Tag: Rio de Janeiro

  • Encontro sobre futuro profissional deve reunir 15 mil jovens no Rio

    Encontro sobre futuro profissional deve reunir 15 mil jovens no Rio

    O Rio de Janeiro recebe, a partir desta segunda-feira (14), o encontro Planos pro Futuro, que busca aproximar os jovens de novas referências e caminhos para a formação e o futuro profissional.

    A expectativa dos organizadores é receber cerca de 15 mil estudantes na Cidade das Artes, na zona oeste da cidade, até a quarta-feira (16), último dia do evento.
     
    O encontro, que é gratuito, terá 200 painéis em nove palcos simultâneos, onde serão discutidas as experiências e possibilidades em diversas carreiras, com profissionais de mercado, especialistas e professores universitários.
     
    “Serão palestras com grandes referências do mercado, acadêmicos, que vão orientar os alunos sobre as diversas profissões”, afirma Dani Flomin, um dos idealizadores do encontro.
     
    Universidades do Rio de Janeiro também estarão presentes no encontro, apresentando cursos e possibilidades de bolsas em diversas áreas. Haverá ainda atividades práticas, oficinas e conversas com mentores e profissionais, que permitirão aos jovens contato mais próximo com diferentes áreas de atuação.

    “O evento é voltado para alunos, principalmente de ensino médio. Cada aluno traça ali a trilha que faz mais sentido para ele, dependendo dos seus gostos, do que ele considera para a vida dele”, explica Flomin.

    Também estão previstos eventos culturais, como apresentações de música e de dança, especialmente de grupos oriundos das periferias e de projetos sociais. Ao fim de cada dia, haverá um show de encerramento: Syon Trio, no dia 14; PK, no dia 15; e Tilia, no dia 16.
     
    O encontro Planos pro Futuro, apoiado pelo Ministério da Cultura, ocorrerá na Cidade das Artes (Avenida das Américas, 5.300, Barra da Tijuca), das 9h às 17h.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Enem 2026: candidatos terão transporte gratuito no Rio

    Enem 2026: candidatos terão transporte gratuito no Rio

    Os candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Rio de Janeiro terão passagem gratuita no transporte público nos dois dias de prova em novembro.

    A expectativa é que o benefício atenda a 150 mil estudantes de escolas públicas e particulares. 

    A tarifa zero nas passagens nos dias 8 e 15 de novembro vai funcionar a partir do cadastro do JaÉ, sistema de bilhetagem dos transportes da capital fluminense.

    Ouça mais detalhes na Radioagência Nacional:

    Os estudantes que ainda não têm a gratuidade no JaÉ precisam fazer o cadastro para vincular o CPF no aplicativo.

    Após o procedimento, a prefeitura do Rio de Janeiro vai liberar crédito de R$ 10 para cada domingo de prova, com direito à integração modal, ida e volta.

    Investimento

    A estimativa é que R$ 3 milhões sejam investidos no projeto, segundo a Secretaria Municipal de Transportes.

    No estado do Rio, 16 dos 92 municípios já implantaram tarifa zero universal.
     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • MPRJ denuncia cinco pessoas por morte de ciclista em Copacabana

    MPRJ denuncia cinco pessoas por morte de ciclista em Copacabana

    O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou cinco pessoas pela morte de Claudio Rafael Landeiro Moreira, no Rio de Janeiro, em 12 de agosto. O ciclista foi espancado até a morte depois de ser sido acusado injustamente de furtar uma bicicleta, no bairro de Copacabana, na zona sul da cidade.

    O veículo que estava com ele seria da própria irmã. Segundo a denúncia, Davi Santos Machado, Jorge Luiz Ricardo Dias, Felipe Eduardo dos Santos Silva, Ailton José da Silva e Wellington Luiz Santos de Souza agrediram a vítima, com pauladas, socos e chutes.

    Eles foram denunciados por homicídio qualificado por motivo fútil, emprego de meio cruel e dificultação de defesa da vítima.

    Quatro dos cinco acusados já estão presos. Apenas Wellington Luiz Santos de Souza é considerado foragido, de acordo com o MPRJ.

    A Polícia Civil chegou a indiciar 13 pessoas por participação no crime. As outras oito pessoas foram qualificadas por condutas de menor potencial ofensivo, como omissão de socorro, lesão e exercício irregular da profissão de segurança. Esses casos serão analisados em outros procedimentos, segundo o MPRJ.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • PMs são denunciados por cobrar policiamento privilegiado no Rio

    PMs são denunciados por cobrar policiamento privilegiado no Rio

    Três policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por corrupção passiva militar. Segundo o MPRJ, eles cobravam dinheiro de comerciantes e empresas para oferecer a eles um serviço de policiamento diferenciado em Belford Roxo, na Baixada Fluminense.

    Nesta quinta-feira, o MPRJ cumpriu mandado de prisão preventiva contra os três acusados, dos quais dois já estavam presos em razão de outro processo. O terceiro foi preso em casa, em Nova Iguaçu, também na Baixada.

    De acordo com o MPRJ, em troca dos pagamentos feitos pelos empresários, os policiais priorizavam esses locais nas rotas de patrulhamento e compareciam quando acionados, usando a estrutura da Polícia Militar para atender a interesses privados.

    Uma das empresas que se beneficiavam do esquema era uma clínica, que pagava R$ 50 pelo policiamento diferenciado. Os fatos ocorreram entre setembro e outubro de 2021, quando os três integravam o Batalhão de Belford Roxo. A denúncia foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.

    A ação desta quinta-feira é parte de uma investigação do MPRJ, iniciada em maio de 2024, que apurou práticas criminosas cometidas por integrantes do Batalhão de Belford Roxo.

    Em agosto de 2025, dez policiais foram presos acusados de extorquir comerciantes. Em maio deste ano, 11 foram denunciados por receber propina em troca de fornecer segurança a estabelecimentos durante o horário de expediente. Em junho, quatro foram denunciados por peculato e pela venda de uma pistola apreendida durante ocorrência policial.

    Segundo o MPRJ, a investigação conta com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Secretaria Estadual de Polícia Penal.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Educação é prioridade para moradores de favelas do Rio nas eleições

    Educação é prioridade para moradores de favelas do Rio nas eleições

    No estado do Rio de Janeiro, 12,8 milhões de eleitores estão aptos a ir às urnas em outubro. Desses, 2,1 milhões vivem em uma das 1.724 favelas fluminenses, segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que essas áreas, apesar de antigas, ainda enfrentam maiores dificuldades de urbanização e de acesso a serviços e políticas públicas, o que evidencia a desigualdade na presença do Estado nesses territórios.

    Na cidade do Rio, por exemplo, 1,3 milhão de pessoas moram em uma das 813 favelas, áreas com menos casas ligadas à rede de esgoto e água e menor cobertura da coleta de lixo, embora não sejam regiões homogêneas, como explica a professora de serviço social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eblin Farage. Uma das principais estudiosas do tema, ela coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares (NEPFE).

    Com a proximidade da troca de governantes, moradores de favela cariocas revelam à Agência Brasil demandas prioritárias para as comunidades, como melhorias na mobilidade, educação, cultura, lazer, saúde e participação social. A segurança, uma preocupação na visão deles, reflete a ausência de ações nessas áreas, embora a violência e as operações policiais sejam um problema permanente.

    Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, é moradora do Complexo do Alemão, na zona norte. Envolvida em uma série de iniciativas comunitárias, como os coletivos Criar, de jovens, e o Mulheres em Ação, ela irá às urnas pela primeira vez em outubro.
     


    Rio de Janeiro (RJ), 31/08/2026 – A ativista e pesquisadora Letícia Vitória Silva Guimarães posa para fotografia no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 31/08/2026 – A ativista e pesquisadora Letícia Vitória Silva Guimarães posa para fotografia no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    A ativista e pesquisadora Letícia Vitória Guimarães é moradora do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Para escolher em quem votar, a jovem revela que considera perfis “envolvidos com as pautas negras, com os direitos humanos e com a população”. Na visão dela, o candidato ou candidata também precisa saber dialogar.

    “Muitas vezes, [governantes] chegam com respostas prontas, sem saber o que queremos, como achamos melhor, então, precisa [ser alguém] disposto a ouvir”, frisou Letícia, que integra ainda o Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, além de ser bolsista de um programa para jovens talentos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

    A jovem também elenca como prioridade propostas para mobilidade. O acesso à cidade, frisa, é um desafio para moradores de áreas periféricas. “Hoje você não tem um ônibus que saia do Alemão ou de qualquer favela [da zona norte] para zona sul. Eu sou jovem, ir à praia é uma demanda real, de direito ao lazer”, disse, afirmando que a falta de linhas de ônibus também dificulta o acesso a empregos.

    Trabalho

    Programas como o Jovem Aprendiz não cobrem os custos com viagens de dois, até três ônibus, e a alimentação de quem passa o dia fora, afirma. “Os valores [de repasse] são baixos, hoje, R$ 20 não pagam nem uma quentinha”, criticou Letícia, sobre a política que busca inserir jovens de 14 a 24 anos no mercado de trabalho.

    Da maior favela do Brasil, a Rocinha, com 72 mil habitantes, a jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, de 26 anos, se preocupa com a ausência de oportunidades profissionais. Ela gostaria de trabalhar na área, mas não encontra vagas. Formada há dois anos na PUC-RIO, ela já trabalhou no portal de notícias da Rocinha, o Fala Roça, mas agora atua como agente cultural, em um bairro próximo.

    Segundo a jovem, os moradores de favelas também estão de olho nas propostas para emprego e renda, sendo o fim da escala 6×1 uma prioridade.

    “É muito difícil conciliar trabalho, família e estudo com essa rotina, principalmente, por causa dos grandes deslocamentos, caso das pessoas que moram em favelas”, analisou. O regime de trabalho, avalia, também retira da juventude tempo de qualificação e de lazer.


    Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2026 - A jornalista Isabelle Trindade fala sobre a proposta dos candidatos para as periferias do Rio de Janeiro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2026 - A jornalista Isabelle Trindade fala sobre a proposta dos candidatos para as periferias do Rio de Janeiro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    A jornalista Isabelle Trindade fala sobre as propostas dos candidatos para as periferias do Rio de Janeiro – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Educação

    A oferta de mais cursos técnicos e profissionalizantes, além de projetos esportivos, vai definir o voto de João*, um jovem de 26 anos que vive de bicos, é pai de duas meninas e mora em uma grande favela da zona norte. “Aqui, o curso começa, a gente até inicia, mas acaba antes de a gente concluir “, criticou, ao falar sobre iniciativas encerradas antes de formarem as turmas. “Eu ainda queria estudar, mesmo sendo difícil [trabalhar e estudar]. Falar um português melhor e ter uma vida melhor”, pontuou.

    O jovem também cobra propostas para as crianças com deficiência e autismo e cita a necessidade de creches preparadas com mais mediadores nas salas. “Muitas famílias passam por dificuldade diárias, dentro da favela, onde as condições de vida já são mais precárias, mas que não encontram respostas do Poder Público.”
     


    Rio de Janeiro (RJ), 27/08/2026 – Retrato da educadora popular e estudante universitária de História Sara Sant'anna, na Uerj. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 27/08/2026 – Retrato da educadora popular e estudante universitária de História Sara Sant'anna, na Uerj. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Desigualdades na cidade do Rio preocupam a educadora popular e estudante de história na Uerj Sara Sant’anna – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Estudante de história na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Sara Sant’anna, de 24 anos, também está preocupada com as desigualdades na cidade. Cria da Favela do Rodo, na zona oeste, ela cobra a instalação de centros culturais na região, além de polos de educação superior.

    “Campo Grande é um dos maiores bairros do Brasil e a oferta de cursos superiores públicos aqui é limitada. A faculdade mais perto é longe, em Seropédica, a uma hora”, disse a educadora. Sara é também diretora da Casa Frutos, dedicada a cursinhos de pré-vestibular na Cidade de Deus, comunidade da zona oeste imortalizada no filme homônimo de Fernando Meirelles e Kátia Lund.

    Enfrentamento ao racismo e saúde

    Outra preocupação de moradores de favela é com ações que enfrentem o racismo. Na cidade do Rio, segundo o IBGE, a maior parte de moradores das favelas cariocas é formada por negros, sendo 21% pessoas pretas e 49%, pardas. Os brancos, maioria em outras áreas da cidade, são um em cada três moradores das comunidades.

    No Morro da Providência, uma das primeiras favelas do país, projetos sociais da organização Galeria Providência evidenciam como o racismo se tornou uma barreira na conquista de melhores condições de vida, a começar pela saúde, uma prioridade local.

    “Um debate que avança, em meio a uma população afetada pelo baixo nível educacional e pelas fake news [que confundem e desinformam], é o da saúde”, contou o pesquisador e fundador da organização, Hugo Oliveira. “Quando colocamos em dúvida um atendimento ruim no hospital, por exemplo, de violência obstétrica contra mulheres negras, o território consegue ter uma dimensão do problema”, avalia.
     


    Pesquisador e gestor cultural Hugo Oliveira, Dr. em Comunicação, cria do Morro da Providência. Foto: Hugo Oliveira/Arquivo Pessoal
    Pesquisador e gestor cultural Hugo Oliveira, Dr. em Comunicação, cria do Morro da Providência. Foto: Hugo Oliveira/Arquivo Pessoal
    Pesquisador e gestor cultural Hugo Oliveira defende maior articulação entre moradores da favela e Poder Público – Foto: Hugo Oliveira/Arquivo Pessoal

    O gestor cultural usa outros exemplos para puxar o diálogo sobre racismo nas favelas: as abordagens policiais, que se traduzem mais em violência contra jovens negros do que brancos, e o racismo ambiental, que se reflete no acesso a moradias mais precárias ou vulneráveis a eventos climáticos extremos que em outras áreas da cidade.

    “Esses assuntos vêm sendo colocados de forma superficial nas campanhas”, analisou o gestor. “Mas são vitais, mexem com toda a estrutura, se eu moro em um espaço saudável, isso é um fator de saúde física, emocional e até espiritual”, avaliou o doutor em comunicação pela UFRJ.

    Para Oliveira, as eleições são um momento de olhar para lideranças locais, comprometidas com os territórios. “A tua cabeça pensa onde o teu pé pisa. Ninguém sabe melhor dos nossos territórios do que nós mesmos”, afirmou.

    “Hoje a favela tem intelectuais, orgânicos ou acadêmicos, que produzem saberes, conhecimento, e é preciso promover a articulação entre eles o Poder Público, principalmente, o Executivo”, recomendou, sobre o governo do estado.

    Segurança

    Em época de eleições, as favelas são disputadas por diferentes grupos políticos, no Rio de Janeiro. Mas nem todos candidatos conseguem se apresentar aos moradores. É preciso negociar com criminosos para fazer campanhas no local, e as eleições esbarram em um problema permanente, a presença do crime organizado.

    Nascido na Cidade de Deus, Bruno Rafael Castilho Alves, de 46 anos, se mudou recentemente para o centro da capital fluminense. Além da proximidade com o emprego, ele cita a violência como um fator determinante, embora continue frequentando a comunidade, onde mantém, há cerca de 20 anos, um projeto social de aulas de muay thai. Nele, usa o hip-hop para conscientizar os alunos mais jovens.

    Na visão de Bruno, muitos candidatos não estão preocupados em atender às demandas de educação, saúde ou esporte nas áreas periféricas, que seriam “medidas eficientes” para enfrentar a criminalidade. Ao contrário, ele aponta para discursos que exaltam a morte e o confronto.

    “Vemos muito candidato falar em ‘dar tiro na cabecinha do jovem’, mas a população, principalmente periférica, não apoia”, criticou.


    Rio de Janeiro (RJ), 08/09/2026 - O produtor cultural Bruno Rafael fala sobre as propostas dos candidatos nas eleições de 2026. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 08/09/2026 - O produtor cultural Bruno Rafael fala sobre as propostas dos candidatos nas eleições de 2026. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    O produtor cultural Bruno Rafael critica discursos de candidatos que exaltam o confronto como forma de combater a criminalidade – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Para o educador e os demais entrevistados, políticas públicas para a juventude aliadas ao enfrentamento da atuação financeira do crime deveriam ser prioridade.

    “A população demanda combate de forma inteligente, sem ceifar a vida de ninguém”, acrescentou Sara, da Favela do Rodo. Ela acrescentou que, nestas eleições, muitas propostas das campanhas estão centradas em aumento de policiamento, de encarceramento e redução da idade penal, o que preocupa, diante dos relatos de abuso e violência policial. “Eu, infelizmente, já tive a casa arrombada várias vezes e vi policiais apontarem uma arma para a cabeça do meu pai”, contou a estudante.

    No Rio de Janeiro, especificamente, organizações e movimentos sociais foram ao Supremo Tribunal Federal solicitar que operações em favelas tenham mais planejamento e sejam realizadas com menos impacto nas comunidades. Em geral, escolas e serviços públicos fecham por causa dos tiros disparados durante os confrontos.

    Portanto, para os jovens, a segurança passa por melhorias na qualidade de vida de quem vive nas favelas, imprensados entre a violência policial e o controle do crime organizado, que gere setores econômicos como internet, transporte, venda de água envasada e a própria segurança de moradores e comerciantes.

    “A periferia está cansada de incursão”, afirmou Bruno Rafael. “O medo de morar na comunidade é por causa das operações [policiais], da bala, que não é perdida, é achada em inocentes. Não tem como achar normal uma operação às 8h da manhã, com crianças indo para a escolas e gente indo trabalhar”, criticou. “A comunidade quer uma ocupação com responsabilidade, a bala mata pessoas como eu”, emendou.

    O morador de favela, avalia Bruno, apesar de diferente, em termos sociais e econômicos, busca propostas que vão desde urbanização a políticas de saúde, esporte, cultura e educação para seus filhos. “Isso que a gente quer”, listou.

    Levar em conta a especificidade de cada favela na cidade ou no estado do Rio deveria ser uma prioridade dos governos, avalia a professora Eblin Farage, que estuda a presença do Estado nesses espaços. “Há uma diversidade de cotidiano, de condição histórica e de sujeitos que não permite homogeneização”, explicou.

    Ela não se surpreende com a avaliação dos entrevistados, de colocar a segurança pública como uma proposta secundária para as favelas.

    “Não há, na história do Rio de Janeiro, uma política de segurança pública bem-sucedida, que seja referência para essas pessoas”, avaliou. “Para eles [moradores], a segurança são as operações, o caveirão, a violência armada e isso não interessa, não os protege.”

    Por outro lado, Eblin Farage analisa que os moradores têm referências de políticas habitacionais, de mobilidade urbana e educação recentes, das quais se lembram.

    Cada eleição, ponderou, é uma janela para pactuação de compromissos entre candidatos e comunidades. No entanto, diante das falhas dos governos em cumprir os combinados, Eblin Farage explica que os eleitores de favelas têm apostado mais na relação com o Legislativo, ou seja, em deputados estaduais, federais e senadores, com quem o diálogo e as relações tendem a ser mais próximos.

    Ela alerta, porém, para relações clientelistas, como o assédio de projetos sociais geridos e mantidos por políticos, em favelas, que ano a ano se apresentam como alternativa diante da ausência do Poder Público. Nesse tipo de atuação de organizações sociais, a pesquisadora vê fragmentação da mobilização por direitos.

    “[Durante as eleições], ONGs de políticos desempenham um papel nefasto, reeditam o clientelismo, o curral eleitoral, promovem a extrema direita, fomentam relação nebulosa com grupos armados locais, sobretudo, a milícia, e não contribuem para a formação dos sujeitos, a defesa dos direitos humanos.”

    Contribuir para organizar e mobilizar moradores na defesa de políticas públicas, inclusive em época de eleições, politizando o cotidiano da favela e o senso comum deveria ser o principal papel dessas organizações nos territórios, concluiu Eblin Farage.

    *Nome fictício a pedido do entrevistado.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rio recebe base da Força Nacional do SUS para enfrentar El Niño

    Rio recebe base da Força Nacional do SUS para enfrentar El Niño

    Para reforçar o atendimento em saúde durante emergências sanitárias e desastres causados por mudanças climáticas, como ondas de calor e enchentes, o Ministério da Saúde instalou nesta quarta-feira (9), uma base na cidade do Rio de Janeiro. A unidade tem capacidade de cobrir estados e municípios da Região Sudeste do país.

    Vinculada à Força Nacional do Sistema Único de Saúde (FN-SUS), a base contará com equipamentos de comunicação via satélite, drones, veículos e suporte para deslocamento de equipes, além de um posto médico avançado, instalados na sede da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na Gloria, zona sul. Nas emergências, a capacidade de atendimento pode ser ampliada, com adesão de equipes e voluntários, junto com estados e municípios.

    A intenção do ministério é reduzir o tempo de resposta em emergências e articular ações entre o poder público, principalmente, diante do El Niño. O fenômeno climático que se aproxima deve provocar temporais, chuvas intensas e ondas de calor no Sudeste, já foram confirmados em projeções para 2026. Em outras regiões, a expectativa é de seca, incêndios e inundações, que podem sobrecarregar uma resposta de saúde local.

    “Agora, com a base do Rio de Janeiro, conseguimos chegar em até 12 horas em qualquer localidade da Região Sudeste”, explicou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em nota enviada à imprensa, durante a inauguração da base.

    A unidade da Força Nacional do SUS, no Rio, é a terceira do tipo em todo o país. Duas já funcionam em Porto Alegre (RS) e Salvador (BA). Até o fim do ano, a intenção do ministério é inaugurar mais seis pontos em diferentes regiões do país.

    As unidades funcionam integradas ao Centros de Informação em Saúde e Clima (Cisc), que coletam e reúnem dados sobre meio ambiente, clima e demografia, com a intenção de antecipar e planejar o trabalho de vigilância em saúde, prevenção de doenças e respostas na área de saúde, diante dos graves impactos de eventos extremos.

    O Brasil contabiliza a morte de 120 mil pessoas, em 20 anos, por inação em ondas de calor, segundo pesquisa da Fiocruz, divulgada em junho.

    As principais vítimas são idosos, mulheres e crianças. Ao divulgar os resultados da pesquisa, a Fiocruz recomendou a ativação pelo SUS, de sistemas de monitoramento e de alerta antecipados, que oferecessem orientação e atendimento à população.

    A medida foi reforçada, logo depois, em nota técnica da Fiocruz sobre a chegada do El Niño.

    “Enchentes, secas e queimadas produzem tanto efeitos imediatos quanto prolongados, desorganizam serviços, deslocam populações, ampliam exposição a agentes infecciosos e ambientais, interrompem tratamentos e agravam o sofrimento mental”, diz a nota técnica.

    A resposta deve incluir agenda preventiva do SUS, da Defesa Civil, dos serviços de saneamento e de assistência social, segundo o texto.

    A instalação da base atende a recomendações de pesquisa sobre a vulnerabilidade de cidades a ondas de calor, da Universidade Oxford, no Reino Unido. No Brasil, 11 dos 15 municípios com mais de 1 milhão de habitantes foram considerados vulneráveis ao problema. Goiânia e Manaus lideram o ranking, mas o Rio de Janeiro também está na lista.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Novo computador quântico educacional passa a ser usado no Senai

    Novo computador quântico educacional passa a ser usado no Senai

    Um novo computador quântico educacional começou a formar estudantes, pesquisadores e professores para essa nova era da tecnologia. O Triangulum II, da empresa chinesa SpinQ, desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia Dobslit, está instalado no DigiTech, Centro de Referência em Tecnologia da Informação e Comunicação da Firjan Senai. O equipamento é um dos três computadores quânticos educacionais existentes no Brasil e o mais moderno do país.

    O avanço da computação quântica abre perspectivas importantes para setores estratégicos da economia como óleo e gás, energia, telecomunicações, logística, serviços financeiros e tecnologia.

    Para o sistema Firjan-Senai, a tecnologia interessa à indústria porque pode, no futuro, contribuir para resolver problemas que se tornam difíceis de processar à medida que aumenta o número de variáveis envolvidas.

    Isso não significa, necessariamente, que computadores quânticos serão mais rápidos que os convencionais em toda e qualquer tarefa. São máquinas projetadas para trabalhar de outra maneira e com determinados tipos de problemas.

    Computadores tradicionais trabalham com bits, que representam 0 ou 1. Já os computadores quânticos usam qubits, que podem representar 0, 1 e mais combinações desses dois estados ao mesmo tempo. Essa característica, associada a outros fenômenos da física quântica, permite explorar determinadas possibilidades de cálculo de uma forma diferente da computação convencional.

    Para Firjan-Senai, a questão para a indústria não é substituir os computadores atuais, mas entender em quais problemas a computação quântica poderá oferecer vantagens e como transformar esse potencial em aplicações reais.

    O presidente da Firjan, Luiz Cesio Caetano, destaca que o computador quântico tem a capacidade de explorar várias alternativas simultaneamente com mais chances de encontrar soluções de forma mais rápida.

    “Abre perspectivas para aplicações futuras em diversas áreas, como logística, finanças, farmacêutica, bem como em soberania e segurança nacional”, disse.

    Caetano acrescenta que a computação quântica está em estágio inicial de adoção, mas em todo o planeta já se vê uma disputa pela formação de profissionais capazes de trabalhar com mais essa tecnologia.

    “A Firjan-Senai pretende construir uma base de profissionais preparados para atuar em um mercado que está ganhando escala global. O computador será utilizado na formação de estudantes, pesquisadores e profissionais em requalificação”, disse o presidente.

    Empresas interessadas em capacitar seus profissionais podem procurar o DigiTech para essa formação.

    O gerente de operações do Digitech, Maurício Bonabitacola de Almeida, ressalta que se não se começar a treinar os alunos em computação quântica agora, provavelmente no futuro não haverá profissionais. “O gap da informática hoje continua sendo alto, e essas novas tecnologias exigem cada vez mais pessoas treinadas”, disse.

    O instrutor de cursos especiais do Digitech, Vagner da Costa Lima, exemplifica as vantagens para a indústria farmacêutica.

    “Se eu tiver uma molécula que demora muito em um computador clássico, no computador quântico simulo muito mais rápido de processamento e com isso aceleram-se os testes para produzir uma vacina ou um medicamento”, explicou.

    A empresa de petróleo e tecnologia Technip enviou alguns profissionais para capacitação com o computador quântico na parte logística. “A gente aprendeu sobre a tomada de decisão da máquina, que ela faz tudo muito rápido. Tem que dar as especificações direitinho para ter as respostas concretas. É uma máquina potente”, disse Maria Eduarda Brigida Rolim, da Technip.

    Veja mais detalhes no Repórter Brasil da TV Brasil:

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • PF mira grupo suspeito de desviar encomendas postais

    PF mira grupo suspeito de desviar encomendas postais

    A Polícia Federal (PF) cumpre três mandados de prisão preventiva nesta quarta-feira (9), contra suspeitos de furtar encomendas enviadas pelos correios, por meio do uso de documentos falsificados. Também estão sendo cumpridos oito mandados de busca e apreensão.

    Os policiais cumprem os mandados na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro e no município de São Vicente, em São Paulo.

    As investigações começaram em 2024, depois que uma mulher foi presa em flagrante enquanto retirava uma encomenda postal usando documentos falsos da verdadeira destinatária.

    Segundo a PF, o esquema é parte de uma estrutura criminosa que monitora objetos de alto valor econômico, confecciona os documentos falsos e faz retiradas fraudulentas em diversas unidades dos Correios, nos estados do Rio e de São Paulo.

    Pelo menos 24 ações criminosas foram monitoradas pela PF, entre elas retiradas tentadas e consumadas, desses objetos postais.

    Os investigados poderão responder pelos crimes de furto qualificado mediante fraude e organização criminosa, sem prejuízo da apuração de outros delitos eventualmente identificados no decorrer das diligências.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • PF faz ação contra apologia ao nazismo no interior do Rio de Janeiro

    PF faz ação contra apologia ao nazismo no interior do Rio de Janeiro

    Policiais federais fizeram, nesta quarta-feira (9), uma ação contra suspeitos da prática do crime de apologia ao nazismo, em Valença, no sul do estado do Rio de Janeiro.

    Foram expedidos dois mandados de busca e apreensão pela Justiça Federal.

    Segundo a Polícia Federal (PF), a investigação começou a partir da análise de um perfil na rede social X (antigo Twitter), que publicava reiteradamente conteúdos de caráter nazista.

    Durante as buscas, foram apreendidos um computador e um celular que serão submetidos à perícia técnica criminal.

    A PF ressalta que a divulgação de conteúdo de apologia ao nazismo é conduta prevista na Lei nº 7.716/1989 (Lei que define os crimes resultantes de preconceito de cor e raça).

    As penas variam de dois a cinco anos de prisão se a internet for usada para este tipo de conteúdo.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Fluminense bate Platense e abre vantagem nas quartas da Libertadores

    Fluminense bate Platense e abre vantagem nas quartas da Libertadores

    O Fluminense abriu vantagem contra o Platense pelas quartas de final da Libertadores. Nesta terça-feira (8), o Tricolor carioca venceu os argentinos por 2 a 0 no Maracanã, no primeiro jogo do confronto por um lugar nas semifinais.

    Este foi o duelo de número 100 da história do time carioca na maior competição interclubes do continente. O retrospecto atualizado é 52 vitórias, 24 empates e 24 derrotas, com 147 gols marcados e 99 sofridos. O volante Martinelli, com 37 jogos, e o goleiro Fábio, com 36, são os atletas que mais defenderam a equipe no torneio.

    Com o triunfo no Rio de Janeiro, o Fluminense se classifica às semifinais mesmo se perder por um gol de diferença na partida de volta, na terça-feira que vem (15), às 19h (horário de Brasília), no Coliseo de Victoria, em Vicente López, região metropolitana de Buenos Aires. O Platense tem de ganhar por três ou mais gols de saldo para avançar. Se o placar agregado terminar empatado, a decisão da vaga será nos pênaltis.

    Em um jogo bastante truncado, o Tricolor se sobressaiu pela eficiência no primeiro tempo. Aos 20 minutos, o meia Paulo Henrique Ganso desarmou Gastón Togni na defesa e deixou a bola com o também atacante Hulk. O camisa 7 lançou o volante Nonato, que teve liberdade para invadir a área e finalizar rasteiro na saída do goleiro Juan Cozzani.

    Nove minutos depois, Ganso foi acionado na intermediária e encontrou Hulk na área com um belo passe no meio de três defensores. O atacante teve tempo de escolher o canto direito de Cozzani e mandar para as redes.

    O Fluminense caiu de produção na etapa final, mas o Platense pouco fez para aproveitar. O Tricolor ainda teve uma grande chance para ampliar aos 45 minutos, com Germán Cano, que recebeu do volante Hércules nas costas da marcação argentina. O atacante, sozinho, tentou a finalização, mas sentiu o posterior da coxa e o chute saiu fraco, para lamento do torcedor, que espera que o gol perdido não faça falta.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original