Categoria: Meio Ambiente

  • EUA são criticados por bloquear gênero e participação social na COP17

    EUA são criticados por bloquear gênero e participação social na COP17

    Representantes da sociedade civil e de povos tradicionais criticaram nesta terça-feira (25) o posicionamento dos Estados Unidos durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17). Desde o início do evento, o país tem bloqueado a inclusão de pautas sociais na agenda de negociações.

    Um dos tópicos rejeitados é o de gênero, que trata da igualdade de direitos e de maior representatividade para as mulheres. A articuladora de gênero da sociedade civil na conferência, Beth Roberts, disse que os Estados Unidos exigiram a remoção da palavra em qualquer debate e a definiram como inegociável.

    Beth afirmou que a postura adotada por Donald Trump desde o início de seu governo é abertamente ideológica e reflete estruturas mais amplas de poder.

    “O nacionalismo e o autoritarismo demonstrados pelo governo dos Estados Unidos não estão desconectados do patriarcado. Não estão desconectados da conversa sobre poder que estamos tendo ao longo de toda esta conferência”, disse Beth.

    As principais decisões da COP17 precisam ser tomadas por consenso. A objeção de um país a qualquer elemento dos textos oficiais impede a aprovação deles. Isso inclui agenda, mecanismos, relatórios, instrumentos políticos, protocolos globais, entre outros.

    Beth argumentou que quando as negociações são rompidas com a intenção de travar avanços, os outros países precisam se unir e utilizar ferramentas próprias do protocolo da conferência para proteger o espaço.

    “Os países participam como membros iguais desta convenção. Uma única parte não deveria ter permissão para ditar a conversa neste espaço”, argumentou.

    Já a representante do grupo indígena, Jennifer Tauli Corpuz, do povo Kankana-ey Igorot das Filipinas, apontou o desvio do conceito:

    “Nas comunidades de povos indígenas, tomamos decisões por consenso, mas isso não significa unanimidade. Consenso não é bloqueio. A objeção de uma pessoa não deve sacrificar o bem de todos.”

    A líder indígena reforçou a urgência dos impactos reais no terreno em oposição aos bloqueios diplomáticos.

    “Os países têm que ser corajosos. Têm que lembrar de sua responsabilidade. Estão aqui para responder à seca, às pessoas que estão morrendo de fome ou por causa das perturbações do clima. Não estão aqui apenas para conversar entre si e ir embora”, disse Jennifer.

    A ativista Hindou Oumarou Ibrahim (imagem em destaque), líder do povo pastoral Mbororo, do Chade, afirmou que ciência e conhecimentos tradicionais devem ser colocados juntos, porque a sociedade civil e as comunidades representam as soluções reais.

    Hindou Oumarou Ibrahim reforçou que o grupo não está na conferência como observador passivo, mas para participar plenamente de todas as etapas do processo.

    “O próprio programa oficial da COP17 reconhece a importância de nossos grupos de interesse. A ressalva é muito simples: se essas vozes são reconhecidas fora das salas de negociação, por que deveriam ser excluídas das decisões que moldam o futuro?”, questionou.

    Brasil e União Europeia têm se destacado na oposição aos Estados Unidos e na defesa de inclusão da sociedade civil na agenda.

    Durante evento paralelo na conferência, o ministro do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, reforçou o posicionamento do país: de que negociações precisam incluir os que mais são impactados por elas.

    “Vemos aqui manifestações de países contrários à participação da sociedade civil, que não permitem a formalização dos grupos de debate permanentes junto à convenção. Temos que enfrentar isso, temos que aproveitar os últimos dias agora para reverter essa tendência”, disse o ministro.

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Chuvas e trovoadas atingem Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país

    Chuvas e trovoadas atingem Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país

    Áreas de instabilidade sobre as regiões Centro-Oeste, Sudeste e norte da Região Sul devem causar chuvas e trovoadas em parte dessas áreas, com possibilidade de tempestades e eventual ocorrência de granizo.

    No Centro-Oeste permanece ativo aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no leste de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal. Nas demais áreas de Mato Grosso e no norte de Mato Grosso do Sul, a baixa umidade do ar deve ficar mais acentuada durante a tarde, com aviso amarelo de perigo potencial.

    Nas capitais, a temperatura mínima será de 17°C em Brasília, e a máxima chega a 40°C em Cuiabá.

    Na Região Norte do país, o aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar alcança o sudeste do Pará e o estado do Tocantins. Durante a tarde, a umidade do ar aumenta um pouco e o aviso passa a ser amarelo de perigo potencial.

    O calor e a elevada umidade, característicos da Amazônia, provocam chuva no norte e oeste da região, em Roraima, norte do Amazonas e litoral do Pará e Amapá. Haverá muitas nuvens, mas com chuvas isoladas.

    A temperatura mínima esperada é de 21°C em Rio Branco e a máxima alcança 40°C em Porto Velho.

    No Nordeste, o aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar está ativo para o sul do Maranhão, centro-sul do Piauí, extremo oeste de Pernambuco e centro-oeste da Bahia. Durante a tarde, o aviso será amarelo de perigo potencial para o centro do Maranhão, norte do Piauí, centro-sul do Ceará, sudoeste do Rio Grande do Norte, oeste da Paraíba, centro-oeste de Pernambuco, oeste de Alagoas e região norte da Bahia.

    Há possibilidade de chuva no litoral da Bahia e de Sergipe, além de chuva isolada no noroeste e oeste do Maranhão.

    Confira mais informações sobre a meteorologia no Repórter Brasil, da TV Brasil

    Nas capitais, a temperatura deve variar entre a mínima de 20°C em Maceió e Teresina, e a máxima de 37°C em Teresina.

    No Sudeste, um canal de umidade traz nuvens e chuva isolada no litoral norte do Rio de Janeiro e no litoral do Espírito Santo. À tarde e à noite também pode ocorrer chuva isolada no sul e litoral de São Paulo, no sul e leste de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no centro-sul do Espírito Santo.

    O aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade do ar alcança o norte, noroeste, oeste de Minas Gerais e Triângulo Mineiro.

    A temperatura mínima esperada nas capitais é de 14°C em São Paulo e a máxima de 31°C em Belo Horizonte.

    No Sul do Brasil, o dia começa com possibilidade de geada em grande parte do Rio Grande do Sul e na Serra Catarinense. No noroeste, norte e leste do Paraná e litoral norte de Santa Catarina pode haver chuva isolada durante a tarde. À noite, há possibilidade de chuva isolada no centro-norte e oeste do Paraná.  

    A temperatura mínima será de 5°C em Porto Alegre e a máxima será de 20°C em Curitiba.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Estados do Nordeste tentam atrair investimentos para Caatinga na COP17

    Estados do Nordeste tentam atrair investimentos para Caatinga na COP17

    Representantes do Consórcio Nordeste, que envolve os nove estados da região, estão em Ulaanbaatar, na Mongólia, em busca de recursos para projetos de segurança hídrica, transição energética e restauração do bioma Caatinga.

    A delegação nordestina participará de eventos e reuniões com organismos financeiros e bancos multilaterais ao longo da última semana da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17).

    Nesta segunda-feira (24),  o Consórcio participou de um painel no Pavilhão Brasil, no espaço oficial da conferência, com o Banco Mundial, o Mecanismo Global das Nações Unidas. Também se juntaram ao evento o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e o Banco do Nordeste.

    Para terça-feira (25), está prevista a apresentação do recaatingamento como estratégia integrada de restauração ecológica, adaptação climática e desenvolvimento territorial sustentável. O recaantigamento é um método de convivência com o semiárido, baseado nos conhecimentos e participação das populações locais para recuperar áreas degradadas e conservar a biodiversidade do bioma.

    Plano Nordeste e Fundo Caatinga

    Outra estratégia de integração regional em destaque é o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE), que articula proteção ambiental, competitividade econômica, inclusão social, inovação tecnológica e fortalecimento institucional.

    Os projetos do plano que serão apresentados para a captação de financiamentos envolvem a adaptação diante da seca, como cisternas, barragens subterrâneas, reuso e dessalinização descentralizada.

    O Consórcio também espera atrair investimentos para o Fundo Caatinga, tido pelos governantes como um meio de centralização dos recursos regionais e redução do custo de transação que recai sobre cada projeto individualmente.  

    Nas agendas bilaterais com o Banco Mundial, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA-ONU), o Novo Banco de Desenvolvimento (Brics), serão destacadas três linhas que orientam os projetos.

    A primeira é a segurança hídrica como infraestrutura de adaptação, que reúne dessalinização, poços solares, reuso e conservação de mananciais, com engenharia conhecida, custo por beneficiário mensurável e forte aderência às metas de neutralidade da degradação da terra.

    A segunda envolve transição energética e industrialização de baixo carbono, com exemplo de centros de hidrogênio verde e combustíveis renováveis já estruturados em Pecém (CE), em Suape (PE) e em Santo Amaro das Brotas (SE).

    Além deles, a restauração da terra e a bioeconomia da Caatinga, a partir do recaatingamento, viveiros de grande porte e cadeias produtivas da agricultura familiar.

     

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Frio perde intensidade no Sul e seca persiste no centro do país

    Frio perde intensidade no Sul e seca persiste no centro do país

    Após a passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical, o frio começa a perde intensidade nesta segunda-feira (24), na Região Sul do país. O aviso laranja de perigo para baixa umidade relativa do ar, de até 12%, permanece ativo para uma área que alcança 11 estados: Piauí, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Tocantins, Pará, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo  

    Na Região Sul, o céu fica com muitas nuvens em toda a região e o frio diminui ainda mais a partir do meio da manhã. As geadas ocorrem apenas nos pontos mais elevados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

    A temperatura mínima não passa dos 14°C em Porto Alegre e a máxima é esperada em Curitiba, de 18°C.

    No Centro-Oeste, a nebulosidade volta a aumentar em Mato Grosso do Sul, oeste e norte de Mato Grosso e no sul de Goiás. Nessas áreas, o céu fica com muitas nuvens. Nas demais áreas, o tempo permanece ensolarado, com poucas nuvens.

    A temperatura mínima é de 14°C em Campo Grande. e a máxima será de 35°C em Cuiabá e em Goiânia.

    Na Região Norte, são esperadas pancadas de chuva e trovoadas isoladas, com o retorno das instabilidades ao centro e oeste do Acre e continuidade no oeste e noroeste do Amazonas e em Roraima. Pode haver pancadas de chuva isoladas no nordeste do Acre e no centro do Amazonas.

    A temperatura mínima esperada nas capitais é de 20°C e máxima de 38°C em Palmas.

    No Nordeste, há previsão de chuvas isoladas entre o litoral da Bahia e o litoral leste do Rio Grande do Norte. O céu fica com muitas nuvens em toda a faixa leste da região.

    Os termômetros marcam mínima de 21°C em Aracaju e a máxima chega aos 38°C em Teresina.

    No Sudeste do país, a semana começa com aumento da nebulosidade e com chuva isolada entre o litoral norte de São Paulo, Rio de Janeiro, litoral sul do Espírito Santo e na região de divisa entre Minas Gerais e Rio de Janeiro. No centro e noroeste de Minas Gerais, o céu fica com poucas nuvens.

    A temperatura mínima nas capitais é de 14°C em São Paulo e a máxima de 32°C em Belo Horizonte.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • COP17 entra em semana decisiva com missão de destravar financiamento

    COP17 entra em semana decisiva com missão de destravar financiamento

    A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou na última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os próximos quatro dias do encontro serão divididos em eixos temáticos específicos para tentar acelerar acordos.

    Nesta segunda-feira (24), o foco principal são as finanças. Delegações estão mobilizadas para tentar captar mais recursos destinados à restauração dos solos e combate à seca. Os investimentos anunciados durante o dia, no entanto, mostram que os objetivos ainda estão muito longe de ser alcançados.

    Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, mas o déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões por ano. 

    A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmine Fouad, fez um apelo para que setores público e privado se engajem no processo.

    “Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas.”

    Pastagens são prioridade

    O maior anúncio econômico da COP17 envolve as pastagens, que ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas.

    A Rangelands Flagship Initiative, lançada em parceria pelo governo da Mongólia e a UNCCD, reúne carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Segundo os organizadores, trata-se da maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.

    A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. O tema é central para a Mongólia, onde a conservação das estepes está diretamente ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.

    O especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD Pablo Munõz disse que o déficit financeiro exige novas formas de atuação. Entre as alternativas discutidas estão o uso de recursos públicos que reduzam riscos para investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios.

    “Reconhecemos a importância das doações e do financiamento concessional [em condições mais favoráveis que as de mercado], mas a escala necessária exige pensar de forma diferente.”

    Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para tentar ampliar essa participação, a UNCCD anunciou uma rede de centros nacionais chamada Business4Land, voltada à aproximação entre empresas, governos e investidores.

    A especialista em sustentabilidade no Mecanismo Global da UNCCD Sarah Toumi afirmou que empresas começam a enxergar que também sentirão os impactos ambientais.

    “Eles precisam mudar suas práticas para sobreviver do ponto de vista econômico, porque a seca e a degradação do solo representam um risco econômico, não apenas ambiental. Então, precisam pensar em como investir para o bem próprio.”

    Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da saúde do solo e da disponibilidade de água. A ideia é que empresas passem a medir seus impactos sobre a terra e incluam a recuperação ambiental em suas estratégias de negócio.

    Nova agenda para as secas

    Outra aposta da COP17 é ampliar os recursos destinados à preparação para os períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) anunciou a criação de um programa integrado para gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões.
     


    Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Rio seco no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação
    Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Rio seco no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação
    Seca avança e movimenta debates na COP17. Foto: ASA / Divulgação

    A iniciativa pretende auxiliar países a abandonar uma lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento, explica Ulrich Appel, representante do GEF.

    “Isso ajudará os países a ter um planejamento rodoviário nacional mais robusto, soluções baseadas na natureza e investimentos que fortaleçam a resiliência antes que a seca se torne um desastre”, disse Ulrich.

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Degradação da terra e clima extremo ameaçam nômades na Mongólia

    Degradação da terra e clima extremo ameaçam nômades na Mongólia

    O nômade Batchuluun Maamun, de 57 anos, cresceu nas estepes da Mongólia sempre atento aos sinais da natureza e do céu. Quando o vento chega com intensidade do sul, é questão de tempo para a chuva chegar. Se o sol nasce com um anel de arco-íris ao redor, a previsão é de frio e neve intensos.

    Nas últimas décadas, esses sinais têm trazido cada vez mais preocupação e ansiedade. Episódios recentes de seca prejudicaram a vegetação e fizeram ovelhas, cabras, cavalos e bois sofrerem com o calor. Em 2010, um inverno extremo, conhecido como dzud, provocou a morte de 700 dos 1,3 mil animais que eles tinham. No dzud de 2020, a perda foi de 20% desse rebanho.


    Rio de Janeiro (RJ), 23/08/2026 – Nas estepes da Mongólia, futuro da terra depende de nômades e cientistas. Nômade Batchuluun Maamun, de 57 anos
Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 23/08/2026 – Nas estepes da Mongólia, futuro da terra depende de nômades e cientistas. Nômade Batchuluun Maamun, de 57 anos
Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil
    Nômade Batchuluun Maamun, de 57 anos, vê sinais mais fortes da crise climática Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil

    Batchuluun Maamun vive com a família em uma comunidade de pastores na zona de amortecimento do Parque Nacional de Hustai, que fica a cerca de 100 km a sudoeste da capital. A área permite moradia e uso do solo, mas possui um conjunto de regulamentações para não prejudicar o meio ambiente.

    Há 27 anos eles migraram para a região em busca de condições melhores, percorrendo mil quilômetros de distância desde o ponto anterior. Movimentos são parte essencial da vida nômade e são ditados pelas estações. Durante o verão, eles ficam no acampamento atual. No inverno, se mudam para uma cabana a cerca de 10 km de distância, para se abrigar melhor do frio.

    A degradação das pastagens, o sobrepastoreio, a mineração, a redução das fontes de água e eventos climáticos extremos ameaçam uma forma de vida que depende diretamente da saúde dos ecossistemas.

    Cerca de 70% a 76% do território da Mongólia sofre com a desertificação e a degradação do solo, segundo a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). Isso equivale a aproximadamente 36 milhões de hectares.

    Batchuluun espera que as autoridades reunidas na capital Ulaanbaatar para a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17)  tragam soluções e esperança para os nômades e para a terra.

    “Achamos positivo que temas como seca e sobrepastoreio estejam sendo debatidos, pois são nossos maiores problemas. Queremos que cada um dos participantes compartilhe da ideia de respeitar a natureza e que isso seja ensinado para as futuras gerações desde os primeiros anos de vida”, diz. 


    Rio de Janeiro (RJ), 23/08/2026 – Nas estepes da Mongólia, futuro da terra depende de nômades e cientistas.
Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 23/08/2026 – Nas estepes da Mongólia, futuro da terra depende de nômades e cientistas.
Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil
    Episódios recentes de seca prejudicaram a vegetação e fizeram ovelhas, cabras, cavalos e bois sofrerem com o calor. Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil

    A terra precisa descansar

    Durante muito tempo, as grandes extensões de pastagens foram utilizadas por nômades e outros criadores de gado sem limites formais bem definidos. Com o aumento dos rebanhos e outras pressões sobre o território, porém, a capacidade de suporte de algumas áreas começou a ser ultrapassada.

    Segundo o balanço oficial do governo, a Mongólia possuía cerca de 58 milhões de animais de rebanho em 2025, crescimento de 0,8% em relação a 2024. Esse número já chegou a ser de 71 milhões antes do dzud de 2023, quando milhões morreram pelo frio.

    O número é bem superior ao total da população humana. A Mongólia tem um total de 3 milhões e 400 mil pessoas, sendo que 700 mil, ou 30%, são nômades ou seminômades. É o 18º maior país do mundo em termos territoriais, mas é o menos povoado de todos.

    A resposta encontrada pela família de Batchuluun e os vizinhos para lidar com a degradação do solo foi deixar determinadas áreas sem uso. Para permitir que a natureza se recuperasse, decidiram não voltar durante dois anos em um dos locais onde costumavam manter os animais.

    Quando retornaram, viram que a vegetação havia voltado a crescer.

    Para reduzir a pressão sobre o território, muitos criadores passaram a buscar animais mais produtivos e a diversificar a renda, aproveitando melhor o leite, a carne, a lã e outros produtos.

    “Antes, era como se as pessoas quisessem aumentar cada vez mais o número de animais. Agora há uma preocupação maior em aproveitar melhor cada um deles”, relata Maamun. 

    Continuidade dos jovens


    Rio de Janeiro (RJ), 23/08/2026 – Nas estepes da Mongólia, futuro da terra depende de nômades e cientistas. -  Oyunchimeg Shuurai, 53 anos
Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 23/08/2026 – Nas estepes da Mongólia, futuro da terra depende de nômades e cientistas. -  Oyunchimeg Shuurai, 53 anos
Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil

    Nômade Oyunchimeg Shuurai, 53 anos, defende uso equilibrado da terra Foto: Rafael Cardoso/Agência Brasil

    Para a mulher de Batchuluun, Oyunchimeg Shuurai, de 53 anos, esse aprendizado é uma forma de deixar condições melhores para novas gerações.

    “Se continuássemos apenas fazendo o que sempre fizemos, sem aprender outras formas de viver e produzir, isso não seria bom para o futuro”, diz Oyunchimeg.

    O nomadismo também depende de jovens interessados em seguir esse modo de vida. Oyunchimeg e Batchuluun têm quatro filhos. Eles não pretendem obrigá-los a se tornarem pastores, mas gostariam que pelo menos um deles escolhesse continuar a tradição.

    “Não pode ser uma obrigação”, diz Maamun. “Mas eu ficaria feliz se algum deles quisesse”.

    O futuro do nomadismo, para o casal, depende justamente de encontrar equilíbrio entre conhecimentos tradicionais e novos.

    A família usa painéis solares para produzir eletricidade e conservar alimentos. No inverno, utiliza esterco seco de animais como combustível para aquecimento, em vez de depender exclusivamente de fontes fósseis.

    A tecnologia, porém, não mudou o princípio central que orienta sua relação com a estepe: proteger a natureza não significa manter a terra intocada, mas saber quando e como utilizá-la, sem retirar dela mais do que ela pode oferecer.

    “Quando a única preocupação passa a ser o lucro, a terra acaba sendo destruída”, afirma Oyunchimeg.

     

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Peixe antes desprezado melhora renda de mulheres da pesca no Rio

    Peixe antes desprezado melhora renda de mulheres da pesca no Rio

    Uma culinária criativa pode movimentar a economia de uma comunidade. É o que reflete a experiência de mulheres da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangue de Magé (ACAMM), da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, cujas vidas mudaram a partir de saberes tradicionais que transformaram a forma de renda local. No centro dessa história está um peixe que, até então, não era valorizado comercialmente por pescadores e pescadoras: a ubarana. 

    É da Cozinha das Caranguejeiras, localizada na sede da ACAMM, que saem estrogonofe, escondidinho, almôndegas, bolinhos, coxinhas, croquetes, quibes e risoles, entre outras receitas feitas com a ubarana. 

    A técnica utilizada pelas mulheres para processar a carne do peixe, baseada nos saberes transmitidos de geração em geração, agregou valor à ubarana em pratos comercializados durante almoços especiais, organizados com a venda de convites à comunidade, visitantes, grupos de turistas, de pesquisadores e de empresas, e ainda por meio de encomendas.

    “A gente pega muitos turista, pessoas de faculdade, ou que estão estudando a área ambiental e vêm conversar com a gente. São empresas que passam por lá, pessoas que têm interesse em conhecer o nosso trabalho e vão lá almoçar com a gente. Nisso, a gente vai fomentando as mulheres caranguejeiras”, conta Márcia Regina, pescadora durante 40 anos e agora aposentada da atividade.

    Com a aprovação em um edital do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), a Cozinha conquistou um endereço físico provisório em 2021, quando o recurso foi usado no aluguel de um espaço. Três anos depois, após a associação ser contemplada em um outro edital, transferiu-se para um lugar maior na ACAMM.

    Aos 62 anos, atualmente auxiliar geral na Cozinha das Caranguejeiras e secretária da ACAMM, Márcia Regina vê o trabalho das mulheres na associação também como uma ação social.

    “São pratos feitos com ubarana e assim temos ajudado 15 famílias. As mulheres, às vezes com depressão, vão para a cozinha e acabam ficando boas. Porque, juntas, a gente começa a conversar, contar casos, histórias e problemas nossos. Uma ajudando a outra. Acaba sendo uma ação social dentro da Cozinha. Tem sido muito bom e ainda gera renda”, contou ela, que foi presidente da associação por 12 anos.

    Ubarana

    De acordo com Márcia, a história das mulheres caranguejeiras é antiga na área do Rio Suruí, no recôncavo da Baía de Guanabara, na região dos manguezais. Elas viviam da cata de caranguejos, mas já beneficiavam esse peixe para consumo próprio, quando os maridos traziam da pesca. “A gente começou a trabalhar com a associação, entidade criada por causa de muita insatisfação na área da pesca com os catadores. Começamos a fazer também na cozinha inaugurada em 2023 e a trabalhar mais ainda, não só para consumo, mas para vender”, explicou.

    Segundo a bióloga Verônica Souza, do Projeto Andadas Ecológicas, iniciativa da ONG Guardiões do Mar que apoia a Cozinha e a ACAMM, a ubarana é um peixe que vive em ambientes costeiros e estuarinos, sendo encontrado até em manguezais, por toda a Baía de Guanabara.

    Por ter muitas espinhas finas e espalhadas, tem o preparo em filés dificultado, o que prejudica também o consumo geral.

    “Por isso, tradicionalmente, é menos valorizado, por pescadores e pescadoras, já que as pessoas costumam preferir peixes com poucas espinhas. Acaba tendo um baixo valor comercial”, explica.

    A bióloga elogiou o trabalho das mulheres que encontraram uma nova forma de renda valorizando um pescado que era desprezado. “Elas desenvolveram uma forma própria de preparo, que permite aproveitar sua carne sem que as espinhas sejam percebidas. É um exemplo interessante de como o conhecimento e as práticas culinárias da comunidade podem transformar a forma como uma espécie é percebida e valorizada”, observa. 

    O presidente da ACAMM, Rafael Santos, conta que, antes, a ubarana era complemento de segurança alimentar da comunidade e passou a ser oferecida como petisco em reuniões na associação. Uma pessoa de fora que estava lá sugeriu que fosse vendido na associação e pudesse gerar renda para fortalecer a cadeia de mulheres que já faziam o preparo dentro das suas próprias casas.

    Até então, ele desconhecia o valor econômico desse peixe.

    “Foi uma organização delas mesmas dentro do território, cada uma trazendo ao produto um pouco da sua própria casa. ‘Olha testei um estrogonofe na minha casa e deu certo’, ‘testei uma coxinha da ubarana deu certo’ Foram juntando esse conhecimento e trouxeram à tona o valor da ubarana”, afirma.

    Geração de renda e conservação

    Atualmente, 15 mulheres atuam diretamente na Cozinha e nas atividades desenvolvidas pela ACAMM em formato de rodízio. Elas recebem um percentual sobre as vendas dos pratos. Além disso, 24 famílias também são atendidas. Neste grupo estão ainda pescadores associados, que por meio de aluguel reduzido, usam o espaço para seus eventos pessoais, como aniversários e casamentos.

    O presidente destacou que a renda dos pescadores e pescadoras da região, que continua sendo fortalecida pela cata do camarão e pela pesca de outros tipos de peixe, também é garantida por ações de conscientização que foram desenvolvidas para a preservação da região do manguezal.

    “A gente faz a limpeza e o replantio de manguezal, porque sabe que o estuário onde sobrevive o peixe depende muito da qualidade. Para esse peixe chegar com qualidade na mesa, depende do processo de conseguir manejar resíduos que prejudiquem a espécie para que ela não suma da Baía de Guanabara”, explica. 

    Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos retiraram 12.622 quilos de resíduos do Rio Suruí e de suas margens com a Operação LimpaOca, também desenvolvida pela ONG Guardiões do Mar.


    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – Cozinha das Caranguejeiras, em Magé (RJ), transforma a ubarana em renda para as mulheres da comunidade.
Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos retiraram 12 mil kgs de resíduos do Rio Suruí e de suas margens com a Operação LimpaOca.
Foto: Rodrigo Campanário/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – Cozinha das Caranguejeiras, em Magé (RJ), transforma a ubarana em renda para as mulheres da comunidade.
Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos retiraram 12 mil kgs de resíduos do Rio Suruí e de suas margens com a Operação LimpaOca.
Foto: Rodrigo Campanário/Divulgação
     Desde janeiro, pescadores artesanais e catadores de caranguejos retiraram 12 mil kgs de resíduos do Rio Suruí e de suas margens com a Operação LimpaOca. Foto: Rodrigo Campanário/Divulgação

    Turismo de Base Comunitária

    Outra atividade das Caranguejeiras é incentivar os roteiros de Turismo de Base Comunitária na Baía de Guanabara. As construções centenárias e a natureza que chamam atenção são atrativos turísticos da cidade de Magé, que oferecem programas como a observação de fauna e flora, com embarque no Rio Suruí, incluindo o avistamento de botos, na Baía de Guanabara.

    Rafael Santos disse que essa atividade vai ao encontro do propósito da associação de desenvolver projetos educativos na região.

    “A Cozinha não funciona apenas para vender um prato de ubarana ou qualquer outro derivado, muito pelo contrário. Tem que ter uma demanda que diz que aquela pessoa está indo ali no intuito, além de se alimentar, de aprender alguma coisa sobre educação ambiental. Sem esse propósito ela não funciona”, afirmou.

    Parceria

    A Cozinha das Caranguejeiras e a ACAMM são apoiadas pelo Projeto Andadas Ecológicas, iniciativa da ONG Guardiões do Mar, em parceria com a Petrobras, a partir do atendimento à condicionante da Licença de Instalação do Sistema Dutoviário do Complexo de Energias Boaventura. “O projeto, construído a partir de uma escuta ativa das lideranças locais, atua na região com atividades de educação ambiental, Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), moeda ambiental e limpeza de rios e manguezais”, informou a ONG.

     

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Takhi, o cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia

    Takhi, o cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia

    No Parque Nacional Hustai, na Mongólia, 354 cavalos selvagens takhi correm livres por morros e estepes. O animal chegou a ser extinto na natureza durante quase três décadas, mas voltou a habitar terras mongóis depois de um projeto de restauração que envolveu pesquisadores locais e estrangeiros.

    O cavalo é um dos principais símbolos do país. Pode ser visto em roupas, bichos de pelúcia, pintado em muros e ilustrando marcas comerciais. Trazê-lo para o território é devolver uma fonte de orgulho nacional, diz o diretor do parque, Dashpurev Tserendeleg.

    “Takhi significa respeito e adoração. Fala do espírito livre e da resistência. São cavalos animais muito especiais para os mongóis”, disse Tserendeleg  à Agência Brasil.

    Conhecido internacionalmente como cavalo-de-Przewalski, o animal recebeu esse nome após o explorador russo Nikolai Przhevalsky enviar espécimes encontrados na Ásia Central para cientistas europeus, no fim do século 19.

    O takhi é considerado o único cavalo verdadeiramente selvagem que sobrevive até hoje. Outros animais chamados de cavalos selvagens são, na realidade, descendentes de cavalos domesticados que voltaram a viver livres na natureza.

    Geneticamente, o takhi também se diferencia do cavalo doméstico: tem 66 cromossomos, contra 64 dos animais domesticados. É um pouco menor, tem focinho mais claro e uma cauda menos espessa.


    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – O cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia
Foto: Hustai National Park/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – O cavalo selvagem que virou símbolo de restauração na Mongólia
Foto: Hustai National Park/Divulgação
    Cavalos takhi correm livres por morros e estepes Foto: Hustai National Park/Divulgação – Hustai National Park/Divulgação

    Da captura à extinção

    A descoberta do animal pelos europeus despertou rapidamente o interesse de colecionadores e de zoológicos. Entre 1897 e 1903, expedições capturaram 88 cavalos na Mongólia. Apenas 54 chegaram vivos ao destino e somente 12 deixaram descendentes.

    Enquanto isso, a população selvagem continuava a desaparecer. O último takhi foi avistado na Mongólia em 1968. Depois, não houve novos registros, e a espécie foi declarada extinta na natureza. A sobrevivência passou então a depender dos descendentes mantidos fora de seu habitat original.

    Na década de 1970, uma organização criada por conservacionistas holandeses iniciou um programa de reprodução para reorganizar e ampliar a população cativa.

    Os animais foram transferidos para reservas com condições mais próximas da vida selvagem, e cientistas passaram a planejar o retorno à Mongólia, em parceria com a Associação Mongol para a Conservação da Natureza e do Meio Ambiente.

    Em 5 de junho de 1992, 15 cavalos chegaram à Mongólia para iniciar a reintrodução em Hustai. Até o ano 2000, foram realizadas cinco operações de transporte, que levaram 84 animais ao país.

    Antes de serem soltos definitivamente, os cavalos passaram por um período de adaptação em áreas cercadas.

    “Eles tinham passado algumas gerações na Europa e em outros lugares com clima muito mais ameno e praticamente tinham esquecido tudo: o que era neve, o que era um lobo”, disse o diretor. “Se fossem soltos diretamente na natureza, não sobreviveriam”.

    O processo de adaptação funcionou. A população cresceu e passou a se reproduzir livremente nas estepes. Além dos mais de 300 animais que vivem no parque nacional, há duas populações reintroduzidas em outras áreas protegidas da Mongólia, elevando o total do país a cerca de 800 animais.

    Para Dashpurev Tserendeleg, o caso mostra que a cooperação internacional pode evitar o desaparecimento definitivo de uma espécie. O parque, criado em torno do projeto de reintrodução, abriga hoje uma das três populações do animal no país.

    “Esse é o nosso maior sucesso. É algo de que temos muito orgulho: o povo mongol e nossos colegas internacionais conseguiram salvar esse grande mamífero da extinção total e dar a ele um bom futuro”, disse o diretor.


    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – Diretor do Parque Nacional Hustai, Mongólia, Dashpurev Tserendeleg.
Foto: Hustai National Park/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 22/08/2026 – Diretor do Parque Nacional Hustai, Mongólia, Dashpurev Tserendeleg.
Foto: Hustai National Park/Divulgação
    O diretor do Parque Nacional Hustai, na Mongólia, Dashpurev Tserendeleg, por Hustai National Park/Divulgação

     

    Desafios para manutenção

    Com 50 mil hectares, Hustai é um dos menores parques nacionais da Mongólia. A área é gerida por uma organização não governamental, sem subsídios regulares do Estado. Cerca de 90% de sua receita vem do turismo.

    A conservação do takhi nas próximas décadas está diretamente ligada à proteção das estepes, cada vez mais pressionadas pela mudança climática e pelo aumento do número de animais domésticos, que pressionam o solo já degradado.

    A Mongólia tem hoje cerca de 58 milhões de animais de rebanho, segundo o Censo 2025 do Escritório Nacional de Estatísticas. São principalmente ovelhas, cabras, vacas e cavalos. O excesso de animais em determinadas áreas, combinado com secas e invernos extremos, tem provocado degradação dos pastos.

    A proteção e restauração da terra são temas centrais na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que está sendo realizada em Ulaanbaatar, capital do país. O evento reúne governos para discutir formas de combater a desertificação, restaurar terras degradadas e fortalecer a resiliência diante da seca.

    No entorno do parque, a estratégia tem sido tentar criar alternativas econômicas para as famílias nômades, reduzindo a dependência exclusiva da pecuária e, consequentemente, a pressão para aumentar os rebanhos.

    O parque apoia iniciativas como turismo comunitário, agricultura em estufas e artesanato.

    “Se os pastores tiverem outras fontes de renda, não precisarão aumentar tanto o número de animais”, explicou Tserendeleg. “Se a natureza estiver bem protegida, o parque também estará mais protegido”.

     

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Fim de semana terá tempo seco no Centro-Oeste e frio intenso no Sul

    Fim de semana terá tempo seco no Centro-Oeste e frio intenso no Sul

    Neste sábado (22) e domingo (23), a previsão do tempo no país será marcada pelos contrastes térmicos, de acordo com boletim divulgado pelo Instituto Nacional de Metereologia (Inmet).  

    Enquanto o Centro-Oeste e parte do Norte e Nordeste enfrentarão altas temperaturas e baixa umidade do ar, no Sul e Sudeste o frio aparece e há  possibilidade de geadas e nevoeiros. Há ainda a previsão de ventos intensos no litoral norte do Nordeste, no litoral do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. 

    Norte 

    No sábado (22), o cenário de baixa umidade relativa do ar e altas temperaturas atinge grande parte do centro sul do estado do Pará, leste e sul do Amazonas, Rondônia e todo o Tocantins – em Palmas (TO), a máxima no fim de semana será de 39° C.  

    Em razão da baixa umidade do ar, o Inmet emitiu um aviso laranja, que indica perigo, para sudeste do Amazonas, sul do Pará e centro-sul de Tocantins, onde o índice pode chegar a 12%.  

    Já no oeste, noroeste e norte do Amazonas e no estado de Roraima, o tempo fica instável e há previsão de chuva e trovoadas. Também há possibilidade de chuva isolada no centro e oeste do Acre, centro do Amazonas, noroeste do Pará e no oeste e norte do Amapá. 

    Diante dessa previsão, o Inmet emitiu aviso amarelo de perigo potencial para chuvas intensas no oeste e noroeste do Amazonas, incluindo municípios como Tabatinga, Benjamin Constant e São Gabriel da Cachoeira. 

    Nordeste 

    O sábado será de sol na maior parte do Nordeste, com possibilidade de chuva isolada apenas no litoral da Bahia. Há um aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no sul do Maranhão, centro-sul do Piauí, sudoeste do Ceará, oeste de Pernambuco e centro-oeste da Bahia. Nesses locais, a umidade poderá chegar a 12%.  

    Entre as capitais, a temperatura mínima no período será de 21°C em Aracaju (SE) e Maceió (AL), e a máxima chega aos 38°C em Teresina (PI). 

    Ventos costeiros estão previstos para os litorais do Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, com aviso amarelo de perigo potencial. O Inmet alerta ainda para o perigo potencial de vendaval no litoral sul da Bahia.  

    No domingo, o céu permanece com muitas nuvens e há possibilidade de chuva isolada em toda a faixa leste do Nordeste, desde o litoral da Bahia até o litoral leste do Rio Grande do Norte.  

    Centro-Oeste 

    O fim de semana será marcado pela baixa umidade do ar em todos os estados da região e no Distrito Federal. Para sábado, há aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no norte, centro, sul e leste de Mato Grosso, norte e leste de Mato Grosso do Sul, em Goiás e no DF. Nesse locais, a umidade pode chegar a 12%, com risco aumentado para queimadas.  

    Nas demais áreas do Centro-Oeste, há aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade do ar durante a tarde de sábado, com o índice podendo chegar a 20%. 

    Sudeste 

    No sábado (22), a previsão é de céu com muitas nuvens em toda a faixa litorânea da região. Há possibilidade de chuva isolada no litoral norte do Rio de Janeiro, No litoral do Espírito Santo, no leste de Minas Gerais, no norte do Rio de Janeiro e no Espírito Santo.  

    O Inmet emitiu aviso laranja de perigo para baixa umidade do ar no noroeste e norte de São Paulo e para grande parte de Minas Gerais. Nessas áreas, a umidade pode chegar a 12%. Já no Espírito Santo e no nordeste de Minas Gerais, há aviso amarelo de perigo potencial para vendaval.  

    Em São Paulo e nas regiões de serra do sul de Minas Gerais, a temperatura cai e há possibilidade de geada. Ao amanhecer, nevoeiros ocorrem no leste de São Paulo e ao longo da faixa litorânea do estado. 

    No domingo, a mínima pode chegar a 10°C em São Paulo, a menor entre as capitais da região. Enquanto isso, a máxima será de 32°C em Belo Horizonte (MG).  

    Sul 

    O fim de semana será de frio intenso na maior parte do Sul do país. No sábado, pela manhã, está em vigor um aviso laranja de perigo para declínio de temperatura no sul do Paraná, serra de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.  

    Há previsão de geada no centro-sul e no sudeste do Paraná, na região central e nas serras de Santa Catarina e em grande parte do Rio Grande do Sul. O cenário se repete no domingo, quando o dia amanhecerá com nevoeiro no leste do Paraná e no nordeste de Santa Catarina.  

    Nas capitais da região Sul, a temperatura mínima será de 6°C em Porto Alegre (RS) no sábado e no domingo. A temperatura máxima será em Curitiba (PR), 20°C no domingo. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Cristo Redentor se prepara para compensar impacto ambiental do turismo

    Cristo Redentor se prepara para compensar impacto ambiental do turismo

    O Santuário do Cristo Redentor, que gere o monumento mais famoso do país, assinou nesta sexta-feira (21) um termo que dá início a um processo de certificação internacional para reduzir o impacto ambiental do turismo.

    O acordo com a empresa Green Initiative International prevê inicialmente o levantamento do impacto ambiental das visitas, assim como o de ações que podem ser adotadas pela maravilha do mundo moderno para compensar os danos ao planeta.

    Em 2025, o local recebeu número recorde de turistas, cerca de 1,5 milhão de pessoas, de acordo com o Santuário do Cristo Redentor. No dia 1ª de janeiro do ano passado, foram 20 mil em um único dia, um pico.

    O Ministério do Turismo confirma o grande interesse no monumento e informa que o atrativo é um dos dez pontos turísticos brasileiros mais procurados no exterior.

    Com as ações ambientais, o Cristo, que completará 100 anos em 2031, poderá obter duas certificações: a Climate Positive ou a Carbon Neutral.

    A primeira comprova que medidas de compensação superam as próprias emissões de gases tóxicos na natureza, contribuindo positivamente para o clima. Já a segunda assegura que as emissões do atrativo são completamente compensadas, mantendo neutralidade.

    Para alcançar uma delas, o Cristo começará identificando as emissões no dia a dia, calculará a captura de carbono pelas áreas de Mata Atlântica no seu entorno e elaborará um diagnóstico com ações de mitigação de impacto.

    Esses dados servirão de base para o Plano de Ação Climática do monumento, com medidas de curto e médio prazo, para contribuir com a compensação dos gases do efeito estufa emitidos em quase um século de visitas.

    Parceria com Machu Pichu

    As medidas estão previstas como parte do acordo para a certificação climática com a Green Initiative International, uma empresa que verifica os compromissos de organizações e destinos turísticos com a sustentabilidade.

    A Green Initiative oferece suporte técnico para realização do plano de mitigação ambiental e é responsável por buscar recursos para o desenvolvimento das ações, sem custos para o Santuário.

    A organização também foi contratada pelos gestores de Machu Picchu, no Peru. Outra das sete maravilhas do mundo moderno e um dos principais destinos turísticos na América do Sul, a cidade inca se tornou parceira nesta sexta-feira de ações sociais do Cristo.

    O Santuário Cristo Redentor e os gestores da atração peruana assinaram um acordo para troca de experiências em diversas áreas, como o próprio turismo sustentável, a divulgação conjunta dos dois monumentos e a valorização do patrimônio histórico e cultural. O anúncio foi feito no monumento, no Rio de Janeiro.

    Em nota à imprensa, as entidades afirmaram que a parceria, chamada de geminação, promoverá a troca de experiências, assim como “aproximará povos, histórias e valores”.

    Para isso, ainda estão previstas a criação de réplicas dos monumentos para exposição nos locais geminados e a realização conjunta de campanhas sociais.

    A parceria entre o Cristo e Machu Picchu não é inédita e outras do mesmo tipo foram realizadas entre o monumento do Corcovado e santuários dentro e fora do Brasil.

    Entre elas, com o Santuário de Cristo Rei, em Portugal, o Cristo Redentore di Maratea, na Itália, o Cristo del Otero, na Espanha, além do Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP); o Cristo Redentor de Itaperuna (RJ); o Cristo Luz, em Balneário Camboriú (SC).

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original