Categoria: Internacional

  • Open IA invade site com dados da saúde pública da Austrália

    Open IA invade site com dados da saúde pública da Austrália

    Um sistema de Inteligência Artificial (IA) da Open IA, dona do ChatGPT, invadiu um portal do governo da Austrália que reúne dados estatísticos da saúde pública do país da Oceania, o Medicare. O ataque cibernético ocorreu em 18 de julho, mas só foi revelado nesta quarta-feira (23) pelo primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese.

    “Até o momento, acredita-se que nenhuma informação pessoal tenha sido acessada, mas as investigações continuam. As evidências disponíveis atualmente indicam que não houve comprometimento mais amplo da rede da Services Australia [órgão que gerencia os programas do governo australiano]. No entanto, esta situação é obviamente inaceitável”, disse o chefe de governo australiano, em Nova York, a jornalistas durante a 81º Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

    Albanese informou que o portal invadido continha dados sobre os gastos com saúde pública da Austrália. Ele reclamou da fragilidade dos protocolos de segurança da Open IA e do fato de a empresa dos Estados Unidos (EUA) ter comunicado a invasão apenas no dia 10 de setembro, quase dois meses depois do incidente.

    “Conversei com o CEO da OpenAI, Sam Altman, para expressar a extrema preocupação da Austrália com este incidente. Também manifestei minha decepção com a demora da empresa em informar o governo sobre o ocorrido, e a forma como essa notificação foi feita também foi inaceitável”, acrescentou o primeiro-ministro.

    Razões comerciais

    A Austrália montou uma força tarefa para investigar o incidente, o que pode resultar em medidas judiciais, policiais e legislativas para punir os responsáveis e impedir novos ataques cibernéticos.

    “Agora, por que isso ocorreu? Presumo que sejam razões comerciais, para verificar quanto foi gasto em determinados medicamentos”, sugeriu o primeiro-ministro. 

    Anthony Albanese explicou que a invasão ocorreu após uma pesquisa da Open IA sobre gastos com saúde não ter conseguido acessar dados restritos do governo australiano.

    “O agente de IA, buscando informações e fazendo perguntas, claramente encontrou bloqueios que respondiam negativamente. O agente de IA encontrou uma maneira de contornar esses bloqueios. Ele não aceitou um ‘não’ como resposta”, detalhou.

    Open IA

    Procurada pela Agência Brasil, a assessoria de imprensa da Open IA não se manifestou até a publicação desta reportagem.

    Esta não é a primeira vez que a Open IA realiza invasões não autorizadas por meio de sistemas de inteligência artificial. Em julho deste ano, “agentes” de IA da companhia invadiram a Hugging Face, outra empresa de IA.

    Em comunicado oficial, a Open IA disse que o incidente ocorreu por problemas no desenvolvimento dos sistemas de IA e que novas medidas de segurança teriam sido adotadas.

    “Esse incidente não deveria ter acontecido. Ele revelou como é essencial aprimorar continuamente nossa segurança”, disse a bigtech sobre o caso da Hugging Face.

    Governança da IA

    A invasão do portal australiano foi divulgada em meio aos debates no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), em Nova York, na quarta-feira (23), sobre uma governança global dos sistemas de IA.

    O co-presidente do Painel Internacional Independente da ONU sobre IA, professor Yoshua Bengio, destacou que os “agentes” de IA atuam de maneira “inaceitavelmente perigosa”.

    “Eles tomaram atitudes que seriam crimes se cometidas por um humano. Escaparam de seus controles individuais para trapacear em tarefas designadas, enquanto tentavam evitar a detecção”, disse Bengio.

    Ainda segundo o especialista, as empresas que constroem os sistemas de IA mais poderosos não oferecem soluções técnicas convincentes, apesar de admitir que seus produtos representam riscos.  

    O CEO da Open IA, Sam Altman, também discursou no Conselho de Segurança, reconhecendo os riscos da IA. Ele defendeu uma governança global para definir parâmetros para uso seguro da tecnologia.

    “Para que a IA seja democrática, as decisões mais importantes não podem ser tomadas apenas por laboratórios em São Francisco [cidade que concentra as sedes das grandes bigtechs dos EUA]”, afirmou Altman.

    EUA vs China

    O debate na ONU opõe os Estados Unidos (EUA), que rejeitam limitar o avanço da IA e criticam a tentativa de criar uma governança global da tecnologia, à China e outros países, como o Brasil, que defendem que haja cooperação entre as nações para definir parâmetros de segurança para IA.

    O diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, disse na ONU que o objetivo do governo de Donald Trump é garantir “avanços contínuos” da IA que beneficiem os EUA.

    “Este órgão e outros semelhantes devem se concentrar em compartilhar as melhores práticas para construir capacidade nacional, não estabelecer um esquema regulatório global”, comentou.

    Por outro lado, o representa da China no Conselho de Segurança, Fu Cong, defendeu a cooperação em IA entre os países e destacou que a noção de “nós contra eles” no setor de tecnologia serve à “tentativa de certas grandes potências de manter sua vantagem tecnológica por meio do monopólio em sua busca pela hegemonia digital”.

    Ainda segundo o diplomata chinês, “a IA é um bem comum a toda a humanidade e não deve se tornar um jogo exclusivo de países e pessoas ricas”.

    >> Waico e Pax Silica: entenda disputa entre China e EUA por futuro da IA

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Bancos centrais do Brasil e da Europa avaliam interligar Pix com Tips

    Bancos centrais do Brasil e da Europa avaliam interligar Pix com Tips

    O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) iniciam nesta quinta-feira (24) estudo de viabilidade para interligar o Pix, sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, com o Target Instant Payment Settlement (Tips), serviço de liquidação de pagamentos instantâneos do Eurosistema.

    Em nota, o Banco Central do Brasil informou que serão avaliados aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio relacionados ao processo.

    “Considerando os significativos fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e a área do euro, a interligação entre Pix e Tips poderá contribuir para pagamentos transfronteiriços mais rápidos, eficientes e de menor custo entre as duas jurisdições.”

    De acordo com o Banco Central do Brasil, a iniciativa integra a “agenda evolutiva do Pix” e os esforços de interligação do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos com infraestruturas similares multilaterais e de outras jurisdições.

    Tais interligações, segundo a nota, poderão permitir transferências de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos.

    “De forma mais ampla, a interligação de sistemas de pagamentos instantâneos tem o potencial de reduzir custos, aumentar a velocidade, ampliar o acesso e melhorar a transparência das transações transfronteiriças, em linha com os objetivos do Plano de Ação do G20 para o Aprimoramento de Pagamentos Transfronteiriços.”

    Tips

    O serviço de liquidação de pagamentos instantâneos do Eurosistema Tips foi criado para ser uma infraestrutura pan-europeia de liquidação instantânea em moeda de banco central, operando atualmente com o euro, sueca e a coroa dinamarquesa, com expansão prevista para outras moedas do Espaço Econômico Europeu.

    “A análise da interligação com o Pix se somará aos trabalhos em curso do Eurosistema para conectar o Tips a outras infraestruturas de pagamentos instantâneos, incluindo o Nexus [iniciativa do Banco de Compensações Internacionais] e os sistemas de pagamentos da Índia e da Suíça”, completou o Banco Central do Brasil na nota.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Argentina sob Milei fecha 31 mil empresas e 245 mil empregos formais

    Argentina sob Milei fecha 31 mil empresas e 245 mil empregos formais

     A Argentina sob o comando do presidente Javier Milei fechou 31,3 mil empresas, 6,1% do total das companhias registradas no país. Além disso, 245 mil postos formais de emprego foram encerrados em 31 meses.  

    “Se observarmos os dados do governo Milei, vemos que, durante essa gestão, o número de empresas caiu tanto quanto na pandemia”, diz o último informe Monitor Mensal de Empresas, da Fundar, centro de pesquisas da Argentina.

    O balanço da Fundar sobre as empresas argentinas abrange os meses de novembro de 2023, quando Milei assumiu o governo, até junho de 2026. Dos 18 setores pesquisados, 14 tiveram queda no número de empresas, prejudicando 23 das 24 províncias argentinas.  

    A única exceção é a província de Neuquém, onde a exploração de gás natural de Vaca Muerta tem impulsionado as exportações argentinas.  

    A indústria do país vizinho também vem apresentando retração, no acumulado de 12 meses, de 2,6%, fechados em julho deste ano. A indústria de equipamentos eletrônicos e médicos tem o pior resultado, com queda acumulada de 19,1% em um ano, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

    Entre as 709 companhias que fecharam as portas no último mês, estão algumas com mais de 50 anos de atividade como a Din S.A. (Grupo Govan) do ramo da metalurgia, e a Clan Issime do ramo têxtil.  

    A Fundar destaca que a Clan Issime, no seu auge, “chegou a ter 129 funcionários, 14 lojas próprias e mais de cem pontos de venda terceirizados; no momento do fechamento, restavam 9 trabalhadores na fábrica”. 

    Desemprego 

    O fechamento de empresas tem afetado o nível de empregos no país ao longo do governo Milei. Entre novembro de 2023 e junho de 2024, se perderam 245,6 mil empregos privados registrados, queda de 3,9% do total, segundo levantamento do Centro de Economia Política Argentina (Cepa). 

    A perda foi compensada, em parte, por um aumento dos trabalhadores autônomos de 169 mil no período, crescimento de 8,3% nesse perfil de emprego. “Os empregos perdidos são parcialmente substituídos por atividades desprotegidas”, diz o informe da Cepa. 

    Com isso, a taxa de desemprego na Argentina subiu 0,3 pontos percentuais (p.p.) no primeiro semestre de 2026, se comparado com o mesmo período de 2025, chegando a 7,9% da população economicamente ativa, calcula o Indec. 

    Inflação vs empregos  

    A queda no emprego, na renda das famílias e na indústria da Argentina contrasta com os números positivos da inflação do país, que caiu de uma taxa anual de 289%, em abril de 2024, para 33,5%, em agosto deste ano, considerando o acumulado dos 12 meses anteriores.  

    O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Paulo Gala comentou à Agência Brasil que a estabilidade inflacionária no país vizinho é frágil.  

    Segundo o especialista, essa estabilidade é resultado do corte de gastos públicos, dos empréstimos bilionários com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de uma moeda sobrevalorizada. Porém, ele explica que o peso mais valorizado prejudica a indústria do país.  

    “A moeda sobrevalorizada ajuda a controlar a inflação, só que ela detona o setor industrial. Estamos vendo agora é a contração industrial, perda de empregos industriais, desemprego com quase 8% e o crescimento perdendo muito fôlego”, afirmou.  

    A dívida externa de US$ 350 bilhões é outro elemento apontado pelo economista que revela a fragilidade da situação econômica do principal parceiro comercial do Brasil na América Latina.  

    The Economist 

    A agenda econômica do governo de Javier Milei, desde o início do seu mandato, tem recebido apoio de setores do mercado financeiro e da mídia especializada que defendem uma agenda considerada liberal ou neoliberal na economia, com desregulação trabalhista, corte de gastos e abertura comercial.  

    Mesmo publicações entusiastas da agenda de Milei, como a publicação inglesa The Economist, tem alertado para problemas na gestão econômica.  

    Em editorial crítico ao governo da Casa Rosada, publicado neste mês, a The Economist escreveu que o país precisa de mais crescimento, e menos “gritaria”, em alusão ao estilo histriônico do político argentino.   

    “Os salários reais ainda são menores do que quando ele assumiu o cargo; empregos formais estão desaparecendo”, destacou a revista, acrescentado que ” Milei se mostrou relutante em aceitar que seus esforços para conter a inflação tenham prejudicado o crescimento”. 

    Governo Milei 

    Em discurso durante conferência sobre a economia argentina, no final de agosto, o presidente Javier Milei rebateu as análises negativas sobre o desempenho econômico do país. 

    Ele destacou que são positivos os indicadores de exportações, consumo privado, inflação e do Produto Interno Bruto (PIB), que cresceu 4,4% em 2025, após uma retração de 1,3% em 2024.  

    “Se fosse realmente o caso de todas as empresas estarem fechando e nenhuma abrindo, o desemprego teria que estar disparando, e o desemprego não está disparando”, justificou.    

    Milei ainda criticou empresários que dependam do Estado. “Queremos ser grandes? Precisamos amadurecer, e esses capitalistas de compadrio precisam falir”, disse.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Trump rejeita limitar IA e critica governança global da tecnologia

    Trump rejeita limitar IA e critica governança global da tecnologia

    Em discurso na sede das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump criticou as iniciativas globais de regulação e governança da Inteligência Artificial (IA).

    “Os Estados Unidos também rejeitam totalmente qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar a inteligência artificial”, afirmou, durante o discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira (22).  

    A China e os EUA lideram iniciativas distintas que buscam influenciar a cadeia produtiva em torno da IA. De um lado, a iniciativa de Washington prevê um sistema com “parceiros confiáveis” para controlar o desenvolvimento da IA.

    De outro, a proposta liderada por Pequim convoca todas as nações para participar da governança da IA por meio de sistemas de códigos abertos, que permite a apropriação da tecnologia por qualquer empresa ou organização. 

    >>Waico e Pax Silica: entenda disputa entre China e EUA por futuro da IA 

    O especialista em governança de IA Ettore Arpini, fundador da organização Plures de apoio a profissionais para atuação em IA, destacou à Agência Brasil que a posição de Trump se opõe a diversas iniciativas, inclusive na ONU, com objetivo de deixar as empresas sem regulação alguma.   

    “Isso é totalmente contrário ao movimento de outros países de formar uma aliança de potências médias para colaborarem, para trazerem de novo um multilateralismo e criarem um modelo de governança e de regulamentações internacionais para IA”, comentou.

    Limites à IA

    O presidente dos EUA Donald Trump ainda rejeitou que o país vá limitar o avanço do desenvolvimento da IA e defendeu que, quem controlar a tecnologia, será o “vencedor” da nova revolução tecnológica.

    “No momento, estamos muito à frente da China e de todos os outros. E vamos manter essa vantagem. Vamos manter uma postura firme e decidida. Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial”, disse.

    Na última semana, líderes da indústria da IA nos EUA defenderam uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados, que estariam evoluindo mais rapidamente do que os mecanismos de controle e segurança.

    Ao mesmo tempo, economistas tem apontado uma possível “bolha” no setor devido ao elevado nível de investimentos e dúvidas da capacidade de retorno desses recursos, o que poderia gerar crises financeiras com repercussões na economia global.

    “A intensa competição aumenta o risco de as empresas alocarem recursos em excesso a projetos de investimento com retornos ainda incertos, tornando todas as empresas vulneráveis a decepções nos resultados da IA”, diz informe do Banco de Compensações Internacionais (BIS). 

    Superinteligência

    Ainda no discurso da ONU, Trump ainda prometeu mudar o nome da tecnologia para “superinteligência”.

    “Daqui para frente, será oficialmente chamada de superinteligência. Mudamos o nome porque o uso da palavra “artificial” faz a inteligência parecer falsa”, afirmou.

    O especialista Ettore Arpini, do Plures, destacou que é problemático chamar a IA de superinteligência, o que pode mais confundir que ajudar, e favorecer a posição dos EUA na corrida pelo controle global da IA. 

    “Tem uma dimensão política também, porque em Washington tem uma narrativa de que os Estados Unidos liderem a IA. Chamar a AI de superinteligência também ajuda a construir essa narrativa que favorece os EUA”, comentou. 

    Para Arpini, o importante não é definir se é ou não inteligência. “Isso pode até nos distrair. O que importa é quais capacidades esses sistemas têm, quão autônomos eles são, quem os governa e quais consequências produzem sobre a sociedade – e quais países estão se preparando”, finalizou

    Analistas críticos da IA, como o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, apontam que o termo “inteligência” da IA é uma metáfora ou estratégia de marketing para sugerir que a tecnologia possui capacidades humanas que, na realidade, os sistemas não dominam. Seria uma forma de valorizar os serviços que as gigantes da tecnologia vendem. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Na ONU, Trump ameaça novamente usar força militar na América Latina

    Na ONU, Trump ameaça novamente usar força militar na América Latina

    Em discurso de quase 40 minutos na sede das Nações Unidas (ONU), o presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump voltou a fazer ameaças de uso da força militar em países da América Latina e Caribe para garantir os interesses da Casa Branca na região.

    “Nossas ações na Venezuela provam que os EUA não permitirão mais que ameaças à América [EUA] ganhem terreno em qualquer parte do Hemisfério Ocidental. E, se necessário, usaremos nosso poderio militar inigualável para garantir os interesses nacionais vitais dos EUA”, disse.

    Trump participou, nesta terça-feira (22), da abertura da 81º Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Ele discursou logo após o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que ressaltou, entre outros temas, que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

    O presidente dos EUA Donald Trump destacou, em seu discurso na ONU, a invasão ilegal promovida contra a Venezuela, em janeiro deste ano. Ele comemorou o “acordo” petroleiro firmado com a presidente encarregada Delcy Rodríguez, que garante o controle de até 21% do petróleo da Venezuela a uma empresa ligada ao Pentágono.

    “Foi uma guerra, mas talvez seja o maior negócio já realizado. Ao vencedor pertencem os espólios; todos vocês já ouviram isso”, comentou Trump.

    Os EUA invadiram a Venezuela e sequestraram o presidente Nicolás Maduro alegando que Caracas seria um “narcoestado”, argumento rejeitado por especialistas.

    Após a prisão de Maduro, o Departamento de Justiça dos EUA retirou a acusação de que ele lideraria o suposto “Cartel de Los Soles”. A existência desse grupo não é consenso entre especialistas.

    Na semana passada, os EUA retiraram a Venezuela da lista de países que não combatem o narcotráfico, onde estava desde 2005.

    Trump ainda voltou a fazer ameaças a Cuba. A delegação da ilha caribenha se retirou do plenário da ONU durante a fala do presidente dos EUA em sinal de protesto.

    Trump compara cartéis ao ISIS

    Ainda durante o discurso na ONU, Trump voltou a comparar os cartéis de drogas da América Latina a organizações terroristas. Segundo ele, esses cartéis são semelhantes ao ISIS, grupo terrorista com origem no Iraque e na Síria.

    “Acionei as Forças Armadas dos Estados Unidos para eliminá-los. Os cartéis são o ISIS do Hemisfério Ocidental”, disse. Além do Trump, secretários de Estado dos EUA têm feito essa comparação para justificar possíveis ações militares em países da região.

    Analistas vem alertando que essa posição da Casa Branca pode ser usada como “pretexto” para interferir na política interna dos países latino-americanos.

    Trump fez menções diretas ao México. Disse que tem boas relações com o governo de Claudia Sheinbaum, mas que é inaceitável que os EUA façam fronteira com um país que é o “epicentro da violência dos cartéis”.

    “Portanto, o México deve retomar o controle de seu território das mãos dos inimigos da humanidade”, afirmou o presidente dos EUA.

    A presidenta mexicana vem elevando o tom contra medidas dos EUA que considera ingerência em assuntos internos. Claudia Sheinbaum têm defendido que a luta contra os cartéis não pode servir de “desculpa” para intervenções externas.

    Lula

    Antes da fala de Trump, o presidente Lula destacou que a América Latina e o Caribe vivem sob pressão por estarem próximas da maior potência militar do planeta.

    “Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais”, destacou, ao citar os casos recentes de interferências na Venezuela, Haiti e Cuba.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula em discurso na ONU

    “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula em discurso na ONU

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a soberania dos países, citando especificamente os cenários da América Latina e do Brasil, onde, segundo o presidente, há tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos nacionais.

    Lula disse que a região da América Latina e do Caribe convive com pressões decorrentes da proximidade com grandes potências.

    “Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo no contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou durante discurso na cerimônia de abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22) em Nova York.

    “Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, destacou, ao citar contextos recentes registrados na Venezuela, na Nicarágua, no Haiti e em Cuba.

    Segundo o presidente, a região percorreu um longo caminho para consolidar regimes democráticos após períodos de ditadura e autoritarismo. Nesse contexto, ele defendeu maior integração regional e o respeito à autodeterminação dos povos.

    “Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculo para uma maior integração entre vizinhos. Os países da região reconheceram os horrores dos regimes de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular”, disse.

    Democracia em xeque

    Lula também alertou para o que classificou como retorno de práticas incompatíveis com a ordem internacional contemporânea. “A democracia está novamente em xeque”, afirmou. Em seguida, acrescentou que o mundo voltou a assistir à “ingerência externa em processos eleitorais”, à divisão de países em zonas de influência e a “investidas neocoloniais” em busca de recursos estratégicos.

    Ao citar países da região, o presidente afirmou que cada povo deve definir seu próprio caminho. Segundo ele, o povo venezuelano deve decidir seu destino sem interferências externas, enquanto a Nicarágua não solucionará seus problemas impedindo a participação da oposição nas eleições.

    Lula também mencionou a crise humanitária no Haiti e voltou a criticar o embargo econômico imposto a Cuba.

    Redes de desinformação

    Lula também citou a atuação de redes de desinformação durante campanhas eleitorais e afirmou que o Estado brasileiro estará atento a possíveis tentativas de interferência.

    “Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem contaminar o debate público durante a campanha”, afirmou.

    Em seguida, ressaltou a confiança nas instituições e no sistema eleitoral do país.

    “Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, atentem contra a vontade popular. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.

    Negacionismo

    Lula destacou ainda os perigos das chamadas fake news, sobretudo no que diz respeito aos achados científicos em temas como saúde e meio ambiente. “Na era da desinformação, os obscurantistas resistem às evidências da ciência”, disse, ao defender o combate ao negacionismo.

    “Nunca esqueceremos das milhões de vidas perdidas pelo descaso no enfrentamento à covid-19. Campanhas contra vacinas estão trazendo de volta doenças que julgávamos estar erradicadas. Enfraquecer a Organização Mundial da Saúde (OMS) torna todos mais vulneráveis.”

    “Até pouco tempo, a reposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda internacional. Este ano, o tema desapareceu dos debates do G7 e do G20, fóruns que reúnem os maiores emissores de carbono do mundo. É hora de retomar a ofensiva e impor uma derrota ao negacionismo.”

    Segurança pública

    Ao tratar da segurança pública, Lula rejeitou a participação de forças estrangeiras no combate ao crime organizado em território nacional e defendeu a cooperação internacional em áreas específicas, como o combate ao tráfico de armas e à lavagem de dinheiro.

    “Não vamos transferir a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo”, afirmou.

    O presidente acrescentou que o enfrentamento ao crime deve ocorrer por meio da cooperação entre governos, e não por ações militares externas.

    “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas; precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”, disse.

    Segundo Lula, o Brasil apresentou aos Estados Unidos proposta de cooperação para combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior.

    O presidente também afirmou que o país vem fortalecendo a coordenação entre os estados e ampliando as ações de combate às organizações criminosas.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • ONU vive momento crítico, diz Lula ao citar indignação com guerras

    ONU vive momento crítico, diz Lula ao citar indignação com guerras

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (22) que a Organização das Nações Unidas (ONU) vive, desde 2003, seu momento mais crítico. “A ONU está falhando em uma de suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa”.

    “O sentimento que me move hoje é o da indignação”, disse . “A capacidade da ONU de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exércitos nem arsenais, nunca foi tão pequena”, completou.

    A declaração foi feita durante a abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em sua fala, Lula lembrou que essa é a 10ª vez em que abre o debate geral e, da tribuna, voltou a criticar especificamente o trabalho do Conselho de Segurança da organização.

    “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”, disse. “Em 1946, já na primeira sessão dessa assembleia, o Brasil alertava para o alto preço que a comunidade internacional pagaria pelo direito de veto. Esse vício conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”.

    Antes do pronunciamento, Lula se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres. O presidente brasileiro subiu à tribuna logo no início da sessão, antes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    Na segunda-feira (21), Lula se reuniu, já em Nova York, com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e com o senador americano Bernie Sanders.

    Após o discurso na assembleia geral da ONU, ele deve deixar Nova York ainda nesta terça-feira. O embarque está previsto para 13h50 no horário local, 14h50 no horário de Brasília, com chegada à capital federal prevista para as 23h40.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Secretário-geral da ONU alerta para avanço de guerras e riscos da IA

    Secretário-geral da ONU alerta para avanço de guerras e riscos da IA

    O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu a 81ª assembleia geral da entidade nesta terça-feira (22) alertando para o avanço de conflitos e guerras, para ataques contra civis e trabalhadores humanitários e para o aprofundamento de divisões geopolíticas.

    “Nosso futuro será moldado pela forma como enfrentarmos quatro grandes testes de poder”, disse, citando conflitos armados e guerras, desigualdade, mudanças climáticas e inteligência artificial.

    Ao abordar especificamente conflitos e guerras no Oriente Médio, na Ucrânia, no Sudão e em Mianmar, Guterres avaliou que o cenário demonstra o que acontece quando o poder sai do controle, a força se sobrepõe à diplomacia e a responsabilização não acontece.

    “Não estamos diante de crises separadas. Estamos diante de capítulos de uma mesma história: a história do poder — como ele é usado e como está mudando”, destacou em seu último discurso como secretário-geral da ONU, já que seu segundo mandato de cinco anos à frente da entidade se encerra em dezembro.

    Entre os principais riscos citados por Guterres está o avanço da inteligência artificial que, em sua avaliação, pode estar se desenvolvendo mais rápido do que a capacidade da própria humanidade de compreender seus efeitos.

    “Mesmo aqueles que criaram a inteligência artificial dizem que estão ficando cegos diante dela”, disse. “O perigo não é a tecnologia. O perigo é a tecnologia sem responsabilidade”, completou, ao conclamar os governos a fortalecerem o diálogo, a transparência, a confiança e a cooperação.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • União Europeia multa Google por uso indevido de dados de localização

    União Europeia multa Google por uso indevido de dados de localização

    A principal autoridade reguladora de proteção de dados da União Europeia (UE) multou o Google em 403 milhões de euros, após uma investigação sobre o tratamento de dados de localização.

    A empresa alega que suas políticas já foram atualizadas.

    A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda (DPC, na sigla em inglês) informou ter constatado que o Google havia infringido as regras de privacidade da UE, conhecidas como Regulamento Geral de Proteção de Dados, por meio de três de seus recursos específicos: “Atividade na Web e em aplicativos”, “Histórico de localização” e “Precisão de localização”. As infrações teriam ocorrido entre 2018 e 2020.

    Um porta-voz do Google afirmou que o caso girava em torno de políticas antigas e que a empresa havia lançado ferramentas robustas e aprimorado significativamente suas práticas de gerenciamento de dados de localização desde 2019.

    O Google, que está sujeito a três inquéritos legais distintos em andamento, foi intimado pelo órgão regulador a adequar seu processamento de dados de localização às normas em vigor no prazo de seis meses.

    A multa foi a quarta maior entre os mais de 4 bilhões de euros aplicados pela DPC desde que se tornou o principal órgão regulador da União Europeia para a maioria das grandes empresas de tecnologia dos EUA, conforme o regulamento de 2018, devido à localização das operações dessas companhias na Irlanda.

    “Como resultado das falhas do Google, as pessoas poderiam não ter percebido que sua localização estava sendo usada, por exemplo, para influenciá-las com anúncios ou para inferir seus interesses, e poderiam perder o controle sobre seus dados pessoais”, afirmou o vice-comissário da DPC, Graham Doyle, em comunicado.

    A DPC iniciou a investigação em 2020, após reclamações de várias entidades europeias de defesa dos direitos do consumidor, incluindo a organização pan-europeia de consumidores BEUC, relativas ao tratamento de dados de localização pelo Google.

    As infrações incluíram a legalidade e a equidade do tratamento de dados de localização pelo Google na “Atividade na Web e em aplicativos”, uma configuração de conta que processa informações relacionadas à atividade dos usuários nos serviços da ferramenta de busca, e no “Histórico de localização”, que rastreia a localização dos usuários por meio de dispositivos móveis.

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    O Google afirmou que, desde o período investigado, introduziu atualizações que permitem aos usuários excluir automaticamente dados pessoais de forma contínua, armazenar dados da linha do tempo diretamente no dispositivo e gerenciar como os dados, incluindo a localização, são utilizados para anúncios.

    Além disso, a empresa armazena uma área geral estimada, em vez da localização precisa do dispositivo, quando um usuário realiza uma busca no Google, acrescentou.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Estudante abre fogo do lado de fora de escola na Turquia

    Estudante abre fogo do lado de fora de escola na Turquia

    Um estudante abriu fogo em frente à sua escola de ensino médio na província de Manisa, no oeste da Turquia, na madrugada desta terça-feira (22), ferindo pelo menos 11 alunos, informou o ministro da Justiça, Akin Gurlek.

    Dois dos feridos estavam em estado crítico, disse Gurlek. O agressor foi capturado e sua mãe, seu pai e seu avô — dono da arma usada no ataque — foram detidos, acrescentou o ministro.

    “Quando se trata da segurança de nossas crianças, não é possível ignorar qualquer negligência ou irresponsabilidade”, afirmou Gurlek no X.

    “As circunstâncias em que a criança obteve a arma usada no ataque, as condições de armazenamento da arma, as obrigações dos pais quanto aos cuidados e à supervisão, e as alegações de bullying antes do incidente estão sendo investigadas minuciosamente, sob vários ângulos”, acrescentou.

    Imagens e vídeos postados na internet mostraram uma figura masculina caminhando por uma rua próxima à escola com um rifle nas mãos. Em seguida, ele foi visto correndo de volta pela mesma rua.

    Um vídeo gravado do lado de fora da escola mostrou a polícia afastando familiares e outras pessoas que estavam nos arredores.

    O motivo do ataque não ficou claro imediatamente.

    O gabinete do governador local informou que o ataque ocorreu por volta das 8h na Escola Secundária Profissional e Técnica da Anatólia Inci Uzmez, no distrito de Turgutlu.

    Dois tiroteios fatais em escolas, ocorridos em abril, causaram indignação na Turquia e levaram as autoridades a adotar novas medidas de segurança para o ano letivo de 2026-2027, incluindo controles mais rígidos sobre armas de fogo.

    Antes disso, o país não tinha histórico de ataques desse tipo.

    O vice-presidente Cevdet Yilmaz disse que o ministro do Interior, Mustafa Ciftci, e o ministro da Educação, Yusuf Tekin, estavam indo para Manisa para fazer inspeções.

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    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original