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  • EUA tiram visto de procurador que investiga ex-assessor de Milei

    EUA tiram visto de procurador que investiga ex-assessor de Milei

    Os Estados Unidos (EUA) retiraram o visto de 26 autoridades latino-americanas do Peru, da Colômbia, Equador e Bolívia. Entre eles, o do procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, responsável pela investigação contra o argentino Fernando Cerimedo, operador digital de presidentes aliados de Donald Trump na América Latina.

    Cerimedo foi preso por suposta tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller e investigado por suposto tráfico de drogas e enriquecimento ilícito. Ele também foi responsável por assessorar, no ambiente digital, os presidentes da Argentina, Javier Milei, e da Bolívia, Rodrigo Paz. 

    No Brasil, o argentino se tornou conhecido em 2022, logo após o segundo turno das eleições presidenciais, por ter participado de transmissão ao vivo na internet, na qual sustentava, sem provas, que o resultado das urnas tinha sido fraudado.

    Ele é apontado pela revista inglesa The Economist como “o homem do Maga na América Latina”, em alusão ao slogan político do presidente Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo). 

    Em resposta à Casa Branca, o procurador-geral boliviano Roger Mariaca classificou a restrição a seu visto como uma violação à soberania do país e citou o caso Cerimedo.

    “Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes âmbitos políticos”, afirmou Mariaca.

    Eleito pelo parlamento boliviano, em 2024, para um mandato de seis anos, o procurador-geral acrescentou que “nenhuma pressão política, nacional ou internacional pode se transformar em um impedimento para esclarecer questões que devem ser investigadas”.

    Cerimedo é investigado por operar uma rede digital para políticos de direita na América Latina. A polícia boliviana encontrou uma “fazenda de cliques” em um endereço ligado ao investigado usada para mobilizar robôs nas redes sociais. 

    Casa Branca

    O Departamento de Estado dos EUA, liderado pelo secretário Marco Rubio, justificou o cancelamento dos vistos como uma medida tomada para apoiar os demais participantes do Escudo das Américas, iniciativa liderada por Trump em parceria com aliados da América Latina para, supostamente, combater os cartéis de drogas na região.  Entre os atingidos estão empresários, juízes, ex-ministros de Estado, advogados, policiais – e familiares – sob acusação, sem provas, de corrupção ou atividades de narcotráfico.

    “Essa política restringe vistos para estrangeiros – e seus familiares imediatos – que prejudicam um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”, diz comunicado do Departamento de Estado dos EUA liderado por Marco Rúbio. 

    Ainda segundo o governo Trump, o procurador-geral da República da Bolívia, Roger Mariaca, teve o visto de entrada nos EUA cancelado por “seu envolvimento em corrupção significativa”.

    “[Mariaca] abusou de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça”, acusou o Departamento estadunidense sem apresentar provas.

    O procurador-geral boliviano Roger Mariaca respondeu que não aceitará que decisões externas, “sejam políticas ou de qualquer outra natureza”, condicionem as investigações das instituições bolivianas.

    “O povo boliviano tem direito a conhecer a veracidade das denúncias que foram apresentadas, incluindo aquelas relacionadas com ameaças de corrupção relacionadas aos combustíveis”, rebateu o procurador-geral boliviano.

    Governo Paz

    O governo de Rodrigo Paz afirmou que pedirá mais informações ao governo Donald Trump sobre as acusações dos EUA antes de iniciar uma investigação interna.

    “As declarações e acusações dos Estados Unidos são bastante sérias, e o governo as encara com a máxima seriedade”, afirmou o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano.

    O porta-voz da Presidência da Bolívia, Fernando Aramayo Carrasco, disse que o governo local responderá a decisões soberanas dos EUA sobre cancelamento de vistos.

    “Vamos prestar toda a colaboração, para que se adiantem as investigações e as ações que correspondem à institucionalidade boliviana“, disse. 

    Maga na América Latina

    Em fevereiro de 2026, o marketeiro digital Fernando Cerimedo ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano”, da organização Latino Wall Street, em cerimônia realizada na residência do presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida.

    Cerimedo recebeu o prêmio das mãos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso de processo judicial por ter articulado, junto à Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Jair Bolsonaro, pai de Eduardo, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de cadeia por tentativa de golpe de Estado.

    O empresário e consultor político da direita latino-americana foi preso na Bolívia por tentativa de feminicídio a tiros contra a ativista e advogada boliviana Nadia Beller, que o acusa de ser o mandante do atentado.

    A defesa de Cerimedo nega que ele esteja envolvido no caso, alegando que o cliente é vítima de uma armação política.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Devastação na Amazônia pode quebrar maior “máquina de chuva” do mundo

    Devastação na Amazônia pode quebrar maior “máquina de chuva” do mundo

    Uma máquina silenciosa trabalha constantemente para que milhões de pessoas na América do Sul tenham acesso a água, rios e plantações. Esse mecanismo se chama Amazônia e funciona da seguinte maneira: a umidade vinda do oceano produz chuva sobre a floresta; essa água é absorvida do solo pelas árvores, e lançada de volta na atmosfera em forma de vapor; o vento, então, espalha, esse vapor por todo o continente, fazendo chover em diversas regiões. 

    De acordo com a pesquisadora Julia Valentim Tavares essa é a principal infraestrutura hídrica da América do Sul e a maior “máquina de chuva” do planeta. Uma árvore adulta na Amazônia pode liberar para a atmosfera de 200 a 300 litros de água todos os dias. 


    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Marielos Peñaclaros fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Marielos Peñaclaros fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Marielos Peñaclaros destaca a importância do bioma durante TEDXAmazônia. Diego Aguilar/Divulgação

    “Imaginem 400 bilhões delas trabalhando juntas todos os dias. Se pudéssemos tornar essa umidade possível, veríamos rios gigantes voando no céu. É o que nós cientistas chamamos de rios voadores.”

    Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, entidade que reúne mais de 350 cientistas dedicados a estudar o bioma, destaca que a floresta é a coluna vertebral dos ciclos de água, nutrientes e carbono a níveis local, regional e global. 

    “Em outras palavras, a Amazônia sustenta a vida, não só na região amazônica, mas no planeta como um todo.”

    As duas pesquisadoras participaram da última edição do TEDxAmazonia, no final de agosto, no Equador. 

    Alerta

    Além de frisar a importância desse sistema hídrico, as cientistas fizeram um alerta: a devastação da Amazônia já está afetando a “máquina de chuva”, e sua “quebra” seria catastrófica para todo o planeta.

    De acordo com Marielos, atividades como a mineração e o narcotráfico, em conjunto com o desmatamento e as queimadas têm atingido diretamente a conectividade amazônica, fator central para a conservação do bioma.

    “A Amazônia é um mosaico vivo de ecossistemas terrestres e aquáticos interconectados entre si, que abriga uma grande diversidade de culturas. Essas comunidades têm um relacionamento profundo e interdependente com os ecossistemas através dos seus modos de vida, práticas de manejo e conhecimento.”

    Segundo ela, os efeitos no clima já são mensuráveis, com evidências de que o desmatamento na Amazônia brasileira resulta em menos chuva em regiões do Brasil e da Bolívia. Em regiões desmatadas, a temperatura tem aumentado, e as épocas de seca estão ficando mais intensas e mais cumpridas.


    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Julia Valentim fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Rodrigo Duarte/Divulgação
    Amazônia, 10/09/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Julia Valentim fala durante o TEDXAmazônia. Foto: Rodrigo Duarte/Divulgação
    Durante o TEDXAmazônia, Julia Valentim explica o chamado arco do desmatamento. Rodrigo Duarte/Divulgação

    Julia Valentim Tavares também está medindo esses efeitos a partir do interior das árvores da borda sul da Amazônia, o chamado arco do desmatamento, onde o volume de chuvas já diminuiu e a temperatura aumentou na última década. Ela investiga por quanto tempo essas árvores podem resistir às secas, antes que suas “cordas” internas sejam danificadas.

    “Se o solo tem água, essa corda permanece intacta. Numa estação seca, o solo deixa de ter água e essa corda é tensionada. A atmosfera puxa para cima, o solo puxa para baixo, até a hora que essa corda se rompe. Se isso acontecer muitas vezes, em várias partes da árvore, essa árvore começa a literalmente morrer de sede.”

    Aquecimento global

    Nos últimos anos, a região também tem sofrido com os efeitos do aquecimento global. Em 2024, a Amazônia enfrentou a pior seca da sua história, por consequência do El Nino, fenômeno natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação atmosférica, e tem se tornado mais intenso. 

    Marielos destaca que 88% da bacia amazônia sentiu os efeitos dessa seca, que também interferiu na “máquina de chuva”. A capital da Colômbia, Bogotá, localizada na região dos Andes, sofreu desabastecimento de água. Em Quito, capital do Equador, que também está fora da Amazônia, a falta de água levou à cortes no fornecimento de energia elétrica. 

    “A pergunta que todos deveríamos estar fazendo é:  De onde nasce a água de inúmeras cidades latinoamericanas? De onde nasce a água que usamos na agricultura, pecuária, indússtria, produção de alimentos?”, provocou a copresidente do Painel Científico pela Amazônia.
     


    Seca na Amazônia deixa barcos encalhados e paralisa transporte pelos rios
10/11/2023
REUTERS/Bruno Kelly
    Seca na Amazônia deixa barcos encalhados e paralisa transporte pelos rios
10/11/2023
REUTERS/Bruno Kelly
    Seca na Amazônia deixa barcos encalhados e paralisa transporte – REUTERS/Bruno Kelly/Proibida reprodução

    A seca também deixou a Amazônia mais vulnerável às queimadas, que foram recordes naquele ano. Julia Valentim Tavares lembra que a fumaça dos incêndios chegou a se espalhar pelo país e alcançar até a Região Sudeste. 

    “Esse fato revelou duas coisas muito importantes. Primeiro: a Amazônia nunca esteve distante, o que acontece na floresta não permanece na floresta. E segundo: milhões de pessoas dependem da Amazônia, mas ainda assim não se sentem conectadas com ela.”

    A previsão de que um super El Niño ocorra este ano alarmou as pesquisadoras. “Quando existem essas secas, a floresta ou tem mortalidade por falha hidráulica, ou para de crescer, somado com os eventos de fogo. Então, a Amazônia deixa de funcionar como um sumidouro de carbono e passa a ser um emissor, aumentando o aquecimento global”, alerta Julia. 

    “A gente está esperando que seja tão ou mais forte do que em 2024, mas a principal diferença é que da outra vez aconteceram coisas que ninguém estava esperando. Como um rio poderia secar na Amazônia? Agora, todo mundo está falando sobre isso”, enfatizou Marielos. 

    De acordo com ela, a solução definitiva só será alcançada com a diminuição drástica das emissões de gases do efeito estufa, que depende sobremaneira da substituição dos combustíveis fósseis por fontes menos poluentes de energia. 

    “Temos também que investir na conectividade. Restaurar as áreas degradadas, recuperar aquelas que foram desmatadas para produção, fazer essa reconexão ecológica. Porque a Amazônia já está se aproximando do ponto de não retorno, e a perda total dessa conectividade seria catastrófica para o mundo todo.”

    *A repórter acompanhou o TEDxAmazia a convite da organização do evento.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rádio Nacional transmite Independiente del Valle x Flamengo

    Rádio Nacional transmite Independiente del Valle x Flamengo

    Independiente del Valle e Flamengo entram em campo nesta quinta-feira (10) pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Libertadores da América.

    O duelo será disputado no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, no Equador, e a Rádio Nacional transmite todas as emoções ao vivo a partir das 21h15. 

    Atual campeão do torneio, o Rubro-Negro terá pela frente o desafio dos 2.850 metros de altitude da capital equatoriana. O time chega às quartas após superar o Cruzeiro na fase anterior, garantindo a classificação com um empate em 1 a 1 fora de casa e uma vitória por 2 a 1 no Maracanã.

    Do outro lado, o Independiente del Valle aposta na força como mandante para abrir vantagem. A equipe equatoriana liderou o Grupo H com 13 pontos e eliminou o Deportes Tolima nas oitavas de final com placar agregado de 4 a 1.

    A transmissão da Rádio Nacional inicia com a faixa Show de Bola Nacional e contará com uma equipe completa para levar ao público todas as informações do confronto. O jogo terá narração de André Luiz Mendes com comentários de Mário Silva. Mauricio Costa comanda a reportagem e o plantão da rodada.

    A transmissão da partida entra no ar para parte da rede em AM e OC, além da FM no Rio de Janeiro, no Alto Solimões e parceiros da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A Nacional FM nas demais praças segue com o conteúdo musical. O ouvinte pode ficar ligado nas produções preferidas pelo dial, no app Rádios EBC e no site da emissora. Os áudios ainda estão disponíveis em tempo real por streaming nas duas plataformas.

    Informações sobre a Copa Libertadores

    A Copa Conmebol Libertadores é o principal torneio de clubes da América do Sul, organizado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Disputada anualmente desde 1960, a competição reúne as equipes mais qualificadas de cada país do continente, definidas por seus desempenhos nas ligas nacionais.    

    Considerada o equivalente sul-americano da Liga dos Campeões da Europa, a Libertadores consagra o campeão continental, que passa a representar a região no Mundial de Clubes.

    Cobertura esportiva da Nacional 

    Esporte que é paixão do povo brasileiro, o futebol é um dos destaques da programação da Rádio Nacional, emissora pública referência em transmissões de partidas no país há décadas. Os jogos das principais competições e as notícias mais importantes têm espaço nas jornadas esportivas diárias.

    Os torcedores podem ficar ligados pelo rádio, site ou streaming para acompanhar as emoções das disputas entre os maiores clubes brasileiros. Antes e depois dos confrontos, o ouvinte se informa sobre a preparação das equipes e a repercussão do placar nas ondas da Nacional. A análise sobre os resultados da rodada ainda ganha janela diária para um rico debate em produções consagradas no radiojornalismo esportivo.

    A equipe da Rádio Nacional reúne craques da crônica esportiva. São produtores, jornalistas e apresentadores que buscam o diferencial da notícia. Além de informar o público nas ondas do rádio, o time também faz bonito na telinha da TV Brasil. Os profissionais realizam o programa Stadium, de segunda a sexta, às 12h30, e de terça a sexta, às 18h30.  

    Sempre ao vivo, as tradicionais produções da emissora pública trazem análises e apurações atualizadas. O esporte tem espaço destacado na programação do canal. O telejornal diário Repórter Brasil, às 12h45 e às 19h, também oferece uma ampla cobertura dos principais resultados do dia.

    Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas    

    Ajude a escolher a vencedora da categoria Craque da Torcida do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas. A premiação criada pela TV Brasil e pela Petrobras vai reconhecer ainda atletas, treinadores e treinadoras, dirigentes, departamentos de futebol feminino e clubes que se destacarem ao longo da temporada de 2026. A votação da categoria com voto popular já está aberta, é gratuita e tem votos ilimitados. Acesse até 31 de outubro.

    Serviço    

    Copa Libertadores 2026 – Ind. Del Valle x Flamengo, quinta-feira (10), a partir das 21h15, na Rádio Nacional RJ, AM, OC e AS + RNCP e Parceiros. Além disso, partida também será transmitida pelo canal da Rádio Nacional no YouTube.

    Rádio Nacional na internet e nas redes sociais        

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    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

    Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

    “Mulheres em resistência, em defesa dos nossos corpos e dos nossos territórios. Que não sejam tocados, não sejam violados, não sejam mortos! A força da terra está dentro de nós.”

    Com o manifesto, treze mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia encerraram a última edição do TEDxAmazônia, realizado pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades de Banos e Puyos, no Equador. À frente do grupo, a anciã sábia do povo Shuar Catalina Chumpi, pediu às águas das cachoeiras que dêem poder às suas “netas” para defender seus territórios. 


    Brasília (DF), 04/09/2026 - TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Brasília (DF), 04/09/2026 - TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    TEDxAmazonia reúne líderes indígenas: populações que vivem na Amazônia são essenciais para preservação do território, e devem ser protegidas. Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    O manifesto das mulheres e o pedido de Catalina reverberam a mensagem de abertura do encontro, realizado entre os dias 27 e 30 de agosto. O líder indígena do povo Shuar, Domingos Peas, pediu um minuto de silêncio por todas as defesoras e defensores da natureza assassinados em represália por seu trabalho. 

    De acordo com o último relatório divulgado pela organização Global Witness, os povos da Amazonia se encontram em uma intersecção letal: a América Latina é o continente onde mais se matam defensores ambientais, e os líderes indígenas são os mais vitimados. 

    O oposto desse cenário trágico é um apontamento para o futuro: as populações que vivem na Amazônia são essenciais para a preservação do território, e devem ser protegidas e ter o seu protagonismo garantido, defenderam diversas palestrantes do TEDXAmazonia. 

    De acordo com a líder do povo Kichwa, Patricia Gualinga, isso passa pela incorporação legal da cosmovisão indígena sobre a natureza como um sujeito em si mesmo, e não uma fonte passiva de recursos para os humanos. A “selva viva”, em suas palavras, “com memória, com alma, com direitos, um sujeito próprio”.  

    “Para nós, a natureza sempre teve direitos. Por isso, os lugares mais bem cuidados estão nos territórios indígenas, porque nós entendemos que não somos os únicos habitantes do planeta”, declarou a integrante do Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas durante sua apresentação no evento.

    “Quando eu era criança aprendi que a floresta respirava e agora que sou adulta sigo acreditando que a floresta respira. É uma proposta ao mundo de reconhecer o território como um ser vivo. Aprender uma língua que nossos povos falam há milhares de anos”, complementou a juiza do Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza. 

    Ela destacou que, em 2008, o Equador deu um passo histórico nesse sentido, e se tornou o primeiro país do mundo a definir em sua Constituição que a natureza tem direitos equivalentes às pessoas, “uma mudança paradigmática”. Uma aplicação desse entendimento, em 2024, proibiu a mineração na Floresta Los Cedros, porque a atividade violaria os direitos da natureza do local. 

    Decisões pontuais semelhantes ocorreram em outros países, como o reconhecimento dos direitos do Rio Atrato, na Colômbia, e do Rio Maranhão, no Peru. De acordo com Patrícia, é preciso avançar para o reconhecimento de territórios inteiros e não somente de pontos específicos, como rios e florestas. 

    Mas o maior desafio é a aplicação desses direitos, após a obtenção da garantia legal. “Uma constituição não vai regenerar por si mesma uma floresta, uma sentença não vai sanear um rio. Nós precisamos de políticas públicas, de transformações profundas na economia global, de instituições firmes”, defendeu Patricia Gualinga. 


    Brasília (DF), 04/09/2026 - Diana Chavez na TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Brasília (DF), 04/09/2026 - Diana Chavez na TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Diana Chavez diz que mudanças concretas dependem da participação efetiva dos povos indígenas na governança de fundos. Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    A diretora de Comunas, Povos e Nacionalidades do Fundo do Biocorredor Amazônico, Diana Chavez, reivindicou também recursos e poder de decisão sobre eles. Para ela, mudanças concretas dependem da participação efetiva dos povos indígenas na governança de fundos e outras fontes financeiras de ações para a conservação da floresta. 

    “No Equador há um fundo abastecido por recursos da mineração e do petróleo. Ele existe há seis anos sem que os povos indígenas consigam acesso a ele de maneira direta. Por quê? Burocracia, requisitos excessivos, mudanças na adiministração e nas normativas. Porque esse fundo foi desenhado para os povos indígenas e não com eles. E a diferença entre o “para” e o “com” não é apenas semântica”, exemplificou. 

    Diana enfatizou que menos de 1% do financiamento global para ações de controle do clima chegam diretamente aos povos indígenas. Por isso defendeu também que esses fundos construam mecanismos de acesso direto e facilitado aos recursos, em conjunto com a comunidade. 

    “Quando falamos da participação indígena no financiamento climático, normalmente se fala de consulta, de reunião. Mas isso não é suficiente. A consulta te coloca na sala de espera, a governança te coloca na mesa de decisão”, destacou. 

    A líder do povo Kichwa de Pastaza também argumentou que, mesmo sem recursos, os povos indígenas vêm protegendo a Amazônia, com seus corpos e suas vidas. “Graças à filosofia de vida dos povos indígenas a Amazonia segue quase intacta. As comunidades amazônicas não são beneficiárias passivas da conservação e sim suas arquitetas”.

    Ela lembra que a conservação da floresta não é inimiga do desenvolvimento sustentável das comunidades, porque a convivência igualitária com a natureza está na raiz do modo de viver indígena. Um exemplo disso foi oferecido pela administradora Esthela Noteno, de origem Kichwa.

    Esthela contou que cresceu em uma comunidade abundante no distrito de Sucumbíos, e viu essa riqueza se tornar escassa por causa da contaminação ambiental, causada principalmente pela atividade petroleira. Em situação de pobreza, e sem acesso a serviços básicos, muitos moradores aceitaram uma proposta de empresas agrícolas e arrendaram suas terras para a produção monocultora de taro, um tubérculo estrangeiro da família do inhame. 

    “Não continuaram arrendando porque odeiam seu território, e sim porque não tinham outra oportunidade de gerar renda para alimentar seus filhos”, ressalva a administradora. 

    Essa “armadilha”, como define Esthela, golpeou mais uma vez a biodiversidade do território. Mas em meio a pandemia de covid-19, ela sonhou com uma solução. “Isolados em casa, meu pai cozinhava a guayusa enquanto nos explicava seu valor, suas propriedades antioxidantes, reequilibrantes.”


    Brasília (DF), 04/09/2026 - Estehela Noteno na TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Brasília (DF), 04/09/2026 - Estehela Noteno na TEDxAmazonia
Foto: Diego Aguilar/Divulgação
    Esthela destaca o cultivo da guayusa, planta nativa da Amazônia  Foto: Diego Aguilar/Divulgação

    A guayusa é uma planta nativa da Amazônia, consumida sob a forma de chá em diversas regiões do Equador. A família de Esthela promovia “guayusadas”, durante as quais os idosos compartilhavam seus ensinamentos e sonhos, e falavam sobre sua conexão com a terra, enquanto consumiam o chá. 

    Assim nasceu uma agroindustria comunitária, produtora de extrato de guayusa, onde hoje trabalham 12 famílias. “Quando começamos, nós produzíamos 150 garrafas. Atualmente produzimos de 3 a 5 mil garrafas por mês. O caminho foi difícil, inclusive para obter apoio público para entender as normas sanitárias, registrar os produtos…”, ela conta. 

    As folhas são adquiridas de outras mulheres indígenas, que produzem a guayusa em sistemas agroflorestais, em meio a mais de 150 espécies nativas. “A guayusa representa o espírito da mulher, por isso respeitamos a sabedoria delas delas. Tendo um mercado justo para a guayusa, elas têm um incentivo real para manter a floresta em pé”, ressaltou Esthela Noteno. 

    TedxAmazonia 

    A primeira edição do TedxAmazonia fora do Brasil desembarcou nas cidades de Banos e Puyo, porque ficam na área de transição entre os Andes e a Amazônia, sendo consideradas a “porta de entrada” para a floresta. 

    A coorganizadora do TEDxAmazonia Verônica Reed lembrou que 40% do território amazônico está em oito países fora do Brasil. 

    “Os povos originários dos Andes e da Amazônia habitaram aqui muito antes dos países serem divididos politicamente. A Amazônia começa nos glaciares andinos, que dão origem aos rios”. 

    O evento foi realizado entre os dias 27 e 31 de agosto, reunindo 30 palestrantes indígenas e não-indígenas, que realizam trabalhos de conservação ou pesquisa sobre a Amazônia. 

    O organizador do evento, Rodrigo Cunha, diz que a mensagem principal é de alerta: “Existe uma urgência muito real. Estamos em um ponto de não retorno. Estamos emitindo mais carbono que podemos absorver. Os indígenas enfrentam violência sem procedentes. Já estamos no limite”.

    O revezamento entre países deve ser mantido para as próximas edições. Em junho do ano que vem, o evento será realizado em Belém (PA), e em 2028 a expectativa é de que volte ao Equador.

    *A repórter acompanhou o evento a convite da organização do TEDXAmazonia. 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original