Categoria: Cultura

  • Festival de cinema fantástico estreia com homenagem a Liz Marins

    Festival de cinema fantástico estreia com homenagem a Liz Marins

    Há 25 anos, Liz Marins criou a personagem Liz Vamp, um ícone do cinema e da televisão brasileira. Assim como o pai,  José Mojica Marins, o Zé do Caixão, a atriz ganhou reconhecimento por explorar o cinema fantástico, gênero que engloba horror, ficção científica, contos e lendas.

    A trajetória de Liz será celebrada na 17ª edição do CineFantasy. O Festival Internacional de Cinema Fantástico começa nesta terça-feira (1º) em São Paulo e vai até dia 6 de setembro, com 70 filmes de 24 países e territórios.

    O festival apresenta curtas e longas-metragens nacionais, latino-americanos e de outros continentes que serão exibidos pela primeira vez na capital paulista. Os filmes são distribuídos entre as mostras Animação Fantástica, Brasil Fantástico, Estudante, Fantasia, FantasTeen, Ficção Científica e Horror.

    O diretor e idealizador do CineFantasy, Eduardo Santana, destaca que o evento se propõe a ser uma porta de entrada para que filmes de novos cineastas encontrem visibilidade.

    Diferentemente das edições anteriores, nas quais o festival acontecia em apenas um local, desta vez, o a organização levará o evento ao Museu da Imagem e do Som, ao Cine Olido, ao Centro de Formação Cidade Tiradentes e para 26 Centros de Educação Unificados (CEUs). Os filmes também serão exibidos nas plataformas de streaming gratuitas DarkFlix+ e SpCine Play.

    A decisão partiu das necessidades do público, que relatava sentir dificuldade para se locomover até o local do evento, que geralmente acontecia no Centro. “São Paulo é uma cidade grande, com uma extensão territorial enorme e problemas de locomoção”, diz Eduardo Santana.

    Além da exibição de filmes, o festival também sedia mostras competitivas, com categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Roteiro. A premiação será feita na sessão de encerramento do evento, no MIS, com o troféu José Mujica/CineFantasy para os melhores títulos.

    O Melhor Curta-Metragem e o Melhor Longa-Metragem recebem a indicação do CineFantasy para a Fantlatam – Alianza Latinoamericana de Festivales de Cine Fantástico, um dos maiores festivais do gênero fantástico.


    São Paulo (SP), 26/08/2026. - Festival de Cinema Fantástico em SP. Foto: MIS/Divulgação
    São Paulo (SP), 26/08/2026. - Festival de Cinema Fantástico em SP. Foto: MIS/Divulgação
    Festival de Cinema Fantástico em SP – MIS/Divulgação

    Programação

    A sessão de abertura do festival conta com a première brasileira do documentário Occupy Cannes, dirigida por Lily-Hayes Kaufman, e a exibição de Lúmen, curta brasileiro de Marcos DeBrito.

    Lúmen nasceu dentro da Oficina de Cinema da 16ª edição e retorna agora ao festival como obra finalizada, aproximando formação, criação e exibição. O curta foi criado por 30 participantes, que tiveram que desenvolver e produzir um filme do zero em apenas um dia. O filme estreou na Índia, ganhou diversos prêmios e passou por vários festivais internacionais e nacionais.

    Já o documentário Occupy Cannes, de Lily-Hayes Kaufman, retrata a ação promovida por Lloyd Kaufman e a equipe da Troma durante o Festival de Cannes de 2013. O filme documenta a trajetória da produtora no mercado de filmes do Festival de Cannes desde 1974, mostrando as dificuldades de competir com os grandes estúdios usando apenas voluntários fantasiados e cartazes na rua.

    A Troma é uma das principais produtoras independentes do mundo, ativa desde a década de 1970. “A produtora serviu de celeiro para grandes nomes, como Samuel L. Jackson e os criadores de South Park”, explica o diretor do festival.

    Na mostra competitiva de Longas-Metragens Nacionais, o público poderá conferir duas estreias mundiais de produções brasileiras. Sob a direção de Roger Elarrat, Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista conduz os espectadores à Amazônia em uma trama fascinante de horror e realismo fantástico.

    Já O Retrato de Sarah, de Leonardo Costa, explora o horror por meio da obsessão, da frustração e do processo de criação artística, narrando a história de uma jovem artista que começa a converter seus próprios compradores em arte. Ambos os títulos contarão com exibições seguidas de encontros com elenco, diretores e integrantes das equipes de produção.

    A seleção internacional destaca a estreia mundial do longa norte-americano Sangrar (Bleed), dirigido por Dawson Doupé, Ryder Doupé e Tadeaš Tapper. A trama acompanha uma família em crise que, em plena noite de Halloween, tem a rotina abalada pela chegada de um parente distante ensanguentado após a prática de um crime brutal. A exibição contará com a presença de um dos diretores.

    *Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Festival em Tiradentes celebra laços da cozinha mineira com Portugal

    Festival em Tiradentes celebra laços da cozinha mineira com Portugal

    Cerca de 70 mil pessoas circularam nos dez dias da 29ª edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, que se encerrou no último domingo (30) na cidade histórica de Minas Gerais. Visitantes, chefes de cozinha e produtores locais puderam trocar experiências e aprender novas técnicas em aulas de cozinha ao vivo, palestras e espaços interativos.

    Em 2026, esse encontro de sabores, histórias e culturas teve como tema Minas Lusitânia – um elo entre culturas, que revelou como ingredientes, técnicas, costumes e modos de preparar os alimentos com referências portuguesas se tornaram parte da identidade gastronômica mineira.

    O curador gastronômico Rusty Marcellini conta que suas viagens a Portugal o fizeram perceber as similaridades da gastronomia lusitana com Minas Gerais. Para ele, um festival deve ter como objetivo ensinar para o público sobre a cultura gastronômica e estimular o intercâmbio de ingredientes e técnicas entre os chefes.

    “Existe uma identidade muito grande entre Portugal e Minas Gerais, e as pessoas não têm essa consciência. A cultura dos quintais e das hortas, a cultura do porco, como o caso do leitão a pururuca. No Alentejo, é muito forte a cultura do porco, a charcutaria”, disse Rusty.

     


    Tiradentes (MG), 30/08/2026 –  O curador Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, Rusty Marcellini, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Tiradentes (MG), 30/08/2026 –  O curador Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, Rusty Marcellini, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    O curador do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, Rusty Marcellini, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    A plataforma Fartura Brasil, organizadora do evento, também realiza ações em Portugal desde 2018, com expedições de pesquisa gastronômica, uma edição do Festival Fartura em Lisboa e participação no Essência do Vinho na capital portuguesa e na cidade do Porto.

    Para a 30ª edição do Festival de Tiradentes, em 2027, ainda não há um tema definido. Rusty afirma que gostaria muito de homenagear as pessoas que mais participaram do evento ao longo dos anos.

    “Talvez falar também da América Latina, sair um pouco da Europa e voltar às nossas origens. Será uma grande festa. É o festival gastronômico mais longevo do Brasil. Depois do Festival de Tiradentes, vimos esse modelo sendo seguido por outros festivais pelo Brasil. Ele inspira outros festivais”.

    Gastronomia na praça

    O Largo das Forras, principal praça da cidade mineira, foi ocupado pelo Espaço Conhecimento e Espaço Interativo do Sistema Fecomércio de Minas Gerais. Um dos eventos mais concorridos eram os desafios culinários, competição do público para fazer o prato proposto por um chefe que o preparava ao vivo. Os participantes aprendiam várias técnicas ao longo da prova e os três melhores eram premiados.

    No domingo (30), o chefe Ronie Peterson, especialista em gastronomia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Minas Gerais, em Belo Horizonte, ensinou uma galinhada. Ele conta que participa do festival desde a primeira edição como estudante de gastronomia do Senac.

    “Tive a oportunidade de estar aqui crescendo, aprendendo. Faz muito parte da minha jornada professional, conhecendo outros chefs, novidades da área. A gente tem a oportunidade de trocar. É um grande congresso em que todos os chefs se reúnem para trazer o melhor da gastronomia. Eu aprendo o tempo todo”, disse Ronie.

     


    Tiradentes (MG), 30/08/2026 –  O chef Ronie Peterson (e) ensina o preparo de uma galinhada aos participantes do Desafio Culinário no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Tiradentes (MG), 30/08/2026 –  O chef Ronie Peterson (e) ensina o preparo de uma galinhada aos participantes do Desafio Culinário no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    O chef Ronie Peterson (e) ensina o preparo de uma galinhada aos participantes do Desafio Culinário no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    A primeira colocada neste desafio foi Zoraide Santos, de 58 anos, que atua na culinária em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. Ela conta que participa há cinco anos do festival de Tiradentes.

    “Eu acho fundamental a gente estar sempre atrás de conhecimentos novos. A gente sempre aprende uma técnica nova que facilita nossa vida”.

    A professora de gastronomia na Universidade de Lavras e criadora de conteúdos de receita para a internet Juju Guerra participou de um Cozinha ao Vivo, apresentação em que os chefes cozinham em tempo real, compartilhando técnicas e histórias com o público. Ela preparou o risoni das Gerais com pato, paio, cachaça e torresmo no sábado (29).

    Juju Guerra conta que já frequentava o festival como estudante de gastronomia, mas que participou como chef convidada pela primeira vez no ano passado.

    “O festival é um lugar que todo cozinheiro gostaria de estar, porque aqui você se conecta com as pessoas. A gente troca ideias e vivências”, afirmou Juju.

     


    Tiradentes (MG), 29/08/2026 – A chef Juju Guerra cozinha ao vivo para o público no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, em sua 29ª edição, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Tiradentes (MG), 29/08/2026 – A chef Juju Guerra cozinha ao vivo para o público no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, em sua 29ª edição, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
     A chef Juju Guerra cozinha ao vivo para o público no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, em sua 29ª edição, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Mar e montanha

    O evento também contemplava estandes de restaurantes. O Bar do Zezé, de Barreiro, em Belo Horizonte, preparou seu consagrado torresmo de rolo. Vitor José Martins conta que trouxe uma tonelada de barriga de porco para dar conta dos pedidos. O bar começou como uma mercearia e virou restaurante familiar em 1999.

    “A gente faz amigos, conhece a técnica deles, vê o que funciona. Meu vizinho de estande, o Ilhote, já falou que ano que vem vamos criar um prato de frutos do mar com torresmo. Vamos casar mar e montanha”, disse Vitor.

    O chefe Rafael Pires, do restaurante Ilhote Sul, em Macaé, no Rio de Janeiro, filho do fundador do festival, Ralph Justino, frequenta o evento desde os 10 anos de idade e gostava de participar das aulas.

    “Fui crescendo vivenciando o festival e a gastronomia até o momento em que fui me formar no Senac. Depois, voltei a participar do festival de outra forma, dando aula, com participação no estande, ajudando grandes chefes”.

     


    Tiradentes (MG), 30/08/2026 – O chef Rafael Pires, do restaurante Ilhote Sul, serve pratos com frutos do mar no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Tiradentes (MG), 30/08/2026 – O chef Rafael Pires, do restaurante Ilhote Sul, serve pratos com frutos do mar no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    O chefe Rafael Pires, do restaurante Ilhote Sul, serve pratos com frutos do mar no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, na praça Santíssimo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Rafael conta que trouxe quase uma tonelada de frutos do mar para servir 3 mil porções. Um dos sucessos do cardápio foi o pão de queijo recheado com polvo e molho romesco.

    “Aqui é um ponto de encontro para conhecer novos cozinheiros e novas tendências”.

    Enoturismo

    Na Vinícola Trindade, foi lançado um guia com as rotas do vinho e das vinícolas do Brasil, da Argentina, do Chile e do Uruguai. A publicação é promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) Turismo e visa a dar visibilidade ao enoturismo.

    Segundo o diretor de investimentos do escritório para as Américas da ONU Turismo, Daniel Nepomuceno, a iniciativa privada brasileira investe R$ 20 bilhões no setor.


    Tiradentes (MG), 29/08/2026 – Lançamento do Guia Adega de Rotas  de Vinhos das Américas, em parceria com a ONU Turismo, no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, durante degustação de vinhos na Vinícola Trindade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Tiradentes (MG), 29/08/2026 – Lançamento do Guia Adega de Rotas  de Vinhos das Américas, em parceria com a ONU Turismo, no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, durante degustação de vinhos na Vinícola Trindade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Lançamento do Guia Adega de Rotas de Vinhos das Américas, em parceria com a ONU Turismo, no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, durante degustação de vinhos na Vinícola Trindade. Foto:  Fernando Frazão/Agência Brasil

    “Catalogamos todas as experiências turísticas que já estão no mercado para auxiliar os turistas para que reconheçam quem está investindo no enoturismo, como uma maneira de colocar o Brasil na rota do vinho mundial.”, afirmou.

    *A reportagem viajou a convite do Fartura Brasil.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Bienal do Livro tem novo projeto para incentivar leitura no Brasil

    Bienal do Livro tem novo projeto para incentivar leitura no Brasil

    A Bienal do Livro do Rio de Janeiro inaugura neste mês de setembro um novo projeto, dentro da proposta de incentivar a leitura no Brasil e aumentar o alcance do festival mesmo em anos intermediários à sua realização. Trata-se do projeto Estação Bienal, que fará a aproximação dos leitores de seus autores preferidos e suas obras.

    A primeira parada da Estação Bienal está marcada para o dia 9 de setembro, no Teatro Clara Nunes, no Shopping da Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Nessa data, os fãs da escritora inglesa Alice Oseman, autora da série “Heartstopper”, terão a oportunidade de conhecê-la ao vivo e ganhar seu autógrafo. Esse primeiro programa da Estação Bienal tem a parceria da Companhia das Letras, por meio da Seguinte, selo jovem da editora.

    O diretor de Marketing e Conteúdo da GL events Exhibitions, que realiza a Bienal do Livro do Rio juntamente com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Bruno Henrique, disse à Agência Brasil que a ideia, no primeiro momento, é trazer para o novo projeto somente autores internacionais, a quem o público tem mais dificuldade de acesso.

    “A gente quer criar esse produto para aproximar autores mais difíceis do seu público, com certa periodicidade que ainda será definida”.

    Depois, a ideia é ampliar o projeto, como ocorreu com a Bienal nas Escolas, que leva autores a unidades da rede pública de ensino ao longo do ano e acabou se tornando uma proposta permanente. “A gente pretende ir evoluindo”, garantiu Bruno Henrique.

    Escritores demandados

    O diretor da GL events Exhibitions informou que a organização da Bienal tem uma lista de escritores que são muito demandados pelos leitores e a escritora Alice Oseman é uma das mais pedidas. Junto à Companhia das Letras, percebeu-se a oportunidade de trazê-la agora, já que sua agenda permitia a vinda ao Brasil e, em especial, ao Rio de Janeiro, para uma ação específica.

    “Foi uma questão de oportunidade, casando com a grande demanda que a gente já tinha por esse nome nas bienais anteriores”, disse Bruno Henrique.

    Alice Oseman atende uma parcela significativa do público jovem da Bienal do Livro do Rio. A inglesa é considerada “best seller” (mais vendido) e, em seus livros, trata com delicadeza de temas ligados aos jovens, especialmente da população LGBTQIA+.

    Segundo Bruno Henrique, a mobilização dos fãs para a compra de ingressos para o encontro com a escritora estrangeira, inclusive nas redes sociais, sinaliza a existência de um recorte específico do público bastante abrangente de uma geração de milhares de seguidores que ela já tem no país. Não há prazo determinado para encerramento das vendas de ingressos, informou o diretor.

    Os ingressos podem ser adquiridos no site da Sympla ou no próprio teatro. Há três preços: Simples, de R$ 85 (meia entrada) e R$ 170 (inteira) para acesso somente ao bate-papo; Master (acesso ao bate-papo + um exemplar de Heartstopper 6 previamente autografado): R$ 175,00 (meia) e R$ 350,00 (inteira); e Full Experience (acesso ao bate-papo + um exemplar de Heartstopper 6 + participação na sessão de autógrafos, podendo tirar foto do momento): R$ 199,90 (meia) e R$ 399,90 (inteira).

    Bruno Henrique destacou que haverá também a meia entrada social, acessível a qualquer pessoa, desde que faça a doação de um livro, em bom estado, que será destinado a uma instituição apoiada pela Bienal do Livro Rio. “A ideia, disse, é fazer os livros girarem também, estimulando a leitura sob todas as perspectivas”.

    Itinerância

    A Estação Bienal pretende ser itinerante, abrindo a possibilidade de transformar teatros, centros culturais e outros espaços da cidade em pontos de encontro para vários locais e segmentos da população carioca. “Daí ser uma Estação Bienal, com o propósito de ir parando em vários locais diferentes, com obras e autores diversos”.

    O nome de um novo escritor estrangeiro já foi levantado para a próxima edição do projeto. A GL events Exhibitions já está em conversa com os agentes do autor e seu editor, mas não pode adiantar o nome, por se tratar de uma operação complexa, que depende da logística e agenda dos escritores estrangeiros.

    A ideia é conseguir fazer, “ainda este ano, mais uma Estação Bienal, com outro nome conhecido do público e cuja presença é bastante pedida nas bienais do Livro Rio”.

    Todos os participantes receberão um pin especial em cada edição da Estação Bienal. A peça é colecionável e a primeira terá a capa do sexto volume de “Heartstopper”. Cada nova parada terá seu próprio pin, com identidade exclusiva, para que os leitores possam guardar e colecionar as experiências vividas ao longo do projeto.

    Incentivo à leitura

    A trajetória de incentivo à leitura da Bienal do Livro do Rio é feita também no ano do festival e um pouco antes, por meio de parcerias, visando a doação de livros. Com o Hemorio, por exemplo, o resultado do projeto “Ler tá no Sangue” tem sido super positivo, resultando no aumento do número de doadores para o instituto.

    Com o Metrô Rio, são distribuídos livros pelos vagões, com a sugestão “Embarque na Leitura”. “Porque a gente entende que esse é um lugar de muita leitura. As pessoas usam livros como companheiros nessa locomoção diária”.

    Outro projeto, com o objetivo de estimular a leitura, denominado “Invasão dos Livros”, é realizado com a Voz das Comunidades, no Complexo do Alemão. “A gente retoma ali a questão de uma ação social com a distribuição de livros no local e o apoio da comunidade”.

    Para o diretor, isso significa tentar ampliar o propósito da Bienal para outros momentos, para mais lugares da cidade, em outros tempos, “para mais pessoas ficarem em contato com esse hábito da leitura, com os livros. O propósito é ir caminhando no sentido de tornar cada vez mais o Brasil um país leitor”, concluiu Bruno Henrique.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Viva Maria: Rádio Nacional da Amazônia completa 49 anos

    Viva Maria: Rádio Nacional da Amazônia completa 49 anos

    A Rádio Nacional da Amazônia completa 49 anos nesta terça-feira (1º) e ganha homenagem especial no Viva Maria. Com apresentação de Mara Régia, o programa celebra a história da emissora que, há quase cinco décadas, leva informação, cultura e serviço a comunidades de diferentes regiões da Amazônia.

    Para marcar a data, o programa recupera a memória musical da emissora em um depoimento do cantor e compositor paraense Nilson Chaves. Ele relembra o processo coletivo de criação de oito peças musicais produzidas especialmente para a Rádio Nacional da Amazônia, em uma experiência que buscou traduzir, em diferentes ritmos, a diversidade cultural da região e a relação da rádio com seus ouvintes.

    “Conseguimos viajar um pouco nos ritmos da Amazônia, trazer mais esses ritmos para dentro da rádio, que fosse a identidade da emissora junto com esse povo amazônico”, afirma Nilson Chaves.

    A edição também apresenta uma memória especialmente afetiva. Mara Régia, que há décadas está ligada à programação da Rádio Nacional da Amazônia, lembra que a emissora se tornou uma espécie de ponte entre os territórios mais distantes e o restante do país.

    Essa dimensão aparece com força no depoimento de Maryellen Crisóstomo, jornalista, ativista dos direitos humanos e liderança quilombola do Território Baião, em Almas, no sudeste do Tocantins. Ela conta que cresceu ouvindo a Nacional da Amazônia e que, para sua família, a rádio era muito mais do que uma fonte de informação: era também um meio de comunicação entre parentes e comunidades.

    Maryellen lembra, por exemplo, os calendários enviados pela emissora aos ouvintes que escreviam para a rádio. A lembrança, guardada desde a infância, transforma em testemunho da presença da rádio no cotidiano de comunidades onde outros meios de comunicação praticamente não chegavam.

    Para Mara Régia, a comemoração dos 49 anos já aponta para o próximo grande marco: o cinquentenário da emissora, em 2027.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Cena Musical, da TV Brasil, apresenta show exclusivo de Áurea Martins

    Cena Musical, da TV Brasil, apresenta show exclusivo de Áurea Martins

    A cantora Áurea Martins apresenta, nesta terça-feira (1º),  o show inédito “Senhora das Folhas” que a TV Brasil exibe em novo horário, às 22h30, no programa Cena Musical. O espetáculo tem a participação especial de André Gabeh nos vocais.

    A apresentação exclusiva de obras do álbum homônimo faz uma homenagem ao poder curador feminino presente nas tradições das rezadeiras e benzedeiras. O conteúdo fica disponível no app TV Brasil Play e no Youtube do canal.

    O repertório reúne benditos, cantos indígenas, cocos de roda e sambas, além de músicas como A Rezadeira, de Projota, e Me Curar de Mim, de Flaira Ferro. A performance traz ainda composições de personalidades como Arlindo Cruz, Pedro Luís e Socorro Lira.

    Com sensibilidade e potência, a produção apresentada pela veterana, de 86 anos, na telinha do canal público celebra os saberes ancestrais, a espiritualidade e a força do sagrado feminino presentes na cultura popular brasileira. A atração exclusiva foi gravada em julho no palco do Espaço Cultural BNDES.

    A apresentação ainda reúne uma banda formada pelos artistas Lui Coimbra (violoncelo, violão, rabeca e charango), Tuca Alves (viola e guitarra), Marcos Suzano (pandeiro e percussão) e Pedro Aune (contrabaixo).

    Natural da zona oeste do Rio de Janeiro, Áldima Pereira dos Santos, conhecida como Áurea Martins, ganhou esse nome artístico do ator Paulo Gracindo quando atuava em programas de auditório da Rádio Nacional, na década de 1960.

    O programa, comandado pela jornalista e cantora Bia Aparecida, tem direção de Waldecir de Oliveira. Na nova temporada, o Cena Musical traz depoimentos dos convidados e bastidores das gravações. A sequência reúne shows de astros como Marcos Sacramento e Roberto Menescal, entre outros nomes do cancioneiro nacional.

    Sobre a produção

    Lançado em 2007, o Cena Musical é um programa da TV Brasil que traz para o público performances inéditas da música nacional. Desde 2017, os shows são gravados no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro. Os shows podem ser acompanhados no app TV Brasil Play e no Youtube da emissora pública.

    A produção com janela semanal traz espetáculos que revelam e celebram a diversidade e a riqueza da sonoridade brasileira. O comando da atual temporada é de Bia Aparecida, cantora, jornalista e apresentadora do canal público. Na nova leva de episódios, a atração exibe performances exclusivas de personalidades de vários gêneros. Waldecir de Oliveira faz a direção artística do programa.

    “Estou muito feliz em celebrar a estreia de uma nova temporada do Cena Musical na TV Brasil. É muito especial apresentar um programa que acredita na força e na diversidade da música nacional e abre espaço, de forma democrática, para diferentes sons, sotaques, histórias e gerações”, afirma Bia. 

    A apresentadora considera a música uma das maiores riquezas culturais do país. “Ela é sofisticada, inventiva e profundamente conectada com quem somos. Os convidados mostram a grandeza e a diversidade desse cenário. O programa Cena Musical é esse lugar de encontro, descoberta e celebração da nossa cultura e estou bem animada para dividir essa nova temporada com o público”, completa.

    Diretor artístico da atração, Waldecir de Oliveira explica a proposta da nova temporada. “O Cena Musical reafirma sua importância como espaço plural e necessário para a música brasileira. O programa amplia a visibilidade de artistas de diferentes regiões, estilos e trajetórias para valorizar a riqueza cultural do país e fortalecer a circulação da produção nacional para novos públicos”, afirma.

    Ao vivo e on demand

    Acompanhe a programação da TV Brasil pelo canal aberto, TV por assinatura e parabólica. Sintonize: https://tvbrasil.ebc.com.br/comosintonizar.

    Seus programas favoritos estão no TV Brasil Play, no site http://tvbrasilplay.com.br ou por aplicativo no smartphone. O app pode ser baixado gratuitamente e está disponível para Android e iOS. Assista também pela WebTV: https://tvbrasil.ebc.com.br/webtv.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Um dos maiores cartunistas do Brasil, Angeli completa 70 anos

    Um dos maiores cartunistas do Brasil, Angeli completa 70 anos

    Do punk anarquista Bob Cuspe à desbocada e libertária Rê Bordosa. Dos Skrotinhos, gêmeos politicamente incorretos, a Wood & Stock, dois hippies parados no tempo, passando pelo guru picareta Ralah Ricota, o cartunista Angeli criou personagens de forma crua e ácida para retratar tipos urbanos controversos.

    O paulistano do bairro da Casa Verde, que se tornou um dos maiores chargistas e cartunistas do país, completa 70 anos de idade nesta segunda-feira (31). 

    Arnaldo Angeli Filho já desenhava na infância e o contato na adolescência com os desenhos de Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo no jornal O Pasquim foi decisivo para a escolha de se tornar cartunista.

    Nos anos 70, Angeli começou a fazer charges para o jornal Folha de S.Paulo e, logo depois, criou a tira diária Chiclete com Banana, que se transformou numa revista de quadrinhos independente. 

    É nessa publicação que surgem os personagens Los 3 Amigos, criados por Angeli e pelos cartunistas Glauco e Laerte. Ao trio, se juntou Adão Iturrusgarai, o quarto elemento dos amigos. 


    Brasília (DF), 31/08/2026 - Rê Bordosa, personagem do cartunista Angeli. Foto: Angeli/Divulgação
    Brasília (DF), 31/08/2026 - Rê Bordosa, personagem do cartunista Angeli. Foto: Angeli/Divulgação
    Rê Bordosa, personagem do cartunista Angeli – Foto: Angeli/Divulgação

    Adão disse que conheceu o trabalho de Angeli pelas histórias da Rê Bordosa.

    “Aprendi muito com eles, mas o negócio mais legal era amizade e parceria. Aprender para a vida, não para o trabalho, mas obviamente que, sem querer, eu absorvi muita coisa deles. Somos amigos até hoje. Enfim, me influenciaram muito no trabalho, o Angeli, principalmente”, disse Adão. 

    “Arrisco a dizer que o Angeli é um dos maiores artistas do mundo do século 20. Ele quebrou aí com uma tradição do quadrinho mais durão brasileiro, mais sisudo. Naquela época que eu conheci o trabalho dele, era uma época que todos os cartunistas estavam voltados para a coisa da ditadura, o cartoon com o general. E daí, de repente, o Angeli veio com aquela pegada Rolling Stones, de rock. Isso me pegou muito. Vestido de preto, punk. E eu tinha uma atração muito grande por esse universo do rock, do punk, São Paulo nos anos 80 era um lugar maravilhoso, assim, uma Disneylândia do underground”, afirma.

    Bob Cuspe, o punk velho e ranzinza que cospe na hipocrisia da sociedade, é um alter ego do próprio Angeli. Criador e criatura se deparam no filme lançado em 2021, Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, dirigido por Cesar Cabral. 

    Em um trecho da animação, Angeli fala sobre as mudanças no seu trabalho. “O Angeli não é o mesmo. Mudou muito. O meu desenho mudou. Você acorda um dia que você não tá bom. Não tem como pensar numa coisa legal e tal”, disse.

    Sem medo de mudanças, o cartunista decidiu matar sua personagem mais famosa, a nada careta Rê Bordosa, que explodiu de tédio depois de se casar. 

    O cineasta Otto Guerra, diretor da animação Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock’n’Roll, fala sobre a personagem que não poderia ficar de fora do filme.

    “A Rê Bordosa virou uma figura, na época, assim, digamos, mais famosa que o próprio Angeli. Ele tentou matar ela de várias formas durante muito tempo. A gente colocou ela. A Rê Bordosa é um tapa na cara das pessoas que passam o tempo fingindo coisas. Ou tendo que assumir papéis. No fim das contas, a gente acaba tendo que usar várias máscaras. E a Rê Bordosa não usava nenhuma. Ela era muito autêntica. Grande personagem. Grande Angeli”, diz.

    A atriz Grace Gianoukas deu voz à Rê Bordosa num curta-metragem, na série de animação e no longa Bob Cuspe. 

    Para Grace, Angeli traduziu como ninguém o espírito dos anos 80 e 90. “É de uma profundidade psicológica. É um estudo aprofundado traduzido em síntese dos tipos modernos brasileiros da época. E ainda hoje, se tu vai ler, por exemplo, Os Skrotinhos, eles estão em todos os lugares. Todos os personagens do Angeli são síntese da busca humana por aceitação ou por aceitar o nosso caos. É olhar, se identificar, às vezes chorar, e às vezes aceitar a ironia do nosso destino, porque a obra do Angeli coloca todos os paradoxos da nossa existência como sociedade brasileira, como cidadãos e também as nossas idiossincrasias, né, nossos comportamentos de grupo, nossas intolerâncias, tá tudo lá. É brilhante, o Angeli é brilhante. Eu sou devota de Angeli”.

    Depois da morte de Rê Bordosa em 1987, Angeli criou Os Skrotinhos. Para a cartunista Laerte, são eles os personagens favoritos criados pelo amigo.

    “”Eles são muito interessantes porque eles têm uma grande variação de atuação. Eles já se apresentaram como mulheres, como negros, como gays… E como os Skrotinhos que sempre são, né? Que sempre foram. Eu gosto porque eles colocam a história em situações limites, situações de desafio e eles colocam as pessoas todas nessas crises”, aponta”, aponta.

    Angeli se aposentou em 2022, após diagnóstico inicial de afasia, condição que afeta a comunicação verbal e escrita, posteriormente confirmada como parte de um quadro de demência frontotemporal, uma doença neurodegenerativa.

    Cronista que traduziu em imagens as peculiaridades da metrópole e de seus tipos urbanos com seu traço único, Angeli provocou uma verdadeira revolução nos quadrinhos brasileiros.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Podcast Crianças Sabidas volta para discutir as Eleições Gerais 2026

    Podcast Crianças Sabidas volta para discutir as Eleições Gerais 2026

    O podcast jornalístico infantil Crianças Sabidas está de volta, para tratar das eleições gerais 2026. Nesta série, são apresentadas de forma lúdica questões como a diferença entre as eleições gerais e as municipais e a divisão do país em níveis de governo, a partir de perguntas enviadas por crianças. Começando pela mais simples: o que é eleição?

    “Eleição é uma forma que a gente tem no Brasil de escolher quem é que vai nos governar e fazer as nossas leis. Esse jeito de escolher é pela eleição, ou seja, quem quer governar ou fazer leis deve se candidatar e cada candidato recebe um número. Os cidadãos escolhem quem é que eles acham que serão os melhores candidatos, colocando o número deles na urna eletrônica e confirmando o voto. É assim que é a eleição no Brasil, porque nós, no Brasil, somos um país democrático, então o povo escolhe quem vão ser os governantes e quem vão ser as pessoas que vão legislar, ou seja, fazer as nossas leis”.

    Quem responde é a supervisora de Relacionamento e Participação da Câmara dos Deputados, setor que inclui o programa Plenarinho, Ana Marusia Lima. 

    O Plenarinho é um projeto da Câmara dos Deputados voltado para crianças e professores, com muito material informativo, jogos e conteúdo para ajudar no ensino sobre cidadania, política, democracia e organização do Estado.

    O episódio também trata de curiosidades, como quando ocorreu a primeira eleição no Brasil, e fala da importância do direito ao voto.

    “A nossa Constituição de 1988, que é a nossa lei maior, adotou o voto obrigatório. Os parlamentares que fizeram essa lei entenderam que o voto era muito mais um direito para fortalecer a democracia do que um dever, do que uma obrigação. Em outros países em que o voto não é obrigatório, pessoas que às vezes não têm muita renda ou que não têm muita escolaridade, essa pessoas elas vêem muitos desafios para poder comparecer às urnas e votar. Às vezes elas ficam tímidas, às vezes ficam sem jeito, elas acham tudo mais complicado. Então, no Brasil, tudo foi pensado para que essas pessoas também votassem, para que as suas escolhas também tivessem importância. Do contrário, somente alguns grupos que teriam interesse em votar e os nossos governantes e parlamentares refletiriam só o que esses grupos pensam e não todos os cidadãos do país”.

    Ouça o primeiro episódio. O podcast Crianças Sabidas é uma produção original da Radioagência Nacional.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Calila das Mercês lança livro e celebra literatura feita no interior

    Calila das Mercês lança livro e celebra literatura feita no interior

    “Minhas primeiras escolas são os quintais: o sertão e o recôncavo baiano, duas geografias interioranas que compõem essa minha primeira relação com a literatura”, conta Calila das Mercês.

    A pesquisadora, jornalista e escritora é uma das curadoras da quarta edição do Festival Literário de Paracatu, cidade mineira a 500 quilômetros de Belo Horizonte (MG). 

    Calila assina a curadoria ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges, idealizador e presidente do festival.

    Neste ano, o tema Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo propõe uma conversa entre dois pensadores fundamentais do Brasil profundo: Milton Santos, cujo centenário foi comemorado em maio, e João Guimarães Rosa, que apresentava ao mundo o seu Grande Sertão: Veredas, há 70 anos.

    Calila fala com carinho dos livros de Guimarães Rosa. Grande Sertão ela chama de “fabuloso”. Campo Geral, de 1956, a deixou “muito emocionada”. Com Milton, ela divide o lugar, o território e o interior da Bahia.

    “A gente está homenageando também meu conterrâneo, que é o Milton Santos, que marcou sua existência, no Brasil e no mundo, trazendo discussões que nos são muito caras. Sobre a questão do nosso lugar, mas também sobre como a gente pode pensar o território sem engessar”.


    Paracatu (MG), 28/08/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Escritora Calila das Mercês lança o ivro Nódoa durante a Fliparacatu. Foto: Renato Parada/Divulgação
    Paracatu (MG), 28/08/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Escritora Calila das Mercês lança o ivro Nódoa durante a Fliparacatu. Foto: Renato Parada/Divulgação
    Escritora Calila das Mercês é uma das curadoras da quarta edição do Festival Literário de Paracatu. Foto: Renato Parada/Divulgação

    A escritora, que já assinou eventos literários em Cachoeira (BA) e em Cavalcante (GO), celebra a realização desses encontros pelo interior do Brasil. Ao mesmo tempo, demonstra preocupação com o manejo dessas festas e com o risco de que se tornem palanques políticos, festas com “donos”, que ditariam como a literatura deve adentrar esses locais. Além disso, ela defende um olhar respeitoso sobre o que é produzido em cada um desses lugares.

    “Acho que o grande desafio é a gente produzir uma ideia de que o pensamento não chega de fora. Ele não, necessariamente, chega dos grandes centros. Eu acho que Paracatu é um lugar que produz pensamento, que tem trazido consigo também uma identidade, um jeito muito daqui de fazer acontecer”.

    Para ela, o festival consegue criar as condições de integrar pessoas e promover conversas surpreendentes, com pessoas de diferentes sotaques, respeitando a literatura produzida na cidade. Entre os nomes que passam por Paracatu este ano estão Mia Couto, Alê Santos, Bruna Lombardi, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Paulliny Tort e Renato Nogueira.

    Às margens do São Francisco

    Calila, que já publicou livros de poesias e de contos, lançou em julho Nódoa, seu primeiro romance, pela Companhia das Letras. Ela conta que ainda está aprendendo a falar sobre o livro, que foi todo escrito em movimento. Um movimento que é feito sem que ela deixe de carregar suas referências.

    “Eu escrevi dentro do ônibus, eu escrevi em uma rodoviária, escrevi no barulho, escrevi com mudança. Mudanças necessárias, mudanças de casa. Condições mais precárias, condições mais tranquilas. É um livro sobre movimento e eu escrevo tudo me movendo”, lembra.

    Nesse movimento, Calila foi quatro vezes ao rio São Francisco e foi ver o maior cajueiro do mundo. Segundo ela, o objetivo foi se conectar com os pedaços de natureza e também de urbanidade. 

    Nesse contato com a natureza, viu sua escrita germinar, com toda a criatividade e a radicalidade que seus textos exigem. 

    Livro

    O livro Nódoa é narrado por Regina e por Lurdes Maria. As muitas mulheres do livro estão em constante movimento sem, entretanto, se perderem umas das outras.

    O livro também é pensado na forma, na materialidade da escrita, em maiúsculas e minúsculas. Os recursos são usados para traduzir cada personagem: a que não sabe nem ler nem escrever; a que só fala baixinho, com vergonha; a artista plástica.

    “Eu queria usar o papel e também essa parte da editoração, da parte gráfica, para elucidar esse trabalho das maiúsculas e minúsculas, de quem fala em terceira pessoa, de quem fala abaixo, de quem só tem a oralidade como fonte de comunicação e o gesto e o corpo e os silêncios. Então, uso muito silêncio nas páginas”.

    O livro, continua Calila, foi todo feito pensando na força das outras linguagens. As palavras formam desenhos. Há um trabalho sensorial e de oralidade que entrega ao leitor outras formas de ver e ler a obra. E que deixam marcas, que deixam nódoas.

    “Às vezes a nódoa lembra a gente de um suco que caiu na roupa, um suco que alguém que a gente ama fez. Às vezes uma mancha de dendê que não saiu, mas que foi de um caruru, aquela avó que nem está ali mais. Então, eu acho que as nódoas também mancham, e deixam marcas que ficam e que são importantes”.

    Sobre o festival:

    4º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
    De 26 a 30 de agosto de 2026
    Local: Centro Histórico de Paracatu
    Entrada gratuita

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mestres da cultura popular evocam tradição e encanto a novos públicos

    Mestres da cultura popular evocam tradição e encanto a novos públicos

    “Alumiar em vida”. A expressão funciona como uma tradução de sentimentos do que significa assumir a coroa de rainha do congado do Maçambique de Osório, manifestação cultural da comunidade quilombola do Morro Alto, no litoral norte do Rio Grande do Sul. 

    “Alumiada” há uma década, a rainha e mestra Francisca Dias, de 65 anos de idade, e mais 19 músicos do quilombo, sobem ao palco do Conic, em Brasília, para o Encontro de Mestres da cultura popular, neste sábado (29), às 20h, com entrada gratuita. 

    Francisca Dias, conhecida na comunidade como a Rainha Ginga Preta, explica que o maçambique é uma congada gaúcha, de tradição de matriz africana bantu, mantida na região desde o século 19. 

    “São as mesmas roupas e músicas desde sempre”, diz.  

    A manutenção de tradição, arte, fé e memória encanta a comunidade e forma uma aliança de resistência de diferentes faixas etárias participantes. Os artistas vão de crianças a idosos. Tudo do grupo é produzido pela própria comunidade, incluindo os instrumentos. 

    Além dos tambores, a comunidade faz a maçacaia, que é um cestinho de taquara com sementes de caetés, que garante o ritmo para o congado do maçambique de Osório. 

    “A congada tem música de salão, de rua e de igreja”, explica. 

    O elemento da fé católica enaltece a imagem de Nossa Senhora do Rosário. “A bandeira é muito sagrada para a gente”, afirma. 

    Além do elemento de fé, a rainha entende que a arte ensina contra preconceitos, incluindo o racismo. “A gente prepara também as nossas crianças para se defenderem com palavras”.

    Para a rainha, apresentar a tradição de sua comunidade na capital do país a emociona. “Esse é um momento muito feliz, um sonho de levar a nossa cultura pelo Brasil. É muito triste para a gente, quando falamos da congada, existe quem estranhe a presença das pessoas negras no Rio Grande do Sul”. 

    Visibilidade

    Garantir visibilidade à multiplicidade de manifestações culturais, ir na contramão de preconceitos e formar novos públicos fazem parte dos objetivos do encontro de mestres em Brasília, que começou na quinta-feira (27). 

    Segundo o curador e coordenador do evento, Anderson Formiga, há artistas de 11 estados e do Distrito Federal na programação que se encerra neste sábado.

    “A gente tentou formar um mosaico de cultura popular, que é muito negro, mas que também tem um pé nas origens europeias e outras indígenas. Mas isso é parte da nossa musicalidade”, disse. 

    Além das apresentações no palco, o evento contempla também oficinas.  

    O curador entende que é preciso chamar atenção dos mais jovens para conhecerem as mais variadas manifestações da rica cultura brasileira. “O jovem precisa ser encantado”, acredita. 

    Ao mesmo tempo, ele acrescenta que os artistas mais velhos têm conseguido fazer herdeiros dispostos a honrar as tradições dos ancestrais. 

    Longe das telas

    Respeitar as tradições é a regra que tem sido seguida à risca pela comunidade gaúcha do maçambique.

    “Quando eles estão na congada, ninguém nem pensa em pegar o celular”, diz a rainha Preta.

    Segundo a rainha, seu maior desejo é honrar os ancestrais. A mãe, Severina Dias, última rainha, morreu em 7 de outubro de 2016, justamente no dia de Rosário, a padroeira. Severina pediu à filha Francisca que lutasse por manter viva a tradição artística. Isso faz também a atual rainha se emocionar em subir ao palco pelo país.

    Neste ano, a celebração do maçambique não ocorrerá no dia 7 por causa das eleições, mas no dia 24 de setembro. O quilombo conta hoje com 1.750 famílias. 

    Valorização

    Cuidar do legado e das futuras gerações também é preocupação do mestre e músico maranhense Tião Carvalho, de 71 anos. Ele contabiliza apresentações frequentes na Europa e mistura ritmos, como samba, coco, bumba-meu-boi, forró e baião. 

    Carvalho, que é professor na educação básica, fundou o grupo Cupuaçu, que se dedica ao estudo e à prática de brincadeiras populares.

    “É preciso que o Brasil valorize mais a cultura tradicional. O foco maior é a gente conscientizar e buscar políticas públicas que garantam espaço para nós”, afirmou antes de subir ao palco. 

    Ele entende que ainda hoje artistas com mais recursos são mais contemplados em shows nas cidades brasileiras. “Se você mostrar a cultura para o jovem, ele vai gostar”, considera. 

    Programação   

    • 19h – Moçambique de Santa Efigênia (DF) 
    • 20h – Maçambique de N.Sra do Rosário de Osório (RS) 
    • 21h – Adiel Luna convida João Arruda e Alexandre 
    • 23h – Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro (DF) 
    • 01h – Carimbó Beija-Flor de Marudá (PA)

    Confira a programação no instagram.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular

    Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular

    Importante espaço para a arte popular brasileira, o Museu do Pontal celebra meio século de fundação em 2026 colhendo os frutos de um trabalho que deixou para trás dificuldades como as frequentes enchentes que enfrentava em sua antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes.

    A construção de condomínios residenciais nos arredores do sítio em que funcionava o museu deixou o terreno mais baixo que os vizinhos, e o acúmulo de água se tornou uma constante mesmo depois de uma grande reforma em 2009. 

    “Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis. Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura”, relatou o diretor executivo Lucas Van de Beuque em entrevista à Agência Brasil.

    Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos deixou as obras paralisadas por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, e as instalações internas ficaram sob até 1 metro de água.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Museu do Pontal.
Foto: Renata Diniz/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Museu do Pontal.
Foto: Renata Diniz/Divulgação
    Sede antiga do Museu do Pontal. Foto: Renata Diniz/Divulgação

    Sem recursos para reparar os danos e tocar a obra, o museu se salvou por meio de uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas com doações. 

    “Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também. Tudo tem os dois lados. Foram 10 anos pensando o que seria o novo museu”, afirmou.

    No meio do caminho, houve a pandemia de covid-19, mas o museu não parou. Os diretores decidiram realizar uma série de encontros virtuais com artistas de vários estados do Brasil. No momento em que as pessoas tinham que ficar reclusas, participar de um evento cultural era um alívio, lembra o diretor.

    Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca, com o conceito de Museu Praça ─ um lugar de encontro e de convivência, concebido para ter permanentemente um diálogo entre as artes plásticas de camadas populares e manifestações de dança e música.

    “Um lugar com exposições mudando a todo momento, que tivesse espetáculos, oficinas, que fosse um jardim para piquenique e para brincar, um lugar para vivenciar a arte e a cultura brasileira, para soltar pipa”, explicou Lucas sobre o projeto.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2025 - O Museu do Pontal celebra o Dia da Criança e os 3 anos de sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. O Festival de Circo no Museu do Pontal terá espetáculos e performances do mundo do picadeiro, apresentações musicais, brincadeiras e oficinas. Foto: Ratão Diniz/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2025 - O Museu do Pontal celebra o Dia da Criança e os 3 anos de sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. O Festival de Circo no Museu do Pontal terá espetáculos e performances do mundo do picadeiro, apresentações musicais, brincadeiras e oficinas. Foto: Ratão Diniz/Divulgação
    Museu do Pontal celebra o Dia da Criança em sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. Foto: Ratão Diniz/Divulgação

    Referência popular 

    A diretora do espaço cultural, Angela Mascelani, disse que, desde 1976, a coleção construída pelo francês Jacques Van de Beuque traz a característica de valorizar a produção das camadas populares.

    “A gente sempre trabalhou com artistas, estudando trajetórias e tentando fazer com que o público e o próprio campo entendessem que, embora sejam artistas de camadas populares, esses artistas são autores, têm uma criação, um pensamento original e uma trajetória”, contou à Agência Brasil.

    A diretora apontou a exposição que marcou o início das atividades do Museu do Pontal como um dos destaques da programação das cinco décadas de existência. 

    A mostra era composta por peças de artistas populares que Jacques Van de Beuque comprou ao vir morar no Brasil. Essa exposição foi realizada primeiro no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, na região central da cidade. Depois, foi levada para a antiga sede do museu, no Recreio.

    Para Angela, o fato de ter passado pelo MAM deu mais reconhecimento e peso à exposição.

    “Havia uma perspectiva que não valorizava a produção feita pelas camadas populares como arte. Como se fosse por acaso que as pessoas chegassem às formas ou como se elas fossem somente comunidades artesanais”, avaliou.

    “A gente se dedica a contar a história desses artistas e acompanhar suas trajetórias da mesma forma que se faz com as artes hegemônicas.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original