Categoria: Meio Ambiente

  • Indígenas cobram participação nas decisões da COP da Desertificação

    Indígenas cobram participação nas decisões da COP da Desertificação

    Indígenas de diferentes partes do mundo protestaram nesta quinta-feira (20) para serem incluídos nas negociações oficiais da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

    Eles consideram que o espaço específico criado este ano para se reunirem dentro do evento, chamado de Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais, é insuficiente, por ser “meramente simbólico” e não permitir uma participação “significativa, plena e efetiva”.


    Indígenas cobram participação nas decisões da COP da Desertificação. ( Oumarou Ibrahim Hindou, líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade (AFPAT). Foto: Kiara worth
    Indígenas cobram participação nas decisões da COP da Desertificação. ( Oumarou Ibrahim Hindou, líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade (AFPAT). Foto: Kiara worth
    Oumarou Ibrahim Hindou defende que participação indígena não pode ser só simbólica Foto – Kiara worth

    A líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade (AFPAT, na sigla em francês), Oumarou Ibrahim Hindou, cobrou que os líderes dos governos presentes na conferência tenham mais respeito pelos povos tradicionais.

    “Nossa participação não pode ser meramente simbólica. Estamos aqui para reivindicar nossa terra e nossos territórios. Queremos que nossos conhecimentos e nossos direitos sejam reconhecidos. Não haverá COP sem as pessoas da terra. Nós estamos prontos para lutar”, disse Oumarou.

    Os manifestantes também exigiram que a agenda oficial da conferência volte a incluir temas sobre gênero e participação social. Ambos foram excluídos a pedido dos Estados Unidos. É preciso ter consenso entre as 197 partes da convenção para que o documento seja aprovado. Ele é estratégico por definir o que será negociado efetivamente pelos governos.

    A líder quechua da nação Kuntur Wanka, da região de Junín, no Perú, Sonia Astuhuamán Pardavé, defende que os indígenas são os principais guardiões da natureza e não podem ser excluídos de decisões que terão impacto direto sobre a vida deles.

    “Representamos comunidades inteiras e temos a chave para solucionar a crise da terra e a crise climática, porque nossos ancestrais também viveram tempos como estes e souberam encontrar soluções para construir uma vida em harmonia com a natureza”, disse Wanka.

    “O que será do planeta se deixarmos que destruam tudo? Quando não tivermos mais água e a terra estiver seca, como vão viver nossas crianças plantas e animais?”, concluiu.

    Declaração de Ulaanbaatar

    Também foi publicada nesta quinta-feira, em um evento paralelo, a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas. O documento destaca que estas comunidades são fundamentais para a conservação da biodiversidade, a segurança alimentar e a gestão sustentável de áreas de pastagem e rejeita a ideia de que o pastoreio seja uma atividade atrasada ou responsável pela desertificação.

    Entre as principais reivindicações está o reconhecimento dos direitos territoriais e da mobilidade, considerada não apenas uma característica cultural e econômica, mas também uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas.

    O documento afirma que essas populações estão entre as mais afetadas pelo aquecimento global, apesar de sua baixa contribuição para as emissões, e reivindica acesso direto a recursos para adaptação, preparação para secas e fortalecimento da resiliência.

    A declaração pede que governos protejam corredores de circulação de pessoas e animais, inclusive entre fronteiras, e garantam o acesso sazonal a pastagens, água e mercados. Também alerta para a perda e fragmentação de áreas de pastagem provocadas por mineração, energia, infraestrutura, agricultura, turismo e outros grandes empreendimentos.

    O texto ainda cobra mudanças no acesso a financiamento, com recursos diretos, flexíveis e sem intermediários quando as comunidades não os desejarem, além da criação de mecanismos específicos para iniciativas lideradas por povos pastoris. Entre as propostas estão fundos dedicados à restauração de pastagens, adaptação climática, conservação da biodiversidade, segurança alimentar, saúde e educação.

    Ao final, os participantes pedem que a Declaração de Ulaanbaatar seja incorporada aos resultados oficiais da COP17 e anunciam a realização de um novo encontro global de povos pastoris e indígenas em 2030.

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Frente fria associada a ciclone baixa temperatura no Sul do país

    Frente fria associada a ciclone baixa temperatura no Sul do país

    Uma frente fria avança pela Região Sul do país nesta quinta-feira (20) e provoca queda de temperatura no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, no Paraná, até o sudoeste de Mato Grosso do Sul, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

    O ciclone extratropical, que se formou na costa do Rio Grande do Sul e provoca chuva, trovoadas e rajadas de vento no estado, começa a se deslocar para o oeste e sul do Paraná e de Santa Catarina.  

     Com isso, as temperaturas mínimas podem ficar hoje abaixo de 10°C no sul do Paraná, oeste de Santa Catarina e em grande parte do interior do Rio Grande do Sul. Já em Curitiba, a máxima chega a 27°C.

    Na Região Norte, áreas de instabilidade continuam atuando no Acre e no oeste e noroeste do Amazonas, ocasionando pancadas de chuva e trovoadas. No norte do Pará, no Amapá, em Roraima, no norte e centro do Amazonas e em Rondônia, há possibilidade de chuva isolada.

    No sudeste do Amazonas, sul do Pará e em Tocantins o tempo seco traz um alerta laranja de perigo para baixa umidade relativa do ar com variação de 20% a 12%.

     Na maior parte da região, o calor intenso pode registrar temperaturas máximas próximas a 40°C. A máxima prevista nas capitais é de 38°C, em Palmas e a mínima de 23 °C em Rio Branco e Porto Velho.

    No Centro-Oeste, o aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar permanece sobre grande parte de Mato Grosso, norte e leste de Mato Grosso do Sul, oeste e sul de Goiás e no Distrito Federal. No noroeste de Mato Grosso, sudeste de Mato Grosso do Sul, demais áreas de Goiás, o alerta perde força, com aviso de perigo potencial para baixa umidade entre 30% e 20%.

    Os termômetros registram máxima em torno de 32°C em Cuiabá e mínima de 15°C em Brasília.

    Na Região Nordeste, no sul do Maranhão, do Piauí e no oeste da Bahia, o céu permanece com poucas nuvens, com aviso de perigo potencial, para baixa umidade relativa do ar de até 20%.

    As chuvas isoladas continuam ocorrendo entre o centro-norte do Maranhão, do Piauí e do Ceará e ao longo da faixa leste e litoral do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e litoral norte da Bahia.

    Temperaturas mais amenas são esperadas na faixa leste da região, devido às condições de chuva. Em Salvador e Aracaju, a mínima será de 23°C e máxima de 36°C em Teresina.

    No Sudeste, haverá nebulosidade apenas no norte e leste de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e litoral sul de São Paulo. No restante da região, a quinta-feira é de poucas nuvens, baixa umidade e muito calor.

    A temperatura máxima chega a 32°C na capital do Rio de Janeiro. Nas regiões serranas em Minas Gerais, no Espírito Santo, Rio de Janeiro e em São Paulo, a mínima pode ficar em torno de 9°C.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Manual traz nova classificação de riscos de desastres em áreas urbanas

    Manual traz nova classificação de riscos de desastres em áreas urbanas

    Após quase 20 anos, a publicação Mapeamento de Riscos: Conceitos e Métodos Aplicados a Processos Geológicos e Hidrológicos foi atualizada pela primeira vez. A ferramenta existe desde 2007 é a principal referência no país para gestão de risco em áreas urbanas.

    Segundo o diretor do Departamento de Mitigação e Prevenção de Risco do Ministério das Cidades, Rodolfo Moura, o próprio uso do manual por técnicos, pesquisadores e gestores municipais apontou a necessidade de uma evolução de alguns conceitos, mas a urgência climática e a chegada de um super El Niño aceleraram o processo.

    “A gente correu para antecipar o lançamento do livro entendendo que ele já pode ser um instrumento novo para identificar as áreas críticas, mas principalmente as pessoas que estão em situação de risco”, diz.

    O manual atualizado está disponível online e de forma gratuita. Entre as mudanças em relação à versão anterior, a publicação trata de novos instrumentos tecnológicos para a gestão de risco e traz uma nova classificação, com foco nos riscos médio, alto e muito alto.

    “Deixamos de lado outras classificações, porque se o risco é baixo ou inexistente não merece uma classificação”, explica Moura.

    Novos conceitos foram abordados na versão atualizada como a delimitação de setores de risco hidrológico, como inundação, enchente e enxurrada, e também a descrição de processos erosivos, como rolamento de rochas e terras caídas – fenômeno que ocorre no Norte do país.

    De acordo com Rodolfo Moura, a aplicação do manual permite que prefeituras façam o mapeamento das áreas de risco nos territórios e, a partir disso, elaborem seus planos municipais de redução de risco. Essas medidas podem retirar milhares de pessoas de zonas de risco de deslizamento, inundação e enxurrada no Brasil.

    Em 2024, uma nota técnica publicada pela Casa Civil atualizou os números de municípios suscetíveis a deslizamentos de terras, alagamentos, enxurradas e inundações. São 1.942 cidades que expõem quase 9 milhões de brasileiros a esses desastres.

    Segundo Moura, o caminho para enfrentar o desafio de tirar essas pessoas das áreas de risco é exatamente implementar o que o manual prevê, com ações de antecipação, identificação de riscos, fortalecimento da resiliência e adaptação das cidades.

    “É por meio desse instrumento de mapeamento de risco, dos mapas, planos municipais de redução de risco, que municípios e os governos estaduais acessam recursos para essas obras”, destaca.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Ciclone extratropical favorece tempestade no Rio Grande do Sul

    Ciclone extratropical favorece tempestade no Rio Grande do Sul

    Áreas de instabilidade atuam sobre o Rio Grande do Sul e avançam para Santa Catarina com chuva e trovoada nos dois estados, enquanto no norte e leste do Paraná esta quarta-feira (19) será de poucas nuvens, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

    Um aviso amarelo de perigo potencial alerta para tempestades em todo o estado gaúcho, o sul e extremo oeste de Santa Catarina e ainda o extremo sudoeste e oeste do Paraná.

    Uma frente fria, associada à passagem de um ciclone extratropical, a partir da madrugada desta quinta-feira (20), favorece tempestades no Rio Grande do Sul e chuvas com trovoadas no oeste e sul do Paraná e de Santa Catarina.

    A temperatura deve cair na região, com mínima prevista de 15°C em Porto Alegre e Curitiba e máxima, também em Curitiba, de 28°C.

    No Nordeste, um aviso laranja de perigo alerta para chuvas intensas no nordeste de Alagoas e no leste de Pernambuco. Há também aviso amarelo de perigo potencial para chuvas intensas no leste da Paraíba e ventos costeiros em toda a faixa do litoral norte da Região Nordeste, entre o Rio Grande do Norte, toda a faixa litorânea do Ceará e do Piauí e o litoral leste do Maranhão.

    No interior da região, o aviso amarelo de perigo potencial é para baixa umidade do ar durante a tarde entre o centro-sul do Maranhão, grande parte do Piauí, exceto o extremo norte, centro-sul do Ceará, oeste da Paraíba e de Pernambuco e norte e centro-oeste da Bahia.

    O tempo seco favorece maior amplitude térmica. Teresina deve registrar a menor e a maior temperatura entre as capitais do Nordeste, variando de 21°C a 37°C.

    No Centro-Oeste, por causa da baixa umidade relativa do ar, há aviso laranja de perigo em grande parte de Mato Grosso, norte e leste de Mato Grosso do Sul e oeste e sul de Goiás. No noroeste de Mato Grosso, sudeste de Mato Grosso do Sul, demais áreas de Goiás e Distrito Federal, o aviso perde a intensidade e é amarelo de perigo potencial.

    No extremo sul de Mato Grosso do Sul, na região do município de Paranhos (MS), o alerta é para tempestade com aviso amarelo de perigo potencial.

    Os termômetros devem marcar mínima de 17°C em Brasília e máxima de 39°C em Cuiabá.

    Na Região Norte, são esperadas pancadas de chuva e trovoadas no oeste do Amazonas, norte e oeste de Rondônia, Acre e norte de Roraima. Também podem ocorrer chuvas isoladas, mais fracas, nas demais áreas de Rondônia, no sul do Amazonas e no centro-oeste de Roraima. No final do dia, haverá muitas nuvens, mas as áreas com chuva ficam restritas ao Acre e sudoeste do Amazonas, onde ocorre de forma isolada.

    Um alerta laranja de perigo para baixa umidade do ar alcança o sul do Pará e oeste de Tocantins, durante a tarde. No leste e sul de Rondônia, sudeste do Amazonas, centro-sul do Pará e demais áreas de Tocantins, o alerta fica amarelo de perigo potencial.

    Outro aviso amarelo de perigo potencial para chuvas intensas, com rajadas de vento de até 60 km/h, está ativo para o oeste do Amazonas e, em grande parte, do estado do Acre.

    O calor predomina no Norte, nesta quarta-feira, com mínima de 23°C em Belém e máxima de 38°C, em Palmas.

    No Sudeste, o dia amanhece com poucas nuvens e a nebulosidade aumenta ao longo do dia na divisa de São Paulo com o Paraná, no norte do Espírito Santo e no nordeste de Minas Gerais. Podem ocorrer chuvas isoladas no litoral sul de São Paulo e no nordeste de Minas Gerais, durante a noite.

    Há aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar em grande parte do interior de São Paulo, Triângulo Mineiro e sul de Minas Gerais. O aviso inclui as demais áreas de Minas Gerais, exceto a região de divisa com o Rio de Janeiro e Espírito Santo, e no leste de São Paulo, incluindo a capital paulista, exceto a faixa litorânea

    A temperatura mínima nas capitais da Região Sul será de 13°C em Belo Horizonte,. A máxima alcança 32°C também em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Sociedade civil rejeita agenda excludente aprovada no início da COP17

    Sociedade civil rejeita agenda excludente aprovada no início da COP17

    Organizações sociais tiveram uma decepção logo nos primeiros dias da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, Mongólia. A agenda oficial, que define o que os governos concordam em negociar durante o evento, excluiu temas de gênero e participação social.

    O Civil Society Organization (CSO) Panel, que reúne cerca de 1,2 mil organizações pelo mundo, rejeitou o documento e disse que a comunidade “está chocada e profundamente preocupada”. O entendimento é de que os governos sinalizaram preferir focar em aspectos técnicos e econômicos, e deixar de lado os impactos sociais da desertificação e da seca.

    O risco é que o resultado final da COP17 seja tecnocrático e distante da realidade das populações que mais sofrem com os problemas da terra.

    “Comunidades locais, povos indígenas, agricultores, pastores, mulheres, jovens, pesquisadores e organizações da sociedade civil trazem conhecimento, experiência e soluções dos territórios onde a degradação do solo, a desertificação e a seca são enfrentadas diariamente”, informa a nota do CSO Panel.

    As organizações insistiram que as decisões no evento precisam ser coletivas: políticos, cientistas e empresas não podem enfrentar sozinhos problemas que afetam milhões de pessoas no planeta.

    Terra, clima e biodiversidade

    O texto oficial também não prevê processos para integrar melhor as três convenções das Nações Unidas sobre meio ambiente, a da Terra (UNCCD), da Biodiversidade (CBD) e do Clima (UNFCCC). Esse é um dos pontos centrais defendidos por especialistas para torná-las mais efetivas.

    As três convenções nasceram a partir da Rio 92, evento que deu origem às discussões e tratados modernos de meio ambiente e clima. No ano passado, durante a 30ª Conferência Sobre Mudanças Climáticas (COP30), líderes das três convenções lançaram a Declaração Conjunta de Belém sobre as Convenções do Rio (Belem Joint Statement on the Rio Conventions).

    O documento destacou que as crises de clima, biodiversidade e degradação do solo estão interligadas e que tratar esses temas de forma isolada prejudica o desenvolvimento sustentável e a eficácia global das medidas de proteção ambiental.

    Cobertura na Mongólia

    A Agência Brasil acompanha a COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir a conferência.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Amazônia: indígenas catalogam espécies para proteger biodiversidade

    Amazônia: indígenas catalogam espécies para proteger biodiversidade

    Uma iniciativa que une saber ancestral indígena à ciência acadêmica desenvolve o inventário das espécies existentes da Terra Indígena (TI) Panará, na Amazônia. Quase 15 mil indivíduos da fauna e da flora regional já foram registrados em 500 mil hectares na divisa do Pará com Mato Grosso.

    O projeto é promovido pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações sociais. Faz parte de uma estratégia de conservação da biodiversidade na região pressionada pelo garimpo ilegal e outras atividades irregulares.

    Os pesquisadores indígenas e das universidades públicas trabalham juntos em trilhas pelo território para a coleta de imagens e de amostras de espécies e de água do Rio Rriri, afluente do Rio Xingu que atravessa a TI, e também para inclusão de dados no inventário.

    “Foi muito bom trabalhar junto com pesquisadores não indígenas. Um ensinou ao outro”, afirma o pesquisador Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia.

    Segundo a diretora do programa Povos Indígenas e Comunidades Locais da CI-Brasil, Renata Pinheiro, enquanto os acadêmicos trazem conhecimento tecnológico sobre as ferramentas de catalogação, os pesquisadores indígenas dominam o conhecimento sobre o território.

    “Os Panará sabem ler a floresta de um jeito que nenhum instrumento científico consegue substituir. Eles conhecem a alimentação de cada animal, como se movimenta, e esse conhecimento alimenta diretamente a ciência que construímos juntos”, destaca.

    Tecnologia

    Para a coleta de dados, os pesquisadores indígenas receberam capacitação sobre o uso de ferramentas como o GPS, o aplicativo de catalogação das espécies e a instalação de câmeras trap, ativadas por movimento ou pelo calor emitido por animais que se aproximam.

    Segundo a pesquisadora Pentê Panará, o trabalho foi além do conhecimento tecnológico. Também permitiu conhecer espécies difíceis de serem avistadas sem a ajuda das câmeras com sensores.

    “Quando as câmeras capturaram os bichos de pelo, a gente conseguiu identificar mais bichos do que a gente conhece. Depois disso, eu também fiquei muito feliz em conhecer essa parte da pesquisa com a tecnologia”, diz.

    Escolhida pelos integrantes da aldeia Panará Sõnkârãsãn, onde vive, Pentê considera importante a participação de mulheres na equipe que desenvolveu o estudo.

    “Toda vez que eu voltava do trabalho de pesquisa, as outras mulheres me perguntavam sobre o que estávamos fazendo e como era trabalhar com essa parte de tecnologia. Acho que outras mulheres Panará também gostariam de participar”, afirma.

    Descoberta

    Entre as plantas, animais e insetos de 602 espécies, 27 estão criticamente em perigo de extinção. E uma árvore está sendo analisada como uma possível descoberta para a ciência, embora já seja uma antiga conhecida do povo Panará.

    Chamada de Já pelos Panará, a árvore é um dos indivíduos marcados, que teve imagem e amostra coletadas em uma das expedições realizadas pelo grupo de pesquisadores.

    De acordo com Renata Pinheiro, a descoberta ainda não foi confirmada nem revisada por botânicos porque é recente, e a coleta das amostras ainda não está completa. “A gente ainda precisa conseguir coletar esse indivíduo novamente durante a estação da floração para conseguir fazer essa análise”, explica.

    Dados

    Segundo a diretora, o trabalho foi interrompido por falta de recursos para mais uma rodada de expedições, mas a expectativa é que o programa ainda seja retomado para que seja possível concluir o inventário.

    Para a pesquisadora indígena Pentê Panará, ainda há muito a ser revelado. “Durante essa pesquisa, toda vez que a gente andava na mata, a gente encontrava rastro de outros bichos. Dá até pra saber o caminho onde eles andam. Para mim ainda tem muitos mais.”

    Ao final do inventário, todo o resultado do programa será analisado pelos pesquisadores indígenas para a disponibilização aberta dos dados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr), que reúne os registros de ocorrência de espécies, coleções biológicas e conjuntos de dados científicos.

    “Tem todo um procedimento que precisa ser feito para os pesquisadores indígenas estarem nessa plataforma como detentores e autores desse conhecimento, e isso ficar registrado na plataforma. Assim, cada vez que uma outra instituição de pesquisa, por exemplo, precisar acessar essas informações, eles são procurados”, explica Renata Pinheiro.

    Como o trabalho de pesquisa foi feito em conjunto com pesquisadores de universidade que também desenvolvem trabalhos acadêmicos com base no programa, um protocolo para a liberação de publicações foi desenvolvido pela CI-Brasil.

    “Tudo que está sendo negociado para ser publicado, os pesquisadores não indígenas gravaram vídeos ou áudios explicando aos Panará a publicação, quais seriam os dados utilizados, qual o objetivo e o que vai ser tratado. Os pesquisadores Panará e a comunidade para que acrescentem a sua visão sobre o tema”, diz Renata.

    A partir dessa análise, a publicação é liberada para que os pesquisadores não indígenas levem o conhecimento à comunidade acadêmica.

    “A gente estabeleceu esse protocolo, e tudo que foi feito até agora vem ao encontro da tradição oral dos povos indígenas, para que todos tivessem esse cuidado de colocar essas informações na oralidade, num vídeo, para que os Panará conseguissem entender e reagir ao que estava sendo colocado ali”, conclui.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Relatório traz soluções para reduzir emissões de metano

    Relatório traz soluções para reduzir emissões de metano

    A rede de organizações ambientais e de pesquisa Observatório do Clima lançou nesta terça-feira (18) relatório que reúne 37 soluções para que o Brasil possa reduzir as emissões de metano (CH4). O gás é considerado um dos mais potentes poluidores causadores das mudanças climáticas.

    Apesar de durar apenas de 10 a 20 anos na atmosfera, o metano tem um potencial de aquecimento do planeta 28 vezes maior que o gás carbônico (CO2). O Brasil é quinto país que mais emite esse poluidor, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos, Índia e Rússia.

    Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima, o Brasil lançou na atmosfera, em 2024, 21 milhões de toneladas de metano.

    Para o coordenador do sistema, David Tsai, reduzir as emissões de metano é uma ação crítica para frear o aquecimento global e trazer o planeta à normalidade climática. “Temos à disposição um amplo conjunto de soluções para fazer isso, mas o Brasil precisa transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala”, diz.  

    As soluções trazidas no relatório são direcionadas a quatro setores de atividades: agropecuária, resíduos, mudança de uso da terra e florestas e energia. Para cada área são sugeridas ações de planejamento, financiamento, governança, operação e monitoramento.

    Agropecuária

    No setor da agropecuária, por exemplo, são 15 propostas que exigem envolvimento dos diversos setores incluindo os setores produtivos, governos, instituições financeiras e academia.  Entre as ações estão desde mudanças no manejo de animais e dos resíduos, passando pelo planejamento territorial, até intensificação de assistência técnica e acesso ao crédito.

    O setor da agropecuária é um dos principais emissores de metano e foi responsável por 15,7 milhões de toneladas de metano, em 2024 , o que corresponde a 75,8% do total das emissões brasileiras no mesmo ano.

    Para Gabriel Quintana, coordenador da área de Ciência do Clima do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) – responsável pelas propostas para o setor – as mudanças necessárias são oportunidades para incluir produtividade e eficiência na produção de alimentos.

    “Essa edição do SEEG Soluções expande as estratégias já existentes, trazendo opções que podem ser implementadas por produtores, municípios e regiões do país”, diz.

    Resíduos

    O manejo e governança de aterros sanitários e a eliminação dos lixões também são medidas necessárias para eliminar a emissão de metano no setor de resíduos. Para auxiliar, a rede global Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade contribuiu com 12 propostas no relatório.

    São medidas para inspirar cidades brasileiras a reduzir a geração e o desperdício de resíduos, como a ampliação de coleta seletiva e aproveitamento energético de materiais, afirma Iris Coluna, assessora do Iclei-Governos Locais pela Sustentabilidade.

    Uso da terra

    Para o setor de Mudança no Uso da Terra (MUT) e Florestas, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) contribuiu com cinco sugestões no relatório. As ações sugerem melhorias no monitoramento, prevenção e combate a incêndios na vegetação nativa.

    Energia

    As últimas cinco sugestões do relatório apontam soluções para reduzir a emissão de metano nas cadeias de combustíveis fósseis como petróleo, gás e carvão. São ações com foco no vazamento e desperdício nos processos produtivos.

    As contribuições são do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), que direciona respostas específicas para as diferentes necessidades do setor.

    “Quem cozinha com lenha porque não tem acesso a outra fonte de energia precisa de política pública. Já as emissões da cadeia de combustíveis fósseis vêm de operação industrial, e ali cabe responsabilizar quem lucra com a atividade”, conclui a pesquisadora do Iema, Ingrid Graces.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Área urbanizada no Brasil cresceu 12,3% de 2019 a 2022, mostra IBGE

    Área urbanizada no Brasil cresceu 12,3% de 2019 a 2022, mostra IBGE

    A área urbana no Brasil cresceu 12,27% no período de 2019 a 2022. Nesse intervalo, o país ganhou 5.954,99 quilômetros quadrados (km²) de malha urbanizada, isto é, uma área praticamente do tamanho do Distrito Federal (5.760 km²).

    Os dados de 2022 são os mais recentes disponíveis e revelam que o país tinha 53.925 quilômetros quadrados de área urbanizada, o que representa apenas 0,6% de todo o território brasileiro. É como se toda a área urbanizada do país ocupasse o tamanho da Paraíba (56,5 km²).

    Os dados fazem parte do levantamento Áreas Urbanizadas do Brasil, divulgado nesta terça-feira (18) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O instituto chegou às informações com base em interpretação de imagens de satélite. Por questões de metodologia, a única comparação possível é com os dados de 2019.

    A analista da pesquisa, Andressa Rosas de Menezes, ressalta que o estudo não apresenta dados sobre número de população nas áreas mapeadas nem crescimento vertical das áreas.

    “A gente olha telhados, a gente vê de cima. Então essa pesquisa não traz nenhuma informação de verticalização”, diz.

    Áreas densas e vazios

    Veja como o IBGE detalha a extensão urbana do país:

    • Áreas urbanizadas (identificadas pela presença de moradias, comércio e indústrias): 48,8 mil km²
    • Outros equipamentos urbanos (estruturas não residenciais como aeroportos, portos, cemitérios, estação de tratamento de água e usinas fotovoltaicas): 1,6 mil km²
    • Vazios intraurbanos (áreas não edificadas dentro do tecido urbano, como parques e lagoas): 503 km²
    • Loteamentos vazios (áreas com arruamento definido, mas sem edificações suficientes para serem consideradas urbanizadas, representando vetores de expansão): 2,9 mil km²

    Outra classificação feita pelo instituto é relacionada à densidade das áreas urbanizadas:

    • Densa (forte concentração de edificações e pouca arborização ou espaços vazios): 70,66% do total
    • Pouco densa (construções mais espaçadas, comuns em periferias ou vetores de expansão): 23,88%
    • Loteamentos vazios (áreas com arruamento definido, mas ainda sem construções significativas): 5,46%

    A analista da pesquisa aponta que os objetivos do estudo são mapear e medir as formas urbanas e a sua distribuição em todo o território nacional, de forma a acompanhar a evolução do fenômeno urbano.

    “Isso possibilita retratar e projetar a distribuição da urbanização, fornecendo dados essenciais para o planejamento urbano para a implementação de políticas públicas e impactando análise de questões como mobilidade, habitação e sustentabilidade”, destaca.

    Concentração da urbanização

    O levantamento identificou a concentração da ocupação urbana em municípios costeiros. Essas cidades ocupam 5,02% do território do país, mas representam 19,5% de toda a área urbanizada.

    No outro extremo, a Amazônia Legal (abrange os estados de Rondônia, do Acre, Amazonas, de Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, de Mato Grosso e a maior parte do Maranhão) ocupa 59,11% da área do país, mas apenas 14,27% da extensão urbanizada.

    “Podemos notar uma forte concentração da urbanização no litoral brasileiro”, assinala Andressa Rosas. 
     


    Brasília (DF), 17/08/2026 - mapa ilustrativo do IBGE para a matéria
    Brasília (DF), 17/08/2026 - mapa ilustrativo do IBGE para a matéria
    As áreas com mais pontos vermelhos no mapa indicam as superfícies mais urbanizadas do país – Mapa IBGE

    Ela completa a análise destacando que, na faixa de fronteira e no interior do país, a ocupação é “mais rarefeita”. Ela acrescenta que a urbanização acompanha os principais eixos rodoviários do país.

    O IBGE revelou também que metade da área urbanizada (50,35%) está em cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia.

    Apesar de não constar na lista das maiores áreas, o Distrito Federal figura como unidade da Federação com maior proporção de área urbanizada: 11,5% de seu território. De acordo com a analista, isso acontece por causa da “extensão diminuta do território e pelo planejamento coordenado para a urbanização e integração do interior brasileiro”. Na outra ponta, Amazonas tem apenas 0,05% de superfície urbanizada.

    Cidades com mais áreas urbanas

    Ao classificar as cidades pelo tamanho de área urbana, a pesquisa mostra que, das dez maiores extensões, apenas a última, Campinas, no interior paulista, não é capital.
     

    Cidades com maiores superfícies urbanizadas Área
    1. São Paulo 922,41 km²
    2. Brasília 662,54 km²
    3. Rio de Janeiro 644,36 km²
    4. Curitiba  338,41 km²
    5. Goiânia 312,71 km²
    6. Manaus 287,18 km²
    7. Belo Horizonte 279,09 km²
    8. Fortaleza 254,91 km²
    9. Campo Grande 254,29 km²
    10. Campinas (SP) 253,56 km²

    O instituto calculou também quais cidades têm maior proporção de área urbanizada. Em todo o país, 20 municípios têm mais de 60% do território ocupado pela urbanização, sendo 11 no estado de São Paulo:
     

    Cidades com maiores proporções de superfícies urbanizadas Área urbanizada
    1. São Caetano do Sul (SP) 100%
    2. São João de Meriti (RJ) 99,99%
    3. Olinda (PE) 96,36%
    4. Carapicuíba (SP) 94,29%
    5. Osasco (SP) 93,38%
    6. Taboão da Serra (SP) 91,44%
    7. Diadema (SP) 89,63%
    8. Belo Horizonte 84,23%
    9. Jandira (SP) 82,61%
    10. Poá (SP) 82,51%
    11. Fortaleza 81,61%
    12. Belford Roxo (RJ) 79,66%
    13. Curitiba 77,81%
    14. Mauá (SP) 69,99%
    15. Barueri (SP) 66,30%
    16. Recife 66,02%
    17. Hortolândia (SP) 62,44%
    18. Ferraz de Vasconcelos (SP) 61,28%
    19. São Paulo 60,64%
    20. Natal 60,34%

    Para Andressa Rosas, as áreas urbanizadas do Brasil apresentam dinâmicas heterogêneas que demandam “respostas integradas por meio do monitoramento geoespacial, além de indicadores socioambientais, no sentido de orientar políticas públicas de ordenamento territorial”.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17

    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17

    A participação de jovens nas conferências internacionais sobre meio ambiente avançou nos últimos anos, mas ainda há um desafio: fazer com que eles sejam efetivamente integrados aos espaços de decisão. A avaliação é da advogada cearense Beatriz Azevedo, de 33 anos, uma das dez jovens reconhecidas em 2024 como Land Heroes (heróis da terra, em inglês) pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

    O título de Land Hero reconhece jovens e organizações de juventude que desenvolvem ações de enfrentamento à desertificação, à degradação da terra e à seca. A seleção busca dar visibilidade a agentes de mudança e aproximá-los dos processos da convenção.

    Para Beatriz, existe uma expectativa de que os jovens sejam parte da solução para a crise ambiental e climática, mas não são oferecidos estrutura, financiamento e oportunidades profissionais proporcionais a essa cobrança.

    Em entrevista à Agência Brasil, a advogada também fala sobre os desafios para transformar representatividade em influência política. Ela discute ainda o financiamento de iniciativas de restauração e as expectativas para a COP17 de Combate à Desertificação.

    A conferência começou na última segunda (17) e segue até 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia, sob o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”.

    Participam representantes de 197 países, além de cientistas, empresas, organizações da sociedade civil, povos indígenas, pastores, agricultores familiares e jovens para discutir restauração de terras, seca, segurança alimentar, financiamento e resiliência.

    Beatriz também é presidente da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e fundadora da ABA Climate Solutions, uma empresa de consultoria especializada em financiamento climático.

    A expectativa da ambientalista é de que a COP17 represente mais uma oportunidade para ampliar a visibilidade sobre problemas que atingem diretamente o Nordeste brasileiro. Enquanto as negociações climáticas costumam concentrar a atenção sobre a Amazônia, Beatriz avalia que a conferência sobre desertificação permite colocar a Caatinga e o Semiárido no centro das discussões.

     


    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17
Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto; Arquivo pessoal
    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17
Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto; Arquivo pessoal
    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17 Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto: Arquivo pessoal

    Confira a entrevista de Beatriz Avezedo à Agência Brasil

    Agência Brasil: Como representante brasileira do Land Hero, de que maneira você conecta as agendas da UNCCD com a realidade do Nordeste, região historicamente afetada pela seca e desertificação?

    Beatriz Azevedo: Levamos a nossa realidade local para o espaço da ONU por conta dos acessos que nos são abertos. Estive em países como Arábia Saudita, China e Panamá, onde tive espaços de fala para compartilhar a realidade do Ceará e as soluções com as quais venho trabalhando. Já são 14 anos nessa trajetória, então cheguei a um ponto em que quero focar nas soluções, nas ecologias e projetos que funcionam.

    A convenção aborda muito a perspectiva de conter e compensar a degradação, tanto pela conservação quanto pela restauração. Hoje, minha empresa está em processo para entrar na coalizão Business4Land, coalizão de empresas que promovem negócios ligados à terra.

    Muitos jovens premiados atuam diretamente na ponta. Uma amiga tem um projeto de restauração com moringa na África. Outro colega atua com agricultores na Índia. A minha iniciativa atua no meio do processo: conectando financiadores às iniciativas. Eu foco no debate sobre financiamento e políticas públicas, além de acompanhar a implementação de políticas estaduais no Conselho Estadual do Meio Ambiente. O objetivo é sempre integrar o contexto local ao internacional.

    Agência Brasil: Você tem participado há anos de diferentes conferências da ONU. Como avalia a participação da juventude nos espaços de decisão?

    Beatriz Azevedo: A participação avançou bastante. Na primeira COP da Desertificação que fui, em 2013, não havia espaço para a juventude. Hoje, temos o Youth Forum, programas como o Land Heroes, o Ecopreneur (para empreendedores verdes) e o Youth Negotiators, que treina jovens negociadores. Em termos de participação e presença, demos um salto de qualidade.

    O desafio atual é como fazer com que as contribuições dos jovens sejam de fato incorporadas nas decisões finais que são tomadas pelos países. Para isso, os jovens precisam atuar diretamente com seus governos nacionais.

    O governo brasileiro historicamente se mostra muito aberto a esse diálogo com o Itamaraty e com os ministérios, o que é fundamental para fundamentar as posições do país.

    Agência Brasil: Por que é necessária uma participação específica da juventude nesses debates ambientais e quais são as principais demandas que ela apresenta?

    Beatriz Azevedo: Há um debate muito forte sobre justiça climática e representatividade das diferentes juventudes existentes. Os jovens se caracterizam por colocar a “mão na massa”, com muita energia, e por apresentar projetos de grande impacto direto na ponta.

    Por outro lado, a juventude é a geração que está sendo preparada para tomar decisões e liderar em um cenário de “novo normal”, marcado pela crise climática e por fenômenos mais severos, como o El Niño.

    Uma juventude consciente da ciência e dos processos de tomada de decisão está muito mais bem preparada. Além disso, esses espaços promovem a articulação em rede com o governo e a sociedade civil, fortalecendo a formação das lideranças.

    Agência Brasil: Quais são suas principais expectativas em relação às pautas que precisam avançar nesta COP da Desertificação?

    Beatriz Azevedo: Vejo que o governo brasileiro tem enfatizado a bioeconomia, a ideia de que a restauração da terra deve caminhar junto com benefícios socioeconômicos, como geração de emprego e renda.

    Na minha empresa, discutimos projetos nessa linha. Por exemplo, a cultura da macaúba para a produção do combustível sustentável de aviação (SAF) pode ser associada a projetos de restauração. Outra frente são os projetos de restauração financiados pelo mercado de carbono.

    Precisamos de decisões que promovam ações sustentáveis do ponto de vista econômico, ambiental e social. Não se pode exigir a conservação sem oferecer meios de subsistência para quem cuida do território.

    É claro que isso deve caminhar lado a lado com a demarcação de terras indígenas e a garantia de direitos. O caminho é viabilizar o financiamento justo para que chegue aos assentamentos rurais e comunidades locais, promovendo a repartição de benefícios.

    Agência Brasil: A COP da Desertificação costuma receber menos atenção do público do que as COPs do Clima e da Biodiversidade. Como você avalia essa diferença e a possibilidade de torná-la mais conhecida?

    Beatriz Azevedo: Ela é de fato menos conhecida. A do Clima vem em primeiro lugar, seguida pela de Biodiversidade e, por fim, a de Desertificação, até por ser um tema muito associado a regiões específicas, como o semiárido nordestino no Brasil.

    Porém, vejo isso como uma oportunidade. Enquanto na COP do Clima a atenção internacional sobre o Brasil se volta prioritariamente para a Amazônia, a COP de Desertificação dá visibilidade para a Caatinga e o Semiárido. É um espaço valioso para o Nordeste pautar suas demandas diretamente com o governo e outros países.

    Agência Brasil: Muitos jovens ativistas relatam uma sensação de sobrecarga e ansiedade. Como você vê esse cenário de pressão sobre os jovens por mais engajamento e resultados, enquanto precisam lidar com notícias frequentes sobre emergência climática, degradação ambiental e incertezas sobre o futuro da humanidade?

    Beatriz Azevedo: Essa reflexão é muito válida. Entre 2016 e 2021, eu me afastei do processo da ONU justamente por me sentir sobrecarregada ao participar das conferências, mas não ver as coisas mudarem no ritmo necessário. Decidi, então, focar no trabalho local.

    Existe uma narrativa forte de que “o jovem é a solução”, mas há pouca estrutura e financiamento dedicados a isso. O trabalho no terceiro setor muitas vezes é instável, apoia-se excessivamente no trabalho voluntário e oferece remunerações precárias. O ativismo abre portas e dá visibilidade, mas nem sempre se traduz em emprego e renda imediatos.

    Esse cenário impacta a saúde mental. Quando retornei para o espaço internacional, mudei meu foco para o financiamento, pois entendi que esse era o principal gargalo: como fazer os recursos chegarem a quem executa.

    Agência Brasil: Qual mensagem você deixaria para os jovens que desejam se engajar na pauta ambiental?

    Beatriz Azevedo: Gostaria de deixar uma mensagem de esperança e incentivo. Embora o tema pareça por vezes pesado, trabalhar com a agenda ambiental é uma oportunidade de atuar alinhado aos seus propósitos e gerar um impacto positivo na sociedade por meio de novas soluções, tecnologias e projetos. Vale a pena seguir esse caminho profissional e de vida.

    Cobertura na Mongólia

    A Agência Brasil acompanha a COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Grande parte do país tem temperaturas elevadas nesta terça-feira

    Grande parte do país tem temperaturas elevadas nesta terça-feira

    O tempo permanece hoje (18) predominantemente estável, com temperaturas elevadas e baixa umidade do ar na maior parte das regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste. A previsão para esta terça-feira é que os termômetros cheguem a registrar 39°C em Cuiabá.

    Na Região Norte, há condições para pancadas de chuva e trovoadas isoladas no Acre e oeste do Amazonas. No leste do Amapá, norte de Rondônia e no Pará pode ocorrer chuva isolada.

    O alerta laranja de perigo para baixa umidade do ar, que alcança quase todo o centro do país, inclui o leste de Rondônia, sudeste do Amazonas, centro-sul do Pará e  o Tocantins.

    Os termômetros devem registrar mínima de 21°C em Palmas e máxima de 38°C em Porto Velho.

    No Nordeste, o alerta de baixa umidade alcança o centro do Maranhão, centro-norte do Piauí, centro-sul do Ceará, região do Seridó, no Rio Grande do Norte, oeste da Paraíba, de Pernambuco e região central da Bahia.

    No litoral norte da Bahia, em Sergipe, Alagoas e litoral sul de Pernambuco, a previsão é de pancadas de chuva. Já no nordeste da Bahia, oeste de Alagoas e centro-leste de Pernambuco há possibilidade de chuva isolada, assim como no noroeste do Maranhão, apenas pela tarde, e no leste da Paraíba e no litoral sul do Rio Grande do Norte, de noite.

    A amplitude térmica predomina no interior do Nordeste, com mínima de 20°C e máxima de 37°C em Teresina.

    No Centro-Oeste brasileiro, há dois avisos de baixa umidade relativa do ar. Um laranja de perigo, para todo o estado do Goiás, o Distrito Federal e áreas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e outro aviso amarelo de perigo potencial para o sudoeste de Mato Grosso, oeste e sul de Mato Grosso do Sul.

    A temperatura mínima prevista é de 15°C em Brasília e a máxima de 39°C em Cuiabá.

    Na Região Sudeste, o aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar alcança o oeste de Minas Gerais, incluindo o Triângulo Mineiro e noroeste de São Paulo. Já o aviso amarelo de perigo potencial é para o centro-sul de Minas Gerais e grande parte do interior de São Paulo.

    Pela tarde, há possibilidade de chuva isolada no litoral sul de São Paulo. As nuvens continuam sobre o sul e leste de São Paulo, Rio de Janeiro e sudeste de Minas Gerais.

    Os termômetros devem marcar mínima de 13°C em Belo Horizonte e máxima de 31°C em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro.

    Chuva

    Na Região Sul, há aviso laranja de perigo para tempestades no sul do Rio Grande do Sul, principalmente em localidades mais próximas da divisa com o Uruguai, em municípios como Uruguaiana, Bagé, Pelotas e Rio Grande. Outro aviso amarelo de perigo potencial alerta para tempestades na região central do Rio Grande do Sul, em municípios como São Borja, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Camaquã e Mostardas.

    Há condições para pancadas de chuva e trovoadas no centro-sul do Rio Grande do Sul. O céu deve permanecer com muitas nuvens no norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no centro-sul do Paraná. Há condições para pancadas de chuva isoladas, nos períodos da tarde e noite, em Santa Catarina e no sudoeste do Paraná e de chuva isolada no centro-sul do Paraná.

    Os termômetros devem registrar mínima de 16°C e máxima de 27°C em Curitiba.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original