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  • Projeto aproxima comunidades de equipamentos culturais em Salvador

    Alguns moradores da comunidade de Águas Claras, em Salvador, visitaram o centro histórico da cidade, no sábado (8), e a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) pela primeira vez. Um dos grupos era formado por mulheres com mais de 60 anos, que frequentam a Biblioteca Comunitária Condor Literário. 

    Entre elas estava Soraia Santos Pinto, 61 anos, moradora de Águas Claras. Depois de passar por um quadro de depressão, ela começou a frequentar a biblioteca comunitária, onde hoje tem aulas de boxe, capoeira e dança. 

    Ontem, por meio de um projeto cultural, Soraia visitou a Flipelô, a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), instituições onde nunca havia pisado antes. 

    “A gente tem que fazer isso mais vezes. Isso abre o nosso entendimento. Isso é cultura e é bom para a gente. Eu amei. Tem pessoas que nunca tinham vindo no Pelourinho, nunca estiveram aqui. Eu acho que eles deviam fazer isso com a maioria da comunidade, levar a cultura ou trazer o povo até a cultura, já que a cultura não vai nas periferias”, disse ela. 

    Maian Oliveira, 36 anos, também participou desse passeio com seus três filhos e conheceu o Muncab pela primeira vez:

    “Estou fazendo um passeio com minhas crianças. Eles fazem parte da capoeira Unira. Aí eu vim trazer eles para dar um passeio. Eu acho a cultura muito importante. Ela mostra quem nós somos, de onde nós viemos. E é muito importante a gente apresentar isso para nossas crianças, que estão chegando agora.”

    Em entrevista à Agência Brasil, ela contou que dificilmente consegue levar as crianças para o centro histórico de Salvador para um roteiro cultural ou acessar os equipamentos culturais.

    “No dia a dia é mais difícil trazer as crianças. Quando se tem mais de duas crianças, se torna ainda mais difícil porque o transporte fica um pouco complicado”. 

    Águas Claras 

    Mesmo vivendo na capital baiana, muitos desses moradores relatam dificuldades para visitar os equipamentos culturais da cidade. Águas Claras, por exemplo, é um bairro que fica a cerca de 25 minutos do centro histórico de Salvador. 

    “A comunidade de Águas Claras, por exemplo, vive muito dela mesmo, vive em rede, as organizações se apoiam. É uma comunidade que tem aspectos muito tradicionais, porque por muito tempo ficou à margem da cidade”,  explicou Aline Dias, articuladora territorial do bairro de Águas Claras.

    Essa situação começou a mudar com a chegada do metrô e também com a construção de uma rodoviária, fazendo com que as ações sociais e culturais fossem ampliadas. 

    “Tenho visto uma certa mudança no comportamento da própria comunidade. Primeiro sobre a autoestima da comunidade em relação à cidade. Agora ela já começa a ter mais coragem e confiança para poder expor o que acontece de bom por lá”. 

    Apesar das muitas ações sociais e culturais sendo desenvolvidas no bairro – como uma biblioteca comunitária –, Aline defende que ainda é preciso criar políticas públicas para ampliar o acesso das comunidades à cultura. “Precisamos pensar em iniciativas que valorizem ou que deem vazão ao que acontece na comunidade”, ressaltou. 

    “Por mais que elas não participem de feiras literárias, elas vislumbram feiras e querem reproduzir isso em suas comunidades também, porque elas entendem que a literatura é muito importante e que ela é um espaço para retratar as suas vivências e a sua cultura”, diz a articuladora.

    “Se houver investimento nas comunidades, a gente vai aumentar as esferas literárias. As comunidades têm muito a falar, tem muito a escrever”. 

    Além disso, reforçou Aline, a população também quer participar de ações que são desenvolvidas fora de seus territórios. 

    “A Flipelô não era, até então, parte do repertório da cidade. Águas Claras estava muito à parte do que estava acontecendo. Então essa [atividade de sábado] foi uma grande oportunidade. As pessoas estão muito felizes”, disse Aline. 

    Circuito Cultural

    O passeio de ontem, que levou moradores de Águas Claras para a Flipelô, foi possível por meio de um projeto da iniciativa privada, criado pelo Instituto Motiva, chamado Circuito Cultural.

    O projeto pretende ampliar o acesso à cultura para estudantes da rede pública e participantes de organizações sociais, promovendo visitas gratuitas a algumas das principais instituições culturais de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. 

    Segundo o Instituto Motiva, a iniciativa surgiu diante de um cenário em que o acesso a equipamentos culturais pela população no Brasil ainda é limitado e desigual.

    Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que menos de um terço dos municípios brasileiros conta com museus, e a visitação a esses espaços é concentrada entre as faixas de maior renda.

    A edição 2025 da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, também apontou que apenas 16% dos brasileiros visitaram um museu nos últimos 12 meses e que 13% participaram de festivais literários, sinalizando um baixo nível de consumo de cultura pela população brasileira. 

    “Nosso maior desejo com essa ação foi, primeiramente, quebrar essa barreira do acesso. E, segundo, a gente entende que a cultura é realmente uma ferramenta poderosíssima de transformação social, de educação e de ampliação de repertório”, disse Ariane Teles, especialista do Instituto Motiva. 

    *A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rayssa é campeã da etapa carioca da Liga Internacional de Skate Street

    Rayssa é campeã da etapa carioca da Liga Internacional de Skate Street

    Duas vezes medalhista olímpica, a maranhense Rayssa Leal deu show no lotado Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, que pela primeira vez na história foi palco de uma etapa da Street League Skateborading (SLS), a Liga Internacional da modalidade. Mesmo com dores após ter sofrido uma queda na véspera do evento, Rayssa cravou somatório de 20.9, deixando para trás por apenas 0.02 de vantagem a japonesa Momiji Nishiya – ouro olímpico em Tóquio 2020 -, segunda colocada com total 20.7. A espanhola Daniela Terol (17.7) completou o pódio na terceira posição. A paulista Gabriela Mazetto (14.8) terminou na quarta posição.

    Com o segundo troféu na temporada – o primeiro foi em fevereiro na etapa de abertura em Sidney (Austrália) – Rayssa desponta como forte candidata a disputar o Super Crown da SLS 2026, última das sete etapas da Liga, com os skatistas com maior pontuação ao longo do ano. A maranhense da cidade de Imperatriz é tetracampeã consecutiva do Super Crown (2022, 2023, 2024 e 2025).

    “Ontem eu não estava andando tão bem. Hoje eu andei assim, tudo que eu podia andar. Fiquei muito contente. Eu dedico esse título para a minha família, para eles que estão lá em Imperatriz. Pai, feliz Dia dos Pais. Eu te amo”, disse Rayssa logo após a conquista, em entrevista à emissora SporTV.

    A Rio Takeover foi a terceira etapa da SLS. A próxima está programada para 29 de agosto em Tempe (Estados Unidos). O calendário inclui ainda as etapas de Paris (França) em 3 de outubro; Tóquio (Japão) em 14 de novembro; e o Super Crown, em São Paulo, em dezembro.

    Giovanni é vice-campeão

    Ao todo cinco brasileiros disputaram a final masculina da etapa carioca da SLS, que reuniu 10 atletas. Paulista de Santo André, Giovanni Vianna chegou a liderar a penúltima rodada ao receber notas 9.1 e 9.2 em duas manobras perto da perfeição. No entanto, o canadense Cordano Russel anotou 9.3 na rodada derradeira e levou o título com somatório 27.9. Já Giovanni desperdiçou a última chance e foi vice-campeão ao totalizar 26.9. O conterrâneo Wallace Gabriel (24.5) assegurou a terceira posição no pódio.

    Nascido em Osasco (SP), Abner Pietro (22.6) terminou na quinta posição. Campeão mundial de skate street em 2021, o cearense Lucas Rabelo (15.9) ficou em sétimo lugar e o paulista Ivan Monteiro (7.0) na 10ª posição.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Queixas sexuais na menopausa têm tratamento, diz especialista

    Queixas sexuais na menopausa têm tratamento, diz especialista

    Queixas como secura vaginal, dor durante a relação e perda do desejo sexual não devem ser encaradas como consequências naturais do envelhecimento nem ignoradas nas consultas médicas. Segundo a ginecologista Jussimara Souza Steglich, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a saúde sexual deve fazer parte do cuidado com a mulher em todas as fases da vida, inclusive após a menopausa.

    “A sexualidade não morre. Ela pode ficar obscurecida por algum fator que não deixa a mulher viver a sua sexualidade”, explica a médica, que é membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia Febrasgo.

    A especialista acrescenta que é um erro o profissional deduzir que a paciente não tem vida sexual. “Muitas vezes, o ginecologista não pergunta sobre saúde sexual, ignorando as queixas, porque é uma paciente que já está em idade mais avançada e acha que não tem sexo”.

    Além disso, as mulheres têm vergonha de falar sobre o assunto. “As pessoas acham o sexo uma coisa muito proibida. Mas, ao contrário, tem que ser natural e conversada com o seu médico e, também com quem está com você”, aconselhou a médica da Febrasgo.

    De acordo com a médica, as mulheres têm de ter uma abordagem mental diferente, à qual se somam atividade física, boa alimentação. “Porque é um combo que vem com a menopausa. Há também a questão dos hormônios que podem ser usados, com orientação do médico”.

    Doenças atreladas


     A saúde da mulher deve abranger também a saúde sexual, independente da idade. Dra. Jussimara Souza Steglich
Crédito: Divulgação/arquivo pessoal
     A saúde da mulher deve abranger também a saúde sexual, independente da idade. Dra. Jussimara Souza Steglich
Crédito: Divulgação/arquivo pessoal
    Jussimara Souza Steglich  defende mais informação sobre a saúde sexual feminina no envelhecimento – Divulgação/Arquivo pessoal

    Jussimara admitiu que queixas femininas, como secura vaginal, dor durante as relações, podem também ser decorrentes de alguma doença. A dor na relação, por exemplo, pode ser sentida profundamente na pelve, como resultado de endometriose ou aderências, doença inflamatória pélvica. Há também dores sentidas quase no assoalho pélvico. 

    “Essa mulher que sente dor vai contrair totalmente o corpo inteiro e, muito mais, os músculos do assoalho pélvico. Toda mulher que tem dor sexual tem o componente da dor e o componente da contratura muscular. Por isso, é importante um trabalho multidisciplinar”, sugeriu a ginecologista.

    No entender da especialista, a longevidade feminina não pode ser discutida sem falar de menopausa e sexualidade. No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres estão nessa faixa e dados nacionais apontam que 82% têm sintomas que impactam qualidade de vida. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Memória é fundamental na literatura, diz escritor Milton Hatoum

    Memória é fundamental na literatura, diz escritor Milton Hatoum

    Desde o livro Relato de um Certo Oriente, a memória vem sendo um objeto de investigação do escritor manauara Milton Hatoum. Com Dança de Enganos, publicado no final do ano passado e que encerra sua trilogia O Lugar Mais Sombrio, não foi diferente.

    Seu novo livro é baseado nas memórias e anotações de Lina, a mãe de Martim, personagem principal dos outros dois livros da série: A Noite da Espera e Pontos de Fuga.

    Em Dança de Enganos, Lina assume a voz principal para expor as dores, os impactos e os traumas carregados por famílias que foram dilaceradas pela ditadura militar.

    “A memória na literatura é, vamos dizer, fundamental. Ela é uma espécie de musa tutelar dos escritores. Mas a memória não é algo que está cristalizado no passado. A memória só faz sentido na literatura – e eu acho que na própria vida – quando você traz o passado para o presente e ela adquire um significado mais forte. Porque tudo que nós vivenciamos hoje tem a ver com o nosso passado, não apenas recente, mas distante também”, disse ele a jornalistas, antes de participar de uma mesa promovida pela Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) no Museu Eugênio Teixeira Leal, em Salvador.

    >> Clique aqui e confira a cobertura da Agência Brasil na Flipelô 2026

    Em sua trilogia O Lugar Mais Sombrio, Hatoum trata dos dramas familiares no período da ditadura militar brasileira.

    “A trilogia O Lugar Mais Sombrio fala basicamente disso, de um grupo de jovens, de personagens jovens, que, enfim, passaram a infância, a juventude e uma parte da vida adulta durante um período de opressão, de autoritarismo, de brutalidade, de repressão e de censura. Isso é um tema tratado nesses três romances, mas não é o tema principal”, disse o escritor.

    O tema principal, esclareceu, é a relação familiar.

    “E esse último volume é o livro da mãe, que é um livro de memórias, justamente em que ela praticamente fala sobre a família, sobre ela e descobre coisas muito surpreendentes – e por isso o título é Dança de Enganos. Ela viveu durante um período da vida dela movida por enganos, por falsidades. E então ela descobre coisas que só mesmo essa presença da memória faz com que ela tenha consciência do que ela é”, explicou.

    Academia de Letras

    Milton Hatoum é um dos mais importantes escritores da literatura brasileira contemporânea e recentemente tomou posse como novo membro da Academia Brasileira de Letras.

    “Por acaso, sou o primeiro escritor da Amazônia na Academia Brasileira de Letras. Mas, enfim, continuo a fazer o que eu venho fazendo há mais de 35 anos, que é dar palestras, falar basicamente sobre literatura, ler muitos livros e escrever alguns poucos”, disse.

    Vencedor de diversos prêmios literários e até cotado em listas de apostas para o Nobel de Literatura, sua presença na Flipelô lotou o auditório do museu. Ele começou sua fala dizendo que sua trilogia foi escrita como uma espécie de “vingança” ao que aconteceu no Brasil.

    “Foi também uma vingança. Quem da minha geração participou do movimento estudantil ou participou ativamente da luta contra a ditadura, quem não perdeu amigos ou não teve um amigo preso, foi submetido à tortura”.

    O escritor contou que para escrever os livros recebeu diários e relatos de amigos que foram presos e torturados durante a ditadura.

    “E eu li muitas vezes chocado porque são relatos muito duros, de uma crueza assim incrível e impressionante. Mas eu usei muito pouca coisa desse material que eu li, porque eu queria, a partir do que li, inventar. Porque esse é o grande pilar do romance, a imaginação”.

    Parte dessa trilogia, reforçou, marca seu posicionamento sobre a atualidade, quando começaram a surgir vozes no Brasil pedindo a volta daquele período de autoritarismo.

    “Foi o momento em que eu encontrei para também me posicionar. Quer dizer, não como um texto de denúncia porque eu não aprecio muito isso, nem também de uma forma didática, mas eu mudei muita coisa sobretudo entre o segundo e o terceiro volumes [da trilogia]. Eu reescrevi muitas coisas em função dessa catástrofe política que se abateu sobre o Brasil. Como é que eu vou definir essa gente? São absolutamente facínoras”.

    Para ele, um dos remédios para esse momento atual é a empatia.

    “A empatia também serve para a crise que nós estamos vivendo. Porque ela é exatamente o contrário, o oposto do egotismo. Uma pessoa empática integra as suas necessidades básicas ou vitais com o coletivo, com a necessidade dos outros. E é isso que falta”, refletiu.
     


    Salvador (BA), 08/08/2026 - O escritor Milton Hatoum participa da mesa A palavra, a memória e o tempo: um encontro sobre literatura, com mediação de Rodrigo Casarin, no Museu Eugênio Leal, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Salvador (BA), 08/08/2026 - O escritor Milton Hatoum participa da mesa A palavra, a memória e o tempo: um encontro sobre literatura, com mediação de Rodrigo Casarin, no Museu Eugênio Leal, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Escritor Milton Hatoum na mesa A Palavra, a Memória e o Tempo: um Encontro sobre Literatura, com mediação de Rodrigo Casarin, no Museu Eugênio Leal, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho – Flipelô – Rovena Rosa/Agência Brasil

    Educação

    Ao responder perguntas feitas pelo público presente, Hatoum reforçou a importância da educação. Segundo ele, o desmonte da escola pública teve início com a ditadura militar e agora ela precisa ser reconstruída: “Isso seria fantasticamente um ato patriótico, de formar cidadania e de dar condições de igualdade a todos da escola pública.”

    Ao falar sobre educação na Flipelô, ele chegou a recordar da professora que o alfabetizou, Maria Luiza Freitas Pinto, personalidade que ele também citou em seu discurso de posse na Academia Brasileira de Letras.

    “Pode parecer um pouco piegas, mas eu vou contar. Quando eu publiquei meu primeiro livro, eu morava em Manaus, em 1989. E ela estava na fila [para autógrafos]. Ela chegou, abriu a bolsa e disse: ‘vou te mostrar uma coisa’. Aí ela tirou um papel amarelo, desdobrou e disse: ‘Essa é a sua primeira redação. Eu guardei porque eu achava que você ia se tornar um escritor’. Ela morreu aos 104 anos. E até os 100 anos, ela ia aos lançamentos do meu livro”.

    A décima edição da Flipelô começou na última quarta-feira (5) e termina neste domingo. Clique aqui e saiba mais sobre a festa.

    *Repórter e fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Avanço da IA corrói financiamento do jornalismo profissional no Brasil

    Avanço da IA corrói financiamento do jornalismo profissional no Brasil

    O avanço da Inteligência Artificial (IA) por meio dos resumos que buscadores oferecem na internet vem derrubando o tráfego direto de internautas em sites jornalísticos, prejudicando o financiamento do jornalismo profissional no Brasil. Isso ocorre porque parte dos usuários tem deixado de clicar nos links diretos dos sites, restringindo a pesquisa aos resumos das IAs.

    Essa mudança vem ganhando força, principalmente, a partir de maio de 2024 com o AI Overviews do Google (resumos gerados por IA, em português). Segundo especialistas, a novidade tem ainda o potencial de prejudicar a integridade da informação que circula no país em meio à proliferação das fake news impulsionadas pelas mesmas plataformas por trás das IAs que dominam o mercado.

    Um projeto de lei (PL 2338 de 2023) em tramitação na Câmara, o Marco Regulatório da IA, prevê que as plataformas digitais paguem pelos direitos autorais das obras e reportagens usadas pela tecnologia, o que poderia fortalecer o jornalismo profissional frente à crise no setor.

    Porém, o tema não avançou no último semestre, apesar da prioridade anunciada ao projeto pelo presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).


    Brasília - 07/08/2026 - Carla Egydio,diretora de Relações Institucionais da Ajor . Foto: Câmara dos Deputados
    Brasília - 07/08/2026 - Carla Egydio,diretora de Relações Institucionais da Ajor . Foto: Câmara dos Deputados
    Carla Egydio, diretora de Relações Institucionais da Ajor, considera “preocupante” a queda de audiência dos portais de notícias em função dos resumos gerados por IA  – Foto: Câmara dos Deputados

    A Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que presta assessoria a 152 veículos on-line no Brasil, aponta que um de cada quatro desses portais de notícias perdeu, em 2025, mais de 20% da audiência.

    “A queda de tráfego nos sites das associadas advindo de ferramentas de busca, uma preocupação generalizada na indústria jornalística, se mostra verdadeira no contexto das associadas”, concluiu a pesquisa da Ajor.

    A diretora de Relações Institucionais da associação, Carla Egydio, explicou à Agência Brasil que a queda é “preocupante” por prejudicar a atração de publicidade e o financiamento calculado a partir das “métricas de audiência”.

    “O ecossistema jornalístico hoje vive um cenário de crise. Parte da publicidade já migrou, principalmente, para plataformas digitais. Os veículos que se financiavam, sobretudo por publicidade, têm uma dificuldade muito grande de manter seus negócios. Esse resumo da IA aprofunda um contexto de crise do jornalismo”, disse a diretora.

    Integridade da informação

    Carla destacou ainda que os resumos da IA fornecidos pelos buscadores não oferecem todo o conteúdo das reportagens, com impacto para a qualidade da informação.

    “Isso pode gerar descontextualização, com prejuízos para o debate público. Você tem ainda os casos de cópia literal do conteúdo, que configura plágio”, completou a diretora da Ajor.

    Um caso de repercussão internacional foi o do veículo Business Insider, que demitiu, em maio de 2025, 21% dos funcionários em meio a quedas no tráfego de usuários impulsionadas pelos resumos das IAs dos buscadores.

    “Setenta por cento do nosso negócio apresenta algum grau de sensibilidade ao tráfego [de usuários no site]. Precisamos estar estruturados para suportar quedas extremas de tráfego fora do nosso controle, por isso estamos reduzindo o tamanho geral da nossa empresa”, explicou Barbara Peng, da direção executiva da companhia.

    Marco Regulatório da IA


    Brasília (DF) 26/10/2023   Comissão de Comunicação da Câmara realiza audiência pública sobre a importância da formação superior para o exercício do jornalismo. ( Samira de Castro Cunha, presidenta da FENAJ).  Foto Lula Marques/ Agência Brasil
    Brasília (DF) 26/10/2023   Comissão de Comunicação da Câmara realiza audiência pública sobre a importância da formação superior para o exercício do jornalismo. ( Samira de Castro Cunha, presidenta da FENAJ).  Foto Lula Marques/ Agência Brasil
    Presidenta da Fenaj, Samira de Castro diz que lobby das big techs tem dificultado avanço do PL 2338 na Câmara – Foto: Lula Marques/Arquivo/Agência Brasil

    No Brasil, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) tem pressionado pela aprovação do PL 2338 na Câmara, onde projeto tramita desde março de 2025.

    A matéria que chegou do Senado prevê que as empresas de IA remunerem pelo uso de conteúdos protegidos pela Lei dos Direitos Autorais, como é o caso do jornalismo.

    “O lobby das big techs é muito forte. Elas querem, para ter uma ideia, tirar toda essa parte que fala de direito autoral. Esse é um dos pontos que têm emperrado esse projeto na Câmara”, revelou a presidenta da Fenaj, Samira de Castro.

    Ela acrescentou à Agência Brasil que, apesar das fragilidades do projeto, o texto traz avanços para garantir a remuneração do produto do trabalho dos jornalistas.

    “O PL também não cria mecanismos específicos de transparência sobre quais conteúdos jornalísticos foram utilizados para treinar modelos de IA, mas isso pode ser objeto de regulamentação posterior”, completou Samira.

    Tema não avança na Câmara

    No início do ano, o presidente da Câmara, Hugo Motta, definiu que o Marco Regulatório da IA seria uma das prioridades do primeiro semestre. Procurada pela reportagem, a assessoria do parlamentar informou que aguarda a manifestação do relator, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

    “A definição de uma data depende de o relator apresentar o parecer. E, diante do atual período eleitoral, o projeto deverá ser votado após as eleições de outubro”, informou, em nota, a assessoria de Motta.

    A comissão especial que analisa o tema não se reúne desde novembro de 2025. Procurada pela Agência Brasil, a presidente do colegiado, deputada Luiza Canziani (União-PR), não retornou o contato até o fechamento desta reportagem.

    O relator Aguinaldo Ribeiro tem defendido que o tema precisa ser mais debatido, em especial, o capítulo que trata da remuneração pelo uso de conteúdos protegidos por direitos autorais.

    “Como é que isso vai funcionar para um artista independente? Como é que funciona? A operacionalidade eu tenho dúvida de como isso vai funcionar”, comentou Aguinaldo a jornalistas antes do recesso parlamentar.
     


    Prédio Congresso Nacional
    Prédio Congresso Nacional
    Marco Regulatório da IA tramita desde março de 2025 na Câmara – Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

    Empresas de tecnologia criticam projeto

    O texto que chegou do Senado é criticado pelas empresas de tecnologia, que alegam que o dispositivo sobre direitos autorais “na prática, inviabiliza o treinamento de novos modelos locais de IA”.

    “A proposta de legislação brasileira, dessa forma, poderá isolar o Brasil no desenvolvimento da IA, além de impactar investimentos em infraestrutura digital”, diz nota de diversas organizações empresariais, entre elas, a Associação das Empresas de Tecnologia (Brasscom).

    Governo apoia PL

    O governo federal tem defendido a aprovação do PL 2338. O secretário de Direitos Autorais e Intelectuais do Ministério da Cultura, Marcos Alves de Souza, argumentou que tem crescido a judicialização envolvendo direitos autorais.

    “Enquanto esse PL não for aprovado, o uso não autorizado de conteúdo jornalístico, ou qualquer conteúdo protegido por direitos de autor, para o treinamento de sistemas de IA, constitui violação de, ao menos, sete dispositivos da lei de direito autoral”, comentou Souza, em audiência pública do Conselho de Comunicação Social do Congresso, na última semana.

    Ação no Cade e acordos de grandes veículos

    Enquanto o Congresso não vota o marco regulatório da IA, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação, em abril deste ano, sobre a conduta do Google e os impactos do uso da IA no mercado de mídia.

    O conselho avalia se a gigante da tecnologia abusou de sua posição dominante ao utilizar conteúdos jornalísticos em ferramentas de IA sem remunerar os veículos responsáveis.

    Por outro lado, dois grandes jornais brasileiros, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, fecharam acordos privados com a OpenAI e o Google, respectivamente. O acordo da Folha ocorreu após o jornal processar a OpenAI pelo uso dos seus conteúdos jornalísticos.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rio de Janeiro tem alerta para ventos de até 75 km/h neste domingo

    Rio de Janeiro tem alerta para ventos de até 75 km/h neste domingo

    Com possibilidade de rajadas de vento pontuais com até 75,9 quilômetros por hora (km/h), a Defesa Civil emitiu um alerta neste domingo (9) para a população da cidade do Rio de Janeiro.

    A previsão meteorológica para a capital carioca é de céu parcialmente nublado passando a nublado ao longo do dia, com chuvas fracas e isoladas nos períodos da tarde e noite.

    A aproximação e passagem de uma nova frente fria vai influenciar o tempo no Rio. A temperatura máxima prevista é de 35 graus Celsius (°C), e deverá cair a partir de segunda-feira (10).

    Recomendações

    A recomendação das autoridades é para que as pessoas evitem se abrigar em baixo de árvores ou coberturas metálicas durante possíveis vendavais e que não estacionem em locais próximos a torres de transmissão.

    Outra orientação é no sentido de evitar permanecer em lugares altos e sem proteção, ou se deslocar durante as rajadas de vento.

    Dentro de casa, a Defesa Civil recomenda que a população feche portas e janelas, além de persianas e cortinas para prevenir que estilhaços se espalhem em caso de quebra de vidro pela ventania.

    Objetos em locais altos também podem cair com os ventos. Se houver falta de energia elétrica, é preciso ter cuidado com uso de velas para se evitar incêndios.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Justiça abriu as urnas diante da população, diz Nunes Marques

    Justiça abriu as urnas diante da população, diz Nunes Marques

    O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, voltou a defender a confiabilidade do sistema eletrônico de votação do Brasil e destacou as iniciativas da Justiça para fortalecer o processo democrático.

    O ministro discursou na abertura da Corrida pela Democracia, realizada pelo TSE no Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília, neste domingo (9). Ele citou o esforço do órgão em demonstrar como funciona a urna eletrônica por dentro, por meio de demonstrações públicas de desmonte do equipamento.  

    “Durante toda essa semana, não só o TSE, como os 27 TREs [Tribunais Regionais Eleitorais], se empenharam, não só no desmonte de urnas, mas também na tentativa de dar transparência de como funciona todo o nosso processo de votação. Fizemos exposições, votações simuladas em shopping centers, escolas públicas, logradouros e eventos como a Rio Innovation Week”, disse o ministro. 

    “A Justiça Eleitoral abriu urnas diante da população de diversos estados para mostrar o que existe por trás do equipamento e explicar o caminho do voto. O TSE promoveu visitas ao Museu do Voto, exposições, simulações de votação, além de ações de acessibilidade e de combate à desinformação”, acrescentou. 

    O evento deste domingo marcou o encerramento da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação, que realizou ações para aproximar a sociedade da Justiça Eleitoral e ampliar o conhecimento sobre o funcionamento, a transparência, a segurança e a auditabilidade do processo eleitoral brasileiro.

    No início da semana passada, com a retomada das sessões presenciais do TSE, Nunes Marques já havia classificado a urna eletrônica brasileira como “patrimônio da democracia”.

    Na última sexta-feira (7), o TSE também instituiu o Conselho Consultivo sobre Integridade Informacional, com o objetivo de monitorar o uso indevido da inteligência artificial e a difusão de desinformação durante a campanha eleitoral. O grupo será responsável pelo assessoramento do presidente do tribunal nas ações para manter a normalidade do processo eleitoral.
     


    1ª Corrida pela democracia - Justiça Eleitoral - 09.08.2026
Foto:Jamile Ferraris/TSE
    1ª Corrida pela democracia - Justiça Eleitoral - 09.08.2026
Foto:Jamile Ferraris/TSE
    Presidente do TSE esteve na Corrida pela Democracia, evento que marca o fim da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação – Jamile Ferraris/TSE

    Eleições

    O primeiro turno do será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República.

    O segundo turno está marcado para o dia 25 e pode ocorrer na disputa para os cargos de governador e presidente. Os eleitores voltarão às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.

    *Com informações da repórter do radiojornalismo Beatriz Evaristo

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Bolão de Fortaleza leva prêmio de R$ 164 milhões da Mega-Sena

    Bolão de Fortaleza leva prêmio de R$ 164 milhões da Mega-Sena

    Uma aposta de um bolão com 100 cotas feita em Aldeota, Fortaleza, acertou as seis dezenas da Mega-Sena e vai receber o prêmio que estava acumulado em R$164.895.645.

    Os números sorteados foram: 02, 05, 10, 35, 40 e 53. 

    Duzentas e quarenta e seis apostas cravaram cinco dezenas e vão levar prêmio de R$ 22.927,51. 

    Outras 13.158 apostas acertaram quatro dezenas sorteadas e receberão R$ 706,56 cada. 

    O próximo sorteio da Mega-Sena será na terça-feira (11) e tem prêmio estimado em R$ 3,5 milhões. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

    Clique aqui e saiba mais sobre os sorteios da Caixa. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rio Grande do Sul contabiliza 2,6 mil desalojados após tempestades

    Rio Grande do Sul contabiliza 2,6 mil desalojados após tempestades

    A Defesa Civil do Rio Grande do Sul atualizou para 2.686 o número de pessoas desalojadas no estado em decorrência de uma linha de instabilidade associada à uma frente fria, que causou fortes tempestades na região, com estragos registrados em 117 municípios, incluindo destelhamentos, quedas de árvores e de postes de energia. 

    Em novo balanço divulgado na manhã deste domingo (9), a Defesa Civil informou que os danos foram causados por fortes chuvas e ventos formados pela frente fria, e não por causa do ciclone bomba – um outro fenômeno meteorológico que se formou entre a Argentina e o Uruguai, mas que se deslocou pelo oceano, trazendo ventos à costa gaúcha, sem maiores impactos sobre o continente.

    Até o momento, foram reportados um óbito e cinco feridos desde a última sexta-feira (7), quando as tempestades castigaram mais o estado. A vítima foi um homem que se acidentou na rodovia estadual RS-124, no município de Montenegro, enquanto trafegava de moto. Não há informações complementares sobre identificação da vítima.

    Dos cinco feridos, um é do município de Novo Hamburgo. Ele se enroscou em fios enquanto estava em trânsito, durante o vendaval. Segundo informações da Defesa Civil, o estado de saúde dele exige mais atenção.

    Um militar também foi atingido por um estilhaço enquanto estava dentro da viatura em atendimento, no município de Osório. E, em Dom Feliciano, outras três pessoas teriam sofrido ferimentos leves.

    Entre as localidades mais atingidas, está o município de Minas do Leão, com 500 desalojados, ou seja, pessoas que tiveram que sair de suas casas para a casa de amigos ou parentes. Apenas uma pessoa, em Montenegro, ficou desabrigada e necessitou de acolhimento pelo poder público.

    Em Novo Hamburgo, são 480 desalojados, seguido de Sapiranga, com 360.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Redes sociais ajudam a despertar interesse por livros, diz escritora

    Redes sociais ajudam a despertar interesse por livros, diz escritora

    Autora de sucessos como Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera, a escritora mineira Carla Madeira diz que “livro é uma ocasião de conversar”.

    Escritora de ficção mais lida do Brasil, com mais de 1 milhão de cópias vendidas, ela esteve em Salvador, na noite deste sábado (8), para falar a um grande público que se formou no Largo do Pelourinho, durante a programação da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô).

    Fenômeno de vendas, ela celebrou o fato de mais brasileiros estarem lendo e também comentando sobre livros, em geral – principalmente por meio das redes sociais e clubes de leitura.

    “As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir, entrar com outras vozes, cruzar livros, cruzar informações, criticar, aplaudir, está tudo valendo. E isso é maravilhoso porque é um exercício de troca e tem uma riqueza de ampliar a consciência”, reforçou.

    Para ela, a ampliação dos clubes de livros e de festivais de literatura ajuda a aumentar o interesse pela leitura.

    “Isso está sendo festejado, está sendo ampliado. E as redes sociais têm um papel superimportante nisso”, completou.

    No entanto, apesar do maior interesse pelos livros, a escritora acredita que o brasileiro ainda lê pouco, no universo de um país com 220 milhões de pessoas: 

    “Quando se confrontam os números do mercado editorial a esse dado demográfico, não há como negar que o brasileiro lê pouco. Mas tem muitas questões envolvidas nisso que vão desde a educação formal e o incentivo à leitura até o acesso ao livro e locais para se ler”, disse ela à reportagem.

    >> Clique aqui e confira a cobertura da Agência Brasil na Flipelô 2026

    Políticas públicas

    Em entrevista à Agência Brasil, pouco antes de conversar com o público da Flipelô, a escritora ressaltou que é importante haver políticas públicas para incentivar e aumentar o acesso aos livros.

    Em 2024, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, apontou que 47% da população com 5 anos ou mais se declarou leitora no Brasil, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas. Mas a maioria, 53%, não havia lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores.

    “A gente está falando de uma realidade que é muitas vezes diferente de uma certa bolha ali que tem condição de ter acesso a livro, que tem uma casa ou que tem um quarto, que tem uma luz à noite adequada. E aí vai um monte de questões sociais que eu acho que tem impacto sobre isso”, acrescentou.


    Salvador (BA), 08/08/2026 - A escritora Carla Madeira participa do bate papo Elas por elas: Astrid Fontenelle entrevista Carla Madeira, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Salvador (BA), 08/08/2026 - A escritora Carla Madeira participa do bate papo Elas por elas: Astrid Fontenelle entrevista Carla Madeira, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho - Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Escritora Carla Madeira participa do bate papo Elas por Elas: Astrid Fontenelle entrevista Carla Madeira, durante a 10ª Festa Literária Internacional do Pelourinho – Flipelô, no Largo do Pelourinho, centro histórico da capital baiana. – Rovena Rosa/Agência Brasil

    Novo livro

    Durante a mesa na Flipelô, que atraiu um grande público para o Largo do Pelourinho, a escritora mineira contou que seu novo livro Quando será lançado ainda neste mês.

    A obra aborda a história de uma mãe que denuncia seu próprio filho à polícia e foi escrita no momento em que Carla Madeira vivenciava três lutos em sequência: a morte de sua mãe, de seu psicanalista e de sua sócia.

    “Quando começou muito caoticamente. Não tem nada a ver com essa história, com esse luto, eu não faço autoficção. Mas nesse período eu comecei a ler e comecei a querer uma linguagem para dar conta do real. Acho que toda emoção está no corpo. Todo corpo afetado, perturbado, ele quer buscar retornar um estado de equilíbrio, de regularidade. Então, qual é o recurso que ele tem? A linguagem. A gente vai lá na linguagem para reorganizar o corpo”.

    O novo livro, contou ela, fala sobre uma mãe doente que espera pelo reencontro com seu filho.

    “Ela está para morrer e espera rever esse filho que ela não vê há 20 anos. Nessa espera, a gente começa a conhecer o que aconteceu antes, em 1986, que é aquele período em que o Brasil volta a ter eleições diretas. O livro se passa nesse período, com as heranças da ditadura ainda ali presentes”.

    Este é, segundo Carla Madeira, mais um livro sobre um tema que lhe é muito caro: a maternidade.

    “A maternidade é uma coisa que está muito presente nos meus livros. Não só a maternidade, mas essa ideia da família como um lugar fundante, um primeiro lugar que nos recebe no mundo e que vai ser determinante – para o bem ou para o mal. É ali onde acontecem os primeiros pactos civilizatórios. É onde começamos a ter nossa primeira visão de mundo”.

    A décima edição da Flipelô começou na última quarta-feira (5) e termina neste domingo. Clique aqui e saiba mais sobre a festa.

    *A repórter e a fotógrafa viajaram a convite do Instituto Motiva, patrocinador e parceiro oficial de mobilidade da Flipelô 2026.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original