Tag: El Niño

  • Saiba como proteger pesca e aquicultura de efeitos do El Niño

    Saiba como proteger pesca e aquicultura de efeitos do El Niño

    Seca e calor intenso nas regiões Norte e Nordeste, temporais e frio no Sul do país são alguns dos efeitos do El Niño, que começou no mês de junho e deve durar até março de 2027.

    O fenômeno se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e provoca alteração na circulação atmosférica, tornando os volumes de chuvas irregulares.

    A pesca e a aquicultura são atividades vulneráveis aos efeitos do El Niño já que são afetadas diretamente pelas mudanças no regime de chuvas.

    Quando as precipitações são abaixo da média, os níveis dos rios diminuem e isso afeta a navegação, a reprodução das espécies, o abastecimento de água e dificulta o acesso às comunidades. Quando acima da média, as chuvas aumentam o risco de enchentes e os danos às estruturas de produção do setor.

    De acordo com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o planejamento e busca ativa por informações são aliados dos profissionais e municípios que precisam enfrentar esses desafios. Mas, para isso, é preciso trabalho coletivo, alerta o órgão.

    “A articulação entre pesca e aquicultura, meio ambiente, recursos hídricos, saúde, assistência social e Defesa Civil pode facilitar o acompanhamento das ocorrências e a comunicação com as comunidades afetadas”, destaca o ministério em nota.

    Entre as recomendações para os próximos meses estão:

    acompanhar as informações meteorológicas e hidrológicas oficiais;

    – manter a comunicação com outros pescadores, aquicultores, colônias, associações e cooperativas;

    – acompanhar as condições da água, como temperatura, oxigênio dissolvido e outros parâmetros em tanques e represas.

    De acordo com o informe do MPA, também é importante conhecer as características de cada território para antecipar riscos e fortalecer a capacidade de resposta dos municípios.

    Em casos de danos a estruturas, dificuldades de acesso, alterações nos níveis dos rios, perdas na produção ou mortalidade de peixes é necessário registrar ocorrência por meio do canal Fala.BR.

    “Essas informações ajudam a dimensionar os impactos e a encaminhar as demandas aos órgãos competentes”, acrescenta o informe do Ministério da Pesca e Aquicultura.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rio de Janeiro lança ação integrada de prevenção ao El Niño

    Rio de Janeiro lança ação integrada de prevenção ao El Niño

    Calor intenso, redução da disponibilidade hídrica, aumento do risco de incêndios florestais e eventos meteorológicos severos estão entre os impactos do El Niño possíveis de ocorrer no estado do Rio de Janeiro, segundo o comitê criado para preparar o Poder Público fluminense para o fenômeno climático.

    Instituído no início de julho, o Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño reuniu nesta quinta-feira (20) gestores do executivo estadual e prefeitos de municípios fluminenses no auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, Zona Norte da capital.

    Para se antecipar a esse cenário, ações integradas estarão no Programa Antecipar e Reagir ─ Impactos do El Niño do Estado do Rio de Janeiro.

    “Mais do que responder a uma emergência quando ela acontece, a proposta é trabalhar antes dela, identificar riscos, planejar ações, compartilhar informações, estabelecer responsabilidades e aproximar ainda mais o estado e seus municípios”, disse o governo do estado ao divulgar a iniciativa.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (29). Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (29). Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade na tarde de 29 de julho. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Super El Niño

    Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta e modifica a distribuição das chuvas em diversas regiões, incluindo a América do Sul. 

    Projeções meteorológicas indicam que o fenômeno deve ter maior intesidade neste ano e chegaram a chamá-lo de “Super El Niño”.

    No Rio de Janeiro, são esperadas situações com possíveis repercussões sobre a saúde pública, a agricultura, o meio ambiente, os recursos hídricos, o abastecimento de água e energia e, sobretudo, a segurança da população, descreveu o governo do estado.

    Por isso, o comitê é composto por quatro câmaras técnicas: Defesa Civil; Saúde; Ambiente e Sustentabilidade; e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior.

    “A estratégia reúne treinamentos para equipes das prefeituras, novos sistemas de monitoramento e alerta e ferramentas que vão ajudar a identificar com antecedência as áreas e populações mais vulneráveis a eventos como ondas de calor, chuvas intensas, enchentes, estiagem e queimadas”, informou o governo estadual. 

    Estavam presentes no encontro desta quinta-feira os secretários de Estado de Defesa Civil, coronel PM Tarcísio Sales; de Saúde, Ronaldo Damião; do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas; e de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, Ricardo Mansur.

    Também participaram a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, a chefe do serviço de articulação inter-federativa e participativa da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Patrícia Santana; e o coordenador do Centro de apoio às Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo, promotor de justiça Vinícius Lameira Bernardo.

    Impactos já chegaram

    Para o secretário de Defesa Civil, a criação do Comitê se mostra relevante na medida em que já são notados os impactos do El Niño no estado. 

    “Não tratamos aqui de coisas, de possibilidades, daquilo que pode acontecer, mas, sim, do que já vivenciamos. Temos um quadro de baixa umidade, de estiagem, fortes ventos. Isso tudo vem contribuindo com a incidência de incêndios florestais”, pontuou.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Ele destacou que o mês de julho teve um aumento de 100% dos incêndios florestais na comparação com o ano passado, o que é um dado muito relevante. O secretário disse ainda que a Região Serrana apresenta maior risco geológico, mas que a atenção está voltada para todo o estado. 

    “A preocupação é todo o estado. Não há uma preocupação específica com a Região Serrana”, assegurou.

    A reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Gulnar Azevedo e Silva, destacou o fato de a cerimônia de início da iniciativa ter sido realizada na instituição. Gulnar ressaltou que a população do estado do Rio de Janeiro sofre com grandes desigualdades, que podem ser agravadas com a interferência dos efeitos de eventos climáticos. 

    “O papel da universidade é perceber o que podemos fazer, em articulação, e mostrar a nossa competência e disponibilidade de estar junto. Nós temos muita vontade de que, prevendo e se articulando, a gente vai minimizar, mitigar os efeitos que devem aparecer no nosso estado”, apontou.

    O secretário de Saúde afirmou que o El Niño é um fenômeno antigo, que se repete com frequência, mas que, com a falta de planejamento e as agressões à natureza e ao meio ambiente, agora tem efeito maior.

    Damião chamou atenção para a necessidade de acionar os agentes comunitários de saúde e de endemias dentro da estratégia de enfrentamento. São cerca de 20 mil espalhados no estado.

    “Eles conhecem cada casa, cada história e cada paciente e situação que vai precisar de alguma intervenção”, indicou.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

     

    Prevenção de incêndios

    O secretário de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas, destacou que a população deve colaborar para reduzir o risco de incêndios florestais

    “Hoje, uma guimba de cigarro que se joga pela janela do carro pode lamber um parque inteiro. A vegetação está muito seca, e a população precisa ter essa consciência”, apontou, lembrando que a prática criminosa de soltar balões também é um risco e pode provocar grandes incêndios.

    A outra preocupação da Secretaria do Ambiente é com os recursos hídricos. 

    “A mensagem essencial é: não jogue lixo no rio, no curso hídrico, no valão, no que for, porque isso tem efeito muito sério”, alertou. 

     


    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Saúde, Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Saúde, Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
     O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17

    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17

    A participação de jovens nas conferências internacionais sobre meio ambiente avançou nos últimos anos, mas ainda há um desafio: fazer com que eles sejam efetivamente integrados aos espaços de decisão. A avaliação é da advogada cearense Beatriz Azevedo, de 33 anos, uma das dez jovens reconhecidas em 2024 como Land Heroes (heróis da terra, em inglês) pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

    O título de Land Hero reconhece jovens e organizações de juventude que desenvolvem ações de enfrentamento à desertificação, à degradação da terra e à seca. A seleção busca dar visibilidade a agentes de mudança e aproximá-los dos processos da convenção.

    Para Beatriz, existe uma expectativa de que os jovens sejam parte da solução para a crise ambiental e climática, mas não são oferecidos estrutura, financiamento e oportunidades profissionais proporcionais a essa cobrança.

    Em entrevista à Agência Brasil, a advogada também fala sobre os desafios para transformar representatividade em influência política. Ela discute ainda o financiamento de iniciativas de restauração e as expectativas para a COP17 de Combate à Desertificação.

    A conferência começou na última segunda (17) e segue até 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia, sob o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”.

    Participam representantes de 197 países, além de cientistas, empresas, organizações da sociedade civil, povos indígenas, pastores, agricultores familiares e jovens para discutir restauração de terras, seca, segurança alimentar, financiamento e resiliência.

    Beatriz também é presidente da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e fundadora da ABA Climate Solutions, uma empresa de consultoria especializada em financiamento climático.

    A expectativa da ambientalista é de que a COP17 represente mais uma oportunidade para ampliar a visibilidade sobre problemas que atingem diretamente o Nordeste brasileiro. Enquanto as negociações climáticas costumam concentrar a atenção sobre a Amazônia, Beatriz avalia que a conferência sobre desertificação permite colocar a Caatinga e o Semiárido no centro das discussões.

     


    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17
Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto; Arquivo pessoal
    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17
Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto; Arquivo pessoal
    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17 Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto: Arquivo pessoal

    Confira a entrevista de Beatriz Avezedo à Agência Brasil

    Agência Brasil: Como representante brasileira do Land Hero, de que maneira você conecta as agendas da UNCCD com a realidade do Nordeste, região historicamente afetada pela seca e desertificação?

    Beatriz Azevedo: Levamos a nossa realidade local para o espaço da ONU por conta dos acessos que nos são abertos. Estive em países como Arábia Saudita, China e Panamá, onde tive espaços de fala para compartilhar a realidade do Ceará e as soluções com as quais venho trabalhando. Já são 14 anos nessa trajetória, então cheguei a um ponto em que quero focar nas soluções, nas ecologias e projetos que funcionam.

    A convenção aborda muito a perspectiva de conter e compensar a degradação, tanto pela conservação quanto pela restauração. Hoje, minha empresa está em processo para entrar na coalizão Business4Land, coalizão de empresas que promovem negócios ligados à terra.

    Muitos jovens premiados atuam diretamente na ponta. Uma amiga tem um projeto de restauração com moringa na África. Outro colega atua com agricultores na Índia. A minha iniciativa atua no meio do processo: conectando financiadores às iniciativas. Eu foco no debate sobre financiamento e políticas públicas, além de acompanhar a implementação de políticas estaduais no Conselho Estadual do Meio Ambiente. O objetivo é sempre integrar o contexto local ao internacional.

    Agência Brasil: Você tem participado há anos de diferentes conferências da ONU. Como avalia a participação da juventude nos espaços de decisão?

    Beatriz Azevedo: A participação avançou bastante. Na primeira COP da Desertificação que fui, em 2013, não havia espaço para a juventude. Hoje, temos o Youth Forum, programas como o Land Heroes, o Ecopreneur (para empreendedores verdes) e o Youth Negotiators, que treina jovens negociadores. Em termos de participação e presença, demos um salto de qualidade.

    O desafio atual é como fazer com que as contribuições dos jovens sejam de fato incorporadas nas decisões finais que são tomadas pelos países. Para isso, os jovens precisam atuar diretamente com seus governos nacionais.

    O governo brasileiro historicamente se mostra muito aberto a esse diálogo com o Itamaraty e com os ministérios, o que é fundamental para fundamentar as posições do país.

    Agência Brasil: Por que é necessária uma participação específica da juventude nesses debates ambientais e quais são as principais demandas que ela apresenta?

    Beatriz Azevedo: Há um debate muito forte sobre justiça climática e representatividade das diferentes juventudes existentes. Os jovens se caracterizam por colocar a “mão na massa”, com muita energia, e por apresentar projetos de grande impacto direto na ponta.

    Por outro lado, a juventude é a geração que está sendo preparada para tomar decisões e liderar em um cenário de “novo normal”, marcado pela crise climática e por fenômenos mais severos, como o El Niño.

    Uma juventude consciente da ciência e dos processos de tomada de decisão está muito mais bem preparada. Além disso, esses espaços promovem a articulação em rede com o governo e a sociedade civil, fortalecendo a formação das lideranças.

    Agência Brasil: Quais são suas principais expectativas em relação às pautas que precisam avançar nesta COP da Desertificação?

    Beatriz Azevedo: Vejo que o governo brasileiro tem enfatizado a bioeconomia, a ideia de que a restauração da terra deve caminhar junto com benefícios socioeconômicos, como geração de emprego e renda.

    Na minha empresa, discutimos projetos nessa linha. Por exemplo, a cultura da macaúba para a produção do combustível sustentável de aviação (SAF) pode ser associada a projetos de restauração. Outra frente são os projetos de restauração financiados pelo mercado de carbono.

    Precisamos de decisões que promovam ações sustentáveis do ponto de vista econômico, ambiental e social. Não se pode exigir a conservação sem oferecer meios de subsistência para quem cuida do território.

    É claro que isso deve caminhar lado a lado com a demarcação de terras indígenas e a garantia de direitos. O caminho é viabilizar o financiamento justo para que chegue aos assentamentos rurais e comunidades locais, promovendo a repartição de benefícios.

    Agência Brasil: A COP da Desertificação costuma receber menos atenção do público do que as COPs do Clima e da Biodiversidade. Como você avalia essa diferença e a possibilidade de torná-la mais conhecida?

    Beatriz Azevedo: Ela é de fato menos conhecida. A do Clima vem em primeiro lugar, seguida pela de Biodiversidade e, por fim, a de Desertificação, até por ser um tema muito associado a regiões específicas, como o semiárido nordestino no Brasil.

    Porém, vejo isso como uma oportunidade. Enquanto na COP do Clima a atenção internacional sobre o Brasil se volta prioritariamente para a Amazônia, a COP de Desertificação dá visibilidade para a Caatinga e o Semiárido. É um espaço valioso para o Nordeste pautar suas demandas diretamente com o governo e outros países.

    Agência Brasil: Muitos jovens ativistas relatam uma sensação de sobrecarga e ansiedade. Como você vê esse cenário de pressão sobre os jovens por mais engajamento e resultados, enquanto precisam lidar com notícias frequentes sobre emergência climática, degradação ambiental e incertezas sobre o futuro da humanidade?

    Beatriz Azevedo: Essa reflexão é muito válida. Entre 2016 e 2021, eu me afastei do processo da ONU justamente por me sentir sobrecarregada ao participar das conferências, mas não ver as coisas mudarem no ritmo necessário. Decidi, então, focar no trabalho local.

    Existe uma narrativa forte de que “o jovem é a solução”, mas há pouca estrutura e financiamento dedicados a isso. O trabalho no terceiro setor muitas vezes é instável, apoia-se excessivamente no trabalho voluntário e oferece remunerações precárias. O ativismo abre portas e dá visibilidade, mas nem sempre se traduz em emprego e renda imediatos.

    Esse cenário impacta a saúde mental. Quando retornei para o espaço internacional, mudei meu foco para o financiamento, pois entendi que esse era o principal gargalo: como fazer os recursos chegarem a quem executa.

    Agência Brasil: Qual mensagem você deixaria para os jovens que desejam se engajar na pauta ambiental?

    Beatriz Azevedo: Gostaria de deixar uma mensagem de esperança e incentivo. Embora o tema pareça por vezes pesado, trabalhar com a agenda ambiental é uma oportunidade de atuar alinhado aos seus propósitos e gerar um impacto positivo na sociedade por meio de novas soluções, tecnologias e projetos. Vale a pena seguir esse caminho profissional e de vida.

    Cobertura na Mongólia

    A Agência Brasil acompanha a COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17

    Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17

    A seca deixou de ser um problema apenas das regiões áridas do planeta e passou a atingir lugares antes considerados menos vulneráveis. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30% desde 2000.

    Essa face da crise climática será um dos temas centrais da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que acontecerá em Ulaanbaatar, na Mongólia, entre este domingo (17) e 28 de agosto. Para a secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, o momento pede urgência na aplicação de soluções concretas nos territórios.

    “A questão já não é reconhecer a seca como um risco global, mas agir cedo o suficiente para evitar que seus impactos se espalhem pelas comunidades, economias e fronteiras”, afirma Fouad em entrevista à Agência Brasil.

    As projeções são de que, até 2050, três em cada quatro pessoas no mundo poderão ser afetadas, enquanto a demanda global por água deve superar a oferta em até 40% até 2030.

    No Brasil, todas as cinco regiões tiveram registros de seca, com diferentes intensidades, em julho de 2026. Pelo menos 157 municípios foram classificados em situação de “seca severa”, o que significa que sofreram queda acentuada de umidade no solo e estresse hídrico na vegetação, com perdas na agricultura. 

    O fenômeno no país é acompanhado pelo Monitor de Secas, coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e por boletins mensais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Antonio Marengo, explica que o problema deve se intensificar nos próximos meses.

    “O que observamos em todo o país é uma tendência de ressecamento. Vemos a diminuição dos totais de chuvas e o aumento da temperatura. Há um risco de que o desequilíbrio entre precipitação e evaporação leve a situações de agravamento das secas”, analisa Marengo.

    Problema global

    Ao redor do mundo, o Observatório Global da Seca destacou que, em julho, a Europa registrou temperaturas acima da média, com uma onda de calor prolongada. Mas o problema é mais amplo.

    As condições de seca se apresentam de forma mais intensa nas seguintes regiões:

    • Europa: Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Hungria e Romênia; 
    • África: Sul e Centro do continente, como Sudão, Etiópia, Zâmbia e Magadascar;
    • Oriente Médio: Irã e Omã;
    • Ásia: Centro e Sudeste, como Cazaquistão, China e Filipinas.

    O fenômeno pode assumir diferentes formas, como a seca meteorológica, que ocorre quando as precipitações permanecem abaixo da média durante um período prolongado.

    A seca agrícola, por sua vez, reduz a umidade disponível para as plantas e compromete lavouras e pastagens.

    Já a seca hidrológica afeta rios, reservatórios e aquíferos, e provoca impactos sobre o abastecimento humano, a geração de energia, a navegação e a biodiversidade.

     


    Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Seca impacta agricultura, alimentação e segurança hídrica no Brasil. Crédito: ASA / Divulgação
    Da Amazônia à Europa, seca avança e movimenta debates na COP17. Seca impacta agricultura, alimentação e segurança hídrica no Brasil. Crédito: ASA / Divulgação
    Seca impacta agricultura, alimentação e segurança hídrica no Brasil. Crédito: ASA / Divulgação

    Impacto desigual

    Não dá mais para tratar o problema como algo isolado, alerta o diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Alexandre Pires.

    “Se pegarmos dados do Cemaden, que faz o monitoramento das secas no Brasil, nos últimos 30 anos, nós tivemos secas severas nas cinco macrorregiões do país”, diz o diretor.

    “É claro que, em determinadas regiões, o problema é mais grave, como é o caso da Região Nordeste e do Norte de Minas Gerais. Entre 2012 e 2017, tivemos uma seca muito impactante no semiárido do ponto de vista das reservas hídricas e da alimentação para os animais”.

    A seca costuma atingir com maior intensidade populações que dependem diretamente dos recursos naturais para sobreviver, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.

    O caso da Amazônia é emblemático. Com a maior floresta tropical e a maior bacia hidrográfica do planeta, a região passou a enfrentar secas históricas. Em 2023 e 2024, rios de diversos municípios da região atingiram os menores níveis já registrados. Comunidades ficaram isoladas, transporte fluvial foi interrompido, houve dificuldades com o abastecimento de alimentos e de medicamentos.

     


    Tefé (AM) 21/10/2023 – Um indigena obserna o leito do rio Amazonas em Tefé (AM) praticamnete seco.
 Foto: Alex Pazuello/Secom
    Tefé (AM) 21/10/2023 – Um indigena obserna o leito do rio Amazonas em Tefé (AM) praticamnete seco.
 Foto: Alex Pazuello/Secom
    Um indigena observa o leito do Rio Amazonas em Tefé (AM) praticamnete seco, em 2023. Foto: Alex Pazuello/Secom

    Para alertar sobre o tema, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) lançou um boletim no fim do ano passado em que alerta para os efeitos sobre os povos tradicionais da região.

    Segundo o coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, secas e queimadas ameaçam os territórios e modos de vida que sustentam o planeta.

    “O que vivenciamos não foi uma estiagem isolada, mas um colapso ambiental em curso”, destacou Toya Manchineri quando o boletim foi lançado.

    “A crise climática se manifesta no cotidiano das comunidades. Quando o rio seca, o peixe desaparece, o barco não chega e a floresta, antes úmida, passa a queimar”.

    No monitoramento recente feito pelo Cemaden, os territórios indígenas afetados pela seca severa passaram de três, em junho, para 17, em julho. O órgão destaca o agravamento do problema nos distritos sanitários especiais indígenas de Alto Rio Negro (AM), Parintins (AM), Kaiapó do Pará (PA), Tocantins (TO) e Araguaia (MT e TO).

    Em relação aos assentamentos rurais, houve aumento de duas para 44 áreas afetadas pela seca extrema, e crescimento de 102 para 309 áreas afetadas pela seca severa. Pará, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas concentram a maior parte das áreas afetadas.

     


    Porto Jofre (MT) 17/11/2023 – Detalhe de arvores queimadas durante incêndio florestal que atige o Pantanal.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
    Porto Jofre (MT) 17/11/2023 – Detalhe de arvores queimadas durante incêndio florestal que atige o Pantanal.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
    Detalhe de arvores queimadas durante incêndio florestal que atingiu o Pantanal em 2023. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

    Seca relâmpago

    Além de mudanças na frequência e na intensidade, as secas passaram a apresentar diferenças expressivas também na duração. Impulsionadas pelo aquecimento global, essas estiagens severas estão mais longas, explica o pesquisador Humberto Alves Barbosa, coordenador e fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

    Humberto destaca também os impactos identificados mais recentemente de um tipo de seca de curta duração, conhecido como seca-relâmpago.

    “Essas secas costumam ocorrer durante o verão, acompanhadas de aumento do calor, com início rápido e forte intensidade. O fenômeno dura apenas alguns dias ou semanas. Porém, o efeito combinado da redução da cobertura vegetal e do aumento das temperatura durante as secas piora ainda mais a condição de aridez da região”, explica o pesquisador.

    El Niño

    Preocupações sobre a seca aumentaram este ano, com a previsão de chegada de um El Niño mais intenso do que os anteriores. Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno costuma alterar a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta e modificar a distribuição das chuvas.

    Segundo as previsões mais recentes da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o El Niño deve ficar mais forte entre agosto e outubro de 2026. O padrão esperado de chuvas indica condições mais secas que o normal principalmente na Índia e partes do sul da Ásia, na Austrália Meridional e Oriental, na América Central e Caribe, no Noroeste da América do Sul e no Norte da Europa.

    No Brasil, o fenômeno pode provocar secas mais severas em algumas regiões, alerta o pesquisador Humberto Barbosa.

    “Historicamente, um El Niño de intensidade muito forte está associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas no Norte, Nordeste e áreas do Centro-Oeste. Ele deve afetar tanto a umidade do solo quanto a vazão dos rios. Estas regiões ficam mais vulneráveis às secas prolongadas ou às secas relâmpagos e às queimadas”, diz Humberto.

    O Programa Mundial de Alimentos (PMA) estima que a seca e os demais impactos climáticos associados ao El Niño podem agravar significativamente a insegurança alimentar em 45 países.

    A análise mais recente aponta que a população em insegurança alimentar aguda pode aumentar de cerca de 225 milhões para 275 milhões de pessoas, caso os impactos previstos se concretizem. Os maiores aumentos são esperados nas Américas Central e do Sul, no Caribe e no Sul da África.

     


    Brasília (DF) 26/08/2024- Brasília amanhece encoberta por fumaça de queimadas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
    Brasília (DF) 26/08/2024- Brasília amanhece encoberta por fumaça de queimadas.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
    Brasília amanhece encoberta por fumaça de queimadas em 2024. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

    Seca na COP17

    Em vez de concentrar esforços apenas na resposta às emergências, governos têm sido estimulados a investir em monitoramento, sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas, gestão integrada da água e fortalecimento da capacidade de adaptação das populações.

    A expectativa é que o tema ganhe força na conferência, prevê o diretor do Departamento de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca.

    “Existe hoje um fórum político, a Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA, na sigla em inglês), da qual o Brasil passou a fazer parte em 2024. A expectativa é que essa articulação influencie as negociações e estimule os países a investir mais recursos para enfrentar as secas, porque esse é um problema que precisa ser tratado antes de virar uma emergência ainda maior”, diz Alexandre.

    Criada durante a COP27 do Clima, em 2022, a IDRA reúne governos e organizações internacionais. A iniciativa busca fortalecer a cooperação entre os países, ampliar o compartilhamento de informações e incentivar investimentos em ações de adaptação.

    Cobertura na Mongólia

    A Agência Brasil vai acompanhar as duas semanas da COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.

    Nos próximos dias, a Agência Brasil publica uma série de matérias com informações sobre a conferência e como os temas debatidos nela afetam o Brasil.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Agência climática prevê 90% de chance de El Niño muito forte

    Agência climática prevê 90% de chance de El Niño muito forte

    Depois de registrar um fortalecimento do El Niño em julho, a agência climática norte-americana National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) aponta uma chance de 90% para a ocorrência de um evento muito forte entre outubro e dezembro deste ano.

    No boletim de 9 de julho, a agência calculava em 81% a probabilidade de um El Niño muito forte no terceiro trimestre deste ano.

    De acordo com a NOAA, há 69% de chance de acontecer um evento histórico, com o aquecimento superando episódios registrados desde 1950.

    A agência avalia que com a chegada de um fenômeno dessa magnitude, “as chances de vivenciarmos impactos consistentes com o El Niño são maiores, mas não garantidos”.

    O próximo boletim será publicado no dia 10 de setembro.

    A NOAA monitora as temperaturas na superfície do Oceano Pacífico Equatorial.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mapbiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño

    Mapbiomas: menor vegetação nativa expõe mais o país ao El Niño

    Em 41 anos, a vegetação nativa foi reduzida a 65% do território brasileiro, aponta a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira (12). 

    Ao longo dessas quatro décadas, áreas onde as florestas permaneceram foram menos afetadas pelo fenômeno El Niño ─ aquecimento da superfície equatorial do Oceano Pacífico que causa eventos climáticos extremos na América do Sul.

    A nova coleção traz resultados do mapeamento do território nacional, de 1985 até 2025, a partir de 33 classes de cobertura da terra, como biomas, atividades humanas, tipos de vegetação e superfície de água, por exemplo.

    Nesta edição, os dados foram cruzados aos da plataforma MapBiomas Atmosfera, que monitora o clima e a qualidade do ar no país. Os pesquisadores observaram especialmente a ocorrência de extremos climáticos, como secas e temporais, no trimestre de setembro a novembro, durante os anos com El Niño – 1997/98, 2015/16, 2023/24.

    Na análise, os pesquisadores puderam observar que, nesses anos em que o fenômeno foi mais intenso, a maior parte dos biomas brasileiros foi afetada por secas e ausência de chuva. As exceções foram nos biomas Pampa e em parte da Mata Atlântica, onde houve um aumento da precipitação.

    Impacto por bioma

    A Amazônia foi o bioma mais afetado pelo déficit de chuvas nos três El Niño, sendo que, no último, ocorrido em 2023/2024, os efeitos mais intensos registrados foram nas áreas de agropecuária. Essas regiões, onde o ser humano deu outro tipo de uso à terra que antes abrigava floresta, sofreram uma redução de 178 milímetros de precipitação em relação à média histórica.

    O Pantanal foi drasticamente afetado pelo último El Niño ocorrido, o que levou o bioma a registrar o ano mais seco da série histórica em 2024. No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a seca foi ficando mais intensa a cada novo fenômeno. As áreas de vegetação nativa foram as mais afetadas nesses biomas.

    As áreas de agropecuária também foram as mais afetadas no Pampa pelos extremos climáticos ocorridos durante o El Niño. Mas, diferentemente da Amazônia, o bioma foi impactado pelo excesso de chuva, especialmente nos últimos dois fenômenos analisados.

    Vegetação

    Em 1985, a vegetação nativa do país ocupava 79% do território brasileiro e, em 2025, esse percentual caiu para 65%.  Durante esses 41 anos, a formação florestal foi o tipo de vegetação que perdeu mais área pela ação humana. Foram menos 65 milhões de hectares, seguido da formação savânicas, com menos 46 milhões de hectares, e dos campos alagados, que perderam 6,3 milhões de hectares.

    “Embora a perda tenha sido maior em florestas, proporcionalmente a perda maior foi das formações savânicas, que perderam 30% de toda a sua área nesse período”, diz o coordenador-geral do MapBiomas, Tasso Azevedo.

    Em todo o período estudado, 557 milhões de hectares mapeados mantiveram a mesma classe de cobertura ou uso da terra. Desse total, a maioria, 335 milhões de hectares, foram florestas mantidas em pé.

    Atividades humanas

    A agropecuária é a classe que mais ocupou área no país, sendo que, em 2025, já representava 32% do território do país, enquanto que, em 1985, estava presente em apenas 18% do Brasil.

    A pastagem cresceu em 61,6 milhões de hectares ao longo do período estudado, enquanto a agricultura cresceu sobre 48 milhões de hectares.

    Essas atividades ocuparam áreas antes de vegetações nativas dos seis biomas brasileiros de forma desigual. A Amazônia e o Cerrado foram os que mais perderam em tamanho de área, com reduções de 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente.

    Caatinga, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal perderam respectivamente 10,1; 4,9; 4 e 1,9 milhões de hectares.

    “A Mata Atlântica perdeu menos porque já tinha perdido anteriormente e também porque está em uma trajetória, nos últimos 20 anos, que estabilizou e, em alguns lugares, cresceu a área de vegetação nativa, especialmente florestas”, explica Tasso Azevedo.

    Já proporcionalmente, Cerrado e o Pampa apresentam as maiores reduções com perdas de 34% e 32%, respectivamente.

    Estados e DF

    No recorte por estados, a nova coleção aponta que, entre 1985 e 2025, 25 dos 26 estados brasileiros e o Distrito Federal reduziram a participação da vegetação nativa em seus territórios. O Rio de Janeiro foi a única exceção, após recuperar 1% da cobertura verde de seu território.

    Nesses 41 anos, os estados que mais perderam vegetação nativa proporcionalmente aos seus territórios foram Rondônia com redução da vegetação nativa de 92% para 59%, entre 1985 e 2025. Maranhão, que passou de 91% para 61%; Mato Grosso e Tocantins, ambos com redução de 90% para 61%.

    Novidade

    As marismas, áreas pantanosas sob influência de água salobra foram mapeadas pela primeira vez no estudo do Mapbiomas, ainda em versão beta. Em 2025, foram mapeados 6,9 mil hectares de marismas, apenas no bioma Pampa.

     As principais vegetações presentes nas marismas são herbáceas, formadas por gramíneas e juncos adaptados à água salgada, já que esses ecossistemas ocorrem nas margens dos estuários e recebem tanto água doce de rios ou lagunas, quanto a água do mar.

    As que entraram no estudo, estão localizadas nas zonas estuarinas das lagoas Tramandaí-Armazém, Lagoa do Peixe, Laguna dos Patos e na foz do Arroio Chuí.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Ondas de calor ainda são negligenciadas no Brasil, diz pesquisadora

    Ondas de calor ainda são negligenciadas no Brasil, diz pesquisadora

    As ondas de calor ainda são um desastre “completamente negligenciado” no Brasil e podem se tornar mais frequentes e intensas com a chegada de um novo El Niño. O alerta é da professora do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renata Libonati, que também é membro do Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

    Com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de 14 regiões metropolitanas do país, a pesquisadora afirma que foram identificadas 50 mil mortes motivadas por ondas de calor entre os anos 2000 e 2020. Apesar do número expressivo, o problema ainda não recebe a devida importância, na avaliação da pesquisadora.

    “Esse número é 20 vezes maior do que o número de mortes por deslizamentos de terra no mesmo período. Isso significa que as ondas de calor ainda são um desastre completamente negligenciado no nosso país. Não têm o impacto de outros tipos de tragédia, em que as mortes são imediatas. Estamos acostumados a achar que, por morarmos em um país tropical, estamos acostumados com calor. E isso não é verdade”, disse Renata Libonati.

    A afirmação foi feita durante o painel O que esperar do El Niño, realizado nesta terça-feira (11) no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Também participaram os pesquisadores Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP), e José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    O fenômeno climático, que altera a circulação dos ventos e o clima em todo o planeta, deve fazer com que 2026 registre temperaturas excepcionalmente altas, disseram os especialistas.

    Além dos impactos sobre a saúde, Renata Libonati apresentou dados que relacionam El Niño, ondas de calor, secas e incêndios. Segundo ela, o fenômeno pode favorecer o acoplamento desses eventos, aumentando as condições para propagação do fogo.

    “Nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado de fogo aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Temos um contexto de mudança climática com um acoplamento maior entre seca, fogo e ondas de calor”, afirmou.

    Impactos variam entre regiões

    José Marengo, do Cemaden, ressaltou que os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o país. No Sul, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas e, consequentemente, ao maior risco de enchentes.

    No Norte e no Nordeste, a tendência é de redução das chuvas e aumento do risco de seca. No Centro-Oeste, pode haver atraso no início da estação chuvosa e mais ondas de calor. No Sudeste, a expectativa é de temperaturas elevadas e maior irregularidade das chuvas.

    “O El Niño não cria problemas. Ele agrava a situação de problemas que já existem”, resumiu Marengo.

    O pesquisador também destacou que os efeitos do fenômeno ultrapassam o campo meteorológico e podem atingir a produção de alimentos, o transporte, o fornecimento de energia e a economia.

    “Não vemos o El Niño só como um fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico. É um choque climático que afeta todos esses setores, portanto, tem impacto sobre a vida de todas as pessoas”, disse.

    Preparação

    Paulo Artaxo participou dos três últimos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal órgão científico global das Nações Unidas. Segundo o pesquisador, o Brasil precisa acelerar a adaptação a um clima que já apresenta temperaturas mais elevadas e maior frequência de eventos extremos. O país já registra aquecimento médio próximo de 2°C, acima da média global.

    Para Artaxo, experiências anteriores de desastres deveriam ter servido de lição para governos municipais, estaduais e federal.

    “A gente tinha que mais bem preparado para a chegada de um próximo El Niño, para não repetir sofrimentos iguais aos que tivemos em 2024”, afirmou.

    Ele destacou também que os processos de adaptação climática nas cidades devem levar em consideração as desigualdades sociais, porque os efeitos dos eventos extremos não atingem a população de maneira uniforme.

    “Esses fenômenos impactam principalmente os mais vulneráveis, os mais pobres”, afirmou.

    A vulnerabilidade está relacionada, entre outros fatores, ao acesso desigual aos serviços de saúde, às condições de moradia, à exposição ao ar livre e à possibilidade de utilização de mecanismos de refrigeração. O pesquisador citou a diferença entre pessoas que podem utilizar ar-condicionado durante períodos de calor extremo e moradores de comunidades que vivem em casas com telhados de zinco, que podem permanecer expostas a temperaturas elevadas durante a noite.

    “É responsabilidade nossa cuidar para minimizar esses danos na população”, disse Artaxo. “O Brasil é a nona maior economia do planeta. Nós não somos um país pobre. Nós não precisamos nem podemos passar por esses problemas que temos passado por falta de estratégia de adaptação climática.”

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original