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  • Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

    Brasil melhora desempenho escolar no longo prazo, mas patamar é baixo

    A redução da distância entre o desempenho dos estudantes brasileiros e a média dos alunos de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Pisa 2025 não significa, necessariamente, que o Brasil tenha avançado em aprendizagem. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que a aproximação ocorreu principalmente porque o desempenho brasileiro permaneceu relativamente estável enquanto a média dos países da organização recuou, especialmente nos últimos anos.

    “O país tem mantido seus resultados relativamente estáveis, enquanto a média da OCDE recuou. Portanto, embora tenha evitado uma piora, o desafio brasileiro continua sendo promover ganhos consistentes de aprendizagem”, diz Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann

    O Pisa é o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), coordenado pela OCDE, entidade que reúne 38 países, incluindo algumas das maiores economias do planeta, para produzir estudos, estatísticas e recomendações sobre políticas públicas e desenvolvimento econômico e social. Aplicado a cada três anos pela entidade, a prova avalia os conhecimentos de estudantes na faixa de 15 anos de idade em matemática, leitura e ciências.

    “Podemos afirmar que o Brasil melhorou no longo prazo, sobretudo em ciências e leitura. No entanto, parte importante da aproximação ocorreu porque a média da OCDE caiu, especialmente em matemática”, avalia Rodrigo Fulgêncio, 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe).

    Com os resultados de 2025, que se mantiveram similares em relação a 2022, o Brasil segue no grupo abaixo da média dos países da OCDE nas três disciplinas. Foram 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Nessa mesma ordem, a média de 23 países da OCDE ficou em 466 (leitura), 469 (matemática) e 486 (ciências). Cada 20 pontos equivalem a um ano escolar. Em matemática, por exemplo, o Brasil está com cerca de 4,6 anos de atraso em relação aos membros da OCDE.

    A distância, no entanto, já foi bem maior, quando se comparam os dados entre os anos de 2006 e 2025. A diferença de desempenho em relação à média dos países da OCDE diminuiu de 102 para 58 em leitura (redução de 44 pontos), de 131 para 92 em matemática (39 pontos) e de 113 para 77 em ciências (36 pontos).

    Ganhos em escala

    Mestre em matemática e gerente da CASIO Educação, Jalman Lima afirma que é positivo que o Brasil não tenha acompanhado a intensidade de queda na educação observada em diversos países, mas essa estabilidade ainda ocorre em um patamar de desempenho educacional muito baixo, já que somente 28% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2 em matemática, que é o mínimo.

    “O principal desafio continua sendo transformar essa estabilidade em crescimento real da aprendizagem matemática, ampliando a capacidade dos estudantes de interpretar situações, relacionar informações, escolher estratégias de resolução”, pondera.

    “O ponto central é que o Brasil ainda não conseguiu produzir ganhos de aprendizagem em escala. Seguimos com uma parcela muito elevada de estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência, especialmente em matemática e leitura, e com desigualdades importantes de desempenho. É preciso considerar também que esta é uma geração que teve sua trajetória escolar diretamente impactada pela pandemia, com efeitos sobre a aprendizagem que não desaparecem de um ano para outro”, argumenta Felipe Proto. Segundo ele, a recomposição das aprendizagens continua sendo fundamental para garantir que nenhum estudante fique para trás.

    Além de ampliar o domínio básico em disciplinas como matemática, o país ainda precisa criar mais oportunidades para desenvolver o raciocínio mais sofisticado.

    “Muitos ainda têm dificuldade em interpretar uma situação, decidir com autonomia, qual o conhecimento matemático utilizar. Ao mesmo tempo, praticamente não temos estudantes nos níveis mais altos de proficiência. E isso é um grande problema. É um desafio nas duas extremidades”, observa Jalman Lima.

    Desigualdades educacionais

    Rodrigo Fulgêncio, da Abraspe, também alerta para essa disparidade. Entre os principais gargalos, ele enfatiza, estão o elevado percentual de estudantes abaixo do nível básico, a presença muito pequena nos níveis mais altos de proficiência, a situação especialmente crítica em matemática e a forte desigualdade socioeconômica.  

    “Em ciências, por exemplo, a diferença entre os 25% mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis chega a 96 pontos. Quase cinco vezes o aprendizado médio associado a um ano escolar, que é de aproximadamente 20 pontos”, afirma.

    O Pisa 2025 envolveu 760 mil estudantes de 91 países. O Brasil participou da pesquisa com 30.140 estudantes. O perfil dos participantes brasileiros avaliados foi composto por 72,4% de estudantes oriundos de escolas da rede estadual, sendo a quase totalidade (96,9%) delas localizada em áreas urbanas. Cerca de 84,7% estavam matriculados na 1ª ou 2ª série do ensino médio na época das provas, aplicadas entre abril e maio de 2025. Nesta edição, o foco foi o letramento dos alunos em ciências, com o maior número de itens aplicados.

    “Mais do que a posição relativa do país no ranking, o Pisa reforça a urgência de transformar a melhoria da aprendizagem em prioridade nacional, com foco em garantir que todos os estudantes desenvolvam as competências essenciais para a vida, o trabalho e a participação cidadã no século XXI”, reforça Felipe Proto, da Fundação Lemann .

    Tecnologia em sala de aula

    Na avaliação do Pisa em 2025, os estudantes também respondem a questionários contextuais, incluindo o uso de celulares em sala de aula. O resultado mostrou que 81% dos estudantes brasileiros avaliados frequentavam escolas com restrições ao uso desses dispositivos. Em 2022, eram 37%. A proporção brasileira supera amplamente a média da OCDE (49%). Segundo o MEC, o percentual medido está alinhado às evidências de que estudantes em escolas com esse tipo de regra apresentam menor probabilidade de relatar distrações digitais.

    A ocorrência, por exemplo, da chamada “leitura apressada”, que é quando o estudante lê rapidamente, mas de maneira imprecisa, quase dobrou entre 2018 e 2025. A OCDE também identificou fragilidades crescentes na capacidade de avaliar informações, relacionar diferentes fontes e pensar criticamente sobre o que se lê. Além disso, 28% dos estudantes disseram que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de Ciências, e 46% já utilizam Inteligência Artificial (IA) semanalmente ou mais para estudar.

    Segundo Rodrigo Fulgêncio, diante desse cenário, cabe refletir se os estudantes e suas formas de aprender mudaram mais rapidamente do que as práticas escolares conseguiram acompanhar. “O grande alerta do Pisa 2025 talvez seja exatamente esse: ampliar o acesso à informação e à tecnologia não garantiu maior aprendizagem. O desafio atual é ajudar os estudantes a sustentar a atenção, ler com profundidade, avaliar informações, construir raciocínios e utilizar a tecnologia para ampliar, e não substituir, o pensamento”.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • UFRJ homenageia vítimas da ditadura com diplomas póstumos

    UFRJ homenageia vítimas da ditadura com diplomas póstumos

    Há 53 anos, o estudante de economia Fernando Augusto da Fonseca foi levado para uma dependência do Exército no Recife. Enquanto era torturado por 20 dias, a mulher grávida e o filho de 3 anos ficaram presos em um hotel. A família foi liberada depois do assassinato de Fernando e da entrega do corpo.

    A viagem para o Nordeste tinha ocorrido para fugir da repressão da ditadura militar. Por causa da militância estudantil, Fernando havia sido expulso da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), teve de abandonar o emprego e a vida na capital carioca.

    Nesta quinta-feira (9), ele foi um dos 23 estudantes homenageados com um diploma de conclusão de graduação pela UFRJ. Outros dois professores da instituição vítimas da ditadura também foram lembrados.

    O filho de Fernando, o administrador André Luiz Araújo da Fonseca, de 56 anos, recebeu o diploma em nome do pai e disse que o documento simboliza a realização de um sonho interrompido pelo autoritarismo.

    “Essa identidade como estudante de Economia era muito forte para ele. O diploma encerra um ciclo, é como se ele estivesse atingindo aquele objetivo lá do passado. De todas as homenagens que ele já tinha recebido, essa para mim é a que tem mais peso”, diz.

    “Vou botar o diploma dele junto com o meu na parede”, complementa André, que se orgulha por ser hoje professor da mesma UFRJ.


    Rio de Janeiro (RJ), 09/09/2026 - Cerimônia de diplomação póstuma de estudantes e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ mortos e desaparecidos durante a Ditadura Militar no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 09/09/2026 - Cerimônia de diplomação póstuma de estudantes e professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ mortos e desaparecidos durante a Ditadura Militar no Salão Nobre do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 09/09/2026 – Cerimônia de diplomação póstuma de estudantes e professores da UFRJ mortos e desaparecidos durante a ditadura militar. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Memória e resistência

    Durante a cerimônia, o reitor da UFRJ, Roberto de Andrade Medronho, disse que a entrega dos diplomas representa um compromisso com a memória, a verdade e a justiça.

    “O amanhã depende da nossa coragem de lembrar, da nossa disposição de lutar pelo que acreditamos e, sobretudo, da nossa determinação de defender a democracia todos os dias, para que ninguém se esqueça do que aconteceu”, disse Medronho.

    O jornalista Franklin Martins, que era presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ em 1968, destacou o papel do movimento estudantil, dos jovens e dos professores na linha de frente da resistência contra a repressão estatal.

    Isso significou, segundo ele, na recusa em aceitar a submissão, mesmo diante de ataques de cavalaria, invasões a universidades, tiros e agressões.

    Franklin Martins disse que a recuperação dessa memória serve de exemplo para a melhoria das lutas sociais atuais.

    “Eu espero que outras universidades façam a mesma coisa. Para que a memória fique, para que eles sejam lembrados e semeiem a luta pela democracia pelo país”, disse.

    A atual coordenadora-geral do DCE Mário Prata da UFRJ, Malu Cerqueira, disse que a diplomação tem significado duplo: reparação às famílias dos desaparecidos e uma tomada de posição política voltada para o presente.

    “Essa é a memória que a gente quer que essa universidade preserve. Não a memória de torturadores, mas a dos melhores filhos do povo, dos lutadores que enfrentam esse regime autoritário”, disse Malu.

    Homenageados

    Um primeiro nome já havia sido homenageado com um diploma póstumo em julho de 2026: o estudante de economia Stuart Angel Jones. Ele foi torturado e assassinado pelo regime em 1971.

    O documento foi entregue pelo reitor Roberto Medronho diretamente à irmã de Stuart, a jornalista Hildegard Angel.

    O levantamento dos outros nomes foi feito pela Comissão da Memória e da Verdade da UFRJ com base nos relatórios oficiais do país.

    >> Veja abaixo a lista dos 23 estudantes homenageados nesta quinta-feira:

    • Adriano Fonseca Fernandes Filho
    • Ana Maria Nacinovic
    • Antônio de Pádua Costa
    • Antônio Teodoro de Castro
    • Antônio Sérgio de Matos
    • Arildo Airton Valadão
    • Áurea Eliza Pereira Valadão
    • Ciro Flávio Salazar e Oliveira
    • Fernando Augusto da Fonseca
    • Flávio Carvalho Molina
    • Frederico Eduardo Mayr
    • Guilherme Gomes Lund
    • Hélio Luiz Navarro
    • Jana Moroni Barroso
    • José Roberto Spigner
    • Kleber Lemos da Silva
    • Luiz Alberto Andrade de Sá e Benevides
    • Maria Célia Corrêa
    • Maria Regina Lobo Leite Figueiredo
    • Mário de Souza Prata
    • Paulo Costa Ribeiro Bastos
    • Solange Lourenço Gomes
    • Sonia Maria Lopes de Moraes

    Outros dois homenageados da noite já eram formados ou atuavam como docentes na época da sua morte e receberam o reconhecimento de seus vínculos e legados institucionais. São eles:

    • Lincoln Bicalho Roque, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
    • Raul Amaro Nin, pesquisador da Faculdade de Engenharia

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Educação é prioridade para moradores de favelas do Rio nas eleições

    Educação é prioridade para moradores de favelas do Rio nas eleições

    No estado do Rio de Janeiro, 12,8 milhões de eleitores estão aptos a ir às urnas em outubro. Desses, 2,1 milhões vivem em uma das 1.724 favelas fluminenses, segundo o Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que essas áreas, apesar de antigas, ainda enfrentam maiores dificuldades de urbanização e de acesso a serviços e políticas públicas, o que evidencia a desigualdade na presença do Estado nesses territórios.

    Na cidade do Rio, por exemplo, 1,3 milhão de pessoas moram em uma das 813 favelas, áreas com menos casas ligadas à rede de esgoto e água e menor cobertura da coleta de lixo, embora não sejam regiões homogêneas, como explica a professora de serviço social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Eblin Farage. Uma das principais estudiosas do tema, ela coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares (NEPFE).

    Com a proximidade da troca de governantes, moradores de favela cariocas revelam à Agência Brasil demandas prioritárias para as comunidades, como melhorias na mobilidade, educação, cultura, lazer, saúde e participação social. A segurança, uma preocupação na visão deles, reflete a ausência de ações nessas áreas, embora a violência e as operações policiais sejam um problema permanente.

    Letícia Vitória Guimarães, de 16 anos, é moradora do Complexo do Alemão, na zona norte. Envolvida em uma série de iniciativas comunitárias, como os coletivos Criar, de jovens, e o Mulheres em Ação, ela irá às urnas pela primeira vez em outubro.
     


    Rio de Janeiro (RJ), 31/08/2026 – A ativista e pesquisadora Letícia Vitória Silva Guimarães posa para fotografia no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 31/08/2026 – A ativista e pesquisadora Letícia Vitória Silva Guimarães posa para fotografia no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    A ativista e pesquisadora Letícia Vitória Guimarães é moradora do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Para escolher em quem votar, a jovem revela que considera perfis “envolvidos com as pautas negras, com os direitos humanos e com a população”. Na visão dela, o candidato ou candidata também precisa saber dialogar.

    “Muitas vezes, [governantes] chegam com respostas prontas, sem saber o que queremos, como achamos melhor, então, precisa [ser alguém] disposto a ouvir”, frisou Letícia, que integra ainda o Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, além de ser bolsista de um programa para jovens talentos da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

    A jovem também elenca como prioridade propostas para mobilidade. O acesso à cidade, frisa, é um desafio para moradores de áreas periféricas. “Hoje você não tem um ônibus que saia do Alemão ou de qualquer favela [da zona norte] para zona sul. Eu sou jovem, ir à praia é uma demanda real, de direito ao lazer”, disse, afirmando que a falta de linhas de ônibus também dificulta o acesso a empregos.

    Trabalho

    Programas como o Jovem Aprendiz não cobrem os custos com viagens de dois, até três ônibus, e a alimentação de quem passa o dia fora, afirma. “Os valores [de repasse] são baixos, hoje, R$ 20 não pagam nem uma quentinha”, criticou Letícia, sobre a política que busca inserir jovens de 14 a 24 anos no mercado de trabalho.

    Da maior favela do Brasil, a Rocinha, com 72 mil habitantes, a jornalista Isabelle Rodrigues Trindade, de 26 anos, se preocupa com a ausência de oportunidades profissionais. Ela gostaria de trabalhar na área, mas não encontra vagas. Formada há dois anos na PUC-RIO, ela já trabalhou no portal de notícias da Rocinha, o Fala Roça, mas agora atua como agente cultural, em um bairro próximo.

    Segundo a jovem, os moradores de favelas também estão de olho nas propostas para emprego e renda, sendo o fim da escala 6×1 uma prioridade.

    “É muito difícil conciliar trabalho, família e estudo com essa rotina, principalmente, por causa dos grandes deslocamentos, caso das pessoas que moram em favelas”, analisou. O regime de trabalho, avalia, também retira da juventude tempo de qualificação e de lazer.


    Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2026 - A jornalista Isabelle Trindade fala sobre a proposta dos candidatos para as periferias do Rio de Janeiro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 03/09/2026 - A jornalista Isabelle Trindade fala sobre a proposta dos candidatos para as periferias do Rio de Janeiro. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    A jornalista Isabelle Trindade fala sobre as propostas dos candidatos para as periferias do Rio de Janeiro – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Educação

    A oferta de mais cursos técnicos e profissionalizantes, além de projetos esportivos, vai definir o voto de João*, um jovem de 26 anos que vive de bicos, é pai de duas meninas e mora em uma grande favela da zona norte. “Aqui, o curso começa, a gente até inicia, mas acaba antes de a gente concluir “, criticou, ao falar sobre iniciativas encerradas antes de formarem as turmas. “Eu ainda queria estudar, mesmo sendo difícil [trabalhar e estudar]. Falar um português melhor e ter uma vida melhor”, pontuou.

    O jovem também cobra propostas para as crianças com deficiência e autismo e cita a necessidade de creches preparadas com mais mediadores nas salas. “Muitas famílias passam por dificuldade diárias, dentro da favela, onde as condições de vida já são mais precárias, mas que não encontram respostas do Poder Público.”
     


    Rio de Janeiro (RJ), 27/08/2026 – Retrato da educadora popular e estudante universitária de História Sara Sant'anna, na Uerj. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 27/08/2026 – Retrato da educadora popular e estudante universitária de História Sara Sant'anna, na Uerj. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
    Desigualdades na cidade do Rio preocupam a educadora popular e estudante de história na Uerj Sara Sant’anna – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

    Estudante de história na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Sara Sant’anna, de 24 anos, também está preocupada com as desigualdades na cidade. Cria da Favela do Rodo, na zona oeste, ela cobra a instalação de centros culturais na região, além de polos de educação superior.

    “Campo Grande é um dos maiores bairros do Brasil e a oferta de cursos superiores públicos aqui é limitada. A faculdade mais perto é longe, em Seropédica, a uma hora”, disse a educadora. Sara é também diretora da Casa Frutos, dedicada a cursinhos de pré-vestibular na Cidade de Deus, comunidade da zona oeste imortalizada no filme homônimo de Fernando Meirelles e Kátia Lund.

    Enfrentamento ao racismo e saúde

    Outra preocupação de moradores de favela é com ações que enfrentem o racismo. Na cidade do Rio, segundo o IBGE, a maior parte de moradores das favelas cariocas é formada por negros, sendo 21% pessoas pretas e 49%, pardas. Os brancos, maioria em outras áreas da cidade, são um em cada três moradores das comunidades.

    No Morro da Providência, uma das primeiras favelas do país, projetos sociais da organização Galeria Providência evidenciam como o racismo se tornou uma barreira na conquista de melhores condições de vida, a começar pela saúde, uma prioridade local.

    “Um debate que avança, em meio a uma população afetada pelo baixo nível educacional e pelas fake news [que confundem e desinformam], é o da saúde”, contou o pesquisador e fundador da organização, Hugo Oliveira. “Quando colocamos em dúvida um atendimento ruim no hospital, por exemplo, de violência obstétrica contra mulheres negras, o território consegue ter uma dimensão do problema”, avalia.
     


    Pesquisador e gestor cultural Hugo Oliveira, Dr. em Comunicação, cria do Morro da Providência. Foto: Hugo Oliveira/Arquivo Pessoal
    Pesquisador e gestor cultural Hugo Oliveira, Dr. em Comunicação, cria do Morro da Providência. Foto: Hugo Oliveira/Arquivo Pessoal
    Pesquisador e gestor cultural Hugo Oliveira defende maior articulação entre moradores da favela e Poder Público – Foto: Hugo Oliveira/Arquivo Pessoal

    O gestor cultural usa outros exemplos para puxar o diálogo sobre racismo nas favelas: as abordagens policiais, que se traduzem mais em violência contra jovens negros do que brancos, e o racismo ambiental, que se reflete no acesso a moradias mais precárias ou vulneráveis a eventos climáticos extremos que em outras áreas da cidade.

    “Esses assuntos vêm sendo colocados de forma superficial nas campanhas”, analisou o gestor. “Mas são vitais, mexem com toda a estrutura, se eu moro em um espaço saudável, isso é um fator de saúde física, emocional e até espiritual”, avaliou o doutor em comunicação pela UFRJ.

    Para Oliveira, as eleições são um momento de olhar para lideranças locais, comprometidas com os territórios. “A tua cabeça pensa onde o teu pé pisa. Ninguém sabe melhor dos nossos territórios do que nós mesmos”, afirmou.

    “Hoje a favela tem intelectuais, orgânicos ou acadêmicos, que produzem saberes, conhecimento, e é preciso promover a articulação entre eles o Poder Público, principalmente, o Executivo”, recomendou, sobre o governo do estado.

    Segurança

    Em época de eleições, as favelas são disputadas por diferentes grupos políticos, no Rio de Janeiro. Mas nem todos candidatos conseguem se apresentar aos moradores. É preciso negociar com criminosos para fazer campanhas no local, e as eleições esbarram em um problema permanente, a presença do crime organizado.

    Nascido na Cidade de Deus, Bruno Rafael Castilho Alves, de 46 anos, se mudou recentemente para o centro da capital fluminense. Além da proximidade com o emprego, ele cita a violência como um fator determinante, embora continue frequentando a comunidade, onde mantém, há cerca de 20 anos, um projeto social de aulas de muay thai. Nele, usa o hip-hop para conscientizar os alunos mais jovens.

    Na visão de Bruno, muitos candidatos não estão preocupados em atender às demandas de educação, saúde ou esporte nas áreas periféricas, que seriam “medidas eficientes” para enfrentar a criminalidade. Ao contrário, ele aponta para discursos que exaltam a morte e o confronto.

    “Vemos muito candidato falar em ‘dar tiro na cabecinha do jovem’, mas a população, principalmente periférica, não apoia”, criticou.


    Rio de Janeiro (RJ), 08/09/2026 - O produtor cultural Bruno Rafael fala sobre as propostas dos candidatos nas eleições de 2026. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    Rio de Janeiro (RJ), 08/09/2026 - O produtor cultural Bruno Rafael fala sobre as propostas dos candidatos nas eleições de 2026. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
    O produtor cultural Bruno Rafael critica discursos de candidatos que exaltam o confronto como forma de combater a criminalidade – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

    Para o educador e os demais entrevistados, políticas públicas para a juventude aliadas ao enfrentamento da atuação financeira do crime deveriam ser prioridade.

    “A população demanda combate de forma inteligente, sem ceifar a vida de ninguém”, acrescentou Sara, da Favela do Rodo. Ela acrescentou que, nestas eleições, muitas propostas das campanhas estão centradas em aumento de policiamento, de encarceramento e redução da idade penal, o que preocupa, diante dos relatos de abuso e violência policial. “Eu, infelizmente, já tive a casa arrombada várias vezes e vi policiais apontarem uma arma para a cabeça do meu pai”, contou a estudante.

    No Rio de Janeiro, especificamente, organizações e movimentos sociais foram ao Supremo Tribunal Federal solicitar que operações em favelas tenham mais planejamento e sejam realizadas com menos impacto nas comunidades. Em geral, escolas e serviços públicos fecham por causa dos tiros disparados durante os confrontos.

    Portanto, para os jovens, a segurança passa por melhorias na qualidade de vida de quem vive nas favelas, imprensados entre a violência policial e o controle do crime organizado, que gere setores econômicos como internet, transporte, venda de água envasada e a própria segurança de moradores e comerciantes.

    “A periferia está cansada de incursão”, afirmou Bruno Rafael. “O medo de morar na comunidade é por causa das operações [policiais], da bala, que não é perdida, é achada em inocentes. Não tem como achar normal uma operação às 8h da manhã, com crianças indo para a escolas e gente indo trabalhar”, criticou. “A comunidade quer uma ocupação com responsabilidade, a bala mata pessoas como eu”, emendou.

    O morador de favela, avalia Bruno, apesar de diferente, em termos sociais e econômicos, busca propostas que vão desde urbanização a políticas de saúde, esporte, cultura e educação para seus filhos. “Isso que a gente quer”, listou.

    Levar em conta a especificidade de cada favela na cidade ou no estado do Rio deveria ser uma prioridade dos governos, avalia a professora Eblin Farage, que estuda a presença do Estado nesses espaços. “Há uma diversidade de cotidiano, de condição histórica e de sujeitos que não permite homogeneização”, explicou.

    Ela não se surpreende com a avaliação dos entrevistados, de colocar a segurança pública como uma proposta secundária para as favelas.

    “Não há, na história do Rio de Janeiro, uma política de segurança pública bem-sucedida, que seja referência para essas pessoas”, avaliou. “Para eles [moradores], a segurança são as operações, o caveirão, a violência armada e isso não interessa, não os protege.”

    Por outro lado, Eblin Farage analisa que os moradores têm referências de políticas habitacionais, de mobilidade urbana e educação recentes, das quais se lembram.

    Cada eleição, ponderou, é uma janela para pactuação de compromissos entre candidatos e comunidades. No entanto, diante das falhas dos governos em cumprir os combinados, Eblin Farage explica que os eleitores de favelas têm apostado mais na relação com o Legislativo, ou seja, em deputados estaduais, federais e senadores, com quem o diálogo e as relações tendem a ser mais próximos.

    Ela alerta, porém, para relações clientelistas, como o assédio de projetos sociais geridos e mantidos por políticos, em favelas, que ano a ano se apresentam como alternativa diante da ausência do Poder Público. Nesse tipo de atuação de organizações sociais, a pesquisadora vê fragmentação da mobilização por direitos.

    “[Durante as eleições], ONGs de políticos desempenham um papel nefasto, reeditam o clientelismo, o curral eleitoral, promovem a extrema direita, fomentam relação nebulosa com grupos armados locais, sobretudo, a milícia, e não contribuem para a formação dos sujeitos, a defesa dos direitos humanos.”

    Contribuir para organizar e mobilizar moradores na defesa de políticas públicas, inclusive em época de eleições, politizando o cotidiano da favela e o senso comum deveria ser o principal papel dessas organizações nos territórios, concluiu Eblin Farage.

    *Nome fictício a pedido do entrevistado.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 76 milhões nesta quinta

    Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 76 milhões nesta quinta

    A Mega-Sena sorteia nesta quinta-feira (10) prêmio estimado em R$ 76 milhões. As seis dezenas do concurso 3.056 serão sorteadas a partir das 21h (horário de Brasília) no Espaço da Sorte, em São Paulo.

    As apostas podem ser feitas até às 20h (horário de Brasília) de hoje em casas lotéricas credenciadas pela Caixa em todo o país ou pela internet, no site ou aplicativo da Caixa. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 6.

    No último concurso, foram sorteados os números 01 – 11 – 36 – 43 – 48 – 49 e nenhum apostador acertou as seis dezenas.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Rádio Nacional lança clipe para celebrar seus 90 anos

    Rádio Nacional lança clipe para celebrar seus 90 anos

    Para festejar as nove décadas da Rádio Nacional, a emissora pública lança, nesta quarta-feira (9), o clipe inédito da nova versão de um samba-enredo histórico da escola de samba Estácio de Sá em homenagem à rádio.

    Gravado em 1977, “Alô! Alô! Brasil!” comemorava os 40 anos da emissora. A letra foi atualizada para incluir os nomes da equipe de hoje da Nacional e para celebrar seus 90 anos.

    A parceria volta, agora, com novo fôlego. A regravação no estúdio da rádio e na quadra da agremiação reúne locutores, produtores, técnicos e demais profissionais da emissora. A ação teve a presença de ícones como o radialista Rubem Confete.

    A performance ainda conta com integrantes da vermelha e branca como a velha guarda, as baianas, os ritmistas da bateria, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, os dirigentes da Estácio de Sá e o intérprete Merica, do carro de som da escola.

    O clássico samba-enredo destaca grandes marcos da emissora como os célebres programas de auditório com grandes plateias, as transmissões esportivas, as radionovelas e as produções de humor que marcaram época.

     

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    Os versos que embalam o início do samba são: “A Rádio Nacional está presente neste carnaval // E vem contar a sua história // Nove décadas de glória // Descritas de maneira genial“.

    Na semana de aniversário da Nacional, que completa 90 anos em 12 de setembro, o vídeo estreia na telinha durante o programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães na TV Brasil, nesta quarta (9), e também entra no ar no YouTube da Rádio Nacional onde fica disponível. O clipe tem direção de Ricardo Alexandria, diretor de fotografia do canal.

    A entrevista com Edvaldo Fonseca, diretor de Carnaval da agremiação, aborda a parceria da escola de samba com a Rádio Nacional. O convidado fala sobre os eventos comemorativos em homenagem aos 90 anos da emissora e outras ações previstas com a Nacional para festejar o centenário da Estácio de Sá.

    O veículo da EBC comemora a nova iniciativa com a agremiação no ano de aniversário da rádio. Em 2027, a Estácio de Sá comemora seu centenário com um enredo temático sobre a trajetória da escola conhecida como o “berço do samba”.

    Para reforçar o vínculo, uma ala vai homenagear a Rádio Nacional no desfile deste próximo ano. Além disso, a TV Brasil prepara um documentário original sobre os 100 anos da agremiação com estreia prevista no canal durante a folia de 2027.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Veja como foi a quarta-feira (9) dos presidenciáveis

    Veja como foi a quarta-feira (9) dos presidenciáveis

    A agenda dos presidenciáveis nesta quarta-feira (9) incluiu atos e comícios, panfletagem, encontros com representantes dos setores produtivo e imobiliário, visitas a instituições e participação em ato contra a violência de gênero.

    >> Veja como foi o dia dos candidatos a presidente:

    Flávio Bolsonaro (PL)
    O candidato Flávio Bolsonaro cumpriu agenda de campanha em Juiz de Fora (MG).

    Ele participou de uma motocarreata e de um comício.

    Hertz Dias (PSTU)
    O candidato Hertz Dias visitou o Centro de Distribuição dos Correios da Vila Leopoldina, em São Paulo, e defendeu a manutenção da empresa como 100% estatal. 

    “Nossa proposta vai além de impedir a privatização. Defendemos os Correios sob controle dos trabalhadores, porque são eles que conhecem a realidade da empresa e garantem diariamente seu funcionamento”, declarou. 

    Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
    O candidato Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda de campanha no Piauí.Em Teresina, Lula visitou o Centro Estadual de Tempo Integral (CETI) Professora Júlia Nunes Alves, no bairro Itararé, onde conheceu as dependências da unidade de ensino e iniciativas relacionadas à inteligência artificial, tecnologia e formação profissional.

    Na sequência, Lula visitou as obras de revitalização e duplicação dos 13,5 quilômetros do VLT da capital piauiense, na Estação Boa Esperança.

    Renan Santos (Missão)
    Em São Paulo, o candidato Renan Santos participou de ato na Faculdade Getúlio Vargas (FGV).

    Romeu Zema (Novo)
    O candidato Romeu Zema apresentou, em Brasília, um documento direcionado aos cristãos, em que se posiciona contra o aborto em todas as situações e a legalização de drogas.

    O documento também trata de temas como saúde, educação, segurança e bets. Para Zema, é preciso combater o vício nas apostas online. 

    Ronaldo Caiado (PSD)
    O candidato Ronaldo Caiado concedeu entrevista à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, e à Rádio Massa FM.

    Ele participou de um encontro, na capital paulista, com a Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) e visitou o Instituto Resgatando Vidas, que oferece atividades educacionais, culturais e esportivas para comunidades da periferia.  

    O candidato destacou a importância de organizações sociais que atendem demandas “onde o Estado não é capaz de suprir”.

    Rui Costa Pimenta (PCO)
    O candidato Rui Costa Pimenta não teve agenda pública de campanha.

    Samara Martins (UP)
    A candidata Samara Martins cumpriu agenda na cidade de São Paulo.

    Ela participou do Ato Por Uma Pátria Sem Feminicídios e Sem Estupros, na Praça da Sé, região central, que reuniu manifestantes e integrantes do UP.

    Wilson Grassi (Democrata)
    O candidato Wilson Grassi concedeu entrevista ao jornal A Voz de Campos, de Campos dos Goytacazes (RJ).

    Ele criticou a postura de concorrentes que não vão a debates e o fato de os veículos de comunicação não convidarem todos os candidatos.. 

    Augusto Cury (Avante)
    Na capital paulista, o candidato Augusto Cury visitou a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

    Ele ainda participou de uma reunião com a Organização das Cooperativas do Estado da Bahia (Oceb) e com a Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).

    Clariana Barão (DC)
    A candidata Clariana Barão participou de um evento no Jockey Club de São Paulo.

    Edmilson Costa (PCB)
    O candidato Edmilson Costa não teve agenda pública de campanha.

    A ordem de apresentação da cobertura da agenda dos candidatos a presidente segue rodízio diário em ordem alfabética.

    >> Assista na TV Brasil

    * Colaboraram Bruno de Freitas Moura (Rio de Janeiro), Luciano Nascimento (São Luís) e redação de São Paulo.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Mendonça homologa delação sobre financiamento do filme sobre Bolsonaro

    Mendonça homologa delação sobre financiamento do filme sobre Bolsonaro

    O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) a delação do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior no âmbito das investigações sobre repasses de dinheiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à produção da cinebiografia Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Freixo Júnior, também conhecido como Mineiro, é apontado como o responsável pelos repasses de dinheiro ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo é gerido por um advogado próximo a Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, filho do ex-presidente e que atualmente mora nos Estados Unidos.

    O caso envolve também o senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República, que pediu dinheiro a Vorcaro para, supostamente, financiar o filme sobre o pai. O senador vem afirmando que o dinheiro do ex-banqueiro foi destinado integralmente à produção do filme

    Eduardo Bolsonaro é condenado por coação no curso do processo, ao articular o tarifaço contra as exportações brasileiras para tentar evitar a condenação ex-presidente Jair Bolsonaro no processo da trama golpista. Ele nega ter recebido dinheiro de Vorcaro.

     

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Novas medidas para combustíveis terão impacto de R$ 7 bilhões por mês

    Novas medidas para combustíveis terão impacto de R$ 7 bilhões por mês

    As novas medidas anunciadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis terão custo estimado de R$ 7 bilhões por mês, informou nesta quarta-feira (9) o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

    O pacote inclui redução de tributos sobre gasolina e etanol e uma nova subvenção ao diesel, em meio à alta do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio.

    “Estamos fazendo uso do espaço fiscal de que dispomos, sem pedir espaço adicional”, declarou Moretti.

    Gasolina e etanol

    Decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reduz em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, fazendo a cobrança cair para R$ 0,16 por litro.

    Para o etanol hidratado, os tributos federais serão zerados temporariamente, com redução de R$ 0,19 por litro.

    As medidas valem de 10 de setembro a 9 de outubro e substituem a subvenção anterior da gasolina, de R$ 0,44 por litro. O impacto estimado da desoneração da gasolina e do etanol é de R$ 2 bilhões por mês.

    Subsídio ao diesel

    Medida provisória autoriza nova subvenção de R$ 1 por litro de diesel rodoviário para produtores e importadores. O valor será regulamentado pelo Ministério da Fazenda e revisado a cada 30 dias, podendo ser alterado, interrompido ou prorrogado conforme as condições do mercado.

    O custo estimado é de R$ 5 bilhões em setembro, dependendo da adesão das empresas.

    Custo total

    Somadas as novas medidas, o impacto mensal chega a R$ 7 bilhões. Com a atual subvenção de R$ 1,12 por litro de diesel, que termina em 27 de setembro e custa R$ 5,5 bilhões por mês, o impacto sobre as contas públicas em setembro será de R$ 12,5 bilhões.

    Entre março e agosto, o governo gastou ou deixou de arrecadar R$ 25 bilhões com medidas para conter os preços dos combustíveis. Com setembro, a conta chega a R$ 37,5 bilhões em 2026.

    Recursos

    O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo espera mais de R$ 10 bilhões em receitas extraordinárias de petróleo para financiar as desonerações.

    “A estimativa de receitas extraordinárias para esse período será de mais de R$ 10 bilhões”, disse.

    A subvenção do diesel será financiada por crédito extraordinário editado por medida provisória. O impacto será incorporado ao próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para 24 de setembro.

    O relatório traz orientações para a execução do Orçamento. Caso necessário, o governo poderá bloquear gastos não obrigatórios para cumprir os limites de despesas do arcabouço fiscal.

    Alta do petróleo

    Moretti rejeitou a avaliação de que o pacote tenha caráter populista e afirmou que as medidas são temporárias e buscam reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo.

    “Essa é uma política de suavização de preço, de mitigação dos efeitos da guerra sobre os preços de derivado. Portanto, não há uma redução artificial. Não há distorção de preço relativo, não há um uso, digamos, populista desse instrumento”, afirmou.

    O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou a US$ 101,21 nesta quarta-feira, com alta de 3,36%. Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que “as medidas buscam amortecer, de forma temporária, os efeitos dessa conjuntura internacional sobre o mercado doméstico”.

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu ações temporárias para proteger a população e classificou como boa prática a adoção de “medidas limitadas e temporárias”.

    Segundo o governo, as medidas anteriores ajudaram a conter os preços. Durante a guerra, o diesel caiu 6% no Brasil, enquanto subiu 25% na Alemanha. Apesar da queda recente, os preços brasileiros ainda estão acima dos níveis anteriores ao conflito.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Brasil encara Costa Rica na semi da Copa América de futebol de cegos

    Brasil encara Costa Rica na semi da Copa América de futebol de cegos

    Pentacampeã mundial e paralímpica, seleção brasileira masculina de futebol de cegos está a duas vitórias de conquistar o sétimo título da Copa América. Nesta quinta-feira (10), às 17h30 (horário de Brasília), o Brasil entra em quadra contra a Costa Rica pelas semifinais do torneio, no CT Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. A competição tem entrada gratuita e transmissão ao vivo online em inglês no canal da Federação Internacional de Esportes de Cegos – a International Blind Sports Federation (IBSA) – no YouTube. A primeira semifinal será entre Argentina e Colômbia, a partir das 15h. 

    O adversário dos brasileiros na semi foi definido na noite de quinta (8), após o término da fase de grupos. A Costa Rica encerrou em segundo lugar da Chave 1, ao golear a Guatemala (4 a 0), somando ao todo duas vitórias e uma derrota – a Argentina ficou em primeiro lugar. Já o Brasil, classificado com uma rodada de antecedência com duas vitórias seguidas, confirmou a liderança da Chave 2 após empate em 0 a 0 com a Colômbia. Os colombianos se classificaram em segundo lugar no Grupo 2.

    “Saímos um pouco da nossa forma de jogar, do controle do jogo. A Colômbia conseguiu fechar a casinha e usar muito o contra-ataque, o que desgastou bastante a nossa equipe. Agora é preparar a equipe para a semifinal. Tenho certeza de que vamos fazer um grande jogo e, consequentemente, chegar ao nosso objetivo final, que é conquistar o título dentro de casa”, analisou o técnico Cesinha após o empate contra a Colombia.

    Quem vencer as semifinais decidirá o título no sábado (12), às 17h30. Antes, às 15h, haverá a disputa do terceiro lugar. A seleção brasileira iniciou a Copa América embalada, após faturar o título dos Jogos Parasul-Americanos há cerca de dois meses.  O torneio reuniu ao todo 12 nações, divididas em dois grupos. O Brasil ficou na chave 2 junto com Colômbia, Peru e Chile. Já o grupo 1 reuniu México, Costa Rica, Argentina e Guatemala.

    Principal potência da modalidade, o Brasil foi campeão das Copas do Mundo de 1998, 2000, 2010, 2014 e 2018 e faturou cinco ouros paralímpicos (Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2020). 

    Seleção feminina é vice-campeã 

    As brasileiras foram vice-campeãs da Copa América na última terça (8), após serem superadas por 1 a 0 pela Argentina, atual bicampeã mundial. Antes de disputar a final, a seleção somou duas vitórias – sobre o Canadá (7 a 0) e sobre o México (2 a 0) – e uma derrota, para a Argentina (1 a 0) na competição em turno único. Na disputa do terceiro lugar, o México levou a melhor sobre o Canadá (1 a 0). 

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original

  • Fachin decide tirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news

    Fachin decide tirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (9) e ficam preservadas todas as decisões tomadas por Moraes no processo até a data de hoje.

    O inquérito foi aberto pela Corte em março de 2019 e continua em andamento. Na época, o então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, defendeu a medida como forma de combater a veiculação de notícias que atingiam a honorabilidade e a segurança do STF, de seus membros e parentes. O ministro também nomeou Moraes como relator.

    A decisão de Fachin ocorre durante uma crise protagonizada por Moraes e o ministro André Mendonça. Na semana passada, Moraes incluiu acusações contra Mendonça no âmbito do inquérito das Fake News. O relatório dizia que Mendonça teria, em tese, praticado uma série de condutas tipificadas como improbidade administrativa, abuso de autoridade e favorecimento a determinados grupos políticos.

    Dias antes, Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da PF que trazia mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes. Vorcaro é alvo central da Operação Compliance Zero, que trata da suspeita de fraudes financeiras bilionárias no Master, e está preso atualmente.

    Nesta quarta, Fachin determinou a retirada da investigação contra Mendonça do inquérito das fake news. Todo seu conteúdo foi remetido ao próprio presidente da Corte.

    Fonte: Agência Brasil ? Leia a notícia original