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  • Flipelô lança livro com cartas entre Jorge Amado e Erico Verissimo

    Flipelô lança livro com cartas entre Jorge Amado e Erico Verissimo

    As correspondências que foram trocadas por mais de quatro décadas entre os escritores brasileiros Jorge Amado e Erico Verissimo estão agora reunidas no livro Cartas: Jorge Amado – Erico Verissimo, que foi lançado na tarde de quinta-feira (07) na Casa Motiva, em Salvador, como parte da programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).

    O livro integra a coleção Um gesto de amizade, da Fundação Casa de Jorge Amado, que já publicou títulos como Com o mar por meio: Uma amizade em cartas, que reúne a correspondência trocada entre Jorge Amado e o escritor português José Saramago, e também Cartas: Dias Gomes – Jorge Amado, que apresenta o diálogo travado entre Amado e o dramaturgo brasileiro.

    Organizada por Paloma Jorge Amado, escritora e filha de Jorge Amado, e por Bete Capinan, a coletânea reúne documentos históricos, memórias afetivas e testemunhos literários. A edição conta ainda com texto recuperado de Luís Fernando Verissimo e orelha assinada por Fernanda Verissimo, neta de Erico Verissimo e filha de Luis Fernando Verissimo.

    Em entrevista à Agência Brasil durante o lançamento do livro, Fernanda Verissimo revelou que as cartas mostram uma relação muito afetuosa entre os dois escritores.

    “O que me surpreendeu [nestas cartas] é o quanto eles eram leitores um do outro. E como eles falavam de literatura com muito conhecimento – e não só da literatura um do outro, mas da literatura do Brasil”.

    Para Paloma Jorge Amado, este livro é fundamental principalmente para as pessoas que gostam de literatura brasileira. “As cartas começam nos anos 30 e vão até a morte do Érico (1975). Então você tem, por exemplo, o papai contando pro Érico que está escrevendo Jubiabá e ele mostra cada parte do livro, qual o esquema, uma coisa prévia de Jubiabá, que foi um livro fundamental na literatura de papai. O mesmo acontece com Érico contando os livros que ele está fazendo. É lindo”, disse ela à reportagem.

    Uma das curiosidades dessa troca de cartas, revelou Paloma, é o fato de Jorge Amado sempre chamar o filho de Erico Verissimo – o também escritor Luis Fernando Verissimo (1936-2025) – pelo nome de João. “Eu estava agora mesmo abrindo o livro e há um trecho em que ele escreve Joãozinho, entre aspas, que é o Luís Fernando. O papai chamava o Luís Fernando de João, dizendo: ‘Mas ele tem cara de João, não pode ter o nome de Luís Fernando’. E o Erico respondia: ‘O Joãozinho, você nem acredita, está escrevendo o fino. É cada crônica maravilhosa para o Zero Hora!’”.

    Um outro momento interessante, acrescentou Paloma, trata sobre uma viagem que Jorge Amado fez à Itália. Nesse trecho da carta, Jorge Amado conta ao amigo Erico que estava passeando pela Itália quando passou em frente a uma livraria e viu uma plaquinha dizendo que Jorge era o mais importante escritor brasileiro. Mas isso não durou muito. Logo em seguida ele passou em frente a uma outra livraria onde havia uma outra plaquinha em que se lia que Erico Verissimo era o mais importante escritor brasileiro.

    “Aí mamãe [a também escritora Zélia Gattai] fotografou e o papai disse: ‘Érico, por cinco minutos eu fui mais importante. Depois é você – e não tem para mais ninguém’. Era uma amizade assim divertida, estavam pensando um no outro o tempo todo”, disse.

    Nestas cartas trocadas com Erico Verissimo – autor de obras como Olhai os Lírios do Campo e O Tempo e o Vento – havia também uma troca de conselhos e reflexões sobre política, cultura e sociedade. Além disso, eles tratavam sobre os impactos do autoritarismo e da necessidade permanente de defesa da liberdade de expressão e do pensamento crítico. “Desde o início, nas primeiras cartas que eles trocam, havia comentários sobre o Estado Novo. E isso fica ainda mais interessante e mais forte ao final, nos anos 70, durante a ditadura, quando eles se unem para combater a censura e fazer frente à censura prévia. É bom lembrar também da importância dos dois como intelectuais públicos”, destacou Fernanda.

    Acervo

    Todo o acervo de cartas que compõem essa coleção está sob a guarda da Fundação Casa de Jorge Amado, em Salvador. É um material vastíssimo, de quantidade total ainda desconhecida. São caixas e caixas de correspondências que o famoso escritor baiano trocou com escritores, políticos, artistas e com Zélia Gattai, com quem foi casado.

    “O nosso acervo de cartas é imenso, mas é algo que tem que ser trabalhado com muita cautela, logicamente, por tudo o que envolve os conteúdos e pela própria declaração de Jorge Amado, que não gostaria que isso fosse aberto indiscriminadamente. A Paloma Jorge Amado [escritora e filha de Jorge Amado] tem trabalhado com a gente na pesquisa sobre os conteúdos das cartas, fazendo essa junção entre Jorge Amado receptor e o Jorge Amado escrevente”, explicou Angela Fraga, presidente da Fundação Casa de Jorge Amado, instituição responsável pela realização da Flipelô.

    Esse acervo é composto, inclusive, por bilhetes que eram guardados por ele, que sabia do valor que o material carregava. “Ele dizia que aprendeu três coisas importantes na vida. Uma é: nunca chegue atrasado – e ele era muito pontual. A segunda é: nunca deixe de responder uma correspondência. Então você pode imaginar a quantidade de cartas que o Jorge Amado guardou e que ele escreveu. Terceiro: quando você quer alguma coisa, insista, insista e insista. A gente tem trabalhado nesse sentido de buscar também essas cartas que estão fora nosso acervo, já que a gente tem as cartas que ele recebeu, mas precisamos buscar as cartas que ele mandou”, acrescentou Angela.

    Mais informações sobre a programação da Flipelô podem ser acessadas por meio do site oficial. 

     

    * A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Partidos têm até o dia 15 para registrarem candidaturas nos tribunais

    Partidos têm até o dia 15 para registrarem candidaturas nos tribunais

    Termina às 19h do dia 15 de agosto o prazo para os partidos registrarem as candidaturas para as eleições deste ano. Com o fim das convenções partidárias, cujo prazo para realização terminou na quarta-feira (5), agora os partidos devem registrar os candidatos nos tribunais eleitorais.

    Para candidatos a presidente e a vice-presidente da República, as solicitações serão feitas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE); para senador, deputado federal, governador e vice-governador, deputado distrital e deputado estadual, nos tribunais regionais eleitorais. 

    Dos 30 partidos registrados no TSE, 13 têm candidatos à Presidência da República. Os demais anunciaram apoio a candidatos de legendas diferentes à sua ou declararam neutralidade na corrida presidencial.

    A decisão pela neutralidade é um sinal de que o partido volta seus esforços para os estados, em um trabalho para ter bancadas significativas nas assembleias legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado.

    Candidatos a presidente da República confirmados nas convenções nacionais:

    • Augusto Cury (Avante)
    • Clariana Barão (DC)
    • Edmilson Costa (PCB)
    • Flávio Bolsonaro (PL)
    • Hertz Dias (PSTU)
    • Leonardo Avalanche (PRTB)
    • Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
    • Renan Santos (Missão)
    • Romeu Zema (Novo)
    • Ronaldo Caiado (PSD)
    • Rui Costa Pimenta (PCO)
    • Samara Martins (UP)
    • Wilson Grassi Júnior (Democrata)

    Essas candidaturas, no entanto, precisam ser confirmadas com o registro junto ao TSE.

    Consulta

    Após registrado, o candidato aparece no sistema do tribunal eleitoral, que pode ser consultado por qualquer cidadão. No sistema DivulgaCand é possível encontrar informações detalhadas sobre todos os candidatos que pediram registro à Justiça Eleitoral, entre as quais as suas contas eleitorais e as dos partidos políticos.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • AGU se reúne com Discord e cobra proteção de crianças na plataforma

    AGU se reúne com Discord e cobra proteção de crianças na plataforma

    A Advocacia-Geral da União (AGU) informou nesta sexta-feira (7) que se reuniu com representantes da rede social Discord para tratar de falhas intensificadas na verificação de idade e proteção de crianças e adolescentes que utilizam a plataforma. 

    O encontro foi agendado após a repercussão do caso de uma adolescente que foi induzida a tirar a própria vida durante uma live transmitida pela plataforma. O episódio ocorreu no mês passado. 

    Durante a reunião, os representantes da AGU ressaltaram que a proteção de crianças e adolescentes é um dever legal que deve ser cumprido pelas empresas que operam as redes sociais e cobraram medidas concretas para prevenção de riscos, identificação de situações de vulnerabilidade e de proteção de menores de idade. 

    Segundo o órgão, os representantes do Discord manifestaram disposição para cumprir as exigências legais e corrigir as falhas identificadas. 

    A AGU avalia propor a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para assegurar o cumprimento das regras.

    Em caso de descumprimento, o órgão estuda entrar com uma ação judicial contra a plataforma. 

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Familiares celebram legado de primeira medalha paralímpica do Brasil

    Familiares celebram legado de primeira medalha paralímpica do Brasil

    O Brasil encerrou a Paralimpíada de Paris (França), em 2024, entre as cinco potências do esporte adaptado pela primeira vez. O país já foi 462 vezes no pódio no maior evento paradesportivo do planeta. A trajetória começou há 50 anos, quando Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a primeira medalha brasileira na história: a prata no lawn bowls, uma modalidade já extinta, semelhante à bocha, embora a tradução literal do inglês signifique “boliche de gramado”.

    As medalhas estiveram expostas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, nessa quinta-feira (6). Uma homenagem simbólica. Foi justamente em um dia 6 de agosto, em 1976, em Toronto (Canadá), que Robson e Luiz Carlos abriram a contagem de pódios do Brasil em Paralimpíadas.

    “É o resgate de uma história que não era contada. Se hoje temos tudo isso [no esporte paralímpico], com televisão, entrevistas, esse momento de comemoração, é porque alguém lá no passado lutou para que isso acontecesse”, destacou Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, à reportagem da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

    Criada como filha pelo medalhista paralímpico, Noêmia acompanhou de perto a trajetória do tio/pai, fundador do Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, em 1958. Falecido em 1987, Robson criou a instituição, que abrigava pessoas com deficiência sem recursos para reabilitação, com a indenização do acidente que sofreu três anos antes e o deixou paraplégico – ele trabalhava em uma fábrica de papéis nos Estados Unidos e teve a coluna comprimida por um rolo.

    “Naquela ocasião, não tinha recursos como hoje. O paradesporto não era uma política pública, então, tinha que sair batendo de porta em porta. Ele [Robson] batia na porta de deputados, de quem estava no poder, para ajudar a comprar uniforme, passagens, para representar o Brasil lá fora”, afirmou Noêmia.
     


    06.08.26 - Meeting Paralímpico Loterias Caixa de Atletismo, realizado no CT Paralímpico em São Paulo. Foto: Marcello Zambrana/CPB
    06.08.26 - Meeting Paralímpico Loterias Caixa de Atletismo, realizado no CT Paralímpico em São Paulo. Foto: Marcello Zambrana/CPB
    Noêmia Almeida (sobrinha de Robson Sampaio de Almeida), Yohansson Nascimento (vice-presidente do CPB) e Paulo Robson de Almeida (sobrinho de Robson Sampaio de Almeida), em homenagem no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo – Foto: Marcello Zambrana/CPB

    Luiz Carlos foi justamente um dos atendidos pelo Clube do Otimismo, onde estabeleceu uma grande amizade com Robson. “Curtinho”, como é conhecido, tem 79 anos e está em tratamento de Alzheimer.

    “Eles sempre formaram essa dupla dinâmica no esporte. Quando se formaram os primeiros times de basquete [em cadeira de rodas], meu tio foi o primeiro cestinha brasileiro, e o Luiz Carlos acompanhou. Foi um grande escudeiro do Clube do Otimismo. Ele [Luiz Carlos] também trabalhava com técnicas para recuperação das rodas das cadeiras. Nas disputas internacionais, dava sempre o apoio técnico para conserto”, recordou Paulo Robson de Almeida, sobrinho de Robson, em entrevista à EBC.

    Robson e Luiz Carlos foram aos Jogos de Toronto competir no basquete em cadeira de rodas e acabaram convidados para o lawn bowls – na época, era possível participar de mais de uma modalidade. A dupla brasileira fez bonito no Etobicoke Lawn Bowling Club e assegurou o segundo lugar, atrás dos australianos Eric Magennis e Bruce Thwaite. Os britânicos David Avis e Michael McCreadie completaram o pódio.

    “O Robson jogava o boliche tradicional, com a pista de madeira. E fazia vários strikes [quando todos os pinos são derrubados em uma única jogada]. Então, ele já tinha certa prática para segurar a bola. Mas o Luiz Carlos foi de primeira””, contou Paulo Robson.

    A história brasileira no movimento paralímpico mudou significativamente desde a medalha histórica de 1976. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi criado em 1995. Três anos depois, a entidade foi incluída no Sistema Nacional do Desporto por meio da Lei 9.615, conhecida como Lei Pelé.

    A medida possibilitou a entrada do CPB na Lei 10.264, chamada Lei Agnelo Piva, de 2001, que passou a distribuir 2% (atualmente 2,7%) dos recursos de loterias federais para financiamento do esporte. Desse percentual, 15% são direcionados ao paradesporto. Os demais 85% vão para o Comitê Olímpico do Brasil (COB).

    Em 2016, surgiu o CT Paralímpico, uma das principais estruturas esportivas do país, considerada um legado dos Jogos do Rio de Janeiro. Além do impacto direto na evolução dos resultados do Brasil em Paralimpíadas, o centro de treinamento se tornou um polo de formação de atletas por meio da iniciação em modalidades adaptadas, de forma gratuita, a jovens de 7 a 17 anos com deficiências física, visual e intelectual.

    “Ele [Robson] lutava para as empresas admitirem [pessoas com deficiência], que tivessem uma política de acreditar que aquela pessoa era capaz de trabalhar. A gente teve nele o exemplo desse espírito, e o esporte foi a consequência. O que estamos comemorando é a realização de um sonho. A luta dele é a de todos nós”, concluiu Noêmia.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • PMs detêm motorista de ônibus em SP após desentendimento no trânsito

    PMs detêm motorista de ônibus em SP após desentendimento no trânsito

    Um motorista de ônibus foi retirado à força do veículo e detido por dois policiais militares após um desentendimento no trânsito na capital paulista. Segundo o motorista, o desentendimento teve início quando ele buzinou pedindo passagem à viatura da PM, que trafegava lentamente na faixa exclusiva de ônibus.

    O episódio ocorreu, segundo o Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas), na altura do número 700 da Avenida Casa Verde. Um vídeo gravado por um passageiro mostra os policiais dentro do ônibus pedindo que o motorista descesse.

    O condutor nega e alega que não havia feito nada de errado. Os policiais então retiram o motorista à força do veículo e o levam a uma delegacia.

    “A diretoria do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) está estarrecida e indignada com a truculência de agentes da polícia militar contra o motorista Edvagner e o cobrador Vilanova da Viação Santa Brígida”, disse o sindicato em comunicado nas redes sociais.

    De acordo com o sindicato, o episódio mostra truculência e falta de preparo dos policiais. “O fato em questão mostra a total falta de empatia e uso violento da função que cabe ao policial, que deveria agir com melhor atenção, respeito e prudência. E jamais prender um trabalhador, pai de família, por motivo banal, uma divergência.”

    O sindicato informou ainda que ingressará com denúncia na Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo contra os policiais envolvidos.

    “Quando nossos operadores são agredidos por meliantes, pedimos providências para conter atos criminosos. E somos relegados ao silêncio. Agora, tristemente, estamos diante de um fato que nos assola, mas exigimos rigor em defesa à categoria que cumpre sua função.”

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado de São Paulo disse que a Polícia Militar está apurando as circunstâncias dos fatos. “A corporação não compactua com desvios de conduta e adota as medidas cabíveis sempre que constatadas irregularidades”, diz o texto.

    A SSP informou ainda que a Polícia Civil devera instaurar inquérito no 40º Distrito Policial (Vila Santa Maria) sobre o caso e solicitar as imagens das câmeras corporais dos policiais para auxiliar no esclarecimento dos fatos.

    Matéria ampliada às 19h23 para incluir a manifestação da Secretaria de Segurança Pública.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Desmatamento na Amazônia cai 36,87% no último ano

    Desmatamento na Amazônia cai 36,87% no último ano

    O desmatamento na Amazônia teve queda de 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram 2.874,38 km² de área sob alerta. É o menor valor desde 2016, quando iniciou a série histórica. Na medição do período anterior, a área sob alerta na região foi de 4.495 km². 

    O tamanho da área sob alerta é 55,6% inferior à média dos últimos dez ciclos, ou seja, de 2015/2016 a 2025/2026.

    Os dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) foram apresentados na tarde desta sexta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. 

    A divulgação dos dados coincide com o aniversário de 65 anos do instituto, completados no dia 3.

    O Deter também analisou áreas de desmatamento no bioma Cerrado, apontando redução de 7,8%, com 5.119,46 km² de área identificados entre agosto de 2025 e julho deste ano. Diferente da Amazônia, nas áreas de Cerrado registradas, a maior parte é de propriedade privada.

    O Deter utiliza imagens de satélite para identificar alterações na cobertura vegetal em grandes áreas. Os alertas emitidos pelo sistema permitem que os órgãos ambientais atuem com maior rapidez diante de indícios de desmatamento.

    Entre os estados amazônicos, os maiores volumes de alertas de desmatamento foram registrados no Pará (987,27 km²), Mato Grosso (834,41 km²), Amazonas (433,9 km²), Roraima (272,6 km²), Acre (153,8 km²) e Rondônia (114,3 km²). 

    Em relação ao ciclo anterior, o Pará apresentou redução de 25,5%; o Mato Grosso, de 49%; o Amazonas, de 46,7%; o Acre, de 35,3%; e Rondônia, de 41,2%. Em Roraima, os alertas registraram aumento de 32,5%.

    Desmatamento

    O ano de 2025 registrou queda de 20,1% no desmatamento em todo o Brasil, em comparação com 2024.

    A redução no desmatamento ocorreu em todos os biomas do país. No recorte por biomas, a queda mais expressiva no desmatamento ocorreu no Pantanal. Em 2025, foi 65,4% menor do que no ano anterior. Em seguida, o Pampa, com uma redução de 41,7%.

    Na Caatinga, o desmatamento caiu 34,3%. Na Amazônia a queda foi de 15,8% e no Cerrado, a redução foi de 11,5%.

    Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Inpe. 

    O Prodes faz o cálculo consolidado da taxa anual de desmatamento, funcionando como a referência oficial para medir a evolução da perda de vegetação ao longo do tempo.

    A apresentação dos dados foi comentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, presente no evento. Em sua fala, ele lembrou que o governo dos Estados Unidos usou o desmatamento no Brasil como justificativa para impor tarifas extras aos produtos brasileiros exportados aos EUA.

    Lula disse, então, que queria tirar uma foto no evento, tendo como pano de fundo os dados de queda do desmatamento para “mandar para o Trump”.

    “Eu vim fazer do aniversário de 65 anos do Inpe a minha bandeira de defesa contra os tarifaços dos Estados Unidos contra o Brasil. Agora, em cada correspondência que a gente mandar para os Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe”, afirmou.

    Lula afirmou também que “ninguém, nem os Estados Unidos, levam a questão climática a sério como leva o Brasil”.

    Repercussão

    Em nota, o Observatório do Clima comemorou os números do Deter. 

    “Os números apresentados hoje são históricos, fruto de políticas sérias de proteção ambiental, e provam que é plenamente possível cumprir o compromisso assumido pelo país de zerar e reverter o desmatamento até 2030”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo da entidade.

    O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) também considera os números significativos para buscar a meta de zerar o desmatamento na região.

    “Os dados do Deter indicam uma consolidação da redução do desmatamento na Amazônia, o que é muito positivo. Temos a menor taxa do Prodes desde que começou a ser medida”, disse Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.

    “Isso mostra a possibilidade de o país realmente continuar seguindo uma trajetória para alcançar o desmatamento zero. Prova que é possível reduzir o desmatamento na Amazônia, mesmo com todas as adversidades como as mudanças climáticas e o El Niño”, avalia a diretora do Ipam.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • OAB/DF lança “violentômetro” sobre estágios da agressão a mulheres

    OAB/DF lança “violentômetro” sobre estágios da agressão a mulheres

    A Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) lançou nesta sexta-feira (7) o Violentômetro Jurídico, uma ferramenta que recomenda como um guia sobre os diferentes níveis de violência que uma mulher pode enfrentar.

    O lançamento foi no seminário “20 anos da Lei Maria da Penha: Inovações Legislativas, Desafios e Novos Horizontes”, realizado no dia em que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completou duas décadas. 

    O material expõe os diferentes níveis de violência que uma mulher pode enfrentar, organizado em três estágios: “Fique Atenta”, “Proteja-se” e “Fuja”.

    A partir disso, são descritos, para cada situação, a ação violenta e o sentimento que a vítima costuma vivenciar. Desde sinais de violência psicológica e moral, como humilhação pública, controle da vestimenta e das redes sociais; evoluindo para violência patrimonial e a chantagem emocional e/ou sexual.

    No terceiro e mais grave dos três estágios, estão a violência física direta, o abuso sexual, a ameaça com armas e a até a tentativa de homicídio.

    Para a diretora de Mulheres da OAB/DF, Nildete Santana de Oliveira, que fez a apresentação do violentômetro, a ação é um avanço na proteção às mulheres do Distrito Federal.

    “O Violentômetro Jurídico nasce para dar nome ao que muitas mulheres ainda não conseguem identificar como violência. Ele mostra, de forma clara e didática, que a agressão não começa no tapa. Ela já começa na humilhação, no controle, na mentira. Ao reconhecer esses primeiros sinais, a mulher pode buscar ajuda antes que a situação se agrave. É um instrumento de prevenção e, sobretudo, de empoderamento”, disse Nildete.

    Durante o seminário, a OAB-DF foi certificada com o selo “Nós Por Elas”, entregue pelo instituto de mesmo nome. A certificação reconhece a seccional como uma organização comprometida com a construção de ambientes mais seguros, inclusivos e igualitários para as mulheres, sobretudo, para aquelas em situação de violência doméstica e familiar.

    Feminicídios no Brasil e no DF

    O Brasil registrou, em 2025, 1.571 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica iniciada em 2015. No Distrito Federal, foram 29 casos.

    A representante do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Cláudia Braga Núñez avaliou que os números elevados no distrito decorrem de um protocolo da Polícia Civil, que investiga todos os homicídios contra mulheres sob a perspectiva de gênero.

    “Enquanto a média nacional de classificação como feminicídio gira em torno de 40%, aqui, esse índice chega a 60%. Isso demonstra que nossas instituições estão atentas e que temos menos subnotificação, o que evidencia uma atuação institucional integrada e eficaz”, pontuou a promotora de Justiça. 

     


    Brasília (DF) 07/08/2026 - A OAB/DF realiza o seminário
    Brasília (DF) 07/08/2026 - A OAB/DF realiza o seminário
    A promotora Claudia Braga Tomelin Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

     

    20 anos de Lei Maria da Penha

    A presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/DF, Isabelle Duarte, destacou que, duas décadas depois da Lei Maria da Penha, é preciso debater as inovações da legislação e avançar para que o texto legal represente proteção de fato.

    “A Lei Maria da Penha é reconhecida por ser uma das melhores leis do mundo. Mas, percebemos que há, ainda, um número muito expressivo de casos [de violência contra mulheres], mesmo 20 anos depois da sua promulgação”, admite a advogada.

    Isabelle Duarte defende a educação da população como a melhor forma de lidar com o tema.

    “Há um problema estrutural, o machismo estrutural, o patriarcado, que infelizmente ainda oprimem muito as mulheres”, constata.

    A advogada aponta que a educação também serve para que as mulheres conheçam seus direitos e, sobretudo, identifiquem quando são vítimas de agressões”.

    A liderança destacou o fortalecimento do atendimento por meio das Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAMs), das Patrulhas Maria da Penha e de equipes multidisciplinares (psicólogos e assistentes sociais), além do apoio da Casa da Mulher Brasileira e do trabalho conjunto da OAB com essas instituições.

     


    Brasília (DF) 07/08/2026 - A presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/DF, Isabelle Duarte, durante  o seminário
    Brasília (DF) 07/08/2026 - A presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/DF, Isabelle Duarte, durante  o seminário
    A presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Familiar da OAB/DF, Isabelle Duarte, durante o seminário “20 Anos da Lei Maria da Penha: Memória, Resistência e os Próximos Passos” Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

     

    Onde buscar ajuda

    Mulheres em situação de violência e pessoas que desejam apoiá-las podem buscar orientação na Central de Atendimento à Mulher – o Ligue 180. A central fornece informações sobre os direitos das mulheres e indica os serviços de apoio mais próximos, como delegacias especializadas, centros de referência, defensorias públicas e unidades de saúde. Também recebe e encaminha denúncias aos órgãos competentes. 

    A mulher pode procurar qualquer delegacia de polícia para registrar a ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência.

    Em casos de emergências e ocorrências imediatas, o telefone 190 da Polícia Militar do Distrito Federal.

    Já a Patrulha Maria da Penha é um serviço realizado pelas polícias militares em diversos estados e municípios para acompanhar mulheres que possuem medidas protetivas de urgência. As equipes da Patrulha Maria da Penha podem realizar visitas periódicas, orientar as mulheres e fiscalizar o cumprimento das determinações judiciais.

    Atualmente, o Brasil conta com 13 Casas da Mulher Brasileira, que reúnem, em um mesmo espaço, diferentes serviços especializados de atendimento às mulheres em situação de violência. A integração dos serviços busca evitar que a mulher precise percorrer diferentes locais para receber atendimento e proteção.

    O Ministério das Mulheres contabiliza outras 38 Casas da Mulher Brasileira em diferentes etapas de obras e de contratação pelos gestores estaduais e municipais.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • STM determina perda de patente de militar acusado de transmitir HIV

    STM determina perda de patente de militar acusado de transmitir HIV

    O Superior Tribunal Militar (STM) determinou a perda da patente de um segundo-tenente reformado do Exército acusado de transmitir intencionalmente o vírus HIV a duas mulheres. O julgamento foi realizado na última quarta-feira (5).

    De acordo com a representação do Ministério Público Militar (MPM), o militar ocultou de suas ex-companheiras que era soropositivo.

    Segundo o órgão, ele usou a condição de militar para transmitir confiança e garantir às vítimas que realizava exames periódicos de saúde.

    A partir do voto relator, ministro José Barroso Filho, o plenário do STM concordou com os argumentos da acusação e entendeu que o militar violou os princípios éticos e morais da corporação, além de comprometer o decoro da classe e a imagem do Exército.

    Na defesa apresentada ao tribunal, os advogados do militar afirmaram que a conduta diz respeito à vida privada do acusado e não tem relação com a função no Exército. 

    Além do processo no âmbito militar, o militar também foi condenado pela Justiça comum a seis anos de prisão por lesão corporal gravíssima. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Pais estão menos presentes na criação de filhos, aponta estudo

    Pais estão menos presentes na criação de filhos, aponta estudo

    Metade dos brasileiros acredita que os pais da atualidade estão menos presentes na criação dos filhos do que os das gerações anteriores. Em contrapartida, oito em cada dez brasileiros consideram alta ou muito alta a importância dos pais na vida dos filhos. 

    A constatação é de estudo do Instituto Nexus. Foram entrevistados 2.013 pessoas de diferentes regiões do país. Um fator que ficou evidente na pesquisa foi a divergência de percepções sobre o papel do pai entre os homens e as mulheres consultadas.

    Entre as mulheres, 56% acreditam que os pais participam menos do que antes, enquanto 31% acreditam que estão mais presentes. Entre os homens, a percepção é equivalente, com 44% achando que a participação é maior hoje, enquanto outros 44% afirmam que diminuiu.

    Quanto à importância na paternidade, 81% dos homens a classificam como alta ou muito alta no desenvolvimento dos filhos, em comparação com 73% das mulheres. 

    Ao analisar as faixas etárias, observa-se que 82% dos jovens de 16 a 24 anos de idade a consideram importante. Por outro lado, esse reconhecimento reduz-se para 62% entre as pessoas com 60 anos ou mais.

    O estudo também avaliou a definição prática do que é ser um “bom pai” e aponta que 49% da população considera “ser presente no dia a dia” como a principal característica. Em seguida surge educar/orientar com limites (19%), demonstrar carinho e afeto (8%), dar exemplo (7%) e oferecer segurança financeira (3%). 

    A presença diária é apontada por 53% das mulheres como o mais relevante para definir um bom pai, superando os 45% registrados entre os homens. 

    A imposição de limites na educação e orientação é tida como o principal atributo por 21% do público masculino e 17% do feminino.

    O convívio paterno no dia a dia é visto como mais importante entre a população de 25 a 40 anos (56%) e a de 16 a 24 anos (55%). Os mais velhos consideram a educação a caraterística mais importante. O índice é superior entre a faixa de 41 a 49 anos (24%) e de 60 anos ou mais (26%).

    “O brasileiro já consolidou a ideia de que o bom pai é aquele presente no dia a dia, deixando para trás a figura do mero provedor financeiro. O desafio agora está na prática”, avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. 

    “O fato de metade da população enxergar os pais de hoje como menos participativos do que os do passado mostra que o discurso avançou mais rápido do que a mudança real de comportamento dentro de casa”, acrescenta.

    * Estagiário sob supervisão de Odair Braz Junior

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • STF julga recursos contra partes da decisão que anulou marco temporal

    STF julga recursos contra partes da decisão que anulou marco temporal

    O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta sexta-feira (7) os recursos que constestam a decisão da Corte que reconheceu a inconstitucionalidade do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

    Em dezembro do ano passado, a Corte invalidou o entendimento de que indígenas somente têm direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

    Embora a tese do marco tenha sido derrubada, entidades que atuam na proteção dos indígenas afirmam que foram mantidos retrocessos na proteção dos indígenas, como a flexibilização da consulta prévia a esses povos sobre temas que afetam sua existência, os critérios definidos para indenização a invasores que construíram benfeitorias de “boa-fé”, entre outras questões. 

    O julgamento virtual começou às 11h desta manhã e está previsto para terminar na terça-feira (18).

    Até o momento, o relator do caso, ministro Gilmar Mendes, e o ministro Alexandre de Moraes votaram para manter parcialmente a decisão que invalidou o marco e concederam prazo de 180 dias para que o governo federal cumpra as determinações da Corte, que tratam de regras para demarcação e indenizações de boa-fé.

    Em seguida, Zanin divergiu do relator e entendeu que o rol de beneficiários para receber a indenização pela terra nua deve ser reduzido.

    O caso é julgado pelo plenário virtual e ainda faltam os votos de sete ministros.

    Entenda

    Em 2023, o STF considerou que a tese do marco temporal é inconstitucional. O marco também foi barrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vetou parte da Lei 14.701/2023, na qual o Congresso validou a regra.

    No final do mesmo ano, o Congresso derrubou o veto de Lula e manteve o marco.

    Após a votação, entidades que representam os indígenas e partidos governistas recorreram ao Supremo para contestar novamente a constitucionalidade da tese.

    A decisão definitiva sobre a questão foi tomada em dezembro de 2025, quando o Supremo reafirmou a inconstitucionalidade do marco temporal.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original