Tag: Regulação

  • Autorregulação da IA de Trump é carta branca a big tech, diz professor

    Autorregulação da IA de Trump é carta branca a big tech, diz professor

    O anúncio do governo dos Estados Unidos (EUA) e de big techs da Inteligência Artificial (IA) de criar uma autorregulação voluntária com controles de segurança para o desenvolvimento da tecnologia representa uma “carta branca” para a indústria do setor com riscos para a saúde pública e para a democracia dos países.

    Essa é a avaliação do sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC e autor de obras sobre tecnologias digitais:

    “O que o Trump fez foi entregar completamente e de modo irresponsável o controle democrático do desenvolvimento da IA para a própria corporação que a desenvolve. Isso é um risco gigantesco”, avaliou.

    Dentre as medidas anunciadas no acordo firmado na terça-feira (29), na Casa Branca, com a OpenAI, Meta, Anthropic, Google, Nvidia e X (antigo Twitter), está a implementação de “controles internos” para monitorar os modelos de IA para “garantir que seus modelos não invadam ou acessem sistemas técnicos de maneiras não intencionais”.


    São Paulo (SP), 06.09.2024 - Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira. Foto: TV PUC/Reprodução
    São Paulo (SP), 06.09.2024 - Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira. Foto: TV PUC/Reprodução
    Sociólogo e professor da UFABC Sérgio Amadeu da Silveira – TV PUC/Reprodução

    “Isso já é feito. Todo o processo de treinamento de IA requer um controle robusto. O monitoramento interno já é feito. Tudo isso não agrega nada de importante para regulamentar e controlar usos e desenvolvimentos indevidos do aprendizado de máquina e do aprendizado profundo”, completou Amadeu.

    Sobre a previsão de auditoria externa independente das empresas de IA, o professor da UFABC contesta que essa auditoria será paga pela própria empresa.

    “Até que ponto esse auditor externo pago pela própria empresa vai fazer críticas e sugestões que vão criar descontentamento do conselho de acionistas das empresas?”, questionou Sérgio.  

    Saúde Pública

    Amadeu destaca que a IA traz riscos ambientais, devido ao alto consumo de energia e água, de violação de privacidade, devido a capacidade de vigilância em massa de populações, assim como riscos à democracia e à saúde pública.

    Ele explica que várias pesquisas realizadas na indústria farmacêutica, em parceria com big techs por meio de modelos de IA, podem envolver riscos para a saúde da população e, por isso, precisa de regulação do Estado.

    “Sabemos que quando o uso de IA fica sob controle apenas de investidores, isso traz um risco gigantesco para experimentos e ações que coloquem em risco a saúde pública”, comentou.

    Entre os riscos, o especialista cita a possibilidade do uso de IA levar as pessoas a tomar medicamentos por conta própria ou mesmo fazer diagnósticos com uso da máquina.

    “Quando nós estamos tratando de fenômenos ligados à chamada saúde pública e que incluam a parceria de grandes big techs com indústrias químicas e de fármacos, é um risco muito grande e, portanto, precisa de uma regulamentação estatal democrática”, concluiu.

    Temor social

    O governo Trump tem rejeitado impor limites ao desenvolvimento da IA, mesmo diante de pedidos da própria indústria e pressão social interna.

    Pesquisa de opinião realizada pela Ipsos e Reuters revelou que 73% da população dos EUA acreditam que as empresas de IA não tomam medidas suficientes para impedir os danos da tecnologia para a sociedade e 39% acreditam que a IA está tendo um impacto negativo na sociedade.

    Um dos riscos apontados é que os sistemas banalizem ataques cibernético por meio da invasão de sistemas de outras empresas e instituições. Outros riscos associados à IA são os impactos sobre o mercado de trabalho ou uso “maliciosos” da tecnologia por criminosos para aplicar golpes cibernéticos.

    Democracia

    A IA ainda pode ser usada para influenciar a opinião pública por meio da manipulação da informação que circula nas redes sociais, segundo descreve o relatório Internacional IA Safety Report 2026, elaborado por 100 especialistas de mais de 30 países.

    “Diversos estudos laboratoriais demonstraram que a interação com sistemas de IA pode levar a mudanças mensuráveis ​​nas crenças das pessoas”, aponta o relatório.

    Outro risco apontado é em relação ao desenvolvimento de armas químicas e biológicas.

    “Sistemas de IA de uso geral podem fornecer informações sobre o desenvolvimento de armas biológicas e químicas, incluindo detalhes sobre patógenos e instruções de laboratório de nível especializado”, diz o relatório internacional.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Trump anuncia autorregulação da IA por bigtechs em meio a temor social

    Trump anuncia autorregulação da IA por bigtechs em meio a temor social

    O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, anunciou acordo com donos de bigtechs de Inteligência Artificial (IA) para uma autorregulação voluntária com previsão de mecanismos de segurança e controle em meio ao crescente temor da sociedade estadunidense em relação aos riscos da expansão da IA.

    Trump e líderes das gigantes da IA ainda reforçaram o compromisso com a expansão dos data centers – que são os centros de processamentos de dados para sistemas de inteligência. Por consumirem grande quantidade de água e energia, esses centros vêm sofrendo oposição das comunidades onde são instalados.

    Nessa terça-feira (29), Trump reuniu na Casa Branca os dirigentes do Google, OpenAI, Meta, X (antigo Twitter), Nvidia e da Anthropic (imagem em destaque) para firmar um documento com compromissos voluntários a serem adotados por essas bigtechs.

    “Acreditamos que cada empresa é responsável por desenvolver sua própria tecnologia com segurança e de uma forma que construa confiança com os clientes e o público”, diz o documento assinado em Washington. 

    Entre as medidas previstas na autorregularão anunciada por Trump, está a implementação de “controles internos” para monitorar os sistemas de IA e “garantir que seus modelos não invadam ou acessem sistemas técnicos de maneiras não intencionais”.

    Na última semana, um sistema da OpenAI invadiu uma base de dados do serviço público de saúde da Austrália. A companhia dos EUA alegou que a ação foi “involuntária” e que adotaria medidas para evitar novas invasões a outras empresas ou instituições.

    O documento ainda prevê a capacitação de uma equipe interna em cada empresa para monitorar os sistemas de IA, além de parceria com auditor externo independente e criação de comitê também independente para supervisionar os relatórios sobre a segurança no uso da IA.  

    “Juntas, essas etapas darão a cada empresa, seus clientes e ao público a confiança de que a tecnologia está operando conforme o esperado”, diz o documento.

    Regulação X autorregulação 

    O governo Trump tem rejeitado impor limites ao desenvolvimento da IA por meio de uma regulação legal, mesmo diante de pedidos da própria indústria.

    O documento assinado ontem na Casa Branca afirma que “com o tempo, pode fazer sentido codificar essas etapas em leis ou regulamentos”, adiando qualquer decisão por uma regulação do setor.

    Um dos riscos apontados é de que a IA banalize ataques cibernéticos por meio da invasão de sistemas de outras empresas e instituições.

    Outros riscos associados à IA são os impactos sobre o mercado de trabalho, sobre a economia e também devido ao uso da tecnologia por criminosos para aplicar golpes cibernéticos.

    A IA ainda pode ser usada para influenciar a opinião pública por meio da manipulação da desinformação que circula nas redes sociais, segundo descreve o relatório a Internacional IA Safety Report 2026, elaborado por especialistas.

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    Sociedade questiona

    O governo do republicano vem sendo questionado nos EUA sobre medidas para garantir a segurança da IA para a sociedade às vésperas da eleição legislativa de meio de mandato, prevista para novembro, que pode retirar a pequena maioria construída pelo partido de Trump no Congresso dos EUA.

    Pesquisa de opinião realizada pela Ipsos e Reuters nos EUA revelou que 73% da população do país acreditam que as empresas de IA não tomam medidas suficientes para impedir os danos da tecnologia e 39% acreditam que a IA está tendo um impacto negativo na sociedade.

    Reunião no Jardim

    Após assinarem o documento, Trump e os dirigentes das companhias concederam coletiva à imprensa no jardim da Casa Branca, onde o presidente dos EUA defendeu a expansão dos data centers.

    “Elas [as empresas] formarão parcerias com as comunidades ao abrir centros de dados, e todos sairão ganhando: financeira e moralmente; haverá benefícios de todas as formas possíveis”, disse Trump.

    O dono da Meta, Mark Zuckerberg, que controla Facebook, Whatsapp e Instagram, afirmou que a ideia do acordo é “transmitir confiança” ao povo estadunidense e aos clientes de que a tecnologia funciona “da maneira que pretendemos”.

    “A ideia não é que isso seja a única coisa que faremos. É um começo e um acordo que todo o setor pode adotar”, disse Zuckerberg.

    O CEO da Anthropic, Dario Amodei, que tem feito alertas para os riscos do avanço da IA, acrescentou que segue acreditando que a tecnologia apresenta riscos “muito reais”.  

    “E, veja, o mecanismo — a forma como lidamos com esses riscos — ainda está sendo discutido. Mas todos precisamos trabalhar juntos para garantir que possamos vencer, e vencer com segurança”, comentou.

    Superinteligência

    No mesmo dia, o presidente Trump assinou uma Ordem Executiva para que todos os documentos oficiais do governo dos EUA passem a chamar a inteligência artificial de superinteligência.

    “O termo superinteligência captura de forma mais apropriada a promessa, o potencial e as capacidades em rápido avanço dessas tecnologias”, diz o documento.

    Analistas críticos da IA, como o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, apontam que o termo “inteligência” da IA é uma metáfora ou estratégia de marketing para sugerir que a tecnologia possui capacidades humanas que, na realidade, os sistemas não dominam. Seria uma forma de valorizar os serviços que as gigantes da tecnologia vendem.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Especialistas defendem maior regulação de plataformas digitais

    Especialistas defendem maior regulação de plataformas digitais

    O Brasil deve ampliar a regulação de plataformas digitais e a fiscalização do compartilhamento de conteúdos feitos com Inteligência Artificial. Foi o que defenderam as pesquisadoras Fernanda Rodrigues, diretora executiva do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS) e Larissa Santiago, cofundadora da plataforma de comunicação independente Blogueiras Negras.

    Durante o webinário Tecnologias, IA e Eleições, promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras nesta terça-feira (15), Fernanda Rodrigues chamou atenção para o funcionamento dos algoritmos de recomendação, que, segundo ela, fazem com que as plataformas determinem quais conteúdos serão apresentados aos usuários.

    “É preciso uma regulação mínima que assegure que as pessoas possam optar por não receber conteúdos padronizados e que assegure que os mecanismos de recomendação não tenham vieses discriminatórios”, disse.

    Inteligência Artificial

    Sobre a Inteligência Artificial, as pesquisadoras afirmaram que o desenvolvimento dessa tecnologia não tem sido pautado pelas demandas da sociedade e que as grandes empresas de tecnologia monopolizam o debate sobre o assunto.

    Larissa Santiago afirmou que, em comparação com outros países, o Brasil tem um bom sistema regulatório de IA. Mas que é preciso aumentar a fiscalização e, principalmente, a educação midiática.

    “As pessoas não conseguem entender a diferença entre uma pessoa real e uma pessoa criada pela IA. É preciso educar a população”, disse.

    IA nas eleições

    Ao citar o processo que levou ao impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, Larissa Santiago mencionou a circulação de imagens e notícias distorcidas. O processo de impeachment ocorreu em 2016, antes da popularização das ferramentas atuais de inteligência artificial generativa. Larissa afirmou que a tecnologia de IA potencializa a violência política de gênero e raça com o uso de desinformação e deepfakes. “A gente viu isso com a presidenta Dilma. As imagens distorcidas, as notícias distorcidas, até chegar ao golpe”, disse.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original