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  • Brasil vence a terceira e lidera Sul-Americano feminino de vôlei

    A seleção feminina de vôlei segue na liderança do Campeonato Sul-Americano da modalidade, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro. Na noite desta quinta-feira (10), as brasileiras venceram a Colômbia por 3 sets a 0 na partida mais difícil do torneio até o momento. As parciais foram de 25/19, 25/18 e 36/34.

    Com 28 pontos, Ana Cristina liderou mais uma vez o triunfo do Brasil. Foram 16 pontos apenas no terceiro set. As também ponteiras Laura Pascua (15 pontos) e Ana Olaya (14) foram as protagonistas da Colômbia, dando muito trabalho principalmente na última parcial, que durou 41 minutos – as demais não chegaram a meia hora cada uma.

    A capitã e ponteira Gabi, com dez pontos, e a oposta Sabrina, com nove, também se destacaram pelo Brasil em um jogo que, apesar da vitória, teve muitos erros cometidos pelas brasileiras (86). Para comparação, nos triunfos sobre Venezuela, na última terça-feira (8), e Peru, na quarta-feira (9), foram 75 em cada partida. 

    O ponto negativo foi a saída de Rosamaria, no início do segundo set. A oposta sentiu o joelho direito após choque com a líbero Nyeme ao tentar defender um ataque. Ela deu lugar a Sabrina e foi atendida no vestiário e terá de passar por exames.

    O Sul-Americano reúne seis seleções, que jogam entre si em fase única. Depois de cinco rodadas, o país com mais pontos fica com o título e se garante na Olimpíada de Los Angeles (Estados Unidos), em 2028. As brasileiras são as maiores vencedoras da competição, com 23 conquistas, sendo as últimas 15 consecutivas.

    Sem nenhum set perdido até agora, o Brasil chegou a nove pontos (cada triunfo por 3 a 0 ou 3 a 1 vale três pontos). Segunda colocada, a Argentina também ganhou os três jogos que disputou, mas tem um ponto a menos que o Brasil.

    Como o triunfo sobre a Colômbia foi decidido no quinto set (tie-break), as hermanas somaram apenas dois pontos. As colombianas fizeram um ponto, apesar do revés.

    As brasileiras voltam a jogar neste sábado (12), às 13h30 (horário de Brasília), diante do Chile. No domingo (13), às 12h, a seleção dirigida por José Roberto Guimarães finaliza a participação contra a Argentina.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

    Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

    A redução da distância entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a média dos alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025 não significa, necessariamente, que o Brasil tenha avançado em aprendizagem. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a aproximação ocorreu principalmente porque o desempenho brasileiro permaneceu relativamente estável enquanto a média dos países da organização recuou, especialmente nos últimos anos.

    “O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem”, diz Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann

    O Pisa é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), coordenado pela OCDE, entidade que reúne 38 países, incluindo algumas das maiores economias do planeta, para produzir estudos, estatísticas e recomendações sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico e social. Aplicado a cada três anos pela entidade, a prova avalia os conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências.

    “Podemos afirmar que o Brasil melhorou no longo prazo, sobretudo em ciências e leitura. No entanto, parte importante da aproximação ocorreu porque a média da OCDE caiu, especialmente em matemática”, avalia Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe).

    Com os resultados de 2025, que se mantiveram similares em relação a 2022, o Brasil segue no grupo abaixo da média dos países da OCDE nas três disciplinas. Foram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Nessa mesma ordem, a média de 23 países da OCDE ficou em 466 (leitura), 469 (matemática) e 486 (ciências). Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matemática, por exemplo, o Brasil está com cerca de 4,6 anos de atraso em relação aos membros da OCDE.

    A distância, no entanto, já foi bem maior, quando se comparam os dados entre os anos de 2006 e 2025. A diferença de desempenho em relação à média dos países da OCDE diminuiu de 102 para 58 em leitura (redução de 44 pontos), de 131 para 92 em matemática (39 pontos) e de 113 para 77 em ciências (36 pontos).

    Ganhos em escala

    Mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, Jalman Lima afirma que é positivo que o Brasil não tenha acompanhado a intensidade de queda na educação observada em diversos países, mas essa estabilidade ainda ocorre em um patamar de desempenho educacional muito baixo, já que somente 28% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, que é o mínimo.

    “O principal desafio continua sendo transformar essa estabilidade em crescimento real da aprendizagem matemática, ampliando a capacidade dos estudantes de interpretar situações, relacionar informações, escolher estratégias de resolução”, pondera.

    “O ponto central é que o Brasil ainda não conseguiu produzir ganhos de aprendizagem em escala. Seguimos com uma parcela muito elevada de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência, especialmente em matemática e leitura, e com desigualdades importantes de desempenho. É preciso considerar também que esta é uma geração que teve sua trajetória escolar diretamente impactada pela pandemia, com efeitos sobre a aprendizagem que não desaparecem de um ano para outro”, argumenta Felipe Proto. Segundo ele, a recomposição das aprendizagens continua sendo fundamental para garantir que nenhum estudante fique para trás.

    Além de ampliar o domínio básico em disciplinas como matemática, o país ainda precisa criar mais oportunidades para desenvolver o raciocínio mais sofisticado.

    “Muitos ainda têm dificuldade em interpretar uma situação, decidir com autonomia, qual o conhecimento matemático utilizar. Ao mesmo tempo, praticamente não temos estudantes nos níveis mais altos de proficiência. E isso é um grande problema. É um desafio nas duas extremidades”, observa Jalman Lima.

    Desigualdades educacionais

    Rodrigo Fulgêncio, da Abraspe, também alerta para essa disparidade. Entre os principais gargalos, ele enfatiza, estão o elevado percentual de estudantes abaixo do nível básico, a presença muito pequena nos níveis mais altos de proficiência, a situação especialmente crítica em matemática e a forte desigualdade socioeconômica.  

    “Em ciências, por exemplo, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos. Quase cinco vezes o aprendizado médio associado a um ano escolar, que é de aproximadamente 20 pontos”, afirma.

    O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 estudantes. O perfil dos participantes brasileiros avaliados foi composto por 72,4% de estudantes oriundos de escolas da rede estadual, sendo a quase totalidade (96,9%) delas localizada em áreas urbanas. Cerca de 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025. Nesta edição, o foco foi o letramento dos alunos em ciências, com o maior número de itens aplicados.

    “Mais do que a posição relativa do país no ranking, o Pisa reforça a urgência de transformar a melhoria da aprendizagem em prioridade nacional, com foco em garantir que todos os estudantes desenvolvam as competências essenciais para a vida, o trabalho e a participação cidadã no século XXI”, reforça Felipe Proto, da Fundação Lemann .

    Tecnologia em sala de aula

    Na avaliação do Pisa em 2025, os estudantes também respondem a questionários contextuais, incluindo o uso de celulares em sala de aula. O resultado mostrou que 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com restrições ao uso desses dispositivos. Em 2022, eram 37%. A proporção brasileira supera amplamente a média da OCDE (49%). Segundo o MEC, o percentual medido está alinhado às evidências de que estudantes em escolas com esse tipo de regra apresentam menor probabilidade de relatar distrações digitais.

    A ocorrência, por exemplo, da chamada “leitura apressada”, que é quando o estudante lê rapidamente, mas de maneira imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025. A OCDE também identificou fragilidades crescentes na capacidade de avaliar informações, relacionar diferentes fontes e pensar criticamente sobre o que se lê. Além disso, 28% dos estudantes disseram que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ciências, e 46% já utilizam Inteligência Artificial (IA) semanalmente ou mais para estudar.

    Segundo Rodrigo Fulgêncio, diante desse cenário, cabe refletir se os estudantes e suas formas de aprender mudaram mais rapidamente do que as práticas escolares conseguiram acompanhar. “O grande alerta do Pisa 2025 talvez seja exatamente esse: ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem. O desafio atual é ajudar os estudantes a sustentar a atenção, ler com profundidade, avaliar informações, construir raciocínios e utilizar a tecnologia para ampliar, e não substituir, o pensamento”.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasileiras são vice-campeãs da Copa América de futebol de cegas

    Brasileiras são vice-campeãs da Copa América de futebol de cegas

    A seleção brasileira feminina de futebol de cegas sofreu revés na final diante da Argentina nesta terça-feira (8) e ficou com o vice-campeonato da Copa América, disputada no Centro de Treinamento (CT) Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. Atuais biicampeãs mundiais, as Hermanas venceram a Amarelinha por 1 a 0 e levaram o título.

    “Foi um jogo muito disputado, deixamos tudo de nós, todo o gás, a garra, mas o título não veio. A medalha de prata nos enche de orgulho pela garra que deixamos em campo. E vamos continuar assim para o Mundial”, disse a jogadora Sarah, após a partida, referindo-se à Copa do Mundo programada para outubro de 2027, também em São Paulo.

    Esta foi a primeira edição da Copa América com quatro equipes – além do Brasil, estavam Canadá, Argentina e México – competindo em turno único na fase inicial. Para chegar à final, a Amarelinha somou duas vitórias – sobre o Canadá (7 a 0)  e sobre o México (2 a 0) – e uma derrota, para a Argentina (1 a 0). As equipes mais bem colocadas (Brasil e Argentina) lutaram pelo título. Já as mexicanas ficaram com o bronze, após ganharem por 1 a 0 das canadenses.

    Copa América Masculina

    Já classificada às semifinais, a seleção brasileira masculina de futebol de cegos empatou em 0 a 0 com a Colômbia, no último jogo da fase de grupos, disputado na tarde desta terça (8). Seis equipes iniciaram o torneio, divididas em duas chaves. O Brasil competiu no Grupo 2 ao lado de Colômbia, Peru e Chile. Já na outra chave ficaram México, Costa Rica, Argentina e Guatemala.

    O Brasil avançou às semifinais ao somar duas vitórias: 3 a 0 contra o Chile e 6 a 0 contra o Peru. A equipe brasileira, campeã há dois meses dos Jogos Parasul-Americanos, buca o sétimo título na Copa América.  

    As semifinais serão realizadas na próxima quinta (10), a partir das 15h (horário de Brasília). Os jogos têm transmissão ao vivo no canal da Federação Interacional de Esportes de Cegos – a International Blind Sports Federation (IBSA) – no YouTube.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Seleção feminina derrota Canadá e avança às oitavas do Mundial Sub-20

    Seleção feminina derrota Canadá e avança às oitavas do Mundial Sub-20

    A seleção brasileira feminina Sub-20 aplicou 3 a 0 no Canadá nesta terça-feira (8) e avançou, antecipadamente, às oitavas de final do Mundial, em Bielsko-Biala (Polônia). Os gols da segunda vitória seguida da Amarelinha foram marcados pelas jogadoras Nogueira, Vitorinha e Brendha. Na estreia, no último sábado (5), o Brasil derrotou a Tanzânia por 4 a 1. 

    Líder do Grupo B, com seis pontos, o Brasil encerra a fase de grupos na próxima sexta (11), às 10h (horário de Brasília). A adversária será a Inglaterra, segunda colocada na chave, com quatro pontos. Se vencer ou empatar, o Brasil fica em primeiro lugar na chave e enfrentará nas oitavas o segundo colocado dos Grupos A, C ou D.  A Amarelinha, comandada pela técnica Camila Orlando, busca o título inédito no Mundial.

    As brasileiras dominaram a partida desde o início. Logo aos cinco minutos, Clarinha invadiu a área com perigo e foi derrubada. A árbitra marcou pênalti. Nogueira cobrou de canhota e abriu o placar para as brasileiras.  O Brasil teve chance de ampliar aos 22 minutos, com um belo chute cruzado de Gio Canali que passou rente à trave do lado direito do gol canadense.

    Dois minutos depois, por muito pouco Gisele não marca o segundo gol do Brasil, ao ficar sozinha cara a cara com a goleira na entrada da grande área. No entanto, a canadense Stephanie Schoeley derrubou a brasileira antes do chute. A árbitra marcou a falta e expulsou de campo a zagueira canadense. Após a expulsão, as canadense controlaram mais o meio-campo, mas não chegara a ameaçar o gol da goleira Ana Thaís.

    Depois do intervalo, as brasileiras colocaram pressão e aos três minutos Vitorinha acertou um chute de fora e aumentou para 2 a 0 a vantagem brasileira. Três minutos depois, Clarinha rolou para Vitorinha na ponta direita que cruzou na medida para Brendha marcar o terceiro gol do Brasil. A partir daí, as canadenses se fecharam, a Amarelinha administrou o placar favorável até o fim.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Pisa: Brasil reduz diferença para países ricos no desempenho escolar

    Pisa: Brasil reduz diferença para países ricos no desempenho escolar

    A educação brasileira segue com desempenho muito inferior ao de países desenvolvidos, mas a diferença caiu ao longo das últimas duas décadas. É o que apontam os mais recentes resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), referente ao ano de 2025, divulgados nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Aplicado a cada três anos pela entidade, o Pisa avalia os conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências.

    Com os resultados de 2025, que se mantiveram estáveis em relação a 2022, o Brasil segue no grupo abaixo da média dos países da OCDE nas três disciplinas. Foram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Nesta mesma ordem, a média de 23 países da OCDE ficou em 466 (leitura), 469 (matemática) e 486 (ciências). Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matemática, por exemplo, o Brasil está com cerca de 4,6 anos de atraso em relação aos membros da OCDE.

    A distância, no entanto, já foi bem maior, quando se comparam os dados entre os anos de 2006 e 2025. A diferença de desempenho em relação à média dos países da OCDE diminuiu de 102 para 58 em leitura (redução de 44 pontos), de 131 para 92 em Matemática (39 pontos) e de 113 para 77 em Ciências (36 pontos).

    O estudo do ano passado envolveu 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 estudantes. O perfil dos participantes brasileiros avaliados foi composto por 72,4% de estudantes oriundos de escolas da rede estadual, sendo a quase totalidade (96,9%) delas localizada em áreas urbanas. Cerca de 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do Ensino Médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025. Nesta edição, o foco foi o letramento dos alunos em ciências, com o maior número de itens aplicados. Foi em ciências, aliás, que a nota do Brasil mais evoluiu na comparação com o ciclo anterior de avaliação (2022), saltando de 403 para 409 pontos.

    O Pisa 2025 também aponta melhor recuperação do Brasil após a pandemia de covid-19 do que a média da OCDE. Entre 2018 e 2025, o país recuperou e superou o desempenho pré-pandemia em ciências e registrou perdas menores que a média da OCDE em Leitura e Matemática. No Brasil, a avaliação é aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

    Ferramentas computacionais

    O ano de 2025 marca o nono ciclo da avaliação do Pisa desde seu lançamento, em 2000, ano em que o Brasil aderiu ao programa, participando de todas as avaliações desde então. Nesta edição, como é praxe, o Pisa introduziu um novo domínio. A dimensão escolhida foi “Aprendizagem no Mundo Digital”, que envolveu dois atributos: a Resolução de Problemas por meio de Ferramentas Computacionais (RPFC) e Processos de Aprendizagem Autorregulada.


    A pandemia revelou a desigualdade de acesso à internet
    A pandemia revelou a desigualdade de acesso à internet
    A pandemia revelou a desigualdade de acesso à internet – Caminhos da Reportagem/TV Brasil

    Na divulgação do primeiro volume de resultados, a OCDE disponibilizou as médias e os níveis de proficiência no atributo de RPFC. Já os resultados sobre o construto de Processos de Aprendizagem Autorregulada serão disponibilizados em 2027.

    Em RPFC, o Brasil ficou com 406 pontos, abaixo da média da OCDE (500). Entre os 19 países selecionados, a Coreia do Sul apresentou a maior média (538), enquanto o Paraguai apresentou a menor (352).

    Celulares nas escolas

    Na avaliação do Pisa em 2025, os estudantes também respondem a questionários contextuais, incluindo sobre o uso de celulares em sala de aula. O resultado mostrou que 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com restrições ao uso desses dispositivos. Em 2022, eram 37%. A proporção brasileira supera amplamente a média da OCDE (49%).

     

    Brasília (DF) 05/08/2026 - Pessoa ouve áudio no celular na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
    Brasília (DF) 05/08/2026 - Pessoa ouve áudio no celular na Rodoviária do Plano Piloto de Brasília  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
     Celular nas escolas –  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    Segundo o MEC, o percentual medido está alinhado às evidências de que estudantes em escolas com esse tipo de regra apresentam menor probabilidade de relatar distrações digitais. “O resultado também reflete a implementação da Lei nº 15.100/2025, que estabeleceu regras para o uso de celulares na educação básica em todo o país”, observou a pasta, em nota.

    No relatório anterior, de 2022, a OCDE havia apontado que o uso excessivo de dispositivo digital afeta desempenho de alunos em todos os países analisados.

    Curiosidade e perseverança

    Em 2025, 72% dos estudantes brasileiros afirmaram ter interesse por diversos assuntos, ao passo que 59% disseram se esforçar mais diante de desafios. Ao mesmo tempo, caiu para 16% a parcela que considera a escola uma perda de tempo, percentual significativamente inferior à média da OCDE (24%) e 6,9 pontos menor que em 2022.

    Os dados também mostram que a valorização da escola faz diferença na aprendizagem. No Brasil, estudantes que reconhecem o valor da educação e rejeitam a ideia de que a escola é uma perda de tempo obtêm, em média, 35 pontos a mais em ciências do que seus colegas, impacto superior ao observado na média da OCDE (27 pontos).

    Meio ambiente

    Resultados do Pisa 2025 mostram também que os estudantes brasileiros estão entre os mais engajados com as questões ambientais. No Brasil, 84% acreditam que podem gerar impactos positivos para o meio ambiente, 87% confiam na força da  ação coletiva para enfrentar desafios ambientais e 77% afirmam saber trabalhar em grupo para promover mudanças positivas. São percentuais superiores aos observados na média da OCDE, destacou o MEC.

    Entenda o Pisa

    Coordenado pela OCDE, o Pisa é uma avaliação internacional aplicada a cada três anos a estudantes de 15 anos. É considerado o maior estudo sobre educação no mundo e avalia até que ponto os estudantes dessa idade, próximos ao que se considera o final da escolaridade obrigatória na maioria dos países (equivalente ao Ensino Médio), adquiriram conhecimentos e habilidades essenciais para plena participação na vida social e econômica.

    O exame procura medir a capacidade dos jovens de aplicar conhecimentos de matemática, leitura e ciências em situações da vida real e permite comparar o desempenho dos sistemas educacionais de diferentes países. A cada edição, uma dessas três áreas recebe maior ênfase. No Pisa 2025, o foco principal foi ciências, além da introdução de uma avaliação de língua estrangeira e de um novo domínio sobre aprendizagem no mundo digital.

    No Brasil, a aplicação é coordenada pelo Inep, que seleciona as escolas participantes, organiza a aplicação e analisa os dados. O Brasil participa do Pisa desde 2000. O exame é amostral e não corresponde a uma prova aplicada a todos os estudantes de 15 anos. O ciclo mais recente foi realizado em 2025, depois de o calendário ter sido alterado pela pandemia de covid-19: a edição prevista para 2021 foi realizada em 2022, e a que estava prevista para 2024 foi transferida para 2025.

    A OCDE é uma organização internacional que reúne 38 países, incluindo algumas das maiores economias do planeta, para produzir estudos, estatísticas e recomendações sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico e social. O Brasil, embora não seja membro, participa de programas da entidade, como o Pisa. Em 2022, o país recebeu o convite formal para iniciar o processo de adesão, mas a entrada depende do cumprimento de uma série de requisitos e da aprovação dos países membros.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasil leva ouro na Copa do Mundo de paratriatlo e no parabadminton

    Brasil leva ouro na Copa do Mundo de paratriatlo e no parabadminton

    O esporte paralímpico brasileiro celebrou duas medalhas de ouro neste sábado (5). Na etapa de Alhandra (Portugal) da Copa do Mundo de paratriatlo, Erica Rodrigues venceu a prova feminina da classe PTS5 (atletas com deficiências físico-motoras leves e que disputam em pé). No Torneio Internacional da China de parabadminton, Vitor Tavares foi o campeão da classe SH6 (baixa estatura).

    No triatlo paralímpico, as provas consistem em 750 metros (m) de natação, 20 quilômetros (km) de ciclismo – podem ser usadas bicicletas convencionais, tandens (pedalada em dupla, no caso de atletas com deficiência visual que necessitam de guia) ou handbikes (veículo adaptado com três rodas, guiado com as mãos, para cadeirantes) – e 5 km de corrida (a pé ou em cadeira de rodas).

    Erica concluiu a prova deste sábado em 1h07min31s, com mais de três minutos de vantagem para a espanhola Maria Fuentes Artigot, segunda colocada. A portuguesa Ana Duarte completou o pódio.

    O Brasil ainda foi ao pódio em duas outras provas. Na disputa masculina da PTS5, o goiano Ruiter Silva ficou com a prata, com tempo de 59min07s, a 31 segundos do português Filipe Marques, que ficou com o ouro.

    O grego Panagiotis Alevizos foi bronze. Na classe PTWC (cadeirantes), o paulista Lucas Rodrigues garantiu a terceira posição, atrás do tunisiano Fathu Zwoukhi (primeiro) e do francês Julien Viot (segundo).

    No parabadminton, Vitor decidiu o título de simples de sua classe contra o chinês Lin Naili. Mesmo no país do adversário, o brasileiro, que tem nanismo, mostrou o porquê de ter sido medalhista paralímpico de bronze nos Jogos de Paris (França), em 2024. Ele venceu por 2 sets a 1, de virada, com parciais de 19/21, 21/18 e 21/16.

    Este foi o segundo pódio brasileiro no Torneio da China. Na última sexta-feira (4), Kauana Beckenkamp assegurou o bronze na disputa individual da classe SL3 (atletas com deficiência moderada e equilíbrio limitado nos membros inferiores, mas que competem de pé). Ela foi superada na semifinal pela chinesa Faifei Gu, por 2 sets a 0 (21/12 e 23/21).

    Vale lembrar que o Brasil foi anunciado, em julho, como sede do Campeonato Mundial de parabadminton, em 2028. A competição será no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, entre 14 e 20 de fevereiro, cerca de seis meses antes da Paralimpíada de Los Angeles (Estados Unidos).

    Outra medalha conquistada na sexta veio no Campeonato Mundial de Paraciclismo de Estrada, em Huntsville (Estados Unidos). A paulista Jéssica Messali foi bronze na prova de contrarrelógio entre as atletas da classe WH3 (handbikes), ao concluir o percurso de 14,6 km em 24min32s33. O topo do pódio foi ocupado pela australiana Lauren Parker (23min03s62), seguida da francesa Anais Vincent (23min36s99).

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasil goleia Tanzânia na estreia na Copa do Mundo sub-20 feminina

    Brasil goleia Tanzânia na estreia na Copa do Mundo sub-20 feminina

    A caminhada da seleção feminina de futebol na Copa do Mundo sub-20 deste ano, que ocorre na Polônia, começou da melhor forma possível. Neste sábado (5), as brasileiras venceram a Tanzânia por 4 a 1, em Bielsko-Biala, pelo Grupo B da competição.

    Dominante em campo, o Brasil abriu o marcador aos 13 minutos. A meia Vitorinha, do São Paulo, cobrou falta pela esquerda, a defesa da Tanzânia tentou afastar e a sobra ficou com a zagueira Thaynara, do Botafogo, que finalizou da meia-lua, acertando o canto da goleira Nusra Jafari.

    Aos 37, a zagueira Sofia, do Flamengo, derrubou Winfrida Gerald dentro da área, após um passe errado da goleira Thais Lima, do Benfica (Portugal). A própria meia cobrou e deixou tudo igual antes do intervalo.

    A seleção brasileira não se abalou e voltou a ficar na dianteira aos três minutos da etapa final. A meia Nogueira, da Ferroviária, lançou Evelin na ponta esquerda. A atacante do Santos ganhou da zagueira Asha Omary na velocidade, invadiu a área e chutou forte e rasteiro, sem chance de defesa.

    Aos 22, a parceria Nogueira-Evelin voltou a funcionar. A meia tocou por cima da marcação para a chegada da atacante, às costas de Omary, outra vez pelo lado esquerdo. A brasileira, em nova finalização cruzada, anotou o segundo gol dela.

    O triunfo verde e amarelo foi sacramentado aos 35 minutos. Após falta de Omary em cima da atacante Gisele, do Grêmio, quase na entrada da área pela esquerda, Vitorinha cobrou o tiro livre com perfeição, buscando o ângulo direito de Jafari, que ainda tocou na bola, mas sem conseguir evitar o quarto da seleção da técnica Camilla Orlando.

    As brasileiras voltam a campo na terça-feira (8), às 10h (horário de Brasília), contra o Canadá. Três dias depois, a adversária será a Inglaterra, no mesmo horário. Os dois jogos também serão em Bielsko-Biala.

    O Brasil mira o primeiro título na história da Copa do Mundo sub-20 feminina. Em duas ocasiões, o país ficou na terceira posição, nas edições de 2006 e 2022. Nessa última, a equipe contava com jogadoras que já integram convocações da seleção principal, como a goleira Gabi Barbieri, a lateral Bruninha, as zagueiras Lauren e Tarciane, a volante Yaya e as atacantes Priscila, Luany, Dudinha, Gio Garbelini e Aline Gomes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • WSL exclui etapa de Abu Dhabi do circuito mundial de surfe deste ano

    WSL exclui etapa de Abu Dhabi do circuito mundial de surfe deste ano

    A Liga Mundial de Surfe (World Surf League-WSL) excluiu a etapa de Abu Dhabi Pro, nos Emirados Árabes Unidos, do calendário deste ano do circuito mundial. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (4) pela entidade, que alegou limitações logísticas como restrições de vôos na região, que sofre com a guerra entre Estados Unidos e Irã.  

    A etapa de Abu Dhabi, inicialmente programada outubro, já fora remarcada pela WSL para o período de 25 a 29 de novembro, na tentativa de manter a competição no calendário de 2025..

    “Exploramos todas as opções para manter o Surf Abu Dhabi Pro no calendário deste ano”, disse Ryan Crosby, diretor-executivo da WSL, em nota oficial. “Infelizmente, as condições atuais e as limitações logísticas tornaram impossível seguirmos em frente. Foi uma decisão difícil, mas a certa neste momento. Valorizamos nossa parceria com o Surf Abu Dhabi e esperamos retornar”, concluiu.

    Com a retirada da etapa dos Emirados Árabes, o circuito mundial de surfe seguirá com 12 etapas. O formato do Mundial, segundo a WSL, será mantido, com três resultados descartáveis ao longo da temporada.  

    Faltam apenas quatro etapas para o término do circuito, sendo que a próxima em Trestles, na Califórnia (EUA), definirá os 22 melhores surfistas homens e as 14 melhores atletas mulheres que avançarão para a pós-temporada (etapas de Peniche, em Portugal; e Cloud 9, nas Filipinas). Os campeões mundiais serão conhecidos na grande etapa final, a Pipe Masters, no icônico pico de surfe no Havaí.

    Atualmente o potiguar Ítalo Ferreira ocupa a vice-liderança do ranking mundial, atrás apena do italiano Fioravanti. Completando o top 5 estão o atual campeão Yago Dora, o tricampeão Gabriel Medina, e o paulista Miguel Pupo. Na disputa feminina, a brasileira-americana Luana Silva ocupa a quinta posição.

    Próximas etapas do Mundial 2026

    Etapa 9 – Lexus Trestles Pro – 11 a 20 de setembro de 2026;

    Etapa 10 – MEO Rip Curl Pro Portugal – 16 a 25 de outubro de 2026;

    Etapa 11 – Philippines Pro apresentado pela Philippine Sports Commission – 31 de outubro a 10 de novembro de 2026;

    Etapa 12 – Lexus Pipe Masters – 8 a 20 de dezembro de 2026.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • UE suspende carnes do Brasil; entenda impacto e próximos passos

    UE suspende carnes do Brasil; entenda impacto e próximos passos

    A União Europeia (UE) começou nesta quinta-feira (3) a suspensão da entrada de produtos de origem animal do Brasil em seus 27 países-membros. A medida atinge carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos, e pode afetar até US$ 2 bilhões por ano em exportações brasileiras.

    O bloqueio, porém, não é necessariamente definitivo: o Brasil tenta comprovar que atende às exigências europeias. Além disso, uma auditoria da UE avalia as cadeias de frango e mel no país.

    A restrição ocorre porque o bloco considera insuficientes os mecanismos brasileiros de controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A União Europeia não identificou casos de contaminação ou irregularidades sanitárias em lotes brasileiros. 

    O que foi suspenso?

    A partir desta quinta-feira, novas cargas dos produtos afetados não podem entrar no mercado dos 27 países da União Europeia.

    Estão incluídos:

    • carne bovina;
    • carne de frango;
    • carne suína;
    • mel;
    • pescados;
    • ovos.

    A medida atinge principalmente os segmentos de carne bovina e de frango, que têm participação relevante nas exportações brasileiras para o mercado europeu.

    Por que a UE bloqueou?

    A União Europeia detém regras próprias para o uso de antimicrobianos na criação de animais.

    Esses medicamentos podem ser usados para tratar infecções, mas o bloco proíbe o emprego para estimular o crescimento dos animais. Também não permite que sejam utilizados em animais antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em seres humanos.

    A avaliação europeia é de que o sistema brasileiro de controle dessas substâncias não oferece garantias suficientes para comprovar o cumprimento das regras.

    O governo brasileiro, por sua vez, contesta esse entendimento e afirma que a legislação nacional já restringe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, seguindo referências internacionais.

    É um problema sanitário?

    Não. Essa é uma das principais dúvidas provocadas pela decisão.

    O bloqueio europeu não foi anunciado após a identificação de contaminação ou de um problema sanitário específico em carnes brasileiras. A questão está relacionada aos mecanismos de controle e rastreabilidade do uso de antimicrobianos.

    Dessa forma, a medida não significa que a carne brasileira tenha sido considerada imprópria para consumo.

    O Brasil exporta produtos de origem animal para dezenas de países e continua autorizado a vender para outros mercados que mantenham a habilitação dos produtos brasileiros.

    Quanto o Brasil pode perder?

    O impacto potencial estimado chega a US$ 2 bilhões por ano considerando os produtos afetados.

    Somente a carne bovina respondeu por aproximadamente US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras para a UE em 2025, segundo os dados apresentados no material.

    Embora o mercado europeu represente uma parcela limitada do total das exportações brasileiras de carne bovina, ele é considerado estratégico porque compra cortes de maior valor agregado.

    O problema para o setor não é apenas encontrar outro comprador. Diferentes mercados costumam demandar cortes específicos, o que dificulta substituição imediata das vendas destinadas à Europa.

    O que o Brasil fez?

    O governo brasileiro vem negociando com a União Europeia desde que a medida foi anunciada.

    Entre as providências adotadas estão:

    • proibição de determinados antimicrobianos;
    • criação de mais regras de controle;
    • proposta de um período de transição, rejeitada pela UE;
    • Elaboração de um protocolo de rastreabilidade;
    • comprovação do controle sobre o uso dessas substâncias durante a produção.

    O novo protocolo prevê o acompanhamento do animal desde o nascimento até o abate, permitindo comprovar que determinados antimicrobianos não foram usados durante sua vida.

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), todas as empresas associadas e habilitadas a exportar para a União Europeia já aderiram ao protocolo privado desenvolvido pelo setor.

    Quando o bloqueio pode acabar?

    A suspensão pode ser revertida, mas não há uma data definida para a retomada das exportações.

    Esta semana, técnicos da União Europeia promovem uma auditoria no Brasil sobre as cadeias de produção de frango e mel. A inspeção deve terminar nesta sexta-feira (4).

    Depois, o resultado ainda precisará ser analisado pelas autoridades europeias. Esse processo pode levar cerca de dois meses.

    Se a UE considerar que as exigências foram atendidas, o Brasil poderá ser reincluído na lista de países autorizados a exportar.

    E a carne bovina?

    Para a carne bovina, a retomada pode ser mais demorada.

    Isso ocorre porque o novo sistema exige rastreamento durante todo o ciclo de vida do animal. Um bovino que passe a seguir as novas regras hoje pode levar entre 24 e 36 meses até chegar ao abate.

    Portanto, mesmo que a UE reverta o bloqueio, a adaptação da cadeia bovina às novas exigências pode levar anos.

    No caso do frango, o ciclo produtivo é bem menor: aproximadamente 45 dias entre o nascimento e o abate.

    O que acontece com frango?


    Frangos
    Frangos
    Brasil exporta carne de frango para cerca de 150 países. Foto: Arquivo/Agência Brasil

    O setor avícola espera que as vendas para a União Europeia possam ser retomadas ainda em 2026, dependendo do resultado da auditoria.

    Caso o bloqueio permaneça, a produção que seria destinada aos europeus poderá ser destinada ao mercado brasileiro, a países do Oriente Médio e a outros mercados internacionais.

    O Brasil exporta carne de frango para cerca de 150 países, o que oferece alternativas para parte da produção.

    E o mel?

    O mel também entra na suspensão. As exportações brasileiras para a União Europeia dobraram no primeiro semestre de 2026, chegando a US$ 6,3 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).

    O crescimento ocorreu em parte porque as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos tornaram aquele mercado mais caro para os exportadores brasileiros, levando empresas a direcionar vendas para a Europa.

    Um dos riscos avaliados pelo setor é a chamada contaminação cruzada. Ela pode ocorrer, por exemplo, quando colmeias ficam próximas de áreas de criação de animais onde determinados produtos são usados.

    Consumidor brasileiro será afetado?

    A suspensão é direcionada às exportações para a União Europeia, e não significa interrupção da produção ou comercialização desses produtos no Brasil.

    Caso parte da produção inicialmente destinada à Europa seja redirecionada ao mercado interno, poderá haver aumento da oferta doméstica de determinados produtos.

    Isso, no entanto, não significa que os preços cairão no mercado interno. O efeito dependerá de fatores como volume redirecionado, demanda interna e capacidade de absorção do mercado.

    E os outros países?

    O bloqueio não atinge automaticamente todos os parceiros comerciais do Brasil.

    Argentina, Paraguai e Uruguai, por exemplo, continuam autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia.

    A decisão também ocorre em meio às discussões comerciais entre o bloco europeu e o Mercosul. Por isso, representantes do agronegócio brasileiro classificam a medida de protecionista, enquanto autoridades europeias sustentam que se trata do cumprimento de exigências regulatórias.

    Próximos passos

    O cenário agora depende principalmente de três etapas:

    • conclusão da auditoria europeia nas cadeias brasileiras de frango e mel;
    • análise dos resultados pelas autoridades da União Europeia;
    • comprovação da conformidade brasileira com as regras exigidas pelo bloco.

    Se as garantias apresentadas forem consideradas suficientes, a UE poderá suspender o bloqueio e autorizar novamente as importações.

    Até lá, os setores afetados terão de administrar os estoques e buscar outros mercados para parte da produção que seria destinada aos consumidores europeus.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Depois da COP17, Brasil é cobrado a efetivar metas de restauração

    Depois da COP17, Brasil é cobrado a efetivar metas de restauração

    A meta do governo brasileiro de restaurar 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030 foi elogiada pelas Nações Unidas e por organizações da sociedade civil.

    A promessa, no entanto, vem acompanhada de cobranças para que ela seja tirada do papel e solucione os problemas enfrentados pelo país.

    A especialista em sistemas alimentares da WWF Global, Luiza Soares, chamou a meta brasileira de “ambiciosa”, mas que ela precisa ser traduzida em resultados concretos.

    “Implementar esses objetivos requer uma abordagem integrada no uso da terra, que significa colocar ao mesmo lado a conservação e a restauração dos ecossistemas, a recuperação da produtividade de áreas degradadas, o manejo sustentável do solo e a transformação dos sistemas alimentares agrícolas”, diz.

    “Pessoas que vivem e dependem dessas terras devem ser incluídos de maneira significativa, especialmente nos lugares onde a degradação afeta diretamente a segurança alimentar e hídrica, os meios de subsistência e a natureza”, complementa.

    O conselheiro executivo da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), Pedro Sena, disse que a sociedade deve acompanhar e fiscalizar o compromisso assumido pelo país durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbatar, capital da Mongólia, nas últimas duas semanas.

    “A partir de agora, nosso foco deve ser monitorar a situação de perto, para que possamos avaliar e entender, ano a ano, como estamos evoluindo em relação aos nossos compromissos de conservação do solo”, avalia.

    O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, afirma que a meta foi apresentada com 11 anos de atraso e que, agora, o momento é de acelerar o trabalho. 

    “O Brasil, precisa fortalecer a estrutura administrativa e orçamentária para tirar essa meta do papel. Para isso, a proposta do Instituto Escolhas é a regulamentação da recém-aprovada Lei de Recuperação da Vegetação da Caatinga e a criação de uma Secretaria Especial de Recuperação da Caatinga e Combate à Desertificação, vinculada à Presidência da República, com status de ministério, orçamento e quadro funcional adequado à missão”, analisa.

    Compromisso em números

    A restauração prometida pelo Brasil faz parte das metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês), um compromisso voluntário estabelecido por mais de 130 países que fazem parte da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

    Para chegar ao número de 163 mil km², estão previstas iniciativas para recuperar a vegetação nativa, investimento em sistemas agroflorestais, além de ações em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas.

    Para cumprir as metas LDN, os países precisam aumentar ou manter a quantidade de terras saudáveis e produtivas em seu território.

    O Brasil usa como referência o ano de 2020, quando detinha 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. Ou seja, para cumprir o compromisso de neutralidade, precisa chegar em 2030 com, pelo menos, o mesmo número.

    Também estão previstas ações de prevenção, conservação e manejo sustentável em outros 3,51 milhões de km². Assim, o número oficial das metas LDN é de 3,67 milhões de km², por incluir tanto a área de restauração quanto à de conservação.

    Caatinga em destaque

    O Consórcio Nordeste, que reúne os nove governos da região, foi à COP17 para apresentar projetos de restauração da Caatinga e tentar ampliar os investimentos no semiárido. O grupo assinou um memorando de entendimento com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD) para dar maior visibilidade ao bioma.

    Por meio dele, a expectativa é que haja mais cooperação técnica, acesso a metodologias e instrumentos globais de neutralidade da degradação da terra e que o Nordeste seja incluído em novas redes mundiais de regiões secas.

    O secretário executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, vê o documento como um passo importante para aumentar o protagonismo da região.

    “Estamos confiantes de que, a partir dele, teremos mais canais e caminhos abertos para concretizar os projetos e as ações do Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica. Com isso, colaborar com o mundo para reduzir emissão de carbono e degradação da terra”, disse Gabas.

    A secretária adjunta da UNCCD, Andrea Meza, destacou o papel que o Brasil vem desempenhando em construir soluções para os problemas da terra.

    “O Nordeste é um território fundamental para fortalecer uma rede de políticas de combate à desertificação, restauração de terras e resiliência climática. Estamos muito satisfeitos com a formalização dessa cooperação”, disse Meza.

    *O repórter viajou para a Mongólia a convite da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), após seleção entre jornalistas de diversos continentes.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original