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  • Cais do Valongo, no Rio, terá museu em prédio histórico do Império

    Cais do Valongo, no Rio, terá museu em prédio histórico do Império

    Um cortejo do Afoxé Filhos de Gandhi iniciou, nesta terça-feira (18), a cerimônia de entrega de uma construção histórica do tempo do Império, para que seja transformado em um museu do Cais do Valongo, berço da presença africana no Brasil.

    O enorme galpão, chamado Edifício Docas André Rebouças, fica imediatamente em frente ao sítio arqueológico do Cais do Valongo, na região portuária do Rio de Janeiro. Apenas uma rua separa os dois.

    Descoberto em 2011, durante obras de revitalização da região, o Cais do Valongo foi construído em 1811 e reúne vestígios da chegada de cerca de 1 milhão de africanos escravizados que desembarcaram nas Américas. 

    Atualmente, o sítio arqueológico é um espaço de visitação a céu aberto, com apenas algumas placas informativas. O visitante precisa suportar o sol ou a chuva para conhecer a escavação.

    Acolhimento

    O presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Deyvesson Gusmão, considera que o novo centro será uma forma de acolhimento aos visitantes.

    “É importante que essa narrativa sobre o sítio arqueológico e a importância dele para o Brasil e para o mundo seja contada também dentro desse prédio”, diz.

    A transformação do antigo prédio das Docas em um centro de referência é uma forma de acolher os visitantes, que terão ali acesso ao acervo de cerca de um milhão de itens encontrados no Valongo e áreas vizinhas da zona portuária, uma região que, justamente, por lembrar a chegada de africanos ao Brasil, recebe o nome de Pequena África. 

    O Cais do Valongo é patrimônio cultural da Humanidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Uma Lei Federal reconhece o sítio arqueológico como patrimônio histórico e cultural afro-brasileiro.

    A obra para transformar a construção imperial em Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo está orçada em R$ 77 milhões e será executada com recursos do orçamento da União. A previsão é as obras de adaptação durarem três anos.

    Engenheiro negro e abolicionista

    Também funcionarão no endereço histórico o Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana e o Memorial André Rebouças, engenheiro que dá nome ao prédio.

    O então Armazém Dom Pedro II só ganhou o nome de Rebouças, responsável pelo projeto de construção, em 2025. O baiano foi o primeiro engenheiro negro do país e um dos grandes nomes do movimento abolicionista. O prédio da época do Império foi construído em 1871 e não contou com mão de obra escravizada.

    Acervo e reparação

    De acordo com o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Santos Rodrigues, o acervo que será abrigado pelo novo centro deve ter mais de 1 milhão de peças.

    “Vai ser ao longo de 20 anos, 30 anos, que vai se dizer o que tem. Vamos precisar de equipe de todo o mundo pesquisando, identificando, trazendo à tona”, disse o representante do órgão ligado ao Ministério da Cultura.

    Alguns itens já foram identificados, como anéis, cachimbos, peças de vestuário e iscas de pesca, e estavam expostas em outros museus.

    A ministra da Cultura, Margareth Menezes, considera que o novo centro é uma reparação após séculos e escravidão.

    “Todo mundo, pretos, brancos e indígenas, precisa estar unido nesse processo, porque o Brasil só será um país com democracia cidadã quando essa justiça for feita. Essa justiça faz parte de uma série de ações: justiça social, acesso à saúde, à educação, à cultura”, declarou.

    Representantes da sociedade

    O Cais do Valongo conta com um comitê gestor que reúne integrantes das três esferas de governo e representantes da sociedade civil.

    Um dos integrantes é Nilson Moreira, que representa a Casa da Tia Ciata, uma organização não governamental que fica na Pequena África. Para ele, o espaço repaginado será um marco da região.

    “É muito importante para que a pessoa que ainda não conhece a história do Cais do Valongo tenha um resumo já na frente da escavação” defende.

    “Ela vai observar e ter muito mais conteúdo para que possa formar sua ideia. A gente está desenterrando histórias escondidas para que as pessoas conheçam a cultura negra como um todo”, descreveu o trineto de Tia Ciata (1854-1924), baiana que se tornou matriarca do samba carioca.

    Na visão dele, comitê gestor contribui para que imóveis da região não percam a própria essência.

    “No momento em que perde a essência, a região perde o significado. A luta do comitê gestor é para manter isso”, pontua.

    Pequena África

    A Pequena África já é considerada uma das regiões mais visitadas por turistas no Rio de Janeiro e concentra dezenas de quadras na região portuária, sendo um registro geográfico da chegada ao Brasil de africanos escravizados.

    Um passeio pelas ruas da Pequena África se transforma em uma aula sobre a influência negra na construção das identidades carioca e brasileira.

    Na região, além do Valongo, ficam pontos marcantes do legado africano na cidade e no país, como o Quilombo da Pedra do Sal, o Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (Muhcab) e o Cemitério dos Pretos Novos, onde eram enterrados escravizados que morriam após a entrada dos navios negreiros na Baía de Guanabara ou imediatamente depois do desembarque, antes mesmo de serem vendidos.

    Ao lado do futuro Centro de Interpretação da Herança Africana do Cais do Valongo, a prefeitura do Rio de Janeiro está construindo o Centro Cultural Rio-Áfricas, voltado à valorização da ancestralidade afro-diaspórica por meio de exposições, mostras, formação artística e atividades educativas.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Comércio com Sudeste Asiático deve superar EUA e Europa, diz ministro

    Comércio com Sudeste Asiático deve superar EUA e Europa, diz ministro

    Ao receber o representante da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), em Brasília, nesta terça-feira (18), o ministro das relações exteriores, Mauro Vieira, projetou que o comércio do Brasil com o Sudeste Asiático deve superar os negócios com os Estados Unidos (EUA) e com a União Europeia (UE) “num futuro próximo”.  

    O chanceler lembrou que o comércio brasileiro com a Asean, bloco que reúne 11 países asiáticos, aumentou 10 vezes entre 2003 a 2025, passando de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões.

    “Nesse ritmo, o intercâmbio comercial deverá ultrapassar aquele com parceiros tradicionais do Brasil, como os EUA ou a União Europeia, no futuro próximo. O Brasil já exporta mais para a Singapura do que para a Alemanha. Exporta mais para a Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia do que para a França”, disse.

    A fala ocorreu após reunião com secretário geral da Asean, o cambojano Kao Kim Hourn, em uma agenda para aprofundar as relações com o sudeste asiático. Entre os Estados membros da associação estão Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste e Camboja.

    O encontro do ministro Mauro Vieira com a Asean ocorre em meio ao recente tarifaço dos EUA contra parte das exportações brasileiras, em um contexto em que o Brasil tenta diversificar exportações para minimizar os impactos econômicos do tarifaço de Donald Trump. 

    Vieira manifestou ainda o interesse do Brasil se tornar um “parceiro de diálogo” da Asean, condição hoje restrita aos EUA, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália e Coréia do Sul.

    “Nossas regiões partilham o interesse em promover o desenvolvimento sustentável, ampliar os fluxos de comércio e investimentos e em fortalecer o Sul Global”, disse Vieira.

    Convite do Brasil

    O representante da Asean Kao Kim Hourn visita o Brasil a convite do governo brasileiro com agendas que vão de hoje até a próxima sexta-feira (21) e previsão de encontros com ministros de Estado, empresários e acadêmicos.

    Na reunião do Itamaraty, o secretário-geral Kao Kim Hourn destacou que espera estreitar as relações com o Brasil. 

    “A Asean atribui grande importância à parceria com o Brasil. Desenvolvemos uma das relações mais dinâmicas e sustentáveis ​​na América Latina”, disse o secretário-geral.

    Para Kao Kim, o Brasil e a Asean podem desenvolver parcerias na área econômica, via comércio e investimentos, assim como nas áreas de inovação, desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, agricultura, energia renovável e ação climática.

    “Ressalto ainda que a Asean e o Brasil compartilham um forte compromisso com o multilateralismo baseado em regras, o diálogo e a cooperação internacional. Esse é um ponto fundamental para que países desenvolvidos e emergentes enfrentem juntos seus desafios comuns”, completou o cambojano.

    Nos últimos 10 anos, os países da Asean duplicaram seus Produto Interno Brutos (PIBs), passando de US$ 2,5 bilhões para US$ 4,5 bilhões, considerando todos os Estados-membros. Juntos, eles somam mais de 700 milhões de habitantes. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Amazônia: indígenas catalogam espécies para proteger biodiversidade

    Amazônia: indígenas catalogam espécies para proteger biodiversidade

    Uma iniciativa que une saber ancestral indígena à ciência acadêmica desenvolve o inventário das espécies existentes da Terra Indígena (TI) Panará, na Amazônia. Quase 15 mil indivíduos da fauna e da flora regional já foram registrados em 500 mil hectares na divisa do Pará com Mato Grosso.

    O projeto é promovido pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações sociais. Faz parte de uma estratégia de conservação da biodiversidade na região pressionada pelo garimpo ilegal e outras atividades irregulares.

    Os pesquisadores indígenas e das universidades públicas trabalham juntos em trilhas pelo território para a coleta de imagens e de amostras de espécies e de água do Rio Rriri, afluente do Rio Xingu que atravessa a TI, e também para inclusão de dados no inventário.

    “Foi muito bom trabalhar junto com pesquisadores não indígenas. Um ensinou ao outro”, afirma o pesquisador Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia.

    Segundo a diretora do programa Povos Indígenas e Comunidades Locais da CI-Brasil, Renata Pinheiro, enquanto os acadêmicos trazem conhecimento tecnológico sobre as ferramentas de catalogação, os pesquisadores indígenas dominam o conhecimento sobre o território.

    “Os Panará sabem ler a floresta de um jeito que nenhum instrumento científico consegue substituir. Eles conhecem a alimentação de cada animal, como se movimenta, e esse conhecimento alimenta diretamente a ciência que construímos juntos”, destaca.

    Tecnologia

    Para a coleta de dados, os pesquisadores indígenas receberam capacitação sobre o uso de ferramentas como o GPS, o aplicativo de catalogação das espécies e a instalação de câmeras trap, ativadas por movimento ou pelo calor emitido por animais que se aproximam.

    Segundo a pesquisadora Pentê Panará, o trabalho foi além do conhecimento tecnológico. Também permitiu conhecer espécies difíceis de serem avistadas sem a ajuda das câmeras com sensores.

    “Quando as câmeras capturaram os bichos de pelo, a gente conseguiu identificar mais bichos do que a gente conhece. Depois disso, eu também fiquei muito feliz em conhecer essa parte da pesquisa com a tecnologia”, diz.

    Escolhida pelos integrantes da aldeia Panará Sõnkârãsãn, onde vive, Pentê considera importante a participação de mulheres na equipe que desenvolveu o estudo.

    “Toda vez que eu voltava do trabalho de pesquisa, as outras mulheres me perguntavam sobre o que estávamos fazendo e como era trabalhar com essa parte de tecnologia. Acho que outras mulheres Panará também gostariam de participar”, afirma.

    Descoberta

    Entre as plantas, animais e insetos de 602 espécies, 27 estão criticamente em perigo de extinção. E uma árvore está sendo analisada como uma possível descoberta para a ciência, embora já seja uma antiga conhecida do povo Panará.

    Chamada de Já pelos Panará, a árvore é um dos indivíduos marcados, que teve imagem e amostra coletadas em uma das expedições realizadas pelo grupo de pesquisadores.

    De acordo com Renata Pinheiro, a descoberta ainda não foi confirmada nem revisada por botânicos porque é recente, e a coleta das amostras ainda não está completa. “A gente ainda precisa conseguir coletar esse indivíduo novamente durante a estação da floração para conseguir fazer essa análise”, explica.

    Dados

    Segundo a diretora, o trabalho foi interrompido por falta de recursos para mais uma rodada de expedições, mas a expectativa é que o programa ainda seja retomado para que seja possível concluir o inventário.

    Para a pesquisadora indígena Pentê Panará, ainda há muito a ser revelado. “Durante essa pesquisa, toda vez que a gente andava na mata, a gente encontrava rastro de outros bichos. Dá até pra saber o caminho onde eles andam. Para mim ainda tem muitos mais.”

    Ao final do inventário, todo o resultado do programa será analisado pelos pesquisadores indígenas para a disponibilização aberta dos dados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr), que reúne os registros de ocorrência de espécies, coleções biológicas e conjuntos de dados científicos.

    “Tem todo um procedimento que precisa ser feito para os pesquisadores indígenas estarem nessa plataforma como detentores e autores desse conhecimento, e isso ficar registrado na plataforma. Assim, cada vez que uma outra instituição de pesquisa, por exemplo, precisar acessar essas informações, eles são procurados”, explica Renata Pinheiro.

    Como o trabalho de pesquisa foi feito em conjunto com pesquisadores de universidade que também desenvolvem trabalhos acadêmicos com base no programa, um protocolo para a liberação de publicações foi desenvolvido pela CI-Brasil.

    “Tudo que está sendo negociado para ser publicado, os pesquisadores não indígenas gravaram vídeos ou áudios explicando aos Panará a publicação, quais seriam os dados utilizados, qual o objetivo e o que vai ser tratado. Os pesquisadores Panará e a comunidade para que acrescentem a sua visão sobre o tema”, diz Renata.

    A partir dessa análise, a publicação é liberada para que os pesquisadores não indígenas levem o conhecimento à comunidade acadêmica.

    “A gente estabeleceu esse protocolo, e tudo que foi feito até agora vem ao encontro da tradição oral dos povos indígenas, para que todos tivessem esse cuidado de colocar essas informações na oralidade, num vídeo, para que os Panará conseguissem entender e reagir ao que estava sendo colocado ali”, conclui.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Instituto Natura Brasil analisa Ideb 2025 de escolas 100% integral

    Instituto Natura Brasil analisa Ideb 2025 de escolas 100% integral

    Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 mostram que entre as 100 escolas de ensino médio de menor nível socioeconômico com melhor desempenho, 77 funcionam em formato 100% integral.

    A análise inédita que cruza desempenho escolar do Ideb 2025 e o Indicador de Nível Socioeconômico (INSE) dos estudantes brasileiros foi feita pelo Instituto Sonho Grande e o Instituto Natura e mostra ainda que a escola de ensino médio de tempo integral tem performance superior em todos os níveis socioeconômicos.

    O levantamento mais detalhado revela o maior ganho do tempo integral chega principalmente aos estudantes mais vulneráveis: as 1.166 escolas 100% integrais com menor nível socioeconômico (níveis II e III) apresentam uma vantagem de 0,6 pontos no Ideb em relação às 1.713 escolas parciais do mesmo nível –um desempenho 15% maior.

    E quando comparado o ganho no Ideb com a jornada ampliada entre as escolas classificadas como níveis diferentes, nas mais vulneráveis o impacto é quase 70% superior ao registrado nas unidades de contextos menos vulneráveis.

    O Instituto Natura Brasil conclui que a política do ensino integral leva mais oportunidades de aprendizagem a quem mais precisa, como constata a superintendente de Políticas Educacionais da instituição, Maria Slemenson.


     Maria Slemenson, Superintendente do Instituto Natura Brasil. Foto:  Divulgação Instituto Natura
     Maria Slemenson, Superintendente do Instituto Natura Brasil. Foto:  Divulgação Instituto Natura
    Maria Slemenson, Superintendente do Instituto Natura Brasil. Foto: Divulgação Instituto Natura

    “Por muito tempo, tratamos a qualidade educacional como consequência da riqueza do território. O que o ensino médio integral vem provando, edição após edição do Ideb, é que onde a política é priorizada e bem implementada, o resultado de aprendizagem se descola da renda da família e da capacidade fiscal do estado.”

    Por isso, o Instituto Natura entende que o programa Escola em Tempo Integral do Ministério da Educação (MEC) é a política pública mais efetiva, atualmente, “para reduzir, de forma estrutural, a desigualdade educacional herdada pelo Brasil.”

    Salto no SAEB equivale a anos extra de estudo

    Os impactos das escolas de ensino médio 100% em tempo integral também se manifestaram nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025, que mede a qualidade do ensino nas escolas de todo o território nacional, a cada dois anos. Os alunos fazem provas nas disciplinas de matemática e língua portuguesa.

    Em matemática, nas escolas de baixo nível socioeconômico, os alunos do ensino 100% integral obtiveram 23 pontos a mais no SAEB 2025 em relação aos estudantes do ensino parcial. Essa diferença de proficiência em matemática equivale a 4,6 anos a mais de aprendizado. 

    A especialista em educação do Instituto Natura Brasil aponta que o tempo estendido permite recompor as aprendizagens defasadas ao longo do ensino fundamental, na tentativa de neutralizar os gargalos na aprendizagem. “Isso só é possível porque o tempo extra é usado para dois movimentos que, em uma escola parcial, competem pelo mesmo período curto: avançar no conteúdo da série e, ao mesmo tempo, recompor o que ficou para trás”, disse Maria Slemenson.

    Ela observa que nas unidades de tempo parcial, esse tipo de intervenção quase nunca cabe na grade, mas que nas escolas que funcionam em formato 100% integral, a recomposição das aprendizagens faz parte da rotina.

    Já na língua portuguesa, na mesma comparação, o ganho foi de 21 pontos no SAEB 2025, o que representa uma aceleração de 3,2 anos de escolarização adicional para os jovens em situação de maior vulnerabilidade. 

    Maria Slemenson observa que o modelo de ensino integral impulsiona esse salto de leitura e escrita.

    “O ganho em leitura e escrita se conecta ao tempo maior na escola, à maior proximidade com o corpo docente e à conexão com o projeto de vida, um dos pilares da política de ensino médio integral”.

    Inclusão racial e equidade

    Além do recorte de renda, os dados revelam que a vantagem do integral também é maior em escolas com maioria de matrículas de pessoas pretas, pardas ou indígenas (PPIs). 

    No Brasil, cerca de 74% das escolas 100% integrais do país atendem estudantes com maioria composta por PPIs, quando consideradas as escolas estaduais urbanas e com resultados divulgados no Ideb 2025.

    Nas instituições de ensino médio onde os estudantes com perfil racial PPIs representam são mais de 80%, a nota média do Ideb alcança 4,9 no formato 100% integral, contra 4,3 no ensino parcial. Um avanço de 0,6 ponto.

    Segundo o Instituto Natura Brasil, o resultado evidencia que a expansão do tempo integral tem contribuído diretamente para diminuir as disparidades de desempenho relacionadas à cor e à raça no ambiente escolar. 

    “A política de tempo integral já está majoritariamente a serviço de quem mais precisa dela. O Ideb comprova, com dado concreto, que o tempo integral tem um efeito equalizador racial, além do efeito socioeconômico”, celebra Maria Slemenson, do Instituto Natura.

    O segredo do sucesso

    Para o Instituto Natura, o sucesso e o impacto superior do ensino médio 100% integral no grupo de alunos de baixa renda não decorrem simplesmente do aumento de horas dentro da escola, mas sim de como esse tempo é utilizado.

    O eixo pedagógico se sustenta em um conjunto interligado de pilares:

    – construção do projeto de vida e protagonismo juvenil para estimular a autonomia e o planejamento de futuro dos jovens.

    – acolhimento para oferecer acompanhamento socioemocional próximo e individualizado.

    – aprendizado na prática para promover a conexão com o mundo real.

    – orientação de estudos e tutoria para estruturar e potencializar a aprendizagem diária.

    A superintendente do IN Maria Slemenson lista esse conjunto que posiciona a educação integral em vantagem em relação ao parcial, em especial, onde ela é mais necessária, nas regiões mais vulneráveis socioeconomicamente.

    “Para o aluno de baixa renda, que muitas vezes não tem em casa o suporte, o acompanhamento ou a segurança que passam a existir dentro da escola de tempo integral, esse modelo pesa ainda mais.”

     Por isso, o IN defende que a política de Ensino Médio Integral seja reconhecida, cada vez mais, como inegociável para o desenvolvimento do país, com benefícios da jornada ampliada, redução de vulnerabilidade social e maior proteção aos estudantes.

    Desafios e gargalos

    Em 2025, embora as escolas de ensino médio 100% integrais já somem 4.235 unidades no país (21% do total), elas respondem por cerca de 214 mil matrículas urbanas avaliadas.

    Em contrapartida, o modelo de jornada parcial ainda concentra mais de 1 milhão de estudantes.

    Ao analisar os principais gargalos enfrentados pelas redes estaduais para acelerar a transição do ensino parcial para integral em mais escolas, o Instituto Natura do Brasil avalia que a prioridade política explica o sucesso do modelo. A superintendente da instituição enfatiza que a maior barreira não é financeira, mas sim de gestão governamental sustentada ao longo do tempo.

    “O Ideb 2025 mostra que estados com menos capacidade fiscal, quando tratam o tempo integral como prioridade de governo e não como projeto pontual, conseguem avançar tão rápido quanto, ou mais rápido, que estados mais ricos.”

    Maria Slemenson ainda destacou o estado Piauí como referência nacional no ensino médio público e liderança nacional em educação profissional e tecnológica integrada. O estado nordestino foi pioneiro e é o único do Brasil com 100% das escolas estaduais de ensino médio em tempo integral.

    “Essa transformação foi construída em poucos anos, entre 2022 e 2025, e prova que universalizar o tempo integral com qualidade é uma escolha possível mesmo para estados com menos recursos financeiros disponíveis”, ressaltou a especialista.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Analistas veem risco de ação cibernética de EUA e bigtechs em eleições

    Analistas veem risco de ação cibernética de EUA e bigtechs em eleições

    Especialistas em relações internacionais, geopolítica e tecnologia de informação alertam para o risco de ações cibernéticas dos Estados Unidos (EUA) e de manipulação, por meio das bigtechs, com objetivo de influenciar as eleições gerais de outubro deste ano no Brasil. 

    A escalada de medidas do governo de Donald Trump contra o país, desde o tarifaço de 25% até o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras, sugere que novas ações devem ser adotadas, em especial, no campo da cibernética.

    Essa é a avaliação de analistas consultados pela Agência Brasil, como o pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, Reynaldo Aragon.

    O editor do portal Código Aberto, que reúne artigos sobre política e tecnologia, alertou que memorando assinado por Trump na última quarta-feira (12) tem caráter inédito e autoriza o uso de bigtechs em operações de “vigilância cibernética” e “efeitos cibernéticos”.

    “Os efeitos desse memorando são assustadores. A gente está falando de espionagem e ação de hackeamento de altíssimo nível e muito profundo. Eles podem entrar literalmente no perfil de qualquer pessoa para fazer relatórios e dossiês para favorecer ou prejudicar determinado candidato”, disse.

    Sob o argumento de combater o crime transnacional cibernético, o memorando prevê a parceria da Casa Branca com empresas privadas para ações que envolvem “acesso a tais sistemas de informação sem autorização do proprietário ou operador ou excedendo o acesso autorizado”.

    Outra ação prevista no memorando, a Operação de Efeitos Cibernético, autoriza atividades em redes de telecomunicações, internet, sistemas de informação, de controle industrial, entre outros, que resulte na “manipulação, interrupção, negação, degradação ou destruição de sistemas de informação, redes, infraestrutura física ou virtual”.

    Nesse cenário, o especialista Aragon defendeu que o Brasil desenvolva a própria infraestrutura digital uma vez que “todos os sistemas sensíveis do Estado brasileiro estão na mão de sistemas de empresas dos EUA”.

    Ações subterrâneas 

    Diferentemente de interferências públicas contra o Brasil, as ações cibernéticas podem ser realizadas de forma oculta ou “subterrânea” pelos EUA, alertou o jornalista Reynaldo Aragon, sem deixar pistas da autoria dessas ações.

    “O impulsionamento de perfis nas redes sociais é só uma das ações que já estão ocorrendo, mas pode ir muito além. O risco é sistêmico e estrutural”, completou. 

    Ainda em julho, o governo brasileiro barrou visto de dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA devido a suspeitas de que os assistentes do secretário Marco Rubio pretendiam questionar o sistema eleitoral do Brasil. 

    Desacreditar o resultado eleitoral


    Rio de Janeiro (RJ), 03/08/2026 – O Tribunal Regional Eleitoral apresenta a estrutura e demonstra testes da urna eletrônica para as Eleições de 2026. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 03/08/2026 – O Tribunal Regional Eleitoral apresenta a estrutura e demonstra testes da urna eletrônica para as Eleições de 2026. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro apresenta a estrutura e demonstra testes da urna eletrônica para as Eleições de 2026. – Fernando Frazão/Agência Brasil

    O professor de história e especialista em geopolítica, Euclides Vasconcelos, avaliou que “sem dúvida nenhuma” podemos esperar novas ações dos EUA para interferir nas eleições no Brasil, por exemplo, tentando descredibilizar o sistema eleitoral. 

    “As big techs são muito mais que plataformas ou espaços de discussões. Elas são empresas ligadas a Estados, ligadas a governos, que têm esforços e que conseguem mobilizar, canalizar e influenciar de maneira muito direta certos recortes demográficos da população”, comentou.

    A imigração em massa a Ceuta, enclave espanhol na África, teria mostrado como essa atuação via plataformas digitais é eficaz. As mais de 60 mil pessoas que cruzaram a fronteira foram influenciadas por notícias falsas espalhadas nas redes sociais do Marrocos de que a Espanha teria proibido a deportação de imigrantes, o que não era verdade. 

    Euclides lembrou da participação dos donos das principais bigtechs na posse de Donald Trump como indicativo do interesse dessas empresas em se atrelar ao governo dos EUA para “agir como uma espécie de tentáculo dos interesses dos EUA na nossa região”.

    Em junho de 2025, o Exército dos EUA revelou que executivos de gigantes da tecnologia como Meta, OpenIA e Palantir foram nomeados tenentes-coronéis do Destacamento 201, recém-criado para abrigar líderes da tecnologia. 

    Nova doutrina de segurança dos EUA

    Por trás das ações do governo Trump está a nova doutrina de segurança dos EUA, divulgada no final de 2025, que prevê a “proeminência” do país norte-americano sobre toda América Latina, avalia o mestrando em ciências militares Euclides Vasconcelos. 

    “Os EUA tentam consolidar o continente americano por completo com governos à sua imagem e semelhança. Houve uma intervenção muito forte na eleição colombiana e um esforço parecido em outros países da região nessa lógica de tentar moldar todo o continente”, disse.

    Em junho deste ano, o presidente Donald Trump indicou que a eleição no Brasil é mais um teste para a geopolítica dos EUA na América Latina. Vasconcelos citou ainda o vídeo publicado, na última terça-feira (11), pelo Departamento de Estado dos EUA, afirmando que a “dominação” dos EUA sobre a América Latina não poderá mais ser questionada.

    “E, para isso, o Brasil é uma peça-chave. O Brasil sempre foi visto pelos EUA como o único país que, se quisesse, poderia desafiar a dominação estadunidense nisso que eles chamam de ‘seu hemisfério’ ”, concluiu o especialista.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Democrata tem veterinário Wilson Grassi na disputa presidencial

    Democrata tem veterinário Wilson Grassi na disputa presidencial

    Candidato pelo Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), Wilson Grassi é natural de São Paulo, capital. Tem 56 anos, é empresário e veterinário. A empresária Suêd Haidar é a vice na chapa.

    Grassi atua pela causa animal, incluindo a defesa da instalação de hospitais públicos para o atendimento de cães e gatos. É conselheiro da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo (Anclipeva-SP). 

    O candidato à Presidência nunca ocupou cargo público, mas já disputou aos cargos a vaga de vereador, deputado estadual e federal por São Paulo, pelos partidos PV e PRTB.  
    Fundado em 2015, o Democrata, antes PMB, nunca havia lançado candidato próprio à Presidência da República.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Samara Martins é a candidata do União Popular ao pleito presidencial

    Samara Martins é a candidata do União Popular ao pleito presidencial

    Candidata pelo partido Unidade Popular (UP), Samara Martins Feitosa é natural da cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Tem 38 anos e é formada em odontologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Raquel Brício (UP) compõe a chapa como vice.

    Antes mesmo de trabalhar como cirurgiã-dentista no Sistema Único de Saúde (SUS), iniciou a trajetória política pelo movimento estudantil, quando atuou na Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (AMES-BH) e na União Nacional dos Estudantes (UNE), como diretora de mulheres.

    Na eleição de 2022, compôs como vice na chapa de Leonardo Péricles à Presidência, com quem formou a única candidatura formada exclusivamente por pessoas negras.
    O UP é um partido de extrema-esquerda fundado em 2016, com ideais socialistas. É ligado a movimentos sociais de defesa das causas juventude, das mulheres, da população negra e contra os privilégios das populações mais ricas.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Sindicalista Rui Costa Pimenta concorrerá à Presidência pelo PCO

    Sindicalista Rui Costa Pimenta concorrerá à Presidência pelo PCO

    O jornalista Rui Costa Pimenta, 69 anos, é o candidato do Partido da Causa Operária (PCO) para a Presidência da República em 2026. Natural da cidade de São Paulo, o sindicalista é neto de João Jorge Costa Pimenta, um dos fundadores do Partido Comunista no Brasil. 

    Rui Costa Pimenta é o presidente do PCO desde 1995 e vai concorrer ao pleito junto com o vice professor Antônio Carlos Silva, da mesa sigla. O jornalista começou as atividades políticas na ditadura militar, em 1976, no movimento estudantil. Participou do Congresso de Refundação da UNE em 1980, em Salvador, e foi diretor do Centro Acadêmico de Estudos Literários e Linguísticas da Faculdade de Letras da USP. 

    Foi eleito presidente da Central Única dos Trabalhos em 1985. Atualmente, edita o jornal Causa Operária e apresenta na internet o programa Análise Política Semanal. Rui Costa defende o socialismo e o comunismo. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980. 

    Em 1992, militantes da causa operária romperam com o PT. Em 1995, foi lançado o Partido da Causa Operária, que obteve um registro provisório como legenda. Um ano depois, após campanha nacional de filiações, o partido obteve registro definitivo.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Eleições 2026: Ronaldo Caiado é o candidato do PSD à Presidência

    Eleições 2026: Ronaldo Caiado é o candidato do PSD à Presidência

    Candidato pelo Partido Social Democrático (PSD) à Presidência da República, Ronaldo Ramos Caiado, 76 anos, era até então governador de Goiás. Cargo do qual se licenciou para disputar as Eleições de 2026. Tem como vice na chapa o presidente da sigla, Gilberto Kassab.

    Natural da cidade de Anápolis (GO), tem formação de médico ortopedista pela Escola de Medicina e Cirurgia, no Rio de Janeiro. Com origem em uma família de produtores rurais com forte presença em Goiás, ingressou na política após presidir a União Democrática Ruralista, entidade que defende os interesses dos grandes proprietários rurais, principal pauta de Caiado.

    Foi governador de Goiás por dois mandatos consecutivos e também deputado federal por cinco mandatos, sendo quatro consecutivos. Já concorreu à Presidência da República em 1989. 

    O PSD é um partido que se declara de centro fundado em 2011, sem relação com o antigo PSD de Juscelino Kubistchek. Teve adesão de políticos de partidos como o DEM, PMN, PP, PSDB e PMDB.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Eleição: homem, branco e empresário é perfil majoritário de candidatos

    Eleição: homem, branco e empresário é perfil majoritário de candidatos

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 20.530 pedidos de registro de candidatura para as eleições deste ano – 8.732 a menos do que no pleito de 2022. Os dados foram atualizados na manhã desta terça-feira (18).

    Do total de pedidos de registro de candidatura, 13.374 ou 65% são de pessoas do sexo masculino e 7.156 ou 35% são de pessoas do sexo feminino. Além disso, mais de 10 mil informaram ter cor branca e 2.576, ser empresário.

    As solicitações englobam os cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e suplentes, deputado federal, deputado estadual e deputado distrital.

    A maior parte dos pedidos é para o cargo de deputado estadual (11.103 registros). Em seguida, aparecem as solicitações para deputado federal (7.636); para deputado distrital (420); para governar estados e o Distrito Federal (196); para senador (315); e para a Presidência da República (13).

    A relação entre candidatos e vagas mostra maior concorrência para o cargo de deputado distrital, com 17,5 candidatos por vaga; e para o cargo de deputado federal, com 14,88 candidatos por vaga.

    Gênero

    Em relação à identidade de gênero, 11.758 candidatos se declararam cisgênero (99,07%) – quando a identidade de gênero corresponde ao sexo; 107 se declararam transgênero (0,9%); e 3 preferiram não informar (0,03%).

    O TSE registrou ainda pedidos de 53 candidatos que declararam nome social.

    Faixa etária

    A maioria das solicitações foi feita por candidatos com idade entre 45 e 49 anos (3.538 pedidos). Na sequência, aparecem candidatos com idade entre 50 e 54 anos (3.176); com idade entre 40 e 44 anos (2.986); e com idade entre 55 e 59 anos (2.581).

    Cor e raça

    Do total de pedidos de registro de candidatura, 10.013 são de pessoas que se declararam brancas (48,77%); 7.418 de pessoas que se declararam pardas (36,13%); e 2,8 mil de pessoas que se declararam pretas (13,64%)), além de 191 indígenas (0,93%) e 108 de cor amarela (0,53%).

    Grau de instrução

    A maior parte das solicitações foi feita por candidatos que declararam ter ensino superior completo (58,57%). Depois, vêm os candidatos que declararam ter ensino médio completo (21,41%); ensino superior incompleto (10,58%); ensino médio incompleto (3,56%); ensino fundamental incompleto (2,94%); e ensino fundamental completo (2,58%).

    Ainda de acordo com os números, 73 candidatos (0,36%) declararam apenas saber ler e escrever.

    Indígenas

    Do total de 191 pedidos de registro de candidatura feitos por indígenas, 13 são da etnia Makuxí (8,13%); 12 são Guarani Kaiowá (7,5%); oito são de etnias não determinadas (5%); sete são Guaraní (4,38%); sete são Mundurukú (4,38%); sete são Múra (4,38%); sete não sabem sua etnia (4,38%); e seis são Terena (3,75%).

    Ocupação

    Os empresários (2.576) são os mais numerosos entre os candidatos. Advogados (1.691); deputados (874); vereadores (811); policiais militares (569); médicos (558); e servidores públicos estaduais (541) aparecem na sequência.
    Além disso, 2.709 candidatos são listados pelo TSE na categoria outras ocupações.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original