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  • Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular

    Museu do Pontal superou enchentes e ensinou valor da arte popular

    Importante espaço para a arte popular brasileira, o Museu do Pontal celebra meio século de fundação em 2026 colhendo os frutos de um trabalho que deixou para trás dificuldades como as frequentes enchentes que enfrentava em sua antiga sede, no Recreio dos Bandeirantes.

    A construção de condomínios residenciais nos arredores do sítio em que funcionava o museu deixou o terreno mais baixo que os vizinhos, e o acúmulo de água se tornou uma constante mesmo depois de uma grande reforma em 2009. 

    “Foi em 2011 que a gente começou a viver isso. Foram períodos muito difíceis. Foram inundações, ano a ano, e a gente foi mobilizando pessoas, empresas acionando a Prefeitura”, relatou o diretor executivo Lucas Van de Beuque em entrevista à Agência Brasil.

    Em 2016, o museu conseguiu um terreno, mas a falta de recursos deixou as obras paralisadas por dois anos. Preso à sede antiga, sofreu uma inundação ainda mais forte, e as instalações internas ficaram sob até 1 metro de água.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Museu do Pontal.
Foto: Renata Diniz/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Museu do Pontal.
Foto: Renata Diniz/Divulgação
    Sede antiga do Museu do Pontal. Foto: Renata Diniz/Divulgação

    Sem recursos para reparar os danos e tocar a obra, o museu se salvou por meio de uma campanha que mobilizou mais de 1 mil pessoas e empresas com doações. 

    “Inauguramos em outubro de 2021. Foram 10 anos nesse processo, que foi muito difícil, mas muito interessante também. Tudo tem os dois lados. Foram 10 anos pensando o que seria o novo museu”, afirmou.

    No meio do caminho, houve a pandemia de covid-19, mas o museu não parou. Os diretores decidiram realizar uma série de encontros virtuais com artistas de vários estados do Brasil. No momento em que as pessoas tinham que ficar reclusas, participar de um evento cultural era um alívio, lembra o diretor.

    Hoje, o Pontal funciona na Barra da Tijuca, com o conceito de Museu Praça ─ um lugar de encontro e de convivência, concebido para ter permanentemente um diálogo entre as artes plásticas de camadas populares e manifestações de dança e música.

    “Um lugar com exposições mudando a todo momento, que tivesse espetáculos, oficinas, que fosse um jardim para piquenique e para brincar, um lugar para vivenciar a arte e a cultura brasileira, para soltar pipa”, explicou Lucas sobre o projeto.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2025 - O Museu do Pontal celebra o Dia da Criança e os 3 anos de sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. O Festival de Circo no Museu do Pontal terá espetáculos e performances do mundo do picadeiro, apresentações musicais, brincadeiras e oficinas. Foto: Ratão Diniz/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 12/10/2025 - O Museu do Pontal celebra o Dia da Criança e os 3 anos de sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. O Festival de Circo no Museu do Pontal terá espetáculos e performances do mundo do picadeiro, apresentações musicais, brincadeiras e oficinas. Foto: Ratão Diniz/Divulgação
    Museu do Pontal celebra o Dia da Criança em sua nova sede, na Barra da Tijuca, com uma maratona circense. Foto: Ratão Diniz/Divulgação

    Referência popular 

    A diretora do espaço cultural, Angela Mascelani, disse que, desde 1976, a coleção construída pelo francês Jacques Van de Beuque traz a característica de valorizar a produção das camadas populares.

    “A gente sempre trabalhou com artistas, estudando trajetórias e tentando fazer com que o público e o próprio campo entendessem que, embora sejam artistas de camadas populares, esses artistas são autores, têm uma criação, um pensamento original e uma trajetória”, contou à Agência Brasil.

    A diretora apontou a exposição que marcou o início das atividades do Museu do Pontal como um dos destaques da programação das cinco décadas de existência. 

    A mostra era composta por peças de artistas populares que Jacques Van de Beuque comprou ao vir morar no Brasil. Essa exposição foi realizada primeiro no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, na região central da cidade. Depois, foi levada para a antiga sede do museu, no Recreio.

    Para Angela, o fato de ter passado pelo MAM deu mais reconhecimento e peso à exposição.

    “Havia uma perspectiva que não valorizava a produção feita pelas camadas populares como arte. Como se fosse por acaso que as pessoas chegassem às formas ou como se elas fossem somente comunidades artesanais”, avaliou.

    “A gente se dedica a contar a história desses artistas e acompanhar suas trajetórias da mesma forma que se faz com as artes hegemônicas.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Museu do Pontal festeja 50 anos de arte popular e cinco da nova sede

    Museu do Pontal festeja 50 anos de arte popular e cinco da nova sede

    O Museu do Pontal tem comemoração dupla neste fim de semana. O espaço cultural, considerado o maior e mais significativo museu de arte popular do país, faz 50 anos. Além disso, a sede na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, para onde foi transferido das instalações antigas, no Recreio dos Bandeirantes, completa 5 anos de atividades.

    Nesses cinco anos de sede nova, o Museu produziu mais de 1 mil espetáculos e oficinas, e o público chegou a mais de 400 mil visitantes. Além disso, foram promovidos 17 festivais, que reuniram 80 mil pessoas.

    Uma programação extensa vai animar o público neste fim de semana. Um dos pontos altos da agenda é a exposição Véio – A Escuta do Sertão, a maior mostra panorâmica já realizada sobre o artista plástico sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio, com cerca de 300 obras produzidas durante seis décadas.

    Para celebrar a música e a cultura popular, o espaço realizará o Festival 50 anos, com mais de 20 atrações gratuitas, incluindo shows de artistas como Lia de Itamaracá, Siba, Mestre Solano & Noites do Norte, Zé Bezerra & Trio Pernambucano, Trio Forrozão, Edmilson dos Teclados e Aturiá.

    Haverá também a apresentação de manifestações como bumba meu boi, bate-bola e espetáculos circenses, incluindo ainda exibições de documentários desenvolvidos pelo museu com artistas populares. O público infantil, sempre presente nos eventos do museu, vai poder participar de oficinas de criação das programações próprias.

    “Tem famílias que vinham aqui sem estar grávidas, ficaram grávidas, tiveram filhos e hoje vão na roda de bebês que também vai ter e é um grande sucesso. Mais de 1 mil bebês já participaram”, contou o diretor executivo do museu, Lucas Van de Beuque, em entrevista à Agência Brasil.

    O espaço cultural está aberto ao público de quinta a domingo, das 10h às 18h. O acesso às exposições termina às 17h30.

    Exposição

    A ligação de Véio com o museu vem de longe. Nos anos 70, quando começou as pesquisas e a compra de obras de arte popular que formaram o acervo, o francês Jacques Van de Beuque se encantou com as peças do artista e incorporou suas esculturas à coleção do espaço cultural.

    A aquisição das peças pelo proprietário do museu traz uma boa memória para o artista especialmente quando visitava o local.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Museu do Pontal.
Foto: Exposição Véio/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Museu do Pontal.
Foto: Exposição Véio/Divulgação
    Exposição Véio – A Escuta do Sertão no Museu do Pontal. Foto: Exposição Véio/Divulgação

    “O meu interesse não era só de mostrar o meu trabalho, porque eu mesmo estava vendo. Era de que o pessoal carioca conhecesse mais o trabalho de um sertanejo que sai da roça e vai até o exterior criando peças que ninguém nunca viu”, afirmou Véio, em entrevista à Agência Brasil.

    Véio – A Escuta do Sertão, que vai ser inaugurada no sábado (29), às 15h30, foi montada em cinco núcleos expositivos que passam por diferentes momentos da jornada do sergipano, desde as primeiras esculturas figurativas até os trabalhos inspirados a partir de troncos, raízes e galhos, que o aproximam da natureza, da memória e da cultura sertaneja.

    Segundo o artista, a sua produção já chegou a ter, lá no sertão em Sergipe, mais de 17 mil peças. Para o escultor, é importante ter parte representativa da sua criação exposta no Museu do Pontal.

    “A quantidade para mim é significante porque é em um espaço onde o público é totalmente selecionado para ver e conhecer arte. Então, é uma forma muito importante, nessa razão de estar saindo do sertão para um espaço como o Rio e o Museu do Pontal”, apontou.

    Sem trabalho inclui peças que retratam o cotidiano, mas as que lhe dão mais prazer são as em que pode inventar.

    “Eu crio a peça de acordo com o material que tenho em mãos. Sempre digo que a arte, pra mim, é como um vício, como o pessoal que é viciado em uma coisa. Não consigo fazer algo que não seja arte. Pra mim, é muito prazeroso você fazer aquilo que agrada a você e aos demais”.

    “Gosto mais de criar, fazer coisas que ninguém nunca viu. São coisas que às vezes o pessoal diz ‘que bicho é esse que eu nunca vi?’.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Veio - Museu do Pontal.
Foto: Lucas Van Beuque/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026  - Veio - Museu do Pontal.
Foto: Lucas Van Beuque/Divulgação
    O artista plástico sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio – Lucas Van Beuque/Divulgação

    Embora trabalhe com o material disponível no momento, Véio tem preferência por madeira que chamou de sertaneja, como a imburana e o cedro, porque não são suscetíveis a pragas, ao contrário de outros tipos que em até dez anos são atacadas e se estragam.

    “A imburana e o cedro você pode jogar no meio deles [insetos que destroem a madeira] que não chegam nem perto. São as madeiras preferidas não só para mim, mas para todos os escultores que trabalham com arte sacra, essas madeiras são as peculiares”, completou.

    Quem visitar a mostra, que tem a curadoria da diretora do Museu, Angela Mascelani, e do diretor executivo, Lucas Van de Beuque, vai encontrar um panorama abrangente de um dos mais importantes escultores brasileiros contemporâneos.

    Na visão da curadora, Véio é um artista de 80 anos importante para as artes brasileiras e extremamente reconhecido por sua produção. Ao mesmo tempo, é bastante ousado e não ficou fixo em uma perspectiva única.

    “O acervo que temos no Museu do Pontal fala muito do Véio cronista, comentarista da realidade sertaneja e mais do que isso, desvelando uma outra perspectiva de sertão. Quando a gente diz isso, está falando da obra dele que não é literal, às vezes pode até parecer literal, mas que tem um sentido que ele vai explicitando”, afirmou Angela à Agência Brasil.

    Homenageada

    Uma das características do museu é a realização de festivais com temáticas regionais, como foram o Amazônico, o Paraense, as tradicionais festas juninas e o de cultura circense. Até agora foram 17 festivais promovidos pelo Pontal. Para Lucas, esse tipo de programação junta os dois aspectos do espaço cultural, o museu de arte, dedicado aos artistas de camadas populares com o museu praça.

    “Sempre tem a inauguração de uma exposição, e o festival vai dialogar com o conteúdo da exposição, por exemplo com o artista Jair Gabriel, que é de Rondônia e foi seringueiro, a gente inaugurou o festival da Amazônia. Junto com a exposição do J.Borges teve o festival Arraiá do Museu Pontal”, apontou.

    Dessa vez, é o Festival 50 anos, que está sendo chamado pela direção de o Festival dos Festivais. E a comemoração vem com o retorno da compositora e cantora pernambucana de ciranda Lia de Itamaracá, que foi a atração do primeiro festival produzido já na sede nova, o Arraiá do Museu de 2022.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026 - Com homenagem ao Circo, o Museu do Pontal comemora um ano na nova sede, na Barra, com exposição e programação em outubro. Uma lona de circo instalada na Praça-Jardim recebeu profissionais deste maravilhoso universo nos dias 08 e 09 de outubro de 2022, no Festival “O Circo Chegou!”, com diversas atrações circenses e também a exposição com curadoria de Angela Mascelani e 
Foto: Lucas Van de Beuque/Divulgação
    Rio de Janeiro (RJ), 28/08/2026 - Com homenagem ao Circo, o Museu do Pontal comemora um ano na nova sede, na Barra, com exposição e programação em outubro. Uma lona de circo instalada na Praça-Jardim recebeu profissionais deste maravilhoso universo nos dias 08 e 09 de outubro de 2022, no Festival “O Circo Chegou!”, com diversas atrações circenses e também a exposição com curadoria de Angela Mascelani e 
Foto: Lucas Van de Beuque/Divulgação
    Exposição no Museu do Pontal, no Rio de Janeiro. Foto: Lucas Van de Beuque/Divulgação

    “Ela foi a grande atração nestes cinco anos, não podia ser outra pessoa que não fosse a Lia. Crianças receberam o nome de Lia aqui no museu, por conta do show. A gente pegou esse testemunho, uma mãe falando que deu o nome de Lia porque veio ao show aqui e ela estava grávida”, contou Lucas.

    “O meu sentimento é estar aí com vocês. Recebi o convite maravilhosamente. Estou emocionada, ai mamãe. Estou chegando e quero ver todos vocês bem pertinho. Vamos lá? Lia tá chegando”, disse a homenageada do Museu em um vídeo encaminhado à Agência Brasil pela assessoria de imprensa do Pontal.

    Transporte facilitado

    O transporte para chegar ao museu neste fim de semana será facilitado. Quem quiser ir de metrô, depois de descer na Estação Jardim Oceânico, contará com vans gratuitas à disposição, como também para quem quiser seguir do terminal de ônibus Alvorada. 

    Por meio da Lei Rouanet, o Museu do Pontal, tem patrocínio master da Shell, a empresa Vale como patrocinador estratégico, e como patronos Repsol Sinopec Brasil e Itaú, além da Prefeitura do Rio.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original