Tag: Amazônia

  • Pará recebe primeira atividade de Escola Imersiva em Sociobioeconomia

    Pesquisadores e estudantes de universidades brasileiras e francesas participaram de uma imersão de 12 dias no Pará para conhecer experiências de sociobioeconomia e aprofundar o debate sobre modelos de desenvolvimento sustentável na Amazônia.

    Esta foi a primeira atividade da Escola Imersiva Internacional em Sociobioeconomia Amazônica, criada a partir da cooperação científica entre o Brasil e a França. A instituição foi viabilizada por meio do programa de investimentos em bioeconomia na Amazônia, Amabio. Fruto de um acordo bilateral firmado durante a visita do presidente da França, Emmanuel Macron, ao Brasil, em 2024.

    “A França e o Brasil têm uma parceria estratégica na qual a biodiversidade, a luta contra as mudanças do clima e o desenvolvimento sustentável são prioridades primárias”, afirma Brice Fodda, ministro conselheiro da Embaixada da França no Brasil.

    A iniciativa é um programa educativo por temporada voltado aos estudantes mestrandos ou doutorandos, da Université Paris-Est Créteil (UPEC), Université de Guyane (UG), Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA).

    Segundo a especialista técnica internacional em cooperação universitária e científica na Amazônia, Nadège Mezie, da agência de cooperação Expertise France, a ideia é permitir aos estudantes compreender a sociobioeconomia como um modelo de desenvolvimento sustentável na Amazônia e conhecer as iniciativas alinhadas a esse modelo.

    “Também dar aos alunos uma contextualização maior, mostrar essa presença dos povos indígenas, das populações tradicionais, a complexidade do mosaico de unidades de conservação”, explica Nadège.

    Imersão

    Ao longo da atividade, o grupo de 16 estudantes participou de uma programação hibrida com palestras, painéis e rodas de conversa em sala de aula e visitas às cadeias produtivas do açaí, cacau e borracha, em Belém, e de visitas às comunidades extrativistas dos rios Arapiuns, Maguari e Jamaraquá, na Floresta Nacional do Tapajós, e ao programa de turismo comunitário do povo Munduruku, na Aldeia de Ipaupixuna.

    Segundo o professor associado da Université Paris-Est Créteil (UPEC), Felipe Koch, a recepção nas comunidades foi um destaque da experiência, considerando que a sociobioeconomia que faz sentido para a Amazônia é parte dos povos e comunidades que mantêm a floresta em pé.

    “A escola os tratou como parceiros de formação, detentores de saberes que a universidade precisa aprender a reconhecer”, afirma.

    A experiência impressionou a estudante de doutorado da Guiana Francesa, Vitória Tailamé, que tem como objeto de estudo a sustentabilidade na construção civil, mas desconhecia o conceito de sociobioeconomia.

    “A palavra sociobioeconomia traduz melhor os três pilares de um futuro desejável. Uma economia que respeita as pessoas e a natureza e seu tempo”, diz.

    Resultados

    A vivência entre os integrantes da academia e os povos tradicionais da Amazônia resultará em diferentes produtos que convergem para o aperfeiçoamento das inovações e iniciativas de sociobioeconomia.

    Felipe Koch explica que os estudantes da universidade de Paris receberão créditos acadêmicos conforme a pertinência das soluções construídas coletivamente com as comunidades.

    “Os grupos mistos, que reúnem estudantes das quatro universidades — entre eles sete mestrandos e dois doutorandos da UPEC —, trabalham agora à distância nos projetos de resposta aos problemas formulados em campo e vão apresentá-los aos parceiros em janeiro de 2027”, explica.

    Para os estudantes da Guiana Francesa a experiência resultará na produção de artigos e de um diário de bordo. “O principal é o que aprenderam no Brasil e levarão à Guiana Francesa, onde a sociobioeconomia é menos desenvolvida”, afirma Nadège.

    Os estudantes brasileiros da UFPA e da UFOPA necessariamente já atuam em projetos de extensão ou têm o tema como objeto de suas teses de mestrado ou doutorado.  

    A primeira atividade da escola foi avaliada em um balanço realizado ao final da programação, no qual estudantes e especialistas puderam apresentar as suas impressões.

    Vitória Tailamé destacou o quanto foi transformador sentir na pele o impacto do respeito à floresta em aulas a céu aberto, fora dos muros.

    “Acho que vão faltar palavras para expressar o quanto isso nos tocou e nos sensibilizou. Tenho certeza que nos próximos dias e meses ainda vamos estar digerindo o que vivemos e vamos querer compartilhar o que aprendemos”, diz.

    Os bons resultados relatados pelo grupo resultaram em uma decisão de desdobramento das atividades da escola para os próximos anos, afirma Nadège.

    “Como foi um sucesso e os alunos ficaram literalmente encantados tanto da experiência dessa vivência, mas também dessa aprendizagem, estamos já pensando em uma segunda edição ano que vem e esperamos realizar na Guiana Francesa”.

    A continuidade das atividades ocorrerá de forma alternada nos dois países, com foco especial na Amazônia.

    “A diplomacia franco-brasileira é tão forte que podemos fazer uma edição em um país, outra edição em outro, mantendo uma diplomacia bem equilibrada entre ambos os países. E sim, queremos manter essa dinâmica muito positiva nos próximos anos”, conclui o ministro Brice Fodda.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Cacique Raoni, de 94 anos, recebe cuidados paliativos em Mato Grosso

    Cacique Raoni, de 94 anos, recebe cuidados paliativos em Mato Grosso

    O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi diagnosticado com câncer no aparelho digestório e recebe cuidados paliativos em casa, em Peixoto de Azevedo (MT), onde está acompanhado pela família e por uma equipe médica. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (14) por meio de perfil do Instituto Raoni nas redes sociais.

    O comunicado informa que ao longo de 2026, Raoni passou por internações, exames e agravamentos no quadro de saúde. Em junho, foi transferido em caráter de emergência para São Paulo após apresentar uma grave obstrução intestinal provocada pelo tumor. Em seguida, passou por uma gastroenteroanastomose no Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), procedimento que criou uma nova passagem para permitir o trânsito dos alimentos e melhorar as condições de alimentação e conforto.

    Exames realizados posteriormente confirmaram o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado. Segundo o Instituto Raoni, diante da idade, das condições clínicas e dos riscos associados a tratamentos mais agressivos, as equipes médicas indicaram cuidados paliativos.

    Os cuidados paliativos têm como objetivo controlar a dor e outros sintomas, prevenir complicações e proporcionar qualidade de vida. O acompanhamento inclui assistência médica e de enfermagem, fisioterapia, além de cuidados com alimentação e hidratação.

    “O cuidado também envolve a dimensão espiritual. Raoni é pajé e segue recebendo a presença e os cuidados de pajés de sua confiança, em uma atenção intercultural que respeita a cultura Mẽbêngôkre, sua língua, suas escolhas e suas referências espirituais.”, diz o comunicado.

    Raoni é uma das principais lideranças indígenas brasileiras e há décadas atua na defesa dos povos indígenas, dos territórios e da floresta. Sua trajetória ganhou reconhecimento internacional pela atuação em defesa da Amazônia e dos direitos indígenas.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Devastação na Amazônia pode quebrar maior “máquina de chuva” do mundo

    Devastação na Amazônia pode quebrar maior “máquina de chuva” do mundo

    Uma máquina silenciosa trabalha constantemente para que milhões de pessoas na América do Sul tenham acesso a água, rios e plantações. Esse mecanismo se chama Amazônia e funciona da seguinte maneira: a umidade vinda do oceano produz chuva sobre a floresta; essa água é absorvida do solo pelas árvores, e lançada de volta na atmosfera em forma de vapor; o vento, então, espalha, esse vapor por todo o continente, fazendo chover em diversas regiões. 

    De acordo com a pesquisadora Julia Valentim Tavares essa é a principal infraestrutura hídrica da América do Sul e a maior “máquina de chuva” do planeta. Uma árvore adulta na Amazônia pode liberar para a atmosfera de 200 a 300 litros de água todos os dias. 


    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Marielos Peñaclaros fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Marielos Peñaclaros fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Marielos Peñaclaros destaca a importância do bioma durante TEDXAmazônia. Diego Aguilar/Divulgação

    “Imaginem 400 bilhões delas trabalhando juntas todos os dias. Se pudéssemos tornar essa umidade possível, veríamos rios gigantes voando no céu. É o que nós cientistas chamamos de rios voadores.”

    Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, entidade que reúne mais de 350 cientistas dedicados a estudar o bioma, destaca que a floresta é a coluna vertebral dos ciclos de água, nutrientes e carbono a níveis local, regional e global. 

    “Em outras palavras, a Amazônia sustenta a vida, não só na região amazônica, mas no planeta como um todo.”

    As duas pesquisadoras participaram da última edição do TEDxAmazonia, no final de agosto, no Equador. 

    Alerta

    Além de frisar a importância desse sistema hídrico, as cientistas fizeram um alerta: a devastação da Amazônia já está afetando a “máquina de chuva”, e sua “quebra” seria catastrófica para todo o planeta.

    De acordo com Marielos, atividades como a mineração e o narcotráfico, em conjunto com o desmatamento e as queimadas têm atingido diretamente a conectividade amazônica, fator central para a conservação do bioma.

    “A Amazônia é um mosaico vivo de ecossistemas terrestres e aquáticos interconectados entre si, que abriga uma grande diversidade de culturas. Essas comunidades têm um relacionamento profundo e interdependente com os ecossistemas através dos seus modos de vida, práticas de manejo e conhecimento.”

    Segundo ela, os efeitos no clima já são mensuráveis, com evidências de que o desmatamento na Amazônia brasileira resulta em menos chuva em regiões do Brasil e da Bolívia. Em regiões desmatadas, a temperatura tem aumentado, e as épocas de seca estão ficando mais intensas e mais cumpridas.


    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Julia Valentim fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Rodrigo Duarte/Divulgação
    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Julia Valentim fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Rodrigo Duarte/Divulgação
    Durante o TEDXAmazônia, Julia Valentim explica o chamado arco do desmatamento. Rodrigo Duarte/Divulgação

    Julia Valentim Tavares também está medindo esses efeitos a partir do interior das árvores da borda sul da Amazônia, o chamado arco do desmatamento, onde o volume de chuvas já diminuiu e a temperatura aumentou na última década. Ela investiga por quanto tempo essas árvores podem resistir às secas, antes que suas “cordas” internas sejam danificadas.

    “Se o solo tem água, essa corda permanece intacta. Numa estação seca, o solo deixa de ter água e essa corda é tensionada. A atmosfera puxa para cima, o solo puxa para baixo, até a hora que essa corda se rompe. Se isso acontecer muitas vezes, em várias partes da árvore, essa árvore começa a literalmente morrer de sede.”

    Aquecimento global

    Nos últimos anos, a região também tem sofrido com os efeitos do aquecimento global. Em 2024, a Amazônia enfrentou a pior seca da sua história, por consequência do El Nino, fenômeno natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação atmosférica, e tem se tornado mais intenso. 

    Marielos destaca que 88% da bacia amazônia sentiu os efeitos dessa seca, que também interferiu na “máquina de chuva”. A capital da Colômbia, Bogotá, localizada na região dos Andes, sofreu desabastecimento de água. Em Quito, capital do Equador, que também está fora da Amazônia, a falta de água levou à cortes no fornecimento de energia elétrica. 

    “A pergunta que todos deveríamos estar fazendo é:  De onde nasce a água de inúmeras cidades latinoamericanas? De onde nasce a água que usamos na agricultura, pecuária, indússtria, produção de alimentos?”, provocou a copresidente do Painel Científico pela Amazônia.
     


    Seca na Amazônia deixa barcos encalhados e paralisa transporte pelos rios
10/11/2023
REUTERS/Bruno Kelly
    Seca na Amazônia deixa barcos encalhados e paralisa transporte pelos rios
10/11/2023
REUTERS/Bruno Kelly
    Seca na Amazônia deixa barcos encalhados e paralisa transporte – REUTERS/Bruno Kelly/Proibida reprodução

    A seca também deixou a Amazônia mais vulnerável às queimadas, que foram recordes naquele ano. Julia Valentim Tavares lembra que a fumaça dos incêndios chegou a se espalhar pelo país e alcançar até a Região Sudeste. 

    “Esse fato revelou duas coisas muito importantes. Primeiro: a Amazônia nunca esteve distante, o que acontece na floresta não permanece na floresta. E segundo: milhões de pessoas dependem da Amazônia, mas ainda assim não se sentem conectadas com ela.”

    A previsão de que um super El Niño ocorra este ano alarmou as pesquisadoras. “Quando existem essas secas, a floresta ou tem mortalidade por falha hidráulica, ou para de crescer, somado com os eventos de fogo. Então, a Amazônia deixa de funcionar como um sumidouro de carbono e passa a ser um emissor, aumentando o aquecimento global”, alerta Julia. 

    “A gente está esperando que seja tão ou mais forte do que em 2024, mas a principal diferença é que da outra vez aconteceram coisas que ninguém estava esperando. Como um rio poderia secar na Amazônia? Agora, todo mundo está falando sobre isso”, enfatizou Marielos. 

    De acordo com ela, a solução definitiva só será alcançada com a diminuição drástica das emissões de gases do efeito estufa, que depende sobremaneira da substituição dos combustíveis fósseis por fontes menos poluentes de energia. 

    “Temos também que investir na conectividade. Restaurar as áreas degradadas, recuperar aquelas que foram desmatadas para produção, fazer essa reconexão ecológica. Porque a Amazônia já está se aproximando do ponto de não retorno, e a perda total dessa conectividade seria catastrófica para o mundo todo.”

    *A repórter acompanhou o TEDxAmazia a convite da organização do evento.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Dia do Cerrado: em um ano desmatamento do bioma cai 19%, diz Inpe

    Dia do Cerrado: em um ano desmatamento do bioma cai 19%, diz Inpe

    Nesta sexta-feira (11) em que se celebra o Dia do Cerrado, o Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) divulgou uma boa notícia para o bioma brasileiro: os alertas de desmatamento caíram 18,9% no mês de agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado.

    Segundo o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter) do Inpe em agosto o Cerrado perdeu 238 quilômetros quadrados (km²) de vegetação nativa, enquanto em agosto do ano passado foram 294 km². Este foi o segundo melhor resultado para o bioma em um mês de agosto da série histórica, iniciada em 2018.

    O dado trimestral, que demonstra melhor a tendência, também houve queda:

    “No Cerrado, como um todo, a gente tem percebido, quando a gente olha para o dado trimestral, que essa redução vem com uma certa constância nos últimos três anos. Isso é fruto de um trabalho de engajamento do governo federal com os governos estaduais para reduzir esse desmatamento”, disse Cláudio de Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas do Inpe.

    Amazônia

    Enquanto o número foi positivo para o Cerrado, na Amazônia houve aumento de 12,1% na área desmatada em agosto, saltando de 319 km² no ano passado para 358 km² em 2026.

    No trimestre de junho a agosto o resultado demonstrou queda em relação ao ano passado e representou o segundo melhor resultado para o período na série histórica.

    Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do Inpe explicou que apesar de no trimestre ainda haver uma tendência de queda, o aumento em agosto demonstra certa preocupação.

    “Ainda é muito abaixo de níveis anteriores, mas é sempre uma preocupação de que isso saia do controle. O desmatamento é um eterno controle: você tem que estar sempre olhando para o que está acontecendo para evitar que você tenha um novo pico. Um mês [de variação] apenas pode ser simplesmente um período extraordinário, uma coisa diferente. Mas se isso se repete no mês seguinte, aí já acende uma luz amarela”, explicou.

    Presente à entrevista para divulgação do resultado de hoje (11) na capital paulista, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, celebrou a queda do desmatamento no Cerrado, mas demonstrou preocupação com a Amazônia.

    Ele ressaltou que esse aumento ocorreu principalmente no Pará, estado onde foram cessadas as ações de apoio da polícia com os órgãos de fiscalização ambiental.

    “Mesmo que nós saibamos que o dado de um mês no Deter não deva ser considerado como um indicador estruturado de tendência, já que três meses é o mínimo para a gente perceber um pouco como é que está essa avaliação, nós não podemos deixar de considerar que houve um aumento no mês de agosto e também não devemos deixar de considerar e de ter claro que esse aumento foi concentrado em um estado: no Pará”, disse o ministro.

    “Mas estamos reorganizando a ação federal para traçar uma ação imediata e reverter essas regiões onde houve aumento no mês de agosto”.

    Portarias

    Nesta sexta-feira, o ministro do Meio Ambiente assinou duas portarias. A primeira delas regulamenta as modalidades de pagamento por serviços ambientais. A segunda cria as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (Aprhic), indicando as regiões onde serão concentrados os esforços de conservação e de restauração.

    “A portaria atualiza o paradigma da gestão dos recursos hídricos no Cerrado ao reconhecer, pela primeira vez em escala de bioma, o papel estratégico das áreas de recarga para a manutenção dos recursos hídricos e da segurança hídrica, especialmente nos períodos de seca”, explicou Yuri Salmona, doutor em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB) e diretor executivo do Instituto Cerrados.

    Segundo ele, a portaria ajudará a transformar “o conhecimento científico em orientação oficial para políticas públicas”, contribuindo para a proteção e restauração dessas áreas e trazendo mais eficiência para a gestão dos recursos hídricos.

    “A grande dificuldade que nós temos é como otimizar o uso de recursos, tanto financeiros como humanos. Quando esse mecanismo apresenta as áreas prioritárias, isso permite organizar melhor os investimentos”, disse o ministro, ao assinar a portaria.

    “Com isso, vamos melhorando a saúde de um bioma que vem sofrendo muito ao longo do tempo.”

    Para monitorar esses dados, foi lançada hoje uma plataforma que vai permitir visualizar essas áreas prioritárias referentes ao cerrado.

    “A plataforma transforma os dados científicos em inteligência espacial para apoiar decisões de gestores públicos, órgãos ambientais, comitês de bacia e sociedade civil”, disse Salmona.

    A plataforma está disponível para consulta por meio do site https://aprhc.cerrados.org/ .

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Morre Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista no Pará

    Morre Zélia Amador de Deus, referência da luta antirracista no Pará

    A professora emérita Zélia Amador de Deus, de 74 anos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), morreu, nesta terça-feira (8), em Belém (PA).

    A pesquisadora em ciências sociais e ativista foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e atuou na defesa dos direitos das comunidades quilombolas. 

    No último dia 18 de agosto, ela foi homenageada na universidade com o plantio de um baobá. Segundo divulgou a universidade na ocasião, a professora foi fundamental para a construção de uma instituição mais plural, inclusiva e comprometida com a igualdade racial. Ela é reconhecida como uma das principais referências do movimento negro na Amazônia.

    No evento, a professora estava emocionada. “Esse baobá representa muito para mim, porque fala de ancestralidade, de memória e daqueles que vieram antes de nós”, afirmou. A escolha do baobá tem relação com a importância simbólica da árvore para diferentes povos africanos.

    Ampliação de acessos 

    Zélia Amador de Deus atuou contra o racismo e defendeu a ampliação do acesso e da permanência de grupos historicamente excluídos do ensino superior.

    “Zélia é uma referência, um símbolo, uma entidade. Mas nunca deixou de cultivar as relações humanas, a amizade e o cuidado com as pessoas”, disse, no evento, o reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva.

    A pesquisadora foi vice-reitora entre 1993 e 1997 e recebeu, em 2019, o título de professora emérita de Antropologia e Ciências Sociais, entre outros saberes ancestrais e acadêmicos.

    “Norteou o olhar”

    Ao receber a notícia da morte de Zélia, a historiadora Janira Sodré, fundadora do Instituto Pretas e secretária executiva da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), disse que a professora foi “insurgente” e que “nos ensinou a nortear o olhar sobre o país” ao colocar protagonismo às mulheres da Amazônia Negra. 

    “Será sempre bem lembrada por sua tenacidade e alegria”, afirmou a historiadora. 

    O professor Jonas Pinheiro, pesquisador da área de educação, também destacou o legado da professora. Ele acrescenta que ela foi decisiva na luta pelas cotas raciais, pelo processo seletivo especial quilombola e por uma respeito aos saberes tradicionais.  

    “Zélia Amador de Deus abriu caminhos para que nós, quilombolas, negros, indígenas e povos tradicionais, pudéssemos ocupar e permanecer na UFPA”, afirmou.

    A cantora e compositora Gaby Amarantos também se pronunciou sobre a perda da cientista. “Obrigada por tudo professora, seus ensinamentos ficam conosco pra sempre!”, destacou. 

    Nasceu no Marajó

    A história da luta de Zélia foi de luta. Ela foi filha de mãe solteira, de 15 anos de idade, e nasceu em uma fazenda de gado de Soure, na Ilha do Marajó, em 1951.

    A família se mudou para periferia de Belém. A mãe trabalhava como empregada doméstica. O avô, vaqueiro no Marajó, tornou-se operário da construção civil. A avó lavava roupa para fora.  

    “A menina Zélia estudou em escolas públicas e sofreu racismo por causa da cor da pele e do cabelo crespo”, destacou a UFPA quando agraciou Zélia com o título de professora emérita.

    Zélia dizia que aprendeu com a avó não baixar a cabeça e impor sua presença em qualquer lugar que estivesse.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Amazônia tem mais de 2,7 mil espécies de peixes, aponta estudo

    Amazônia tem mais de 2,7 mil espécies de peixes, aponta estudo

    A Bacia Amazônica abriga mais de 2,7 mil espécies de peixes de água doce, cerca de 15% de todas as espécies conhecidas no mundo. Aproximadamente dois terços delas são encontradas exclusivamente na região. Os dados fazem parte da quarta edição do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia, liderado pela The Nature Conservancy (TNC), que reúne informações de mais de 50 especialistas de 30 organizações.

    Segundo os autores, a Amazônia é uma das últimas grandes bacias hidrográficas do mundo em que ainda é possível evitar uma perda de biodiversidade em larga escala e manter extensos sistemas de rios conectados. Para isso, porém, é preciso intensificar as ações antes que sejam necessários processos de restauração mais complexos e caros, explica a cientista da TNC e autora principal do relatório, Fernanda Silva.

    “Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. A Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento”, disse Fernanda.

    O relatório combina evidências científicas com conhecimento ecológico tradicional. A abordagem mostra que os peixes estão diretamente relacionados à manutenção dos ecossistemas, à segurança alimentar, às culturas, aos meios de subsistência e às economias das populações que vivem na região.

    Peixes ajudam a manter a floresta

    Segundo o levantamento, os peixes são indicadores de uma Amazônia saudável e contribuem para o funcionamento da floresta.

    Tambaquis, pacus e matrinxãs, por exemplo, entram em áreas de floresta alagada para se alimentar de frutos e podem dispersar sementes por grandes distâncias. Outras espécies transportam nutrientes e energia entre os ambientes aquáticos e terrestres. A redução dessas populações pode provocar efeitos em cadeia sobre a vegetação e sobre animais que dependem dos peixes, como botos, ariranhas e aves.

    A conectividade dos rios é outro elemento central. A dourada, uma das espécies analisadas, realiza a mais longa migração exclusivamente em água doce já registrada. Um único indivíduo pode percorrer mais de 11 mil quilômetros durante seu ciclo de vida, conectando as cabeceiras próximas aos Andes ao estuário do Amazonas.

    Quando essas conexões são interrompidas, os impactos podem ser grandes. No rio Madeira, por exemplo, barragens bloquearam antigas rotas migratórias da dourada e contribuíram para a redução dos estoques de peixes e para o desaparecimento, na prática, de uma atividade pesqueira histórica na região da Cachoeira do Teotônio.

    Biodiversidade sob pressão

     


    14/05/2026 - Belterra - Floresta 
Nacional do Tapajós - Pará - Na comunidade de Piquiatuba, dentro da Floresta 
Nacional do Tapajós, Elton Vasconcelos criou um 
negócio que une culinária regional, turismo de 
experiência e desenvolvimento comunitário.
A Casa do Eltom virou referência para visitantes que 
buscam viver a Amazônia real: sabores locais, trilhas, 
hospitalidade e conexão com a floresta. E é exemplo 
vivo do turismo de base comunitária.
O empreendimento agora amplia sua atuação com 
passeios turísticos e hospedagem, incluindo a 
implantação de chalés após conseguir aporte de R$ 
200 mil de investidores e alta demanda já na fase 
inicial. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
    14/05/2026 - Belterra - Floresta 
Nacional do Tapajós - Pará - Na comunidade de Piquiatuba, dentro da Floresta 
Nacional do Tapajós, Elton Vasconcelos criou um 
negócio que une culinária regional, turismo de 
experiência e desenvolvimento comunitário.
A Casa do Eltom virou referência para visitantes que 
buscam viver a Amazônia real: sabores locais, trilhas, 
hospitalidade e conexão com a floresta. E é exemplo 
vivo do turismo de base comunitária.
O empreendimento agora amplia sua atuação com 
passeios turísticos e hospedagem, incluindo a 
implantação de chalés após conseguir aporte de R$ 
200 mil de investidores e alta demanda já na fase 
inicial. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
    Belterra – Floresta Nacional do Tapajós  – Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    Apesar da riqueza, o estudo aponta lacunas importantes no conhecimento sobre as espécies amazônicas. A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) reúne 144 espécies ameaçadas na região, enquanto outras 334 estão classificadas como Dados Insuficientes. A falta de monitoramento e de colaboração entre os países da bacia pode fazer com que os riscos sejam maiores do que os atualmente conhecidos.

    As ameaças atuam de forma combinada. Hidrelétricas, desmatamento, poluição e pesca excessiva podem interromper a conectividade dos rios, fragmentar habitats, modificar os regimes naturais de vazão e deteriorar a qualidade da água.

    As mudanças climáticas tendem a agravar esse cenário. Projeções reunidas no relatório indicam que a descarga anual dos rios pode diminuir mais de 40% em algumas regiões importantes, como as cabeceiras do Madeira. Secas prolongadas podem prejudicar a reprodução e a migração dos peixes, reduzir o oxigênio disponível na água e concentrar contaminantes. Nos Andes, o aumento das temperaturas também ameaça espécies endêmicas adaptadas a águas frias.

    O garimpo acrescenta outra pressão. Segundo dados reunidos no estudo, a mineração não industrial de ouro responde por 83% das emissões causadas por atividades humanas de mercúrio na América do Sul. O contaminante se acumula na cadeia alimentar, e o consumo de pescado é apontado como a principal via de exposição humana ao mercúrio na Amazônia.

    Peixe e segurança alimentar

     


    Brasília (DF),  19/03/2026 - Peixes contaminados trazem riscos à saúde de ribeirinhos na Amazônia.
Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace
    Brasília (DF),  19/03/2026 - Peixes contaminados trazem riscos à saúde de ribeirinhos na Amazônia.
Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace
    pesca também movimenta a economia regional e impacta segurança alimentar das populações. Foto: Nayara Jinknss/Greenpeace – Nayara Jinknss/Greenpeace

    A conservação dos rios também tem impacto direto sobre as populações amazônicas. Em algumas comunidades ribeirinhas remotas, o consumo de pescado ultrapassa 600 gramas por pessoa por dia. O peixe está entre as fontes de proteína animal mais acessíveis para famílias de baixa renda e fornece nutrientes importantes para o desenvolvimento e a saúde.

    A pesca também movimenta a economia regional, embora parte significativa da atividade não apareça nas estatísticas oficiais por ser artesanal, de pequena escala ou voltada à subsistência. Pelo menos 200 espécies são capturadas comercialmente, enquanto a pesca ornamental exporta dezenas de milhões de exemplares por ano e sustenta milhares de famílias. O relatório destaca ainda a participação das mulheres nas diferentes etapas da cadeia e em associações comunitárias.

    Conhecimento indígena

    O estudo dá destaque ao conhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais sobre os rios. Segundo a coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), Fany Kuiru Castro, práticas locais de governança ajudam a proteger os rios e a manter sua conectividade diante das pressões crescentes.

    “Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos”, afirmou Fany.

    Ela ressaltou que Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, além de “respeitar os conhecimentos ancestrais e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia”.

    O relatório identificou pelo menos 155 iniciativas de manejo comunitário da pesca no Brasil, Peru, Bolívia e Colômbia. Juntas, elas abrangem quase 13 milhões de hectares e envolvem mais de 1,2 mil comunidades e 21 mil pescadores. Segundo o estudo, essas experiências estão associadas ao aumento da abundância de peixes e da riqueza de espécies, além de benefícios econômicos e sociais.

    Entre as medidas apontadas estão a proteção de rios de fluxo livre, a recuperação de regimes naturais de vazão, a restauração de habitats e espécies, a melhoria da qualidade da água e a prevenção da expansão de espécies não nativas.

    Como rios, peixes, sedimentos e nutrientes atravessam fronteiras nacionais, os autores defendem que as ações sejam articuladas em escala de toda a bacia, com participação formal de povos indígenas e comunidades locais na gestão dos rios. Para a diretora administrativa regional da TNC para a América Latina, Paula Caballero, a conservação traz benefícios para diferentes setores.

    “O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social”, afirmou.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras

    Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras

    No Dia da Amazônia, comemorado neste sábado (5), especialistas destacam a urgência de investimento na restauração de terras degradadas em territórios indígenas, o que significa ir além do plantio de árvores ou da recomposição da vegetação perdida.

    A recuperação pode proteger nascentes, aumentar a segurança alimentar, trazer de volta espécies usadas pelas comunidades, fortalecer conhecimentos tradicionais e gerar renda.

    A discussão ganha mais importância no momento em que o Brasil amplia suas metas de recuperação de áreas degradadas. Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país apresentou o compromisso de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030.

    Parte do esforço deverá alcançar territórios indígenas.

    Dados do TerraClass de 2022 indicam que as terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares de áreas degradadas, predominantemente ocupadas por pastagens. Outros 24,4 mil hectares estão destinados à agricultura e 18,9 mil hectares à mineração.


    Brasília (DF), 05/09/2026 - Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras, Diana Nascimento especialista em restauração indígena da TNC Brasil.
Foto: Diana Nascimento/Arquivo pessoal
    Brasília (DF), 05/09/2026 - Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras, Diana Nascimento especialista em restauração indígena da TNC Brasil.
Foto: Diana Nascimento/Arquivo pessoal
    Para a líder do povo Kaingang, Diana, a participação indígena muda até a definição do que é restaurar. Foto: Diana Nascimento/Arquivo pessoal

    Também foram identificados 840,5 mil hectares de vegetação secundária. Somadas às áreas degradadas, elas representam um potencial de restauração estimado em 1,79 milhão de hectares dentro de terras indígenas da Amazônia.

    Apesar das pressões, esses territórios continuam entre as áreas mais conservadas do país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas divulgado em 2026, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa registrada no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas.

    A indígena do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), Diana Nascimento, diz que os números de hectares recuperados não são suficientes para medir o sucesso de uma iniciativa. É preciso também participação ativa dos que vivem nos territórios.

    “Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação e passa a ser entendido a partir de sua relação com as pessoas, a cultura, a alimentação, os conhecimentos tradicionais e os modos de vida”, afirma.

    Segundo Diana, a participação indígena muda até mesmo a definição do que é restaurar.

    “Não se trata apenas de quantos hectares foram restaurados ou quantas árvores foram plantadas, mas de entender quais espécies são importantes para aquele povo, quais alimentos e conhecimentos precisam ser recuperados, quais áreas são prioritárias e o porquê, e ainda como essa restauração pode contribuir para fortalecer a gestão e a autonomia do território”, explica Diana.

    Onde restaurar

    A definição das áreas prioritárias é um dos desafios diante da extensão dos territórios e da limitação de recursos. Uma área muito degradada, por exemplo, não será necessariamente aquela capaz de produzir os maiores benefícios para uma determinada comunidade.

    Para ajudar nesse planejamento, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu um sistema integrado de informações para apoiar decisões sobre conservação e restauração em terras indígenas.

    A iniciativa reúne dados sobre degradação, segurança hídrica, biodiversidade, mudanças climáticas, governança territorial, sustentabilidade, educação e saúde, entre outros fatores. O sistema foi desenvolvido em parceria com a TNC Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o programa britânico UK PACT.

    Guillermo Florez Montero, líder de Ciência de Dados da TNC Brasil, explica que a ferramenta permite combinar diferentes variáveis e atribuir pesos a elas conforme os objetivos de cada projeto. Uma terra indígena com áreas de preservação permanente, cabeceiras de rios ou matas ciliares degradadas pode receber prioridade mesmo sem apresentar o maior nível de degradação.

    “Podemos considerar áreas localizadas em regiões com maior insegurança hídrica, a partir do índice de segurança hídrica, ou mais ameaçadas pelo fogo, outro critério presente no sistema. Dessa forma, conseguimos construir modelos customizados”, explica.

    O sistema utiliza uma metodologia de análise multicritério, pela qual o usuário seleciona as variáveis e estabelece a importância relativa de cada uma. O resultado é um índice comparativo que ajuda a indicar quais territórios merecem maior atenção diante de determinado objetivo.

    Florez ressalta, entretanto, que o resultado matemático não substitui a decisão das comunidades.


    Brasília (DF), 05/09/2026 - Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras, Guillermo Florez Montero da TNC Brasil
Foto: Guilhermo Florez Montero/Arquivo pessoal
    Brasília (DF), 05/09/2026 - Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras, Guillermo Florez Montero da TNC Brasil
Foto: Guilhermo Florez Montero/Arquivo pessoal
    Guillermo, da TNC Brasil, ressalta que resultado matemático não substitui decisão das comunidades. Foto: Guilhermo Florez Montero/Arquivo pessoal

    “O modelo pode indicar uma terra indígena específica para a implementação de determinado projeto. Mas, se a liderança não quiser, não estiver interessada ou se a iniciativa não estiver entre as prioridades da gestão daquele território, isso deverá ser respeitado”, garante.

    A ferramenta pode ser utilizada, por exemplo, quando surgirem recursos destinados à recuperação de áreas degradadas ou projetos de restauração com finalidade produtiva.

    “Se tenho um território com altíssima insegurança alimentar, por exemplo, posso priorizar a restauração socioprodutiva nessa área, desde que as demais condições necessárias também sejam atendidas”, diz.

    Restaurar cultura e alimento

    Segundo Diana, povos indígenas acumulam conhecimentos transmitidos entre gerações sobre sementes, espécies nativas, ciclos naturais, períodos de plantio e colheita, manejo dos solos, plantas medicinais e alimentos tradicionais.

    As mulheres indígenas, acrescenta, têm papel especialmente importante em muitos territórios por sua atuação na produção de alimentos, conservação de sementes e transmissão de conhecimentos.

    “Valorizar esse conhecimento pode contribuir para recuperar espécies e alimentos tradicionais, fortalecer a segurança alimentar, aumentar a resiliência das comunidades, ao mesmo tempo que conservam grandes áreas de biodiversidade”, afirma.

    Para ela, o conhecimento tradicional não deve ser colocado em oposição ao conhecimento técnico.

    “Quando conhecimentos tradicionais e conhecimentos técnicos dialogam, podemos encontrar soluções mais adequadas às características de cada território”, diz.

    “A restauração, portanto, pode ser também um processo de recuperação de conhecimentos, práticas culturais, sementes, alimentos e relações com o território”, complementa Diana.

    Prevenção

    Mineração, fogo, expansão de pastagens e outras formas de alteração do uso da terra atingem de maneiras diferentes cada território. Por isso, as ações de restauração precisam estar associadas à prevenção de novos impactos e ao fortalecimento da gestão territorial.

    A existência de instrumentos de gestão ambiental e territorial indígena, a disponibilidade de água, a vulnerabilidade às mudanças climáticas e as condições de saúde das comunidades estão entre os critérios considerados pelo sistema desenvolvido pela Funai e parceiros.

    A proposta está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e também dialoga com o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que prevê recuperar 12 milhões de hectares até 2030.

    Para Diana, fortalecer as próprias comunidades deve ser entendido como parte do processo.

    “Um território com uma governança fortalecida e comunidades mais resilientes tem maior capacidade de conservar seus recursos naturais, enfrentar as pressões externas e responder aos impactos das mudanças climáticas”, avalia.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rádio Animada celebra Amazônia e estreia produção da parceira Unesp FM

    Rádio Animada celebra Amazônia e estreia produção da parceira Unesp FM

    O próximo episódio da Rádio Animada, faixa infantojuvenil da Rádio MEC AM Rio 800 kHz, celebra a Amazônia neste domingo (6), das 8h às 9h. A edição, voltada para crianças de todas as idades, reúne músicas, histórias, dicas culturais e quadros especiais sobre a maior floresta tropical do mundo.

    Das 9h às 10h, o programa marca a estreia da Unespinha na emissora pública, uma produção da Rádio Unesp FM, da Universidade Estadual Paulista. Os ouvintes também podem ouvir a transmissão pela Rádio UFRJ, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Durante a primeira hora, o público acompanha um episódio do Maritaca sobre os rios, trilhas de filmes sobre a floresta no quadro Música Brasileira para a Infância e uma homenagem ao poeta Thiago de Mello no quadro Biblioteca Rádio Animada.

    O programa também ainda dicas culturais, com destaque para o livro A camaleoa Luni, escrito por Lhays Macedo; e o espetáculo Festa no Arraial, O Musical.

    Unespinha

    A novidade deste mês é estreia da Rádio Animada em Rede, faixa que passa a ocupar a segunda hora da atração, das 9h às 10h. No espaço, a Rádio MEC e a Rádio UFRJ apresentam episódios inéditos do Unespinha, produção infantojuvenil da Rádio Unesp FM, da Universidade Estadual Paulista.

    O Unespinha foi selecionado em Edital de Chamada Pública, lançado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em março de 2026 com o objetivo de ampliar a diversidade da programação das emissoras públicas, fortalecer a integração entre as rádios parceiras da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP) e incentivar a produção regional de conteúdos de interesse público. 

    Com formato didático-pedagógico e jornalístico para o público infantil, o Unespinha divulga conhecimento e ciência, dicas de livros, entrevistas, curiosidades, contos e música. O Unespinha é produzido e apresentado pela jornalista Cilene Barros. 

    Sobre a Rádio MEC

    Conhecida de norte a sul do país como A Rádio de Música Clássica do Brasil, a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.  

    A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no app Rádios EBC.  

    Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.  

    Serviço

    Rádio Animada – domingo (6) – Rádio MEC AM 800khz e Rádio UFRJ

    8h às 9h – Episódio especial do Maritaca sobre a Floresta Amazônica

    9h às 10h – Estreia do Unespinha, produção da Unesp FM

    Rádio MEC na internet e nas redes sociais

    Site: https://radios.ebc.com.br  
    Instagram: https://www.instagram.com/radiomec  
    Spotify: https://open.spotify.com/user/radiomec  
    YouTube: https://www.youtube.com/radiomec  
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    X: https://x.com/radiomec** ** 

    WhatsApp: (21) 99710-0537  

    Como sintonizar a Rádio MEC 

    Rio de Janeiro: FM 99,3 MHz e AM 800 kHz 

    Belo Horizonte: FM 87,1 MHz 

    Brasília: FM 87,1 MHz e AM 800 kHz 

    Fortaleza (Rádio Educativa): 86,7 MHz  

    Parabólica – Star One C2 – 3748,00 MHz – Serviço 3 

    Celular – App Rádios EBC para Android e iOS

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • No Dia da Amazônia, campanha pede que eleitor vote por floresta em pé

    No Dia da Amazônia, campanha pede que eleitor vote por floresta em pé

    O Dia da Amazônia, comemorado neste sábado (5), marca também a contagem regressiva de 30 dias para as eleições gerais, em 4 de outubro. A coincidência de datas é um dos pontos altos da Virada Cultural Amazônia de Pé, uma campanha de preservação da floresta amazônica, que tem como tema da quinta edição “Cada voto pela Amazônia conta”.

    O objetivo é incentivar as pessoas a escolher candidatos que estejam comprometidos com a conversação ambiental. Neste fim de semana, diversas atividades, incluindo festivais culturais, gastronômicos, musicais e debates acontecem nas cinco regiões do país.

    Os eventos são promovidos pelo movimento Amazônia de Pé, formado por mais de 20 mil ativistas e cerca de 300 coletivos e organizações não governamentais. Um mapa com a localização de todas as mais de 300 atividades pode ser consultado na internet.

    Na última quinta-feira (3), uma cobra cenográfica de 30 metros de extensão representou o início da virada cultural no Território Indígena Borari, em Alter do Chão, distrito do município paraense de Santarém, meio do caminho entre Belém e Manaus.

    A alegoria é a mesma que foi exposta em Belém, em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), chamando atenção para a necessidade de proteção da maior floresta tropical do mundo.  

     


    04/09/2026 - No Dia da Amazônia, campanha pede que eleitor vote por floresta em pé. Foto: Bárbara Vale/ Divulgação
    04/09/2026 - No Dia da Amazônia, campanha pede que eleitor vote por floresta em pé. Foto: Bárbara Vale/ Divulgação
    Cobra de mais de 30 metros usada em virada cultural Foto: Bárbara Vale/ Divulgação

    Levante pelo país

    A codiretora executiva da Amazônia de Pé, Catarina Nefertari, considera que o Dia da Amazônia é uma oportunidade de “falar bem alto que cada voto pela Amazônia conta”.

    “É importante que a gente também esteja nas ruas sendo visto por quem está fazendo campanha, deixando claro que, muitas vezes, o plano de governo esquece de levar em consideração as soluções e os sonhos de quem está no território”, diz a belenense.

    “A gente vê o Brasil mais atento a esse território, mas a gente ainda tem muito caminho pela frente. A gente só protege aquilo que a gente conhece”, disse à Agência Brasil.

    A ativista, nascida e criada na área considerada Amazônia urbana, isto é, onde há cidades e áreas urbanizadas, acredita que a virada cultural, sendo realizada de Norte a Sul do país, é um grande chamado.

    “Um levante pelo país inteiro”, diz. “É uma forma de a gente se empoderar enquanto sociedade”.

     


    04/09/2026 - No Dia da Amazônia, campanha pede que eleitor vote por floresta em pé. Foto: Amazônia de Pé/ Divulgação
    04/09/2026 - No Dia da Amazônia, campanha pede que eleitor vote por floresta em pé. Foto: Amazônia de Pé/ Divulgação
    04/09/2026 – No Dia da Amazônia, campanha pede que eleitor vote por floresta em pé. Foto:  Amazônia de Pé/ Divulgação

    Dia da Amazônia

    Pelo menos no Acre e no Amazonas, o 5 de setembro é oficializado como Dia da Amazônia desde 1968.

    No âmbito nacional, a data é reconhecida por lei desde 2007. O dia 5 foi escolhido por representar a criação da Província Amazônica, ainda no Império, em 1850.

    A Amazônia é o bioma brasileiro de maior extensão, ocupando metade (49,5%) do território nacional. A situação da floresta atrai olhares de autoridades e ativistas de dentro e fora do país.

    Uma das preocupações do movimento Amazônia de Pé é com as Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs), conforme explica a codiretora do movimento, Karina Penha.

    “São terras que ainda dependem de uma definição oficial de uso e gestão pelo Estado. Sem uma destinação para conservação, uso sustentável ou reconhecimento territorial, tornam-se mais suscetíveis aos crimes ambientais”, pontua.

    No início de agosto, dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) apontaram que o desmatamento na Amazônia teve queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026.

    Foram 2.874,38 km² de área sob alerta, representando o menor valor desde 2016, quando iniciou a série histórica. A extensão é equivalente à metade do território do Distrito Federal.

    Os números foram apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e sediado em São José dos Campos, no interior de São Paulo.

    No fim de agosto, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), uma instituição sem fins lucrativos, apontou que 60% das terras indígenas na Amazônia registraram desmatamento zero de agosto de 2025 a julho de 2026.

    Eleições

    No primeiro turno das eleições gerais, os eleitores vão escolher deputados federais, estaduais, distritais (no caso do Distrito Federal), governadores, senadores e o presidente da República.

    O segundo turno está marcado para o dia 25 e pode ocorrer na disputa para os cargos de governador e presidente, nas cidades com mais de 200 mil eleitores, caso nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño

    Seca na Amazônia atingiu 38% das áreas habitadas no último El Niño

    Mais de um terço (38%) das ocupações humanas existentes na Amazônia tiveram alta exposição aos efeitos do El Niño de 2024, segundo um estudo divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Mapbiomas. Entre as 5.673 localidades habitadas na região, 2.172 sofreram de forma intensa com o fenômeno.

    O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alteração na circulação atmosférica, tornando os volumes de chuvas irregulares. Na Amazônia, ele causa seca e aumento na temperatura.

    Diante da previsão meteorológica de que o fenônemo será especialmente forte neste ano ─ um “Super El Niño” ─, os pesquisadores cruzaram dados sobre a chuva e a superfície de água sobre a terra para mostrar como a Amazônia foi afetada na última ocorrência do evento climático.

    No período entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica dos anos de 1985 a 2025. O volume de chuva também foi inferior, ficando 27% abaixo da média.

    A temperatura máxima média durante esses três meses também teve uma alta significativa, 2,6ºC acima do que é historicamente observado no mesmo período.

    “Menos chuva e temperaturas mais elevadas aumentam a demanda evaporativa na atmosfera, favorecendo a perda de água do solo e o estresse hídrico da vegetação”, aponta o pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Bruno Ferreira, da equipe da Amazônia do MapBiomas.

    Populações

    O estudo também observou os efeitos do fenômeno sobre diferentes tipos de ocupação humana, como núcleos urbanos, rurais, territórios indígenas, quilombolas, assentamentos e outras categorias.

    De acordo com os pesquisadores, as populações desses lugares foram fortemente atingidas pelos efeitos do El Niño, já que 93% dos locais analisados, 5.273 localidades, ficam a uma distância de até 5 quilômetros das áreas que sofreram redução da superfície de água, aponta o estudo.

    “A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais”, destaca Bruno Ferreira.

    Os dados de cobertura e uso da terra complementam os fatores de exposição do bioma, já que ao longo dos 41 anos da série histórica do estudo sobre o tema, foram perdidos 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o que equivale a uma redução de 14% da cobertura verde existente anteriormente.

    No estudo, além dos dados da Coleção 11 do Mapbiomas sobre Cobertura e Uso da Terra, os pesquisadores trabalharam com a Coleção 5 sobre Água, e a coleção beta sobre Atmosfera. Também foram usados dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as áreas habitadas e informações do Painel El Niño, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original