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  • Flip 2026: Conversa com o Autor traz especial com Bethânia Pires Amaro

    Flip 2026: Conversa com o Autor traz especial com Bethânia Pires Amaro

    Neste domingo, às 12h30, a Rádio MEC leva ao ar uma edição especial do programa Conversa com o Autor, gravada diretamente da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2026).

    Conduzido pela jornalista Katy Navarro, o bate-papo recebe Bethânia Pires Amaro, um dos nomes mais celebrados da literatura brasileira contemporânea. 

    Nascida em Recife, criada na Bahia e radicada em São Paulo, Bethânia Pires Amaro fala sobre suas obras, que abordam temas como memória, família, pertencimento e identidade. 

    Vencedora dos prêmios Sesc de Literatura, APCA e Jabuti, a coletânea de contos O Ninho, da autora, explora relações familiares complexas, principalmente sob o ponto de vista de mulheres marcadas por perdas, violência, maternidade, pobreza, culpa e pertencimento.  

    O programa destaca ainda o lançamento do primeiro romance de Bethânia, Ressalga, história que acompanha três gerações de mulheres baianas cujas vidas são marcadas por heranças familiares, violência e resistência.

    A história começa com Janaína, que nasce no interior da Bahia e, após um escândalo, deixa sua cidade para atravessar o sertão trabalhando como lavadeira. Décadas depois, sua descendência continua enfrentando os ecos desse passado.

    Entre o sertão e Salvador, o destino marcado por medo, vulnerabilidade e afeto passam de mãe para filha. É um programa que gera vontade de ouvir e incentiva a leitura de obras de uma das principais autoras da nova literatura brasileira. 

    O programa 

    Apresentado e produzido pela jornalista Katy Navarro, o Conversa com o Autor tem quase 30 minutos de duração e gira em torno de lançamentos, títulos, curiosidades, processo criativo, sugestões de obras, leituras e as diversas narrativas literárias dos autores brasileiros. Em 2023, o programa completou uma década.

    Os episódios da nova temporada também ficam disponíveis em formato de videocast no canal da emissora pública no YouTube.

    A Rádio MEC

    Conhecida de norte a sul do país como A Rádio de Música Clássica do Brasil, a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.

    A Rádio MEC oferece aos ouvintes a experiência de acompanhar repertórios segmentados, composições originais e produções qualificadas. Há espaço também para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.

    A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no app Rádios EBC.

    Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.

    Serviço   

    Conversa com o Autor – Entrevista Bethânia Pires Amaro – domingo, dia 6/9, às 12h30, na Rádio MEC AM.   
       
    Rádio MEC na internet e nas redes sociais:
    Site: https://radiomec.ebc.com.br 
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    Como sintonizar a Rádio MEC:
    Rio de Janeiro: FM 99,3 MHz e AM 800 kHz
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    Parabólica – Star One C2 – 3748,00 MHz – Serviço 3
    Celular – App Rádios EBC para Android e iOS

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Bethânia Amaro estreia no romance, dando voz a profissionais do sexo

    Bethânia Amaro estreia no romance, dando voz a profissionais do sexo

    A transformação da Ladeira da Montanha, que liga as cidades Alta e Baixa em Salvador (BA), do passado boêmio até a condição atual de abandono, foi o ponto de partida para que a escritora Bethânia Pires Amaro buscasse a história de mulheres que tiveram papel central na região, entre as décadas de 1950 e 1970. Elas eram profissionais do sexo, quando o local era reduto da boemia e da vida noturna, e acabaram invisibilizadas na memória oficial.

    “Essas mulheres tinham sido o coração daquela região, daquele centro histórico, e não havia nada na voz delas, não havia nada mesmo. Foi uma invisibilização da existência dessas mulheres”, disse a escritora.

    Em Ressalga, seu romance de estreia, Bethânia retoma os tempos de efervescência da região, que reunia artistas, intelectuais e políticos, e constrói uma narrativa inspirada na trajetória dessas mulheres. A obra é permeada por acontecimentos históricos do país, como a morte de Getúlio Vargas, e figuras reais, como o médium Zé Arigó.

    “A ideia é que o leitor se sentisse transportado para Salvador e para o Brasil dos anos 50, 60, 70, e que a história [do livro] se mostrasse a ele sob esse aspecto, uma história verossímil, que de fato era muito semelhante ao que estava acontecendo no país naquele momento”, explicou a escritora.

    Em entrevista à Agência Brasil, Bethânia falou sobre a pesquisa que deu origem ao romance, o objetivo de devolver protagonismo às mulheres invisibilizadas pelos registros históricos e a importância de apresentar a obra durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que será realizada de hoje (5) a domingo (9) no Centro Histórico de Salvador, cidade onde a história acontece. Durante o evento, ela participa de bate-papo na Casa Motiva e na Casa Odisseu, no próximo sábado (7).

    A escritora teve seu primeiro livro, Ninho, vencedor dos prêmios Jabuti, APCA e Sesc de Literatura, todos na categoria Contos.

    Confira os principais trechos da entrevista.

    Agência Brasil: como surgiu a ideia do livro Ressalga?

    Bethânia: eu cresci em Salvador e, morando na cidade, eu sabia que a Ladeira da Montanha havia sido um dos centros da grande boemia na cidade, dos anos 1950 até os anos 1970, principalmente. Isso sobreviveu muito no imaginário da cidade, das pessoas que circulavam por ali. Atualmente a Ladeira da Montanha está completamente desmoronada, fantasmagórica, uma rua realmente bastante arruinada, no sentido mais literal possível, os prédios estão em ruínas. E eu queria entender como tínhamos chegado de um lugar até o outro.

    Agência Brasil: você decidiu se aprofundar em algumas personagens. Quem são elas?

    Bethânia: decidi contar essa história sob o ponto de vista das mulheres [profissionais do sexo] que trabalhavam ali. Durante a pesquisa, descobri que Jorge Amado ia escrever um livro sobre o cotidiano das mulheres que trabalhavam na Ladeira da Montanha.  Ele havia chegado a encomendar uma mostra de fotografias de Flávio Damm para um projeto de livro que seria intitulado Mulher Dama.

    Esse livro nunca foi escrito em razão da repressão que se seguiu ao Ato Institucional número 5 (AI-5), durante a ditadura militar. As imagens ficaram engavetadas por mais de 50 anos, até que houve uma mostra delas em Salvador, em 2018. Foi a primeira vez que essas fotos saíram da sombra. Tudo isso só me mostrou com mais segurança que havia uma história ali a ser contada.

    Agência Brasil: foi difícil encontrar informações sobre essas mulheres?

    Bethânia: quando fiz a pesquisa histórica, encontrei muito material, mas sempre sob uma lente masculina. Havia muitas biografias de grandes homens. A Assembleia Legislativa da Bahia tem um trabalho de preservação da memória de grandes personalidades do estado. Ali há um conjunto de biografias, livros de entrevistas, quase na totalidade com homens.

    Foi por meio das lembranças desses homens e das biografias deles, ali pelos cantos dessas biografias e entrevistas, que fui reconstruindo o mosaico da vida dessas mulheres, porque elas não constaram da historiografia oficial, elas foram realmente apagadas em termos de registro histórico. Só sobreviveram na memória e na voz desses homens que frequentavam aqueles espaços e se lembravam delas. 

    Isso foi algo que me assombrou muito quando comecei a fazer essa pesquisa: essas mulheres [profissionais do sexo] tinham sido o coração daquela região, daquele centro histórico, e não havia nada na voz delas, não havia nada mesmo. Foi uma invisibilização da existência dessas mulheres.

    Agência Brasil: como você trabalhou a história delas na obra?

    Bethânia: tradicionalmente, a mulher ficava muito restrita, inclusive na literatura, a [determinados] papéis. Então, ela era a esposa, a amante, a puta. Abordagens que normalmente eram bastante reducionistas. Quando a gente recupera o protagonismo da mulher como aquela que vai contar a sua própria história, devolve a voz a essas mulheres e as coloca no centro de suas próprias narrativas. Acredito que isso permite um olhar muito mais sensível, não estereotipado, e que não reduza essas mulheres às violências que elas sofreram.

    Isso também foi uma grande preocupação no meu trabalho: celebrar a existência delas e não reduzi-las aos abusos que aconteciam ali, como de fato aconteciam, e que elas pudessem aparecer com toda a sua personalidade, tanto para o bem quanto para o mal. São personagens densas, complexas, e o leitor é colocado diante de situações desconfortáveis e de escolhas muito difíceis que essas mulheres precisavam fazer.

    Agência Brasil: como transformar tudo isso em ficção? 

    Bethânia: eu queria resgatar essa história, mas, ao mesmo tempo, fazer um trabalho ficcional. O livro é metaficcional. Conta a história de três gerações de mulheres na Bahia. Em especial, de Graça, que vai se tornar a maior cafetina da cidade. Essa personagem foi muito inspirada na história de prostitutas que existiram, trabalharam ali e tiveram que desenvolver muitas estratégias de existência para sobreviver à violência do seu tempo.

    Vou destacar duas: Maria Pires, que ficou muito conhecida na capital à época por oferecer 50% de desconto para estudantes, e Maria da Vovó, que comandou um cabaré que reunia até 60 [mulheres] nas noites mais cheias e revolucionou o mercado sexual naquela época. Ela ficou muito conhecida, inclusive por enfrentar constantemente a violência policial que era dirigida contra essas mulheres.

    Agência Brasil: o contexto histórico da época foi mantido?

    Bethânia: há uma série de personalidades que o leitor certamente irá reconhecer, passando pelo suicídio de Getúlio Vargas, pela ascensão ao poder de Juscelino Kubitschek. Até outras não tão conhecidas, como o médium Zé Arigó, por exemplo, que realizava cirurgias espirituais no Brasil naquele período, e o delegado de costumes da capital, Almir Araújo, que está mencionado no livro.

    A ideia é que o leitor se sinta transportado para Salvador e para o Brasil dos anos 50, 60, 70 e que a história se mostre a ele sob esse aspecto, uma história verossímil, que de fato é muito semelhante ao que estava acontecendo no país naquele momento. O trabalho é ficcional, porém com esse grande substrato histórico.

    Agência Brasil: em breve, você participará da Flipelô. Como você se sente ao apresentar o livro justamente em Salvador?

    Bethânia: estou muito ansiosa por essa participação na Flipelô, um festival lindíssimo que já acompanho há vários anos. Em especial, porque Ressalga se passa, em grande parte, no centro histórico de Salvador, exatamente onde ocorre a Flipelô. É literalmente o território de onde a história surgiu.

    “A história da Bahia, que é muito celebrada na Flipelô, e a literatura de grandes autores baianos como Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro, para citar apenas dois, serviram de grande referência para o meu trabalho. São autores que, quando eu era criança, me mostraram que as histórias ali ao meu redor, do lugar onde eu vivia, também mereciam ser contadas, numa época em que a gente chegava às livrarias e só tinha livro estrangeiro, praticamente. Poder apresentar esse livro na Bahia, no centro histórico, é extremamente especial”.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original