Tag: aquecimento global

  • Aquecimento além de 1,5°C ameaça saúde, agricultura e economia

    Aquecimento além de 1,5°C ameaça saúde, agricultura e economia

    Desastres naturais, ondas de calor, secas históricas, chuvas intensas e perdas agrícolas são alguns dos eventos extremos que se tornarão frequentes em um planeta mais quente do que o esperado. A conclusão é de especialistas diante do anúncio das Nações Unidas nesta quarta-feira (2) de que o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5º C de aquecimento nos próximos anos.

    Para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), André Guimarães, a informação precisa ser tratada com a devida gravidade e provocar esforços urgentes para mudar o cenário.

    “Hoje é um dia triste para a humanidade. Fomos derrotados por nós mesmos”, lamenta André.

    E especialista diz que a humanidade pode redesenhar o próprio futuro neste planeta.

    “Temos que reduzir urgentemente a queima de combustíveis fósseis, acabar com a conversão de florestas e mudar, de forma geral, nossa relação com a natureza”, complementa.

    Em evento promovido pelo pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), a presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, disse que a dimensão e a duração do aquecimento determinarão o tamanho dos impactos sobre a sociedade e o meio ambiente.

    Quanto mais quente e mais tempo o planeta permanecer acima do limite de 1,5ºC, maior será a necessidade de remoção de dióxido de carbono da atmosfera e mais difícil será reverter o aquecimento.

    A temperatura global, segundo Thelma Krug, já está cerca de 1,37°C acima dos níveis pré-industriais, com avanço aproximado de 0,26°C por década.

    “Fazendo uma conta bem rápida, teríamos três ou quatro anos para limitar o aquecimento, se continuarmos no ritmo atual de emissões”, explicou Thelma.

    Prejuízos

    O economista Sergio Margulis, especialista do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor da PUC-Rio, destaca os prejuízos econômicos do aumento das temperaturas. Perdas em infraestrutura, agricultura, saúde e energia já representam 2% do PIB global.

    Margulis indica que é preciso investir na transição energética agora, para não elevar ainda mais esses prejuízos.

    “Hoje o mundo gasta uns 2 trilhões de dólares com descarbonização. Só que a gente precisa aumentar esse patamar para 5 trilhões ou até um pouco mais. Não tem como fugir disso”, analisa o economista.

    Margulis também destaca que os governos precisarão ampliar os investimentos em adaptação, porém, o mais urgente é reduzir o problema na fonte.

    “Adaptação não resolve o problema físico do aquecimento global. Temos que parar com as emissões. Os países não podem ficar esperando a reversão do clima para agir”, destacou.

    O coordenador de política internacional do Observatório do Clima (OC), Claudio Angelo, reforça que o relatório da ONU é um alerta para impedir que a ultrapassagem de 1,5°C seja ainda maior.

    “Abandonar o objetivo de devolver os termômetros a 1,5ºC não é uma opção; seria assinar um pacto coletivo de suicídio. Mas o pico e o declínio não ocorrerão enquanto países produtores de combustíveis fósseis olharem para essas indústrias como uma benesse em vez de uma maldição”, analisa Angelo.

    “É preciso parar já a expansão fóssil no mundo, e a COP31, daqui a dois meses, é uma oportunidade de tomar essa decisão”, finaliza.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Bacia-esponja pode ser uma alternativa contra inundações

    Bacia-esponja pode ser uma alternativa contra inundações

    Imagens impressionantes de uma enxurrada na região entre o Nepal e Tibet, na Ásia, atravessaram o mundo. E no Brasil, fizeram recordar as enchentes ocorridas nos últimos anos, em diferentes regiões. Com mais frequência e intensidade, os extremos climáticos têm a mesma origem, o aquecimento global.

    Segundo Cecília Herzog, paisagista urbana da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (Recn), as mudanças climáticas exigem adaptações que vão além das áreas urbanas. É preciso pensar o processo hidrológico como um todo e adaptar as bacias hídricas, avalia.

    “A água não respeita as nossas decisões políticas ou nossas convenções e fronteiras, o limite da natureza é outro, tem os seus processos e fluxos que correm na paisagem”, diz.

    A partir dessa ideia, a especialista propõe a adoção de um modelo chamado bacia-espoja, que seria uma adaptação do conceito de cidade-esponja, difundido pelo arquiteto chinês Yu Kongjian, no início dos anos 2000, de tratar os próprios cursos dos rios em vez de adaptar as cidades para absorver, reter e reutilizar a água da chuva por meio de soluções baseadas na natureza. 

    “Na hora que você passa a tratar a bacia hidrográfica como uma unidade de planejamento, que é a unidade ideal, você tem que começar na cabeceira e terminar na foz, e passando por ele todo, e ao longo não apenas do curso do rio, mas de todas as áreas periféricas que vão de alguma maneira impactar o que acontece”, explica.

    Para a especialista em soluções baseadas na natureza Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário, retardar o escoamento na própria estrutura do rio é mais eficaz do que pensar apenas nos efeitos das chuvas atingindo as cidades.

    “O excesso de chuva que causa transtornos nas cidades muitas vezes não caiu diretamente ali. A água vem sendo acumulada ao longo da bacia hidrográfica, chegando pelos rios”, explica.

    Na prática, as principais intervenções seriam proteger as nascentes nas partes mais altas das bacias hidrográficas e recuperar as florestas nas margens dos rios, para manter a conectividade natural da vegetação por meio dos fluxos de água.

    Juliana entende que a intervenção nas bacias não exclui ações nas cidades, onde também é necessário dar vazão aos fluxos acumulados e aumentados por chuvas intensas. 

    Ela propõe “ter espaços como parques urbanos, jardins de chuva, praças úmidas, que ajudam a assegurar essa água e permita então que a água da chuva volte aos poucos para o seu fluxo natural”.

    De acordo com as especialistas, a gestão integrada das bacias hidrográficas a partir do conceito de bacia-esponja já demonstram resultados bem-sucedidos em vários países, mas é preciso adequar as soluções a cada lugar e aos fatores naturais de cada região.

    “Não podemos pensar em importar modelos. É necessário pensar como que a gente vai transformar essas paisagens de extremamente vulneráveis a paisagens mais resilientes, cocriando com o conhecimento local”, defende Cecília Herzog.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Cristo Redentor se prepara para compensar impacto ambiental do turismo

    Cristo Redentor se prepara para compensar impacto ambiental do turismo

    O Santuário do Cristo Redentor, que gere o monumento mais famoso do país, assinou nesta sexta-feira (21) um termo que dá início a um processo de certificação internacional para reduzir o impacto ambiental do turismo.

    O acordo com a empresa Green Initiative International prevê inicialmente o levantamento do impacto ambiental das visitas, assim como o de ações que podem ser adotadas pela maravilha do mundo moderno para compensar os danos ao planeta.

    Em 2025, o local recebeu número recorde de turistas, cerca de 1,5 milhão de pessoas, de acordo com o Santuário do Cristo Redentor. No dia 1ª de janeiro do ano passado, foram 20 mil em um único dia, um pico.

    O Ministério do Turismo confirma o grande interesse no monumento e informa que o atrativo é um dos dez pontos turísticos brasileiros mais procurados no exterior.

    Com as ações ambientais, o Cristo, que completará 100 anos em 2031, poderá obter duas certificações: a Climate Positive ou a Carbon Neutral.

    A primeira comprova que medidas de compensação superam as próprias emissões de gases tóxicos na natureza, contribuindo positivamente para o clima. Já a segunda assegura que as emissões do atrativo são completamente compensadas, mantendo neutralidade.

    Para alcançar uma delas, o Cristo começará identificando as emissões no dia a dia, calculará a captura de carbono pelas áreas de Mata Atlântica no seu entorno e elaborará um diagnóstico com ações de mitigação de impacto.

    Esses dados servirão de base para o Plano de Ação Climática do monumento, com medidas de curto e médio prazo, para contribuir com a compensação dos gases do efeito estufa emitidos em quase um século de visitas.

    Parceria com Machu Pichu

    As medidas estão previstas como parte do acordo para a certificação climática com a Green Initiative International, uma empresa que verifica os compromissos de organizações e destinos turísticos com a sustentabilidade.

    A Green Initiative oferece suporte técnico para realização do plano de mitigação ambiental e é responsável por buscar recursos para o desenvolvimento das ações, sem custos para o Santuário.

    A organização também foi contratada pelos gestores de Machu Picchu, no Peru. Outra das sete maravilhas do mundo moderno e um dos principais destinos turísticos na América do Sul, a cidade inca se tornou parceira nesta sexta-feira de ações sociais do Cristo.

    O Santuário Cristo Redentor e os gestores da atração peruana assinaram um acordo para troca de experiências em diversas áreas, como o próprio turismo sustentável, a divulgação conjunta dos dois monumentos e a valorização do patrimônio histórico e cultural. O anúncio foi feito no monumento, no Rio de Janeiro.

    Em nota à imprensa, as entidades afirmaram que a parceria, chamada de geminação, promoverá a troca de experiências, assim como “aproximará povos, histórias e valores”.

    Para isso, ainda estão previstas a criação de réplicas dos monumentos para exposição nos locais geminados e a realização conjunta de campanhas sociais.

    A parceria entre o Cristo e Machu Picchu não é inédita e outras do mesmo tipo foram realizadas entre o monumento do Corcovado e santuários dentro e fora do Brasil.

    Entre elas, com o Santuário de Cristo Rei, em Portugal, o Cristo Redentore di Maratea, na Itália, o Cristo del Otero, na Espanha, além do Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá (SP); o Cristo Redentor de Itaperuna (RJ); o Cristo Luz, em Balneário Camboriú (SC).

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rio de Janeiro lança ação integrada de prevenção ao El Niño

    Rio de Janeiro lança ação integrada de prevenção ao El Niño

    Calor intenso, redução da disponibilidade hídrica, aumento do risco de incêndios florestais e eventos meteorológicos severos estão entre os impactos do El Niño possíveis de ocorrer no estado do Rio de Janeiro, segundo o comitê criado para preparar o Poder Público fluminense para o fenômeno climático.

    Instituído no início de julho, o Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño reuniu nesta quinta-feira (20) gestores do executivo estadual e prefeitos de municípios fluminenses no auditório da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Maracanã, Zona Norte da capital.

    Para se antecipar a esse cenário, ações integradas estarão no Programa Antecipar e Reagir ─ Impactos do El Niño do Estado do Rio de Janeiro.

    “Mais do que responder a uma emergência quando ela acontece, a proposta é trabalhar antes dela, identificar riscos, planejar ações, compartilhar informações, estabelecer responsabilidades e aproximar ainda mais o estado e seus municípios”, disse o governo do estado ao divulgar a iniciativa.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (29). Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 30/07/2026 - Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade  na tarde desta quarta-feira (29). Árvore caída bloqueia passagem em Botafogo. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
    Estragos provocados pelos fortes ventos que atingiram a cidade na tarde de 29 de julho. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Super El Niño

    Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica em diferentes partes do planeta e modifica a distribuição das chuvas em diversas regiões, incluindo a América do Sul. 

    Projeções meteorológicas indicam que o fenômeno deve ter maior intesidade neste ano e chegaram a chamá-lo de “Super El Niño”.

    No Rio de Janeiro, são esperadas situações com possíveis repercussões sobre a saúde pública, a agricultura, o meio ambiente, os recursos hídricos, o abastecimento de água e energia e, sobretudo, a segurança da população, descreveu o governo do estado.

    Por isso, o comitê é composto por quatro câmaras técnicas: Defesa Civil; Saúde; Ambiente e Sustentabilidade; e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior.

    “A estratégia reúne treinamentos para equipes das prefeituras, novos sistemas de monitoramento e alerta e ferramentas que vão ajudar a identificar com antecedência as áreas e populações mais vulneráveis a eventos como ondas de calor, chuvas intensas, enchentes, estiagem e queimadas”, informou o governo estadual. 

    Estavam presentes no encontro desta quinta-feira os secretários de Estado de Defesa Civil, coronel PM Tarcísio Sales; de Saúde, Ronaldo Damião; do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas; e de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, Ricardo Mansur.

    Também participaram a reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva, a chefe do serviço de articulação inter-federativa e participativa da Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Patrícia Santana; e o coordenador do Centro de apoio às Promotorias de Meio Ambiente e Urbanismo, promotor de justiça Vinícius Lameira Bernardo.

    Impactos já chegaram

    Para o secretário de Defesa Civil, a criação do Comitê se mostra relevante na medida em que já são notados os impactos do El Niño no estado. 

    “Não tratamos aqui de coisas, de possibilidades, daquilo que pode acontecer, mas, sim, do que já vivenciamos. Temos um quadro de baixa umidade, de estiagem, fortes ventos. Isso tudo vem contribuindo com a incidência de incêndios florestais”, pontuou.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    O secretário de Estado de Defesa Civil, Tarciso Salles, fala durante reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Ele destacou que o mês de julho teve um aumento de 100% dos incêndios florestais na comparação com o ano passado, o que é um dado muito relevante. O secretário disse ainda que a Região Serrana apresenta maior risco geológico, mas que a atenção está voltada para todo o estado. 

    “A preocupação é todo o estado. Não há uma preocupação específica com a Região Serrana”, assegurou.

    A reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Gulnar Azevedo e Silva, destacou o fato de a cerimônia de início da iniciativa ter sido realizada na instituição. Gulnar ressaltou que a população do estado do Rio de Janeiro sofre com grandes desigualdades, que podem ser agravadas com a interferência dos efeitos de eventos climáticos. 

    “O papel da universidade é perceber o que podemos fazer, em articulação, e mostrar a nossa competência e disponibilidade de estar junto. Nós temos muita vontade de que, prevendo e se articulando, a gente vai minimizar, mitigar os efeitos que devem aparecer no nosso estado”, apontou.

    O secretário de Saúde afirmou que o El Niño é um fenômeno antigo, que se repete com frequência, mas que, com a falta de planejamento e as agressões à natureza e ao meio ambiente, agora tem efeito maior.

    Damião chamou atenção para a necessidade de acionar os agentes comunitários de saúde e de endemias dentro da estratégia de enfrentamento. São cerca de 20 mil espalhados no estado.

    “Eles conhecem cada casa, cada história e cada paciente e situação que vai precisar de alguma intervenção”, indicou.

     


    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Ambiente e Sustentabilidade e Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    O secretário de Estado de Saúde, Ronaldo Damião, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

     

    Prevenção de incêndios

    O secretário de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Mascarenhas, destacou que a população deve colaborar para reduzir o risco de incêndios florestais. 

    “Hoje, uma guimba de cigarro que se joga pela janela do carro pode lamber um parque inteiro. A vegetação está muito seca, e a população precisa ter essa consciência”, apontou, lembrando que a prática criminosa de soltar balões também é um risco e pode provocar grandes incêndios.

    A outra preocupação da Secretaria do Ambiente é com os recursos hídricos. 

    “A mensagem essencial é: não jogue lixo no rio, no curso hídrico, no valão, no que for, porque isso tem efeito muito sério”, alertou. 

     


    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Saúde, Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 20/08/2026 - O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño, com participação dos secretários de Defesa Civil, Saúde, Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior, no auditório da Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ - Teatro Odylo Costa. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
     O secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas, participa da reunião do Comitê Estadual de Enfrentamento dos Efeitos do El Niño. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17

    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17

    A participação de jovens nas conferências internacionais sobre meio ambiente avançou nos últimos anos, mas ainda há um desafio: fazer com que eles sejam efetivamente integrados aos espaços de decisão. A avaliação é da advogada cearense Beatriz Azevedo, de 33 anos, uma das dez jovens reconhecidas em 2024 como Land Heroes (heróis da terra, em inglês) pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

    O título de Land Hero reconhece jovens e organizações de juventude que desenvolvem ações de enfrentamento à desertificação, à degradação da terra e à seca. A seleção busca dar visibilidade a agentes de mudança e aproximá-los dos processos da convenção.

    Para Beatriz, existe uma expectativa de que os jovens sejam parte da solução para a crise ambiental e climática, mas não são oferecidos estrutura, financiamento e oportunidades profissionais proporcionais a essa cobrança.

    Em entrevista à Agência Brasil, a advogada também fala sobre os desafios para transformar representatividade em influência política. Ela discute ainda o financiamento de iniciativas de restauração e as expectativas para a COP17 de Combate à Desertificação.

    A conferência começou na última segunda (17) e segue até 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia, sob o tema “Restaurando a Terra. Restaurando a Esperança”.

    Participam representantes de 197 países, além de cientistas, empresas, organizações da sociedade civil, povos indígenas, pastores, agricultores familiares e jovens para discutir restauração de terras, seca, segurança alimentar, financiamento e resiliência.

    Beatriz também é presidente da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e fundadora da ABA Climate Solutions, uma empresa de consultoria especializada em financiamento climático.

    A expectativa da ambientalista é de que a COP17 represente mais uma oportunidade para ampliar a visibilidade sobre problemas que atingem diretamente o Nordeste brasileiro. Enquanto as negociações climáticas costumam concentrar a atenção sobre a Amazônia, Beatriz avalia que a conferência sobre desertificação permite colocar a Caatinga e o Semiárido no centro das discussões.

     


    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17
Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto; Arquivo pessoal
    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17
Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto; Arquivo pessoal
    Brasileira defende mais influência dos jovens nas decisões da COP17 Beatriz Azevedo é reconhecida pela ONU por trabalho contra desertificação. Foto: Arquivo pessoal

    Confira a entrevista de Beatriz Avezedo à Agência Brasil

    Agência Brasil: Como representante brasileira do Land Hero, de que maneira você conecta as agendas da UNCCD com a realidade do Nordeste, região historicamente afetada pela seca e desertificação?

    Beatriz Azevedo: Levamos a nossa realidade local para o espaço da ONU por conta dos acessos que nos são abertos. Estive em países como Arábia Saudita, China e Panamá, onde tive espaços de fala para compartilhar a realidade do Ceará e as soluções com as quais venho trabalhando. Já são 14 anos nessa trajetória, então cheguei a um ponto em que quero focar nas soluções, nas ecologias e projetos que funcionam.

    A convenção aborda muito a perspectiva de conter e compensar a degradação, tanto pela conservação quanto pela restauração. Hoje, minha empresa está em processo para entrar na coalizão Business4Land, coalizão de empresas que promovem negócios ligados à terra.

    Muitos jovens premiados atuam diretamente na ponta. Uma amiga tem um projeto de restauração com moringa na África. Outro colega atua com agricultores na Índia. A minha iniciativa atua no meio do processo: conectando financiadores às iniciativas. Eu foco no debate sobre financiamento e políticas públicas, além de acompanhar a implementação de políticas estaduais no Conselho Estadual do Meio Ambiente. O objetivo é sempre integrar o contexto local ao internacional.

    Agência Brasil: Você tem participado há anos de diferentes conferências da ONU. Como avalia a participação da juventude nos espaços de decisão?

    Beatriz Azevedo: A participação avançou bastante. Na primeira COP da Desertificação que fui, em 2013, não havia espaço para a juventude. Hoje, temos o Youth Forum, programas como o Land Heroes, o Ecopreneur (para empreendedores verdes) e o Youth Negotiators, que treina jovens negociadores. Em termos de participação e presença, demos um salto de qualidade.

    O desafio atual é como fazer com que as contribuições dos jovens sejam de fato incorporadas nas decisões finais que são tomadas pelos países. Para isso, os jovens precisam atuar diretamente com seus governos nacionais.

    O governo brasileiro historicamente se mostra muito aberto a esse diálogo com o Itamaraty e com os ministérios, o que é fundamental para fundamentar as posições do país.

    Agência Brasil: Por que é necessária uma participação específica da juventude nesses debates ambientais e quais são as principais demandas que ela apresenta?

    Beatriz Azevedo: Há um debate muito forte sobre justiça climática e representatividade das diferentes juventudes existentes. Os jovens se caracterizam por colocar a “mão na massa”, com muita energia, e por apresentar projetos de grande impacto direto na ponta.

    Por outro lado, a juventude é a geração que está sendo preparada para tomar decisões e liderar em um cenário de “novo normal”, marcado pela crise climática e por fenômenos mais severos, como o El Niño.

    Uma juventude consciente da ciência e dos processos de tomada de decisão está muito mais bem preparada. Além disso, esses espaços promovem a articulação em rede com o governo e a sociedade civil, fortalecendo a formação das lideranças.

    Agência Brasil: Quais são suas principais expectativas em relação às pautas que precisam avançar nesta COP da Desertificação?

    Beatriz Azevedo: Vejo que o governo brasileiro tem enfatizado a bioeconomia, a ideia de que a restauração da terra deve caminhar junto com benefícios socioeconômicos, como geração de emprego e renda.

    Na minha empresa, discutimos projetos nessa linha. Por exemplo, a cultura da macaúba para a produção do combustível sustentável de aviação (SAF) pode ser associada a projetos de restauração. Outra frente são os projetos de restauração financiados pelo mercado de carbono.

    Precisamos de decisões que promovam ações sustentáveis do ponto de vista econômico, ambiental e social. Não se pode exigir a conservação sem oferecer meios de subsistência para quem cuida do território.

    É claro que isso deve caminhar lado a lado com a demarcação de terras indígenas e a garantia de direitos. O caminho é viabilizar o financiamento justo para que chegue aos assentamentos rurais e comunidades locais, promovendo a repartição de benefícios.

    Agência Brasil: A COP da Desertificação costuma receber menos atenção do público do que as COPs do Clima e da Biodiversidade. Como você avalia essa diferença e a possibilidade de torná-la mais conhecida?

    Beatriz Azevedo: Ela é de fato menos conhecida. A do Clima vem em primeiro lugar, seguida pela de Biodiversidade e, por fim, a de Desertificação, até por ser um tema muito associado a regiões específicas, como o semiárido nordestino no Brasil.

    Porém, vejo isso como uma oportunidade. Enquanto na COP do Clima a atenção internacional sobre o Brasil se volta prioritariamente para a Amazônia, a COP de Desertificação dá visibilidade para a Caatinga e o Semiárido. É um espaço valioso para o Nordeste pautar suas demandas diretamente com o governo e outros países.

    Agência Brasil: Muitos jovens ativistas relatam uma sensação de sobrecarga e ansiedade. Como você vê esse cenário de pressão sobre os jovens por mais engajamento e resultados, enquanto precisam lidar com notícias frequentes sobre emergência climática, degradação ambiental e incertezas sobre o futuro da humanidade?

    Beatriz Azevedo: Essa reflexão é muito válida. Entre 2016 e 2021, eu me afastei do processo da ONU justamente por me sentir sobrecarregada ao participar das conferências, mas não ver as coisas mudarem no ritmo necessário. Decidi, então, focar no trabalho local.

    Existe uma narrativa forte de que “o jovem é a solução”, mas há pouca estrutura e financiamento dedicados a isso. O trabalho no terceiro setor muitas vezes é instável, apoia-se excessivamente no trabalho voluntário e oferece remunerações precárias. O ativismo abre portas e dá visibilidade, mas nem sempre se traduz em emprego e renda imediatos.

    Esse cenário impacta a saúde mental. Quando retornei para o espaço internacional, mudei meu foco para o financiamento, pois entendi que esse era o principal gargalo: como fazer os recursos chegarem a quem executa.

    Agência Brasil: Qual mensagem você deixaria para os jovens que desejam se engajar na pauta ambiental?

    Beatriz Azevedo: Gostaria de deixar uma mensagem de esperança e incentivo. Embora o tema pareça por vezes pesado, trabalhar com a agenda ambiental é uma oportunidade de atuar alinhado aos seus propósitos e gerar um impacto positivo na sociedade por meio de novas soluções, tecnologias e projetos. Vale a pena seguir esse caminho profissional e de vida.

    Cobertura na Mongólia

    A Agência Brasil acompanha a COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia. A viagem é uma parceria com a UNCCD, que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir o evento.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Eventos climáticos extremos desafiam concessionárias de energia

    Eventos climáticos extremos desafiam concessionárias de energia

    O aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como o vendaval histórico que atingiu o Rio de Janeiro na semana passada, representa um desafio para planos de contingência de concessionárias de energia elétrica. Enchentes, temporais e rajadas de vento intensas derrubam postes e árvores, arrebentam os fios e, além de apagões, causam riscos de curto circuito e incêndios na rede elétrica. 

    Em entrevista à Agência Brasil, o diretor de Regulação da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Ricardo Brandão, afirma que investimentos em resiliência estão sendo feitos, mas reconhece que o cenário é de dificuldades crescentes. 

    “A gente, de fato, está enfrentando uma mudança que piora muito as condições climáticas”, manifestou o diretor da Abradee.

    Na semana passada, moradores de algumas localidades do Rio de Janeiro chegaram a ficar mais de 30 horas sem luz depois que rajadas de até 100 quilômetros por hora atingiram o estado. 

    Pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil defenderam que tornar a rede elétrica mais resiliente a fortes ventos é possível, mas tem um custo bastante elevado e que precisa ser arcado pelas concessionárias de energia.

    A Abradee afirma que as empresas do setor aumentaram o montante anual de investimentos, de R$ 18 bilhões, em 2021, para R$ 41 bilhões, em 2025. Desse total, mais de 40% são investidos na modernização das redes, com o intuito de torná-las mais resilientes, com foco principalmente em digitalização.

    Ricardo Brandão admite que essa medida não evita que ocorra um desligamento de energia quando cai uma árvore em cima da rede elétrica, mas dá opções mais eficientes de resposta. 

    “A distribuidora consegue fazer manobras para isolar esse problema em determinadas áreas, sem ter que desligar, por exemplo, um bairro inteiro”.

    Além da digitalização, a modernização das distribuidoras engloba também automação, monitoramento em tempo real, implantação de redes inteligentes, inspeções preventivas, manutenção baseada em risco, reforço estrutural de equipamentos e, quando viável, o enterramento de redes.

    A comunicação também é importante, começando com os órgãos públicos, como prefeitura, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros, para que seja feita a retirada de árvores que caem na rede aérea. Além disso, ele destaca avanços na comunicação com o consumidor:

    “Hoje, as distribuidoras mandam mensagens diretamente para o consumidor quando o Centro de Operações detecta que ele está sem energia, para que não precise ligar para o call center da empresa. Ela mesma informa o consumidor e, preferencialmente, dando uma estimava de recomposição de rede”.

    Fiação subterrânea

    Um dos principais pontos levantados pelos pesquisadores entrevistados pela Agência Brasil foi a instalação de fiação subterrânea, que requer investimento que chega a ser dez vezes maior que o da rede aérea. 

    Brandão defende que esses investimentos devem ser feitos pelo poder público, seguindo o planejamento urbanístico de cada cidade. Segundo ele, quando um bairro recebe fiação subterrânea, o custo é distribuído para todos os clientes da área concedida.

    “Esse é um investimento que não faz sentido ser feito com recursos da distribuidora, porque o impacto na tarifa é muito elevado”, argumentou. “Uns se beneficiam, e a maioria paga sem se beneficiar por isso”.

    Já para o professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) a responsabilidade por esses custos é das concessionárias de energia.

    “Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior”, disse.

    Super El Niño

    Situações climáticas extremas exigem o acionamento de planos de contingência das concessionárias, para os quais existe regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Essa preparação precisa ser feita com antecedência, como ocorre atualmente com a expectativa para um possível Super El Niño, esperado para afetar o clima na América do Sul neste semestre. 

    “As distribuidoras estão se preparando, investindo em treinamento de equipes, equipamentos, veículos, para enfrentar o que poderá ocorrer no segundo semestre”, afirmou Ricardo Brandão. 

    Ele avalia que, quando chegar a estação úmida, que, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, ocorre a partir de outubro, são esperados eventos mais intensos do que os enfrentados no passado.

    Uma estratégia que pode ser usada vem da experiência com as inundações e enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024: o compartilhamento de equipes. 

    “Quando uma distribuidora é afetada e as outras em volta não são, ocorre auxílio das empresas de outras regiões do país, como aconteceu no Rio Grande do Sul, que enviaram equipes, veículos, para auxiliar a distribuidora do estado na reconstrução da rede que foi destruída”.

    Segundo Brandão, isso aconteceu também na semana passada em São Paulo, embora em menor medida. Como o vendaval afetou as distribuidoras vizinhas, houve maior limitação para ceder equipes. 

    “Mas isso está previsto na regulação da Aneel e será importante nesses momentos de crise”.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original