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  • Ginástica rítmica: Brasil é bronze e garante vaga em Los Angeles 2028

    Ginástica rítmica: Brasil é bronze e garante vaga em Los Angeles 2028

    O conjunto brasileiro de ginástica rítmica está classificado para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2028. Neste sábado (15), a equipe conquistou a medalha de bronze no conjunto geral do Campeonato Mundial da modalidade, em Frankfurt, na Alemanha.

    A formação é composta pela alagoana Maria Eduarda Arakaki, pela paulista Nicole Pírcio, pela capixaba Sofia Madeira, pelas paranaenses Julia Kurunczi e Mariana Gonçalves e pela amazonense Maria Paula Caminha.
     


     Ginástica rítmica: Brasil é bronze no Mundial e garante vaga olímpica. Foto: MeloGym/CBG
     Ginástica rítmica: Brasil é bronze no Mundial e garante vaga olímpica. Foto: MeloGym/CBG
    Ginástica rítmica: Brasil conquista bronze no Mundial de Frankfurt we garante vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Foto: MeloGym/CBG – MeloGym/CBG

    A Espanha conquistou o título. O Japão, campeão mundial realizado no Brasil em 2025, ficou com a prata. As brasileiras deixaram para trás adversários de peso, como a China, atual campeã olímpica, e a Bulgária, vencedora dos Jogos de Tóquio, em 2021.

    Na disputa do conjunto geral, as equipes realizam duas séries. Na mista, as ginastas se apresentam com três arcos e duas maças. Na apresentação com cinco bolas, cada ginasta utiliza um dos aparelhos. A pontuação final é a soma das notas das duas rotinas, que levam em conta aspectos como dificuldade, execução e composição artística.

    Na série mista, o Brasil teve a segunda melhor nota do dia, com 28,700 pontos, ao som de Abracadabra, de Lady Gaga. Já na apresentação com cinco bolas, que teve Feeling Good, de Michael Bublé, como trilha, o conjunto obteve 26,800 pontos, a oitava melhor nota da prova. O total foi de 55,500 pontos.

    Os países foram divididos em três grupos de 14 conjuntos. O Brasil competiu no segundo grupo e terminou provisoriamente na segunda posição, atrás apenas da Espanha, que teve a melhor nota nas duas séries.

    A confirmação da medalha e da vaga olímpica dependia dos resultados do terceiro grupo, que reunia adversários como Japão, Bulgária e Rússia. Apenas as japonesas superaram a pontuação brasileira, garantindo o bronze ao Brasil e a classificação para os Jogos de Los Angeles.

    Esta foi a segunda edição consecutiva do Mundial com o Brasil no pódio. No ano passado, quando a competição foi disputada no Rio de Janeiro, o mesmo sexteto conquistou duas medalhas de prata, no conjunto geral e na série mista.
     


     Ginástica rítmica: Brasil é bronze no Mundial e garante vaga olímpica. Foto: MeloGym/CBG
     Ginástica rítmica: Brasil é bronze no Mundial e garante vaga olímpica. Foto: MeloGym/CBG
    Ginástica rítmica: Brasil é bronze no Mundial e garante vaga olímpica. Foto: MeloGym/CBG – MeloGym/CBG

    O Mundial termina neste domingo (16). O conjunto brasileiro terá as duas finais por aparelhos. A prova com cinco bolas começa às 6h, enquanto a série mista está prevista para as 9h, ambas no horário de Brasília.

    “Nós simulamos várias vezes esse dia. Independentemente de como fôssemos na primeira série, teríamos que entrar na segunda e ir muito bem também. É bem tenso para as ginastas porque, no fim das contas, elas têm menos de uma hora para se apresentarem novamente. Controlar as emoções não é fácil”, avaliou a técnica da seleção brasileira, Camila Ferezin, à Confederação Brasileira de Ginástica (CBG).

    “Nossos conjuntos de cinco bolas e misto têm apresentações com dificuldades muito altas. Então, acredito que amanhã [domingo], elas possam ir ainda melhor”, projetou a treinadora.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Exposição imersiva celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral

    Exposição imersiva celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral

    Em setembro deste ano, o nascimento da pintora brasileira Tarsila do Amaral completa 140 anos. Para celebrar a data, uma exposição imersiva será aberta neste sábado (15) em um novo espaço cultural que foi inaugurado na Avenida Paulista, em São Paulo: o Nubank Art Lab, instalado dentro do Conjunto Nacional.

    Depois do sucesso da exposição Tarsila Popular, que atraiu mais de 400 mil pessoas e foi uma das mais visitadas da história do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a mostra O Brasil de Tarsila aposta na interatividade e ficará em cartaz até 31 de outubro. 

    O visitante poderá sentir cheiros, repousar em frente a uma paisagem desenhada pela artista, viajar em um trem escutando suas frases, posar para fotos ao lado do Abaporu ou até brincar de ter sua cabeça incluída na famosa tela Operários, um dos maiores ícones do modernismo brasileiro.

    Segundo os organizadores, esta é a maior exposição imersiva dedicada ao legado da pintora, com salas que contam com cenografia, trilha sonora, dispositivos interativos, aromas e projeções de 360 graus.

     


    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil

    Nesse percurso, o visitante irá mergulhar em dezenas de obras da artista que foram reproduzidas, animadas ou projetadas para a mostra. A curadoria dessa exposição é assinada por Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta da artista, e por Juliana Miraldi, que descreve como democrática a seleção que ocupa 14 salas com mais de 70 obras.

    “Aqui, a gente está se comunicando com quem nunca viu Tarsila, com quem não conhece Tarsila, mas a gente também se comunica com quem conhece Tarsila. É uma exposição pensada de uma maneira democrática em essência, com obras que dificilmente são vistas, porque estão em espaços inacessíveis. Essa exposição é para todas as idades e todos os repertórios”, destacou Juliana.

    De acordo com Paola do Amaral Montenegro, esta é uma exposição diferente das demais que já foram apresentadas sobre Tarsila, sem apresentar suas obras originais.

    “A gente quis trazer alguma coisa diferente. De fato, a gente quis que houvesse essa imersão em obras que também não são muito conhecidas na vida da artista. A exposição imersiva é um formato muito atual e moderno, e, do jeito que está aqui, acho que vocês nunca viram. Não existe nada melhor para ser feito do que uma exposição imersiva para celebrar os 140 anos da artista, colocando ela de novo à frente do seu tempo”, afirmou.

     


    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil

    Novos suportes

    De acordo com Juliana, todo o conteúdo audiovisual foi desenvolvido não por inteligência artificial, mas por artistas digitais e plásticos para garantir consistência estética e respeito às obras originais.

    “Foram mais de 32 artistas digitais que fizeram esse trabalho. Vocês vão notar nos vídeos que isso é diferente da inteligência artificial. Aqui, a gente tem camadas e trabalhos com luz e com textura”.

    Em entrevista à Agência Brasil, ela destacou que toda a exposição foi concebida para receber famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens, abrir portas para pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com a obra de Tarsila e até mesmo vencer preconceitos contra esse tipo de exposição.

     


    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Curadora Paola Amaral Montenegro e Juliana Miraldi.  Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Curadora Paola Amaral Montenegro e Juliana Miraldi.  Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    Curadoras Paola Amaral Montenegro (esq) e Juliana Miraldi. Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil

    “Quando surge um novo suporte, há uma desconfiança daqueles que estão já estabelecidos e que têm a sua tradição, que fizeram seu legado com tanto esmero e com tanto respeito. Na minha visão, as exposições imersivas, assim como a fotografia e o cinema, são espaços que dialogam com outros lugares que não são exclusivamente o lugar da arte. Existe, ali, um lugar do entretenimento, da informação e da comunicação que é muito importante”, disse ela.

    Para a sobrinha-bisneta da artista, o surgimento de novos suportes, como já foram a fotografia e a performance, por exemplo, tendem a provocar disputas, mas todos eles acabam ampliando o conhecimento sobre a arte.

    “Hoje em dia, existe um conjunto de autores da filosofia, da sociologia e da psicanálise que retomam a importância dos sentidos e dos afetos e falam sobre o quanto que a alegria, o envolvimento e a capacidade de se emocionar também são uma forma de conhecer. E a imersão permite isso. E a gente está apostando nisso com a [exposição sobre] Tarsila”, explicou.

    140 anos

    Nascida no interior paulista, na cidade de Capivari, em 1886, Tarsila do Amaral é considerada uma das maiores artistas brasileiras do Século 20 e figura central do modernismo.

    Em 1928, em homenagem ao aniversário de seu então companheiro, o escritor Oswald de Andrade (1890-1954), ela pintou o que viria a ser um dos quadros mais valiosos da arte brasileira: o Abaporu, um dos marcos do Movimento Antropofágico.

     


    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    O Abaporu em “O Brasil de Tarsila”, que inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil

    O nome da obra surgiu de um dicionário de tupi-guarani, onde encontrou as palavras “aba” e “poru (puru)”, significando o “homem que come a carne humana”. Para sua sobrinha-bisneta, Tarsila foi uma mulher sempre à frente de seu tempo.

    “Além da importância de Tarsila como artista, temos que falar de sua importância como mulher, como feminista. Ela tinha condições de viajar e foi para muitos lugares. Pegou tudo isso e transformou em arte. Com isso, ela me ensina muito a seguir meus sonhos”, disse ela à reportagem.

    Nubank Art Lab

    O novo espaço cultural da cidade, o Nubank Art Lab, ocupa uma área superior a 2,7 mil metros quadrados no primeiro andar do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.

    O espaço é composto por uma sala multiuso e por duas salas imersivas. Em uma delas, há uma parede de LED com 10 metros de comprimento e teto espelhado, com um sistema de sensores que serão programados de acordo com cada projeção.

     


    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    São Paulo (SP), 14/08/2026 - Exposição que celebra 140 anos do nascimento de Tarsila do Amaral.Com cerca de 40 obras projetadas em 360 graus, “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil
    “O Brasil de Tarsila” inaugura o Nubank Arte Lab, novo espaço de arte imersiva no Conjunto Nacional em São Paulo. Fotos: Paulo Pinto/Agencia Brasil

    O local receberá, ao mesmo tempo que Tarsila, a exposição Fronteiras do Imaginário. A mostra reunirá Muti Randolph, artista e designer sul-africano reconhecido internacionalmente por seu trabalho no campo da ilustração e das artes visuais, e Maotik, artista digital francês, referência na criação de experiências imersivas e interativas que combinam arte, tecnologia, som e imagem.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Terremoto na Indonésia deixa pelo menos 47 mortos

    Terremoto na Indonésia deixa pelo menos 47 mortos

    Pelo menos 47 pessoas morreram após um terremoto de magnitude 7,7 graus na escala Richter e dezenas de tremores secundários atingirem a Costa Leste da Indonésia neste sábado (15). As informações são da Agência Nacional de Mitigação de Desastres (BNPB).

    As equipes de resgate ainda não conseguiram chegar a Nagekeo, região mais próxima do epicentro, depois que deslizamentos de terra bloquearam estradas e interromperam as comunicações, de acordo com autoridades.

    “O terremoto foi enorme, o tremor foi muito forte”, disse Nona, moradora de 51 anos de Talibura, uma vila em Nusa Tenggara Oriental. “Estávamos em 13 pessoas dentro de casa e todos corremos para nos salvar.”

    Ondas de tsunami com menos de 1 metro (3 pés) foram registradas em diversas áreas do país do Sudeste Asiático após o terremoto no início da manhã. As autoridades suspenderam o alerta de tsunami cerca de três horas depois.

    Mais cedo, equipes de resgate na cidade portuária de Maumere encontraram 20 mortos, seis feridos e duas pessoas presas sob os escombros, disse Fathur Rahman, chefe da agência de resgate da cidade. Maumere é a principal cidade da Regência de Sikka, na ilha de Flores, no Leste da Indonésia.

    Dificuldade de acesso

    Suharyanto, chefe da BNPB, afirmou anteriormente que moradores continuavam presos em diversos prédios na área afetada, enquanto havia relatos de deslizamentos de terra bloqueando várias estradas.

    As equipes ainda não conseguiram chegar a Nagekeo e as comunicações móveis na região foram afetadas, disse Fathur à Reuters mais cedo. As tentativas de chegar à área por estrada foram frustradas por deslizamentos de terra, enquanto outra equipe tentava chegar lá de balsa, acrescentou.

    Cerca de 2 mil moradores de Nagekeo foram retirados e houve relatos de danos a casas, armazéns e prédios governamentais, informou a BNPB. As autoridades também relataram cortes de energia e congestionamento de trânsito em algumas partes da região.

    O governador de Nusa Tenggara Oriental, Emanuel Melkiades Laka Lena, disse em uma coletiva de imprensa que pelo menos cinco pessoas morreram quando prédios desabaram enquanto dormiam.
    “Não nos atrevamos a voltar para casa”, alertou.

    Danos

    Os dados preliminares da BNPB indicaram que 157 casas sofreram danos graves, 41 danos moderados e 148 danos leves. Também foram relatados danos em 87 escolas, 18 unidades de saúde, cinco locais de culto e seis prédios de escritórios, além de outras infraestruturas.

    Partes de um prédio desabaram, transformando-se em pó e escombros, enquanto pessoas gritavam e corriam pela rua, segundo um vídeo do Facebook, verificado pela Reuters como tendo sido filmado em um porto em Maumere.

    Equipes de resgate procuravam sobreviventes sob um prédio portuário parcialmente desabado.

    Siti Sulfia Bira, de 37 anos, que mora com a família perto do porto de Maumere, disse que correu para um terreno mais alto quando os tremores começaram.

    “No momento, não nos atrevemos a voltar para casa ainda, porque a situação não está estável, ainda temos receio de que possam ocorrer mais tremores”, afirmou ela à Reuters.

    O BNPB informou que tremores fortes foram sentidos em Nusa Tenggara Oriental, Nusa Tenggara Ocidental e em partes de Sulawesi do Sul, com moradores de diversas áreas relatando tremores que duraram cerca de um minuto.

    “A maioria das pessoas sentiu o choque e saiu correndo de suas casas”, disse a agência.

    Imagens da Kompas TV mostraram que um hospital no distrito de Ende, em Nusa Tenggara Oriental, estava transferindo pacientes para a área externa, enquanto o Kompas.com noticiou pelo menos um deslizamento de terra.

    A agência geofísica indonésia BMKG registrou o primeiro terremoto às 4h58 (horário local) a uma profundidade de 15 km, seguido por vários tremores secundários.

    A BMKG afirmou que a mesma área foi atingida por um terremoto de magnitude 7,5 em 1992, que causou grande destruição.

    O centro de alerta de tsunamis da Austrália afirmou que o terremoto submarino não representa “nenhuma ameaça de tsunami para o continente australiano, ilhas ou territórios”.

    A Indonésia está localizada no Anel de Fogo do Pacífico, uma zona sismicamente ativa onde as placas tectônicas se encontram, desencadeando frequentes terremotos e erupções vulcânicas.

    Em 2018, um terremoto de magnitude 7,5 e um tsunami atingiram a cidade de Palu, na ilha de Sulawesi, matando mais de 4 mil pessoas.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Com 25 anos, grupo musical de pacientes psiquiátricos lança novo álbum

    Com 25 anos, grupo musical de pacientes psiquiátricos lança novo álbum

    O Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ) lança neste sábado (15) o quinto álbum do grupo Harmonia Enlouquece, que recebeu o título O Quinto dos Infernos.

    Formado por pacientes psiquiátricos e profissionais de saúde do CPRJ, o grupo é considerado referência em música como ferramenta de cuidado em saúde mental no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

    O CPRJ, unidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), é referência nacional em psiquiatria humanizada, destacando os elementos da cultura, escuta e protagonismo dos pacientes como parte do tratamento.

    O grupo Harmonia Enlouquece iniciou no dia 7 de abril de 2001, Dia Mundial da Saúde. O grupo já soma 65 músicas gravadas, a grande maioria composta pelo cantor e compositor Hamilton de Jesus Assunção, paciente do CPRJ desde 1998.

    “Ele faz a letra, a música e interpreta. Sem ele, a gente não tem o que cantar. Noventa e cinco por cento das músicas são dele”, disse o diretor-geral do CPRJ, Francisco Sayão, que  toca violão básico na banda. 

    Recentemente, o grupo recebeu o Prêmio Asas (Aldir Blanc-RJ). Mais de 75 pessoas já passaram pelo grupo que, atualmente, conta com 13 componentes, sendo nove pessoas que fazem tratamento. Os demais são colaboradores.

    Hamilton

    Hamilton de Jesus Assunção já se tratava no CPRJ quando o psicólogo Sidney Dantas o convidou para participar da oficina de música que ele organizava. “Ali nasceu o Harmonia. Das 65 músicas gravadas pelo grupo, 62 são minhas, fora outras que tenho em minha casa”, disse o compositor à Agência Brasil.

    O álbum mais recente tem 13 músicas, das quais 11 são novas e de autoria de Assunção. 

    “Música é uma coisa maravilhosa. Ela levanta o nosso astral, mesmo quando ele está em baixa”, diz o músico. 

    Hamilton iniciou o tratamento psiquiátrico em 1984, no Posto de Assistência Médica-PAM Venezuela, unidade de serviço mental do Ministério da Saúde, de onde passou posteriormente para o CPRJ. Nesse centro, desde o primeiro dia de tratamento, as pessoas que tiverem condições frequentam oficinas de arte, sem nenhuma evasão.


    Rio de Janeiro (RJ), 13/08/2026 - O compositor e vocalista Hamilton Assunção no ensaio da banda Harmonia Enlouquece no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro - CPRJ, na Gamboa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 13/08/2026 - O compositor e vocalista Hamilton Assunção no ensaio da banda Harmonia Enlouquece no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro - CPRJ, na Gamboa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    O compositor e vocalista Hamilton Assunção no ensaio da banda Harmonia Enlouquece no Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro – CPRJ, na Gamboa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Projetos

    Desde 2016, o Ponto de Cultura do Centro Psiquiátrico reúne em um sábado por mês integrantes do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Ipub), do Instituto Municipal Philippe Pinel, de centros de Atenção Psicossocial (CAPs), pacientes internados e pacientes do hospital/dia. 

    A ideia do diretor-geral é abrir uma agenda de visitação a partir das 16h, quando não há mais consultas nem atrapalha o funcionamento da unidade e, ao mesmo tempo, permitir que o grupo do Harmonia Enlouquece receba visitas.

    O CPRJ tem uma rádio que toca internamente as músicas nas salas e pátios. Assim que a aparelhagem estiver concluída, Sayão pretende criar podcasts e colocar a rádio para funcionar em tempo integral no formato online. A equipe já está quase totalmente formada, afirmou.

    Lançamento

    O lançamento do álbum será realizado no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MuhCab). O público será recebido por uma exposição que traça uma linha do tempo do CPRJ de 2001 até 2026 e assistirá à exibição do documentário Harmonia Enlouquece – Um mergulho musical pela saúde mental.

    Dirigido por Flávia Lima, o média-metragem retrata a trajetória da banda Harmonia Enlouquece, que celebra 25 anos de existência em 2026. 

    A programação conta também com roda de conversa sobre música, inclusão e saúde mental. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Com envelhecimento da população, eleitorado jovem recua 22% em 16 anos

    Com envelhecimento da população, eleitorado jovem recua 22% em 16 anos

    O envelhecimento da população brasileira já impacta o perfil do eleitorado, com diminuição de 22% dos votantes com idade entre 16 e 24 anos, considerando o período de 2010 a 2026. O levantamento foi realizado pelo Instituto Nexus, a pedido da Agência Brasil, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

    Além da redução proporcional, também houve recuo em números absolutos. A quantidade de brasileiros com menos de 24 anos que podem comparecer às urnas caiu 5,5 milhões. Eram 24,7 milhões eleitores nesta faixa etária, em 2010, contra 19,2 milhões, em 2026. 

    Como o número total de eleitores no país aumentou 17%, passando de 135,8 milhões para 158,8 milhões no período, a participação dos jovens teve uma queda abrupta: de 18,2% para apenas 12,5% do eleitorado.

    “Em um cenário de aguda polarização, em que a eleição de 2022 foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença entre Lula e Jair Bolsonaro, todo eleitor é estratégico. A quantidade absoluta de votos dos jovens segue perdendo anualmente sua força, principalmente em comparação ao aumento de eleitores 60+”, analisa o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski. 

    Segundo dados do TSE, o número de idosos com o título de eleitor ativo cresceu cerca de 74% desde 2010. Atualmente eles correspondem a mais de 36,8 milhões de pessoas. 

    Campanhas

     


    São Paulo (SP), 09/11/2025 - Estudantes no primeiro dia de provas do ENEM na UNIP Vergueiro em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.
    São Paulo (SP), 09/11/2025 - Estudantes no primeiro dia de provas do ENEM na UNIP Vergueiro em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.
    Voto jovem perde relevância, mas ainda é importante em cenários de disputa acirrada . – Paulo Pinto/Agência Brasil

    O professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Hilton Fernandes, avalia que as campanhas presidenciais ainda não deram indicativo de como vão tratar o grupo de jovens.

    “Em 2022 houve alguma dedicação em buscar esse grupo de jovens, não tanto pelo volume de votos, mas pelo engajamento. Essa força do jovem na campanha é importante. Por isso tivemos em 2022 propostas relacionadas ao desenvolvimento de games e outros temas, como a facilidade para adquirir produtos eletrônicos, produtos de jogos com isenções, apareceram”, afirma.

    Ele acredita que as principais candidaturas à Presidência da República, a medida que avancem nas pesquisas, tendem a buscar mais esse público. Em campanhas proporcionais, como a de deputados, ele acredita que pode haver um olhar mais focado aos jovens, que pode ser um nicho importante para algumas candidaturas. 

    As prioridades do voto jovem seguem as mesmas tendências de eleições anteriores, aponta Fernandes. Ele procura, principalmente, o primeiro emprego e formação profissional. São vários contextos de vida que podem moldar esse voto, de acordo com a situação econômica das famílias, a região em que vivem ou os grupos sociais e instituições que frequentam. Ao mesmo tempo, sua visão eleitoral pode ser mais influenciada por discursos que remetem a grandes mudanças, afirma o especialista.

    “Não são os partidos que vão chamar atenção, mas o discurso dos candidatos, com um personalismo cada vez mais concentrado. O discurso mais radical tende a atender mais o jovem”, aponta Fernandes. 

    Ele ressalta, entretanto, que esse discurso pode “enganar” o eleitor mais novo, pois “nem toda vez é necessário quebrar uma estrutura para mudar uma sociedade”, critica o professor. Ele ressalta, ainda, que o eleitor jovem não pode ser tratado como um  grupo homogêneo.

    “Isso pode ter uma diferença, por exemplo, em jovens que convivam em ambientes mais conservadores. Enquanto o jovem que vê a família numa situação mais complicada, principalmente financeira, busca mais a mudança”, complementa.

    Engajamento

    Outro destaque do levantamento da Nexus é o engajamento nas urnas. Entre os brasileiros 18 a 24 anos, em que o voto é obrigatório, o percentual de comparecimento no primeiro turno foi de 78,5%. Já entre os jovens de 16 e 17 anos, que não têm obrigação de votar, 82,9% foram às urnas. A média de comparecimento no país, no último pleito, foi de 79,1% dos eleitores aptos a votar.

    Sul e Sudeste são “mais velhos”

     


    Brasília (DF), 19/04/2026 - Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 19/04/2026 - Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Regiões Sul e Sudeste concentram menor percentual de jovens nas urnas – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    A pesquisa apontou ainda que as regiões Sul e Sudeste concentram menor percentual de jovens nas urnas. Nelas, estão os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O estado “mais velho” é o Rio Grande do Sul, onde eleitores até 24 anos representam apenas 9% do eleitorado.

    Em seguida, aparecem o Rio de Janeiro (10%), São Paulo (11%), Santa Catarina (11%), Espírito Santo (11%), Minas Gerais (11%) e Paraná (11%). Na outra ponta, Roraima, Acre, Amapá e Amazonas são os estados com maior proporção de jovens aptos a irem às urnas, com 18% cada. Em seguida aparecem ainda Maranhão (17%), Pará (16%) e Tocantins (16%).

    “O Brasil está diante de uma nova geografia eleitoral. Os mais jovens perderam espaço nos maiores colégios eleitorais do país, tirando-os do centro gravitacional das principais estratégias políticas”, observa Tokarski. 

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Risco de desertificação no Brasil ameaça segurança hídrica e alimentar

    Risco de desertificação no Brasil ameaça segurança hídrica e alimentar

    Cerca de 39 milhões de brasileiros vivem em locais ameaçados pela desertificação. Entre eles, estão sertanejos, agricultores, povos indígenas, quilombolas, geraizeiros, pantaneiros e pampeiros.

    O termo pode causar estranhamento, já que o país não possui desertos como o Atacama, no Chile, e o Saara, no norte da África. Lugares onde o clima seco e a escassez de água são extremos.

    Desertificação, porém, é um termo mais amplo, que indica o processo de degradação ambiental em que uma terra antes produtiva perde sua capacidade de reter água e sustentar vida. Isso ocorre principalmente por atividades humanas, como desmatamento e agricultura inadequada, e também por variações climáticas. Quanto mais avançado o processo, maior o risco de uma região virar um deserto.

    Cerca de 18% do território brasileiro é composto por Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD), segundo o boletim mais recente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).

    Obstáculos e soluções para o problema estão na pauta de representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais do Brasil que participarão da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), na Mongólia, entre os dias 17 e 28 de agosto.

    A coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana, destaca que o problema atinge principalmente populações vulneráveis e comunidades tradicionais.

    “Elas são as primeiras a sentir os efeitos, porque lidam diretamente com os impactos na água e na biodiversidade no território”, diz Ivi.

    Ela reforça, porém, que a degradação da terra não é um problema exclusivo de quem vive nela.

    “Parece um problema distante para alguns, mas a desertificação afeta a produção de alimentos, a segurança hídrica, a economia, influencia no aumento do calor. E tudo isso vai além das áreas degradadas. Tem impactos  tanto no campo quanto nas cidades brasileiras”, explica.


    Balsas (MA), 10/10/2025 – O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Balsas (MA), 10/10/2025 – O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    O agricultor familiar Orlando Alves da Silva observa uma das nascentes do Rio das Balsas seca, em Limpeza, nos Gerais de Balsas, no Maranhão. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Dados nacionais

    Entre os anos de 2000 e 2020, a área afetada pela desertificação no Brasil passou de 1,35 milhão para 1,51 milhão de quilômetros quadrados, um aumento de 170 mil km², que equivale à soma dos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas.

    O fenômeno atinge principalmente os nove estados do Nordeste, mas chega também ao norte de Minas Gerais e ao do Espírito Santo, ao nordeste do Rio de Janeiro e ao noroeste do Mato Grosso do Sul.

    Nestas áreas, há três tipos de clima: subúmido seco, semiárido e árido. Eles são classificados de acordo com a quantidade de chuva e a evaporação da água, por meio do índice de aridez.

    O subúmido seco tem índice de aridez entre 0,50 até 0,65; o semiárido, entre 0,2 e 0,5; e o árido, entre 0,05 e 0,2. Quando o número fica abaixo de 0,05 tem-se o clima dos desertos, o hiperárido, que ainda não existe no Brasil.

    A primeira região árida do país foi identificada recentemente, em 2023, e abrange 6 mil km² entre Pernambuco e Bahia. A análise foi publicada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

     


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade.  Mapa comparativo da evolução da desertificação no Brasil. Crédito: Rodrigo Cunha / Revista Fapesp
    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade.  Mapa comparativo da evolução da desertificação no Brasil. Crédito: Rodrigo Cunha / Revista Fapesp
    Mapa comparativo da evolução da desertificação no Brasil. Crédito: Rodrigo Cunha / Revista Fapesp

    Caatinga

    Dos seis biomas brasileiros, a Caatinga é a que concentra os níveis mais graves de deterioração do solo: 11% dela está em situação crítica e severa, o que equivale a 100 mil km2. Cerca de 42,6% de sua vegetação nativa já foi suprimida.

    Proteger a Caatinga é fundamental para a biodiversidade, as pessoas que vivem nela e o clima, explica o pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) Aldrin Martin Pérez-Marín, que também coordena o Observatório da Caatinga e da Desertificação (OCA).

    O bioma é monitorado continuamente pelo órgão, em parceria com mais de 30 universidades e instituições nordestinas. Um levantamento conjunto mostrou que a Caatinga aproveita o carbono com uma eficiência de 58%, maior que a de todos os outros biomas brasileiros. Essa contribuição é fundamental na luta contra o aquecimento global, já que o excesso de carbono na atmosfera retém calor e intensifica o efeito estufa.

    “O mais surpreendente está debaixo da terra: 72% de todo esse carbono fica armazenado no solo, cerca de 125 toneladas por hectare, o que faz dela não só um sumidouro ativo, mas um enorme cofre natural de longo prazo. É essa resiliência que explica o seu protagonismo: ela sabe guardar vida e equilibrar o clima mesmo nos cenários mais áridos”, diz Aldrin.

     


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade. . Cactos típicos da Caatinga, bioma no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação
    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade. . Cactos típicos da Caatinga, bioma no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação
    Cactos típicos da Caatinga, bioma no Semiárido Nordestino. Crédito: ASA / Divulgação

    Um estudo publicado na revista Science of the Total Environment, em 2025, confirmou esse protagonismo. Só em 2022, a Caatinga foi responsável por cerca de 50% de todo o sequestro líquido de carbono do Brasil, compensando parte significativa das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

    O pesquisador do Insa alerta que o Brasil precisa brigar para que a Caatinga seja citada explicitamente no texto científico que será negociado durante a COP17. Caso isso não ocorra, o semiárido tropical ficaria fora do radar científico oficial da Convenção até 2030.

    “A Caatinga não é o problema. Ela é parte da solução, para o Brasil e para o planeta. Diante da crise climática, a escolha é por territórios vivos: gente de pé, Caatinga em pé e futuro em pé”, diz Aldrin.

    Políticas públicas

    O Brasil se tornou signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) em 1997, o que significou assumir acordos para prevenir e reverter os efeitos da degradação da terra.

    Em março de 2026, foi lançado oficialmente o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043). O plano prevê o enfrentamento da desertificação como política pública que articula meio ambiente, educação, saúde, assistência social, infraestrutura, acesso à água, inclusão produtiva e inovação tecnológica.

    Outra iniciativa, lançada em junho deste ano, foi o Programa Recaatingar. O biólogo Alexandre Pires, diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (DCDE), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, explica que a meta é a recuperação produtiva de 10 milhões de hectares de terras degradadas do bioma nos próximos 20 anos.

     


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade
    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade
    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade – ASA / Divulgação

    O foco é promover segurança hídrica, restauração socioprodutiva e adaptação às mudanças climáticas, com base no conhecimento tradicional das comunidades locais.

    “O recaatingamento é uma metodologia que envolve desde a questão física do solo e da agronomia até o trabalho com as comunidades tradicionais, o modo de vida e a forma como elas manejam essa biodiversidade. A gente se inspirou nessas tecnologias sociais de convivência com o semiárido para criar o programa”, explica Alexandre. 

    “Recuperar o solo degradado é um caminho estratégico para garantir trabalho, emprego e renda, ao mesmo tempo em que promove um serviço que ajuda a humanidade a enfrentar os desastres climáticos. É preciso olhar para a potência e a capacidade de resiliência desses territórios”, complementa.

    O pesquisador do Insa, Aldrin Martin Pérez-Marín, atesta a efetividade do recaatingamento. Ele diz que, mesmo antes do programa, a tecnologia social já produziu 36 mil hectares em conservação, 2 mil hectares em recuperação ativa, 15 sistemas de agrocaatinga, 31 planos de manejo implementados e mais de 280 enxames de abelhas nativas de volta à paisagem.

    “O manejo agrossilvipastoril da Caatinga consegue quadruplicar a oferta de forragem sem derrubar o bioma. Os sistemas agroflorestais elevaram a biomassa em torno de 85% e chegam a segurar 100 toneladas de solo por hectare a cada ano contra a erosão”, diz Aldrin. “A rotação de culturas e as barragens subterrâneas devolvem água, carbono e fertilidade a esse cofre subterrâneo”.

    Perspectivas e soluções

    A Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), formada por mais de 3 mil organizações da sociedade civil, atua há mais de 25 anos na promoção de soluções e tecnologias que ajudam as comunidades impactadas pela desertificação.

    Um dos principais exemplos de atuação da ASA é no desenvolvimento de programas de captação de água da chuva. Parte deles foca na construção de cisternas e pequenas barragens para garantir que famílias tenham acesso à água potável, além de garantir água para produção de alimentos e consumo dos animais.

     


    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade. Cisterna construída com ajuda da ASA para garantir que famílias tenham acesso à água potável. Crédito: ASA / Divulgação
    Desertificação no Brasil ameaça água, alimento, clima e biodiversidade. Cisterna construída com ajuda da ASA para garantir que famílias tenham acesso à água potável. Crédito: ASA / Divulgação
    Cisterna construída com ajuda da ASA para garantir que famílias tenham acesso à água potável. Crédito: ASA / Divulgação

    Outras iniciativas são focadas no fortalecimento de sementes adaptadas ao clima da Caatinga e técnicas agrícolas que respeitam a biodiversidade do bioma.

    “Não vai ser helicóptero jogando sementes em um território desabitado que vai recuperar essa área. O combate à desertificação passa pela agricultura familiar, pela agroecologia e pelas pessoas vivendo e cuidando desses territórios”, diz Ivi Aliana, coordenadora do ASA.

    Cobertura da COP17

    A Agência Brasil vai acompanhar as duas semanas da COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.

    Nos próximos dias, a Agência Brasil publica uma série de matérias com informações sobre a conferência e como os temas debatidos nela afetam o Brasil.

     


    Paisagem campestre na Mongólia, sede da COP17 da Desertificação. Crédito: Divulgação UNCCD
    Paisagem campestre na Mongólia, sede da COP17 da Desertificação. Crédito: Divulgação UNCCD
    Paisagem campestre na Mongólia, sede da COP17 da Desertificação. Crédito: Divulgação UNCCD

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Eventos em Porto Alegre se manifestam contra a intolerância religiosa

    Eventos em Porto Alegre se manifestam contra a intolerância religiosa

    A luta contra a intolerância religiosa volta às ruas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, neste sábado (15), com a Marcha dos Quimbandeiros e o Encontro Internacional de Quimbandeiros.

    Os dois eventos terão à frente o presidente da Sociedade Beneficente Cultural Oxum e Oxalá, Pai Ricardo de Oxum, babalorixá de destaque nas religiões de matriz africana, que ao lado da Família Yecari do terreiro de batuque da instituição, idealizador da marcha. 

    A marcha, em sua 3ª edição, marcada para as 14h, e o Encontro, na 19ª edição, a partir das 20h, pretendem transformar a cidade em referência nacional e internacional para sacerdotes e praticantes da Quimbanda no Brasil, no Uruguai e na Argentina.

    Pai Ricardo de Oxum lembra que o encontro surgiu justamente por causa do preconceito no Rio Grande do Sul, que é o estado com maior número de adeptos das religiões de matriz africana, mas também um dos estados com mais casos de intolerância religiosa.

    “Há 19 anos surgiu o Encontro de Quimbandeiros por causa do preconceito de não se poder andar caracterizado na rua, nem manifestar sua fé nas encruzilhadas. Se acendessem uma vela na esquina, já vinham e te tratavam com racismo e preconceito”, disse à Agência Brasil.

    Dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o Rio Grande do Sul tem o maior percentual de seguidores da umbanda e do candomblé em relação ao total da sua população (3,19%), seguido do Rio de Janeiro (2,58%), São Paulo (1,47%), Bahia (1%) e Distrito Federal (0,85%).

    O sacerdote disse que o encontro evoluiu ao longo dos anos a ponto de ser descoberto internacionalmente pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Chile, onde já foi realizado.

    De acordo com Pai Ricardo de Oxum, a resistência é bem forte na Argentina. “Lá, o preconceito é descarado. Nos dias de hoje os terreiros quando estão manifestando o seu tambor e um vizinho denuncia que está alto, a polícia chega e tira o tambor e acaba. Não tem discussão”, relatou.

    “No Uruguai também há intolerância e no Chile a religião é mais fraca. Ela não predomina com tanta força, justamente porque não consegue evoluir por causa dos preconceitos”, avalia.

    No Rio Grande do Sul, além da umbanda, do candomblé e do batuque, a Quimbanda é uma das mais importantes expressões da espiritualidade afro e tem lugar especial entre as correntes religiosas de matriz africana com fundamentos ancestrais ligados à história da população negra no estado.

    “Existe o batuqueiro de batuque que veste branco e o quimbandeiro que veste preto com vermelho, que se chamam os Exu e Pomba-Gira. Essas entidades predominam muito em homossexuais e na comunidade LGBTQIA+ e aí surgiu um preconceito decorrente disso”, revelou.

    “Há um preconceito com os Exus e Pomba-Giras nas manifestações dos terreiros, onde os homens, que eram maioria, recebiam Pomba-Giras e se vestiam de saia e as mulheres calças quando eram incorporadas por Exu”, explicou.

    A intenção de realizar a marcha é para demonstrar que são entidades que fazem o bem e não escolhem o sexo porque podem se manifestar em qualquer pessoa, explica Pai Ricardo. 

    No ano passado a marcha reuniu cerca de 2 mil pessoas.

    “É um manifesto na rua com trio elétrico e cantos de pontos de Exu e Pomba-Gira. O pessoal acompanha, muitos com cartazes refutando a intolerância religiosa. Vem gente de vários municípios relatando preconceitos das suas cidades e nos seus terreiros. É um momento de explanar. É para isso que existe”, explicou Pai Ricardo.

    Pai Ricardo de Oxum acrescentou que as entidades nada mais são do que mensageiros que passaram pela Terra, cada um dentro da sua origem. O malandro da Lapa, as Marias, as prostitutas, os trabalhadores, os médicos, hoje se manifestam com os nomes de Exu e Pomba-Gira que trabalham em um campo astral. Tem Exu que trabalha para o amor, outros para a família. Não tem quem trabalhe para o mal. O mal está na cabeça do ser humano”, esclarece.

    Espaço exclusivo

    O Encontro em Porto Alegre será em um espaço doado pela prefeitura da cidade. 

    “Isso é um marco histórico nacional que se chama Rótulo da Quimbanda. É um espaço que a prefeitura doou para colocar o monumento de Exu, que é o primeiro em céu aberto no Brasil. Isso ocorreu há cinco anos”, disse.

    Entre as principais lideranças do batuque gaúcho, uma das vertentes religiosas de matriz africana e bem representativo no Rio Grande do Sul, Pai Ricardo de Oxum se dedica há mais de três décadas à preservação das tradições afro-brasileiras.

    Na visão do sacerdote do Terreiro de Batuque, a luta contra a intolerância se torna ainda mais urgente ao se analisar os números do Disque 100, que recebe e encaminha denúncias de desrespeito aos direitos humanos.

    Conforme a instituição, um levantamento do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania mostrou que entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o canal registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa. Quando se trata dos casos com religião da vítima identificada, as de matriz africana estão em maiores números. Na Umbanda são 228 e no Candomblé, 161, o que demonstra racismo religioso estrutural.

    Pai Ricardo de Oxum apontou a necessidade de desmistificar as figuras de Exu e Pomba-Gira, o que foi feito, por exemplo, no desfile de 2022 da escola de samba Grande Rio, na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. 

    “Esse é o trabalho, botando o povo nas ruas mostrando as coisas que deram certo, relatando os seus milagres e as suas famílias unidas e mostrando que Exu não é diabo. Dentro do nosso panteão africano não existe a palavra diabo”, ressaltou.

    Representação de Exu

    Nesse desfile da Grande Rio, com o enredo Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, a figura de Exu foi interpretada pelo ator Demerson D’Alvaro e a vermelho, verde e branco de Duque de Caxias conquistou o primeiro título de sua história no Grupo Especial do Rio de Janeiro.

    Para ele, o desfile e a dança ajudaram a desmistificar a figura de Exu, ainda visto por muitas pessoas contrárias às religiões de matriz africana, como um ser do mal.

    “Muitas pessoas conheceram Exu em um desfile de escola de samba, quando se fez uma narrativa que Exu é o orixá mais próximo de nós humanos, por sua singularidade. Não é que só faz o mal ou só faz o bem, ele erra e também acerta. Isso elucida muito para o público quem é Exu”, disse à Agência Brasil.

    A 3ª Marcha e o 19º Encontro ocorrem quatro meses depois que Pai Ricardo liderou um ato inter-religioso em homenagem a São Jorge, em parceria com a Igreja São Jorge de Porto Alegre.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Prazo para registro de candidaturas às eleições termina neste sábado

    Prazo para registro de candidaturas às eleições termina neste sábado

    O prazo para o registro de candidaturas aos cargos em disputa nas eleições de outubro termina neste sábado (15). A Justiça Eleitoral já recebeu cerca de 18 mil pedidos de candidaturas.

    O registro pode ser feito eletronicamente pelos partidos e federações até as 19h. 

    O procedimento é feito por meio do Sistema de Candidaturas (CANDex) da Justiça Eleitoral.

    Após o cumprimento dessa etapa, a Justiça Eleitoral decide se o registro de candidatura será deferido ou indeferido.

    No caso de candidatos à Presidência da República, o registro será avaliado pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    As candidaturas aos cargos de senador, governador e deputado federal, distrital e estadual serão julgadas pelos juízes eleitorais dos tribunais regionais eleitorais (TREs). 

    Entre os aspectos avaliados, os magistrados verificam se o candidato está inelegível pela Lei da Ficha Limpa ou por outro motivo e se apresentou os documentos obrigatórios. 

    As candidaturas também podem ter o pedido de impugnação por candidatos e partidos e pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

    Eleições

    O primeiro turno será no dia 4 de outubro, quando serão escolhidos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República.

    O segundo turno está marcado para o dia 25 do mesmo mês e ocorre na disputa para os cargos de governador e presidente da República. 

    Os eleitores só voltam às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • PF prende no Rio suspeito de golpe que fez idosa perder R$ 37 milhões

    PF prende no Rio suspeito de golpe que fez idosa perder R$ 37 milhões

    A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira (14), no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um homem acusado de participar do esquema fraudulento que fez uma mulher de 70 anos ter prejuízo superior a R$ 37 milhões.

    A prisão ocorreu no âmbito da Operação Criptoabate, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul nessa quinta-feira (13), com o objetivo de desarticular um esquema de fraude eletrônica estruturado por meio de uma falsa plataforma de investimentos. O valor das fraudes pode chegar a R$ 50 milhões.

    De acordo com as investigações, a organização criminosa usava a prática conhecida como “pig butchering” (golpe do abate de porcos), quando os criminosos estabelecem uma relação com as vítimas, por meio de mentorias, para induzi-las a realizar investimentos financeiros em plataformas falsas com promessa de alta rentabilidade.

    Natural de Presidente Prudente (SP) e morador de Balneário Camboriú (SC), o homem é apontado como dono de instituição financeira ligada ao esquema. Ele responderá pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Foz do Amazonas

    Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Foz do Amazonas

    A Petrobras informou nesta sexta-feira (14) que identificou a presença de hidrocarbonetos em poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na margem equatorial brasileira. 

    Os hidrocarbonetos são obtidos principalmente do petróleo e do gás natural, servindo como matéria-prima essencial para combustíveis, plásticos e borrachas.

    O poço Morpho (1-BRSA-1405-APS) está localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d’água de 2.886 metros.

    “Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje [sexta-feira]. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

    De acordo com a Petrobras, o intervalo portador de hidrocarbonetos foi constatado por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha. 

    “As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”, informou a estatal.

    A atuação da Petrobras no bloco FZA-M-59 está alinhada à estratégia da companhia de recomposição das reservas de petróleo e gás por meio da exploração em áreas de fronteira, visando ao atendimento à demanda nacional de energia durante a transição energética justa.

    A Petrobras é a operadora do bloco e detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013, sob o regime de concessão.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original