Tag: União Europeia

  • Observadores internacionais chegam ao Brasil para monitorar eleições

    Observadores internacionais chegam ao Brasil para monitorar eleições

    Delegações de organizações internacionais convidadas como observadoras independentes do processo eleitoral brasileiro já começaram a chegar ao Brasil. O objetivo é que essas instituições avaliem a integridade, a eficácia operacional e o cumprimento estrito das normas eleitorais.

    Mais de 140 observadores de sete organizações internacionais vão acompanhar a preparação, a votação e a apuração nesse domingo (4):

    1. Organização dos Estados Americanos (OEA);
    2. Parlamento do Mercosul (Parlasul);
    3. União Europeia;
    4. Liga dos Estados Árabes (LEA);
    5. Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (Roaje-CPLP);
    6. União Interamericana de Organismos Eleitorais (Uniore); e
    7. Rede Mundial de Justiça Eleitoral (RMJE).

    OEA

    Só a Missão de Observação Eleitoral da OEA é composta por 91 observadores de 23 países e vão acompanhar o processo eleitoral em 20 estados e no Distrito Federal.

    O grupo é chefiado pelo ex-secretário-geral da OEA e ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, José Miguel Insulza. Hoje, parte da delegação se reuniu com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.

    Na quarta-feira (30), os observadores se encontraram com técnicos e com integrantes da campanha do senador Flávio Bolsonaro.

    Segundo a OEA, entre os integrantes da delegação há especialistas com capacidade de observar aspectos como organização e logística eleitoral, implementação de tecnologia, justiça eleitoral, financiamento político e eleitoral, violência, campanhas, mídia, comunicação digital, entre outros temas.

    Parlasul

    A Missão de Observação Eleitoral do Parlamento do Mercosul (Parlasul) chegou ao Brasil no dia 29 de setembro. O grupo, chefiado pelo parlamentar argentino Raul Bittel, se reuniu com consultores legislativos do Senado Federal e com o chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim.

    O Parlasul destacou que a Missão terá caráter técnico, neutro e não intervencionista e que vai respeitar “a soberania nacional, a legislação eleitoral brasileira e as atribuições das autoridades competentes, em conformidade com os princípios de independência, objetividade, transparência e imparcialidade que orientam a observação eleitoral internacional”.

    Afirmou ainda que as informações coletadas serão sistematizadas em um relatório técnico, que apresentará eventuais recomendações destinadas ao aprimoramento dos procedimentos eleitorais e ao intercâmbio de boas práticas entre os países da região.

    The Carter Center

    Observadores da organização The Carter Center também já estão no Brasil e se reuniram com integrantes do TSE. A delegação é liderada pela consultora sênior do The Carter Center para a América Latina e o Caribe, Jennie Lincoln, e conta com outros quatro observadores de Portugal, Alemanha e Estados Unidos.

    Segundo a organização, os observadores vão se concentrar em aspectos como tecnologia eleitoral, marco jurídico da administração eleitoral e educação do eleitor.

    “Dada a importância dessas eleições — não apenas para o Brasil, mas para todo o hemisfério —, esperamos que nossa missão fortaleça a transparência do processo eleitoral e ajude os brasileiros a avaliar a integridade de suas eleições”, disse Jennie Lincoln.

    The Carter Center é uma organização sem fins lucrativos fundada pelo ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter e pela ex primeira-dama Rosalynn Carter. Tem como principais objetivos a promoção da democracia, resolução de conflitos e promoção da saúde global.

    Missões de Observadores Nacionais

    Além das organizações internacionais convidadas formalmente, entidades nacionais da sociedade civil e governos estrangeiros também poderão participar como observadores nas eleições, desde que tenham feito um pedido ao TSE.

    Instituições como o Transparência Eleitoral Brasil, Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) e a Universidade Federal da Integração Latino-Americana estão entre os credenciados para atuarem como observadores eleitorais.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • União Europeia sinaliza retomada de compras de frango e mel do Brasil

    União Europeia sinaliza retomada de compras de frango e mel do Brasil

    Suspensas desde 3 de setembro, as exportações de frango e de mel para a União Europeia (UE) podem ser retomadas no curto prazo. A indicação foi dada nesta quarta-feira (30) pelo comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, durante reunião com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em Milwaukee, nos Estados Unidos.

    O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros de Comércio do G20. O grupo é formado pelas 19 maiores economias do planeta, mais União Europeia e União Africana.

    Segundo nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o representante europeu mencionou o resultado positivo de uma auditoria realizada recentemente no Brasil e afirmou que, após a conclusão dos procedimentos burocráticos, os embarques de carne de aves e mel para os países do bloco poderão ser retomados no curto prazo.

    Decisão técnica

    A decisão final sobre a retomada das exportações será analisada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia. A reunião técnica está prevista para os dias 20 e 21 de outubro.

    O Ministério da Agricultura pediu que o relatório da auditoria seja incluído na pauta do comitê. Na avaliação divulgada nesta semana, a Comissão Europeia considerou satisfatório o sistema brasileiro de produção nas cadeias de aves e mel e concluiu que o país apresenta condições para cumprir as exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos.

    Durante a fiscalização, os auditores verificaram, entre outros pontos, os controles brasileiros que impedem o uso de antimicrobianos para estimular o crescimento dos animais ou aumentar o rendimento da produção.

    Carne bovina

    O governo brasileiro também tenta obter um procedimento acelerado para a retomada das exportações de carne bovina. Segundo a nota divulgada após a reunião, os representantes brasileiros manifestaram a expectativa de que o mesmo tratamento dado às cadeias de aves e mel possa ser aplicado à proteína bovina.

    A situação, porém, envolve exigências adicionais. No caso da carne bovina, a comprovação do controle sanitário depende do acompanhamento de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate. Esse processo de rastreabilidade pode levar até dois anos, o que torna a reversão da restrição mais complexa.

    A carne bovina também representa uma parcela relevante das exportações brasileiras de proteína animal destinadas ao mercado europeu.

    Suspensão das vendas

    A União Europeia retirou o Brasil da lista de países considerados em conformidade com as regras do bloco para o uso de determinados antimicrobianos na produção pecuária. As substâncias podem ser utilizadas no tratamento de infecções em animais, mas a legislação europeia proíbe seu uso para estimular o crescimento.

    A suspensão das importações entrou em vigor em 3 de setembro e atingiu produtos como carne bovina, suína e de frango, além de mel, pescados, ovos e outros itens de origem animal.

    Desde então, o governo brasileiro mantém negociações com autoridades europeias para reverter as restrições. A auditoria realizada neste mês nas cadeias de aves e mel foi considerada um passo positivo, mas não determina, por si só, a retomada das compras.

    Outros produtos

    Na reunião em Milwaukee, os ministros brasileiros e o comissário europeu também discutiram as restrições da União Europeia às importações de aço.

    De acordo com o governo brasileiro, o bloco está revisando a distribuição das cotas para produtos siderúrgicos. A mudança poderá abrir espaço para o Brasil, embora o processo ainda tenha etapas adicionais previstas para 2027.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • UE suspende carnes do Brasil; entenda impacto e próximos passos

    UE suspende carnes do Brasil; entenda impacto e próximos passos

    A União Europeia (UE) começou nesta quinta-feira (3) a suspensão da entrada de produtos de origem animal do Brasil em seus 27 países-membros. A medida atinge carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos, e pode afetar até US$ 2 bilhões por ano em exportações brasileiras.

    O bloqueio, porém, não é necessariamente definitivo: o Brasil tenta comprovar que atende às exigências europeias. Além disso, uma auditoria da UE avalia as cadeias de frango e mel no país.

    A restrição ocorre porque o bloco considera insuficientes os mecanismos brasileiros de controle do uso de antimicrobianos na produção animal. A União Europeia não identificou casos de contaminação ou irregularidades sanitárias em lotes brasileiros. 

    O que foi suspenso?

    A partir desta quinta-feira, novas cargas dos produtos afetados não podem entrar no mercado dos 27 países da União Europeia.

    Estão incluídos:

    • carne bovina;
    • carne de frango;
    • carne suína;
    • mel;
    • pescados;
    • ovos.

    A medida atinge principalmente os segmentos de carne bovina e de frango, que têm participação relevante nas exportações brasileiras para o mercado europeu.

    Por que a UE bloqueou?

    A União Europeia detém regras próprias para o uso de antimicrobianos na criação de animais.

    Esses medicamentos podem ser usados para tratar infecções, mas o bloco proíbe o emprego para estimular o crescimento dos animais. Também não permite que sejam utilizados em animais antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em seres humanos.

    A avaliação europeia é de que o sistema brasileiro de controle dessas substâncias não oferece garantias suficientes para comprovar o cumprimento das regras.

    O governo brasileiro, por sua vez, contesta esse entendimento e afirma que a legislação nacional já restringe o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, seguindo referências internacionais.

    É um problema sanitário?

    Não. Essa é uma das principais dúvidas provocadas pela decisão.

    O bloqueio europeu não foi anunciado após a identificação de contaminação ou de um problema sanitário específico em carnes brasileiras. A questão está relacionada aos mecanismos de controle e rastreabilidade do uso de antimicrobianos.

    Dessa forma, a medida não significa que a carne brasileira tenha sido considerada imprópria para consumo.

    O Brasil exporta produtos de origem animal para dezenas de países e continua autorizado a vender para outros mercados que mantenham a habilitação dos produtos brasileiros.

    Quanto o Brasil pode perder?

    O impacto potencial estimado chega a US$ 2 bilhões por ano considerando os produtos afetados.

    Somente a carne bovina respondeu por aproximadamente US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras para a UE em 2025, segundo os dados apresentados no material.

    Embora o mercado europeu represente uma parcela limitada do total das exportações brasileiras de carne bovina, ele é considerado estratégico porque compra cortes de maior valor agregado.

    O problema para o setor não é apenas encontrar outro comprador. Diferentes mercados costumam demandar cortes específicos, o que dificulta substituição imediata das vendas destinadas à Europa.

    O que o Brasil fez?

    O governo brasileiro vem negociando com a União Europeia desde que a medida foi anunciada.

    Entre as providências adotadas estão:

    • proibição de determinados antimicrobianos;
    • criação de mais regras de controle;
    • proposta de um período de transição, rejeitada pela UE;
    • Elaboração de um protocolo de rastreabilidade;
    • comprovação do controle sobre o uso dessas substâncias durante a produção.

    O novo protocolo prevê o acompanhamento do animal desde o nascimento até o abate, permitindo comprovar que determinados antimicrobianos não foram usados durante sua vida.

    Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), todas as empresas associadas e habilitadas a exportar para a União Europeia já aderiram ao protocolo privado desenvolvido pelo setor.

    Quando o bloqueio pode acabar?

    A suspensão pode ser revertida, mas não há uma data definida para a retomada das exportações.

    Esta semana, técnicos da União Europeia promovem uma auditoria no Brasil sobre as cadeias de produção de frango e mel. A inspeção deve terminar nesta sexta-feira (4).

    Depois, o resultado ainda precisará ser analisado pelas autoridades europeias. Esse processo pode levar cerca de dois meses.

    Se a UE considerar que as exigências foram atendidas, o Brasil poderá ser reincluído na lista de países autorizados a exportar.

    E a carne bovina?

    Para a carne bovina, a retomada pode ser mais demorada.

    Isso ocorre porque o novo sistema exige rastreamento durante todo o ciclo de vida do animal. Um bovino que passe a seguir as novas regras hoje pode levar entre 24 e 36 meses até chegar ao abate.

    Portanto, mesmo que a UE reverta o bloqueio, a adaptação da cadeia bovina às novas exigências pode levar anos.

    No caso do frango, o ciclo produtivo é bem menor: aproximadamente 45 dias entre o nascimento e o abate.

    O que acontece com frango?


    Frangos
    Frangos
    Brasil exporta carne de frango para cerca de 150 países. Foto: Arquivo/Agência Brasil

    O setor avícola espera que as vendas para a União Europeia possam ser retomadas ainda em 2026, dependendo do resultado da auditoria.

    Caso o bloqueio permaneça, a produção que seria destinada aos europeus poderá ser destinada ao mercado brasileiro, a países do Oriente Médio e a outros mercados internacionais.

    O Brasil exporta carne de frango para cerca de 150 países, o que oferece alternativas para parte da produção.

    E o mel?

    O mel também entra na suspensão. As exportações brasileiras para a União Europeia dobraram no primeiro semestre de 2026, chegando a US$ 6,3 milhões, segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel).

    O crescimento ocorreu em parte porque as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos tornaram aquele mercado mais caro para os exportadores brasileiros, levando empresas a direcionar vendas para a Europa.

    Um dos riscos avaliados pelo setor é a chamada contaminação cruzada. Ela pode ocorrer, por exemplo, quando colmeias ficam próximas de áreas de criação de animais onde determinados produtos são usados.

    Consumidor brasileiro será afetado?

    A suspensão é direcionada às exportações para a União Europeia, e não significa interrupção da produção ou comercialização desses produtos no Brasil.

    Caso parte da produção inicialmente destinada à Europa seja redirecionada ao mercado interno, poderá haver aumento da oferta doméstica de determinados produtos.

    Isso, no entanto, não significa que os preços cairão no mercado interno. O efeito dependerá de fatores como volume redirecionado, demanda interna e capacidade de absorção do mercado.

    E os outros países?

    O bloqueio não atinge automaticamente todos os parceiros comerciais do Brasil.

    Argentina, Paraguai e Uruguai, por exemplo, continuam autorizados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia.

    A decisão também ocorre em meio às discussões comerciais entre o bloco europeu e o Mercosul. Por isso, representantes do agronegócio brasileiro classificam a medida de protecionista, enquanto autoridades europeias sustentam que se trata do cumprimento de exigências regulatórias.

    Próximos passos

    O cenário agora depende principalmente de três etapas:

    • conclusão da auditoria europeia nas cadeias brasileiras de frango e mel;
    • análise dos resultados pelas autoridades da União Europeia;
    • comprovação da conformidade brasileira com as regras exigidas pelo bloco.

    Se as garantias apresentadas forem consideradas suficientes, a UE poderá suspender o bloqueio e autorizar novamente as importações.

    Até lá, os setores afetados terão de administrar os estoques e buscar outros mercados para parte da produção que seria destinada aos consumidores europeus.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original