, Carminho já passou pelo Grande Teatro do Sesc Palladium, na quinta (19), no centro de Belo Horizonte, e a próxima parada é na terça-feira (25), no Teatro Cultura Artística, na região central de São Paulo.

    O Brasil, para a artista, é um país de riqueza cultural, visual e espiritual únicas.

    “É incrível, para mim, como portuguesa, chegar ao outro lado do oceano em um país com dimensões completamente diferentes que o meu e também de maneiras de pensar e hábitos culturais tão distintos, mas com a mesma língua. Os poetas têm a mesma língua que é aquela que eu canto”, contou em entrevista à Agência Brasil.

    A identificação é tão grande que, quando chega ao Brasil se sente em casa.

    “É uma abertura de horizonte e de imaginário. É fabuloso. O Brasil é também, hoje em dia, casa. É um lugar que eu já visito há 17 anos, com tantos amigos, com tanta troca entre artistas e entre as pessoas de várias áreas. É também um lugar de que já me sinto parte. Quando venho, é até em aniversário”, completou.

    Fado não é só tristeza

    A sua dedicação ao fado, marcante gênero musical português, não a impede de ser contemporânea e revolucionária quando propõe improvisações, juntando a tradição ao experimental em uma linguagem particular.

    A tristeza que costuma ser relacionada ao sentimento transmitido pelo fado não é um peso para a cantora, embora admita que é uma representação desse gênero musical.

    “Eu não associo o fado à tristeza. Eu associo o fado a uma certa profundidade, a uma grande profundidade em um instrumento e em uma linguagem que é exatamente plástica e feita para poder transmitir sentimentos de todas as naturezas. É claro que a tristeza é um sentimento muito criativo, muito dinâmico, e o fado fala muito da vida das pessoas, dos sentimentos mais puros, e a tristeza, de fato, é muito cantada no fado”, apontou.

    O público brasileiro também é motivo de satisfação para a cantora, porque são plateias que sempre sentem emoção nas performances ao vivo. A expectativa para os próximos shows é de reencontro.

    “O público brasileiro é muito especial, inesquecível, muito generoso, espontâneo que se dá em cada apresentação, que me acompanha desde o início das primeiras apresentações que eu vim fazer no Brasil. Por isso é que eu volto tantas vezes para esse público tão generoso que me acompanha”, disse.

    “Cada apresentação é sempre única, sobretudo no fado, porque o fado passa muito pela espontaneidade do improviso e o momento dessa conexão emocional que, no final, é não só entre o cantor e os músicos, mas também com o público”.

    Amizades

    Em todos esses anos de relacionamento com o Brasil, Carminho construiu amizades com diversos artistas brasileiros, como Chico Buarque, Milton Nascimento, Fernanda Montenegro, Maria Bethânia e Caetano Veloso.

    Jovens artistas brasileiros também estão no foco de Carminho, que acompanha os trabalhos de novas gerações, entre elas Agnes Nunes, Marina Sena, Ana Frango Elétrico, Dora Morelenbaum, Silva, Tim Bernardes, Jotapê e Zé Ibarra.

    “Ainda hoje eu sinto uma honra imensa e um orgulho imenso da partilha que aconteceu com vários artistas e várias pessoas que admiro muito aqui no Brasil. Para mim, é um privilégio sem medida, porque não só existe a música que fica de cá, mas também a experiência, os ensinamentos, aquilo que conheci. Compartilhar não só o estúdio, mas o palco e muitas vezes a vida íntima, o cotidiano que me fez crescer como pessoa, mulher e artista imensamente”, afirmou.

    Entre essas amizades, a cantora Marisa Monte, que a portuguesa considera uma artista única e extraordinária, tem um lugar especial.

    “Um encontro na minha vida. Conheci-a depois de um show que ela deu e eu fui cumprimentá-la, dizer o quanto amava o trabalho dela e como gostaria de conhecê-la melhor. Ela só respondeu: ‘mas venha na quarta-feira, pode?’ Eu fiquei muito surpreendida”, revelou.

    Nesse encontro na casa de Marisa Monte, as duas ficaram conversando sobre canções, e a cantora brasileira chegou a mostrar um repertório que ainda nem estava acabado.

    “Uma disposição, uma abertura generosa que nunca vou esquecer. A partir daí, começou uma amizade, um caminho não só na música, mas na vida. Acompanhamos a vida uma da outra. O talento do filho dela [pintor, escultor e ilustrador Mano Wladimir], que já pinta extraordinariamente”, disse.

    Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir

    Sétimo álbum da cantora e compositora portuguesa, Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir tem oito faixas de sua autoria entre as 11 faixas. O trabalho presta homenagem às mulheres que moldaram a história do fado.

    A cantora reconhece a influência de artistas como sua mãe, Teresa Siqueira, Beatriz da Conceição, Amália Rodrigues, Wendy Carlos e Annette Peacock, entre outras, cujas vozes e trajetórias abriram caminho para novas gerações de intérpretes.

    “Este disco foi muito inspirado nas vozes que ouvi, no ambiente fadista a que tive acesso. É também inspirado nas mulheres que usaram a voz como forma de abrir caminho para outras, através da coragem das atitudes, da arte e da própria vida.”

    O álbum também é a base dos espetáculos trazidos, agora, para o Brasil, que, ao mesmo tempo, em que estendem o universo do fado, não rompem com suas raízes e a sua tradição.

    Na lista de músicas das apresentações está Chuva no Mar, canção que gravou em dueto com Marisa Monte, e ainda canções do álbum que gravou sobre a obra de Tom Jobim, como Chovendo na Roseira. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Artistas de diferentes gerações interpretam clássicos de Chico Buarque

    Artistas de diferentes gerações interpretam clássicos de Chico Buarque

    Artistas de diferentes gerações e gêneros da música brasileira se reuniram em um projeto para reinterpretar e incluir novas batidas em clássicos de Chico Buarque. A audição de Chico 2.0 ocorreu nesta quinta-feira (20), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

    A iniciativa reúne a Central Única das Favelas (Cufa), a FRecords, a Tha House Company e a Universal Music Brasil. A produção musical do álbum é de Felipe Poeta e Alê Siqueira.

    Entre as canções revisitadas estão Construção, Cálice, Roda Viva e Geni e o Zepelim. As novas versões incorporam elementos de rap, trap, funk, R&B, samba, soul e nova MPB.


    Brasília (DF), 21/08/2026 - Álbum de regravações do Chico Buarque.
Frame Universal Music
    Brasília (DF), 21/08/2026 - Álbum de regravações do Chico Buarque.
Frame Universal Music
     Audições nos estúdios da Universal Music – Frame Universal Music

    Para Felipe Poeta, diretor musical do projeto, a proposta é criar uma ponte entre a obra de Chico Buarque e a música urbana atual.

    “Desde o começo, a ideia foi criar essa ponte entre a obra do Chico e a música urbana de hoje. Mesmo sendo letras escritas em outros contextos, as histórias, os amores e os temas que ele aborda continuam muito atuais”, destaca.

    “Trazer essas músicas para artistas de diferentes gerações e estilos fez muito sentido. A gente quis inovar sonoramente, mas sempre com muito respeito pela obra, principalmente pelas harmonias e melodias do Chico. Acho que o mais legal é justamente conseguir levar essas histórias, que já são tão conhecidas, para uma geração mais nova que acompanha a música urbana”, completa Felipe Poeta.

    Entre as novas versões incluídas no álbum está O Que Será (À Flor da Terra), interpretada pelos rappers Vandal e Don L. A faixa também conta com a participação de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque.  

    “Estou de coração preenchido e grato por participar de um projeto tão importante, ao lado de nomes tão relevantes da música brasileira. O que mais me toca é poder interpretar uma faixa com Milton Nascimento e o próprio Chico Buarque. Também fico muito feliz em dividir esse momento com Don L, uma voz nordestina que admiro”, afirma Vandal, músico nascido em Salvador.

    “Essa conexão entre dois artistas do Nordeste era muito esperada e, para mim, representa uma entrega muito especial ao nosso povo”, destaca o rapper.

    A aproximação entre diferentes gerações e territórios da música brasileira é uma das marcas do projeto. Participam ainda Dexter, MC Livinho, Xênia França, MC Cabelinho, Budah, Júlia Mestre, TZ da Coronel, Tasha & Tracie, Grag Queen, Bela Maria e Maurício Pazz.

    A ideia de levar a obra de Chico para novos públicos partiu, entre outros articuladores, de Celso Athayde, fundador da Cufa e um dos idealizadores do projeto:

    “Dirigir artisticamente o projeto Chico 2.0 é uma responsabilidade imensa com a história da nossa música. Os grandes clássicos do gênero sempre beberam na fonte da cultura popular. O que estamos fazendo aqui é dar continuidade a essa linhagem, garantindo que a nova geração de artistas e ouvintes ocupe esse espaço com propriedade, qualidade técnica e autonomia narrativa”, afirma Athayde.

    Para Athayde, o projeto representa uma forma de dar continuidade à tradição da música popular brasileira por meio de novos artistas e linguagens.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Exposição em SP reúne fotos de movimentos feministas do Brasil

    Exposição em SP reúne fotos de movimentos feministas do Brasil

    O Museu da Diversidade Sexual inaugura nesta quarta-feira (19), Dia do Orgulho Lésbico, a exposição Alice Oliveira, que reconhece o trabalho de mais de quatro décadas da ativista e fotógrafa.

    Os registros resgatam a história dos movimentos feministas, lésbicos e LGBTQ+ dos anos 1980 e 1990, no Brasil e na América Latina.

    A exposição reúne 30 fotografias que ajudam a reconstruir a história desses movimentos a partir de encontros, manifestações, articulações políticas e redes de solidariedade. Também incluem negativos, documentos e registros audiovisuais.

    Este material de Alice Oliveira foi esquecido por muitos anos. Inicialmente, a ativista não se enxergava como fotógrafa e, por isso, o processo de digitalização e catalogação ocorreu apenas recentemente.

    Quando se trata da história de grupos dissidentes – que não se enquadram no padrão cis-heteronormativo – existem muitos lapsos de memória, justamente pela ausência de registros, como aponta o curador da exposição e pesquisador do acervo de Alice Oliveira, Pedro Vieira.

    “Os registros, tanto de documentação, como fotográficos, são fundamentais para que a gente possa reconstruir nossa história. Pensando em quem eram as pessoas que estavam nesses eventos, quem eram os ativistas e o que estava sendo pautado, a gente consegue entender como chegamos até aqui”, explicou Pedro.

    Primeira parada


    Exposição fotográfica sobre feminismo e LGBT+ . Foto:  Alice Oliveira/ Divulgação
    Exposição fotográfica sobre feminismo e LGBT+ . Foto:  Alice Oliveira/ Divulgação
    Novembro de 1990, V Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho, em San Bernardo e Buenos Aires, Argentina – Alice Oliveira/ Divulgação

    Através do acervo da Alice Oliveira, é possível visualizar como o movimento LGBT+ evoluiu com o tempo. Algumas das fotos, por exemplo, ilustram a 17ª Conferência da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), que aconteceu pela primeira vez no Brasil, no Rio de Janeiro, em 1995.

    Esse encontro marca um momento importante para a historiografia LGBTQ+. No final do encontro, em junho de 1995, os participantes partem para a Orla de Copacabana e realizam um enorme ato, o maior que havia acontecido no país até então. Muitos historiadores, inclusive, consideram aquela manifestação como a primeira parada do orgulho do Brasil.

    O acervo também reúne importantes momentos da luta feminista. No final dos anos 1980, Alice ajudou a organizar o 3º Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho em Bertioga, que a ativista conta que foi o primeiro grande contato do movimento brasileiro com o restante do continente.

    A ativista também participou de dois encontros em El Salvador: “esses encontros proporcionaram um momento de fortalecimento a mulheres que não têm essa realidade no dia a dia, reunindo desde indígenas e quilombolas até intelectuais e parlamentares”.


    Exposição fotográfica sobre feminismo e LGBT+ . Foto:  Alice Oliveira/ Divulgação
    Exposição fotográfica sobre feminismo e LGBT+ . Foto:  Alice Oliveira/ Divulgação
    Fevereiro de 1997 – IX Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Travestis em São Paulo – Alice Oliveira/ Divulgação

    Hoje, aos 70 anos, Alice direciona sua militância para a defesa de idosos LGBT+ em conselhos e espaços de políticas públicas. Ela defende que o movimento atual precisa de união, maturidade e clareza, deixando de lado disputas por poder.

    Para ilustrar a importância da união, ela cita uma metáfora que aprendeu com a Cacique Pequena, primeira mulher cacique do Brasil, do povo Jenipapo-Kanindé: um graveto sozinho se quebra facilmente, mas quatro ou cinco gravetos juntos não se quebram.
     
    Serviço
    Exposição: Acervo Alice Oliveira
    Abertura: 19 de agosto 2026
    Encerramento: fevereiro 2027
    Local: Museu da Diversidade Sexual
    Horário: das 10h às 18h (terça a domingo)
    Ingressos gratuitos: Sympla

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original