Categoria: Cultura

  • Flipelô começa em Salvador com música, poesia e grande participação

    Flipelô começa em Salvador com música, poesia e grande participação

    O centro de histórico de Salvador (BA) recebeu a cerimônia de abertura da décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), na noite dessa quarta-feira (5), com muita música, poesia e participação.

    A festa contou com show musical da cantora e compositora Belô Velloso, além de uma intervenção teatral que apresentou ao público os versos da poetisa Myriam Fraga (1937-2016), a grande homenageada da Flipelô neste ano.

    Entre o público que compareceu à abertura estava a escritora baiana Maria do Carmo, da cidade de Mutuípe (BA), que veio para a Flipelô pela primeira vez para lançar seu mais novo livro, Trilhas de Alforria, que trata  do combate ao racismo.

    Em entrevista à Agência Brasil, ela celebrou as feiras e festas literárias que se espalham pelo país e que, assim como a Flipelô, se tornam importante espaço de encontro cultural e de resistência.

    “Feira literária, para mim, é espaço de representatividade cultural”, disse.

    “Vejo a Flipelô com muita alegria porque a população tem acesso a ela sem custo nenhum. É também uma mistura de culturas, não só literária, mas de música, dança, representação teatral. Isso engrandece ainda mais a literatura porque a literatura justamente é feita desse misto de vivências”, acrescentou.

    Ao seu lado, também segurando um livro, estava a escritora baiana Magnólia Gomes de Oliveira, autora da obra Destinos Entrelaçados, que será lançado na Casa Motiva, instalada no Vale do Dendê.

    “Meu livro é uma história que se passa em Feira de Santana, onde duas pessoas se encontram ao acaso. Eles se envolvem em uma grande paixão, uma paixão bem aflorada, mas há alguns impedimentos para que eles estejam juntos”, contou à reportagem.

    Magnólia é fundadora do coletivo Autores da Resistência, que pretende difundir a literatura na região do Recôncavo Baiano, e do Passeio Literário, grupo formado nas redes sociais. Para ela, que já acompanha a Flipelô há alguns anos, participar de um evento como este é muito importante para incentivar a leitura.

    “Esse evento é maravilhoso e muito importante, inclusive, para o incentivo à leitura, que é o que nós trabalhamos no nosso grupo dos escritores Autores da Resistência. Queremos transformar o Brasil em um país de leitores.

    Segundo Magnólia, a Flipelô ajuda muito a levar a literatura a todas as pessoas”, disse.

    Outro que também vai lançar seu livro na festa literária do Pelourinho é o escritor Domingos Ailton, secretário de Cultura e Turismo de Jequié (BA). Autor do livro Anésia Cauaçu, que aborda a história da primeira mulher que ingressou no cangaço e viveu no sertão de Jequié, ele também é responsável pela realização da Felisquié, a Festa Literária Internacional do Sertão de Jequié, que neste ano vai completar 10 anos de existência e homenagear o centenário do geógrafo Milton Santos.

    “A literatura é a essência da vida. Cada livro representa um episódio da vida, não é? Sem a literatura, a vida perde o sentido. Desde o tempo das narrativas orais, que depois se tornaram livros, a gente não pode pensar em falar, escrever, pensar ou refletir sem a literatura”, ressaltou.

    A Flipelô

    Maior evento literário da Bahia, a Flipelô é inpirada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e realizada anualmente pela Fundação Casa de Jorge Amado. Neste ano, o evento ocorre em momento especial: além dos 10 anos de sua existência, a Flipelô também está celebrando os 25 anos da morte de Jorge Amado (1912-2001) e os 40 anos de criação de sua fundação.

    A festa, idealizada pela poeta Myriam Fraga (1937-2016), surgiu com o objetivo de preservar e valorizar a memória do escritor Jorge Amado, a cultura e arte da Bahia, além de estimular a literatura, principalmente entre os jovens.

    O evento acontece até domingo (9) e deverá contar com a presença de mais de 500 escritores brasileiros e nove estrangeiros, entre eles Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Tracy Mann e Pablo Fidalgo.

    Mais informações sobre a programação da Flipelô podem ser acessadas no site oficial da festa.

    * A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Ganhadores do Prêmio Grande Otelo destacam emoção de vencer em casa

    Ganhadores do Prêmio Grande Otelo destacam emoção de vencer em casa

    Os vencedores da 25ª edição do Prêmio Grande Otelo ressaltaram a alegria única de vencer em casa, mesmo depois de uma temporada vitoriosa no exterior. Neste ano, pela primeira vez, a principal categoria, de Melhor Filme, teve dois premiados: Manas, de Marianna Brennand, e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.

    “A gente viajou o mundo, estreou em Veneza, ganhou o prêmio principal da Giornate degli Autori, conquistou 46 prêmios internacionais. Mas ser reconhecida dentro do seu próprio país é muito especial” declarou Marianna Brennand, após a cerimônia de entrega dos troféus,  na noite desta terça-feira (4), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. 

    Kleber Mendonça Filho também comemorou a vitória e destacou a importância histórica do Grande Otelo para o fortalecimento do cinema nacional.

    “Eu cobri esse prêmio quando era jornalista e hoje estou aqui como cineasta. É um prêmio do Brasil para o mercado brasileiro, para o cenário brasileiro. É um reconhecimento para nós que trabalhamos com cinema aqui.”

    Ao longo da cerimônia, vencedores de diferentes categorias ressaltaram que o cinema brasileiro vive um momento de reconhecimento nacional e internacional, resultado de um processo de amadurecimento artístico e da consolidação de uma indústria que movimenta a economia, gera empregos, impulsiona cadeias produtivas e fortalece a identidade cultural do país.

    Para a presidente da Academia Brasileira de Cinema, Renata Almeida Magalhães, o que faz do Grande Otelo a principal celebração do audiovisual brasileiro é a participação decisiva dos profissionais do setor.

    “Não tem curadoria, não tem júri. São seus pares que votam naquilo que a gente produziu no ano. A Academia é composta pelos cineastas brasileiros e é uma instituição sem fins lucrativos que só quer que o cinema brasileiro exista para sempre”, afirmou.

    Esse fator também foi destacado por Marianna Brennand como um dos aspectos mais simbólicos da premiação.

    “O Grande Otelo é um grande prêmio do cinema brasileiro. É um reconhecimento pelos nossos colegas, pelos nossos pares que fazem cinema e que eu admiro tanto. É muito especial ser reconhecida por eles.”

    Protagonismo feminino

    Marianna Brennand também ressaltou o protagonismo feminino. “É um filme que tem a força do feminino. Estou muito feliz porque ele está conectando pessoas, transformando e levando luz.”

    Premiada na categoria roteiro original de Manas, Antonia Pellegrino, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), destaca que o filme reúne uma equipe majoritariamente feminina desde a criação até a produção.

    “‘Manas’ é dirigido por uma mulher brilhante, Marianna Brennand, mas também é um filme escrito por várias mulheres e produzido por mulheres. Tem essa marca da presença feminina na liderança. É esse olhar que faz com que um tema tão denso seja tratado com tanta sensibilidade.”

    Prêmio

    Realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a cerimônia reuniu artistas, técnicos e produtores, em um encontro de diferentes gerações. Além de dividir o prêmio de Melhor Filme com O Agente Secreto, Manas conquistou Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem e Melhor Atriz Coadjuvante, com Dira Paes.

    Já Homem com H, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho, foi o longa com o maior número de estatuetas, conquistando seis troféus: Melhor Ator, para Jesuíta Barbosa, Direção de Arte, Figurino, Maquiagem, Trilha Sonora, Som e Melhor Filme pelo Júri Popular.

    O Agente Secreto, representante brasileiro na última edição do Oscar e vencedor de dois prêmios no Globo de Ouro, também foi premiado como Melhor Direção de Fotografia e Efeitos Visuais.

    Saiba a lista completa dos vencedores:

    Melhor Longa-Metragem de Ficção (empate)

    • Manas
    • O Agente Secreto

    Melhor Filme pelo Voto Popular

    • Homem com H

    Melhor Longa-Metragem de Comédia

    • Velhos Bandidos

    Melhor Longa-Metragem Documentário

    • Apocalipse nos Trópicos

    Melhor Longa-Metragem de Animação

    • Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Busca da Flecha Azul

    Melhor Longa-Metragem Infantil

    • O Diário de Pilar na Amazônia

    Melhor Longa-Metragem Ibero-Americano (empate)

    • Belén: Uma História de Injustiça (Argentina)
    • O Riso e a Faca (Portugal)

    Melhor Direção

    • Marianna Brennand (Manas)

    Melhor Primeira Direção

    • Rafaela Camelo (A Natureza das Coisas Invisíveis)

    Melhor Ator

    • Jesuíta Barbosa (Homem com H)

    Melhor Atriz

    • Denise Weinberg (O Último Azul)

    Melhor Ator Coadjuvante

    • Rodrigo Santoro (O Último Azul)

    Melhor Atriz Coadjuvante

    • Dira Paes (Manas)

    Melhor Roteiro Original

    • Manas

    Melhor Roteiro Adaptado

    • O Filho de Mil Homens

    Melhor Direção de Fotografia

    • O Agente Secreto

    Melhor Direção de Arte

    • Homem com H

    Melhor Figurino

    • Homem com H

    Melhor Maquiagem

    • Homem com H

    Melhor Trilha Sonora

    • Homem com H

    Melhor Som

    • Homem com H

    Melhores Efeitos Visuais

    • O Agente Secreto

    Melhor Montagem

    • Manas

    Melhor Curta-Metragem de Ficção

    • Amarela

    Melhor Curta-Metragem Documentário

    • Sebastiana

    Melhor Curta-Metragem de Animação

    • A Tragédia da Lobo-Guará

    Melhor Série de Ficção

    • Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente

    Melhor Série Documentário

    • Caçador de Marajás

    Melhor Série de Animação

    • Osmar – A Primeira Fatia do Pão de Forma

    Melhor Série Brasileira

    • Cangaço Novo (2ª temporada)

    Melhor Ator de Série de Ficção

    • Johnny Massaro (Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente)

    Melhor Atriz de Série de Ficção

    • Alice Carvalho (Cangaço Novo)

    Melhor Ator de Série

    • Allan Souza Lima (Cangaço Novo)

    Melhor Atriz de Série

    • Marjorie Estiano (Ângela Diniz: Assassinada e Condenada)

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Prêmio Grande Otelo 2026 destaca “Manas” e “O Agente Secreto”

    Prêmio Grande Otelo 2026 destaca “Manas” e “O Agente Secreto”

    Nesta terça-feira (4), ocorreu a cerimônia do Prêmio Grande Otelo 2026, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A premiação reconheceu o talento do audiovisual nacional, com a presença de artistas, cineastas e profissionais do setor, consagrando os principais destaques cinematográficos do último ano. 

    A edição de 2026 do Prêmio Grande Otelo celebrou as produções “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e “Manas”, de Marianna Brennand, como as grandes vencedoras da categoria de Melhor Longa-Metragem de Ficção, em um empate inédito. 

    Além disso, o longa “Homem com H”, cinebiografia de Ney Matogrosso, foi o destaque desta edição do Prêmio Grande Otelo 2026, com seis troféus. Na sequência, a produção “Manas” conquistou cinco prêmios: Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Atriz Coadjuvante (Dira Paes), Melhor Direção (Marianna Brennand) e Melhor Roteiro Original. 


    Brasília (DF), 01/07/2026 - A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, durante apresentação dos resultados do programa Brasil Digital, iniciativa que vem ampliando o acesso da população brasileira à TV pública, educativa e legislativa em sinal digital aberto e gratuito. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 01/07/2026 - A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, durante apresentação dos resultados do programa Brasil Digital, iniciativa que vem ampliando o acesso da população brasileira à TV pública, educativa e legislativa em sinal digital aberto e gratuito. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Para Antonia Pellegrino, presidenta da EBC, uma das roteiristas do Manas, o filme é um expoente da nova safra do cinema brasileiro, reconhecido pelo público e pela crítica, no Brasil e no mundo – Foto – Marcelo Camargo/Agência Brasil.

    A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, foi premiada pela Academia Brasileira de Cinema, pelo roteiro original do filme “Manas”. Pellegrino é uma das roteiristas do longa-metragem, escrito em parceria com Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides e Camila Agustini.

    Para ela, “Manas” é um expoente da nova safra do cinema brasileiro, reconhecido pelo público e pela crítica, no Brasil e no mundo. “Me alegra fazer parte deste movimento glorioso do nosso audiovisual, ainda mais com Manas, um filme marcado pela presença feminina na liderança”, afirma.  

    Antonia Pellegrino também acrescenta que “receber o prêmio Grande Otelo de Melhor Roteiro Original, junto com os meus colegas, é uma grande honra, por se tratar o maior reconhecimento que o audiovisual brasileiro oferece ao setor”. 

    Prêmio Grande Otelo 

    O Prêmio Grande Otelo (anteriormente chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro) é a mais importante honraria do audiovisual nacional, organizada anualmente pela Academia Brasileira de Cinema. Em 2026, a premiação, considerada o “Oscar do cinema brasileiro”, chegou à sua 25ª edição. 

    Além das produções cinematográficas, o Prêmio Grande Otelo também celebra e reconhece a excelência de profissionais, cineastas e atores de séries, contribuindo para o fortalecimento e a visibilidade da indústria audiovisual do país.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Bethânia Amaro estreia no romance, dando voz a profissionais do sexo

    Bethânia Amaro estreia no romance, dando voz a profissionais do sexo

    A transformação da Ladeira da Montanha, que liga as cidades Alta e Baixa em Salvador (BA), do passado boêmio até a condição atual de abandono, foi o ponto de partida para que a escritora Bethânia Pires Amaro buscasse a história de mulheres que tiveram papel central na região, entre as décadas de 1950 e 1970. Elas eram profissionais do sexo, quando o local era reduto da boemia e da vida noturna, e acabaram invisibilizadas na memória oficial.

    “Essas mulheres tinham sido o coração daquela região, daquele centro histórico, e não havia nada na voz delas, não havia nada mesmo. Foi uma invisibilização da existência dessas mulheres”, disse a escritora.

    Em Ressalga, seu romance de estreia, Bethânia retoma os tempos de efervescência da região, que reunia artistas, intelectuais e políticos, e constrói uma narrativa inspirada na trajetória dessas mulheres. A obra é permeada por acontecimentos históricos do país, como a morte de Getúlio Vargas, e figuras reais, como o médium Zé Arigó.

    “A ideia é que o leitor se sentisse transportado para Salvador e para o Brasil dos anos 50, 60, 70, e que a história [do livro] se mostrasse a ele sob esse aspecto, uma história verossímil, que de fato era muito semelhante ao que estava acontecendo no país naquele momento”, explicou a escritora.

    Em entrevista à Agência Brasil, Bethânia falou sobre a pesquisa que deu origem ao romance, o objetivo de devolver protagonismo às mulheres invisibilizadas pelos registros históricos e a importância de apresentar a obra durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que será realizada de hoje (5) a domingo (9) no Centro Histórico de Salvador, cidade onde a história acontece. Durante o evento, ela participa de bate-papo na Casa Motiva e na Casa Odisseu, no próximo sábado (7).

    A escritora teve seu primeiro livro, Ninho, vencedor dos prêmios Jabuti, APCA e Sesc de Literatura, todos na categoria Contos.

    Confira os principais trechos da entrevista.

    Agência Brasil: como surgiu a ideia do livro Ressalga?

    Bethânia: eu cresci em Salvador e, morando na cidade, eu sabia que a Ladeira da Montanha havia sido um dos centros da grande boemia na cidade, dos anos 1950 até os anos 1970, principalmente. Isso sobreviveu muito no imaginário da cidade, das pessoas que circulavam por ali. Atualmente a Ladeira da Montanha está completamente desmoronada, fantasmagórica, uma rua realmente bastante arruinada, no sentido mais literal possível, os prédios estão em ruínas. E eu queria entender como tínhamos chegado de um lugar até o outro.

    Agência Brasil: você decidiu se aprofundar em algumas personagens. Quem são elas?

    Bethânia: decidi contar essa história sob o ponto de vista das mulheres [profissionais do sexo] que trabalhavam ali. Durante a pesquisa, descobri que Jorge Amado ia escrever um livro sobre o cotidiano das mulheres que trabalhavam na Ladeira da Montanha.  Ele havia chegado a encomendar uma mostra de fotografias de Flávio Damm para um projeto de livro que seria intitulado Mulher Dama.

    Esse livro nunca foi escrito em razão da repressão que se seguiu ao Ato Institucional número 5 (AI-5), durante a ditadura militar. As imagens ficaram engavetadas por mais de 50 anos, até que houve uma mostra delas em Salvador, em 2018. Foi a primeira vez que essas fotos saíram da sombra. Tudo isso só me mostrou com mais segurança que havia uma história ali a ser contada.

    Agência Brasil: foi difícil encontrar informações sobre essas mulheres?

    Bethânia: quando fiz a pesquisa histórica, encontrei muito material, mas sempre sob uma lente masculina. Havia muitas biografias de grandes homens. A Assembleia Legislativa da Bahia tem um trabalho de preservação da memória de grandes personalidades do estado. Ali há um conjunto de biografias, livros de entrevistas, quase na totalidade com homens.

    Foi por meio das lembranças desses homens e das biografias deles, ali pelos cantos dessas biografias e entrevistas, que fui reconstruindo o mosaico da vida dessas mulheres, porque elas não constaram da historiografia oficial, elas foram realmente apagadas em termos de registro histórico. Só sobreviveram na memória e na voz desses homens que frequentavam aqueles espaços e se lembravam delas. 

    Isso foi algo que me assombrou muito quando comecei a fazer essa pesquisa: essas mulheres [profissionais do sexo] tinham sido o coração daquela região, daquele centro histórico, e não havia nada na voz delas, não havia nada mesmo. Foi uma invisibilização da existência dessas mulheres.

    Agência Brasil: como você trabalhou a história delas na obra?

    Bethânia: tradicionalmente, a mulher ficava muito restrita, inclusive na literatura, a [determinados] papéis. Então, ela era a esposa, a amante, a puta. Abordagens que normalmente eram bastante reducionistas. Quando a gente recupera o protagonismo da mulher como aquela que vai contar a sua própria história, devolve a voz a essas mulheres e as coloca no centro de suas próprias narrativas. Acredito que isso permite um olhar muito mais sensível, não estereotipado, e que não reduza essas mulheres às violências que elas sofreram.

    Isso também foi uma grande preocupação no meu trabalho: celebrar a existência delas e não reduzi-las aos abusos que aconteciam ali, como de fato aconteciam, e que elas pudessem aparecer com toda a sua personalidade, tanto para o bem quanto para o mal. São personagens densas, complexas, e o leitor é colocado diante de situações desconfortáveis e de escolhas muito difíceis que essas mulheres precisavam fazer.

    Agência Brasil: como transformar tudo isso em ficção? 

    Bethânia: eu queria resgatar essa história, mas, ao mesmo tempo, fazer um trabalho ficcional. O livro é metaficcional. Conta a história de três gerações de mulheres na Bahia. Em especial, de Graça, que vai se tornar a maior cafetina da cidade. Essa personagem foi muito inspirada na história de prostitutas que existiram, trabalharam ali e tiveram que desenvolver muitas estratégias de existência para sobreviver à violência do seu tempo.

    Vou destacar duas: Maria Pires, que ficou muito conhecida na capital à época por oferecer 50% de desconto para estudantes, e Maria da Vovó, que comandou um cabaré que reunia até 60 [mulheres] nas noites mais cheias e revolucionou o mercado sexual naquela época. Ela ficou muito conhecida, inclusive por enfrentar constantemente a violência policial que era dirigida contra essas mulheres.

    Agência Brasil: o contexto histórico da época foi mantido?

    Bethânia: há uma série de personalidades que o leitor certamente irá reconhecer, passando pelo suicídio de Getúlio Vargas, pela ascensão ao poder de Juscelino Kubitschek. Até outras não tão conhecidas, como o médium Zé Arigó, por exemplo, que realizava cirurgias espirituais no Brasil naquele período, e o delegado de costumes da capital, Almir Araújo, que está mencionado no livro.

    A ideia é que o leitor se sinta transportado para Salvador e para o Brasil dos anos 50, 60, 70 e que a história se mostre a ele sob esse aspecto, uma história verossímil, que de fato é muito semelhante ao que estava acontecendo no país naquele momento. O trabalho é ficcional, porém com esse grande substrato histórico.

    Agência Brasil: em breve, você participará da Flipelô. Como você se sente ao apresentar o livro justamente em Salvador?

    Bethânia: estou muito ansiosa por essa participação na Flipelô, um festival lindíssimo que já acompanho há vários anos. Em especial, porque Ressalga se passa, em grande parte, no centro histórico de Salvador, exatamente onde ocorre a Flipelô. É literalmente o território de onde a história surgiu.

    “A história da Bahia, que é muito celebrada na Flipelô, e a literatura de grandes autores baianos como Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, para citar apenas dois, serviram de grande referência para o meu trabalho. São autores que, quando eu era criança, me mostraram que as histórias ali ao meu redor, do lugar onde eu vivia, também mereciam ser contadas, numa época em que a gente chegava às livrarias e só tinha livro estrangeiro, praticamente. Poder apresentar esse livro na Bahia, no centro histórico, é extremamente especial”.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Livro inédito infantil da poeta Myriam Fraga será lançado na Flipelô

    Livro inédito infantil da poeta Myriam Fraga será lançado na Flipelô

    Mais de 150 espaços públicos e privados do centro histórico de Salvador vão abrigar, a partir desta quarta-feira (5), a décima edição da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô). A expectativa dos organizadores é que cerca de 250 mil pessoas transitem pelas ruas do Pelourinho para curtir a programação do evento, considerado a maior festa literária da Bahia.

    A Flipelô vai promover uma intensa agenda cultural formada por mesas de debates, bate-papos, lançamentos de livros, saraus, recitais, exposições, oficinas e apresentações teatrais e musicais. A programação tem início na noite de hoje com uma apresentação musical gratuita da cantora e compositora Bellô Veloso, no Largo do Pelourinho.

    O evento ocorre desde 2017 e chega à décima edição neste ano. Inspirada na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Flipelô é realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado, que completa 40 anos de existência. A festa, que foi idealizada pela poeta Myriam Fraga (1937-2016), surgiu com o objetivo de preservar e valorizar a memória do escritor Jorge Amado, a cultura e arte da Bahia e também estimular a literatura, principalmente entre os jovens.

    Como forma de celebrar os dez anos de existência e prestar uma homenagem especial à sua idealizadora, a Flipelô vai promover neste ano o lançamento de um livro infantil de poesias da escritora e poeta baiana.


    Brasília - 04/08/2026 - Livro inédito infantil da poeta Myriam Fraga será lançado na Flipelô. Foto: Divulgação
    Brasília - 04/08/2026 - Livro inédito infantil da poeta Myriam Fraga será lançado na Flipelô. Foto: Divulgação
    Livro inédito da poeta Myriam Fraga será lançado na Flipelô – Foto: Divulgação

    Chamado de Tem Cardume no Meu Aquário, o livro reúne poemas inéditos de Myriam Fraga e é dedicado à primeira bisneta dela, Marina. A obra foi ilustrada pelo artista visual Leo Dantas, designer da Flipelô, e será lançada no próximo sábado (8), às 10h30, no Espaço Infantil Mabel Velloso, na Praça das Artes.

    “A novidade da Flipelô é este livro infantil e inédito, com texto de Myriam Fraga, que a gente guardou no acervo dela”, disse a presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, Angela Fraga, filha da escritora.

    Em entrevista à Agência Brasil, ela destacou que o livro conta também com uma parte toda interativa, o que deve aproximar ainda mais as crianças do universo criado pela poeta. “Você pode baixar o áudio de uma canção do texto por meio de um QRCode. Além disso, há também um incentivo para as crianças desenharem. No final do livro, há um espaço para que elas possam criar seus próprios personagens, inspirados naquela obra.”

    A festa

    Mais de 500 escritores brasileiros e nove internacionais deverão estar presentes na Flipelô deste ano, tais como Ana Maria Gonçalves, Itamar Vieira Júnior, Carla Madeira, Milton Hatoum, Tracy Mann e Pablo Fidalgo. Também vão marcar presença no evento o escritor e humorista Gregório Duvivier, o cantor Chico Chico, a apresentadora e jornalista Astrid Fontenelle e a jornalista e escritora Eliana Alves Cruz, apresentadora do programa Trilha de Letras, da TV Brasil.

    Além da literatura, o evento também contempla três rotas, uma gastronômica, uma de museus e outra de artes, onde galerias, museus e ateliês promovem uma programação especial para receber o público.

    A programação completa da Flipelô pode ser acessada no site oficial da festa literária.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • São Paulo: Flipei terá mais de 180 convidados e 65 mesas de debates

    São Paulo: Flipei terá mais de 180 convidados e 65 mesas de debates

    A oitava edição da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) começa na próxima quarta-feira (5), com programação gratuita, na região central da capital paulista. Até domingo (9), haverá eventos no Espaço Cultural Elza Soares, Café Colombiano,  Pratododia, Sol y Sombra Bar e Central 1926.

    Desde 2018, a Flipei tem se desenvolvido como palco de resistência cultural e pensamento crítico. Nomes de forte projeção internacional e nacional foram convidados para debater os rumos da política, da literatura e dos movimentos sociais.

    Na programação, as mesas de conversa vão abordar temas como os ataques israelenses à Palestina, maternidade, tarifa zero, psicoativos e saúde mental, direito ao aborto, violência racial e de gênero, justiça climática, inteligência artificial, publicações independentes e bibliodiversidade.

    Os destaques internacionais incluem Ruth Wilson Gilmore, referência mundial no debate sobre abolicionismo penal e o sistema prisional; o jornalista Gideon Levy, colunista do jornal Haaretz e autor do livro O Massacre de Gaza: Relatos de uma Catástrofe (Editora Elefante); e a ativista Medea Benjamin (cofundadora do Code Pink), autora do livro Por Dentro do Irã.

    Haverá a presença também do cientista político Augusto Nimtz, especialista na teoria marxista, na história das revoluções e autor do livro Ideologia e Violência Racial; do historiador Rick Blackman, pesquisador do papel da música nas lutas antirracistas e antifascistas, autor do livro Babilônia em Chamas; e a poeta e tradutora Tal Nitzan, que aborda temas ligados à literatura de resistência e direitos humanos.

    Do cenário nacional, o festival vai reunir a deputada Luiza Erundina; a escritora e ativista Cida Bento, autora do livro O Pacto da Branquitude (Companhia das Letras); a escritora Cidinha da Silva, autora de Quando Borboletas Furiosas se Tornam Mulheres Negras: Nós e os Livros (Relicário Edições); e a líder indígena ativista do povo Paiter Suruí, Txai Suruí.

    A festa conta ainda com a participação do filósofo Vladimir Safatle, autor de A Ameaça Interna: Psicanálise dos Novos Fascismos Globais (Ubu Editora); o ativista Thiago Ávila, que esteve à bordo da Flotilha da Liberdade com destino à Faixa de Gaza e chegou a ser preso pelas forças de segurança israelenses; e dos jornalistas Jamil Chade e Xico Sá.

    A Flipei anunciou que a exposição Funk: um Grito de Ousadia e Liberdade, com curadoria da dançarina, pesquisadora e produtora cultural Renata Prado, será remontada durante o festival literário.

    A mostra, que teve seu encerramento antecipado no Museu da Língua Portuguesa em maio após ataques de parlamentares de extrema direita e investigações do Ministério Público, terá parte do acervo original exposta na Central 1926, localizada na Praça da Bandeira, 137. 

    “Classificado por intelectuais como Lilia Schwarcz como ‘censura descarada’, o fechamento da exposição – que bateu recordes de público no Rio de Janeiro e passou pela França – é respondido agora pelo festival pirata, que reafirma seu papel de território livre para as manifestações periféricas e insurgentes”, afirmou a organização da Flipei.

    Novidade nesta oitava edição, a Flipei abre espaço para o esporte popular como forma de resistência e ferramenta de ação social e cuidado coletivo. A programação terá campeonatos de pebolim e o boxe popular.

    A programação terá mais de 180 convidados distribuídos em 65 mesas de debates, mais de 150 expositores, mais de dez atrações musicais, além de sarau, jogos e exibições de filmes. Outra atração é a Zona Piratinhas – dedicada às infâncias com perspectiva indígena e afro-brasileira. Estão envolvidos 70 trabalhadores diretos e quase 500 trabalhadores indiretos da cultura e do mercado editorial.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Dança em Trânsito estreia nesta terça com preços populares no Rio

    Dança em Trânsito estreia nesta terça com preços populares no Rio

    A dança vai se espalhar pelo Rio de Janeiro entre a próxima terça-feira (4) e o dia 11, com espetáculos de 20 companhias e artistas do Rio, de outros estados e até de outros países.

    A 24ª edição do festival Dança em Trânsito terá apresentações com ingressos a preços populares, de R$ 10 a R$ 20, no Espaço Tápias, na Barra da Tijuca, zona sudoeste do Rio; e nos teatros Nélson Rodrigues, Carlos Gomes e João Caetano, no centro da cidade.

    Participarão artistas de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. A agenda completa pode ser conferida no site do festival.

    A programação tem ainda atrações convidadas da Coreia do Sul, França, Itália e Luxemburgo, além de residências e processos de criação com intercâmbio internacional.

    As apresentações do festival internacional de dança contemporânea serão avaliadas por programadores, curadores e diretores de festivais de dança da França, da Espanha, da Itália, da Eslovênia, da Bulgária, de Luxemburgo, da Coreia do Sul e do Uruguai.

    Programação ao ar livre

    A ocupação de praças, ruas e espaços públicos com espetáculos gratuitos é uma das características do Dança em Trânsito. Além das casas de espetáculo, haverá uma apresentação gratuita na Praça Mauá, região portuária da capital.

    Essa programação começa às 16h, em frente ao Museu do Amanhã, com o Bloco Turbilhão Carioca. Fundado em 2007 por batuqueiros de grandes oficinas de percussão do Rio de Janeiro, o grupo adapta ritmos marcantes de regiões brasileiras, como a junção do frevo com o funk, utilizando instrumentos tradicionais de uma bateria de escola de samba.

     


    Rio de Janeiro - 03/08/2026 -  Rio terá festival de dança com participação internacional. Foto Divulgação/C41 Estudio
    Rio de Janeiro - 03/08/2026 -  Rio terá festival de dança com participação internacional. Foto Divulgação/C41 Estudio
    Quasar Companhia de Dança participará do festival Dança em Trânsito. Foto: Divulgação/C41 Estudio

    Encontros internacionais

    O festival terá ainda o os dois encontros abertos ao público Janelas para o Mundo, com programadores de festivais internacionais da Coreia do Sul e Luxemburgo. Eles vão trazer um panorama dos festivais e da dança contemporânea de seus países.

    “Janelas para o Mundo e conexões internacionais são momentos muito importantes para os artistas brasileiros comparecerem e estarem ali presentes dialogando diretamente com esses profissionais que raramente vem ao Brasil assistir a espetáculos”, avaliou a diretora artística e curadora do festival, Flávia Tápias, à Agência Brasil.

    O primeiro desses encontros, marcado para as 11h30, no Espaço Tápias, será com o sul-coreano Lee Jong-Ho, fundador e diretor artístico do Festival Internacional de Dança de Seul (SIDance), presidente da Seção de Seul do Conselho Internacional de Dança (CID-UNESCO) e presidente da Associação Coreana de Críticos e Pesquisadores de Dança.

    Lee Jong-Ho vai mostrar o panorama da dança na Coreia do Sul e do festival SIDance, com possibilidade de colaboração com artistas e organizações brasileiras.

    Dois dias depois, também às 11h30, a apresentação será do diretor artístico do TROIS C-L | Maison pour la danse, Bernard Baumgarten, de Luxemburgo.

    O festival faz parte do projeto Ciudades Que Danzan, que inclui 41 cidades em diversas partes do mundo para difundir a dança contemporânea.

     


    Rio de Janeiro - 03/08/2026 -  Rio terá festival de dança com participação internacional. Foto Divulgação/
    Rio de Janeiro - 03/08/2026 -  Rio terá festival de dança com participação internacional. Foto Divulgação/
    Companhia Cisne Negro participa do Festival Dança em Trânsito Foto: Divulgação/Reginaldo Azevedo

    Para Giselle Tápias, também diretora artística e curadora do Dança em Trânsito, esta edição reafirma uma característica que sempre esteve na essência do festival, que é promover o encontro entre artistas, culturas e diferentes formas de criação.

    “Receber companhias da Coreia do Sul, França, Itália e Luxemburgo, fortalece o intercâmbio internacional e cria oportunidades que vão muito além das apresentações”, disse à Agência Brasil.

    Dança em Trânsito

    O festival internacional Dança em Trânsito foi criado em 2002, para promover e democratizar a dança por meio de um intercâmbio entre artistas e companhias do Brasil e do exterior, percorrendo desde as grandes cidades até pequenas localidades no interior do Brasil, em teatros ou espaços públicos.

    As atividades vão desde residências artísticas, com oficinas de criação e workshops, até a abertura de canais para novos talentos da dança, incentivando ainda a formação de público para o interesse pelas artes e pela dança. Isso, segundo Giselle, proporciona uma convivência entre artistas brasileiros e estrangeiros, permitindo a troca de metodologias, processos criativos e experiências.

    “É nesse contato direto que surgem novas referências, parcerias e possibilidades de criação conjunta, enriquecendo todos os envolvidos. Para as companhias brasileiras, esse intercâmbio representa uma oportunidade concreta de ampliar sua inserção internacional”, pontuou Giselle.

    A diretora acrescentou que, com a vinda de programadores, diretores de festivais e artistas de outros países, o Dança em Trânsito cria um ambiente favorável para futuras coproduções, convites para circulação internacional e participações em festivais no exterior, ao mesmo tempo em que mostra a qualidade e a diversidade da dança produzida no Brasil.

    “O Dança em Trânsito acredita que a cultura se fortalece por meio das conexões. Ao aproximar diferentes países e promover este diálogo artístico, o festival contribui para internacionalização da dança brasileira e para a construção de uma rede de colaboração que beneficia artistas, instituições e o público”, concluiu Giselle.

    Conforme os organizadores, desde que foi criado, o Dança em Trânsito já realizou mais de 1.290 apresentações, com cerca de 150 companhias de 22 países e de mais de 43 cidades das cinco regiões do Brasil e do exterior. Neste período, o público ultrapassou 100 mil pessoas.

    Durante a pandemia, em 2020, a saída foi fazer uma versão online, que recebeu indicação ao Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), na categoria Difusão. Em 2021, houve a primeira edição híbrida, da qual participaram 25 cidades.

    A 24º edição do Dança em Trânsito é apresentada pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e conta com patrocínio da Volkswagen Caminhões e Ônibus e Engie Brasil Energia.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Projeto seleciona quatro territórios para rede nacional de afroturismo

    Projeto seleciona quatro territórios para rede nacional de afroturismo

    Estão abertas as inscrições para o edital do projeto Rede Memória Viva, que vai selecionar quatro territórios para integrar uma rede nacional voltada ao fortalecimento da memória e da cultura afro-brasileiras. As inscrições vão até o dia 03 de outubro.

    Todas as informações do edital estão disponíveis no site oficial da iniciativa, bem como o link para a inscrição. Os territórios selecionados serão divulgados no dia 22 de outubro. 

    O objetivo do projeto é identificar territórios que contribuem para a preservação da memória afro-brasileira e ajudá-los a obter mais reconhecimento e visibilidade, por meio do afroturismo. Esse termo designa o turismo feito em locais ligados à ancestralidade africana e à cultura negra.  

    Os quatro territórios selecionados vão participar de um processo institucional com acesso a formações, desenvolvimento de projetos, e estratégias voltadas ao turismo de base comunitária, à economia da cultura e ao reforço de suas iniciativas locais.

    Rede Memória Viva

    O projeto integra as ações do Consórcio Viva Pequena África, formado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), pela Diáspora.Black e pela Feira Preta. 

    A iniciativa também está fazendo um mapeamento nacional de experiências que preservam a herança africana no Brasil, incluindo quilombos, comunidades tradicionais, museus comunitários, centros culturais, organizações da sociedade civil e outros espaços. 

    O mapeamento vai contribuir para ampliar a visibilidade de iniciativas que desempenham um papel essencial na preservação da história e da cultura afro-brasileiras.

    *Estagiária sob supervisão da jornalista Tâmara Freire.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original