Tag: Cinema Brasileiro

  • Projeto apoiará 11 longas em estágio inicial de desenvolvimento

    Projeto apoiará 11 longas em estágio inicial de desenvolvimento

    A segunda edição do HBF+Brazil: Iniciativa de Apoio ao Desenvolvimento abre, no próximo dia 3 de setembro, a seleção de 11 novos longas-metragens brasileiros de ficção em estágio inicial de desenvolvimento. As candidaturas serão recebidas até 10 de setembro, pela internet

    A chamada se destina a projetos dirigidos por cineastas brasileiros em seu segundo ou terceiro longa-metragem e que tenham uma produtora brasileira associada. 

    A divulgação dos projetos aprovados nesta segunda edição do HBF+Brazil está prevista para fevereiro de 2027.

    O projeto é uma parceria entre a RioFilme, empresa pública da capital fluminense; o Hubert Bals Fund, fundo ligado ao Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR); o Projeto Paradiso e a Spcine.

    Com apoio da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), o HBF+Brazil destinará 10 mil euros a cada projeto selecionado para que os realizadores possam avançar em seu desenvolvimento.

    Os projetos selecionados na primeira edição foram:

    • Bicho, de Madiano Marcheti (Cuiabá – MT)
    • Brasa, de Marcelo Caetano (São Paulo – SP)
    • Enquanto não voltam, de Anita Rocha da Silveira (Rio de Janeiro – RJ)
    • Irmã mais velha, de Rafaela Camelo (Rio de Janeiro, RJ)
    • Laguna, de Maurílio Martins (Belo Horizonte – MG)
    • Múmia Tropical, de Lucas Parente (Rio de Janeiro – RJ)
    • Olhos de Yara, de Lincoln Péricles (Ilha Comprida – SP)
    • Papiloscopista, de Carlos Segundo (São Paulo – SP)
    • Sobre Noix, de Luciano Vidigal (Rio de Janeiro – RJ)
    • Um longo despir-se, de Pedro Geraldo (São Paulo – SP)

    Projeção internacional

    Quatro vagas serão destinadas a projetos ligados à cidade do Rio de Janeiro, com apoio da RioFilme; quatro projetos deverão ser ligados à cidade de São Paulo, com apoio da Spcine; já o Projeto Paradiso apoiará um projeto de outras regiões do país; e a Embratur apoiará dois projetos fora do eixo dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

    De acordo com o presidente da RioFilme, Leonardo Edde, um dos objetivos é que o Ministério da Cultura também se una aos demais patrocinadores do projeto. 

    “Quanto mais tivermos outros investimentos, mais conseguiremos explorar toda essa diversidade do Brasil”, destacou Edde.

    O presidente da RioFilme informou que esse novo edital faz parte do programa Destination Rio, que integra o planejamento estratégico da prefeitura carioca para o período 2025/2028 de internacionalização do cinema e do audiovisual carioca. 

    “A gente traz parceiros do mundo para desenvolver projetos que tenham grande potencial internacional, sejam filmes claramente comerciais, no sentido de grandes projetos de público, como aqueles desenvolvidos no melhor caminho, que é a presença nos grandes festivais de cinema e prêmios internacionais”, afirmou.

    O Hubert Bals Fund (HBF) foi criado pelo Festival Internacional de Cinema de Roterdã, na Holanda, em 1988, e atua no apoio a cineastas de diferentes regiões do mundo, contribuindo para o desenvolvimento e a realização de projetos cinematográficos.

    Por meio do HBF+Brazil, a atuação do fundo ganha uma frente dedicada exclusivamente a projetos brasileiros. O programa faz parte do compromisso histórico do HBF com o cinema brasileiro, uma vez que o Brasil é o país mais apoiado pelo fundo em seus 35 anos de história.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • “Cabeças Cortadas”, de Glauber Rocha, ganhará versão restaurada em 4k

    “Cabeças Cortadas”, de Glauber Rocha, ganhará versão restaurada em 4k

    Cabeças Cortadas é um filme que está entre o teatro e a poesia”, explicou Glauber Rocha sobre a obra, uma produção hispano-brasileira rodada em 1970, na Catalunha, no norte da Espanha.

    Com uma metáfora sobre a decadência das ditaduras tanto na América Latina quanto na Península Ibérica, o longa-metragem ganhará versão 4k em 2027, 45 anos depois da morte do artista, graças a uma restauração realizada pela indústria do cinema espanhol.

    A obra retrata a “decadência de um ditador”, nas palavras de Glauber, trazendo para a tela um tirano que ora tinha referências de déspotas latino-americanos ora de Francisco Franco, ditador espanhol. Atormentado por seus atos, o personagem espera a chegada da morte.

    O filme tem cena icônicas, como a do telefone, quando o déspota Diaz II, interpretado pelo espanhol Francisco Rabal, questiona efeitos climáticos e relembra que já chegou a “extinguir vulcões”.

    Na mesma cena, ele manda chamar de volta um filósofo exilado para assumir uma fundação que pretende criar, com o lucro da venda de sua produção agrícola aos Estados Unidos.

     


     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
    Ator Francisco Rabal no filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    Quebra de padrões

    Controverso e enigmático, Cabeças Cortados pode ser de difícil compreensão para quem não conhece o contexto latino e, talvez, por isso, não tenha agradado ao público menos habituado à estética de Glauber, que rompia com padrões comerciais do cinema Hollywoodiano.

    No entanto, despertou a atenção de críticos e realizadores mais jovens que se puseram a defender a obra, feita durante o exílio do cineasta brasileiro por causa da perseguição do regime militar no Brasil.

    Para o diretor e crítico de cinema Cavi Borges, Cabeças Cortadas é uma obra clássica, tanto pelo tema, que reflete sobre a dominação norte-americana, o racismo e o fascismo, quanto pelo rompimento estético com os padrões do cinema comercial.

    “O filme de Glauber e o que ele representa vão na contramão do momento em que vivemos, em que o cinema norte-americano e seu streaming (exibição online) crescem e dominam toda a indústria, ou seja, produzem, distribuem e exibem os conteúdos, ignorando o valor do autor e monopolizando o mercado”, avaliou Borges, à Agência Brasil.

    Para o diretor brasileiro, é importante que uma nova geração tenha acesso à obra de Glauber, que ele classificou ainda como única e especial.

    “Esse é um dos últimos filmes do Glauber que ainda não tinham sido restaurados, uma obra internacional que celebra o cinema anti-imperialista”, completou.

     


     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
     Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé
    Filme Cabeças Cortadas (1970), de Glauber Rocha. Foto: FlixOlé

    “Joia rara”

    Em versão restaurada, Cabeças Cortadas retornará digitalizado em 4k, com correção de cor, imagem e som. O projeto reúne a Escola de Cinema de Madrid (Ecam), a Vídeo Mercury Films e a FlixOlé, distribuidora e plataforma de streaming especializada no cinema espanhol. A Ecam e as empresas têm se dedicado à digitalização e restauração de obras-primas do cinema mundial.

    As organizações, em nota conjunta, afirmaram que a iniciativa devolve Cabeças Cortadas, uma obra “única da filmografia de Glauber”, ao seu devido lugar na história do cinema:

    “O de uma joia rara do cinema espanhol que, ligada à América Latina e à vanguarda europeia, se conecta a um cinema teatral, histórica e politicamente revolucionário”.

    Representante da FlixOlé e da Video Mercury Films, Miguel López disse que se trata de “um filme completamente esquecido e inacessível”, o que o projeto pretende mudar.

    “É uma oportunidade para que seja novamente apresentado ao público graças à nova cópia digital”, disse.

    O projeto de revitalização também incluiu um website para que o público possa acompanhar o processo e conhecer mais a obra. Lá, estão depoimentos de artistas que participaram da filmagem, como Paco Rabal; bastidores das gravações, que enfrentaram o os fortes ventos da Tramontana; além de relatos sobre o jeito peculiar de Glauber de filmar. A improvisação de cenas era parte da liberdade criativa do autor, figura chave do Cinema Novo Brasileiro.

    Para Glauber, que explicou sua ideia com o filme no encarte de divulgação, Cabeças Cortadas é um filme do “Terceiro Mundo sobre o Terceiro Mundo”.

    “É um filme que procura uma comunicação com a sensibilidade do espectador, usando uma linguagem diferente da do cinema tradicional”, disse.  

    “Nesse caso, o espectador deve aceitar o filme como quem lê um poema, ouve uma música ou vê uma exposição de pintura”, avisou o cineasta, conhecido por obras como Deus e o diabo na terra do sol (1964) e Terra em transe (1967). Glauber Rocha morreu em 1981, aos 42 anos.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos, no Rio

    Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos, no Rio

    A atriz Glória Menezes morreu nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro, aos 91 anos. A causa da morte não foi divulgada pela família.

    Reverenciada com frequência como uma das damas da teledramaturgia brasileira, ela protagonizou novelas de sucesso, destacando-se nesse gênero no país desde a década de 1950.

    Nascida Nilcedes Soares de Magalhães, em Pelotas (RS), em 1934, a atriz iniciou a carreira no teleteatro da TV Tupi. Sua primeira novela foi Um Lugar ao Sol, em 1959.

    Ao longo de mais de seis décadas, participou de cerca de 40 produções para televisão, além de realizar trabalhos no teatro e no cinema. Ela esteve em vários longas-metragens, como o filme O Pagador de Promessas, ao lado de Leonardo Villar, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962.

     


    A atriz Glória Menezes morreu aos 91 anos nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro. Foto: Instagram/gloriamenezesoficial
    A atriz Glória Menezes morreu aos 91 anos nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro. Foto: Instagram/gloriamenezesoficial
    A atriz Glória Menezes morreu aos 91 anos nesta terça-feira (18), em sua casa, no Rio de Janeiro. Foto: Instagram/gloriamenezesoficial

    Na televisão, a atriz participou de novelas como Irmãos Coragem, Brega & Chique, Rainha da Sucata, Páginas da Vida e A Favorita.

    Em 1963, durante a novela 2-5499 Ocupado, a primeira telenovela diária do país, trabalhou com Tarcísio Meira, com quem se casou no mesmo ano e manteve uma parceria artística em diversas produções. Com o marido, Glória atuou em grandes sucessos, entre as quais Sangue e Areia, Rosa Rebelde, Espelho Mágico e Guerra dos Sexos.

    Os dois foram casados por 59 anos, até que Tarcísio Meira morreu em 12 de agosto de 2021, de covid-19.

    Glória atuou no teatro e no cinema até os anos 2000. Um de seus últimos trabalhos na TV foi Totalmente Demais, de 2015, no qual interpretou a personagem Stelinha.

    Glória Menezes deixa três filhos: Maria Amélia e João Paulo, de uma união anterior, e Tarcísio Filho, do casamento com Tarcísio Meira.

    A família não informou até o momento onde será realizado o velório da atriz.

    Perda para a cultura

    Em nota, o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou que a perda de Glória Menezes entristece a cultura e a arte do país.

    “Uma grande atriz que construiu uma trajetória de mais de seis décadas nos palcos, no cinema e, principalmente, na televisão. Um dos rostos mais populares do Brasil deu vida a personagens que atravessaram gerações”.

    Couto relembrou que Glória Menezes, conhecida ao longo de sua carreira por sua versatilidade e talento, interpretou mocinhas, vilãs e personagens de grande destaque. “Sua contribuição para a dramaturgia brasileira deixa um legado que permanecerá na memória do público e das novas gerações de artistas”.

    O desembargador manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores de Glória Menezes. “Que sua história e sua arte permaneçam vivas na memória de todos”, concluiu.

    O Ministério da Cultura também manifestou pesar pela morte da atriz e solidariedade aos familiares, amigos, colegas de profissão e admiradores.

    “Com uma carreira que atravessou diferentes momentos da história da televisão, do teatro e do cinema no Brasil, Glória Menezes deixa um importante legado para a dramaturgia e para a memória cultural do país”, diz o texto, que narra a trajetória da atriz.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original