Categoria: Cultura

  • Escolas do Grupo Especial começam a escolher sambas-enredo

    Escolas do Grupo Especial começam a escolher sambas-enredo

    As 12 escolas de samba do Grupo Especial começam a definir nesta sexta-feira (4) os sambas-enredo que vão levar para a Avenida Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2027. A Portela dá a largada, com a escolha do samba nesta sexta-feira (4), a partir das 21h, na quadra da escola, prestando homenagem ao compositor Monarco, baluarte da escola de Madureira.

    No sábado (6), duas escolas farão a seleção final dos sambas-enredo: a Estação Primeira de Mangueira e a Mocidade Independente de Padre Miguel. A Mangueira vai levar para a Avenida o enredo: “Oyá por Nós”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França.  O tema aborda a ancestralidade, a força e a cultura afro-brasileira ligadas à divindade Oyá (Iansã), orixá dos ventos, das tempestades, dos raios e do fogo na mitologia iorubá e nas religiões afro-brasileiras.

    A Mocidade Independente de Padre Miguel apresentará o enredo “Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto”. O enredo representa um manifesto político, artístico e cultural pelo protagonismo da América Latina. Baseia-se na famosa obra “América Invertida” (1943), do artista uruguaio Joaquín Torres García, que desenhou o mapa do continente com o Sul para cima.

    Transmissão

    É a primeira vez que as disputas chegam à casa de milhares de brasileiros simultaneamente. As finais, antes transmitidas de maneira avulsa por parte das escolas, também estão sendo projetadas de forma pioneira. A iniciativa é da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). A disputa dos sambas será transmitida no YouTube.

    “É muito significativo ver que a Rio Carnaval TV já está conseguindo levar a experiência das quadras para pessoas que estão em outros estados e até fora do país, diz Gabriel David, presidente da Liesa. 

     Segundo ele, as escolas estão sempre de portas abertas e lotadas recebendo suas comunidades e os apaixonados, de perto ou de longe. “Agora, elas também dão as boas-vindas a uma legião de espectadores virtuais”.

     Finais

    A sequência de finais dos sambas-enredo prossegue na semana que vem, com Beija-Flor (10 de setembro), Vila Isabel (11), Salgueiro e Unidos da Tijuca (12).

    Depois, vêm Imperatriz Leopoldinense e União de Maricá (18), Viradouro (19) e Grande Rio (20), encerrando o calendário.

    Confira a agenda:

    Portela – Sexta-feira, 04/09
    Mangueira e Mocidade – Sábado, 05/09
    Beija-Flor – Quinta-feira, 10/09
    Vila Isabel – Sexta-feira,11/09
    Salgueiro e Unidos da Tijuca – Sábado, 12/09
    Imperatriz e Maricá – Sexta-feira, 18/09
    Viradouro – Sábado, 19/09
    Grande Rio – Domingo, 20/09

    O desfile oficial das escolas da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) na Marquês de Sapucaí será nos dias 7, 8 e 9 de fevereiro de 2027, com a apresentação de quatro escolas por noite. Veja a ordem do desfile:

    Domingo (7 de fevereiro de 2027)

    União de Maricá (Campeã da Série Ouro)

    Beija-Flor de Nilópolis

    Paraíso do Tuiuti

    Unidos de Vila Isabel

    Segunda-feira (8 de fevereiro de 2027)

    Mocidade Independente de Padre Miguel

    Unidos da Tijuca

    Acadêmicos do Salgueiro

    Imperatriz Leopoldinense

    Terça-feira (9 de fevereiro de 2027)

    Portela

    Unidos do Viradouro

    Acadêmicos do Grande Rio

    Estação Primeira de Mangueira

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rádio MEC apresenta tributo ao compositor Francisco Mignone

    Rádio MEC apresenta tributo ao compositor Francisco Mignone

    Para marcar os 40 anos de saudades do compositor Francisco Mignone (1897-1986), o Sala de Concerto desta sexta (04) transmite um recital com prelúdios, valsas e canções do homenageado. O programa vai ao ar na Rádio MEC, às 17h, com a apresentação musical dos pianistas Marcos Leite e Rogério Duarte e do tenor Renato Lima.
     
    Durante o Sala de Concerto, um seleto repertório vai lembrar e celebrar a obra de Mignone: Seis Prelúdios (Completos); Valsas de Esquina: nos.4,8,6 e 3; Lenda Sertaneja n.2; ⁠4 Peças Brasileiras (Maroca, Maxixando, Nazareth, Toada); Cantiga de Ninar e ⁠Dona Janaína.
     
    Ao longo de sua carreira, o compositor, pianista, regente e professor Francisco Mignone recebeu diversos prêmios e honrarias, como a Ordem do Rio Branco (1972), o Prêmio Golfinho de Ouro do Governo do Estado do Rio de Janeiro (1979) e o Prêmio Shell de Música Brasileira (1982).

    Sua obra é extensa e abrange os mais diversos gêneros, desde peças para piano, com destaque para as Lendas Sertanejas, as Valsas de Esquina, as Valsas Choro, quatro Sonatas e quatro Sonatinas; os Concertinos para fagote (1957) e clarineta, o Concerto para piano (1958), os bailados Maracatu do Chico Rei, Leilão (1939) e Quincas Berro D’Água, peças orquestrais como Festa das Igrejas (1940) e a Sinfonia Tropical e as óperas O Chalaça (1972) e Sargento de Milícias (1980).

    Sobre o Sala de Concerto

    Transmitido às sextas-feiras, às 17h, o programa Sala de Concerto é um espaço para apresentações ao vivo de músicos da cena clássica brasileira. No ar desde o ano 2000, a atração da Rádio MEC promove o encontro entre instrumentistas, cantores e o público.

    Sobre a Rádio MEC

    Conhecida de norte a sul do país como “a Rádio de Música Clássica do Brasil”, a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.

    A Rádio MEC oferece aos ouvintes a experiência de acompanhar repertórios segmentados, composições originais e produções qualificadas. Ainda há espaço também para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.

    A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no app Rádios EBC.

    Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.

     
    Rádio MEC na internet e nas redes sociais

    Site: https://radiomec.ebc.com.br
    Instagram: https://www.instagram.com/radiomec
    Spotify: https://open.spotify.com/user/radiomec
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    WhatsApp: (21) 99710-0537

    Como sintonizar a Rádio MEC

    Rio de Janeiro: FM 99,3 MHz e AM 800 kHz
    Belo Horizonte: FM 87,1 MHz
    Brasília: FM 87,1 MHz e AM 800 kHz
    Parabólica – Star One C2 – 3748,00 MHz – Serviço 3
    Celular – App Rádios EBC para Android e iOS

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Lavagem de Madeleine exalta cultura afro-brasileira em Paris

    Lavagem de Madeleine exalta cultura afro-brasileira em Paris

    Cerca de 60 mil pessoas devem participar este ano da 25ª edição da Lavagem de Madeleine – um dos maiores encontros da cultura afro-brasileira na Europa. Brasileiros, franceses e turistas de todo o mundo se encontrarão, entre os dias 10 e 13 deste mês, em Paris. 

    A expectativa é do criador do evento, Roberto Chaves, o Robertinho, como é chamado o multiartista negro, queer, andrógino e de Candomblé. Nascido em Santo Amaro da Purificação (BA), ele vive desde 1990 na França, onde divulga a cultura brasileira e afro-brasileira.

    Patrimônio Imaterial da França, a Lavagem de Madeleine faz parte do calendário oficial da capital francesa e conta com apoio da prefeitura local e da Secretaria de Turismo da Bahia, além de patrocínio da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).

    O evento integra também a Rota dos Escravizados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), roteiro cultural internacional que conecta locais relacionados à história da escravidão e busca preservar a memória desse período.

    Origem
     


    PAris, 03/09/2026 - Lavagem de Madeleine. Foto: Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine
    PAris, 03/09/2026 - Lavagem de Madeleine. Foto: Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine
    Público reunido nas escadarias da Igreja de la Madeleine. Foto: Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine

    Robertinho conta que a ideia de promover a lavagem da escadaria de uma igreja em Paris, inspirada na Lavagem da Igreja do Bonfim, de Salvador (BA), surgiu em 1998, na Basílica do Sacré-Cœur, em Montmartre, aproveitando a Copa do Mundo de Futebol na França para divulgar o Brasil.

    “Eu estava querendo trazer o Brasil para perto de mim, matar o meu ‘banzo’, as saudades da família, dos amigos, trazer a cultura, e pensei em fazer um evento da Bahia que eu tinha sabedoria. Um evento de branco, com pai de santo, tambores, um evento afro.”

    Um dia, passando em frente à Igreja de la Madeleine, Roberto Chaves resolveu conversar com o padre encarregado da administração e descobriu que ele já havia visitado a Bahia e conhecia seu povo. 

    A partir dali, a Lavagem de Madeleine ocorreu ganhou proporção maior a cada ano. “Ano passado, foram 60 mil seguidores”. O cortejo da edição 2025 foi puxado pelo grupo Olodum.

    Importância

    Robertinho considera que a Lavagem de Madeleine é de grande relevância para o Brasil e para a cultura afro-brasileira. 

    “A Lavagem mostra que o Brasil tem culinária, tem cultura, capoeira, dança”, disse. “Tem maracatu, samba de roda, afoxé, várias alas representando os estados brasileiros. É um festival da cultura brasileira”, acrescentou.

    Roteiro
     


    PAris, 03/09/2026 - Lavagem de Madeleine. Foto: Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine
    PAris, 03/09/2026 - Lavagem de Madeleine. Foto: Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine
    Cerca de 60 mil pessoas devem participar este ano. Estimativa é do criador do evento, Robertinho, ao centro  – Ulysses Venturin/Lavagem de Madeleine

    A exposição fotográfica Três Olhares, em homenagem aos 25 anos da lavagem, abrirá o evento no dia 10/9, na Embaixada do Brasil na França. Nos dias 11 e 12 de setembro haverá workshop de dança afro-brasileira. 

    O cortejo é o ponto alto da Lavagem de Madeleine. Mais de 700 artistas vão ocupar as ruas de Paris, no dia 13, apresentando a cultura afro-brasileira. Este ano, a cantora Mariene de Castro e Robertinho Chaves comandarão o trio elétrico, que terá participações dos artistas Jau, Gildaa e Lorena Pires.

    “São 15 grupos folclóricos afros que desfilarão no cortejo”. Participam também grupos de percussão, samba, maracatu, capoeira, além da ala de baianas.

    A concentração será na Place de la République. Dali, o cortejo seguirá até a Igreja de La Madeleine, onde ocorrerá a tradicional lavagem simbólica das escadarias pelas baianas, em uma cerimônia marcada pelo diálogo entre diferentes tradições religiosas e culturais.

    Para marcar o sincretismo, a cantora lírica brasileira Lorena Pires, residente da Academia da Ópera Nacional de Paris desde o ano passado, interpretará a música Ave-Maria, reforçando o encontro entre as diferentes tradições culturais que marcam a Lavagem.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Avanço dos EUA sobre recursos estratégicos pauta o Brasil no Mundo

    Avanço dos EUA sobre recursos estratégicos pauta o Brasil no Mundo

    Vai ao ar nesta quinta-feira (3), às 22h30, na TV Brasil, uma nova edição do programa Brasil no Mundo com uma análise do avanço dos Estados Unidos sobre os recursos estratégicos no continente, desde a exploração do petróleo venezuelano à entrada de capital ligado ao Pentágono na única mineradora de terras raras em operação no Brasil.

    O cientista político e professor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro Carlos Eduardo Martins é o convidado dessa edição e contribui com as análises ao lado dos jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat.

    Autor de livros e pesquisas sobre globalização, dependência e economia política internacional, Carlos Eduardo Martins se dedica ao estudo das relações entre América Latina, Estados Unidos e China, além das disputas de poder que moldam a geopolítica contemporânea.

    A atração trata também das novas articulações entre países emergentes, a disputa pela hegemonia em inteligência artificial e o debate sobre a sua regulação no G20.

    Sobre a produção

    O Brasil no Mundo se dedica a discutir, com profundidade e clareza, os grandes acontecimentos internacionais que moldam a política, a economia e a vida cotidiana. Conduzido por Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, o programa combina análises de contexto, explicações acessíveis e entrevistas com especialistas que ajudam a iluminar os reflexos do cenário global no Brasil.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • CBL: Bienal do Livro de São Paulo terá maior edição de sua história

    CBL: Bienal do Livro de São Paulo terá maior edição de sua história

    A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, terá a participação de 350 autores nacionais e internacionais, 269 expositores e onze espaços culturais.

    A expectativa é receber mais de 700 mil visitantes, com uma expansão física e uma programação cultural ampliada nesta edição. 

    A programação será distribuída por 11 espaços temáticos, cada um com identidade própria e curadoria especializada. No total, serão 3.450 horas de programação. Os ingressos estão disponíveis pela plataforma Fever.

    Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), organizadora do evento, a edição de 2026 consolida-se como a maior da história do evento, refletindo sua evolução como um grande festival cultural e literário.

    A Bienal reunirá uma diversidade de autores da literatura brasileira e internacional, contemplando variados gêneros, estilos e públicos. Nomes como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Ruy Castro, Cármen Lúcia, Lilia Schwarcz e Fernando Morais são alguns dos destaques programados para esta edição.

    A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, lançou recentemente o livro Pela mão do povo — Democracia e voto no Brasil (editora Bazar do Tempo), em coautoria com a cientista política Heloisa Starling. A obra percorre a história da democracia brasileira por meio das eleições, das leis e dos eleitores, refletindo sobre a construção da cidadania e do voto no país.

    Autoras consagradas da literatura no país, Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz participam juntas da mesa Conceição Evaristo: 80 anos de escrevivência, que vai tratar de literatura, memória, ancestralidade e seu conceito de escrevivência.

    As autoras estarão em mais mesas ao longo da Bienal, com destaque para o bate-papo entre Eliana, Marcelino Freire e Estevão Ribeiro em torno do livro recém lançado Escreviventes (Pallas Editora). A obra tem origem em um diálogo entre Conceição e Eliana, gravado ao longo de dois dias na Kaza 123, quilombo urbano no Rio de Janeiro, e terá uma versão em documentário, com direção de Estevão.

    Autores contemporâneos reconhecidos também marcam presença, incluindo Bethania Pires Amaro, Itamar Vieira Jr., Aline Bei, Socorro Acioli, Giovana Madalosso, Jefferson Tenório.

    A escritora Bethania Pires Amaro teve seu primeiro livro, Ninho, vencedor dos prêmios Jabuti, APCA e Sesc de Literatura, todos na categoria Contos. Neste ano, ela estreou no romance com Ressalga (editora Record). Na obra, ela retoma a história de mulheres que eram profissionais do sexo, entre as décadas de 1950 e 1970, na Ladeira da Montanha, reduto boêmio de Salvador (BA) na época. 

    Internacional

    Entre os convidados internacionais confirmados estão Ana Huang, autora de Amor Corrompido (editora Essência) e que tem sua obra disseminada especialmente em comunidades do TikTok; e Alice Oseman, reconhecida no cenário internacional pela série de livros Heartstopper (editora Seguinte), que ganhou uma adaptação audiovisual e traz temas ligados à adolescência e LGBTQIA+.

    A jornalista Lesley-Ann Jones, que escreveu biografias de David Bowie, John Lennon, Rolling Stones e Freddie Mercury, é um dos destaques desta Bienal. Ela participa dos debates Freddie Mercury: o que ainda não sabíamos e Música, memória e legado.

    A Bienal deste ano tem ainda a Espanha como Convidado de Honra, para fortalecer o intercâmbio cultural e editorial com o Brasil.

    Com curadoria da escritora Marta Sanz, em um espaço de cerca de 500 metros quadrados, haverá uma programação especial de debates, encontros literários e exposições, apresentando a diversidade da literatura espanhola contemporânea ao público brasileiro.

    Expansão física

    O evento deste ano marca uma expansão física e operacional, com a maior área já ocupada pela Bienal, passando a ocupar 86 mil metros quadrados, que representa um crescimento de 28% em relação à edição anterior.

    A área comercial cresceu 20%, os espaços destinados à programação cultural foram ampliados em 4,7% e a área de alimentação aumentou 8,8%. A reorganização da infraestrutura permitiu ainda a instalação de novos espaços para convivência, experiências culturais e áreas de descanso.

    “Mais do que uma feira, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo é um grande ponto de encontro do ecossistema do livro. O crescimento da área comercial e a forte adesão do mercado demonstram sua importância como plataforma de negócios, valorização da leitura e conexão entre diferentes públicos”, afirmou Sevani Matos, presidente da CBL.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Pesquisa mostra que celular impulsiona a leitura digital no Brasil

    Pesquisa mostra que celular impulsiona a leitura digital no Brasil

    O Brasil tem cerca de 94 milhões de leitores digitais. Consumidores que, nos últimos 12 meses, usaram algum dispositivo eletrônico, como celular, notebook ou aparelho de leitura, para acessar notícias, livros, audiolivros, pdfs, textos informativos, quadrinhos e mangás.

    A constatação é de um levantamento que busca traçar o perfil e os hábitos dos leitores, identificando o tipo de conteúdo que consomem, como o acessam, com que frequência, por quais motivos, como se inteiram das novidades, entre outras informações relevantes para o aprimoramento de políticas públicas e de estratégias de mercado.

    Realizada pela Nielsen BookData, multinacional especializada em pesquisas sobre o mercado editorial, a pesquisa Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro aponta que o universo de leitores digitais é composto por perfis como o da técnica de enfermagem e cuidadora Maria das Neves de Araújo Alves, de 60 anos.

    Moradora de Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, e empregada em Brasília, Nevinha passa ao menos três horas diárias dentro de ônibus, se deslocando entre sua casa e o trabalho. Parte do tempo, ela dedica à leitura de romances e livros de ação.

    “Prefiro ler no telefone porque ele está sempre comigo e posso ler no ônibus, no posto de saúde, em quase todo lugar”, contou Nevinha à Agência Brasil.

    Nevinha explica que mantém o hábito há pelo menos quatro anos, já tendo perdido a conta de quantos livros e textos leu.

    “Termino um livro, começo outro. Não sou boa para guardar nomes, então, não sei citar nenhum, mas gosto de livros com romance e ação que escolho na própria plataforma. Leio o resumo e pego os que acho curiosos. Alguns eu leio até o fim, mesmo não gostando da história. Outros me emocionam, eu pareço viver a trama. Parece que conheci as personagens de verdade”, acrescentou Nevinha.

    Ao escolher a plataforma gratuita que utiliza, a leitora levou em conta o fato de dispensar downloads – o que a ajuda a economizar dados móveis e espaço de armazenamento no aparelho.

    Para a cuidadora, o suporte eletrônico eliminou barreiras práticas, substituindo as publicações em papel.

    “O livro se torna mais difícil para mim, porque é mais um peso para eu carregar na bolsa, no ônibus. E eu teria que ou comprá-lo ou ir a uma biblioteca – e não há nenhuma perto de onde eu moro”, refletiu Nevinha.

    Dados

    Divulgada nesta quarta-feira (2), a pesquisa da Nielsen BookData aponta que os conteúdos digitais que os entrevistados mais acessaram nos 12 meses que antecederam a pesquisa, feita entre 1º e 11 de junho deste ano, foram notícias e livros digitais, seguidos por artigos em blogs ou sites especializados e audiolivros.

    O levantamento também revela uma dinâmica muito específica sobre o consumo cultural no país. Sessenta e quatro por cento dos leitores digitais integram as classes C (46%), D e E (18%). Os que pertencem à classe B são 29%, enquanto os da classe A são 7%.

    A partir das 3 mil entrevistas feitas com pessoas de todas as classes e regiões do país, os pesquisadores concluem que o telefone celular é o principal dispositivo de acesso aos diferentes formatos de conteúdo digital: 72% dos que leem livros eletrônicos ou ouvem audiolivros o fazem por smartphone. O telefone celular também teve a preferência de 85% dos que leram outros tipos de textos que não os livros.

    Os leitores digitais brasileiros são predominantemente jovens adultos (18 a 44 anos), com maior presença (56%) feminina. Metade dos leitores digitais se declara branca. Pardos (37%) e pretos (11%) respondem por quase toda a outra metade (48%), enquanto amarelos são 2% e os indígenas 0,2%.

    Seis em cada dez (61%) leitores de livros afirmam ter optado pela versão digital pela facilidade de acesso. Outros 48% disseram preferir os aparelhos digitais pela possibilidade de carregar consigo, para qualquer lugar, vários livros em um só dispositivo. O preço mais barato do que o de um título similar em papel foi o terceiro motivo mais citado pelos entrevistados.

    Além disso, 48,8% contaram ter consumido livros e audiolivros que obtiveram gratuitamente em sites, aplicativos ou links não oficiais, enquanto 46,4% disseram ter recorrido a sites institucionais, como a plataforma MEC Livros, do Ministério da Educação, e a obras em domínio público. Quarenta e seis por cento dos entrevistados sinalizaram que nem sempre sabem se um livro digital gratuito é legal ou autorizado. E 43% dos entrevistados afirmaram que leem “muito mais”, graças às oportunidades digitais

    Plataformas digitais como aliadas

    Para Rodrigo Meinberg, executivo-chefe da plataforma digital de leitura Skeelo, que ajudou a viabilizar a pesquisa, as telas, longe de concorrerem com os livros físicos, tornaram-se uma importante aliada na formação de leitores, proporcionando superar desafios históricos da divulgação à distribuição.


    Brasília (DF) 02/09/2026 - O CEO do Skeelo, Rodrigo Meinberg e o presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, 
Rafael Lunes, durante divulgação de  pesquisa que divulga dados inéditos sobre o comportamento do leitor no ecossistema digital. O evento aconteceu na Bibilioteca Nacional de Brasília  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
    Brasília (DF) 02/09/2026 - O CEO do Skeelo, Rodrigo Meinberg e o presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, 
Rafael Lunes, durante divulgação de  pesquisa que divulga dados inéditos sobre o comportamento do leitor no ecossistema digital. O evento aconteceu na Bibilioteca Nacional de Brasília  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
    Rodrigo Meinberg aponta plataformas digitais como aliadas na formação de leitoras- Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    “Talvez nunca antes na História tantas pessoas tenham falado sobre livros como agora, com as redes sociais, que são fontes geradoras de descoberta de novos autores”, comentou Meinberg. 

    O executivo pondera que as pesquisas de mercado até então feitas no Brasil e no mundo não captavam fielmente os impactos das mudanças tecnológicas para o mercado editorial.

    “Hoje, o livro está presente [nos telefones celulares de] quase todos os brasileiros”, acrescentou o executivo. Ele destaca o fato de as principais operadoras de telefonia celular terem parcerias comerciais com aplicativos e ecossistemas de leitura digital, chegando a disponibilizar uma gama de livros gratuitos para seus clientes.

    “Segundo o IBGE, em 2018, apenas 18% dos [5.570] municípios brasileiros possuíam uma livraria. O que restringe o acesso da população a novos livros, à cultura, informação e desenvolvimento social. Já a rede móvel [de telefonia] chega onde as livrarias não chegam. Ou seja, estamos diante de uma grande oportunidade”, disse Meinberg. 

    De acordo com o executivo, a pesquisa mostra que só nos últimos 12 meses, 47 milhões de brasileiros tiveram contato e leram um livro digital ou um pdf ou ouviram um audiolivro.

    Rompimento de barreiras

    Para o presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital, Rafael Lunes, a tecnologia tornou-se “o canal por onde a cultura e a educação finalmente romperam as barreiras da exclusão física”.

    “O cenário da leitura em um país continental, gigantesco, como o Brasil, apresenta um paradoxo persistente: avançamos significativamente na alfabetização, mas temos ainda milhares de municípios brasileiros sem uma única livraria ou biblioteca operacional. Ensinamos a ler, mas há uma flagrante escassez de oferta de leitura”, comentou Lunes.

    Para Lunes, o país ainda enfrenta o desafio de superar “a alfabetização funcional” e passar a formar “leitores habituais”, promovendo o acesso a “bons livros”.

    “A tecnologia nos permite transformar as telas digitais de inimigas em aliadas deste processo”, concluiu Lunes, elogiando a plataforma MEC Livros por, em menos de seis meses, ter superado as marcas de 1,1 milhão usuários e de mais 750 mil downloads, ajudando a “derrubar o estigma de que o brasileiro não gosta de ler” e servindo de “exemplo prático de como a tecnologia pode oferecer acesso aos livros.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Festival Favela Gourmet promove segunda edição em comunidades do Rio

    Festival Favela Gourmet promove segunda edição em comunidades do Rio

    Começa nesta sexta-feira (4) a segunda edição do Favela Gourmet, que reunirá este ano cerca de 40 bares, restaurantes e lanchonetes das comunidades da Rocinha e Vidigal, ambas na zona sul do Rio de Janeiro. A expectativa dos organizadores é reunir em torno de 5 mil visitantes até o encerramento do festival, no próximo dia 11.

    Na primeira edição, em 2025, participaram 14 bares e restaurantes. O festival integra o projeto Na Favela Turismo, do empreendedor Renan Monteiro, da Rocinha. 

    À Agência Brasil, Monteiro disse que o aumento do número de participantes “é legal, porque a gente está trazendo até negócios menores da favela, para poder incluir mais gente e dar oportunidade para esse pessoal que tem empreendimentos menores, mas com muito potencial também”.

    Este ano, o número de premiações será maior, contemplando sete vencedores, em vez de três, como ocorreu em 2025. Além do melhor prato principal ou petisco, melhor drinque ou café, haverá prêmio para bar ou restaurante revelação e duas premiações para melhores guias. 

    A premiação para guias, segundo Renan Monteiro, é para fomentar cada vez mais o negócio do turismo.

    Receberá prêmio o guia que visitar o maior número de restaurantes durante o evento, além dos locais que já conhece na rota, e o guia que levar mais turistas para os locais.

    Nesta edição do Favela Gourmet, a premiação será distribuída para os mais votados nas categorias Melhor Comida (R$ 2 mil), ⁠Melhor Bebida (R$ 1 mil), ⁠2º Melhor Prato (R$ 500), ⁠2ª Melhor Bebida (R$ 500), ⁠Melhor Revelação (R$ 500), ⁠Guia com mais visitantes (R$ 500) e ⁠Guia que visitou mais estabelecimentos com consumo (R$ 500). 

    No ano passado, os três vencedores receberam R$ 3 mil cada. 

    Renan explicou que a organização do evento optou por reduzir o valor dos prêmios, mas contemplar um número maior de participantes.

    Encontros e negócios

    Mais do que um circuito gastronômico, o evento celebra as pessoas que são empreendedoras, criativas e fazem a economia girar dentro da comunidade.

    A votação para escolha dos melhores será feita por QR Code, com a premiação acontecendo em 11 de setembro.

    Na primeira edição, cerca de 300 profissionais estiveram envolvidos e o público registrou 3,2 mil votos. Os estabelecimentos participantes tiveram aumento de cerca de 35% no movimento durante o evento.

    Também nas redes sociais, o engajamento cresceu em torno de 70%, ampliando a visibilidade dos empreendedores locais e revelando ao público o potencial cultural e econômico das duas comunidades.

    O Favela Gourmet, segundo o organizador, não se limita aos dias programados. Ao aproximar moradores, turistas, guias, agências e empreendedores, o evento cria novas possibilidades de encontro e negócios. 

    Os pequenos empreendedores estão recebendo consultoria do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio de Janeiro (Sebrae Rio) para ampliação de sua capacidade.

    Renan Monteiro diz que a proposta é fomentar a rota turística por meio da gastronomia, que apresenta grande potencial nas duas comunidades. 

    “A gente quer mostrar isso para o mundo inteiro”. 

    Ele avalia que quando o turista entra na comunidade para conhecer, provar e conversar, não leva apenas uma experiência, mas acaba enxergando a comunidade de uma nova maneira.

    Flor de baunilha

    Verônica Batista de Oliveira mora no Vidigal e foi premiada na primeira edição do Favela Gourmet por seu cuscuz recheado de carne seca com banana da terra e o bolo de cenoura. Ela concorreu no segmento café da manhã. 

    Este ano, ela apresenta croissants, nas versões salgado e doce, que criou em sua cafeteria Flor de Baunilha. Por causa do nome do empreendimento, Verônica é conhecida também como Flor na comunidade do Vidigal.

    Seu empreendimento começou há dez anos, quando ela foi demitida de uma empresa, onde era gerente administrativa. “Comecei a fazer doces em casa, coloquei no restaurante de uma amiga. O início foi assim, com sobremesas e docinhos para festa”, contou à Agência Brasil.

    O café da manhã entrou na programação há quatro anos, durante a pandemia da covid-19. Com a perda de uma pessoa da família, Verônica herdou muitas louças, e então decidiu oferecer café da manhã à comunidade.

    “Só que com a pegada de tudo ser servido em xícaras com pires”. 

    Com ajuda da irmã, ela alugou um espaço, que é dividido em fisioterapia, manicure e cafeteria, esta situada à frente do local. 

    O nome Flor de Baunilha foi escolhido para batizar a cafeteria pelo fato de Verônica ter começado o negócio pela fabricação de doces. “Eu gosto muito do cheiro de doces e achei que a baunilha tinha tudo a ver”.

    Verônica trabalha sozinha, mas procura apresentar um diferencial em relação às padarias existentes nas comunidades que também oferecem café da manhã. 

    “Eu tento sempre fazer as coisas de modo que as pessoas se sintam aconchegadas. Quero que o espaço seja realmente diferente de uma padaria”. 

    A programação pode ser acessada no site do Favela Gourmet.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Morre no Rio, aos 83 anos, o ator Gracindo Jr.

    Morre no Rio, aos 83 anos, o ator Gracindo Jr.

    O ator e diretor Gracindo Jr. morreu, na noite dessa terça-feira (2), em casa aos 83 anos, de causas naturais. Em nota, o Ministério da Cultura (MinC) informou que recebeu a notícia com pesar. Destacou sua dedicação à arte por 50 anos, passando pelo teatro, rádio, cinema e televisão, período em que desempenhou também a função de roteirista.

    O nome de batismo – Epaminondas Xavier Gracindo – foi dado pelo pai, o também ator Paulo Gracindo. Nascido no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1943, aos 15 anos Gracindo fez um teste para a Rádio Nacional e, ao ser aprovado se tornou ator, redator e disc-jóquei na emissora.

    A estreia no teatro foi em 1961, na peça A Escada, de Oswald de Andrade. Na tevê foram vários os trabalhos em novelas de sucesso como Mandala, O Salvador da Pátria, Rainha da Sucata, Deus nos Acuda, Explode Coração, Anjo de Mim, Esplendor e Celebridade. Gracindo Jr foi um dos fundadores da TV Globo, onde chegou a atuar em produções junto com o pai como O Bem Amado. Em O Casarão, os dois interpretaram o mesmo personagem nas versões mais jovem e com mais idade.

    Na direção, também na TV, esteve à frente da novela Marron-Glacé e, em 1983, do programa Os Trapalhões.

    “O MinC se solidariza com os cinco filhos, sete netos e a esposa, Daisy Poli, com quem estava havia mais de cinco décadas”, concluiu a nota do ministério.

    O governador em exercício do estado do Rio, Ricardo Couto, também divulgou nota afirmando que recebeu com tristeza a notícia da morte do ator e diretor., “um dos nomes fundamentais na construção da história da dramaturgia brasileira”.

    Ricardo Couto afirmou que o ator “teve trajetória marcada pelo talento,a  versatilidade e o compromisso com a cultura e o entretenimento” ao longo de mais de cinco décadas dedicadas ao teatro, à televisão, ao rádio e ao cinema.
    “Neste momento de dor, manifesto minha solidariedade aos familiares, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com ele”, completou.

    “Sua luz e seu talento deixaram uma marca inesquecível em todos nós. Descanse em paz”, postou o agenciador de artistas Marcus Montenegro, no Instagram, que informou a morte do ator.

    O corpo de Gracindo JR será cremado, às 14h10, no Cemitério da Penitência, no bairro do Caju, zona norte do Rio. De acordo com o cemitério, o velório na capela 6 começará às 12h10.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Livro inspirado na trajetória de Helena Theodoro será lançado no Rio

    Livro inspirado na trajetória de Helena Theodoro será lançado no Rio

    O lançamento da biografia Dona Helena Theodoro — Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira, na Biblioteca Parque Estadual (BPE), nesta quarta-feira (2), vai trazer o encontro da professora e da aluna, que têm em comum a admiração pela jornada uma da outra.

    Por meio da trajetória da professora Helena Theodoro, uma liderança na defesa da inclusão dos saberes africanos, afro-brasileiros e indígenas nas universidades, a aluna Carla Rocha apresenta a história das chamadas Tias Negras, mulheres reconhecidas pelas suas atuações de acolhimento da coletividade e de preservação da memória das suas comunidades.

    “No mundo africano é o Bantu [princípio ancestral africano], ‘eu sou, porque nós somos. Eu existo, logo penso, e não penso, logo existo’. Nós temos ancestralidade”, citou a professora, em entrevista à Agência Brasil, para exemplificar o que é o acolhimento da coletividade na comunidade negra.

    “Ela tem um vigor fantástico e não é uma pessoa que busca ser absoluta. Ela quer empoderar todas as pessoas. Quer todo mundo junto com ela, não quer atrás dela. Ela dá a mão para todo mundo”, disse Carla em entrevista à Agência Brasil.

    Para Carla, ser orientada por Helena Theodoro, que está viva, e assistir a aulas dela há mais 30 anos é um diferencial. “Não tenho capacidade de dizer o quanto é grandioso”, completou.

    “Helena está aqui e a possibilidade de estar com ela é gigante. É uma mulher de muita força. Tem 83 anos e sai para dar aula, tem evento quase todo dia. Eu falo ‘dona Helena, às vezes fico cansada só de lhe ver. De manhã, a senhora está no Rio, à tarde em São Paulo e à noite já está em casa de volta’”, disse Carla sorrindo.

    “Ela sempre esteve na luta, atuante junto ao povo negro do Brasil e buscando referência em viagens a países africanos e em outros como convidada, por saberem que aqui tinha essa mulher”, acrescentou a aluna.

    A publicação é resultado de uma tese de mestrado de Carla no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A ideia de escolher Helena Theodoro para contar o que representam essas mulheres fortes foi do professor Rafael Haddock-Lobo, que era o orientador da aluna, junto com o coorientador, Marcelo Derzi Moraes.

    A professora, que sempre teve aproximação muito grande com seus alunos e, com frequência, contava sobre sua participação nesse processo de militância, ao ser convidada por Rafael para participar da banca do mestrado de Carla, não sabia qual era o tema do trabalho.

    “Eu não sabia o que ela estava fazendo como tema da tese, mas sabia que estava trabalhando na linha de filosofia popular brasileira, que é o que eu trato no sentido de filosofias africanas e indígena estarem na universidade na medida em que os povos originários e a comunidade negra são muito anteriores ao pensamento europeu”, relatou.

    “Quando chego à banca e ele me entrega a tese, começo a chorar. ‘Como você faz isso comigo?’. Foi assim encantador. Muita emoção”, confessou a primeira mulher negra a ter uma tese de doutorado em filosofia africana, o que ocorreu em 1985. Em 1975 tinha concluído um mestrado.

    Carla, que agora está fazendo doutorado, conta também com Helena Theodoro como orientadora, o que já tinha ocorrido no mestrado. A professora destacou que o livro trata muito da sua participação efetiva na valorização da comunidade negra e da importância do conhecimento, e não é uma biografia dela.

    “É um estudo de pensamentos filosóficos e de maneira de atuação. Fiquei muito feliz porque não é uma coisa presa à minha vida. É um pensamento que venho buscando desde que fiz doutorado”.

    Naquele momento, a professora estava com um número alto de participação em bancas. Só no ano passado foram 32, porque era a única professora pós-doc em filosofia africana e a única negra do departamento de filosofia da UFRJ.

    “Eu tenho 83 anos de idade e continuo na militância, escrevendo e trabalhando porque os meus pais eram militantes. Os meus pais tinham curso superior e aglutinavam a família. Meu pai dizia que a minha mãe e as irmãs dela formavam a máfia do bem, porque tudo era coletivo”, afirmou.

    Na lembrança estão todos os aniversários da família comemorados na casa da sua Tia Alice, no bairro da Tijuca, zona norte do Rio, chegando a ter 94 pessoas presentes. A exceção era o Natal, que reunia a família na casa da Tia Conceição, quituteira, na Ilha do Governador, também zona norte da cidade.

    “A gente aprendeu a se amar, a se gostar, a se aglutinar. Sempre foi a visão do Buntu ’eu sou porque nós somos’”, disse.

    A vida teve também momentos difíceis como a morte, em 1981, do filho Maurício aos 4 anos que teve com o ex-marido Nei Lopes, escritor, cantor, compositor e pesquisador das culturas africanas. Na época, teve apoio de diversos representantes da comunidade negra e de integrantes de terreiros.

    “Eu fui muito amparada pelo Ilê Axé Opô Afonjá [ terreiro de candomblé], pelo mestre Didi e todo o pessoal. Acho que se não tivesse esse tipo de apoio, não teria conseguido superar. Me fizeram, com 15 dias, voltar para a escola e dar aula”, contou.

    A Biblioteca Parque Estadual (BPE) é um equipamento da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec-RJ), “dedicado à democratização do acesso ao livro, à leitura e à literatura”.

    O encontro começará às 14h e seguirá até às 17h. Além de Helena Theodoro, terá a participação dos professores Rafael Haddock-Lobo (UFRJ), Marcelo José Derzi Moraes (UERJ) e Mariane Biteti (UERJ).

    Nascida no Rio de Janeiro, Carla Rocha foi criada no conjunto habitacional do Ipase [Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado, extinta autarquia federal] , em Vicente de Carvalho, na zona norte da capital. Além da licenciatura em filosofia, é formada em jornalismo e especializada em assessoria de comunicação e gestão de negócios sustentáveis.

    Mestre e doutoranda em filosofia pelo Laboratório Encruzilhadas Filosóficas, do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio, é autora de ensaios e contos pelo selo da Festa Literária das Periferias (Flup) e integra o coletivo Mulheres Sambistas.

    A biografia Dona Helena Theodoro — Uma Tia Negra da Filosofia Popular Brasileira, de acordo com a Biblioteca Parque Estadual, ‘também reúne textos de Rafael Haddock-Lobo, responsável pela orelha; Mariane Biteti, autora do prefácio; Marcelo José Derzi Moraes, que assina a apresentação; e Helena Theodoro, responsável pelo posfácio’.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Prêmio Caminhos de Literatura tem inscrições abertas até dia 15

    Prêmio Caminhos de Literatura tem inscrições abertas até dia 15

    A terceira edição do Prêmio Caminhos de Literatura está com inscrições abertas até o dia 15 de setembro. O objetivo do evento é revelar um novo nome da ficção brasileira contemporânea. 

    O autor premiado terá sua obra publicada no Brasil, em Portugal e em Angola, como forma de ampliar a circulação da literatura brasileira para países de língua portuguesa. As inscrições são gratuitas.

    Voltado a escritores de todo o Brasil, o prêmio – promovido pelo Instituto Caminhos da Palavra, com apoio da Estante Virtual – é destinado exclusivamente a autores que estejam escrevendo seu primeiro romance.

    >> As inscrições podem ser feitas no site do evento

    A cerimônia de premiação será no dia 9 de dezembro, no teatro Teatro YouTube, na capital paulista. O vencedor terá o romance publicado pela Dublinense, editora parceira do prêmio desde sua primeira edição.

    A novidade deste ano é a ampliação da circulação internacional, com a publicação da obra em Portugal, pelo Grupo Infinito Particular, no ano que vem. O grupo editorial português já edita no país as escritoras Carla Madeira, Socorro Acioli e Aline Bei.

    A obra vencedora será lançada ainda em Angola pela Editora Kacimbo, criada pelo escritor angolano Ondjaki. A publicação na Kacimbo já representa, desde a segunda edição do prêmio, uma das dimensões internacionais do projeto.

    Segundo a organização do prêmio, ao estabelecer uma trajetória editorial que conecta Brasil, Angola e Portugal, o projeto passa a atuar também como uma plataforma de circulação da literatura brasileira contemporânea entre diferentes territórios do universo lusófono.

    “A chegada do Prêmio Caminhos a Portugal é um grande salto para o projeto. Sabemos como é difícil para uma pessoa iniciante ter o seu livro publicado por uma editora que dê um tratamento profissional e distribua a obra”, disse o escritor e produtor cultural Henrique Rodrigues, idealizador do Instituto Caminhos da Palavra.

    Ele ressalta que o concurso foi criado para estimular a chegada de novas vozes à literatura brasileira.

    “A seleção é protegida por anonimato, a fim de que seja revelado um romance pela sua qualidade”, acrescentou Rodrigues, que também oferecerá uma mentoria literária a quem vencer o Prêmio.

    Vencedores

    A primeira edição teve como vencedora Izabella Cristo, autora paraense radicada em São Paulo, com o romance Mãezinha. A obra permite o questionamento do que seria uma maternidade ideal. E, ao destacar o vocativo “mãezinha”, pretensamente afetuoso, traz a reflexão sobre a infantilização e a redução dessa mulher no contexto da sua maternidade.

    “O prêmio foi, literalmente, uma abertura de caminhos na minha profissão. Se antes eu era uma escritora ainda desconhecida e à margem da vida literária, depois dele passei a ser reconhecida no meio”, diz Izabella Cristo.

    Com o livro publicado, ela conta que conseguiu alcançar leitores e passou experiências valiosas enquanto autora. “Hoje, não sou apenas uma médica que escreve. Sou uma médica escritora. Tenho um lugar.”, acrescentou.

    Na segunda edição, o prêmio revelou a escritora mineira Paula Novais, autora de Gaiolas de concreto armado. O romance aborda a questão das perdas e do luto, com ambientação na pandemia. “O prêmio tem um lugar determinante na minha trajetória como escritora”, disse Paula Novais.

    “A credibilidade do curador Henrique Rodrigues e da comissão julgadora permitiu que meu livro chegasse aos leitores e à imprensa, contando com uma importante chancela de qualidade literária”, mencionou.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original