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  • Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições

    Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições

    A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório em que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento reservado alerta ainda para uma tendência de escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil.

    O relatório foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas neste sábado (19) pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    Segundo a publicação, a inteligência brasileira classifica a possibilidade de interferência externa com um “nível de criticidade” e contextualiza o problema dizendo que “a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina” é prioridade do segundo governo do presidente norte-americano Donald Trump. O objetivo é afastar “rivais dos EUA”, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região.

     A avaliação da Abin indica que houve intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil ao longo dos últimos meses. Além da ingerência nas eleições, o Brasil vem sendo alvo de medidas econômicas e políticas prejudiciais aos interesses nacionais. 

    Enquanto isso, o governo brasileiro busca manter as boas relações diplomáticas e comerciais. Apesar de criticar as ações do governo estadunidense, é comum ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer, em eventos e entrevistas, “eu me dou muito bem com o Trump”. 

    Entenda

    Tudo começou com a famosa “química” que teria brotado entre os dois durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025. Essa foi a exata definição do mandatário norte-americano após um breve encontro entre ambos, quando Lula deixava o palco e Trump se preparava para discursar.

    Mas essa aparente boa relação entre os dois não significa vida fácil para a diplomacia ou para a economia brasileira.

    Desde abril de 2025, o Brasil tem sido alvo de tarifas de exportação para produtos vendidos ao vizinho do Norte. Inicialmente, foram 10% aplicados a vários países. Naquele momento, o interesse puramente econômico dava o tom das medidas anunciadas.

    Dois meses depois, porém, o tom político passou a influenciar medidas econômicas do governo estadunidense. No dia 30 de julho, Donald Trump assinou uma Ordem Executiva (OE) que considerava o Brasil uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA”. E elevou o valor total da tarifa para 50%.

    Aumento das tarifas

    Entre as justificativas para o aumento da tarifa, destacava-se a atuação da Justiça brasileira ao limitar a atuação de redes sociais em território brasileiro. Entre essas redes sociais estavam a Rumble, rede social da Trump Media & Tecnology Group (TMTG), e o X, antigo Twitter, presidido por Elon Musk, aliado de Donald Trump.

    A restrição a determinadas redes sociais tinha relação com a incitação de discursos de ódio e atentados à democracia, de acordo com o Supremo Tribunal Federal.

    Outra justificativa para as tarifas passou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O governo dos Estados Unidos considerou a condenação uma perseguição política e intimidação a opositores do atual governo.

    Trump repetia a versão de Bolsonaro, que afirma ser perseguido no processo em que foi acusado de liderar a tentativa de golpe de Estado no Brasil. Na ocasião, Bolsonaro pressionou comandantes militares para suspender o resultado da eleição presidencial de outubro de 2022, quando perdeu para Lula.

    Lei Magnitsky

    Além das tarifas, o governo norte-americano foi além e aplicou a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator dos processos da trama golpista, bem como de sua esposa, a advogada Viviane Barci Moraes.

    Trata-se de uma lei local, mas que prevê o bloqueio de contas bancárias, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, a proibição de transações com empresas americanas que estão no Brasil, além do impedimento de entrada no país.

    Na ocasião, também foram alvo de cancelamento do visto de entrada nos EUA os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes.

    Em dezembro de 2025, Moraes e sua esposa tiveram os nomes retirados da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.

    O papel de Eduardo Bolsonaro

    Na ocasião, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, já havia ido para os Estados Unidos argumentando ser um perseguido político. Assim que a Lei Magnitsky foi aplicada, ele foi às redes sociais celebrar as medidas econômicas e legais contra o Brasil.

    Além disso, Eduardo afirmou ter atuado junto às autoridades americanas em prol desse resultado. Isso levou o parlamentar a ser denunciado por coação no curso do processo, já que incentivou os EUA a decretarem tarifas para pressionar a Justiça a não condenar seu pai.

    Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF em junho de 2026. Ele continua morando nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

    Queda nas tarifas

    Em fevereiro deste ano, porém, Donald Trump sofreu um revés em sua política tarifária. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente por Trump.

    A Corte decidiu que a imposição de tarifas feita pelo presidente interferiria nos poderes do Congresso do país e violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes. O governo dos EUA, então, teve que devolver bilhões de dólares arrecadados ilegalmente.

    Apesar da limitação legal, o governo dos Estados Unidos ainda lança mão de tarifas. Inclusive contra o Brasil. No dia 22 de julho, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 25%. A medida atingiu 19% das exportações brasileiras para o país norte-americano.

    A alegação do governo Trump, desta vez, se baseava em “adoção de práticas desleais” do Brasil na relação entre os dois países. Entre essas práticas, estariam o uso do PIX (sistema de pagamentos eletrônicos brasileiro), a regulação das redes sociais, o desmatamento ilegal e acordos preferenciais com México e Índia, entre outros.

    Dias depois, uma nova tarifa, de 12,5%, foi aplicada. O argumento foi de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na ocasião, o governo brasileiro afirmou que a tarifa foi “arbitrária e injustificada” e ressaltou o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

    Atualmente, parte dos produtos exportados para o país norte-americano podem ser tributados em até 37,5%.

    Organizações terroristas

    Em maio deste ano, os EUA anunciaram, em comunicado do Departamento de Estado, o desígnio das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

    O governo brasileiro tentou evitar essa designação por meses. Na avaliação do governo, isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou uma aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

    De acordo com especialistas, a classificação dessas facções como terroristas pode, na verdade, atenuar eventuais punições a quem comete crimes de narcotráfico, lavagem de dinheiro, extorsão, latrocínio e contrabando de armas e munições.

    Visto revogado

    Em 4 de agosto, os EUA anunciaram a revogação do visto da embaixadora do Brasil no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O país norte-americano justificou a medida pela demora do Brasil na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil.

    O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando serem falsas. Em nota divulgada à época, o Brasil afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil.

    Segundo o governo, o nome só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião.

    Lula e Trump

    Apesar de reafirmar seu bom relacionamento pessoal com Donald Trump, o presidente Lula não o poupa de críticas. Em junho, afirmou que Trump “fez uma coisa desaforada” ao sugerir novas tarifas contra o Brasil enquanto os dois países negociam.

    Isso não impede, no entanto, encontros ou conversas telefônicas entre os dois. Após o breve encontro na ONU, em setembro de 2025, os dois se encontrariam novamente no mês seguinte em Kuala Lumpur, na Malásia, onde ocorria a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

    Na ocasião, Trump se disse “honrado” por encontrar o presidente brasileiro. Mas nenhum acordo foi anunciado.

    O último encontro entre os dois ocorreu em maio deste ano, em Washington. No encontro, Lula procurou explicar que os Estados Unidos têm superávit na relação comercial com o Brasil e que não há “prática desleal” na relação comercial. Levou documentos e acertou com seu homólogo uma mesa de negociação entre as equipes dos dois governos.

    A reunião durou mais de três horas. Lula também expôs as medidas do Brasil contra o crime organizado, numa tentativa de evitar a designação de facções brasileiras como terroristas, o que ocorreria dias depois.

    Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.

    Além de encontros presenciais, os dois já conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A última dessas conversas, e a mais longa, com 1h20 de duração, ocorreu em agosto. A iniciativa partiu do presidente brasileiro e a ideia era retomar as negociações comerciais e discutir a contenção de conflitos internacionais.

    Ambos estarão juntos novamente na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima terça-feira (22). Lula, como presidente do Brasil, é responsável por abrir o Debate Geral, seguido do discurso do presidente dos Estados Unidos.

    Não há, entretanto, nenhum encontro bilateral marcado entre eles.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mulher de Moraes nega vínculo pessoal com Vorcaro em viagem de jatinho

    O escritório de advocacia Barci de Moraes afirmou neste domingo (20) que não há vínculos pessoais nas contratações de viagens de táxi aéreo para os profissionais da banca.

    A manifestação foi divulgada após a coluna do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, publicar um vídeo que mostra o desembarque do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moares e sua esposa, Viviane Barci, sócia do escritório, no aeroporto Santos Dumond, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto de 2025.

    De acordo com as imagens, o prefixo do jatinho pertence à Prime Aviation, empresa que já teve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro como um de seus sócios.

    Antes da decretação da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o escritório prestou serviços jurídicos ao banco.

    Em nota à imprensa, o escritório disse que contratou viagens com a Prime Aviation, mas negou que Vorcaro tenha realizado voos com Viviane e o ministro

    O escritório negou que a escolha da empresa ocorreu por motivos pessoais.

    “A contratação dos serviços de táxi aéreo segue critérios operacionais e não envolve qualquer vínculo pessoal com proprietários de aeronaves ou operadores específicos. A escolha das aeronaves utilizadas cabe às próprias empresas de aviação civil contratadas, neste caso, a Prime Aviation”, afirmou o escritório.

    A relação entre o Master e o Barci de Moraes veio à tona no ano passado após a imprensa revelar a existência de um contrato de R$ 130 milhões para a prestação de serviços jurídicos, que foram suspensos após a liquidação da instituição.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Vôlei: Brasil vence Sul-Americano e está na Olimpíada 2028

    Vôlei: Brasil vence Sul-Americano e está na Olimpíada 2028

    A seleção masculina de vôlei está classificada para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A vaga foi conquistada com a vitória sobre a Argentina por 3 sets a 0 na manhã deste domingo (20), no ginásio do Maracanazinho, no Rio de Janeiro (RJ).

    Diante de um público de 11.968 pessoas, o time do técnico Bernardinho fez 25/20, 25/23 e 25/20.

    Desde 1964, estreia do voleibol, a seleção masculina do Brasil não ficou de fora de uma edição olímpica. Além da vaga, essa vitória também confirmou o 34ª título do Campeonato Sul-Americano.

    O comando foi do oposto Darlan, maior pontuador da partida com 23 acertos. A seleção do Campeonato, que reúne os melhores jogadores do torneio, foi formada pelo oposto Darlan, o levantador Cachopa, os ponteiros Adriano e Aravena (Chile), os centrais Flávio e Loser (Argentina), e o líbero Massimino (Argentina).
     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Roda de Choro celebra flautista Altamiro Carrilho na Rádio MEC

    Roda de Choro celebra flautista Altamiro Carrilho na Rádio MEC

    A Rádio MEC leva ao ar neste domingo (20), às 20h, mais um episódio inédito da nova temporada do Roda de Choro, que celebra álbuns emblemáticos do gênero musical. A edição, que também pode ser conferida pelos ouvintes na Rádio Nacional às sextas, às 22h, destaca os álbuns Choros Imortais, do flautista Altamiro Carrilho.

    Lançados em 1964 e 1965, os dois volumes de Choros Imortais figuram entre os melhores discos de choro de todos os tempos. Além de Altamiro Carrilho, as coletâneas contam com o grupo Regional do Canhoto no acompanhamento, Dino 7 Cordas e Meira ao violão, Canhoto no cavaquinho, Orlando Silveira no acordeon e Gilson Martins no pandeiro.

    O repertório apresentado durante o programa destaca músicas dos dois álbuns: Doce de Coco (Jacob do Bandolim), Naquele Tempo (Pixinguinha), Língua de Preto (Honorino Lopes), Harmonia Selvagem (Dante Santoro), Ubiratan (Pixinguinha), Evocação (Rubens Leal Brito), Chorei (Pixinguinha e Benedito Lacerda), Sofres Porque Queres (Pixinguinha), Cinco Companheiros (Pixinguinha), Cuidado, Violão (Zé Toledo), Carinhoso (Pixinguinha), Lamentos (Pixinguinha), Sonoroso (Kchimbinho e Del Loro), Arranca Toco (Jaime Tomas Florence), Aperitivo (Mario Rossi e Ayres da Costa Pessoa), Entre Amigos (Raul Silva), Espinha de Bacalhau (Severino Araújo e Fausto Nilo) e O Saci da Flauta (Aldo Taranto e José Mauro). 

    Ao longo da nova temporada, o Roda de Choro homenageia discos icônicos como Saudades de um clarinete, de K-Ximbinho, que será destaque da próxima edição do programa. A atração segue mesclando seleção musical e entrevistas ao ressaltar grandes nomes e obras do choro. 

    Sobre o programa                                                                           

    O programa Roda de Choro apresenta artistas clássicos e contemporâneos que fazem do choro um estilo musical brasileiro respeitado mundo afora por sua originalidade e sofisticação. A produção é feita com gravações de grupos, músicos e compositores, ao vivo no estúdio.

    A atração mescla seleção musical e entrevistas com instrumentistas e pesquisadores, destacando grandes nomes do choro, lançamentos fonográficos, clubes e festivais.

    Serviço

    Roda de Choro – domingos, às 20h, na Rádio MEC 

    Roda de Choro – sextas-feiras, às 22h, na Rádio Nacional

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    Rio de Janeiro: FM 99,3 MHz e AM 800 kHz

    Belo Horizonte: FM 87,1 MHz

    Brasília: FM 87,1 MHz e AM 800 kHz

    Parabólica – Star One C2 – 3748,00 MHz – Serviço 3

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    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Contra a Argentina, Brasil é tetracampeão mundial de futsal down

    Contra a Argentina, Brasil é tetracampeão mundial de futsal down

    De goleada, o Brasil conquistou o quarto título mundial de futsal down, modalidade esportiva adaptada voltada exclusivamente para atletas com síndrome de Down. Na partida deste sábado (19), contra a Argentina, os brasileiros venceram por 10 a 1 a final do campeonato que foi disputada na cidade de Mérida, no México.

    Renato Gregório, atleta do Corinthians, marcou 29 gols na competição e levou o prêmio de melhor jogador.

    Durante todo o torneio, a Seleção ficou invicta, com vitórias marcantes como 9 a 3 na estreia contra a própria Argentina e 13 a 2 sobre a Guatemala na fase de grupos.

     

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    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios

    Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios

    Ameaças, agressões e descumprimentos de medidas protetivas frequentemente aparecem antes de um feminicídio. No entanto, especialistas avaliam que a fragmentação dos serviços de atendimento a vítimas de violência faz com que oportunidades de intervenção sejam perdidas e que sinais conhecidos pelo Estado acabem, em muitos casos, em mortes que poderiam ter sido evitadas.

    Para a promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), as diferentes instituições que trabalham no combate à violência e no atendimento às vítimas precisam atuar de forma integrada, como acontece, por exemplo, no enfrentamento à criminalidade organizada.

    “A fragmentação institucional, em que cada instituição registra apenas parte do fenômeno, faz com que o Estado tenha uma visão de fragmentos, não da trajetória de violência”, disse a promotora, durante o painel Feminicídios e violência doméstica: por que seguimos falhando?, realizado no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    “A ausência de integração de dados estratégicos e as ilhas de informação das instituições que não se conversam, somadas às falhas na fiscalização das medidas protetivas de urgência, estão transformando oportunidades de proteção em falhas que resultam nas mortes de mulheres”, acrescentou a promotora.

    O delegado Julio Guebert, professor da Academia de Polícia Civil de São Paulo, também defende que os serviços de atendimento às vítimas de violência operem em rede, conectando diferentes órgãos e profissionais, como forma de superar as ações isoladas.

    “Se não tiver uma rede, nós não vamos chegar a lugar nenhum.”

    “Você tem uma porta na delegacia, uma porta no MP, uma porta na Defensoria, na saúde, na educação. Todas essas portas têm que chegar na mesma sala. Isso é a rede. É o que a gente está tentando implantar. É complexo, é custoso, quando você fala de orçamento. Mas é a única solução.”

    Omissão do Estado

    De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 72,9% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não dispõem de nenhum serviço especializado de atendimento à mulher.

    “É exatamente nesses territórios que a gente tem visto essas mortes acontecerem, porque as mulheres não têm sequer onde pedir ajuda”, afirmou a promotora Silvia Chakian.

    “Então, também é verdade que a gente colhe um legado de negligência, de leniência e omissão estatal no investimento e na destinação do orçamento público compatível com a magnitude do problema. Isso precisa ser dito”, ressaltou.

    Para a delegada titular da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Cristine Costa, é preciso criar mecanismos que facilitem o acesso da mulher vítima de violência a um registro de ocorrência. Ela cita a implementação do boletim de ocorrência eletrônico de violência doméstica em São Paulo. Pelo sistema, também é possível solicitar medidas protetivas pelo celular.

    Em uma segunda frente de trabalho da Polícia Civil, ela defende a qualificação dos policiais para que acolham a vítima sem fazer nenhum tipo de julgamento sobre a gravidade da violência que ela sofreu, incluindo denúncias de ameaça ou injúria.

    “A gente tem que acolher essa mulher no primeiro sinal de violência.”

    “Para que acolham essa mulher no primeiro sinal de violência sem pré-julgamento, sem que ela se sinta mal de estar ali para narrar um crime que [pode parecer para alguns] que não é relevante, mas a gente sabe que é o início de uma escalada criminosa que pode, sim, culminar com o feminicídio”, disse a delegada.

    Ódio e misoginia

    A escalada da brutalidade da violência contra as mulheres, segundo Silvia Chakian, tem chamado a atenção dos diferentes profissionais que trabalham com a questão.

    “São 61 golpes contra o rosto da mulher dentro do elevador, é a mulher atropelada e arrastada na via pública até perder as pernas.”

    “Esse ódio, essa manifestação de mais violência, é reflexo também desse caldo cultural que cresce nas redes, do fomento desse discurso misógino, que propaga uma ideia de desvalor, uma propaganda negativa sobre as mulheres”, relatou a promotora.

    Ela acrescenta que o discurso misógino tem cooptado jovens cada vez mais cedo.

    “Aproveitando-se das frustrações típicas da adolescência, muitas vezes, ou de vulnerabilidades sociais, para poder atrair, sob o fio condutor da misoginia, os jovens para esse discurso, que lá na frente vai justificar muita violência.”

    Embora não haja um único ponto que explique a atual violência contra as mulheres, a promotora afirma que os índices de violência contra mulheres estão diretamente relacionados aos índices de desigualdade de gênero no país, que ainda são alarmantes.

    “Se nós queremos [nos] antecipar, prevenir essas mortes, é preciso garantir um reposicionamento das mulheres na sociedade, em termos de acesso a direitos fundamentais, a direitos humanos, seja no âmbito da educação, da saúde, da habitação, do trabalho digno, do desenvolvimento social”, disse Silvia.

    Subnotificação

    Os registros de feminicídios aumentaram 4,7% em 2025, na comparação com o ano anterior. A promotora do MP-SP Juliana Tocunduva, que atua na Casa da Mulher Brasileira, na capital paulista, destaca que o resultado contrasta com os casos de homicídios dolosos, que tiveram diminuição.

    Entre as falhas do Estado no enfrentamento à violência doméstica e ao feminicídio, ela aponta a subnotificação dos casos de violência contra mulheres.

    “A gente não tem tantos dados de registros em relação às ameaças ou às violências ocorridas anteriormente. (…) São inúmeras barreiras que a mulher que sofre violência precisa enfrentar até chegar a um pedido de socorro, um registro de boletim de ocorrência.”

    Entre os fatores, Juliana cita falta de acesso à Justiça, descrença nas instituições de segurança pública, não saber os seus direitos, medo de eventual represália do agressor, medo de deixar os filhos para trás e dependência econômica.

    “Outra falha é em relação à fiscalização de cumprimento de medida protetiva de urgência. A gente teve um aumento significativo na concessão das medidas protetivas, foram mais de 621 mil medidas concedidas [em 2025]. Mas a gente tem, também, 135 mil descumprimentos de medida protetiva”, mencionou.

    Além disso, Juliana relata que, nas cidades do interior, a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência é absolutamente deficitária. Em muitos casos, não há serviço socioassistencial, delegacia especializada funcionando 24 horas por dia, juizado nem promotoria especializados.

    “São esses gargalos e obstáculos que a gente vai encontrar no enfrentamento à violência doméstica que, muitas vezes, impedem uma ação para evitar o escalonamento da violência e, por fim, o feminicídio”, avaliou a promotora.

     


    Brasília (DF), 07/08/2026 - arte violência contra as mulheres
    Brasília (DF), 07/08/2026 - arte violência contra as mulheres
    Brasília (DF), 18/09/2026 – Arte violência contra as mulheres – Arte/Agência Brasil

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mega-Sena acumula e pagará R$ 32 milhões na terça; confira dezenas

    Mega-Sena acumula e pagará R$ 32 milhões na terça; confira dezenas

    Ninguém acertou as seis dezenas da Mega-Sena do Concurso 3060 que foram sorteadas na manhã de hoje (20) no Espaço da Sorte, na capital paulista.

    Os números foram: 06-15-23-36-37-38.

    Segundo a Caixa, 54 apostas acertaram cinco dezenas e devem receber um prêmio de R$ 32.111,66. Outras 3.075 apostas acertaram quatro números e vão receber R$ 929,52.

    Como não houve ganhador, o prêmio ficou acumulado para o próximo sorteio, que ocorrerá na próxima terça-feira (22). A estimativa da Caixa é de que o próximo sorteio pague um prêmio de R$ 32 milhões.

     

     

     

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Ópera Completa, da Rádio MEC, apresenta composição de Carlos Gomes

    Ópera Completa, da Rádio MEC, apresenta composição de Carlos Gomes

    A Rádio MEC lembra os 130 anos de morte de Antônio Carlos Gomes e apresenta no programa Ópera Completa deste domingo (20) Salvator Rosa, obra em quatro atos do compositor. A gravação de uma das óperas de Carlos Gomes de maior sucesso na Itália, com regência de Maurizio Benini, vai ao ar na emissora pública às 17h.

    No elenco estão os solistas Mauro Pagano (tenor), como Salvator Rosa; Francesca Scaini (soprano), como Isabella; Francesco Ellero D’Artegna (baixo), como o duque D’Arcos;  Gianfranco Cappelluti (barítono), como Masaniello; e Sofiya Solovey (soprano), como Gennariello. A gravação transmitida pela Rádio MEC também conta com a Orchestra Internazionale d’Italia e o Coro da Camera di Bratislava.

    Composta em 1874, Salvator Rosa foi a quinta ópera de Carlos Gomes e surgiu depois do grande sucesso de O Guarani e da estreia de Fosca. A história se passa em Nápoles, durante a revolta popular de 1647, liderada por Masaniello contra o domínio espanhol. A ópera tem como protagonista o pintor e poeta Salvator Rosa, e combina a história política com um conflito amoroso. 

    Sobre a Rádio MEC

    Conhecida de norte a sul do país como “A Rádio de Música Clássica do Brasil”, a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.

    A Rádio MEC oferece aos ouvintes a experiência de acompanhar repertórios segmentados, composições originais e produções qualificadas. Ainda há espaço também para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.

    A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no app Rádios EBC.

    Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.

    Serviço

    Ópera Completa – domingo, dia 20/09, às 17h, na Rádio MEC

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Dino cita Master e determina revisão de regras da CVM

    Dino cita Master e determina revisão de regras da CVM

    O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (20) que o governo federal promova a avaliação técnica e reapreciação das regras normativas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais. O prazo para cumprimento da decisão é de 90 dias. 

    A CVM é uma autarquia federal que regula, fiscaliza e desenvolve o mercado de capitais no país.

    A decisão foi proferida na ação na qual Dino já determinou que a União elabore um plano emergencial para reestruturar o trabalho de fiscalização da Comissão. 

    Na nova decisão, Dino citou falhas apontadas pela Transparência Internacional, que enviou ao Supremo informações que mostram fragilidades nos controles internos da CVM e que podem comprometer a independência funcional do órgão.

    Dino disse que há indícios do arquivamento de denúncias sem a realização de diligências mínimas e citou um caso encaminhado em 2022,  que antecipava com “elevado grau de detalhamento” as irregularidades encontradas posteriormente no Banco Master. 

    A decisão também relata o descumprimento de regras da Controladoria-Geral da União (CGU) para evitar a exposição de pessoas que denunciam irregularidades.

    Lavagem de dinheiro

    Segundo o ministro, uma resolução aprovada em 2022 pela CVM permitiu a formação de estruturas de investimentos em múltiplas camadas, sem limitação de teto. A modalidade ocorre quando um fundo de investimento investe em outro fundo.

    De acordo com Dino, a norma permitiu uma “permissividade sistêmica” e pode favorecer a lavagem de dinheiro.

    “Trata-se de matéria com repercussões diretas sobre a transparência das operações, a identificação dos beneficiários econômicos e a efetividade dos mecanismos de supervisão do mercado”, afirmou. 

    Fiscalização 

    O caso CVM chegou ao Supremo em março de 2025, quando o partido Novo entrou com uma ação no Supremo para contestar o pagamento da taxa de fiscalização do órgão. 

    A legenda citou que foram arrecadados R$ 2,4 bilhões, entre 2022 e 2024. Desse total, R$ 2,1 bilhões são oriundos de taxas. No mesmo período, o orçamento do órgão foi de R$ 670 milhões.

    O partido ainda citou que a maior parte da arrecadação da CVM, cerca de 70%, vai para o caixa do governo federal, sendo que apenas 30% vai para a atividade-fim do órgão, comprometendo a estrutura de fiscalização.  

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Livraria transforma vida cultural de pequeno município de São Paulo

    Livraria transforma vida cultural de pequeno município de São Paulo

    Na pequena cidade de Bom Jesus dos Perdões, a cerca de 65 quilômetros do centro de São Paulo, uma livraria nasceu com a missão de estimular a leitura, a paixão pelos livros e o debate público.

    Com população estimada em 22 mil habitantes, o município não contava com uma livraria sequer até 2016, quando Guilherme Moura e Fernanda Miquelino abriram a Casa do Leitor.

    O casal – ele, um psicólogo que sempre morou na cidade; ela, também psicóloga, uma nativa de Atibaia e que se mudou para lá depois do casamento – ouvia com frequência que os moradores não se interessavam por cultura. Daí vinha a conclusão que circulava pela cidade: não havia necessidade de que o Poder Público olhasse para isso. 

    Mas essa explicação não os conformava. Em 2016, Guilherme Moura abriu uma livraria. “Comecei de maneira virtual. Vendia livros para pagar a faculdade de psicologia. Me formei, segui no ramo, a venda foi crescendo. Tínhamos apenas um estoque, numa garagem”, conta.

    Quando a parte superior do estoque ficou disponível, Guilherme e Fernanda tiveram a ideia de montar uma loja física, já que não havia livrarias em Bom Jesus dos Perdões. Com este novo passo, a proposta não era mais apenas vender livros, mas criar um ponto de encontro para as pessoas interessadas em cultura.

    “Fizemos a inauguração com a vinda do professor Christian Dunker. Foi um sucesso. A partir disso percebemos que havia um interesse na região por atividades assim e seguimos fazendo com frequência”, acrescenta Guilherme.

    Movimentação em Bom Jesus dos Perdões


    São Paulo (SP), 18/09/2026 - Livraria em SP.
Foto: Casa do Leitor/Divulgação
    São Paulo (SP), 18/09/2026 - Livraria em SP.
Foto: Casa do Leitor/Divulgação
    Livraria promove leitura para crianças  – Casa do Leitor/Divulgação

    Desde então, a livraria promoveu eventos de diferentes formatos, de lançamentos com a presença dos autores, festivais, feiras de discos de vinil, rodas de conversa com mulheres, atividades voltadas aos idosos de um asilo e sessões de filmes.

    Ao longo dos anos, passaram pela Casa do Leitor nomes como Marcelo Rubens Paiva, Juca Kfouri, Aline Bei, padre Júlio Lancellotti, Jessé de Souza, Pedro Bandeira e José Roberto Torero.

    Embora já seja conhecida pelos moradores, a Casa do Leitor ainda enfrenta o desafio de atrair o público e manter uma programação cultural regular. “Temos atividades com muitas pessoas e outras com menos. Acredito que ainda falta empenho da administração pública para o fomento do espaço. As pessoas vêm porque poucas delas têm a oportunidade de conhecer convidados interessantes como os que nós trazemos, e também porque a região não oferece muitas atividades voltadas para cultura e educação”, afirma Guilherme.

    A iniciativa também conquistou frequentadores assíduos, que enxergam na Casa do Leitor uma novidade importante ao município. Aos 72 anos, Magda Machado Ribeiro Venancio, está entre as pessoas sempre presentes nos eventos.

    “A Casa do Leitor trouxe novos ares para Perdões e tornou a cidade mais conhecida e atrativa para os que moram nas cidades próximas”, diz.

    Magda, que é doutora em psicologia da educação, vive há mais de 30 anos em Bom Jesus dos Perdões. “Acompanho com muita satisfação a Casa do Leitor desde seu início e admiro não apenas a iniciativa, mas também a programação e a persistência de Guilherme e Fernanda. Para mim, além de ampliar minha visão e perspectiva, gosto da pluralidade e da diversidade que o espaço propicia”, conclui.

    Diversas gerações convivem nos eventos da livraria. Outro frequentador fiel é o jornalista Mario Casimiro Gonçalves, de 31 anos. Morador de Atibaia, ele costuma ir a Bom Jesus dos Perdões para participar da programação da Casa do Leitor. “Acho muito importante ter um espaço como esse, ainda mais em uma cidade que estava precisando urgentemente de um local cultural. Eu vejo a Casa do Leitor como um local de diversão, resistência, onde são realizados encontros e há circulação de ideias”, comenta.

    O impacto dos eventos promovidos pela livraria vai além da cultura e já alcança a educação. É o que afirma o professor Ricardo Augusto Pontes Moraes, secretário municipal da Educação de Bom Jesus dos Perdões.

    Segundo o professor, em 2025, os projetos contemplaram 240 alunos do 5º ano de cinco escolas municipais. “Depois da participação, os alunos relataram mais facilidade para compreender as histórias, em razão do mecanismo utilizado para trabalhar a leitura com eles. As escolas também nos relataram a importância do espaço da leitura e do acesso que a Casa do Leitor proporciona a alunos e professores”, explica.

    Guilherme Moura conta que a Casa do Leitor está com a agenda preenchida até novembro. Mas, apesar de o calendário cheio indicar o sucesso do projeto, ainda há obstáculos a enfrentar.

    “Nossa dificuldade hoje é engajar a administração pública e fazer com que cada vez mais pessoas conheçam o espaço. A equipe é pequena, nos faltam recursos, mas sinto que fazemos muito dentro daquilo que nossas possibilidades atuais permitem”.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original