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  • Beneficiários com NIS de final 8 recebem Bolsa Família de agosto

    A Caixa Econômica Federal paga nesta quarta-feira (27) a parcela de agosto do Bolsa Família aos beneficiários com Número de Inscrição Social (NIS) de final 8.  Neste mês, 19,3 milhões de famílias serão beneficiadas, com o valor médio do benefício em R$ 678,35.

    Os moradores de 186 municípios de sete estados receberam o crédito no último dia 18, independentemente do número final do NIS. O pagamento unificado beneficiou localidades em situação de emergência ou em estado de calamidade pública nos seguintes estados: Amazonas (3 municípios), Bahia (15), Paraíba (31), Paraná (5), Rio Grande do Norte (122), Roraima (6) e Sergipe (4).

    A lista dos municípios com pagamento unificado está disponível aqui.

    O valor mínimo corresponde a R$ 600. Além do benefício mínimo, há o pagamento de três adicionais. O Benefício Variável Familiar Nutriz paga seis parcelas de R$ 50 a mães de bebês de até seis meses de idade, para garantir a alimentação da criança. O Bolsa Família também paga um acréscimo de R$ 50 a famílias com gestantes e filhos de 7 a 18 anos e outro, de R$ 150, a famílias com crianças de até 6 anos.

    No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos dez dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.

    Além do benefício integral, há o pagamento da regra de proteção. Em vigor desde junho de 2023, essa regra permite que famílias cujos membros consigam emprego e melhorem a renda recebam 50% do benefício a que teriam direito por até dois anos, desde que cada integrante receba o equivalente a até meio salário mínimo.

    Desde junho do ano passado, o tempo de permanência na regra de proteção foi reduzido de dois para um ano. No entanto, quem entrou na regra até maio de 2025 continua a receber metade do benefício por dois anos.

    Desde 2024, os beneficiários do Bolsa Família não têm mais o desconto do Seguro Defeso. A mudança foi estabelecida pela Lei 14.601/2023, que resgatou o Programa Bolsa Família (PBF). O Seguro Defeso é pago a pessoas que sobrevivem exclusivamente da pesca artesanal e que não podem exercer a atividade durante o período da piracema (reprodução dos peixes).
     


    Bolsa Família Agosto 2026 . Foto: Arte/ EBC
    Bolsa Família Agosto 2026 . Foto: Arte/ EBC
    Arte/ EBC

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Lucro da Caixa cresce 5,9% e chega a R$ 3,9 bi no segundo trimestre

    Lucro da Caixa cresce 5,9% e chega a R$ 3,9 bi no segundo trimestre

    A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 5,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre, o crescimento foi de 12,4%.

    No primeiro semestre, porém, o lucro recorrente somou R$ 7,4 bilhões, queda de 17,6% em 12 meses.

    Divulgado nesta quarta-feira (26), o resultado do segundo trimestre mostra forte expansão do crédito, especialmente no financiamento imobiliário, mas com aumento da inadimplência e a necessidade de elevar provisões para perdas.

    A margem financeira, que representa os ganhos do banco com operações que envolvem juros, alcançou R$ 19,7 bilhões no trimestre, crescimento de 20,2% em um ano.

    Crédito impulsiona

    A carteira de crédito total da Caixa chegou a R$ 1,448 trilhão em junho, alta de 11,9% em 12 meses e de 2,7% no trimestre.

    O crédito imobiliário continua sendo o principal negócio do banco e representa 69,4% da carteira total.

    O saldo dessa carteira atingiu R$ 1,005 trilhão, crescimento de 15% em um ano. De abril a junho, as contratações de financiamento imobiliário somaram R$ 137,6 bilhões, alta de 29,3% na comparação anual.

    A Caixa manteve a liderança no mercado habitacional, com participação de aproximadamente 68%.

    Outros segmentos também apresentaram crescimento:

    • Crédito para pessoas físicas: R$ 156,5 bilhões, alta de 8,7% em 12 meses;
    • Crédito para empresas: R$ 113,9 bilhões, alta de 6,5%;
    • Carteira total: R$ 1,448 trilhão, alta de 11,9%.

    Inadimplência aumenta

    Apesar do crescimento do crédito, a inadimplência avançou. O índice de operações com atraso superior a 90 dias ficou em 3,64%, contra 2,66% um ano antes.

    O principal ponto de atenção está no agronegócio. A inadimplência no segmento chegou a 20,74%, ante 7,02% no segundo trimestre de 2025.

    Nas demais carteiras, os índices foram:

    • Pessoas físicas: 6,29%;
    • Pessoas jurídicas: 14,05%;
    • Crédito imobiliário: 1,45%;
    •  Infraestrutura: 0,03%.

    A carteira imobiliária, que concentra a maior parte dos empréstimos da Caixa, apresentou índice de inadimplência bem inferior ao registrado nas demais modalidades.

    Mais provisões

    Diante do aumento do risco de crédito, a Caixa ampliou os recursos destinados a cobrir possíveis perdas.

    A despesa com provisões para perdas de crédito alcançou R$ 6,97 bilhões no segundo trimestre, alta de 97,6% em relação ao mesmo período de 2025 e de 6,9% ante os três primeiros meses deste ano.

    Segundo o banco, a forte concentração da carteira em financiamentos habitacionais e operações com garantias contribui para reduzir as perdas esperadas e dar maior estabilidade ao crédito.

    Rentabilidade cai

    Mesmo com o aumento do lucro no segundo trimestre, a rentabilidade da Caixa recuou.

    O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) ficou em 9,16%, queda de 2,7 pontos percentuais em relação a junho de 2025.

    A receita com prestação de serviços somou R$ 7,54 bilhões, alta de 12,9% em 12 meses. As despesas administrativas chegaram a R$ 11,44 bilhões, crescimento anual de 5,9%.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Veja como foi a quarta-feira (26) dos candidatos a presidente

    Veja como foi a quarta-feira (26) dos candidatos a presidente

    Os candidatos à Presidência da República cumpriram agendas de campanha nesta quarta-feira (26) com entrevistas, sabatinas, caminhadas e encontros com apoiadores e empresários. 

    >> Veja como foi a quarta-feira (26) dos presidenciáveis: 

    Hertz Dias (PSTU)
    O candidato do PSTU concedeu entrevistas para a TV Globo e para o podcast A Arte da Guerra, ambos em São Paulo (SP). O foco das entrevistas foi a retomada de setores estratégicos da economia, com reestatização de empresas como a Vale do Rio Doce e o incentivo direto a políticas de aumento da produção industrial.

    “O Brasil está sendo transformado em um grande exportador de matérias-primas e importador de produtos industrializados. Exportamos minério, soja e petróleo bruto, enquanto importamos máquinas, equipamentos e tecnologias de maior valor agregado. Isso significa menos empregos qualificados, menos desenvolvimento e mais dependência econômica”, afirmou o candidato. 

    Hertz Dias também participou de uma plenária virtual, na qual debateu o programa do PSTU com apoiadores.

    Renan Santos (Missão)
    O candidato participa agora à noite de entrevista na Rede Globo.

    Romeu Zema (Novo)
    O candidato fez campanha no seu estado natal, Minas Gerais, onde foi governador por dois mandatos. Ele participou de entrevistas a rádios locais e visitou o Hospital Regional de Teófilo Otoni (MG).

    O presidenciável voltou a defender privatizações de empresas públicas e destacou que, se eleito, vai priorizar o atendimento primário na saúde e prometeu um “novo pacto federativo” que deixe os recursos públicos “fiquem nas prefeituras”.

    Ronaldo Caiado (PSD)
    Participou de sabatina dos veículos O Globo, Valor Econômico e CBN, no Rio de Janeiro. À tarde, visitou o santuário da Penha, no Rio de Janeiro (RJ). 

    Caiado defendeu a pacificação das cidades, permitindo que as pessoas façam o básico no dia a dia, como sair cedo para trabalhar, usar o transporte público e andar com o celular nas ruas sem receio de assaltos. O candidato disse ter experiência na área e garantiu que vai resolver a questão do crime organizado no país. Para isso garantiu que “levará a estratégia de combate direto às facções e milícias, que já foi testada com sucesso em Goiás, para todas as regiões do Brasil”.

    “O enfrentamento exige o uso de inteligência, combate direto às organizações criminosas e gestão eficiente”, avaliou o candidato do PSD. 

    Rui Costa Pimenta (PCO) 
    Concedeu entrevista à TV Globo, em São Paulo. Depois realizou reunião de articulação com militantes do partido em Minas Gerais, para planejamento do lançamento das candidaturas da sigla, que concorre sem coligações, no estado, no começo de setembro. 

    À noite, Pimenta se dedicou à gravação de materiais de campanha para as redes sociais.

    Samara Martins (UP)
    Em Maceió (AL), a candidata à presidência da República da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), Samara Martins, participou de uma sabatina no Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). À tarde, a candidata fez panfletagem e caminhadas na Nova Orla da capital alagoana e na comunidade do Vergel, bairro populoso e de baixa renda de Maceió. Ela defendeu mais investimansoto no setor industrial 

    Wilson Grassi (Democrata)
    O candidato do Democrata concedeu entrevista, na manhã desta quarta-feira, à Rádio Mix FM Volta Redonda. Na conversa, Grassi falou sobre suas propostas para a presidência.  Na parte da tarde deu entrevista para a Rede Globo, em São Paulo.

    Augusto Cury (Avante)
    O candidato cumpriu agenda de campanha em Montes Claros (MG, onde visitou o Colégio Batista, fez caminhada pelo Mercado Central e participou de almoço com empresários locais. Defende mais responsabilidade fiscal para baixar os juros e permitir financiamentos mais baratos 

    Clariana Barão (DC) 
    A candidata concedeu entrevista online ao portal Sputnik Brasil. Ela criticou a falta de mulheres em debates políticos e disse que, se eleita, fará do combate ao feminicídio a prioridade de seu governo.

    “No meu governo, a prioridade número um são mulheres e crianças. No médio prazo, nós vamos trabalhar isso lá na educação infantil, nós temos que trabalhar a cultura das famílias. Mas hoje, em um tratamento de choque, nós vamos criar centros integrados de atendimento à mulher vítima da violência doméstica”, disse.

    Flávio Bolsonaro (PL)
    O candidato participou de uma motociata no centro de Arapiraca, em Alagoas (AL), de cima de um carro de som. Em vídeo publicado nas redes, o candidato destacou que vai trabalhar pela segurança dos brasileiros. A agenda do candidato também incluiu encontros com empresários do Agreste e Sertão alagoanos. 

    Os candidatos  Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e  Edmilson Costa (PCB) não tiveram agenda de campanha nesta quarta-feira. 

    A ordem de apresentação da cobertura da agenda dos candidatos a presidente segue rodízio diário em ordem alfabética.

    * Colaboraram Guilherme Jeronymo (São Paulo), Douglas Correa (Rio de Janeiro), Luciano Nascimento (São Luís) e Lucas Pordeus León (Brasília)

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Eleições 2026: mulheres negras divulgam manifesto para candidatos

    Eleições 2026: mulheres negras divulgam manifesto para candidatos

    “Levanta povo, cativeiro já acabou!”. O chamado é um dos versos da canção “Cangoma me Chamou”, gravado pela cantora Clementina de Jesus, e que, nesta quarta-feira (26), mobilizou ativistas e lideranças negras, em Brasília, no lançamento do Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026, coordenado pela Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB).

    O documento propõe a construção de um sistema político focado no Bem Viver, com justiça, equidade, solidariedade e vida digna no centro das decisões e da formulação de políticas públicas efetivas.

    A proposta do feminismo negro, voltada para a emancipação, a inclusão e o exercício da cidadania, coloca as mulheres pretas e pardas no centro do processo político, como cidadãs, eleitoras, lideranças em seus territórios e candidatas a cargos políticos e outros espaços de poder.

    O manifesto defende que é preciso que as mulheres negras não sejam vistas apenas como sujeitas destinatárias das ações voltadas para a diminuição das desigualdades. Elas querem ir além.

    “É fundamental que a nossa importância na vida política seja vista no âmbito da nossa capacidade de gestão e de imaginação, o que torna nossa presença nas casas legislativas e no executivo prioridade absoluta”, diz o texto do manifesto político.

    Cientes do peso decisivo das mulheres negras nas eleições deste ano, elas querem amplificar a voz coletiva em defesa das causas das pessoas pretas e pardas, como relata Isabel Faroni, diretora do Instituto Akanni. A instituição é focada em direitos humanos, gênero e raça, de Porto Alegre, que representa a coordenação da Região Sul junto à articulação.

    “Precisamos ter voz, sermos ouvidas. O manifesto é uma proposta de sociedade maravilhosa, porque a gente gosta da partilha justa e do cuidado mútuo.”

    Pacto do Bem Viver

    Na reafirmação do Pacto do Bem Viver, a coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Jolúzia Batista, explica que a luta do manifesto é por igualdade, justiça e reparação, a fim de corrigir desigualdades estruturais originadas por mais de três séculos de escravidão no Brasil.

    Segundo Jolúzia, a articulação também tem construído plataformas políticas para apresentar propostas para o país e ampliar a participação das mulheres negras na agenda pública. “É um conjunto de diretrizes para os candidatos e as candidatas e para os governantes, com uma leitura da realidade para que, depois, a gente possa cobrar e também efetivá-las, já olhando para esse lugar da representação política dentro da estrutura do poder”, projetou.


    Brasília (DF), 26/08/2026 - A Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), promove o ato de lançamento do Manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
    Brasília (DF), 26/08/2026 - A Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), promove o ato de lançamento do Manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
    Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras lança o manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver”. Foto  – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Candidatas negras e representatividade

    O documento enfatiza que o racismo e o sexismo ainda influenciam as disputas eleitorais e propõe medidas para enfrentar essas desigualdades estruturais.

    Em Brasília, o grupo criticou a desvalorização das mulheres pelos partidos políticos e a baixa destinação de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral. 

    As representantes divulgaram a hashtag #EuVotoEmNegra, da campanha nacional, com mesmo nome de incentivo à representatividade e à presença de mulheres negras na política brasileira.

    De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas Eleições Gerais de 2026, do total de candidaturas (20.560), no recorte de raça e cor, as mulheres pretas somam 1.234 candidaturas, equivalentes a 6% do total e 2.485 (12,2%) são candidatas pardas.

    Os percentuais contrastam com a composição da população brasileira. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (Pnad Contínua) de 2021, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 28,2% da população brasileira, ou cerca de 58 milhões de pessoas, eram mulheres negras.

    Ao público, a coordenadora de Combate ao Racismo e Todas as Outras Formas de Discriminação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais e promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus lamentou que a participação de servidoras negras nos quadros do Ministério Público também seja desequilibrada.

    De acordo com Perfil Étnico-Racial do Ministério Público Federal, entre 13 mil membros do MP de todo o país, apenas 0,7% (81 mulheres) são procuradoras e promotoras pretas.

    Segundo Nádia Estela, a publicação do manifesto político é uma convocação para a transformação da sociedade.

    “Falar em reparação, em justiça racial e bem viver, é falar sobre a democracia, sobre direitos instituídos na nossa Carta Magna [Constituição Federal de 1988] e sobre quais vidas e quais sujeitos queremos colocar à frente da construção do nosso país”, disse a promotora de Justiça.

    Guerra híbrida

    Durante a apresentação da lista de compromissos, as mulheres contextualizaram o cenário político das eleições em outubro deste ano e apontaram a existência de uma guerra híbrida, em nível global e nacional, para desconstruir direitos humanos e sociais, atacando diretamente grupos historicamente marginalizados (mulheres negras, população LGBTQIA+, comunidades tradicionais e periféricas).

    A coordenadora executiva da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré, ressaltou o direcionamento tendencioso do debate público na internet. “Chamamos essa estratégia ‘tecno autoritarismo’, porque perpassa a gestão das big techs sobre o que é entregue ou não de informações políticas.”


    Brasília (DF), 26/08/2026 - A secretária-executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré, durante o ato de lançamento do Manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
    Brasília (DF), 26/08/2026 - A secretária-executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré, durante o ato de lançamento do Manifesto “Mulheres Negras na Política pelo Pacto do Bem Viver
    Secretária-executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Janira Sodré. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil – Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Segundo Janira, a guerra híbrida vende a perda de garantias históricas como se fosse um avanço social. Como exemplo, ela citou a defesa do fim do emprego formal como uma suposta vantagem para o trabalhador. Para ela, essa narrativa contribui para enfraquecer conquistas sociais.

    “É o ataque da ultradireita em relação a um projeto de bem viver, que é o bem-estar social. Essa é a construção que a gente almeja e sonha. Tem setores que são contrários, na verdade, odiosos, em relação aos direitos dessas populações diversas e múltiplas”, afirmou Janira Sodré.

    Além da promoção do discurso de ódio no ambiente virtual, a ativista negra destaca os ataques presenciais a serviços públicos (escolas, universidades, postos de saúde) e a servidores que garantem direitos sociais coletivos; e a atuação da milícia, do narcotráfico e de civis armados [paramilitares] nos territórios urbanos vulnerabilizados, onde a maior parte da comunidade é negra.

    Janira Sodré também cita a estratégia de disputa pelas comunidades pobres utilizando modelos teológicos e pastorais para construir uma base social de apoio.

    Para contrapor-se à estratégia, a coordenadora executiva da AMNB explica o que espera dos eleitos nas urnas. “Espero que o Estado chegue com uma presença de bem-estar e de oferta de bens e de serviços de cidadania para garantia de direitos, tomando decisões, inclusive orçamentárias, e de equipe que façam incidência em políticas públicas para nossa comunidade.”

    Construção coletiva de gerações

    O lançamento do manifesto promovido pela AMNB reuniu mulheres negras pioneiras, de meia-idade e jovens para firmar um pacto intergeracional com o objetivo de fortalecer a ocupação de espaços estratégicos de decisão.

    Uma das participantes foi a mestranda e engenheira ambiental e sanitarista, Caiene Reinier Freitas, bolsista do Instituto Baobá, que financia projetos e causas raciais.

    Como mulher trans, Caiene enxerga essa comunhão como um incentivo à ocupação de espaço de poder para avançar nas políticas públicas e denuncia a realidade de violência vivenciada por mulheres trans e travestis no Brasil. “É muito importante para que a gente reestruture a política institucional brasileira.”

    Essa população tem a expectativa de vida de apenas 35 anos, metade da longevidade de pessoas cis, segundo mapeamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Mesmo diante do risco, Caiene Reinier celebra o fato de que jovens mulheres trans negras e travestis ocuparem universidades, parlamentos e disputas políticas.

    “Ocupar os espaços de decisão é o que realmente materializa essas representatividades, essas ‘mulheridades’ [diferentes formas de vivenciar a experiência de ser mulher] tão potentes.”

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • AGU processa Discord e pede R$ 500 milhões por dano moral coletivo

    AGU processa Discord e pede R$ 500 milhões por dano moral coletivo

    A Advocacia Geral da União (AGU) entrou com uma ação civil na Justiça Federal de Brasília contra a plataforma Discord após identificar violações envolvendo diferentes grupos vulneráveis no país. Além disso, pede a condenação da empresa por dano moral coletivo no valor de R$ 500 milhões (R$ 50 milhões para cada infração identificada e documentada). 

    “Essa plataforma tem permitido a prática de comportamentos ilegais a partir do que chamamos de proteção insuficiente a mulheres, crianças, adolescente e animais”, afirmou o ministro Jorge Messias, da AGU. 

    De acordo com informações da Polícia Federal, não há adoção de requisitos mínimos estabelecidos na legislação brasileira, incluindo o ECA Digital (lei aprovada em março deste ano). 

    Ele explicou que, por duas semanas, houve diálogos e reuniões com representantes da empresa na tentativa de chegar a um termo de ajustamento de conduta. “Mas a empresa se negou a assumir perante a sociedade brasileira, perante o Estado brasileiro, o cumprimento de obrigações legais”, disse o ministro. 

    “Cracolândias digitais”

    Para o governo, a plataforma tem sido utilizada para a prática de crimes. “O Estado brasileiro assumiu um compromisso de dar fim aos ‘safáris digitais’, em que animais são expostos a toda prática de violência. Nós não podemos tolerar que verdadeiras cracolândias digitais sejam criadas no ambiente virtual brasileiro”, afirmou Jorge Messias.

    O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Wellington César, destacou que o presidente Lula sancionou a lei 15.487 que passou a autorizar a chamada “ronda virtual legalizada”, o que permite às autoridades policiais identificarem e coletarem arquivos relacionados a crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes.

    “Tantas quantas sejam as vezes que identifiquemos esse tipo de prática, nós atuaremos para coibir esse tipo de conduta inaceitável em todo o território nacional”, disse o ministro.   O secretário nacional de direitos digitais, Vitor Fernandes, lembrou que no dia 4 de agosto foi deflagrada a Operação Lívia, com o cumprimento de mandados em cinco estados do país. Na ocasião, o Discord foi notificado sobre os fatos apurados na investigação.

    Demora na reação

    O nome da operação refere-se ao nome de uma adolescente de 13 anos que morreu durante uma live. Em manifestação apresentada à Justiça, a empresa reconheceu que não identificou riscos suficientes. Fernandes explica que a live durou mais de duas horas a partir das 2h20 da madrugada. 

    “Às 3h50 a empresa recebe um alerta do núcleo de observação e análise digital da Polícia Civil do Estado de São Paulo”. O secretário destacou que, apenas 25 minutos depois dessa notificação, o servidor foi derrubado. “As contas dos investigados envolvidos só foram banidas da plataforma às 15h20 do dia posterior (…) Não chegamos a receber da empresa uma proposta que fosse satisfatória no atendimento de todas as exigências do Estado brasileiro”, explicou Fernandes. 

    Alto risco

    O governo avalia que esse não foi um caso isolado. Desde 2025, o sistema de monitoramento produziu mais de 115 relatórios técnicos de inteligência sobre casos de indução ao suicídio e à automutilação, além de maus-tratos e sacrifícios de animais relacionados à plataforma Discord no Brasil.

    Nos Estados Unidos, país-sede do Discord, há ações movidas em estados como o Texas, que determinou medidas imediatas de reformulação do desenho da plataforma. “O uso da criptografia ponta a ponta, nesse caso, impediu que houvesse a detecção proativa dos conteúdos (criminais)”.

    Vitor Fernandes explicou que a verificação de idade, os mecanismos de supervisão e o controle parental na plataforma também não funcionaram. “O dever que as plataformas têm sobre o mercado digital é de detectar, remover e comunicar às autoridades policiais”, pondera. 

    Segundo a legislação brasileira,  as plataformas não devem esperar que o Estado notifique as plataformas para que elas tomem providência. “Elas têm que adotar medidas proativas de detecção e remoção desse conteúdo. Nada disso foi observado nesse caso”. 

    O diretor de combate a crimes cibernéticos da Polícia Federal, Otávio Margonari Russo, disse que o ECA Digital tem recebido atenção de outras polícias do mundo. “Nos dá muita ferramenta para trabalhar. A polícia atua no campo preventivo e no campo repressivo”.

    Defesa

    Em nota, o Discord considerou a ação civil “desproporcional” e disse que mantém, de “forma consistente e de boa-fé”, o diálogo com a Advocacia-Geral da União. Segundo a empresa, foi apresentada uma proposta para reforçar a segurança na plataforma, com mudanças técnicas e investimento financeiro em segurança online no Brasil.

    A empresa afirmou estar comprometida em trabalhar com as autoridades competentes para chegar a uma solução que permita que “os brasileiros continuem utilizando o Discord”.

    Ainda de acordo com o Discord, a afirmação de que não há cooperação entre a empresa e as autoridades está “incorreta”. A plataforma afirmou que “não tem havido uma atuação coordenada entre os órgãos federais envolvidos” e disse não haver clareza sobre as medidas específicas solicitadas.

    Sobre a morte da adolescente de 13 anos, a empresa afirmou que o caso envolveu atividades ocorridas em múltiplas plataformas e que o Discord teria sido tratado de forma isolada no debate público. Segundo a plataforma, o governo teria compartilhado evidências de que a morte ocorreu em outra plataforma.

    O Discord afirmou ainda que investigou um servidor privado no qual, segundo a empresa, indivíduos envolvidos em atividades criminosas teriam incentivado a automutilação. De acordo com a plataforma, o servidor foi desativado antes da morte da adolescente.

    A empresa disse contar com equipes especializadas que atuam diariamente para detectar indivíduos que representam ameaças de alto risco, identificar possíveis vítimas e reduzir comportamentos de risco, com a remoção de pessoas consideradas mal-intencionadas e de seus conteúdos.

    Segundo o Discord, comunicações feitas às autoridades também contribuíram para a detenção de suspeitos.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Dona de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial

    Controlador das marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, o Grupo Gennius entrou em recuperação judicial com uma dívida declarada de R$ 265,2 milhões. O pedido foi apresentado na segunda-feira (24) e aceito pela Justiça de São Paulo no dia seguinte (25).

    O juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, nomeou a consultoria KPMG como administradora judicial.

    Em nota, o grupo afirmou que a medida busca preservar a sustentabilidade dos negócios e informou que as lojas continuam funcionando normalmente.

    Causas da crise

    No processo, o grupo atribuiu as dificuldades financeiras aos efeitos da pandemia de covid-19, à expansão do delivery e à alta dos juros.

    Segundo a empresa, a redução do fluxo de consumidores em shoppings e centros urbanos afetou as lojas físicas. Ao mesmo tempo, o crescimento das plataformas de entrega mudou os hábitos de consumo.

    A alta da Selic (juros básicos da economia) também encareceu as dívidas e pressionou o capital de giro.

    “As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, respondeu o grupo Gennius em nota.

    Estrutura e dívida

    A recuperação judicial envolve 178 pessoas jurídicas, incluindo:

    • 119 lojas próprias do Habib’s;
    • 26 unidades do Ragazzo;
    • 6 churrascarias Tendall;
    • 10 franqueadoras e holdings;
    • 17 sociedades operacionais.

    Do total da dívida declarada, R$ 22,3 milhões são trabalhistas e R$ 241,7 milhões estão em categorias de créditos quirografários, obrigações financeiras sem garantia real (como hipotecas, penhores ou alienação fiduciária).

    Próximos passos

    A KPMG terá 15 dias para apresentar um relatório sobre a situação das empresas. Os credores poderão contestar valores ou solicitar a inclusão de dívidas na relação apresentada pela companhia.

    O Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação judicial. Caso não cumpra o prazo, o processo poderá ser convertido em falência.

    A Justiça suspendeu ações e execuções contra as empresas, mas negou o pedido para liberar recebíveis bancários usados como garantia.

    Plano de retomada

    O grupo pretende realizar uma reorganização societária e afirma que planeja abrir novas unidades em mercados considerados promissores, além de ampliar o foco no delivery.

    Fundado em 1987, o Habib’s cresceu com uma estratégia baseada em preços baixos e grande volume de vendas. Posteriormente, o grupo diversificou os negócios com as marcas Ragazzo e Tendall Grill.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Hugo Motta indica presidente da comissão da MP da Taxa das Blusinhas

    Hugo Motta indica presidente da comissão da MP da Taxa das Blusinhas

    O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou nesta quarta-feira (26) o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) como presidente da comissão mista que vai analisar a Medida Provisória 1357/26, que a acaba com a chamada taxa das blusinhas. 

    O anúncio foi feito após almoço no Palácio da Alvorada, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

    A MP suspende a cobrança do imposto federal de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. O texto tem que ser votado ainda em setembro, do contrário perderá a validade. 

    “Indiquei o deputado @ReginaldoLopes (PT/MG) para a Presidência da Comissão Mista que analisará a medida. A relatoria é de atribuição do Senado Federal. Em diálogo com os presidentes @LulaOficial e @davialcolumbre, acordamos votar a matéria na próxima semana. O fim da taxa é uma demanda da população e vai aliviar o bolso de milhões de brasileiros que compram pela internet”, escreveu Motta em uma rede social.

    A MP deve ser votada no esforço concentrado do Congresso Nacional marcado para a próxima semana. 

    Além do fim da taxa das blusinhas, na reunião desta quarta-feira foi acordada a votação de outras matérias. 

    Os temas definidos foram : 

    Após a reunião, Lula comemorou o acordo e disse que o entendimento do esforço concentrado, marcado para a semana de 31 de agosto a 4 de setembro, foca nas pautas prioritárias para a sociedade brasileira.

    “O que é importante é que a gente tenha a dimensão do que é prioritário e votar essas coisas que vocês vão colocar na pauta é uma prioridade do povo brasileiro”, disse Lula ao final do almoço. 

    * Colaborou Pedro Rafael Vilela 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • FPF e Liga F anunciam parceria para fortalecer futebol feminino

    FPF e Liga F anunciam parceria para fortalecer futebol feminino

    A Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Liga F, principal competição feminina de clubes da Espanha, anunciaram nesta quarta-feira (26) uma cooperação institucional voltada ao fortalecimento e ao desenvolvimento do futebol feminino em São Paulo e no cenário internacional.

    O acordo foi oficializado durante o evento Dia F: Legado e Futuro do Futebol Feminino, realizado na sede da FPF, na capital paulista.

    Segundo as entidades, essa é uma parceria inédita que tem como objetivo a promoção e internacionalização do futebol feminino, formação técnica e administrativa, projetos de impacto social, desenvolvimento da arbitragem feminina e a realização de cursos, pesquisas e visitas técnicas. O acordo permitirá ainda a construção de iniciativas conjuntas e o intercâmbio entre profissionais das duas entidades.

    “A FPF já possui uma parceria de longa data com La Liga, da Espanha, que contribui muito com o futebol paulista, mas sentíamos a necessidade de falar mais sobre futebol feminino. Queremos fazer uma imersão sobre futebol feminino e impulsionar ainda mais”, disse o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos.

    A FPF mantém uma estrutura exclusiva para o futebol feminino desde 2016, sendo a primeira entidade nacional a criar um departamento para a modalidade e é pioneira também na organização de competições de base para meninas.

    “Para a Liga F, é um enorme orgulho que uma instituição da dimensão e do prestígio da Federação Paulista tenha se interessado pelo nosso processo de profissionalização, pela nossa estrutura e pelo nosso modelo de governança”, disse Beatriz Álvarez, presidente da Liga F. “Mas esta relação não consiste em a Liga F vir ao Brasil para ensinar um modelo. Viemos para compartilhar. E viemos também para aprender.”

    Expansão para todo o país

    A jogadora Miraildes Maciel Mota, mais conhecida como Formiga, defendeu a expansão do futebol feminino para outros estados ─ inclusive para além das capitais ─ e investimentos em categorias de base.

    “Precisamos sair das sedes”, afirmou.

     


    Brasília (DF), 12/03/2026 - Mulheres no Futebol. Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol, atualmente atua no cargo de Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
    Brasília (DF), 12/03/2026 - Mulheres no Futebol. Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol, atualmente atua no cargo de Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
    Formiga, ex-jogadora da Seleção Brasileira de Futebol. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

    Atuando como volante e meia, Formiga é a futebolista com mais participações, como atleta, na história da Copa do Mundo, independentemente de gênero, tendo disputado sete edições do torneio. A ex-jogadora foi duas vezes vice-campeã olímpica e uma vez vice-campeã mundial de futebol feminino.

    “Outros clubes precisam aderir à ideia do futebol feminino, saber que futebol feminino hoje, sim, é realidade. Precisamos espalhar o que está acontecendo hoje [em São Paulo]”, disse Formiga, em entrevista à Agência Brasil, durante o evento.

    Para a ex-jogadora, é preciso garantir que meninas de todo o país tenham acesso a uma formação de qualidade e que os clubes ofereçam mais segurança e continuidade ao trabalho das jogadoras.

    “Que a Federação Paulista possa servir de exemplo, de espelho, para que possamos cada vez mais manter essas meninas em seus estados, mais tempo com suas famílias. E, quando elas forem migrar para um outro estado, que elas possam estar preparadas; quando forem para a Seleção Brasileira, que possam estar preparadas”, ressaltou.

    Trabalho de base

    Apesar de o futebol masculino já ter um legado consolidado há mais tempo que o feminino, Formiga lembrou que as jogadoras mulheres têm sido referência não só para meninas, mas para os meninos também, e mencionou a importância do trabalho nas categorias de base.

    “Que possamos cada vez mais ter interação entre o futebol feminino e o masculino, e um trabalho de base, que é muito necessário. E que cada vez mais tenhamos parceiros que acreditem nessa evolução, nesses projetos, porque [o futebol] muda vidas”, disse.

    Para projetar o futuro, Formiga destacou que é importante lembrar da construção tão dolorosa que resultou no atual legado do futebol feminino no país, além de valorizar cada profissional que contribuiu nesse processo e garantir que suas histórias sejam contadas.

    “Que todos realmente estejam envolvidos para que amanhã e depois possamos colher bons frutos. Bons frutos esses que são várias meninas em vários lugares com os seus direitos de jogar futebol, sem preconceito, sem nenhum tipo de machismo”, acrescentou a ex-jogadora.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha

    Festival Caju reforça leitura para alunos indígenas na TI Barra Velha

    A Oca Tururim, na Aldeia Xandó, Território Indígena Barra Velha, na vila histórica de Caraíva, em Porto Seguro (BA), fará a 5ª edição do Festival Caju de Leitores, nos dias 2 a 4 de setembro próximo.

    O evento nasceu em 2022 e seu objetivo é melhorar as habilidades de leitura e de escrita dos estudantes indígenas. O motivo é que, desde o ano 2000, começaram a surgir instituições de ensino na região, nformou nesta quarta-feira (26) a diretora-geral do evento, Joanna Savaglia, à Agência Brasil.

    São instituições privadas e públicas, instaladas na região, como a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), campus de Porto Seguro, e a Escola Técnica Estadual (Etec).

    “Os estudantes precisam de redação e da compreensão de texto para poder vencer a dificuldade do vestibulinho”, afirmou Joanna. “A ideia é trabalhar em parceria com a escola para levar a atividade para o território”, disse.

    Segundo Joanna, a meta é dar aos estudantes ferramentas para que possam fazer o que quiserem. Assim, não precisam mais ficar presos no território. “Teu pai quer que você seja advogado? Então, vai estudar, mas saiba que tem que ter interpretação de texto, tem que saber escrever. Foi com essa intenção que o Caju nasceu”, explicou.


    POrto Seguro (BA), 26/08/2026 - Festival Caju de Leitores. Foto: Festival Caju de Leitores/Divulgação
    POrto Seguro (BA), 26/08/2026 - Festival Caju de Leitores. Foto: Festival Caju de Leitores/Divulgação
    Programação é aberta e gratita. Foto: Divulgação

    A diretora-geral destacou que no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o aluno tem que saber escrever, construir. 

    Fauna

    O tema deste ano do festival é Manifesto de Bichos. Em todas as edições, os temas têm importância para os indígenas.

    No festival de 2026 não poderia ser diferente. Como os temas são ligados ao meio ambiente, que é onde eles vivem, a decisão foi falar dos animais. “A fauna vai estar inteira dentro da programação, falando de bichos, basicamente”, afirmou Joanna. Edições anteriores abordaram território, flora e árvores, entre outras questões.

    O festival propõe atividades voltadas à literatura, oralidade, memória e conhecimentos indígenas, tendo os animais como parte das narrativas e das relações com a ancestralidade, o território, a língua e a natureza. A proposta dialoga diretamente com o lugar e a presença dos bichos nas histórias, nas memórias e nos conhecimentos do povo Pataxó.

    No local, estarão reunidos escritores, artistas, educadores, estudantes, pesquisadores, lideranças indígenas e comunidades, em atividades como literatura, oralidade, artes, educação e saberes tradicionais.

    Formação de leitores

    A programação é gratuita e aberta a todas as faixas etárias. O público do festival é, majoritariamente, estudante e indígena.

    “Quando se faz um evento para esse público, vai pai, mãe, avô, avó, filho, gato, cachorro. Então, é sempre para todo mundo. Não tem faixa etária. Não tem isso de mesa para criancinha, mesa para pessoal mais velho. Não. É tudo junto, disse a diretora-geral do evento.

    A ideia é trabalhar em parceria com a escola para levar essa atividade para as escolas do território. O evento Vozes da Escola, organizou uma jornada de formação em literatura indígena para os professores, em parceria com a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

    “O município de Porto Seguro é cheio de territórios indígenas, tem a aldeia mãe de todos, que é Barra Velha, onde ocorre o Caju, mas existem vários territórios dentro do município.”

    Para os professores, é um evento especial. Eles tiram os alunos das escolas e levam para ter aulas dentro da oca. A organização do festival oferece comida. “Tem lanche, tem almoço. Muita gente fica hospedada na escola. Tem pessoas que acampam ali também, porque a área do Centro Cultural Indígena Pataxó da Aldeia Xandó Oca Tururim é grande.”

    Estudantes e educadores participarão da programação não apenas como público, mas também compartilhando experiências e produções desenvolvidas no ambiente escolar.

    Convidada

    Eeste ano, pela primeira vez, o festival trará uma autora estrangeira, a primeira da América do Sul. Trata-se da indígena argentina Mariela Tulián, do povo Tulián.

    Entre os brasileiros, participam Sairi Pataxó, escritor e liderança Pataxó; Lucia Tucuju, do povo Galibi-Marworno, escritora, roteirista, atriz e narradora; Auritha Tabajara, escritora, cordelista e contadora de histórias; Vanessa Guarani Ratton, do povo Guarani M’bya e vencedora do Prêmio Jabuti 2023 na categoria Fomento à Leitura; Apêtxienã Pataxó, professor e guardião da língua ancestral Pataxó, entre outros.

    A homenageada desta edição é Maria Coruja, de 91 anos, da Aldeia Pará, situada dentro da Barra Velha. Ela transmite pela oralidade as tradições Pataxó de cantigas e brincadeiras de criança.

    Indagada se a organização já estaria planejando o tema da edição de 2027, Joanna Savaglia considerou que será difícil superar o Manifesto de Bichos, “porque este já está sendo um sucesso total”. Não à toa, esta quarta-feira é o Dia Mundial do Cachorro.

    Inovações

    O evento terá pela primeira vez uma livraria, além de loja, espaço de alimentação e exposição. A abertura do festival será às 14h do dia 2 de setembro.

    Desde sua criação, o Festival Caju de Leitores já alcançou mais de 12 mil pessoas em suas diferentes ações.

    Originalmente chamado Caraíva Juvenil, o festival adotou o acrônimo Caju (proveniente dessas duas palavras CAraíva JUvenil). A palavra carrega a ancestralidade da fruta nativa, que no tupi-guarani (acayu) significa “noz que se produz” e representava, historicamente, a contagem do tempo para os povos indígenas.

    O Festival é uma realização do Ministério da Cultura e da Savá Cultural. Conta com patrocínio da Neoenergia e do Itaú, via Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, além da Secretaria Municipal de Educação de Porto Seguro, por meio da Superintendência de Cultura e Patrimônio Histórico.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Governo brasileiro lamenta mortes em avalanche no Nepal e na China

    Governo brasileiro lamenta mortes em avalanche no Nepal e na China

    O governo brasileiro lamentou nesta quarta-feira (26) as mortes causadas por deslizamentos de terra e inundações no Nepal e na região Administrativa Autônoma do Tibete, na China.

    A tragédia resultou em ao menos 157 pessoas mortas e centenas de desaparecidas. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas.

    “O governo brasileiro expressa profundo pesar e solidariedade às famílias das vítimas, ao povo e ao governo do Nepal e da China”, disse Itamaraty, em nota.

    O MRE informou ainda que a Embaixada do Brasil em Katmandu, capital do Nepal, e a Embaixada do Brasil em Pequim, capital da China, acompanham com atenção os desdobramentos da calamidade no país.

    “O plantão consular da Embaixada do Brasil em Katmandu (telefone +977 9801032381) poderá prestar assistência consular a cidadãos brasileiros em situação de emergência no Nepal”, diz a nota.

    Já os brasileiros que estiverem na Região Administrativa Autônoma do Tibete, na China, podem entrar em contato com o plantão consular da Embaixada do Brasil em Pequim (telefone +86 138 0121 0722).

    Câmeras de segurança registraram o momento em que pessoas fugiam enquanto uma avalanche de lama e água arrastava prédios e pontes em um vale, no distrito de Rasuwa. O local fica no Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o condado de Gyirong, na região chinesa do Tibete. O porto de Gyirong também foi destruído pelo desastre.

    A avalanche que atingiu o Tibete e o Nepal teria relação com o acúmulo de grandes volumes de gelo e rocha, em razão de chuvas que atingiram a região.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original