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  • Museu do Folclore recebe bordados do Vale do Jequitinhonha

    Museu do Folclore recebe bordados do Vale do Jequitinhonha

    Ao visitar a mostra Arte têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG, o público poderá ver de perto tecidos em algodão feitos manualmente com bordados e acabamentos ponto a ponto, típicos dessas duas cidades mineiras.

    A mostra gratuita ocorre até 29 de novembro no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular no Museu de Folclore Edison Carneiro, no Catete, Rio de Janeiro. Os visitantes poderão conhecer e comprar diversas peças.

    Marca da região, a arte têxtil atravessa séculos. Os itens de cama, mesa e vestuário trazem combinação de cores e acabamentos em crochê. A tecelagem, o bordado, a cerâmica e os trabalhos em couro e madeira são definidos como saberes e fazeres expressados ancestrais.


    Rio de Janeiro (RJ), 17/09/2026 – A mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha –  Jequitinhonha, MG, exibe bordados no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Museu do Folclore Edison Carneiro, no Catete. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 17/09/2026 – A mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha –  Jequitinhonha, MG, exibe bordados no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Museu do Folclore Edison Carneiro, no Catete. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Peças da mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG. Fernando Frazão/Agência Brasil

    Segundo a historiadora Ana Lima Kallás, responsável pela pesquisa de campo e o texto do catálogo, sobre bordados em peças para decoração, vestuário e diversos outros trabalhos manuais, o visitante encontra panorama documental único. 

    “A arte têxtil do Jequitinhonha é menos conhecida apesar de ser uma arte muito antiga naquele território. O bordado assumiu um lugar mais importante nessa produção têxtil do que os tecidos, há mais bordadeiras que tecelãs.”

    Ana Lima explica que a mostra chama o público a refletir sobre os impactos destrutivos dos empreendimentos naquela região, como o plantio extensivo de eucalipto que diminuiu a área da cultura de algodão na agricultura familiar.

    De acordo com ela, a mostra traz também o debate de gênero, porque o bordado foi sempre associado, num olhar patriarcal, a uma atividade doméstica das mulheres. 

    “Hoje há uma mudança significativa nesse cenário. Com a formação das associações de artesãs, esse trabalho deixou de ser visto apenas como uma atividade doméstica e passa a ser visto como uma atividade profissional que gera a renda principal.”

    O Vale do Jequitinhonha está localizado na porção nordeste de Minas Gerais e abrange também uma pequena parte do sudeste da Bahia. É formado por três porções: alto, médio e baixo. Turmalina e Veredinha estão situadas no Alto Jequitinhonha.

    Arte familiar


    Rio de Janeiro (RJ), 17/09/2026 – As artesãs Maria Aparecida das Graças Oliveira, Monique Sthefany Rodrigues Sobrinho e Ilma Gonçalves de Oliveira na mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha –  Jequitinhonha, MG, que exibe seus bordados no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Museu do Folclore Edison Carneiro, no Catete. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 17/09/2026 – As artesãs Maria Aparecida das Graças Oliveira, Monique Sthefany Rodrigues Sobrinho e Ilma Gonçalves de Oliveira na mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha –  Jequitinhonha, MG, que exibe seus bordados no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Museu do Folclore Edison Carneiro, no Catete. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    As artesãs Maria Aparecida das Graças Oliveira, Monique Sthefany Rodrigues Sobrinho e Ilma Gonçalves de Oliveira na mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG. Fernando Frazão/Agência Brasil

    A arte têxtil acompanha a vida de Maria Aparecida das Graças Oliveira, presidente da Associação de Artesãos de Turmalina (Astur). Cresceu ajudando mãe, avós e tias no ofício.

    “Desde cedo cresci com tecidos e bordados ao redor. Primeiro, eu ajudava a preparar o algodão para fazer o fio e depois tecer. Nos tecidos mais grossos, minha mãe fazia as iniciais de todos com ponto cruz, ela falava ponto de marca, para identificar os donos de cada item.”

    Para Maria Aparecida, que vem pela primeira vez ao Rio de Janeiro, a oportunidade de expor o trabalho das artesãs simboliza um momento especial para ampliar a visibilidade da arte têxtil do Jequitinhonha.

    Mobilização

    Ilma Gonçalves de Oliveira, presidente da Associação Comunitária dos Artesãos de Turmalina (Soarte), conta que a mobilização de mulheres e a consequente importância da geração de renda do artesanato no Vale do Jequitinhonha é um aspecto a ser ressaltado.

    “Percebo que aqui, não apenas no nosso município, Turmalina, mas no Vale do Jequitinhonha como um todo, o artesanato representa uma renda necessária. Garante o sustento de famílias.” 

    A pesquisadora Ana Lima entrevistou 40 mulheres para a montagem da exposição que retrata Turmalina e Veredinha. O associativismo forma uma força coletiva de especial significado entre as artesãs. 

    Pensam e agem coletivamente na compra de insumos, na participação em eventos, na venda, no desenvolvimento de novas coleções, na participação em cursos de capacitação, na busca coletiva por soluções aos desafios colocados.


    Rio de Janeiro (RJ), 17/09/2026 – A mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha –  Jequitinhonha, MG, exibe bordados no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Museu do Folclore Edison Carneiro, no Catete. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 17/09/2026 – A mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha –  Jequitinhonha, MG, exibe bordados no Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, no Museu do Folclore Edison Carneiro, no Catete. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Peça da mostra Arte Têxtil de Turmalina e Veredinha – Jequitinhonha, MG – Fernando Frazão/Agência Brasil

    Serviço

    Local: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular | Museu de Folclore Edison Carneiro – Rua do Catete, 179. Catete – RJ. Tel. 21 3032.6052.

    Dias e horários de visitação: Terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h. Entrada franca.

    Realização: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan) | Associação Cultural de Amigos do Museu do Folclore Edison Carneiro (Acamufec).

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Justiça Federal paralisa atividade de mina de lítio em Minas Gerais

    Justiça Federal paralisa atividade de mina de lítio em Minas Gerais

    A Justiça Federal em Minas Gerais determinou a suspensão das licenças ambientais e a consequente paralisação das atividades no complexo minerário Grota do Cirilo, operado pela Sigma Mineração S.A. nos municípios de Itinga e Araçuaí, região do Vale do Jequitinhonha.

    O juiz federal Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, da Vara Cível de Teófilo Otoni, atendeu a pedido da Federação da Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, que acusa o empreendimento de fraude nos estudos de impacto ambiental.

    O magistrado estipulou multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento da suspensão das atividades. Ele justificou a medida diante do risco de dano irreversível às comunidades tradicionais.

    “O perigo de dano reside no fato de que o complexo de mineração opera de forma contínua, extraindo recursos e promovendo constantes detonações de explosivos e movimentação de terras a poucos quilômetros de distância do território tradicional.”

    Argumentos

    Em resumo, a federação argumenta que ao menos três comunidades quilombolas – Baú, Genipapo Pintos e Jenipapo II – encontram-se dentro da zona de impacto direto, mas não foram consultadas sobre o empreendimento, etapa obrigatória para a emissão das licenças ambientais.

    A atividade minerária no projeto Grota do Cirilo começou em 2023, em meio aos projetos do chamado Vale do Lítio, como é chamada a região em que é extraído esse tipo de minério fundamental para diversas indústrias, em especial as de eletrônicos e de baterias.

    A federação quilombola alega que a Sigma Mineração subestimou a distância da atividade minerária em relação às comunidades tradicionais, de modo a acelerar a obtenção das licenças ambientais por parte dos órgãos ambientais de Minas Gerais.

    Em sua defesa, a empresa alega que as comunidades citadas estão fora do raio de oito quilômetros que obriga a consulta antes da concessão do licenciamento ambiental, conforme dados de georreferenciamento anexados ao processo.

    Consultado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) apresentou dados de demarcação segundo os quais a Comunidade do Baú, por exemplo, dista apenas 2,3 km da área diretamente afetada, situando-se assim dentro da área de proteção legal.

    Pela decisão da Justiça Federal, uma nova perícia deve ocorrer para esclarecer as discrepâncias entre os diferentes dados de georreferenciamento. Enquanto, qualquer atividade minerária deve ser imediatamente interrompida.

    O magistrado responsável escreveu que a mineração no local sem a devida consulta às comunidades impactadas “representa uma lesão diária, cumulativa e crônica à integridade física e sociocultural do grupo tradicional, justificando a imediata paralisação corretiva”.

    Multa

    De acordo com os autos do processo, desde que começou a operação na Grota do Cirilo, a Sigma foi multada em R$ 2 milhões pelo governo mineiro pelo descumprimento de condicionantes ambientais.

    A empresa concordou em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para corrigir as falhas e continuar a atividade minerária. O juiz Antônio Lúcio Túlio de Oliveira Barbosa, proibiu o governo mineiro de firmar qualquer acordo do tipo, sob pena de R$ 100 mil de multa.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original