Tag: Amazônia

  • Competitividade do mercado de carbono moderniza conservação florestal

    Competitividade do mercado de carbono moderniza conservação florestal

    No município de Caracaraí, em Roraima, um modelo de conservação aliou inovação tecnológica e ações socioambientais para garantir longevidade e competitividade no mercado de carbono em uma área de 14 mil hectares.

    A iniciativa, promovida pela empresa paulista de soluções para descarbonização ZEG (Zero Emission Goal), é uma alternativa produtiva para áreas florestais que ainda mantém vegetação nativa e que estão sob pressão do desmatamento legal, a principal fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil.

    O acúmulo desses gases na atmosfera é apontado como a causa para o aquecimento global, as mudanças climáticas e o aumento da recorrência de eventos climáticos extremos.

    Segundo o diretor-presidente da ZEG, Carlos Jacob, a área pertence a um produtor rural de soja de Goiás que havia solicitado ao Estado a autorização para desmate legal.

    “O proprietário comprou essa área logo depois que Roraima passou por uma redução da reserva legal”, diz.

     


    Brasília (DF), 02/09/2026 – Carlos Jacob, diretor presidente da ZEG - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Brasília (DF), 02/09/2026 – Carlos Jacob, diretor presidente da ZEG - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Carlos Jacob, diretor presidente da ZEG – Floresta Amazônica conservada em Caracaraí Foto: Fabíola Sinimbú /Agência Brasil

    O Código Florestal (Lei 12.651/2012) prevê que estados como Roraima, onde mais de 65% do território é formado por unidades de conservação, podem reduzir a reserva legal do bioma para 50% nas propriedades privadas, desde que haja um zoneamento ecológico econômico.

    Na área onde o modelo de conservação foi implementado o bioma é amazônico e, portanto, a reserva legal seria de 80% dos 14 mil hectares. Mas, como o estado de Roraima concluiu o zoneamento ecológico-econômico em 2022, o proprietário passou a ter direito de desmatar metade da área para plantar soja.

    “A gente ficou sabendo que ele estava com esse pedido de supressão da área. Então, a gente contatou o produtor e no começo ele ficou bastante com dúvidas se esse era o caminho a seguir, mas ele acreditou no nosso projeto e decidiu embarcar”, conta Jacob.

    Modelo

    A proposta apresentada pela empresa ao produtor rural previa um modelo inovador com investimentos em tecnologia de monitoramento e prevenção de incêndio, programa socioambiental voltado às comunidades coletoras de castanha-do-Pará do entorno e todo o processo de certificação dos estoques de carbono existentes.

    Com a aprovação do proprietário, foi realizado um trabalho de segurança jurídica com a remontagem da cadeia dominial da propriedade, para evitar problemas sobre direito de posse. O proprietário também fez a cessão do direito real da superfície da área por 40 anos, o tempo de duração do contrato para comercialização dos estoques de carbono.

    Segundo Carlos Jacob, essa iniciativa é decisiva para dar credibilidade aos investidores após o colapso do mercado de conservação, entre 2021 e 2023, causado por números de mitigação superestimados e comercialização de estoques em áreas sobrepostas a terras públicas.

    “Foi quando a gente entendeu que tinha que entrar no mercado de conservação para fazer diferente”, diz Jacob.

    Prevenção de incêndio

    A área de conservação também recebeu uma torre de 60 metros, com um sistema de monitoramento capaz de identificar focos de incêndio e alertar a equipe em campo. O sistema conta com uma câmera associada a um programa de inteligência artificial. 

    “A gente consegue saber em tempo recorde, dentro dos três minutos que a câmera leva para dar um giro de 360 graus. Chega para a gente um relatório, que mostra exatamente onde está acontecendo o foco de incêndio, e a gente coloca a equipe de campo para ir até o local”, explica Cineone Silva, coordenador de operações de campo da ZEG.

    Toda a equipe local, composta por 20 pessoas, passou por treinamento da brigada de incêndio interna. E como a capacidade de alcance da câmera vai além da área de conservação, duas áreas de assentamento vizinhas ao local também passaram por atualização de treinamento em suas brigadas comunitárias.

    “O principal risco, que a gente tem mais dificuldade de mitigar, é o incêndio. Então, a gente investiu bastante na infraestrutura de combate a incêndio”, reforça Carlos Jacob.

     


    Brasília (DF), 02/09/2026 – Cineone Silva, coordenador de operação da ZEG - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Brasília (DF), 02/09/2026 – Cineone Silva, coordenador de operação da ZEG - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Cineone Silva, coordenador de operação da ZEG – Floresta Amazônica conservada em Caracaraí Foto: Fabíola Sinimbú /Agência Brasil

    Floresta em pé

    Cerca de 36 famílias que vivem nos assentamentos vizinhos e que têm como fonte de renda a coleta da castanha-do-Pará puderam manter o extrativismo de subsistência.

    Um desses moradores é João Inácio Neto, que aprendeu a coletar a castanha desde criança, com o pai, que também era extrativista.

    “Eu nasci e me criei nesse estado e, nos últimos 15 anos, eu vi a transformação com a entrada do agronegócio aqui na região, com o plantio de soja e mais veneno que a gente não tinha. Quando venderam esse lugar, a gente imaginou também que não ia mais poder coletar”, conta.

     


    Brasília (DF), 02/09/2026 – João Inácio Neto, extrativista de castanha - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Brasília (DF), 02/09/2026 – João Inácio Neto, extrativista de castanha - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    João Inácio Neto, extrativista de castanha Foto: Fabíola Sinimbú /Agência Brasil

    A conservação da área e a parceria com a comunidade local resultaram também no fortalecimento da atividade por meio de capacitação e apoio para a constituição da Associação Agroextrativista do Município de Caracaraí (Agrocar).

    Em vez de trabalharem de forma isolada, as famílias produziram juntas na última safra, para obterem preços mais vantajosos com a pesagem e a venda coletiva.

    “Este ano, eu achei que melhorou bastante, na comparação com os outros anos. Eu achei mais organizado porque, antes, a gente vendia direto para o atravessador. Trabalhando junto, a gente já pode pensar em fazer uma venda melhor”, diz a extrativista e secretária da Agrocar, Eliane de Sena.

     


    Brasília (DF), 02/09/2026 – Eliane de Sena, extrativista e secretária da Agrocar, extrativista de castanha - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Brasília (DF), 02/09/2026 – Eliane de Sena, extrativista e secretária da Agrocar, extrativista de castanha - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Eliane de Sena, extrativista e secretária da Agrocar, extrativista de castanha Foto: Fabíola Sinimbú /Agência Brasil

    Segundo Carlos Jacob, alcançando preços melhores, os extrativistas podem também melhorar a logística e o transporte da castanha-do-Pará, o que também permite o aproveitamento do ouriço.

    “Quando a gente tira o caminho tradicional de desenvolvimento, a gente precisa dar uma alternativa que, nesse caso, é a economia da floresta em pé, que passa por valorizar os bioativos e todos os produtos da floresta”, diz o executivo.

    Competitividade

    Em todo o empreendimento, foram investidos um total de R$ 20 milhões, incluindo o processo de certificação dos estoques de carbono.

    “A gente usa a certificação da Verra, passa pela auditoria da Earthwood, que é uma empresa indiana, e, além dessas duas salvaguardas, a gente ainda tomou cuidado de pegar uma agência que vai certificar a qualidade”, afirma Jacob.

     


    Brasília (DF), 02/09/2026 – Castanha-do-pará coletada na área de conservação em Caracaraí (RR) - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Brasília (DF), 02/09/2026 – Castanha-do-pará coletada na área de conservação em Caracaraí (RR) - Floresta Amazônica conservada em Caracaraí
Foto: Fabíola Sinimbú/Agência Brasil
    Castanha-do-pará coletada na área de conservação em Caracaraí (RR) Foto: Fabíola Sinimbú /Agência Brasil

    O estoque de carbono ainda não foi comercializado, mas a iniciativa já garantiu uma classificação AA pela agência BeZero.

    “É a primeira nota duplo A de um projeto de carbono na Amazônia, e a primeira do mundo também para um projeto de desmatamento evitado”, conclui Jacob.

    *A repórter viajou a convite da empresa ZEG.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Imazon aponta desmatamento zero em 60% de terras indígenas na Amazônia

    Imazon aponta desmatamento zero em 60% de terras indígenas na Amazônia

    De agosto de 2025 a julho de 2026, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) aponta que 60% das terras indígenas (TI) na Amazônia registraram desmatamento zero. No período, o desmatamento na região alcançou uma área de 2.702 km². 

    Do total de área desmatada no bioma, apenas 1,7%, o equivalente a 46,96 km², foram registrados dentro de terras indígenas. A área desmatada alcançou apenas 40% dos territórios de povos originários e em parcelas, na sua maioria, inferiores a 1 km².

    Segundo o Imazon, os números reforçam a “importância dessas terras e de seus povos para a proteção da biodiversidade, manutenção das chuvas e controle das mudanças climáticas”.

    De acordo com os dados do instituto, os territórios com maiores áreas desmatadas foram a TI Cachoeira Seca, no Pará, que perdeu 4,44 km² no período, seguida da TI Andirá-Marau (AM/PA), com uma área afetada de 2,83 km², e TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, com 2,53 km² desmatados.

    Unidades de conservação

    Dentro das unidades de conservação da Amazônia, o desmatamento representou 9% do total do bioma, o equivalente a 239,76 km². Entre as áreas protegidas mais desmatadas no bioma estão a APA Triunfo do Xingu (PA), que perdeu 90,87 km² de vegetação nativa, seguida da Flona de Altamira (PA) e da Resex Chico Mendes, no Acre, que tiveram, respectivamente, 25,96 km² e 17,24 km² desmatados.

    Estados

    Em números gerais, os estados mais atingidos foram o Pará, Mato Grosso e Amazonas, com perdas de 818 km², 565 km² e 495 km², respectivamente.

    A pesquisadora do Imazon Manoela Athaide ressalta que apesar de figurarem entre os que mais desmatam, os três estados apresentaram uma diminuição no desmatamento na comparação com o calendário do ano anterior.

    “Por possuírem os maiores territórios, esses estados estão com frequência entre os três que mais desmatam, alternando as colocações ao longo dos anos”, destaca

    Histórico

    Em relação a série histórica, iniciada em 2007, o calendário deste ano apresentou o menor índice de desmatamento para a Amazônia dos últimos 11 anos. 

    Na comparação com agosto de 2024 e julho de 2024, quando houve desmatamento de 3.503 km², a redução foi de 23%.

    O Sistema de Alerta de Desmatamento também monitora as áreas degradadas na Amazônia afetadas por fogo ou extração seletiva de madeira, onde parte da vegetação nativa permanece, mas há prejuízo ao funcionamento dos ecossistemas.

    De agosto de 2025 a julho de 2026, a Amazônia teve 2.577 km² de área degradada, o que representou uma queda de 93% na comparação com o calendário anterior, quando o bioma teve 35.229 km² degradados.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Amazônia: indígenas catalogam espécies para proteger biodiversidade

    Amazônia: indígenas catalogam espécies para proteger biodiversidade

    Uma iniciativa que une saber ancestral indígena à ciência acadêmica desenvolve o inventário das espécies existentes da Terra Indígena (TI) Panará, na Amazônia. Quase 15 mil indivíduos da fauna e da flora regional já foram registrados em 500 mil hectares na divisa do Pará com Mato Grosso.

    O projeto é promovido pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações sociais. Faz parte de uma estratégia de conservação da biodiversidade na região pressionada pelo garimpo ilegal e outras atividades irregulares.

    Os pesquisadores indígenas e das universidades públicas trabalham juntos em trilhas pelo território para a coleta de imagens e de amostras de espécies e de água do Rio Rriri, afluente do Rio Xingu que atravessa a TI, e também para inclusão de dados no inventário.

    “Foi muito bom trabalhar junto com pesquisadores não indígenas. Um ensinou ao outro”, afirma o pesquisador Kiarysy Kaiabi Panará, conhecido como Cutia.

    Segundo a diretora do programa Povos Indígenas e Comunidades Locais da CI-Brasil, Renata Pinheiro, enquanto os acadêmicos trazem conhecimento tecnológico sobre as ferramentas de catalogação, os pesquisadores indígenas dominam o conhecimento sobre o território.

    “Os Panará sabem ler a floresta de um jeito que nenhum instrumento científico consegue substituir. Eles conhecem a alimentação de cada animal, como se movimenta, e esse conhecimento alimenta diretamente a ciência que construímos juntos”, destaca.

    Tecnologia

    Para a coleta de dados, os pesquisadores indígenas receberam capacitação sobre o uso de ferramentas como o GPS, o aplicativo de catalogação das espécies e a instalação de câmeras trap, ativadas por movimento ou pelo calor emitido por animais que se aproximam.

    Segundo a pesquisadora Pentê Panará, o trabalho foi além do conhecimento tecnológico. Também permitiu conhecer espécies difíceis de serem avistadas sem a ajuda das câmeras com sensores.

    “Quando as câmeras capturaram os bichos de pelo, a gente conseguiu identificar mais bichos do que a gente conhece. Depois disso, eu também fiquei muito feliz em conhecer essa parte da pesquisa com a tecnologia”, diz.

    Escolhida pelos integrantes da aldeia Panará Sõnkârãsãn, onde vive, Pentê considera importante a participação de mulheres na equipe que desenvolveu o estudo.

    “Toda vez que eu voltava do trabalho de pesquisa, as outras mulheres me perguntavam sobre o que estávamos fazendo e como era trabalhar com essa parte de tecnologia. Acho que outras mulheres Panará também gostariam de participar”, afirma.

    Descoberta

    Entre as plantas, animais e insetos de 602 espécies, 27 estão criticamente em perigo de extinção. E uma árvore está sendo analisada como uma possível descoberta para a ciência, embora já seja uma antiga conhecida do povo Panará.

    Chamada de Já pelos Panará, a árvore é um dos indivíduos marcados, que teve imagem e amostra coletadas em uma das expedições realizadas pelo grupo de pesquisadores.

    De acordo com Renata Pinheiro, a descoberta ainda não foi confirmada nem revisada por botânicos porque é recente, e a coleta das amostras ainda não está completa. “A gente ainda precisa conseguir coletar esse indivíduo novamente durante a estação da floração para conseguir fazer essa análise”, explica.

    Dados

    Segundo a diretora, o trabalho foi interrompido por falta de recursos para mais uma rodada de expedições, mas a expectativa é que o programa ainda seja retomado para que seja possível concluir o inventário.

    Para a pesquisadora indígena Pentê Panará, ainda há muito a ser revelado. “Durante essa pesquisa, toda vez que a gente andava na mata, a gente encontrava rastro de outros bichos. Dá até pra saber o caminho onde eles andam. Para mim ainda tem muitos mais.”

    Ao final do inventário, todo o resultado do programa será analisado pelos pesquisadores indígenas para a disponibilização aberta dos dados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr), que reúne os registros de ocorrência de espécies, coleções biológicas e conjuntos de dados científicos.

    “Tem todo um procedimento que precisa ser feito para os pesquisadores indígenas estarem nessa plataforma como detentores e autores desse conhecimento, e isso ficar registrado na plataforma. Assim, cada vez que uma outra instituição de pesquisa, por exemplo, precisar acessar essas informações, eles são procurados”, explica Renata Pinheiro.

    Como o trabalho de pesquisa foi feito em conjunto com pesquisadores de universidade que também desenvolvem trabalhos acadêmicos com base no programa, um protocolo para a liberação de publicações foi desenvolvido pela CI-Brasil.

    “Tudo que está sendo negociado para ser publicado, os pesquisadores não indígenas gravaram vídeos ou áudios explicando aos Panará a publicação, quais seriam os dados utilizados, qual o objetivo e o que vai ser tratado. Os pesquisadores Panará e a comunidade para que acrescentem a sua visão sobre o tema”, diz Renata.

    A partir dessa análise, a publicação é liberada para que os pesquisadores não indígenas levem o conhecimento à comunidade acadêmica.

    “A gente estabeleceu esse protocolo, e tudo que foi feito até agora vem ao encontro da tradição oral dos povos indígenas, para que todos tivessem esse cuidado de colocar essas informações na oralidade, num vídeo, para que os Panará conseguissem entender e reagir ao que estava sendo colocado ali”, conclui.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mapbiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño

    Mapbiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño

    Em 41 anos, a vegetação nativa foi reduzida a 65% do território brasileiro, aponta a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12). 

    Ao longo dessas quatro décadas, áreas onde as florestas permaneceram foram menos afetadas pelo fenômeno El Niño ─ aquecimento da superfície equatorial do Oceano Pacífico que causa eventos climáticos extremos na América do Sul.

    A nova coleção traz resultados do mapeamento do território nacional, de 1985 até 2025, a partir de 33 classes de cobertura da terra, como biomas, atividades humanas, tipos de vegetação e superfície de água, por exemplo.

    Nesta edição, os dados foram cruzados aos da plataforma MapBiomas Atmosfera, que monitora o clima e a qualidade do ar no país. Os pesquisadores observaram especialmente a ocorrência de extremos climáticos, como secas e temporais, no trimestre de setembro a novembro, durante os anos com El Niño – 1997/98, 2015/16, 2023/24.

    Na análise, os pesquisadores puderam observar que, nesses anos em que o fenômeno foi mais intenso, a maior parte dos biomas brasileiros foi afetada por secas e ausência de chuva. As exceções foram nos biomas Pampa e em parte da Mata Atlântica, onde houve um aumento da precipitação.

    Impacto por bioma

    A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três El Niño, sendo que, no último, ocorrido em 2023/2024, os efeitos mais intensos registrados foram nas áreas de agropecuária. Essas regiões, onde o ser humano deu outro tipo de uso à terra que antes abrigava floresta, sofreram uma redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.

    O Pantanal foi drasticamente afetado pelo último El Niño ocorrido, o que levou o bioma a registrar o ano mais seco da série histórica em 2024. No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a seca foi ficando mais intensa a cada novo fenômeno. As áreas de vegetação nativa foram as mais afetadas nesses biomas.

    As áreas de agropecuária também foram as mais afetadas no Pampa pelos extremos climáticos ocorridos durante o El Niño. Mas, diferentemente da Amazônia, o bioma foi impactado pelo excesso de chuva, especialmente nos últimos dois fenômenos analisados.

    Vegetação

    Em 1985, a vegetação nativa do país ocupava 79% do território brasileiro e, em 2025, esse percentual caiu para 65%.  Durante esses 41 anos, a formação florestal foi o tipo de vegetação que perdeu mais área pela ação humana. Foram menos 65 milhões de hectares, seguido da formação savânicas, com menos 46 milhões de hectares, e dos campos alagados, que perderam 6,3 milhões de hectares.

    “Embora a perda tenha sido maior em florestas, proporcionalmente a perda maior foi das formações savânicas, que perderam 30% de toda a sua área nesse período”, diz o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.

    Em todo o período estudado, 557 milhões de hectares mapeados mantiveram a mesma classe de cobertura ou uso da terra. Desse total, a maioria, 335 milhões de hectares, foram florestas mantidas em pé.

    Atividades humanas

    A agropecuária é a classe que mais ocupou área no país, sendo que, em 2025, já representava 32% do território do país, enquanto que, em 1985, estava presente em apenas 18% do Brasil.

    A pastagem cresceu em 61,6 milhões de hectares ao longo do período estudado, enquanto a agricultura cresceu sobre 48 milhões de hectares.

    Essas atividades ocuparam áreas antes de vegetações nativas dos seis biomas brasileiros de forma desigual. A Amazônia e o Cerrado foram os que mais perderam em tamanho de área, com reduções de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.

    Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal perderam respectivamente 10,1; 4,9; 4 e 1,9 milhões de hectares.

    “A Mata Atlântica perdeu menos porque já tinha perdido anteriormente e também porque está em uma trajetória, nos últimos 20 anos, que estabilizou e, em alguns lugares, cresceu a área de vegetação nativa, especialmente florestas”, explica Tasso Azevedo.

    Já proporcionalmente, Cerrado e o Pampa apresentam as maiores reduções com perdas de 34% e 32%, respectivamente.

    Estados e DF

    No recorte por estados, a nova coleção aponta que, entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa em seus territórios. O Rio de Janeiro foi a única exceção, após recuperar 1% da cobertura verde de seu território.

    Nesses 41 anos, os estados que mais perderam vegetação nativa proporcionalmente aos seus territórios foram Rondônia com redução da vegetação nativa de 92% para 59%, entre 1985 e 2025. Maranhão, que passou de 91% para 61%; Mato Grosso e Tocantins, ambos com redução de 90% para 61%.

    Novidade

    As marismas, áreas pantanosas sob influência de água salobra foram mapeadas pela primeira vez no estudo do Mapbiomas, ainda em versão beta. Em 2025, foram mapeados 6,9 mil hectares de marismas, apenas no bioma Pampa.

     As principais vegetações presentes nas marismas são herbáceas, formadas por gramíneas e juncos adaptados à água salgada, já que esses ecossistemas ocorrem nas margens dos estuários e recebem tanto água doce de rios ou lagunas, quanto a água do mar.

    As que entraram no estudo, estão localizadas nas zonas estuarinas das lagoas Tramandaí-Armazém, Lagoa do Peixe, Laguna dos Patos e na foz do Arroio Chuí.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rádio Nacional homenageia Dia Internacional dos Povos Indígenas

    Rádio Nacional homenageia Dia Internacional dos Povos Indígenas

    Para celebrar o Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado em 9 de agosto, o programa Natureza Viva, que a Rádio Nacional leva ao ar neste domingo (9), às 9h, presta uma homenagem às raízes e à espiritualidade dos povos originários da Amazônia.

    Apresentada por Mara Régia, a edição conta a trajetória de Dona Raimunda, personagem de profunda devoção popular nos seringais do Acre, reconhecida por suas origens indígenas e reverenciada como símbolo de proteção às mulheres vítimas de violência.

    Um dos destaques do programa é o lançamento do livro Espaços de Peregrinação: a devoção nas estradas da seringa, obra que reúne histórias e memórias construídas a partir da convivência com as comunidades da Reserva Extrativista Chico Mendes. O tema reforça a importância da preservação das tradições culturais e religiosas presentes nos territórios amazônicos.

    A atração também aborda outras iniciativas relacionadas ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, ampliando o debate sobre a valorização dos saberes, da cultura e da contribuição dos povos originários para a proteção da Amazônia.

    Programa

    No ar desde 1993, o programa Natureza Viva abre espaço para discussões com lideranças rurais da Amazônia, como ribeirinhos, pescadores, seringueiros, quebradeiras de coco babaçu, trabalhadores extrativistas, indígenas, além de associações de jovens e de mulheres. Apresentado e produzido por Mara Régia, a atração radiofônica também divulga dicas para preservação do meio ambiente.

    O Natureza Viva vai ao ar aos domingos, às 9h, pela Rádio Nacional da Amazônia, Rádio Nacional AM de Brasília, Rádio Nacional do Alto Solimões e emissoras parceiras que retransmitem a programação.

    Rádio Nacional

    A marca faz parte da história do país e conta, atualmente, com oito emissoras próprias, em diferentes regiões do Brasil: Rádio Nacional do Rio de Janeiro, Rádio Nacional de São Paulo, Rádio Nacional de Brasília AM e FM, Rádio Nacional de Recife, Rádio Nacional de São Luís, Rádio Nacional da Amazônia e Rádio Nacional do Alto Solimões.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Desmatamento na Amazônia cai 36,87% no último ano

    Desmatamento na Amazônia cai 36,87% no último ano

    O desmatamento na Amazônia teve queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram 2.874,38 km² de área sob alerta. É o menor valor desde 2016, quando iniciou a série histórica. Na medição do período anterior, a área sob alerta na região foi de 4.495 km². 

    O tamanho da área sob alerta é 55,6% inferior à média dos últimos dez ciclos, ou seja, de 2015/2016 a 2025/2026.

    Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) foram apresentados na tarde desta sexta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. 

    A divulgação dos dados coincide com o aniversário de 65 anos do instituto, completados no dia 3.

    O Deter também analisou áreas de desmatamento no bioma Cerrado, apontando redução de 7,8%, com 5.119,46 km² de área identificados entre agosto de 2025 e julho deste ano. Diferente da Amazônia, nas áreas de Cerrado registradas, a maior parte é de propriedade privada.

    O Deter utiliza imagens de satélite para identificar alterações na cobertura vegetal em grandes áreas. Os alertas emitidos pelo sistema permitem que os órgãos ambientais atuem com maior rapidez diante de indícios de desmatamento.

    Entre os estados amazônicos, os maiores volumes de alertas de desmatamento foram registrados no Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²). 

    Em relação ao ciclo anterior, o Pará apresentou redução de 25,5%; o Mato Grosso, de 49%; o Amazonas, de 46,7%; o Acre, de 35,3%; e Rondônia, de 41,2%. Em Roraima, os alertas registraram aumento de 32,5%.

    Desmatamento

    O ano de 2025 registrou queda de 20,1% no desmatamento em todo o Brasil, em comparação com 2024.

    A redução no desmatamento ocorreu em todos os biomas do país. No recorte por biomas, a queda mais expressiva no desmatamento ocorreu no Pantanal. Em 2025, foi 65,4% menor do que no ano anterior. Em seguida, o Pampa, com uma redução de 41,7%.

    Na Caatinga, o desmatamento caiu 34,3%. Na Amazônia a queda foi de 15,8% e no Cerrado, a redução foi de 11,5%.

    Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Inpe. 

    O Prodes faz o cálculo consolidado da taxa anual de desmatamento, funcionando como a referência oficial para medir a evolução da perda de vegetação ao longo do tempo.

    A apresentação dos dados foi comentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente no evento. Em sua fala, ele lembrou que o governo dos Estados Unidos usou o desmatamento no Brasil como justificativa para impor tarifas extras aos produtos brasileiros exportados aos EUA.

    Lula disse, então, que queria tirar uma foto no evento, tendo como pano de fundo os dados de queda do desmatamento para “mandar para o Trump”.

    “Eu vim fazer do aniversário de 65 anos do Inpe a minha bandeira de defesa contra os tarifaços dos Estados Unidos contra o Brasil. Agora, em cada correspondência que a gente mandar para os Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe”, afirmou.

    Lula afirmou também que “ninguém, nem os Estados Unidos, levam a questão climática a sério como leva o Brasil”.

    Repercussão

    Em nota, o Observatório do Clima comemorou os números do Deter. 

    “Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo da entidade.

    O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) também considera os números significativos para buscar a meta de zerar o desmatamento na região.

    “Os dados do Deter indicam uma consolidação da redução do desmatamento na Amazônia, o que é muito positivo. Temos a menor taxa do Prodes desde que começou a ser medida”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.

    “Isso mostra a possibilidade de o país realmente continuar seguindo uma trajetória para alcançar o desmatamento zero. Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño”, avalia a diretora do Ipam.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original