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  • TRE-RJ altera 66 locais de votação por questões de segurança

    TRE-RJ altera 66 locais de votação por questões de segurança

    O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) alterou 66 locais de votação por motivos de segurança para evitar a influência do crime organizado e das milícias nas eleições majoritárias, no dia 4 de outubro.

    A decisão foi tomada pelo presidente do tribunal, desembargador Claudio de Mello Tavares, após uma análise produzida pelo Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral. O comitê é formado pelo Sistema de Justiça Eleitoral e pelos setores de inteligência das forças de segurança, com o objetivo de impedir que a votação seja realizada em locais dominados pelo crime organizado e classificados como de alto risco. A medida alcança cerca de 188 mil eleitores de 20 das 92 cidades fluminenses.

    “A mudança desses locais de votação é um compromisso com a higidez do processo eleitoral. Com essas trocas, buscamos garantir que o eleitorado possa ir às urnas tranquilo e escolher os candidatos que desejar, livre de pressões de qualquer tipo. Esse é um momento de exercer livremente o direito ao voto. O TRE-RJ atua para que essas escolhas possam ser confirmadas da maneira mais serena possível”, explicou o desembargador.

    O número de locais de votação que sofreram mudança supera os 53 alterados nas eleições de 2024 e ainda pode aumentar. Isso porque a Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro mapeia outras regiões em busca de novos locais de votação. Para a substituição, os novos destinos precisam estar fora de áreas controladas pelo tráfico de drogas ou por milícias, devem ficar afastados de territórios dominados por facções rivais e precisam ficar o mais próximo possível de cada local de votação substituído.

    A medida atinge eleitores das cidades do Rio de Janeiro, Araruama, Bom Jesus do Itabapoana, Cabo Frio, Campos dos Goytacazes, Itaboraí, Itaguaí, Itaperuna, Japeri, Macaé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Pinheiral, Resende, Rio Bonito, Rio das Ostras, São Gonçalo, São João de Meriti e Volta Redonda. São dez municípios a mais em relação às eleições de 2024.

    Outra atribuição do grupo de trabalho é criar um ambiente de integração que permita às forças de segurança abastecer a Procuradoria Regional Eleitoral com informações de inteligência sobre os candidatos que terão seus pedidos de registro de candidatura apresentados ao TRE-RJ. O material poderá embasar eventuais ações de impugnação de registro de candidatura pelo Ministério Público Federal (MPF), evitando tentativas de infiltração de organizações criminosas na política.

    Agora em agosto foi instalado o Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi) para  prevenir e reprimir condutas criminosas e ilícitos que representam risco ao processo eleitoral. No final de julho, o Colegiado do TRE-RJ aprovou por unanimidade o pedido de presença da Força Federal nas eleições de outubro, embasado no dispositivo constitucional da garantia da votação e apuração. O pedido aguarda análise pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e tratativas junto ao Ministério da Defesa.

    Consulta

    Em função do volume de alterações, o TRE-RJ recomenda que todos os eleitores façam uma consulta para saber se houve alguma mudança em seu local de votação. A pesquisa pode ser feita pelo site da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro, com o número do CPF ou do Título de Eleitor. Também é possível verificar pelo Disque TRE-RJ, de segunda a sexta-feira, das 11h às 19h, pelo telefone: (21) 3436-9000. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Cientistas cassados pelo AI-5 viram pesquisadores eméritos da Fiocruz

    Cientistas cassados pelo AI-5 viram pesquisadores eméritos da Fiocruz

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concedeu, nesta quarta-feira (5), o título de pesquisador emérito a nove cientistas da instituição que tiveram seus direitos políticos cassados em 1970, durante a ditadura militar. O episódio ficou conhecido como o Massacre de Manguinhos.

    A homenagem ocorreu no Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, quando se comemora também o nascimento do médico e sanitarista Oswaldo Cruz, patrono da Fiocruz e seu segundo presidente.

    O tributo foi nas escadarias do Castelo Mourisco, na sede da instituição, no Rio de Janeiro, onde os trabalhadores foram reincorporados, há 40 anos, na gestão de Sérgio Arouca.

    Os nove homenageados são: Augusto Cid de Mello Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho.

    Foi realizada ainda a entrega simbólica do título a herdeiros de Herman Lent, que também foi cassado em 1970, mas já era pesquisador emérito da Fiocruz desde 2004.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 05/08/2026 – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reúne familiares e outorga o título de pesquisador emérito aos cientistas cassados no episódio Massacre de Manguinhos, em 1970, na ditadura militar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 05/08/2026 – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reúne familiares e outorga o título de pesquisador emérito aos cientistas cassados no episódio Massacre de Manguinhos, em 1970, na ditadura militar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reúne familiares e outorga o título de pesquisador emérito aos cientistas cassados no episódio Massacre de Manguinhos, em 1970, na ditadura militar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Ciência e democracia

    O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, lembrou que os pesquisadores foram afastados da fundação pelo Ato Institucional 5 (AI-5) e proibidos de exercer cargos em quaisquer outras instituições públicas pelo AI-10. O retorno deles à Fiocruz foi em 1986, já no processo de redemocratização. 

    “Nós reintegrarmos os cassados em um ato político muito forte, simbólico, sinalizando, naquela época acreditávamos nisso, que estávamos afastando os perigos de governos autocráticos”, disse Moreira à Agência Brasil. 

    O presidente da Fiocruz acredita ser um momento oportuno para preservar essa memória e reafirmar valores como a defesa da ciência e da democracia.

    “Contra o negacionismo e as ‘fake news’ que ainda nos rondam até o dia de hoje, reafirmamos a ciência como base da democracia, para que o país possa desenvolver-se de forma mais justa e mais equânime”.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 05/08/2026 – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reúne familiares e outorga o título de pesquisador emérito aos cientistas cassados no episódio Massacre de Manguinhos, em 1970, na ditadura militar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 05/08/2026 – A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reúne familiares e outorga o título de pesquisador emérito aos cientistas cassados no episódio Massacre de Manguinhos, em 1970, na ditadura militar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
     A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reúne familiares e outorga o título de pesquisador emérito aos cientistas cassados no episódio Massacre de Manguinhos, em 1970, na ditadura militar. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Moreira destacou que os homenageados tiveram papel importante para a ciência brasileira, produzindo conhecimento sobre grandes desafios da saúde de sua época. Além disso, eram importantes formadores, como professores de pós-graduação.

    “A Fiocruz foi se consolidando ao longo do tempo como uma instituição de ciência e tecnologia de excelência no campo da saúde por causa do trabalho que essa turma desenvolveu e vem desenvolvendo”.

    Walter Oswaldo Cruz, filho do patrono da fundação e um dos membros fundadores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), também recebeu o título de pesquisador emérito durante a cerimônia.

    A programação incluiu ainda homenagem à chanceler da Universidade Santa Úrsula, madre Maria de Fátima. O apoio dela permitiu que cientistas cassados, como Herman Lent, Domingos Arthur Machado Filho e Hugo de Souza Lopes, continuassem a lecionar. 

     


    Rio de Janeiro - 05/08/2026 - Cientistas cassados pela ditadura e objeto de homenagem póstuma hoje. Crédito: Divulgação/ Acervo Fiocruz
    Rio de Janeiro - 05/08/2026 - Cientistas cassados pela ditadura e objeto de homenagem póstuma hoje. Crédito: Divulgação/ Acervo Fiocruz
    Cientistas cassados pela ditadura durante cerimônia de reintegração, em 1986. Divulgação/ Acervo Fiocruz

    Conheça os cientistas homenageados

    Augusto Périssé (1917–2008)

    Nascido em Barbacena (MG), em 1917, Augusto Périssé formou-se em farmácia (1938) pela Universidade do Brasil e obteve o título de Doutor em Ciências (Química) pela Universidade de São Paulo (USP). Sua trajetória no Instituto Oswaldo Cruz começou em 1943, através de concurso. Foi tecnologista, pesquisador e mentor e organizador do Laboratório de Química Orgânica.

    O AI-5 também o impediu de assumir a cátedra na USP, em Ribeirão Preto, apesar de ter sido aprovado em concurso. Suas pesquisas pioneiras sobre o veneno de diplópodes brasileiros, cujo objetivo era o desenvolvimento de anestésicos inovadores, foram interrompidas pelo regime militar.

    Os diplópodes são animais artrópodes de solo, geralmente pequenos, alongados e escuros, popularmente conhecidos por piolhos-de-cobra, embuás, gongolos, maria-café, entre outros nomes.

    No exílio, Périssé foi convidado para assumir o cargo de diretor de Pesquisa e Professor do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica (INSERM), em Paris, mas recusou o cargo porque exigia a naturalização francesa e ele não aceitava abdicar da cidadania brasileira. 

    Foi professor catedrático na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique, onde se dedicou ao desenvolvimento científico da África, retornando ao Brasil em 1979 para cuidar da saúde da esposa, Vera de Andrade Périssé.

    Foi reintegrado formalmente à Fiocruz em 1986, para a qual já prestava consultoria desde 1981. Produziu revisões fundamentais sobre a Bioquímica da Hanseníase e retomou seus estudos sobre diplópodes. Afastou-se por motivos de saúde em 1994, falecendo em 2008.

    Domingos Arthur Machado Filho (1914–1990)

    Domingos Arthur Machado Filho foi um cientista multidisciplinar, graduando-se em três áreas: veterinária, pela Escola Nacional de Veterinária, atual Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); história natural, pela Universidade do Distrito Federal (UDF); e medicina, pela Escola de Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano (atual Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio).

    Nascido no Rio de Janeiro em 1914, sua carreira no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) começou precocemente, em agosto de 1935, quando ingressou como estagiário voluntário na Divisão de Zoologia Médica.

    Foi bolsista, professor e pesquisador titular, culminando na chefia da Seção de Helmintologia, tema no qual se tornou uma autoridade internacional, com foco especial no estudo dos acantocéfalos (vermes parasitas de probóscide espinhosa).

    A ditadura militar interrompeu a ascensão do pesquisador em 1970. Mais do que a aposentadoria compulsória, a aplicação dos atos de exceção impôs-lhe um silenciamento intelectual severo, banindo-o do ensino e da pesquisa em qualquer instituição financiada pelo Estado. Durante o exílio institucional, exerceu sua vocação docente na Faculdade de Medicina de Valença (1968–1981) e na Faculdade de Medicina de Nova Iguaçu (1981–1988).

    Embora tenha sido reintegrado ao quadro de pesquisadores da Fiocruz, em 1986, o estado de saúde fragilizado pelos anos de perseguição impediu seu retorno pleno às atividades laboratoriais.

    Domingos Arthur Machado Filho faleceu em agosto de 1990. Em sua homenagem, a prefeitura do Rio de Janeiro deu seu nome ao Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) situado na Rua Leopoldo Bulhões, em Manguinhos.

    Fernando Braga Ubatuba (1917–2003)

    Natural de Pelotas (RS), graduou-se em medicina pela Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1942, ano em que também ingressou no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) como químico-analista.

    Doutor em Bioquímica pela Escola Nacional de Veterinária, onde atuou como professor catedrático, criou um núcleo de pesquisas em ciências fisiológicas que se tornou referência nacional. 

    Membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), foi orientador de cientistas que viriam a ser grandes lideranças nacionais, como Jorge Guimarães, ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e Eloi Garcia (ex-presidente da Fiocruz).

    Em 1968, foi preso na UFRRJ e mantido incomunicável por 14 dias no paiol de pólvora do Exército, em Paracambi, sendo posteriormente forçado a ministrar suas aulas sob escolta armada. 

    O expurgo conjunto de Ubatuba, Haity Moussatché e Tito Cavalcanti desestruturou por completo a Divisão de Fisiologia e Farmacodinâmica do IOC.

    Atendendo a convite do governo da Venezuela, em 1970, instalou uma Unidade de Investigações em Ciências Fisiológicas na Universidad Experimental de la Región Centro-Occidental (UCO), em Barquisimeto. Ali realizou um antigo sonho científico, que foi a caracterização das saponinas esteroidais do sisal. O extrato do sisal servia de matéria-prima rica em intermediários para a síntese de hormônios esteroidais.

    Com o encerramento de seu contrato na UCO, no final de 1971, Ubatuba foi contemplado com uma bolsa na Inglaterra e indicou para substituí-lo na chefia da unidade em Barquisimeto seu colega de cassação, Haity Moussatché, que consolidou o projeto.

    Ubatuba integrou a equipe de elite do célebre farmacologista John Vane, participando diretamente das linhas de pesquisa sobre os peróxidos e hidroperóxidos do ácido araquidônico, o mecanismo de ação da aspirina e a descoberta e caracterização da prostaciclina (PGI2), uma nova prostaglandina produzida no endotélio vascular.

    O esforço científico coletivo culminou na concessão do Prêmio Nobel de Medicina a John Vane, em 1982, e inscreveu o nome de Fernando Ubatuba na história das maiores conquistas da farmacologia mundial.

    Com a abertura política e a Lei da Anistia, Ubatuba retornou ao Brasil em 1980, para reformular o Departamento de Farmacologia Médica da Universidade de Brasília (UnB). Em 1986, optou por permanecer na UnB, embora tenha sido formalmente reintegrado aos quadros da Fiocruz. O cientista faleceu em 2003.

    Haity Moussatché (1910–1998)

     


    Haity Moussatché discursando na Cerimônia de reintegração dos pesquisadores cassados à Fiocruz.
    Haity Moussatché discursando na Cerimônia de reintegração dos pesquisadores cassados à Fiocruz.
    Haity Moussatché discursando na Cerimônia de reintegração dos pesquisadores cassados à Fiocruz. SAH_DAD_COC_FIOCRUZ

    Nascido na Turquia e naturalizado brasileiro, Haity Moussatché graduou-se em medicina pela atual UFRJ. 

    Parte de sua formação inicial ocorreu no laboratório dos irmãos Álvaro e Miguel Ozório de Almeida, o principal centro de excelência em fisiologia e farmacologia do país na época. O local chegou a ser visitado por Albert Einstein, Marie Curie e Irène Joliot-Curie.

    Em 1934, após consolidar sua nacionalidade brasileira, Moussatché ingressou no Laboratório de Fisiologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Foi Moussatché que introduziu em Manguinhos o rigor da fisiologia experimental e da farmacodinâmica moderna.

    Com produção de mais de 200 artigos científicos ao longo de seis décadas, sua obra tornou-se referência global em áreas fundamentais da saúde pública e da ciência básica.

    Chefiou seções vitais no IOC entre as décadas de 1950 e 1960, realizando estudos pioneiros sobre a reação anafilática e a reatividade de músculos lisos e estriados.

    Ao lado de Maurício Rocha e Silva, integrou o grupo fundador da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A convite de Darcy Ribeiro, fez parte do grupo de trabalho responsável pelo planejamento da Universidade de Brasília (UnB). 

    Durante o exílio na Venezuela, trabalhou na Universidad Centro-Occidental Lisandro Alvarado, dando continuidade à pesquisa de Fernando Braga Ubatuba.

    Com a redemocratização, em 1985, Moussatché retornou ao Brasil e reorganizou o Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica da Fiocruz, áreas que haviam sido virtualmente desmanteladas após o expurgo. 

    Hugo de Souza Lopes (1909-1991)

    Hugo de Souza Lopes ingressou em Manguinhos em 1931, ainda estudante, como estagiário voluntário de Lauro Travassos. Ali, ao lado de nomes como Herman Lent, ajudou a consolidar um modelo de pesquisa baseado na observação rigorosa e na paixão pela diversidade biológica. 

    Médico veterinário de formação, permaneceu como voluntário não remunerado em Manguinhos por mais de uma década (1938-1949), movido somente pelo compromisso com a ciência.

    Com mais de 200 publicações, foi professor conferencista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, 1-A na época) e tornou-se a maior autoridade mundial na família Sarcophagidae, que são moscas conhecidas como moscas da carne. 

    Realizou mais de 1 mil criações de moscas em laboratório, descrevendo inúmeros gêneros e  espécies novas. Destacou-se também na malacologia (estudo dos moluscos) e na botânica, mantendo coleções vivas que serviam de base para seus orientandos.

    Em 1970, quando ocupava a chefia da Seção de Entomologia, Hugo de Souza Lopes foi cassado pelo AI-5 e viu-se impedido de entrar nos laboratórios que ajudou a construir.

    Apesar de tudo, foi para o Museu Nacional e para a Universidade Santa Úrsula, onde continuou a formar gerações de biólogos. Faleceu em 1991.

    Masao Goto (1919–1986)

    Nascido no Rio de Janeiro em 1919, Masao Goto formou-se em medicina pela Universidade do Brasil (atual UFRJ). Ingressou oficialmente em Manguinhos em 1944, por meio de concurso público, tornando-se pesquisador, professor e, posteriormente, chefe da Seção de Micologia.

    Especialista de renome internacional, Goto dedicou décadas ao estudo das micoses sistêmicas e superficiais, como a paracoccidioidomicose e a pitiríase, sendo o principal colaborador do eminente cientista Antônio Eugênio de Arêa-Leão. 

    No Hospital Evandro Chagas, teve atuação clínica em alergia e imunologia, unindo a pesquisa de bancada ao atendimento médico direto à população.

    Em 1970, em parceria com Moacyr Vaz de Andrade e Arêa-Leão, liderava uma das linhas de pesquisa mais promissoras da área no país: o estudo de metabólitos fúngicos com potencial ação analgésica para pacientes com câncer, cuja investigação já se encontrava em fase de testes clínicos, conduzidos no Hospital Mário Kroff e no Instituto do Câncer.

    A cassação política do grupo resultou na perda de todos os avanços científicos acumulados ao longo de anos.

    No exílio institucional, dedicou-se exclusivamente à clínica particular. Embora tenha sido oficialmente reintegrado em 1986, o destino impediu seu retorno físico aos laboratórios de Manguinhos: Masao Goto faleceu precocemente em decorrência de problemas cardíacos logo após a conquista da anistia, sem chegar a reassumir o seu cargo na instituição que ajudou a construir.

    Moacyr Vaz de Andrade (1920–2001)

    Nascido no Rio de Janeiro em 1920, Moacyr Vaz de Andrade se graduou em química pela Faculdade Nacional de Filosofia e obteve o título de doutor em 1951. Foi aluno do Curso de Aplicação do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), aprovado em concurso público para químico analista e contratado em 1943.

    No IOC, atuou como pesquisador e professor na Seção de Micologia, especializando-se em química e terapêutica de fungos. Sua reconhecida competência técnica e institucional levou-o a representar o Instituto na Comissão de Biofarmácia do Serviço Nacional de Fiscalização de Medicina e Farmácia do Ministério da Saúde.

    Teve o trabalho promissor com Masao Goto e Antônio Eugênio de Arêa-Leão interrompido em 1970, pelo “Massacre de Manguinhos”. Cassado pelo AI-5 e impedido de exercer funções públicas pelo AI-10, todo o projeto foi descontinuado e os avanços acumulados ao longo de anos foram completamente perdidos.

    Após a cassação, enfrentou um doloroso período de dois anos e meio de desemprego forçado. A partir de 1973, transferiu sua expertise para a iniciativa privada, onde chefiou o controle de qualidade de produtos farmacêuticos, alimentícios e dietéticos.

    Com a conquista da anistia, em 1986, foi reintegrado ao quadro de pesquisadores da Fiocruz, retornando ao Departamento de Micologia, onde trabalhou até 1997, quando se afastou por questões de saúde. Faleceu em 2001.

    Sebastião José de Oliveira (1918–2005)

     


    Cerimônia de reintegração dos pesquisadores cassados à Fiocruz. Da esquerda para direita: Hugo de Souza Lopes, Sebastião José de Oliveira, Fernando Braga Ubatuba e Massao Goto.
    Cerimônia de reintegração dos pesquisadores cassados à Fiocruz. Da esquerda para direita: Hugo de Souza Lopes, Sebastião José de Oliveira, Fernando Braga Ubatuba e Massao Goto.
    Cerimônia de reintegração dos pesquisadores cassados à Fiocruz. Da esquerda para direita: Hugo de Souza Lopes, Sebastião José de Oliveira, Fernando Braga Ubatuba e Massao Goto. SAH_DAD_COC_FIOCRUZ

    Nascido no Rio de Janeiro, em 1918, Sebastião José de Oliveira, pesquisador negro de Cascadura, formou-se em medicina veterinária em 1941, pela Escola Nacional de Veterinária (atual UFRRJ). Sob a orientação de Hugo de Souza Lopes e Lauro Travassos, ingressou no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), em 1939, como estagiário voluntário.

    Em 1944, iniciou as pesquisas que constituiriam o núcleo de estudos sobre os Chironomidae no IOC, dípteros que o fascinavam desde a infância, como moscas, mosquitos, varejeiras, pernilongos, borrachudos e mutucas. 

    Sebastião foi um pilar nas históricas expedições científicas lideradas por Lauro Travassos, participando ativamente da coleta de milhares de exemplares que hoje compõem a prestigiada Coleção Entomológica do IOC.

    Sua produção científica soma 123 trabalhos publicados, incluindo a descrição de quatro gêneros novos (Lopescladius, Brasixenos, Corytibacladius e Laurotanypus) e 70 espécies. O amplo reconhecimento internacional de sua obra foi selado pelo gênero Oliveriella e por outras dez espécies que receberam o epíteto oliveirai, em sua homenagem.

    Na década de 1960, o pesquisador alemão Ernst Josef Fittkau, após realizar expedições de coleta na Amazônia pelo convênio entre o Max Planck Institut e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), convidou Sebastião José de Oliveira para, juntos e com o amparo de uma bolsa de pesquisa, estudarem o material coletado.

    Essa colaboração, contudo, foi interrompida pelo Massacre de Manguinhos. 

    Somente 30 anos após o convite original, uma pesquisadora brasileira, Maria Conceição Messias, ex-aluna de Sebastião, pôde estudar esse material durante a preparação de sua tese de doutorado. O trabalho foi realizado sob a orientação conjunta de Fittkau e Oliveira, constituindo a primeira tese sobre taxonomia de Chironomidae defendida no Brasil.

    Impedido de trabalhar no setor público, o pesquisador prestou consultorias e serviços à iniciativa privada até ser reintegrado à Fiocruz, em 1986. No seu retorno, assumiu a docência e a curadoria da Coleção Entomológica. 

    Sua contribuição ao Estado do Rio de Janeiro expandiu-se também para a gestão pública, na qual atuou como Subsecretário Adjunto de Ciência e Tecnologia entre 1992 e 1993.

    Sebastião José de Oliveira faleceu em 16 de abril de 2005, deixando a afirmação da identidade negra na ciência brasileira.

    Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti (1905-1990)

    Natural de Taquaritinga (SP), Tito Arcoverde doutorou-se em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP). Sua carreira docente teve início na própria USP, onde foi assistente e chefe de laboratório. 

    Em 1939, após aprovação em concurso para a Faculdade de Odontologia da Universidade do Brasil, ingressou no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), em Manguinhos. Na instituição, exerceu liderança científica, atuando como pesquisador, professor e chefe da Divisão de Fisiologia e Farmacodinâmica.

    A competência de Tito Arcoverde Cavalcanti levou-o a ocupar cargos de alta relevância no cenário científico nacional. Cedido pelo IOC, colocou-se à disposição do CNPq, onde foi diretor do Setor de Pesquisas Biológicas, de 1955 a 1963, e membro do Conselho Deliberativo, de 1963 a 1966.

    Tito também colaborou com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Em 1959, retornou a Manguinhos, onde exerceu o cargo de diretor do Instituto Oswaldo Cruz entre 1960 e 1961 (cargo equivalente ao de presidente da Fiocruz).

    Sua produção científica teve forte impacto social, com foco em nutrição e saúde ocupacional. Destacam-se seus estudos pioneiros sobre o valor energético dos alimentos brasileiros; problemas alimentares em regiões específicas como a Amazônia, Maranhão e Piauí; saúde do trabalhador, com ênfase em pesquisas no setor de indústrias gráficas; estudos sobre águas minerais, que lhe renderam o prêmio da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo.

    Em 1986, após 16 anos de afastamento forçado, Tito Arcoverde foi reintegrado à Fiocruz. Já em idade avançada, retomou o trabalho ao lado de Haity Moussatché, dedicando-se à reorganização do Departamento de Fisiologia e Farmacodinâmica da instituição. Sua vida e obra permanecem como símbolos da resistência científica brasileira e da luta pela autonomia das instituições de pesquisa. Faleceu em 1990.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Usuários de trens mudam rotina por causa de greve da CPTM

    Usuários de trens mudam rotina por causa de greve da CPTM

    Com a greve dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) de São Paulo e a paralisação parcial das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade nesta quarta-feira (5), os usuários do transporte público precisaram reorganizar suas rotinas para chegar a tempo no trabalho e em outros compromissos. 

    É o caso de Giovanna Miranda, gerente de um condomínio na Berrini, zona oeste da capital paulista. A profissional contou à Agência Brasil que o trajeto de carro de sua casa para o trabalho leva, geralmente, 25 minutos. Nessa terça-feira (4), data em que foi iniciada a greve, ela levou 45 minutos para chegar ao trabalho. A volta para casa também foi complicada, o que a fez perder um curso online.

    “Eu perdi uma reunião na parte da manhã e precisei adiar alguns compromissos. Com isso, os funcionários acabaram acumulando trabalho e as pessoas tiveram que sair mais tarde”, disse.

    Quem também precisou alterar a rotina foi a cuidadora Alessandra Zuncare. Ela saiu de casa uma hora antes do normal para chegar a Santana, bairro da zona norte da cidade, além de ter enfrentado lotação na linha 3-Vermelha.

    “Acordei mais cedo para ler o noticiário e ver quais linhas estavam operando”, contou.

    Home office

    Algumas empresas dispensaram os funcionários do trabalho presencial em razão da greve. Na seguradora onde Janaína dos Reis trabalha, é adotado o modelo em que os funcionários são dispensados de ir trabalhar presencialmente e podem trabalhar em casa quando há greve no transporte público, diante da dificuldade dos funcionários em chegar ao escritório.  

    “Em greves passadas, eu posso te dizer que tanto o deslocamento de ida, quanto o de volta é muito ruim. As filas para conseguir entrar no metrô são muito longas. Houve uma certa vez que o metrô estava tão cheio, que quando a porta do vagão fechou, eu fiquei na beirada da plataforma. Qualquer movimento de uma pessoa atrás de mim e eu poderia ter caído”, contou.

    Congestionamento

    A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) aponta que a paralisação das linhas de trem provocou mais de 750 quilômetros de engarrafamento nesta quarta-feira (5) em toda a cidade. O congestionamento foi mais expressivo na zona sul, com 243 km de tráfego intenso. Na terça-feira, o congestionamento de veículos atingiu mais de 2 mil quilômetros.

    Greve

    Sindicato, governo do estado e CPTM têm audiência de conciliação nesta quarta-feira para decidir sobre a continuidade da greve. Os trabalhadores decidiram manter o movimento em assembleia ontem (4). 

    A categoria quer garantias formais da manutenção dos empregados que atuam diretamente nas das linhas 11, 12 e 13 – concedidas à empresa Trivia Trens em julho deste ano.

    *Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • João Fonseca supera Tsitsipas na estreia do Masters 1000 de Montreal

    João Fonseca supera Tsitsipas na estreia do Masters 1000 de Montreal

    O jovem tenista carioca João Fonseca cravou a primeira vitória da carreira na quadra de piso duro do Masters 1000 do Canadá, em Montreal, e de quebra encerrou um jejum de 11 anos sem triuinfos de brasileiros no torneio.  Nesta quarta-feira (5), o número 27 do mundo despachou o grego Stefanos Tsitsipas – ex- top 3 e atual 53º no ranking – por 2 sets a 0, com parciais de 7/6 (7/3) e 7/5, após 1h51min. O último brasileiro a vencer no Masters do Canadá foi Thomas Bellucci, em 2015.

    Foi a segunda vitória de João Fonseca, de 19 anos, em dois confrontos contra o grego – em setembro passado, o brasileiro já derrotara Tsitsipas em Atenas (Grécia) no qualifiers da Copa Davis, torneio entre nações. 

    O próximo adversário do carioca de 19 anos será o norueguês Casper Ruud (14º). O jogo será nesta quinta-feira (6), em horário ainda indefinido. Assim como João Fonseca, Ruud também estreou direto na segunda rodada do torneio. Ele passou fácil pelo argentino Juan Manuel Cerundolo (52º) com parciais de 6/1 e 6/2.

    O duelo contra Ruud pela terceira rodada pode ter clima de revanche, já que João Fonseca o eliminou nas oitavas de final de Roland Garros, com vitória por 3 sets a 1, há pouco mais de dois meses. Uma vitória importante que classificou pela primeira vez o jovem tenista às quartas de um Grand Slam.

    Estreias de brasileiros nas duplas

    No torneio de duplas masculinas, a parceria dos gaúchos Orlando e Rafael Matos disputa a primeira rodada nesta quinta (6) contra os italianos Simone Bolelli e Andrea Vavassori.

    A outra estreia será da dupla do mineiro Marcelo Melo com o alemão Alexander Zverev, número 3 do mundo. Eles enfrentarão os anfitriões Alexis Galarneau e Duncan Chan.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Governo de SP diz que não haverá demissões de funcionários da CPTM

    Governo de SP diz que não haverá demissões de funcionários da CPTM

    Em audiência de conciliação na tarde desta quarta-feira (5) entre sindicato, Companhia Paulista de Transporte Metropolitano (CPTM) e o governo de São Paulo, o estado apresentou a proposta de não demitir nenhuma trabalhador da empresa.

    “Estamos esclarecendo e reforçando as informações de que, ao contrário do que alega o sindicato, não há na CPTM nenhuma demissão em curso decorrente do processo de concessão”, destaca comunicado do governo estadual.

    O texto diz ainda que dos, 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 estão trabalhando atualmente na Linha 10-Turquesa. De acordo com a nota, os demais funcionários serão realocados para outros órgãos como o Metrô, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), entre outros.

    A manutenção dos empregos é uma das reivindicações da categoria e um dos motivos para a greve que paralisa parcialmente há dois dias as linhas 11, 12 e 13 da CPTM.

    Essas linhas foram concedidas à Trivia Trens em julho. Logo nos primeiros dias de funcionamento sob o comando da empresa privada, ocorreram diversos problemas técnicos, como o incêndio de uma composição com passageiros. A gravidade da situação fez com que o governo do estado colocasse os funcionários da CPTM de volta na operação das três linhas privatizadas. A intervenção da estatal tem duração de 90 dias.

    Os trabalhadores da CPTM fazem assembleia na tarde de hoje para decidir se aceitam a proposta do governo e encerram a greve.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Prêmio Grande Otelo 2026 destaca “Manas” e “O Agente Secreto”

    Prêmio Grande Otelo 2026 destaca “Manas” e “O Agente Secreto”

    Nesta terça-feira (4), ocorreu a cerimônia do Prêmio Grande Otelo 2026, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A premiação reconheceu o talento do audiovisual nacional, com a presença de artistas, cineastas e profissionais do setor, consagrando os principais destaques cinematográficos do último ano. 

    A edição de 2026 do Prêmio Grande Otelo celebrou as produções “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e “Manas”, de Marianna Brennand, como as grandes vencedoras da categoria de Melhor Longa-Metragem de Ficção, em um empate inédito. 

    Além disso, o longa “Homem com H”, cinebiografia de Ney Matogrosso, foi o destaque desta edição do Prêmio Grande Otelo 2026, com seis troféus. Na sequência, a produção “Manas” conquistou cinco prêmios: Melhor Longa-Metragem de Ficção, Melhor Atriz Coadjuvante (Dira Paes), Melhor Direção (Marianna Brennand) e Melhor Roteiro Original. 


    Brasília (DF), 01/07/2026 - A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, durante apresentação dos resultados do programa Brasil Digital, iniciativa que vem ampliando o acesso da população brasileira à TV pública, educativa e legislativa em sinal digital aberto e gratuito. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Brasília (DF), 01/07/2026 - A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, durante apresentação dos resultados do programa Brasil Digital, iniciativa que vem ampliando o acesso da população brasileira à TV pública, educativa e legislativa em sinal digital aberto e gratuito. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
    Para Antonia Pellegrino, presidenta da EBC, uma das roteiristas do Manas, o filme é um expoente da nova safra do cinema brasileiro, reconhecido pelo público e pela crítica, no Brasil e no mundo – Foto – Marcelo Camargo/Agência Brasil.

    A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, foi premiada pela Academia Brasileira de Cinema, pelo roteiro original do filme “Manas”. Pellegrino é uma das roteiristas do longa-metragem, escrito em parceria com Felipe Sholl, Marcelo Grabowsky, Marianna Brennand, Carolina Benevides e Camila Agustini.

    Para ela, “Manas” é um expoente da nova safra do cinema brasileiro, reconhecido pelo público e pela crítica, no Brasil e no mundo. “Me alegra fazer parte deste movimento glorioso do nosso audiovisual, ainda mais com Manas, um filme marcado pela presença feminina na liderança”, afirma.  

    Antonia Pellegrino também acrescenta que “receber o prêmio Grande Otelo de Melhor Roteiro Original, junto com os meus colegas, é uma grande honra, por se tratar o maior reconhecimento que o audiovisual brasileiro oferece ao setor”. 

    Prêmio Grande Otelo 

    O Prêmio Grande Otelo (anteriormente chamado de Grande Prêmio do Cinema Brasileiro) é a mais importante honraria do audiovisual nacional, organizada anualmente pela Academia Brasileira de Cinema. Em 2026, a premiação, considerada o “Oscar do cinema brasileiro”, chegou à sua 25ª edição. 

    Além das produções cinematográficas, o Prêmio Grande Otelo também celebra e reconhece a excelência de profissionais, cineastas e atores de séries, contribuindo para o fortalecimento e a visibilidade da indústria audiovisual do país.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Bolsonaro pede ao STF para receber os filhos no Dia dos Pais

    Bolsonaro pede ao STF para receber os filhos no Dia dos Pais

    O ex-presidente Jair Bolsonaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para receber a visita de seus filhos no próximo domingo (9) para comemorar o Dia dos Pais.

    Bolsonaro está em prisão domiciliar e quer autorização para receber os filhos Carlos, Jair Renan e Flávio Bolsonaro.

    Em petição enviada ao ministro Alexandre de Moraes, os advogados do ex-presidente afirmaram que a visita terá “caráter humanitário” para preservar os vínculos familiares. Bolsonaro está proibido de receber visitas na prisão domiciliar pelo prazo de 30 dias, que acaba em 17 de agosto.

    No mês passado, a medida foi determinada pelo ministro após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. Bolsonaro está proibido de usar a internet, inclusive por meio de terceiros, durante a prisão domiciliar. 

    Na mesma decisão, Moraes acrescentou que Bolsonaro está proibido de receber visitas com finalidade político-eleitoral até o término das eleições de outubro.

    O ex-presidente também não pode divulgar manifestos eleitorais, inclusive por meio de terceiros, por qualquer meio de divulgação.

    No ano passado, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo de trama golpista. Em seguida, após passar por uma cirurgia, ele ganhou o direito de cumprir prisão domiciliar. O ex-presidente se recupera de uma pneumonia bacteriana.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Milei faz nova tentativa de ampliar venda de terras a estrangeiros

    Milei faz nova tentativa de ampliar venda de terras a estrangeiros

    O governo de Javier Milei tenta votar novamente no Senado, nesta quinta-feira (6), projeto de lei que altera os limites para estrangeiros comprarem terras na Argentina. Oposição e setores sociais acusam governo de “entreguismo” e convocaram protestos para o momento da votação.

    O Senado argentino vinha resistindo a votar a proposta original da Casa Rosada de acabar com qualquer limite para compra de terras por estrangeiros, que atualmente é de 15% nos níveis nacional, provincial e municipal.

    Devido à dificuldade em avançar com a matéria, o governo Milei apresentou, nessa terça-feira (4), uma proposta mais moderada, que amplia o limite para 25% por província do país.

    Em meados de julho, o governo argentino tentou votar o tema no Senado, mas o projeto foi retirado de pauta por falta de apoio. A Casa Rosada defende o fim do limite previsto em lei de 2011 alegando que a restrição impediria os investimentos internacionais no país.

    “[A legislação] implicava uma limitação irrazoável que, longe de constituir uma verdadeira proteção, levava a um condicionamento e desincentivo ao investimento internacional, principalmente no setor agrícola, um dos principais setores produtivos do país”, diz comunicado do governo argentino enviado ao Senado, em março deste ano. 

    Milei já havia tentado derrubar a restrição, por meio de decreto presidencial, assim que assumiu o poder, em dezembro de 2023. Porém, a mudança foi suspensa pelo Poder Judiciário, levando a Casa Rosada a buscar alterar a regra via Legislativo.

    A organização não governamental (ONG) Observatório de Terras da Argentina, que reúne pesquisadores contrários à mudança, calcula que quase 5% das terras do país estão em mãos de estrangeiros, o que representa 13 milhões de hectares, área equivalente ao tamanho da Inglaterra.

    Segundo o observatório, 36 departamentos superam o limite legal de 15%, como Lácar (Neuquén), General Lamadrid (La Rioja) y Molinos y San Carlos (Salta), cujo percentual de terras em mãos estrangeiras supera 50%.

    Colonialismo

    A organização argumenta que a mudança coloca em risco o acesso do povo argentino a rios, lagos e nascentes, o que representaria um estatuto “colonial”.

    “Esta reforma visa facilitar dinâmicas de apropriação e concentração que podem envolver o controle sobre extensas áreas de terra e recursos naturais estratégicos, sem necessariamente gerar uma circulação local das rendas obtidas”, diz informe da ONG. 

    Assinado pelos especialistas Pablo Volkind, Matías Oberlin y Julieta Caggiano, o informe acrescenta que o texto é um atentado à soberania nacional que põe os recursos naturais do país a serviço de corporações estrangeiras.

    “Isso só aumentará o conflito social em cada um dos territórios onde for implementado. Como já apontamos, a Lei de Propriedade Estrangeira, promovida por Federico Sturzenegger [ministro da Desregulação e Transformação] em nome do governo nacional, é apresentada como um novo marco legal para o colonialismo”, concluem os especialistas.

    Segundo o governo MIlei, a mudança não afetaria a soberania porque proíbe a venda de terras para Estados estrangeiros, permitindo apenas para a iniciativa privada.

    Defesa da propriedade privada

    O projeto que amplia o limite para venda de terras argentinas a estrangeiros faz parte de um pacote mais amplo de mudanças legislativas defendidas pelo governo argentino, chamada de Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada.

    O pacote tem medidas que, entre outras mudanças, aceleram os processos de despejos, dificultam as expropriações estatais e reduzem as restrições para venda de áreas protegidas ambientalmente após incêndios florestais.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • BID amplia para US$ 4 bilhões o fundo para segurança na América Latina

    BID amplia para US$ 4 bilhões o fundo para segurança na América Latina

    A demanda dos países da América Latina e do Caribe por recursos para segurança pública surpreendeu o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), levando-o a ampliar de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões o volume de financiamento destinado a projetos de combate à violência e ao crime organizado entre 2026 e 2028.

    O anúncio foi feito nesta quarta-feira (5), durante a abertura da Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento, no Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.

    Segundo o presidente do BID, Ilan Goldfajn, quase 60% das metas previstas para três anos da iniciativa já foram alcançadas em apenas um ano. Ele atribuiu a ampliação dos recursos à forte demanda dos países da região, onde a segurança pública se tornou uma das principais preocupações dos governos.

    Goldfajn destacou que, embora a América Latina concentre cerca de 8% da população mundial, ela responde por aproximadamente 33% dos homicídios registrados no planeta.

    Descapitalizar o crime

    O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, defendeu a ampliação da cooperação internacional e o compartilhamento de informações para combater organizações criminosas transnacionais.

    Segundo Lima e Silva, o combate ao crime não pode se limitar às manifestações finais da violência, sendo necessário concentrar esforços também na desarticulação financeira das facções criminosas.

    O ministro destacou que as estruturas criminosas se adaptaram à globalização, passaram a operar em rede e utilizam os sistemas financeiros internacionais para movimentar recursos com rapidez.

    Interpol

    A cúpula também marcou a entrada da Interpol na Força-Tarefa de Resposta Rápida Contra a Violência e o Crime Organizado, mecanismo criado para oferecer assistência técnica especializada e apoio a países que enfrentem crises ou ameaças emergenciais.

    O secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, afirmou que segurança, justiça e desenvolvimento devem ser tratados de forma integrada e que a nova parceria permitirá ampliar a capacidade de resposta dos países da região por meio de missões técnicas, intercâmbio de conhecimento e fortalecimento operacional.

    Acordo entre BID e Brasil

    Durante o encontro, o BID e o governo brasileiro assinaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação no enfrentamento ao crime organizado. O acordo prevê até R$ 5 bilhões em recursos para apoio técnico e financeiro ao Programa Brasil contra o Crime Organizado.

    Os investimentos serão direcionados à qualificação da investigação de homicídios, fortalecimento da segurança nos presídios, combate financeiro às organizações criminosas e enfrentamento ao tráfico de armas, munições e explosivos.

    Aliança

    Criada para promover respostas coordenadas aos desafios de segurança da América Latina e do Caribe, a Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento reúne 23 países-membros e 14 parceiros estratégicos.

    A iniciativa busca impulsionar investimentos e apoiar políticas voltadas à prevenção da violência, fortalecimento institucional, modernização dos sistemas de justiça e combate aos mercados ilícitos.

    Durante a cúpula, o Brasil assumiu a presidência temporária do grupo pelos próximos 12 meses.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Entenda o que é o ciclone bomba que pode atingir o Sul do país

    Entenda o que é o ciclone bomba que pode atingir o Sul do país

    A passagem de um sistema de baixa pressão, a partir desta quinta-feira (6), sobre o norte da Argentina e o Paraguai pode dar origem a um ciclone extratropical com características mais intensas, o chamado ciclone bomba.

    Segundo o astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Micael Cecchini, o sistema de baixa pressão ocorre quando uma massa de ar muito fria se aproxima de outra massa de ar quente e a diferença de temperatura causa uma rápida diminuição da pressão entre elas.

    Na prática, isso causa um ciclone, que para ser considerado bomba, ou ciclogênese explosiva, que é o nome científico do fenômeno, precisa apresentar uma queda na pressão atmosférica, a partir de 24 hPa (milibares) em um período de 24 horas.

    “Milibares é a unidade de pressão que a gente usa para medir a pressão atmosférica”, explica Micael Cecchini.

    A previsão é de que isso ocorra na passagem do sistema pela região entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul, no Brasil.

    Como a pressão é mais baixa e a diferença de temperatura é mais intensa nos casos de formação de ciclone bomba, então as tempestades se formam na divisa entre as duas massas.

    “A massa de ar frio avança por baixo da massa de ar quente, porque ela é mais densa, e aí faz o ar quente subir, e é o que forma as nuvens e as tempestades. Se a diferença de temperatura é grande, essa ascensão vai ser mais intensa.”

    Saiba mais sobre a previsão do tempo no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

    Intensidade

    A consequência são tempestades mais intensas, com descarga elétrica e possibilidade de granizo. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), se a previsão se confirmar isso deve ocorrer a partir de amanhã e até sábado (8). 

    As imagens de satélite apontam que os ventos mais intensos devem ocorrer principalmente sobre o Oceano Atlântico, com velocidade que pode superar 100 quilômetros por por km/h.

    Na faixa costeira dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são esperadas rajadas de vento superiores a 60 km/h.

    Conforme o ciclone se desloque em direção ao Oceano Atlântico, no sentido sudeste, e se afaste da região costeira, uma frente fria associada ao fenômeno deve passar sobre a Argentina e o Sul do Brasil.

    A previsão é de que a entrada de uma massa de ar frio provoque a queda das temperaturas.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original